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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

As 10 maiores decepções de 2019

Nessa semana eu lancei aqui no blog a lista com os melhores filmes do ano, e assim como foi um ano de grandes obras também foi um ano de grandes decepções. Resolvi elencar dez delas, lembrando sempre que trata-se de uma lista pessoal e que eu não estou citando aqueles que para mim foram os piores do ano (se fosse assim, a lista seria um pouco diferente e bem maior), mas sim, aqueles dos quais eu estava esperando algo (seja pelo diretor, seja pelo elenco ou pela estoria em si) e foi muito abaixo das minhas expectativas. Vamos lá.

10º Divino Amor, de Gabriel Mascaro

O trailer de Divino Amor dava a ideia de que seria um filme crítico contra o fanatismo religioso, e no fundo realmente não deixa de ser, mas a péssima edição, as falhas grotescas de direção, as cenas extremamente desnecessárias e longas de sexo explícito e as atuações risíveis transformaram o novo filme de Gabriel Mascaro numa verdadeira bomba.

9º Tolkien, de Dome Karukoski

Como grande fã da literatura de J. R. R. Tolkien, eu esperava ansioso para ver sua história ser contada nas telas, e foi uma decepção e tanto. O filme é muito corrido, tem atuações fracas, e quando parece que finalmente vai engrenar, acaba. Quando se faz uma biografia de um músico, por exemplo, obviamente se mostra como foi o processo de criação das canções, e eu esperava que seria da mesma forma com a vida de Tolkien, mas o filme se preocupa em focar mais na sua vida antes de se tornar escritor do que na criação dos seus livros clássicos. Nem sua relação bonita com os filhos é mostrada na tela, pois o filme termina antes disso acontecer. Decepcionante.

8º Cadê Você, Bernadette?, de Richard Linklater

Richard Linklater, da trilogia de Antes do Amanhecer e de Boyhood, tinha sob sua câmera nada mais nada menos do que a atriz Cate Blanchet, e desperdiçoou a chance de fazer mais um grande filme na sua carreira. Cadê Você, Bernadette? até começa bem, mas não demora muito para cansar e se tornar extremamente entediante. É tudo muito simplório, e até mesmo a abordagem da depressão, que foi o que me chamou a atenção para ver o filme, foi feita de forma superficial.

7º Peterloo, de Mike Leigh

O massacre de Manchester, como ficou conhecido, em que forças britânicas mataram 15 pessoas e feriram mais de 700 em retaliação a um ato pacífico que pedia pelo direito a votos, nunca tinha ganhado uma adaptação para as telas apesar de ser um acontecimento bastante lembrado na Inglaterra. Coube a Mike Leigh, de Segredos e Mentiras, trazer essa estória para as telas, mas ficou muito abaixo do esperado, com um ritmo lento, muita verborragia e pouca emoção.

6º Yesterday, de Danny Boyle

Não dá para dizer que Yesterday é um filme todo ruim, mas ficou muito abaixo do que eu esperava, ainda mais por se tratar de um diretor veterano como Danny Boyle. Ao tentar nos mostrar como seria um mundo sem os Beatles, o filme teus seus bons momentos sim, principalmente os números musicais, mas peca pelos furos no roteiro, por suas atuações fracas e principalmente por focar mais em ser uma comédia romântica do que qualquer outra coisa.

5º Um dia de Chuva em Nova York, de Woody Allen

Depois de todos os problemas que teve para ser lançado, o novo filme de Woody Allen finalmente chegou aos cinemas com bastante atraso nesse mês de dezembro, mas a verdade é que poderia nem ter saído. Com um ritmo extremamente corrido (até mesmo para um filme de curta duração), personagens muito mal trabalhados, e um casal de protagonistas totalmente sem química, Um dia de Chuva em Nova York é um dos filmes mais dispensáveis da carreira do diretor.

4º A Morte e Vida de John F. Donovan, de Xavier Dolan

Xavier Dolan é um dos meus diretores preferidos na atualidade, e isso só serviu para aumentar ainda mais a decepção com esse seu novo trabalho. O roteiro é extremamente superficial, sem aprofundamentos, sem uma verdadeira estória pra contar, e o Kit Harington parecia mais perdido do que no episódio final de Game of Thrones.

3º IT: Capítulo 2, de Andy Musquietti

Após uma boa primeira sequência, era esperado um desfecho a altura para a estória baseada no livro de Stephen King, mas foi tudo ruim demais. O bom elenco até que tentou, mas o resultado final foi uma série de erros, desde inconsistências no roteiro até elementos visuais desnecessários.

2º Clímax, de Gaspar Noé

Sou muito fã de Gaspar Noé e do seu cinema incômodo, que não tem medo de ousar e muitas vezes causa desconforto no público, mas dessa vez eu fiquei desconfortável de uma maneira diferente da que eu esperava. Desconfortável no sentido ruim da palavra, com a péssima qualidade do longa, desde suas atuações até seu desfecho. Poucas vezes torci pra um filme terminar como torci para esse, e quero distância pro resto da minha vida.

1º A Lavanderia, de Steven Soderbergh

O elenco tinha Meryl Streep, Antonio Banderas, Gary Oldman, e a direção do veterano Steven Soderbergh, mas mesmo assim conseguiu ser o pior filme que vi no ano. É triste ver um elenco como esse ser desperdiçado em uma estória tão fraca, com uma edição tão mal feita, e por isso é para mim a grande decepção desse 2019.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Os 20 melhores filmes lançados no Brasil em 2019

Mais um ano se aproxima do fim e chegou novamente aquele momento tão esperado de fazer a lista com os melhores filmes do ano. Foi um ano de grandes diretores nas telas, como Scorsese, Tarantino, Joon-ho Bong e Noah Baumbach, mas também de grandes novidades, como as diretoras Eva Husson, Mimi Leder e Nadine Labaki. Com enredos que vão desde a luta de classes até cinebiografias, a lista de 2019 está bastante diversificada. Confira ela completa abaixo:


20º O Ano de 1985, de Yen Tan (Estados Unidos)

O filme acompanha um jovem que está morando longe dos pais há três anos e está retornando à casa da família para a ceia de Natal. Bom, até aí tudo bem, mas as coisas não são tão simples assim. Ele acabou de passar por uma tragédia pessoal além de ter sido diagnosticado com AIDS, e precisa contar isso para uma família extremamente religiosa e conservadora e que não faz a mínima ideia da sua orientação sexual. Ah, lembrando ainda todo o contexto dos anos 1980, onde o preconceito era muito maior do que é hoje. O que eu mais gostei nesse filme foi o fato dele fugir do convencional sobre o assunto e trazer uma abordagem extremamente delicada, focando na dor interna e silenciosa que o personagem sente por ter que esconder das pessoas que ele ama aquele quem ele verdadeiramente é.


19º O Traidor, de Marco Bellocchio (Itália)

O novo filme de Bellocchio se passa nos anos 1980 e acompanha o período em que o mafioso Tommaso Buscetta, refugiado no Brasil e posteriormente preso pela polícia federal brasileira, decidiu delatar os nomes de centenas de envolvidos com a máfia siciliana, o que culminou no maior julgamento da história da Itália. O filme tem boas atuações e possui uma atmosfera quase documental, e o enredo não cansa em nenhum momento apesar da sua longa duração. Representante da Itália no Óscar de 2020, O Traidor conta ainda com duas belezas brasileiras: as lindas paisagens da cidade do Rio de Janeiro e a atriz Maria Fernanda Cândido.

18º Green Book, de Peter Farrely (Estados Unidos)


O nome do filme se refere a um livreto conhecido no período da segregação racial nos Estados Unidos, que indicava os lugares onde os negros eram permitidos, como hotéis, bares e restaurantes. Vencedor do Óscar de melhor filme este ano, Green Book usa a viagem de um músico negro pelo sul dos Estados Unidos nos anos 1960 para explorar este período difícil da história, mas tudo com leveza e até mesmo bom humor. Mesmo que não discuta o racismo fortemente como outros filmes, o assunto está presente o tempo inteiro, e não poderia ser diferente, dado o contexto da época. Vale muita a pena conferir a atuação de Mahershala Ali, que também venceu o Óscar de melhor ator coadjuvante.


17º Rocketman, de Dexter Fletcher (Estados Unidos)

O astro Elton John é interpretado brilhantemente por Taron Egerton nesse filme que conta sobre sua carreira e sua ascensão meteórica no mundo da música. O filme não tem medo de flertar com o gênero musical clássico, daquele jeitão que todos costumam associar quando se pensa em musical, com coreografias e cenas bem animadas, mas também tem um ótimo apelo dramático, principalmente na questão do uso de drogas e da solidão de alguém que pensa não se encaixar no mundo. As metáforas visuais tornam o filme uma aventura e tanto, e encantam tanto os fãs do artista quanto quem está tendo contato com sua história pela primeira vez.


16º A Odisseia dos Tontos, de Sebastián Borensztein (Argentina) 


Como um grande fã do cinema argentino que sou, não poderia deixar de fora da lista mais um grande trabalho deste diretor, que já havia me conquistado com Um Conto Chinês. Novamente trabalhando com Ricardo Darín, ele traz aqui uma história de superação de "tontos", denominação para pessoas que trabalham honestamente e só se ferram. Após se reunirem para formar uma cooperativa e investirem dinheiro em um negócio, um grupo de pessoas acaba sofrendo um golpe de um banqueiro e de seu advogado. A partir de então eles começam a armar um plano e vão até o limite para recuperar tudo o que perderam. O filme tem um ótimo bom humor e uma mão firme na direção. Na sessão que assisti, todos aplaudiram no final, meceridamente.

15º Suprema, de Mimi Leder (Estados Unidos)

O filme conta a história real de Ruth Bader Ginsburg, interpretada pela Felicity Jones, que fez história nos anos 1960 ao se tornar uma das primeiras mulheres a ingressar na Suprema Corte dos Estados Unidos, um ambiente majoritariamente masculino. O enredo faz um excelente retrato da sociedade machista daquela época, mostrando todos os obstáculos que ela enfrentou para chegar onde chegou, apenas pelo fato de ser mulher. Mais do que uma homenagem a essa grande jurista, Suprema é um filme necessário numa época em que, infelizmente, ainda é preciso discutir o feminismo e os direitos iguais.


14º Cyrano Mon Amour, de Alexis Michalik (França)

Cyrano de Bergerac é uma das peças mais importantes da história do teatro, e já foi encenada mais de vinte mil vezes ao longo de dois séculos. O filme de Alexis Michalik conta como surgiu esse personagem na cabeça de Edmond Rostand, ainda no final do século 19, e todas as dificuldades que ele enfrentou para realizar a ideia nos palcos. Fracassado na carreira de dramaturgo, Rostand começou a buscar inspiração em situações rotineiras e, como de praxe, em uma musa inspiradora, para escrever esse grande clássico. A ambientação da época e o bom humor fazem desse filme uma linda experiência, além de ser uma verdadeira declaração de amor ao teatro.

13º A Vida Invisível, de Karim Ainouz (Brasil)

Escolhido para representar o Brasil no Óscar de 2020, A Vida Invisível era um dos filmes nacionais mais esperados do ano e cumpriu muito bem com as expectativas. A trama conta a história de duas irmãs, Gilda e Eurídice, que cresceram juntas no seio de uma família tradicional portuguesa no Rio de Janeiro mas que, por consequências do destino, acabaram se separando na vida adulta. O filme traz críticas contundentes ao machismo da sociedade na década de 1960, com uma estonteante beleza nos detalhes. As atuações, a trilha sonora e a ambientação da época são impecáveis, e a participação especial de Fernanda Montenegro foi a cereja do bolo de mais um grande sucesso do cinema nacional.


12º Amor à Segunda Vista, de Hugo Gélin (França)

Enredos envolvendo histórias de amor e viagens no tempo já foram feitos aos montes por aí, mas aqui a receita ganhou uma originalidade que de cara me conquistou. A trama acompanha o casal Raphael e Olivia, que se conhecem na faculdade e se apaixonam perdidamente um pelo outro. Após 10 anos morando juntos e mais uma briga rotineira do casal, Raphael simplesmente acorda em uma realidade paralela, onde eles nunca se conheceram e ele vive uma vida completamente diferente da que tinha. Desesperado, ele encontra uma maneira de voltar no tempo para tentar consertar as coisas e ter a sua vida anterior de volta. É um filme de romance mas com um enredo bem complexo e surpreendente, com personagens muito bem trabalhados e um humor refinado.


11º Era Uma Vez em... Hollywood, de Quentin Tarantino (Estados Unidos)

O nono filme do Tarantino pode não ser o melhor trabalho da sua carreira, mas o cineasta é tão grandioso na sua maneira de nos contar uma história que mesmo assim o filme figura entre os melhores do ano. Como se fosse uma espécie de homenagem do diretor a tudo que serviu de inspiração nos seus filmes anteriores, Era Uma Vez em... Hollywood se passa na Los Angeles dos anos 1960 e acompanha um ator em decadência, interpretado por Leonardo DiCaprio, que busca o seu espaço fazendo participações em séries de faroeste, contando sempre com a ajuda do dublê e amigo fiel, interpretado pelo Brad Pitt. O filme tem ainda como pano de fundo a seita liderada por Charles Manson, que naquela época colocou terror em Los Angeles com uma série de assassinatos, o mais conhecido deles o da atriz Sharon Tate, que no filme ganha vida nas mãos de Margot Robbie. Ao que tudo indica, o filme deve ter presença garantida no próximo Óscar e em categorias importantes, como a de melhor filme, melhor roteiro e principalmente a de melhor ator.

10º Parasita, de Joon-ho Bong (Coréia do Sul)

Gosto muito dos filmes do diretor Joon-ho Bong (Expresso do Amanhã é um dos meus filmes preferidos da vida), que tem como característica principal tocar na ferida da luta de classes, tema que ele sabe abordar como ninguém no cinema oriental. E com Parasita não poderia ser diferente. Fui olhar com grande expectativa, até por conta da vitória em Cannes, e não me decepcionei. Mostrando um lado da Coreia do Sul que não é mostrada na televisão (o da pobreza, da sujeira, e da falta de perspectiva num futuro melhor), o filme acompanha uma família que vive num apartamento apertado no subúrbio e decidi aplicar um "golpe" em uma família rica para experimentar, pelo menos por alguns dias, o que é ter uma vida de luxo. A crítica social está presente durante todo o filme, sempre mostrando um contraste entre os dois mundos distintos, o da riqueza e o da pobreza, seja de forma explícita ou simplesmente pelas ações despretensiosas dos personagens.

9º Dois Papas, de Fernando Meirelles (Reino Unido)

O novo filme do genial Fernando Meirelles começa exatamente com a morte do Papa João Paulo II e o conclave que elegeu o novo Papa, Joseph Ratzinger. Assim que o novo Papa assume o posto, o argentino Jorge Bergoglio, um dos cardeais mais importantes da igreja, decide pedir sua aposentadoria, já que tem uma visão completamente oposta às ideias do novo "comandante" da igreja. Os encontros dos dois é o que move este filme, e é muito interessante analisar que desde o início existe um antagonismo nos dois personagens, de um lado Ratzinger defendendo uma igreja mais fiel aos ideais que vem de séculos, contra uma ideia mais liberal de Bergoglio, que quer mudanças. O enredo vai mostrando esses encontros até o momento que Ratzinger renuncia ao cargo, e Bergoglio se torna o Papa Francisco. É um filme interessantíssimo até para que não é religioso, como é o meu caso, justamente pela direção extremamente competente, pelos ótimos diálogos e pelas atuações irretocáveis de Anthony Hopkins e Jonathan Pryce.


8º Bacurau, de Kléber Mendonça Filho (Brasil)

Sucesso de público e crítica, não somente no Brasil mas principalmente no exterior, Bacurau já é com certeza o maior filme da carreira do pernambucano Kléber Mendonça Filho. O longa se passa numa cidadezinha do sertão nordestino, chamada Bacurau, e acompanha uma série de eventos que se sucedem a uma estranha aproximação de um grupo de estrangeiros na região. Não é um filme de fácil absorção, muito pelo contrário, mas é uma obra instigante, daquelas que vão ficando melhor a cada vez que você pára para analisar tudo que acontece nela. É uma espécie de faroeste sertanejo, ainda que fuja de qualquer tipo de rotulação, e traz no enredo muita crítica social, mesmo que grande parte seja implícita. Em tempos de obscuridade, o cinema nacional teve com Bacurau um dos seus respiros mais profundos.


7º História de um Casamento, de Noah Baumbach (Estados Unidos)

Com um verdadeiro show de interpretação de Scarlett Johansson e Adam Driver, o novo filme de Noah Baumbach entrou fácil para a lista dos melhores do ano. O filme conta a história de um casal que está se divorciando e precisa lidar com a disputa na justiça pela guarda do filho, um tema já abordado tantas vezes no cinema, mas poucas vezes de forma tão humana. O diretor evita o uso de cortes e de flashbacks, e a separação do casal é mostrada principalmente através dos seus diálogos e das suas ações, focando principalmente nos detalhes da personalidade de cada personagem, que nos faz entender como tudo chegou aonde está. Noah utiliza um divórcio para trazer uma abordagem diferente do amor e do respeito entre dois seres humanos, com seus defeitos e qualidades, que apenas viram a parceria existente entre eles se esvair pelos dedos com o passar do tempo, sem apontar culpados.


6º Graças a Deus, de François Ozon (França)

Baseado numa história real, o novo filme de François Ozon toca no polêmico assunto da pedofilia dentro da igreja católica, mostrando um padre que volta à cidade onde deu catequese após três décadas. Ao descobrir seu retorno, uma das vítimas daquela época decide reunir outras pessoas que também foram abusadas pelo mesmo padre para tentar uma punição na justiça. O diretor aborda as sequelas psicológicas que as crianças abusadas levam para o resto de suas vidas, e critica o modo como a instituição sempre tentou passar pano para diminuir as repercussões dos casos. Há também um bom debate sobre a questão psicológica dos abusadores, o que torna o filme bem complexo e necessário.


5º O Irlandês, de Martin Scorsese (Estados Unidos)

Se tem um diretor que sabe abordar a violência nos cinemas, esse é Martin Scorsese. Anos depois dos clássicos Os Bons Companheiros e Cassino, ele volta ao gênero máfia/gângster com O Irlandês, um dos filmes mais esperados do ano. Só de ver Joe Pesci, Al Pacino, Robert DeNiro e Harvey Keitel juntos novamente já valeria a pena cada segundo, mas o filme vai muito além de um grande elenco e é uma verdadeira aula de cinematografia. Com longas sequências, trilha sonora envolvente, diálogos muito bem trabalhados e um espetáculo de atuações, o filme é com absoluta certeza um dos grandes favoritos ao próximo Óscar.


4º Nunca Deixe de Lembrar, de Florian Henckel van Donnersmarck (Alemanha)

Finalista no último Óscar de melhor filme estrangeiro, Nunca Deixe de Lembrar é a odisseia de um artista desde a sua infância na Alemanha Hitlerista até a sua consagração na Alemanha já dividida pelo Muro de Berlim. O roteiro acompanha a vida desse artista durante 4 décadas, e junto viaja pela história do país e pelas diversas mudanças sociais que ocorreram no período. O que mais encanta ao longo de todo filme é sua fotografia, unida a uma trilha sonora encantadora e a ótimas atuações. Um filme necessário para nunca deixar de se lembrar o quão destrutiva uma guerra é capaz de ser na vida dos seres humanos e de toda uma geração.

3º Coringa, de Todd Philips (Estados Unidos)

O Coringa é um filme corajoso, como há muito não se via no cinema de multidões, e é exatamente isso que o cinema americano precisava: ousadia. O personagem já havia aparecido em diversos filmes ao longo dos anos, mas somente agora, pela primeira vez, ganhou um filme só seu, e com uma grandiosidade que superou todas as expectativas. O diretor Todd Philips nos apresentou um trabalho de construção de personagem impressionante, desses que revigoram o cinema e nos fazem lembrar como é bom amar a sétima arte. E tudo isso não seria possível sem um grande ator por trás, Joaquim Phoenix, naquela que talvez seja a grande atuação da sua carreira até então. Coringa é o tipo de filme em que você sai da sala do cinema atordoado, tentando digerir o que viu.


2º Filhas do Sol, de Eva Husson (França)

Um dos filmes mais pesados deste ano veio da França, e além de ser dirigido por uma mulher também foi protagonizado somente por mulheres. Pela ótica de uma correspondente de guerra, o filme conta a história real de um grupo de mulheres que sobreviveram a um massacre do Estado Islâmico na região do Curdistão e que juntas pegaram em armas para formar um exército de resistência. É o tipo de filme que deixa cicatrizes profundas em quem assiste, pois é impossível ficar indiferente a tudo que é mostrado. Um filme que, apesar de sufocante, brinda nossos olhos com lindas cenas e nos deixa com a sensação de ter visto algo único nas telas. "Mulheres, vida, liberdade!".


1º Cafarnaum, de Nadine Labaki (Líbano)

Só de lembrar da sensação que eu tive ao ver esse filme no cinema, eu chego a me arrepiar, de verdade. Cafarnaum é um longa poderosíssimo e super intenso, que fala não somente sobre as mazelas sociais mas também sobre a falta de esperança de crianças e adultos em meio a uma realidade caótica e sub humana. O enredo gira em torno de um garoto libanês de 12 anos que vive numa família abusiva e sonha com o mínimo: poder um dia estudar em uma escola. Porém, obrigado a trabalhar desde cedo, o garoto precisa deixar esse sonho de lado. Sem registro de seu nome, é quase como se ele não existisse perante o mundo, e a situação piora quando ele se vê sozinho pelas ruas. Em algumas sessões há relatos de aplausos calorosos no final da exibição, na minha houve choro, muito choro. Um choro de impotência, por estarmos vendo uma realidade que infelizmente está tão distante de mudar. A maior obra-prima do cinema em 2019.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Os 25 melhores filmes lançados no Brasil em 2018

Mais um ano está se aproximando do fim, e como já é de praxe chegou a hora de fazer aquele balanço anual do que aconteceu de melhor nas telas do cinema neste período. Então, confira abaixo a lista com os 25 melhores filmes lançados no Brasil em 2018:


25º Arábia, de João Dumans e Affonso Uchôa (Brasil)

Vencedor do Festival de Brasília, Arábia é um filme quase documental sobre a vida de um homem trabalhador que, dia após dia, luta pela sobrevivência nesse Brasil gigantesco e cheio de desigualdade. Incentivado a escrever uma peça teatral sobre sua vida, Cristiano (Aristides de Souza), trabalhador de uma fábrica, começa a escrever suas memórias e pouco a pouco passa a refletir sobre tudo que passou para chegar até onde está. Cristiano teve que peregrinar por todos os cantos do país em empregos muitas vezes desumanos e em locais insalubres, mas jamais deixou de seguir em frente, mesmo quando tudo parecia perdido. Com excelentes reflexões sobre a vida e seus percalços, Arábia é mais um belo exemplar do cinema independente brasileiro.

24º A Casa que Jack Construiu, de Lars von Trier (Dinamarca)

Se existe um diretor que não se curva às críticas para agradar um público maior, esse é Lars von Trier. Seu cinema nunca foi e nem nunca será fácil, e o que eu mais admiro nos seus trabalhos é a capacidade que ele tem de mostrar de forma sarcástica o pior lado do ser-humano. Ambientado nos anos 1970, A Casa que Jack Construiu mostra 12 anos na vida de um serial killer ardiloso, interpretado por Matt Dilon. O enredo utiliza a filosofia para entrar fundo na mente do psicopata, quase como se fosse uma sessão de psicoterapia, onde ele conta seus desejos e planos para um interlocutor, Virgílio (Bruno Ganz). Com cenas arrebatadoras, esse filme me proporcionou uma das experiências visuais mais incríveis e intensas que já tive dentro de uma sala de cinema.


23º Confronto no Pavilhão 99, de S. Craig Zahler (Estados Unidos)

Brutal e sem rodeios, o novo filme de S. Craig Zahler segue a linha do seu antecessor, Bone Tomahawk, e não economiza na violência. A trama acompanha Bradley Thomas (Vince Vaughn), sentenciado a sete anos de prisão após ser pego vendendo drogas. Ao chegar na prisão, ele recebe a notícia que sua mulher foi sequestrada e a única forma de manter ela viva é matando um dos prisioneiros, que está no pavilhão 99 da prisão de segurança máxima. O enredo faz uma homenagem aos filmes clássicos de prisão, mas com estilo próprio e único de um diretor que ainda tem muito a mostrar daqui pra frente.


22º Eu, Tonya, de Craig Gillespie (Estados Unidos)

O filme conta a história de Tonya Harding, uma das patinadoras de maior sucesso da história dos Estados Unidos, mas que foi banida do esporte e virou notícia no mundo todo após uma gravíssima denúncia envolvendo seu nome e o de seu marido na época. Apesar do teor cômico do filme, a história de vida de Tonya foi um verdadeiro pesadelo, desde sua infância com a mãe abusiva até o relacionamento tóxico e violento com o marido. O ponto alto do filme são as atuações, principalmente de Allison Janney, que faz a mãe da atleta.


21º Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer (Estados Unidos)


De todos os filmes programados para serem lançados em 2018, Bohemian Rhapsody certamente era o que eu mais estava esperando. Como um grande fã de Queen, minha expectativa estava lá no alto, e foi gratificante ver o filme cumprindo bem seu papel nas telas. Compreendendo boa parte da carreira, da entrada de Freddie Mercury até o icônico show no Live Aid, o enredo emociona ao mostrar o lado humano dos membros da banda e principalmente a criação de algumas das canções mais famosas que marcaram e continuam marcando gerações. Destaque pra grande atuação de Rami Malek.


20º Severina, de Felipe Hirsch (Uruguai)

Filmes que falam do amor à literatura tem um lugar especial no meu coração. Severina, do uruguaio Felipe Hirsch, se situa dentro de uma livraria de Montevidéu e acompanha seu dono, um homem solitário que utiliza o tempo ocioso para ler e também se dedicar a escrever seu próprio livro. Sua rotina é alterada quando uma jovem mulher começa a frequentar o local todos os dias, sempre furtando algum livro de uma das prateleiras. Boa parte da trama consiste no mistério que envolve essa mulher e sua origem, o que desencadeia num roteiro bem simples mas muito bonito e repleto de diálogos marcantes.


19º Benzinho, de Gustavo Pizzi (Brasil)

O filme de Gustavo Pizzi é um retrato sensível e emocionante de uma família de classe média que mora no Rio de Janeiro e precisa lidar com as adversidades e surpresas da vida em meio a uma grave crise financeira. O enredo mostra com muita naturalidade o dia dia desta família que está buscando investir em um negócio novo enquanto busca levar a vida da melhor forma. O mote central da trama, porém, é quando o filho mais velho do casal recebe um convite para jogar handebol na Alemanha e a família fica dividida entre a felicidade de vê-lo chegar ao sucesso e a tristeza de ver a casa começando a ficar mais vazia.


18º Ella e John, de Paolo Virzi (Estados Unidos)


Quem nunca sonhou em comprar um trailer e sair pela estrada sem rumo, apenas curtindo o que a vida tem de bom pra oferecer? Pois essa sempre foi uma das atividades preferidas de Ella e John, desde que eram jovens namorados. Agora, aposentados, os dois resolveram relembrar os bons tempos numa longa viagem pelos Estados Unidos. Apesar de estarem se divertindo como se fosse a primeira vez, os dois não tem mais a mesma saúde de antes e ambos sabem que esta provavelmente será sua última viagem juntos. A trama tem cenas belíssimas, e flerta com o humor de forma muito racional. Talvez o maior êxito de Paolo Virzi foi mostrar esta parceria entre duas pessoas que, mesmo com o passar de tantos anos e dos inúmeros contratempos, continuam dispostos a dar todo amor e dedicação um ao outro, algo raro.


17º A Ganha-Pão, de Nora Twomey (Canadá)

É muito interessante parar para perceber como, de uns anos para cá, vem surgindo muitas animações críticas com temas realmente adultos. Finalista no Óscar de melhor animação, A Ganha-Pão se passa no Afeganistão e mostra, sob os olhos de uma criança, todos os horrores que o regime talibã, baseado em ideais religiosos ultrapassados, trouxe aos habitantes do país, sobretudo às mulheres. O clima do filme é pesadíssimo, mas não deixa de ter seus momentos singelos e bonitos. Uma grande obra sobre família, liberdade e sobretudo humanidade.


16º A Forma da Água, de Guillermo Del Toro (Estados Unidos)

Vencedor do Óscar deste ano de melhor filme e melhor direção, o novo filme de Del Toro dividiu opiniões ao trazer às telas o romance improvável entre uma mulher e uma criatura fantástica, capturada pelos agentes federais no meio da floresta amazônica. O enredo se passa numa época em que Estados Unidos e União Soviética travavam uma guerra científica, sem contar as inúmeras mudanças sociais ocorridas naquele período, e isso tudo foi encaixado com perfeição na trama. Visualmente, A Forma da Água é deslumbrante, e tem cenas memoráveis.


15º O Que as Pessoas Vão Dizer, de Iram Haq (Noruega)

Representante da Noruega no Óscar 2019, O Que as Pessoas Vão Dizer traz novamente à tona a discussão da liberdade individual sendo sufocada por dogmas religiosos, mostrando a história de Nisha, uma adolescente que vive no seio de uma família muçulmana na capital norueguesa. Apesar da pressão da família para seguir as tradições da religião, Nisha quer ser como toda jovem de sua idade, quer frequentar festas, namorar e, principalmente, ter liberdade de escolhas. Mas infelizmente, como muitas Nisha's que existem por aí no mundo, ela se vê obrigada a carregar o triste peso de viver uma vida que não é dela.


14º Promessa ao Amanhecer, de Éric Barbier (França)

Cinebiografia do romancista francês Romain Gary, Promessa ao Amanhecer conta, através de seus próprios escritos, como foi sua infância e adolescência ao lado da mãe, uma mulher forte, corajosa e que fazia de tudo pelo bem do filho. Foi nessa relação maternal que Gary se agarrou para seguir vivendo, mesmo com todos os problemas que o atingiam e o faziam querer desistir a todo instante. O que mais chama a atenção no longa é a fotografia e a atuação impressionante de Charlotte Gainsbourg,  talvez a melhor que já vi da atriz em toda sua carreira.

13º Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh (Estados Unidos)

Com um roteiro inteligentíssimo e um humor negro afiado, o filme de Martin McDonagh era meu grande favorito ao óscar deste ano. A trama acompanha uma mulher (Frances McDormand) que teve a filha brutalmente assassinada e busca resposta das autoridades. Indignada por estar vendo o caso sendo cada vez deixado mais de lado, ela resolve fazer outdoors pela estrada exigindo ações do detetive Willoughby (Woody Harrelson), que por sua vez também se sente culpado por não conseguir ir adiante nas investigações. O filme tem muitos diálogos marcantes, mas o que chama a atenção de verdade é a atuação de McDormand, que lhe rendeu o Óscar de melhor atriz.

12º Sem Amor, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)

Nessa sociedade carente de amor, afeto e empatia que vivemos hoje, Sem Amor se torna um filme muito atual ao acompanhar um casal que viveu por anos juntos mas que agora está em processo de divórcio. O motivo nada mais é que o "desamor" que surgiu entre eles com o passar do tempo, algo comum nas relações humanas. O problema é que no meio disso tudo está o filho do casal, de apenas 12 anos, símbolo de uma geração criada com falta de atenção e carinho. Aliás, todos os personagens do filme são bastante frios, e isso é bem chocante. Em algum momento é mostrado o casal vivendo novos amores após o fim, mas infelizes da mesma forma, o que prova que não basta mudar de amor se você não mudar a maneira de agir e amar as pessoas ao seu redor.


11º A Vida em Si, de Dan Fogelman (Estados Unidos)

A vida como ela é, simples, com seus desenlaces, suas pequenas e grandes tragédias e principalmente suas surpresas. O filme de Dan Fogelman se divide em capítulos e mostra com muita sensibilidade a forma como histórias de vida se cruzam de forma natural. De um casal em Nova Iorque a uma família na Espanha, todos de alguma forma estão interligados, e o roteiro inteligentíssimo e muito bem montado consegue mostrar isso de forma primorosa. 


10º Buscando..., de Aneesh Chaganty (Estados Unidos)

Empolgante e inovador, Buscando... utiliza o sumiço de uma jovem numa cidade norte-americana para discorrer sobre diversos assuntos atuais, como o uso excessivo das tecnologias e a consequente distância numa relação entre pais e filhos. Obviamente, o que chama a atenção de cara no filme é o seu formato de filmagem, chamado "Screen Life", onde praticamente toda a ação do enredo é mostrada dentro de telas de celulares ou notebooks, que o pai utiliza para tentar descobrir o que poderia ter levado ao sumiço da menina. O filme é carregado de tensão e traz um final bem imprevisível.

9º O Insulto, de Ziad Douieri (Irã)

O Insulto parte de uma situação corriqueira e simples (um cano quebrado na rua) para abordar a intolerância e, sobretudo, mostrar como o ser-humano vive à flor da pele, onde uma pequena "faísca" é capaz de gerar um conflito de proporções absurdas. Um muçulmano e um cristão estão no centro dessa briga, que vai parar nos tribunais até chegar à mídia, e aí explodir de vez numa "guerra" entre os dois lados da cidade. O mais importante do longa é a mensagem que ele passa, extremamente relevante nos tempos de polarização em que vivemos.


8º O Motorista de Táxi, de Jang Hoon (Coréia do Sul)


O filme de Jang Hoon mistura drama e humor para abordar um dos períodos mais difíceis da história da Coréia do Sul, quando o país passou por uma violenta ditadura militar. E tudo isso sob a visão de um cidadão comum, um motorista de táxi, que sem querer acaba fazendo sua parte para mudar a história ao transportar um fotógrafo estrangeiro. Muito mais do que entretenimento, o filme serve de lição para que coisas como essa nunca mais aconteçam em lugar nenhum do mundo.

7º Foxtrot, de Samuel Maoz (Israel)

Com uma montagem louvável e um enredo impecável, Foxtrot usa três atos, contados de forma não-linear, para criticar ferrenhamente o exército de Israel, o que inclusive gerou polêmica com ministros do país na época do seu lançamento. O primeiro ato mostra uma família recebendo a notícia da morte do filho, enquanto o segundo mostra a rotina do mesmo enquanto estava cuidando de uma fronteira do país. O terceiro ato, por sua vez, junta as partes e fecha o filme brilhantemente, sem deixar nada para trás. Uma das coisas que mais chamam a atenção é sua fotografia, com enquadramentos que beiram a perfeição numa verdadeira aula de como se fazer cinema.


6º Uma Noite de 12 Anos, de Álvaro Brechner (Uruguai)

Na segunda metade do século 20 todos os países do sul da América do Sul passaram por algum período ditatorial, e Uma Noite de 12 anos mostra um pouco do que foi o regime militar no Uruguai, que durou exatos 12 anos. A trama se passa dentro de uma das prisões do regime e acompanha três prisioneiros e suas mil maneiras de seguir com esperança em meio a violentas torturas físicas e psicológicas. Entre eles estava Pepe Mujica, que se tornou presidente do Uruguai em 2010. Tive o prazer de ver esse filme no cinema, o que me proporcionou uma das experiências sensoriais mais impressionantes até então, quando a sala inteira aplaudiu de pé logo após o final do filme.

5º Viva - A Vida é uma Festa, de Lee Unkrich (Estados Unidos)

Desde que comecei a postar listas dos melhores nos finais de ano, essa é a primeira vez que uma animação fica entre os primeiros. E não poderia ser diferente, já que Viva - A Vida é Uma Festa é, provavelmente, um dos melhores filmes já lançados do gênero. Abordando com muita sensibilidade temas como morte e família, ele é um filme que toca fundo na alma de quem o assiste, seja da idade que for. Além da belíssima mensagem que a estória transmite, é muito legal também para conhecer um pouco mais sobre a cultura mexicana e suas tradições.

4º The Great Buddha +, de Huang Hsin-yao (Taiwan)

Representante de Taiwan no próximo Óscar de melhor filme estrangeiro, The Great Buddha + descreve com muita sensibilidade e doses de humor o dia-dia de um vilarejo do país, se aprofundando em aspectos de uma cultura pouca conhecida para os lados de cá. O enredo acompanha dois trabalhadores de uma fábrica de estátuas de bronze, onde está sendo construído um grande Buda. Grandes amigos, os dois se reúnem todas as noites para botar conversa fora, até que encontram um novo "hobbie". O que mais me conquistou nesse filme foi sua forma poética de contar a estória, com diálogos espirituosos e cheios de reflexões sobre a vida.


3º The Square - A Arte da Discórdia, de Ruben Ostlund (Suécia)

Provocativo, intenso e com um senso de humor diferenciado, o filme de Ruben Ostlund impressiona desde as primeiras cenas com sequências originais. A trama acompanha o curador de um conceituado museu de arte moderna de Estocolmo, que está prestes a receber uma nova exposição, chamada The Square, que segundo a autora tem a intenção de sensibilizar o público sobre a importância da empatia. Ao mesmo tempo em que apoia a exposição, o mesmo age de forma mesquinha com todos ao redor, e Ostlund usa isso para criticar a hipocrisia no ser-humano. Não é um filme fácil, pelo contrário, mas quando você consegue "pescar" sua essência e entrar fundo na estória, a experiência se torna única.


2º Custódia, de Xavier Legrand (França)


O cinema contemporâneo francês possui uma forte característica de crítica social, e o filme do estreante Xavier Legrand não foge disto. O enredo acompanha um casal que acabou de se divorciar, focando na disputa dos dois pela guarda do filho de 11 anos. É um filme com cenas bem pesadas, que mostra sobretudo o drama de viver em um relacionamento abusivo e violento. Num tempo onde todos os dias vemos notícias de mulheres sendo agredidas e mortas por ex-maridos, esse filme se torna absolutamente atual.

1º Infiltrado na Klan, de Spike Lee (Estados Unidos)

"Essa parada é baseada em fatos pesadíssimos", já avisava o primeiro letreiro do filme, mas ainda assim confesso que eu não estava preparado para ver o que eu vi. Voltando a mexer na ferida da segregação racial nos Estados Unidos, Spike Lee trouxe às telas um dos filmes mais pesados e críticos dos últimos anos. Passando-se nos anos 1970, o enredo acompanha um policial negro (John David Washington) que começa a se passar por um homem branco para tentar se infiltrar na Ku Klux Klan. No cenário atual, onde discursos de ódio ganharam voz sob a desculpa da "liberdade de expressão", este filme se tornou extremamente necessário e é impossível termina-lo indiferente. Por isso, é para mim o grande longa do ano.

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