O cineasta americano Steven Spielberg está planejando retomar um projeto inacabado do diretor falecido Stanley Kubrick. O diretor quer transformar em uma série de televisão o roteiro de "Napoleão", abandonado por Kubrick ainda na década de 70.
Em entrevista recente à emissora francesa Canal+, Spielberg disse que está desenvolvendo a minissérie seguindo fielmente o roteiro de Kubrick. Porém, não há mais detalhes sobre o projeto.
Essa não seria a primeira vez que Spielberg daria continuação a um projeto inacabado de Kubrick. Em 2001, Spielberg dirigiu "A.I. Inteligencia Artificial", a partir de uma ideia que os dois haviam desenvolvido em parceria algumas décadas antes.
O roteiro de Napoleão começou a ser desenvolvido em 1960, quando Kubrick passou dois anos estudando a vida do imperador francês para escrever a cinebiografia. Kubrick tinha planejado lançar o filme antes de "2001 - Uma Odisséia no Espaço", mas o projeto foi abandonado por falta de orçamento e dificuldade de produção.
Kubrick ficou extremamente chateado na época por não poder lança-lo. Levo muita fé no Spielberg, e acho que ele tem plena capacidade de passar aquilo que o Kubrick queria. Enfim, agora só nos resta esperar para ver o que vai sair disso.
Fonte: Folha de São Paulo
terça-feira, 5 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
Cinema Europeu: De Meliès a Amélie Poulain
A vertente cinematográfica vinda do velho continente sempre encantou, fazendo com que fosse (e ainda seja cada vez mais) considerado por muitos, como o lugar onde se faz o melhor cinema do mundo.
Foi na frança, mais precisamente em Paris, que ocorreu a primeira exibição pública paga de um filme, feita pelos irmãos Lumière em dezembro de 1895. O fato é conhecido pelos historiadores como o pontapé inicial da história do cinema.
Da França também surgiu George Meliès, pioneiro em efeitos especiais. Seu filme mais famoso, A Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune), é cultuado por ter sido o primeiro filme a trazer efeitos visuais que, para a época, acabaram sendo visionários.
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| Cena de A Viagem à Lua, de George Meliès. Mostra o sonho humano de chegar à lua, que só se concretizou mais de 60 anos depois. |
A partir da segunda década do século XX, a Europa começou a produzir seus primeiros longas metragens, como Queen Elizabeth (França, 1912), Quo Vadis (Itália, 1913) e Cabíria (Itália, 1913), todos com no mínimo duas horas de duração.
No anos 20, o cinema de Hollywood passou a ser o mais importante do mundo, com o aparecimento de diversos estúdios grandiosos, muitos dos quais ainda existem até hoje (como Fox, Universal e Paramount). Em contrapartida ao crescimento do cinema americano, o cinema europeu buscou alternativas para não ficar atrás. No final da década, quase todos os filmes feitos nos Estados Unidos já eram falados, mas por razões econômicas, o som demorou mais um tempo para atravessar o oceano. Chantagem e Confissão, do cineasta inglês Alfred Hitchcock, teria sido o pioneiro nesse sentido, ainda em 1929.
Na França, entre as décadas de 20 e 30, teve início o período que posteriormente viria a se chamar Cinema Impressionista Francês, com destaque para o diretor Jean Renoir e seus filmes realistas e poéticos, como A Grande Ilusão e A Regra do Jogo. Já na Alemanha, surge o Movimento Expressionista, onde se destacam obras como O Gabinete do Dr. Cagliari, de Robert Wiene, Nosferatu, de F. W. Murnau e Metrópolis, de Fritz Lang.
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| Imagem de Nosferatu, filme de 1922 do diretor alemão F. W. Murnau. |
Entre as décadas de 30 e 40, surgem principalmente os filmes patrióticos, por conta da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha lança diversos filmes propagandistas a favor do movimento nazista, entre eles O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl. Na Itália, surge o cinema Neo-realista, uma reação ao cinema fascista de Mussolini, que conta com diretores como Vittorio de Sica e Roberto Rosselini. E na União Soviética, o cinema ganhava força na luta contra o nazismo, com filmes como Alexandre Nevski, de Eisenstein.
Ainda no final dos anos 40, a Inglaterra chamava atenção com seu cinema pós-guerra de qualidade. Os principais nomes do movimento foram os diretores David Lean, Carol Reed e Michael Powell.
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| Grande comício Nazista que foi mostrado no filme O Triunfo da Vontade, de 1935. |
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| Cena de Acossado, um dos filmes mais marcantes da Nouvelle Vague Francesa. |
Entrando na década de 60, a Itália ganha destaque graças ao cinema como sátira social de Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, além do cinema pseudo-erótico de Píer Paolo Pasolini. Na Inglaterra, surge a New Wave britânica, com nomes consagrados como Jack Clayton (Almas em Leilão, O Grande Gatsby) e Tony Richardson (As Aventuras de Tom Jones). E na União Soviética pós-guerra, surge o nome de Andrei Tarkovski.
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| Marcello Mastroiani e Anita Ekberg na cena clássica de A Doce Vida, de Fellini. |
Aos poucos, o cinema europeu começou a influenciar diretores americanos, mudando inclusive o estilo Hollywoodiano de fazer filmes. Stanley Kubrick, Woody Allen, Francis Ford Copolla e Martin Scorsese foram alguns dos diretores que se destacaram usando fórmulas bem "europeias" nas suas obras.
No anos 70, Bernardo Bertolucci se destacava na itália, enquanto Fellini se consagrava cada vez mais como o melhor diretor do país segundo os críticos e o público. Theo Angelopoulos surge na Grécia com seus filmes intensos, enquanto o novo cinema alemão, com Werner Herzog e Rainer Werner Fassbinder, ia crescendo cada vez mais.
A Inglaterra, nesse período, experimentou como nunca, e lançou grandes produções como Carruagens de fogo e Gandhi, além de filmes do diretor Stanley Kubrick, que era americano mas trabalhava no país.
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| Maria Schneider e Marlon Brando em O Último Tango em Paris, de Bertolucci. |
Após esse período, o cinema europeu sofreu uma certa recessão, e só voltou a ganhar destaque nos anos 80, com o surgimento de Pedro Almodóvar na Espanha, e seu cinema extravagante e colorido. Na Itália, Giuseppe Tornatore ganhava fama ao lançar filmes belíssimos como Cinema Paradiso. Na Alemanha, o nome de Win Wenders também ganhou algum destaque, com seu jeito poético de filmar.
De lá para cá, ainda é possível assistir belas obras produzidas no velho continente. Seja filmes políticos, seja comédias ou dramas psicológicos, o cinema europeu parece vinho: quanto mais envelhece melhor fica.
Nessas últimas duas décadas, tivemos grandes filmes oriundos de lá. Da Itália, o maravilhoso A vida é bela, de Roberto Benigni. Da Áustria, nos deparamos com o nome de Michael Haneke e da Dinamarca, o de Lars von trier. Almodóvar se firmou como um grande diretor espanhol, enquanto Jean-Pierre Jeunet aparecia como um dos grandes nomes da atualidade, com seu O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.
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| Audrey Tautou no simpático O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. |
Na Alemanha, os últimos anos foram reservados aos filmes sobre nazismo, principalmente como forma de se redimir do mal que o regime trouxe ao mundo. Filmes como Adeus, Lênis e A Onda mostram bem esse sentimento e essa preocupação.
Enfim, abaixo fiz uma lista dos melhores filmes europeus de todos os tempos, separados por seu respectivo país de origem:
Alemanha:

- O Gabinete do Dr. Cagliari; Robert Wiene (1919)
- Nosferatu; F. W. Murnau (1922)
- Fausto; F. W. Murnau (1926)
- Metrópolis; Fritz Lang (1927)
- M - O Vampiro de Dussendorf; Fritz Lang (1931)
- O Triunfo da Vontade; Leni Riefenstahl (1935)
- O Medo Devora a Alma; Rainer Werner Fassbinder (1974)
- O Enigma de Kaspar Hauser; Werner Herzog (1974)
- Fritzcarraldo; Werner Herzog (1982)
- Paris, Texas; Wind Wenders (1983)
- Asas do Desejo; Win Wenders (1987)
- Corra Lola, Corra; Tom Tkywer (1999)
- Adeus, Lênin; Wolfgang Becker (2002)
- A Queda - As Últimas Horas de Hitler; Oliver Hirschbiegel (2004)
- A Vida dos Outros; Florian Henckel van Donnersmarck (2006)
- A Onda; Dennis Gansel (2008).
Espanha:
- O Cão Andaluz; Luis Buñuel (1929)
- Viridiana; Luis Buñuel (1961)
- El Verdugo; Luís García Berlanga (1963)
- O Discreto Charme da Burguesia; Luis Buñuel (1972)
- O Espírito da Colmeia; Víctor Erice (1973)
- Cría Cuervos; Carlos Saura (1976)
- Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos; Pedro Almodóvar (1988)
- Segredos em Família; Fernando León de Aranoa (1996)
- Tudo Sobre Minha Mãe; Pedro Almodóvar (1999)
- A Língua das Mariposas; José Luis Cuerda (1999)
- Lucia e o Sexo; Julio Medem (2001)
- Mar Adentro; Alejando Amenábar (2004)
- O Labirinto do Fauno; Guilhermo del Toro (2006)
França:
- A Viagem à Lua; George Meliès (1902)
- Napoleão; Abel Gance (1927)
- A Paixão de Joana D'Arc; Carl Theodor Dreyer (1928)
- O Atalante; Jean Vigo (1934)
- A Grande Ilusão; Jean Renoir (1937)
- A Regra do Jogo; Jean Renoir (1939)
- A Bela e a Fera; Jean Cocteau (1946)
- O Salário do Medo; Henri-Georges Clouzot (1953)
- Hiroshima, meu amor; Alain Resnais (1959)
- Os Incompreendidos; François Truffaut (1959)
- Acossado; Jean-Luc Godard (1960)
- Jules e Jim, Uma Mulher Para Dois; François Truffaut (1962)
- O Demônio das Onze Horas; Jean-Luc Godard (1965)
- A Grande Testemunha; Robert Bresson (1966)
- Cyrano de Bergerac; Jean-Paul Rappeneau (1990)
- O Ódio; Mathieu Kassovitz (1995)
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain; Jean-Pierre Jeunet (2001)
- Irreversível; Gaspar Noé (2002)
- O Artista; Michel Hazanavicius (2011)
Inglaterra:
- Os 39 Degraus; Alfred Hitchcock (1935)
- Grandes Esperanças; David Lean (1946)
- Hamlet; Laurence Olivier (1948)
- Os Sapatinhos Vermelhos; Michael Powell (1948)
- O Terceiro Homem; Carol Reed (1949)
- As Oito Vítimas; Robert Hamer (1949)
- A Ponte do Rio Kwai; David Lean (1957)
- Almas em Leilão; Jack Clayton (1959)
- Lawrence na Arábia; David Lean (1962)
- 2001, Uma Odisséia no Espaço; Stanley Kubrick (1968)
- Laranja Mecânica; Stanley Kubrick (1971)
- Inverno de Sangue em Veneza; Nicolas Roeg (1973)
- O Homem Elefante; David Lynch (1980)
- Carruagens de Fogo; Hugh Hudson (1981)
- Gandhi; Richard Attenborough (1982)
- Trainspotting; Danny Boyle (1996)
- Shakespeare Apaixonado; John Madden (1998)
Itália:
- Roma, Cidade Aberta; Roberto Rossellini (1945)
- Ladrões de Bicicleta; Vittorio de Sica (1948)
- A Aventura; Michelangelo Antonioni (1960)
- A Doce Vida; Federico Fellini (1960)
- Oito e Meio; Federico Fellini (1963)
- O Leopardo; Luchino Visconti (1963)
- O Evangelho Segundo São Mateus; Pier Paolo Pasolini (1964)
- Blow-Up - Depois Daquele Beijo; Michelangelo Antonioni (1966)
- Três Homens em Conflito; Sergio Leone (1966)
- Era Uma Vez no Oeste; Sergio Leone (1968)
- O Conformista; Bernardo Bertolucci (1970)
- Decameron; Pier Paolo Pasolini (1971)
- Amarcord; Federico Fellini (1973)
- 1900; Bernardo Bertolucci (1976)
- A Família; Ettore Scola (1987)
- Cinema Paradiso; Giuseppe Tornatore (1988)
- A Vida é Bela; Roberto Benigni (1997)
Rússia:
- O Homem da Câmera; Dziga Vertov (1929)
- Alexandre Nevski; Sergei Eisenstein (1938)
- Balada do Soldado; Grigori Chukhrai (1959)
- Andrei Rublev; Andrei Tarkovski (1966)
- O Espelho; Andrei Tarkovski (1975)
- Vá e Veja; Elem Klimov (1985)
- O Sol Enganador; Nikita Mikhalkov (1994)
- A Arca Russa; Alexander Sokurov (2002)
Outros:
- A Palavra; Carl Theodor Dreyer - Dinamarca (1955)
- O Sétimo Selo; Ingmar Bergman - Suécia (1957)
- Os Amores de uma Loira; Milos Forman - Tchecoslováquia (1965)
- Jeanne Dielman; Chantal Akerman - Bélgica (1975)
- Mephisto; István Szábo - Hungria (1981)
- Fanny & Alexander; Ingmar Bergman - Suécia (1982)
- Minha Vida de Cachorro; Lasse Hallstrom - Suécia (1985)
- Pelle, O Conquistador; Bille August - Dinamarca (1988)
- A Eternidade e Um Dia; Theo Angelopoulos - Grécia (1988)
- O Decálogo; Krzysztof Kieslowski - Polônia (1989)
- Meu Pé Esquerdo; Jim Sheridan - Irlanda (1989)
- A Garota da Fábrica de Caixa de Fósforos; Aki Kaurismaki - Finlândia (1990)
- Em Nome do Pai; Jim Sheridan - Irlanda (1993)
- A Excêntrica Família de Antônia; Marleen Goris - Holanda (1995)
- Underground; Emir Kusturica - Iugoslávia (1995)
- O Oitavo Dia; Jaco van Dormael - Bélgica (1996)
- Violência Gratuita; Michael Haneke - Áustria (1997)
- Trem da Vida; Radu Mihaileanu - Romênia (1998)
- Dançando no Escuro; Lars von Trier - Dinamarca (2000)
- Terra de Ninguém; Danis Tanovic - Bósnia (2001)
- Domingo Sangrento; Paul Greengrass - Irlanda (2002)
- O Pianista; Roman Polanski - Polônia (2002)
- O Pesadelo de Darwin; Hubert Sauper - Áustria (2004)
- Caché; Michael Haneke - Áustria (2005)
- Os Falsários; Stefan Ruzowitzsky - Áustria (2007)
- 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias; Cristian Mungiu - Romênia (2007)
- Sr. Ninguém; Jaco van Dormael - Bélgica (2009)
domingo, 3 de março de 2013
Recomendação de Filme #06
Fahrenheit 451 (François Truffaut) - 1966
Numa sociedade futurista e opressora, qualquer espécie de leitura é considerada crime e seus leitores passíveis de serem executados à queima-roupa caso resistam a entregar seus livros. Os bombeiros, ironicamente, são os responsáveis por queimar qualquer tipo de obra que encontrem,e por punir os "transgressores". 451 graus é considerada a temperatura ideal para a queima dos livros, e por isso o nome bastante peculiar.
O filme gira em torno de Montag (Oskar Werner), um bombeiro Londrino cuja principal responsabilidade é investigar os possíveis leitores e encontrar suas obras para, enfim, incinerá-las, representando um fim à liberdade intelectual de cada um. Conforme o governo, livros são nocivos para a saúde, causando depressão e fazendo as pessoas se tornarem pessimistas. Seguindo a lógica, a literatura abre horizontes e faz as pessoas pensarem, e no ato de pensar, enxergam tudo que há de errado no mundo. Portanto, para que ler se existe a televisão para mostrar que a vida é "bela" e "feliz"?
Montag possui um faro excepcional para o que faz, e é capaz de encontrar livros escondidos em qualquer canto de qualquer ambiente. Isso faz com que se torne um destaque da corporação. Certo dia, prestes a ser promovido, Montag acaba conhecendo a professora infantil Clarisse (Julie Christie), passando a encontrá-la com frequência enquanto a ajuda com alguns problemas pessoais, como a sua demissão da escola onde dava aulas.
Primeiro filme à cores de Truffaut, e também seu único trabalho falado em inglês, o filme já surpreende o espectador logo nos seus primeiros minutos. O diretor cria um mundo desolado, onde mal se vêem seres humanos andando nas ruas, mas em contrapartida, faz uso de cores fortes e de elementos típicos de ficção científica, como trens cujos trilhos se localizam na parte de cima dos vagões.
Ainda que tenha mudado de país, fortes elementos da Nouvelle Vague são presentes no longa, como o uso de zooms, diálogos fortes e uma estonteante beleza estética.A ideia do enredo, que é bastante fiel ao livro, tenta mostrar como seria uma humanidade sem literatura, ou melhor, uma humanidade onde não há personalidade própria nem sentimentos, e onde qualquer espécie de emoção é considerada nociva.
Apesar de fazer parte de um dos principais movimentos da história do cinema, a Nouvelle Vague francesa, o diretor François Truffaut nunca escondeu seu desejo de filmar um filme em solo americano. Após algumas tentativas frustradas, ele finalmente conseguiu lançar o audacioso Fahrenheit 451, adaptação do livro homônimo de Ray Bradbury.
Numa sociedade futurista e opressora, qualquer espécie de leitura é considerada crime e seus leitores passíveis de serem executados à queima-roupa caso resistam a entregar seus livros. Os bombeiros, ironicamente, são os responsáveis por queimar qualquer tipo de obra que encontrem,e por punir os "transgressores". 451 graus é considerada a temperatura ideal para a queima dos livros, e por isso o nome bastante peculiar.
O filme gira em torno de Montag (Oskar Werner), um bombeiro Londrino cuja principal responsabilidade é investigar os possíveis leitores e encontrar suas obras para, enfim, incinerá-las, representando um fim à liberdade intelectual de cada um. Conforme o governo, livros são nocivos para a saúde, causando depressão e fazendo as pessoas se tornarem pessimistas. Seguindo a lógica, a literatura abre horizontes e faz as pessoas pensarem, e no ato de pensar, enxergam tudo que há de errado no mundo. Portanto, para que ler se existe a televisão para mostrar que a vida é "bela" e "feliz"?
Montag possui um faro excepcional para o que faz, e é capaz de encontrar livros escondidos em qualquer canto de qualquer ambiente. Isso faz com que se torne um destaque da corporação. Certo dia, prestes a ser promovido, Montag acaba conhecendo a professora infantil Clarisse (Julie Christie), passando a encontrá-la com frequência enquanto a ajuda com alguns problemas pessoais, como a sua demissão da escola onde dava aulas.
Aos poucos, Clarisse começa a incitar Montag a experimentar ler, e lhe apresenta "David Copperfield". Curioso, o oficial resolve ler a obra do escritor Charles Dickens de cabo a rabo, e ao gostar, passa a se tornar um leitor assíduo. O fato muda completamente sua vida, e passa a pôr em risco sua carreira e até mesmo sua segurança.
Primeiro filme à cores de Truffaut, e também seu único trabalho falado em inglês, o filme já surpreende o espectador logo nos seus primeiros minutos. O diretor cria um mundo desolado, onde mal se vêem seres humanos andando nas ruas, mas em contrapartida, faz uso de cores fortes e de elementos típicos de ficção científica, como trens cujos trilhos se localizam na parte de cima dos vagões.
Ainda que tenha mudado de país, fortes elementos da Nouvelle Vague são presentes no longa, como o uso de zooms, diálogos fortes e uma estonteante beleza estética.A ideia do enredo, que é bastante fiel ao livro, tenta mostrar como seria uma humanidade sem literatura, ou melhor, uma humanidade onde não há personalidade própria nem sentimentos, e onde qualquer espécie de emoção é considerada nociva.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Crítica: Sentidos do Amor (2011)
Filmes que fazem desabrochar de dentro da gente toda espécie de sentimentos, levando a pensamentos e reflexões, são os que eu mais gosto de assistir. E foi exatamente com esses elementos, que Sentidos do Amor (Perfect Sense) acabou se tornando um dos meus favoritos para toda vida.
O cenário é apocalíptico, e mostra uma pandemia inusitada que, pouco a pouco, vai tirando os sentidos de cada um dos seres humanos. O primeiro é o olfato, logo depois o paladar e em seguida a audição. Isso, obviamente, abre um precedente para o que está por vir.
Fomos ensinados desde pequenos que o homem tem CINCO sentidos, porém, o filme nos faz acreditar que há SEIS. E esse sexto sentido que continua sempre vivo, não importa o que aconteça, é simplesmente o amor. Enquanto ainda há sentimentos, mesmo perdendo tudo, estamos vivos.
Olhando assim, até parece se tratar de um emaranhado de pieguices, mas certamente não é um filme que se deixa cair no comum. Seu roteiro é original, com momentos filosóficos e intensos, e busca questionar o tempo todo o verdadeiro sentido da vida humana. A cada perda de sensações, é impossível não perceber, introspectivamente, o quão importante são as coisas simples da vida, que por culpa do dia-dia corrido mal nos damos conta.
Outra coisa interessante do enredo é o fato de que, mesmo perdendo os sentidos, as pessoas ainda buscam fingir que vivem normalmente, por puro medo de confrontar a realidade. O diretor David Mackenzie conseguiu abranger brilhantemente as sensações, mostrando como seria um mundo sem elas, sugerindo a todo instante a importância de cada uma e a falta que nos faria viver sem.
Outra coisa interessante do enredo é o fato de que, mesmo perdendo os sentidos, as pessoas ainda buscam fingir que vivem normalmente, por puro medo de confrontar a realidade. O diretor David Mackenzie conseguiu abranger brilhantemente as sensações, mostrando como seria um mundo sem elas, sugerindo a todo instante a importância de cada uma e a falta que nos faria viver sem.
A trama gira grande parte em torno do casal Michael e Susan, vividos por Ewan McGregor e Eva Green. Dois atores da nova geração que surpreendem nas suas interpretações, firmes e verdadeiras. Por fim, Sentidos do Amor é uma grata surpresa do cinema atual. Um filme que fascina, por ser diferente, original e super bem feito.
Último filme da trilogia "O Hobbit" é adiado para dezembro de 2014.
A última parte da trilogia O Hobbit será lançada nos cinemas em 17 de dezembro de 2014, e não mais em julho, conforme planejado inicialmente pela Warner Bros.
O Hobbit - Lá e de Volta Outra Vez será a última parte da trilogia, dirigida por Peter Jackson, que ainda conta com O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (lançado em dezembro de 2012) e O Hobbit - A Desolação de Smaug (que estreia em dezembro desse ano).
O presidente da distribuição da Warner se mostrou animado com a nova data, já que assim, todos os três filmes serão lançados na mesma época (final do ano), numa sequência exata.
Porém, a justificativa do estúdio é que a data foi modificada para evitar um "confronto" com o novo filme da saga X-men, que tem data de estreia prevista para o mesmo fim de semana de julho.
Para quem não conhece, O Hobbit é a adaptação cinematográfica da aventura épica homônima, escrita por J. R. R. Tolkien, o mesmo de Senhor do Anéis, contando inclusive com alguns personagens da outra saga. O primeiro filme lançado ano passado foi um sucesso de bilheterias, e arrecadou cerca de U$ 981 milhões, segundo o site Box Office Mojo.
O Hobbit - Lá e de Volta Outra Vez será a última parte da trilogia, dirigida por Peter Jackson, que ainda conta com O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (lançado em dezembro de 2012) e O Hobbit - A Desolação de Smaug (que estreia em dezembro desse ano).
O presidente da distribuição da Warner se mostrou animado com a nova data, já que assim, todos os três filmes serão lançados na mesma época (final do ano), numa sequência exata.
Porém, a justificativa do estúdio é que a data foi modificada para evitar um "confronto" com o novo filme da saga X-men, que tem data de estreia prevista para o mesmo fim de semana de julho.
Para quem não conhece, O Hobbit é a adaptação cinematográfica da aventura épica homônima, escrita por J. R. R. Tolkien, o mesmo de Senhor do Anéis, contando inclusive com alguns personagens da outra saga. O primeiro filme lançado ano passado foi um sucesso de bilheterias, e arrecadou cerca de U$ 981 milhões, segundo o site Box Office Mojo.
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