terça-feira, 16 de abril de 2013

Especial Charlie Chaplin: Os 10 melhores filmes da sua carreira.

É muito subjetivo fazer a escolha de apenas 10 entre dezenas de obras que o grande mestre do humor Charlie Chaplin produziu, dirigiu e atuou. Há quem prefira os filmes que tocam pela emoção e os que preferem os mais engraçados, e para juntar tudo em um número tão diminuto é complicado.

Porém, em comemoração de mais um aniversário do seu nascimento, aceito aqui o desafio de citar aqueles que para mim são os 10 melhores trabalhos do diretor ao longo dos seus 52 anos de cinema. A lista mescla desde filmes do início da carreira, como Vida de Cachorro, como trabalhos já realizados no fim da vida, como A Condessa de Hong Kong.

Abaixo vocês conferem a lista completa, e para quem conhece sua obra, sinta-se a vontade de comentar e mencionar algum outro que você ache que ficou de fora.


1. O Grande Ditador - 1940
Chaplin em uma personificação (ainda que não oficialmente) de Hitler.
Primeiro filme falado do diretor, O Grande Ditador (The Great Dictator) talvez seja o filme mais corajoso dentre todos que ele já dirigiu. Em pleno andar da Segunda Guerra Mundial, Chaplin faz uso de um personagem ditador, idêntico a Hitler, que deseja ter o mundo em suas mãos. Nada mais crítico do que essa premissa. Nada mais verdadeiro.

Porém Chaplin vai ainda além, e aproveita o advento sonoro para produzir um dos melhores discursos pró-humanidade já ditos em qualquer lugar, seja na ficção ou fora dela. Uma filme grandioso, corajoso, e mordaz. Somente Chaplin poderia fazer o que fez.


2. Tempos Modernos - 1936
Chaplin enrolado com as novas engrenagens da modernidade.
Tempos Modernos (Modern Times) é certamente o campeão de exibições em salas de aula. Você certamente já deve ter visto ele em alguma aula de história, de sociologia, ou até mesmo de Artes. E talvez não tenha percebido no momento o quão grandioso é seu enredo e a mensagem por trás das imagens. 

Misturando humor pastelão com uma crítica sagaz à revolução industrial e às máquinas que se foram criadas para substituir o trabalho humano, Chaplin se mostra um homem a frente do seu tempo, e um estudioso nato do comportamento humano. Todas as obras do diretor são essenciais na prateleira de qualquer cinéfilo que se preze, mas esse tem um gostinho a mais.

3. Luzes da Cidade - 1931
Chaplin protagonizando Luzes da Cidade com Virginia Cherril.
A paixão de um pobre vagabundo por uma florista cega, que por não poder vê-lo, acredita que ele seja um milionário e que poderá ajuda-la na operação para voltar a enxergar. Uma premissa tão simples, e que nas mãos de Chaplin virou uma obra fantástica. Luzes da Cidade (City Lights) é um dos filmes mais tocantes do diretor, feito nos mínimos detalhes, com um final comovente e original. Após terminar, eu só conseguia aplaudir, tamanha é a beleza desse trabalho.

4. O Garoto - 1921
Chaplin e o inesquecível Jackie Coogan.
Quando o riso se confunde com o choro. É com essa frase que eu defino O Garoto (The Kid), um dos primeiros filmes da nova fase do diretor e um dos mais tristes e tocantes da sua carreira. Como não se emocionar com a química existente na relação entre o personagem de Chaplin e o garoto vivido por Jackie Coogan (melhor personagem mirim da história do cinema). Inocente e pueril, o filme é uma obra de arte e não necessita de palavras para descrever o amor, as imagens bastam por si só. Como anuncia no seu início: "um filme com um sorriso, e talvez, uma lágrima". Obrigado mais uma vez, Chaplin.

5. Em Busca do Ouro - 1925
Chaplin e a clássica "Dança dos Pãezinhos".
Em Busca do Ouro (The Gold Rush) é um dos filmes que contém o maior número de cenas marcantes da carreira do diretor. Quem assiste, jamais esquece da "dança dos pãezinhos", ou do personagem de Chaplin temperando e comendo um sapato na falta de outra coisa para se alimentar (usando os cadarços como espaguete). É um filme crítico, e ao mesmo tempo é um dos mais engraçados feitospor ele. Uma obra-prima, que prova que ele não possuia limites quando se falava em criatividade.

6. Luzes da Ribalta - 1952
Chaplin e Claire Bloom, em Luzes da Ribalta.
Já se aproximando do fim da sua carreira, é impressionante como Chaplin ainda conseguia fazer um filme como esse, com tamanha qualidade. Deixando de lado um pouco a comédia, que ainda assim aparece em poucos momentos, Luzes da Ribalta (Limelight) nos traz um drama que, para muitos, poderia ser quase como uma auto-biografia do diretor: um palhaço que foi esquecido com o tempo e não teve o devido valor que merecia. Triste, sincero, e porque não dizer filosófico.

"A Vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria, viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos" - fala do personagem principal.


7. O Circo - 1928

O Circo (The Circus) é um dos filmes mais simples do diretor, naquele estilo direto, feito apenas para arrecadar risadas e nada mais. Não que isso seja depreciativo, pelo contrário, Chaplin sabia fazer filmes assim como ninguém, com sutileza e graça. Resumindo: um filme que te deixa com um sorriso bobo no rosto do começo ao fim.

                                   8. A Condessa de Hong Kong - 1967
Sophia Loren e Marlon Brando, com Chaplin ao fundo.
A Condessa de Hong Kong (A Countess from Hong Kong) pode não ser o melhor filme do diretor, mas entra pra história pelo fato de ter sido seu último trabalho em vida. O filme foi complicado de ser terminado, principalmente pelas brigas de bastidores entre Chaplin e o astro do filme, Marlon Brando, que acabou deixando o clima tenso durante as gravações. Além de Brando, o filme ainda conta com a presença deslumbrante da Sophia Loren. Essa dobradinha ajudou e muito para que o filme se tornasse um grande sucesso de público.

Um detalhe importante é que esse é o único filme em que Chaplin não aparece como protagonista, apesar de ele fazer uma aparição a lá Hitchcock (durante segundos, em duas cenas distintas).

                                        9. Monsieur Verdoux - 1947
Chaplin dando vida ao vigarista Henry Verdoux.
Henry Landrú foi condenado a guilhotina por ter assediado e assassinado mais de 10 mulheres entre as últimas décadas do século 18 e as primeiras do século 19. Em Monsieur Verdoux (Monsieur Verdoux), Chaplin baseia-se nesse fato real e conta a história de um vigarista que seduzia mulheres para dar o golpe do baú. O filme é repleto de humor negro, além de ser uma crítica ferrenha ao capitalismo. 

Apesar de ser classificado como uma comédia, o filme se encaixa mais como um drama com pitadas de humor, que foram colocadas estrategicamente para não deixar o clima do filme pesado. É um Chaplin totalmente fora dos padrões, e talvez por isso seja um filme muito pouco reconhecido, mas ainda sim traz alguns momentos brilhantes.

                                       10. Vida de Cachorro - 1918


O personagem "vagabundo" ainda estava começando a aparecer para o cinema, nesse que para mim é o melhor filme da primeira fase da sua carreira. Vida de Cachorro (A Dog's Life) traça um paralelo entre a vida de um cachorro de rua e a de um vagabundo (mendigo/andarilho, para ser mais contextualizado nos dias de hoje). 

É uma comédia totalmente pastelão, como todos os seus trabalhos iniciais, mas de forma alguma sem graça. Um filme sensível, engraçado, e um tanto quanto comovente. "Quem alimenta um animal faminto, alimenta a alma" - Charles Chaplin.

domingo, 14 de abril de 2013

Crítica: O Som ao Redor (2012)


Nos dias de hoje, em que o cinema nacional se arrasta e sobrevive de comédias abobalhadas, é importante notar a presença de filmes com algo a dizer, que façam a diferença nesse cenário tão precário. Logo, O Som ao Redor merece reconhecimento por ter esse diferencial.





Não é de hoje que Recife vem produzindo obras cinematográficas de qualidade. Junto com Porto Alegre, talvez sejam as duas cidades mais ascendentes no ramo fora do eixo rio-são paulo. Escrito e dirigido pelo diretor Kleber Mendonça Filho, o filme é dividido em três partes e se concentra em uma rua da capital Pernambucana, onde todos os personagens tem suas vidas intercaladas com o passar dos dias, principalmente depois da instauração de uma milícia nos arredores.


O diretor faz uma forte analogia da vida cotidiana de uma classe média que vive enclausurada entre os muros de seus prédios e procuram algo para se distrair nos momentos de ócio. O filme trata também de toda a cegueira que essa classe parece demonstrar a respeito dos problemas sociais e econômicos do país, usando de toques sutis de ironia, que não deixa exatamente explícito o que o diretor quer passar, mas que os mais atentos conseguem perceber.



Apesar do enredo ser interessante, e da excelente qualidade visual e sonora empregadas no filme, ele peca em vários aspectos, principalmente nas atuações que são extremamente fracas. Esse ponto, aliado ao desfecho confuso, acaba estragando o resultado final, mas ainda assim é um filme que vale a pena ser visto.


Recomendação de Filme #12

                                 O Grande Golpe (Stanley Kubrick) - 1956

É sempre interessante analisar os primeiros trabalhos de um cineasta como Stanley Kubrick, que posteriormente veio provar toda a genialidade que se é conhecida. Mesmo filmado quando sua carreira ainda estava engatinhando (embora já possuísse traços do seu estilo marcante), me atrevo a dizer que O Grande Golpe (The Killing) é um dos melhores filmes de vigaristas já produzido na história.




Baseado em um livro do escritor Lionel White, o longa conta a estória de um grupo que planeja um grandioso roubo, exatamente no dia em que ocorreria uma importante corrida de cavalos. O "grande golpe" renderia cerca de 2 milhões de dólares aos bandidos, mas como todo bom filme do gênero, é óbvio que as coisas sairiam do controle e nada seria tão fácil quanto parecia.


Kubrick cria um ambiente angustiante, onde cada cena parece preceder um acontecimento importante ou revelador. Com uma bela montagem de imagens (típico dos seus filmes seguintes), o diretor cria uma atmosfera tensa, mostrando o lado "sujo" e "podre" do ser-humano.




No começo, o filme é um tanto confuso, já que inicia no meio dos acontecimentos, sem explicações e muito menos apresentações. Porém, a partir de um dado momento, o filme passa a ficar claro, e toda a ação prende o espectador até o fim. Kubrick, que ficaria famoso por sua obra ser quase toda preenchida de adaptações, mostrava um futuro promissor no seu modo de contar estórias.

É importante frisar que ele é contado em uma estrutura não-linear, que na época não era tão comum quanto hoje. O diretor começa do meio da estória, mostra o antes e o depois sem uma estrutura reta, mas o filme em momento algum fica incompleto. Pelo contrário.



De 1956 para cá, foram feitos incontáveis filmes sobre roubos, mas mesmo depois de tantos anos, O Grande Golpe não se tornou ultrapassado. Pelo contrário, ainda serve de referência, e é uma obra obrigatório no currículo de todo amante de cinema que se preze.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Estreias da Semana (12/04 a 18/04)

Seis filmes estreiam nesse final de semana em todo Brasil.

O destaque fica por conta do novo filme estrelado por Tom Cruise, Oblivion, que é mais um filme típico filme de efeitos visuais, mostrando um planeta terra pós-apocaliptico, tema já bem manjado mas que segue fazendo sucesso.

Outro destaque da semana é o filme Chamada de Emergência, estrelado pela atriz ganhadora do Oscar Halle Berry.

A lista completa dos filmes que entram em cartaz você confere logo abaixo:


Oblivion

Em 2077, Jack Harper (Tom Cruise) é o responsável pela manutenção de equipamentos de segurança em um planeta Terra irreconhecível, visto que a superfície foi destruída devido a confrontos com uma raça alienígena. O que restou da humanidade vive hoje em uma colônia lunar. Jack irá para este local daqui a duas semanas, já que está perto de terminar seu trabalho na Terra. Só que, um dia, ele encontra uma espaçonave que traz uma mulher dentro. Ao conhecê-la, tudo o que Jack sabe até então é posto em dúvida. É o início de uma jornada onde ele precisará descobrir o que realmente aconteceu no passado.

Oblivion, Estados Unidos, 2013
Direção: Joseph Kosinski
Duração: 126 minutos
Classificação: 12 anos
Ação/Ficção-Científica
Assista o trailer aqui.

                                               Chamada de Emergência

Jordan (Halle Berry) é atendente do sistema de emergência da polícia americana. Determinado dia, atende uma ligação de uma jovem assustada com o fato de que existe um homem tentando invadir sua casa. O caso acaba com o pior final possível e Jordan fica traumatizada. Anos mais tarde, ela se vê diante do mesmo criminoso, que agora ameaça outra garota, Casey (Abigail Breslin).

The Call, Estados Unidos, 2013
Direção: Brad Anderson
Duração: 94 minutos
Classificação: 16 anos.
Suspense
Assista o trailer aqui.

                                                           A Criada  

Raquel (Catalina Saavedra) trabalha como empregada doméstica e babá em uma família chilena há 23 anos. Ela é aceita como "parte da família", mas ainda mora no quarto dos fundos e faz suas refeições separada dos moradores da casa. Com a intimidade que se desenvolveu ao longo das décadas, Raquel não hesita em criticar atitudes dos donos da casa e dos filhos destes, o que acaba gerando problemas com a filha adolescente. Quando os conflitos aumentam, a mãe descarta a possibilidade de demitir a empregada, preferindo contratar uma segunda ajudante, muito mais nova do que a primeira. Percebendo a diminuição de sua influência dentro do lar, Raquel fará de tudo para se impor contra a nova garota contratada.

La Nana, Chile/México, 2009.
Direção: Sebastián Silva
Duração: 95 minutos
Classificação:
Comédia/Drama
Assista o trailer aqui.


                                            Vocês Ainda Não Viram Nada

A morte do dramaturgo Antoine d'Anthac (Denis Podalydès) faz com que os atores que atuaram em diferentes versões de sua peça teatral "Eurídice" sejam chamados para a leitura do testamento. O grupo contém grandes nomes do teatro francês, como Michel Piccoli, Mathieu Amalric, Sabine Azéma, Lambert Wilson e Anne Consigny. Após chegarem na suntuosa casa de Antoine, eles são informados que o autor deixou um depoimento gravado em vídeo. Nele, o autor pede que todos avaliem uma nova versão de "Eurídice", encenada por uma companhia de teatro.

Vous N'avez Encore Rien Vu, França, 2012
Direção: Alain Resnais
Duração: 115 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.


Angie

Angie (Camilla Belle) é uma jovem artista brasileira que vive com a mãe (Christiane Torloni), com quem tem um relacionamento desgastado. Um dia, ela resolve fazer uma viagem pela Califórnia. Ao longo do caminho ela conhece e faz amizade com Chuck (Andy Garcia), um andarilho que vive isolado, e o policial David (Colin Egglesfield). Logo passa a trabalhar na lanchonete da prima de David (Juliette Lewis), onde tenta resolver seus conflitos internos.

Open Road, Brasil/Estados Unidos, 2012
Direção: Marcio García
Duração: 85 minutos
Classificação: 10 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

O Carteiro

Victor (Carlos André Faria) é carteiro no interior do Rio Grande do Sul e tem por hábito violar a correspondência de seus moradores. Um dia, para sua surpresa, cai em sua própria armadilha ao cair de amores por uma nova moradora da cidade, a jovem Marli (Ana Carolina Machado), que troca cartas com o namorado. Victor começa a controlar as cartas entre eles e acaba interferindo na relação do casal.

O Carteiro, Brasil, 2010
Direção: Reginaldo Faria
Duração: 103 minutos
Classificação: N/C
Comédia/Drama
Assista o trailer aqui.

Menos de um mês para a estreia de "Somos Tão Jovens", cinebiografia do cantor Renato Russo

Falta menos de um mês para a estreia da cinebiografia de Renato Russo nos cinemas brasileiros (que sem imprevistos deve ocorrer dia 3 de maio), e os fãs da banda que mudou o cenário do rock nacional estão cada vez mais ansiosos na espera do resultado final. Em vista disso, aos poucos a distribuidora vai lançando materiais novos, justamente para saciar um pouco dessa ansiedade. 

Na semana que se passou, foi divulgado um novo cartaz oficial, além de um vídeo promocional contendo uma cena da trama. O filme é um dos mais esperados desse ano, pelos públicos de todas as idades, mas principalmente por quem cresceu ouvindo a poesia cantada de Renato.

Somos Tão Jovens promete narrar a trajetória de Renato Russo, desde a adolescência, quando se muda para Brasília, até a criação das bandas Aborto Elétrico e, mais tarde, Legião Urbana. Este é o primeiro filme do ano que explora o universo musical de Renato Russo: Faroste Caboblo, ficção baseada na canção do artista, também chega aos cinemas dia 30 de maio.

Abaixo, você confere os dois pôster oficiais já disponíveis e o trailer oficial do longa.