sábado, 20 de abril de 2013

Crítica: A Pequena Loja de Suicídios (2012)


Há tempos que o gênero de filmes de animação deixou de ser direcionado apenas às crianças. Nos últimos anos vimos alguns exemplos de filmes animados feitos especialmente para adultos como Valsa com Bashir, Bicicletas de Belleville, Mary and Max, Persépolis e Walking Life, e A Pequena Loja de Suicídios (Le Magasin des Suicides) é mais um que entra para a lista.



O filme de Patrice Lecont é um paradoxo incrível: fala de um tema delicado (o suicídio) em forma de musical. Percebemos essa peculiaridade logo na primeira cena, onde um coral canta uma música "alegre" sobre o tema, enquanto pessoas se jogam de prédios e na frente de caminhões, e caminham pelas ruas com caras tristes e melancólicas. 



Numa cidade cinzenta, onde as pessoas não tem rumo e não vêem sentido nas suas vidas, a loja mais famosa e frequentada é a Loja de Suicídios, comandada pela família Tavuche, onde se vendem artigos que auxiliam os suicidas a cometerem o ato final de suas vidas e onde o lema é "morte ou reembolso".




A família é composta pelo pai, a mãe, e dois filhos que ajudam na loja. Mas tudo muda quando a mãe dá a luz a um garoto diferente, que já desde pequeno demonstra ser alegre e feliz, um contraste com os outros membros da família. No início os pais tentam frear essa felicidade, ensinando ao garoto que a vida é triste e não há motivos para sorrir. Mas ele cresce e segue sendo o mesmo, e aos poucos, essa alegria vai contagiando os moradores da casa e consequentemente o resto da cidade.


O diretor soube criar com maestria uma alegoria musical ao redor de um tema tão delicado como esse, e só isso já vale o filme. Uma estória que tinha tudo para ser triste, mas que acaba sendo o contrário disso, e termina sendo uma grande lição sobre a vida. Os personagens são extremamente cativantes, além das músicas serem ótimas e a fotografia ser impecável. A direção de arte também merece aplausos pela ótima caracterização de uma cidade pútrida e sem esperança.



Por fim, A Pequena Loja de Suicídios é de fato uma crítica ao ser-humano cada vez mais frio e pessimista, e principalmente ao número crescente de suicídios cometidos diariamente, principalmente na Europa. Uma animação NÃO-recomendável aos pequenos, mas SUPER-recomendável aos crescidos.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Crítica: Thérèse Desqueyroux (2012)


Não á nada fácil construir um filme de época. Há uma grande dificuldade em transpôr uma história ambientada no passado sem que se pareça com um roteiro vazio de novela épica. Alguns filmes conseguem, mas ultimamente temos visto alguns tiros n'água, e esse filme é um exemplo disso.



Adaptação do livro homônimo de 1927 escrito pelo francês Fraçois Mauriac, Thérèse Desqueyroux (Thérèse Desqueyroux) narra a história da personagem de mesmo nome, Thérèse, única herdeira de um terreno valioso de sua família.



Ela acaba tendo que se casar com Bernard Desqueyroux de forma arranjada, sem paixão alguma, pelo simples fato dessa união ser boa para os negócios de ambas as famílias. Enquanto vive seu dia-dia infeliz ao lado de seu novo marido, Thérèse se comunica com Anne (sua cunhada) através de cartas. Anne está apaixonada, mas por inveja de algo que nunca terá, Thérèse a incentiva a fazer aquilo que ela fez: casar com alguém que não ama pelo bem da família.



A história promete, mas acaba caindo na previsibilidade. Nos deparamos com uma personagem enigmática no início, mas ao decorrer do tempo vamos perdendo o interesse. A narrativa é arrastada, e pouco atrativa. Apesar da fotografia ser belíssima, e alguns diálogos serem interessantes, é um filme que não prende o espectador.



A degradação física e psicológica que sofre a personagem é bem feita, mas não chega a ser  verossímil. Audrey Tatou está bem no papel, mas há coisas que são exageradas na sua atuação (a atriz parece nunca ter deixado Amélie Poulain de lado). Thèrese sofre com sua vida indesejada, mas ao invés de lutar ou se esforçar para mudar a situação, prefere agir de má fé e ter atitudes infantis. Eu pelo menos esperava mais de uma protagonista como ela.




Por fim, o último filme em vida do diretor Claude Miller (que faleceu em abril do ano passado) é tão monótono quanto a vida da personagem principal. Em outras palavras, é um filme que não cumpre o que promete.



Festival de Cannes divulga seleção oficial de filmes.


Cartaz oficial da edição de 2013.
 Foi liberada essa semana a lista de todos os filmes que serão exibidos na 66ª edição do Festival de Cannes, que começa no próximo dia 15 de maio na cidade da riviera francesa.

Na lista dos filmes em competição, aparecem nomes de diretores renomados, como Steven Sodenbergh, Roman Polanski, Paolo Sorrentino e os irmãos Coen, que garantiram presença com suas novas obras.

Dirigido por Baz Luhrmann, o filme de abertura do festival será O Grande Gatsby, longa que conta com o ator Leonardo Di Caprio, e que promete ser um dos grandes filmes desse ano, apesar de não estar na disputa oficial.

Confira abaixo a lista completa dos filmes que estarão em competição:


Carey Mulligan em Inside Llewyn Davis,
novo filme do irmãos Coen,
que compete esse ano no júri oficial.
 - Inside Llewyn Davis - Joel e Ethan Coen (EUA)
- Le Passé - Asghar Farhadi (França)
- Jeune et Jolie - François Ozon (França)
- Nebraska - Alexander Payne (EUA)
- Venus in Furs - Romand Polanski (EUA)
- Behind the Candelabra - Steven Sodenbergh (EUA)
- Only God Forgives - Nicolas Winding Refn (Dinamarca)
- The Immigrant - James Gray (EUA)
- Un Chateau in Italie - Valeria Bruni Tedeschi (França)
- Michal Kohlhaas - Arnoul Despalliere (Alemanha/França)
- Jimmy P. - Arnaud Desplechin (França)

Cena de Behind the Candelabra, do
cineasta Alexander Payne.

- Heli - Amat Escalante (México)
- Grisgris - Mahamat-Saleh Haroun (Africa)
- A Touch of Sin - Jia Zhangke (China)
- Like Father, Like Son - Hirozaku Kore-eda (Japão)
- La Vide d'Adele - Abdellatif Kechiche (França)
- Wara no Tate - Takashi Miike (Japão)
- La Grande Bellezza- Paolo Sorrentino (Itália)
- Borgman - Alex Van Warmerdam (Holanda)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Estreias da Semana (19/04 a 25/04)

Oito filmes entram em cartaz essa semana no Brasil. A lista tem longas para todos os gostos, desde terror psicológico a romance de novela.

O gênero de terror, que tem produzido poucas obras nos últimos meses, volta com tudo com o tão esperado A Morte do Demônio, do diretor Fade Alvarez, remake do clássico de 1981. Para os fãs de ação policial, estreia O Acordo, filme estrelado pelo ator Dwayne Johnson. Já para os fãs de romances, tem mais uma adaptação de um livro de Nicholas Sparks, Um Porto SeguroDa europa, estreia Ginger & Rosa e Irmãs Jamais.

No âmbito nacional, temos a estreia de Meu Pé de Laranja Lima, adaptação do cultuado livro de José Mauro de Vasconcelos. Ainda do território brasileiro, temos Hoje, filme com a atriz Denise Fraga sobre os fragmentos que a ditadura militar deixou para a população mesmo depois de anos, e o documentário Coração do Brasil, que fala dos indígenas brasileiros.

Abaixo vocês conferem a lista completa.



A Morte do Demônio

Mia (Jane Levy) é uma viciada em drogas que, para vencer seus demônios pessoais, pede ao irmão David (Shiloh Fernandez) que a acompanhe até uma cabana rústica, que pertence à família. Natalie (Elizabeth Blackmore), namorada de David, e os amigos de infância Olivia (Jessica Lucas) e Eric (Lou Taylor Pucci) aceitam viajar com os irmãos. Após chegarem, Mia resolve fazer uma cerimônia na qual se desfaz das últimas drogas que lhe restam. Entretanto, eles são surpreendidos ao descobrirem que a cabana havia sido invadida e que o porão parece uma espécie de altar grotesco, rodeado por animais mumificados. Lá eles encontram um livro antigo. Atraído, Eric resolve lê-lo em voz alta, sem imaginar que este ato despertaria uma força demoníaca.

Evil Dead, Estados Unidos, 2013.
Direção: Fede Alvarez
Duração: 91 minutos
Classificação: 18 anos.

                                                        O Acordo

Um adolescente é preso injustamente por um crime que não cometeu e, após ser julgado, acaba sendo condenado a 10 anos de prisão. Desesperado, seu pai John Matthews (Dwayne Johnson) está disposto a qualquer acordo para livrá-lo da cadeia. É quando recebe a proposta de uma promotora federal (Susan Sarandon) para que trabalhe como agente infiltrado em uma operação em andamento, que tem por meta capturar um poderoso chefão das drogas (Benjamin Bratt).

Snitch, Estados Unidos, 2013
Direção: Ric Roman Waugh
Duração: 112minutos
Classificação: 14 anos
Ação/Thriller
Assista o trailer aqui.

Um Porto Seguro

Quando uma misteriosa mulher chamada Katie (Julianne Hough) se muda para a pequena cidade de Southport, Carolina do Sul, seus novos vizinhos começam a levantar questões sobre seu passado. Bela e discreta, ela evita qualquer tipo de laço pessoal com os outros habitantes da região até que conhece o charmoso Alex (Josh Duhamel), um homem gentil, viúvo e pai de dois filhos, e a sincera Jo (Cobie Smulders), que se torna sua amiga. Katie começa a se interessar por Alex e se sente cada vez mais afeiçoada a ele e sua família. Ela acaba se apaixonando mas um segredo de seu passado a impede de ser plenamente feliz. Baseado em um livro de Nicholas Spark.

Safe Haven, Estados Unidos, 2013
Direção: Lasse Hallstrom
Duração: 115 minutos
Classificação: 12 anos
Drama/Romance
Ginger & Rosa

Londres, 1962. Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert) são amigas inseparáveis. Elas sonham com uma vida melhor que as de suas próprias mães, sempre presas à rotina doméstica, mas a crescente ameaça de uma guerra nuclear as amedronta. Não demora muito para que ambas entrem em conflito com as mães, ao mesmo tempo em que passam a idolatrar Roland (Alessandro Nivola), o pai pacifista de Ginger. Ele encoraja na filha a "lutar contra a bomba", mas aos poucos Rosa demonstra ter outros interesses envolvidos.

Ginger & Rosa, Canadá/Croácia/Dinamarca/Reino Unido, 2012.
Direção: Sally Potter
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos

                                                       Irmãs Jamais

Mistura de documentário e ficção nostálgica, conta em seis episódios uma história sobre a família do diretor Marco Bellicchio em Bibbio, na Itália, que ocorreu entre os anos de 1999 e 2008.

Sorelle Mai, Itália, 2013
Direção: Marco Bellocchio
Duração: 105 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                               Meu Pé de Laranja Lima

Adaptação cinematográfica do livro homônimo de José Mauro de Vasconcelos, que mostra a forte de relação de amizade criada entre um garoto carente de 8 anos e um senhor rico de idade avançada.

Meu Pé de Laranja Lima, Brasil, 2013.
Direção: Marcos Bernstein
Duração: 97 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                            Hoje

Vera (Denise Fraga) é uma ex-militante política que recebe uma indenização do governo, em decorrência do desaparecimento do marido, vítima da repressão provocada pela ditadura militar. Com o dinheiro ela consegue comprar um apartamento próprio, além de enfim poder ser reconhecida como viúva. Só que, quando está prestes a se mudar, recebe uma visita que altera seus planos.

Hoje, Brasil, 2012.
Direção: Tata Amaral
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                    Coração do Brasil

 Três participantes da expedição que demarcou o centro geográfico do Brasil em 1958 revisitam aldeias, reencontrando personagens e verificando a atual situação dos índígenas. O trio participou da expedição dos irmãos Villas Boas, organizada pela Fundação Brasil Central.

Coração do Brasil, Brasil, 2012
Direção: Daniel Solá Santiago
Duração: 85 minutos
Classificação: livre
Documentário
Assista o trailer aqui.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Crítica: Depois de Lúcia (2012)


A história que nos é contada em Depois de Lúcia (Despues de Lucia) acontece no México, mas poderia muito bem acontecer em qualquer lugar do mundo. Aliás, pode-se dizer que poucas vezes o bullyng estudantil, termo que vem sendo muito discutido ultimamente, foi tão bem desenvolvido em um longa-metragem.


O filme do mexicano Michel Franco começa com Roberto (Hérnan Mendoza) e sua filha Alejandra (Tessa Ia) indo morar na Cidade do México, após a mãe de Alejandra, Lúcia, morrer em um acidente de carro na antiga cidade onde eles moravam. Os dois ainda estão em choque com o ocorrido, e a relação entre eles, apesar de ser boa e amigável, é bastante fechada e cheia de segredos.

Aos poucos Alejandra se enturma com os novos colegas de escola, e se engana ao pensar que formou boas amizades. Em uma festa, ela acaba transando com um dos garotos da turma, que grava o ato e posta o vídeo na internet. O fato acaba mudando para sempre o destino da garota, onde ela passa a sofrer uma degradante violência moral por parte da escola toda, que por fim culmina em um ato trágico.


Além do bullyng, a trama foca principalmente na relação entre pai e filha. Alejandra passa a mudar seu comportamento por conta dos mal tratos dos colegas, mas por não haver uma comunicação franca e direta com o pai, ele acaba não sabendo do que está acontecendo, e quando descobre, passa a ser tarde demais.

O ponto forte do filme é o tamanho teor de veracidade que as cenas proporcionam aos nossos olhos. As atuações são incríveis, principalmente da atriz Tessa Ia, que carrega o filme de modo intenso e forte sem fragilizar em nenhum momento. Outro ponto forte é a fotografia e os ângulos tomados pelo diretor, que alivia um pouco o tema duro e delicado que é contado em cena.


Enfim, Depois de Lúcia é um filme forte, talvez até chocante, que surpreende bastante pela sua enorme qualidade técnica. Um verdadeiro tesouro do cinema Mexicano que vale a pena ser lapidado, e um dos melhores filmes do ano.