quarta-feira, 12 de junho de 2013

Especial dia dos namorados: 10 tipos de casais marcantes do cinema!

Ah, o amor! Entre suspiros, sorrisos, choros e até mesmo gemidos, o amor já nos foi apresentado de inúmeras formas no cinema, unindo os mais diversos tipos de casais. Uns perfeitos, outros nem tanto, e alguns muito, muito estranhos.



Se perguntássemos qual o primeiro casal cinematográfico que vem a cabeça, muitos responderiam Jack e Rose de Titanic, ou Tom e Summer de 500 dias com ela. Os mais jovens talvez citassem Bella e Edward da saga Crepúsculo, e os mais antigos diriam Scarlett O'Hara e Rhett Butler de E o Vento Levou.. ou Richard e Ilsa de Casablanca.

O fato é que o tema se tornou um dos mais recorrentes e rentáveis da sétima arte ao longo dos anos, e nessa data especial, onde todos os namorados da vida real estão comemorando, resolvi fazer uma lista dos tipos de casais mais marcantes do cinema. Obviamente não há espaço para todos, mas vale a lembrança.

Casal Clássico


Uma mocinha cheia de defeitos e um galã posando de anti-herói fizeram um dos primeiros e mais amados casais do cinema, em E o Vento Levou.. (Gone With the Wind, 1939). Mesmo depois de tantas décadas este filme é um dos referenciais do gênero no cinema, mostrando a relação entre Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) e Rhet Buttler (Clark Gable).

Casal Musical


Aquela máxima de que atrás de todo homem há uma grande mulher nunca foi tão verdadeira como na história de Johnny e June (Walk the Line, 2005), cinebiografia do cantor Johnny Cash (Joaquim Phoenix) que mostra sua relação com a também cantora June Carter (Reese Whiterspoon). Os dois fazem shows juntos e aparentemente vivem em harmonia, mas os problemas internos que eles têm de enfrentar são muito maiores do que poderia se imaginar olhando de fora. É uma grande experiência acompanhar o dia-dia do casal e as dificuldade de relacionamento que há por conta dos vícios de Cash.


Casal Explosivo


Bonnie e Clyde (Bonnie and Clyde, 1967) traz um bom exemplo de casal que é unido até mesmo na hora de sair cometendo crimes. O filme conta a história real do casal homônimo que saiu pelas estradas dos Estados Unidos roubando lojas e principalmente bancos no período da Grande Depressão. Um filme que possui a história bastante parecida com essa é Assassinos por Natureza (Natural Born Killers, 1994), com direção de Oliver Stone e roteiro de Quentin Tarantino.

Em contrapartida, em Sr. e Sra. Smith (Mr. and Mrs. Smith, 2005), estrelado por Angelina Jolie e Brad Pitt, temos um casal que, diferentemente dos primeiros exemplos, empenham armas para defender o país de bandidos. O problema dos dois começa quando um deve ter de caçar o outro sob ordens superiores.

Casal Fraternal


Ultimamente presenciamos o grande sucesso de Amor (Amour, 2012) filme do austríaco Michael Haneke, que mostrava o fim da vida de dois idosos, e o quanto é difícil lidar com essa fase da vida. No cinema houve outros bons exemplos de amor entre pessoas de idade avançada, como o que foi mostrado no argentino Elsa e Fred (Elsa Y Fred, 2005), onde um casal de idosos se conhece e aprende a viver a vida juntos da forma que nunca haviam vivido. Geralmente são filmes nostálgicos, que mostram que amor não tem idade.

Casal "exótico"


Quem disse que o amor só existe entre duas pessoas de carne e osso? Em A Garota Ideal (Lars ans the Real Girl, 2007), o personagem vivido por Ryan Gosling se apaixona por uma boneca. Sim, uma boneca! E não há nada que o faça querer se separar dela.  Juntando comédia e drama, o filme é muito mais interessante do que a premissa promete, e vale a pena ser visto. Outro exemplo clássico é a paixão entre Edward e Peg em Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990), onde as limitações físicas vão além do comum.

Casal Animado


Em UP- Altas Aventuras (UP, 2009), vimos uma das histórias de amor mais belas e singelas de todos os tempos, e tudo isso em forma de animação. A história do velhinho que faz de tudo para realizar o sonho da falecida esposa é o mote para essa animação que é muito mais do que um filme feito para crianças.

Outra animação recente que aborda o tema é Shrek (Shrek, 2001), onde vemos um amor completamente diferente entre um casal de ogros, dando um exemplo de que o que importa não é a aparência física, e sim aquilo que ninguém vê a olho nu. E como esquecer ainda do clássico A Dama e Vagabundo (Lady and the Tramp, 1955), que fala de forma infantil sobre os casais que vencem as diferenças para ficarem juntos.


Casal Épico


A Idade média era um período dificil para os amantes, e Tristão e Isolda (Tristan + Isolde, 2006) é um belíssimo filme sobre o asssunto. Os dois personagens que dão nome ao filme são enlouquecidamente apaixonados, mas não podem se ver e nem seguir adiante com esse amor, pois os pais são rivais. O enredo é simples, mas o jeito que foi contada a história é que faz toda a diferença.

Casal Homossexual

O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005) fez sucesso na época em que foi lançado ao abordar de forma direta o relacionamento entre dois homens, até então um tabu na telona. Anteriormente, Meninos Não Choram (Boys Don't Cry, 1999) já havia abordado a situação, mas sobre o ponto de vista de duas mulheres homossexuais. Nos últimos anos, filmes com essa temática têm tomado conta do cinema, alguns de grande qualidade como o francês Azul é a Cor Mais Quente (La vie d"Adèle), o israelense Além da Fronteira (Outin the Dark), o peruano Contracorrente (Contracorriente, 2009) e o também francês Laurence Anyways (Laurence Anyways, 2012).


Casal Inocente


Impossível falar de amor no cinema e não lembrar de Meu Primeiro Amor (My Girl, 1991), que mostra o sentimento na sua forma mais primitiva: o de duas crianças de 11 anos que estão descobrindo o que é amar um ao outro. O próprio A Lagoa Azul (The Blue Lagoon, 1980) é outro exemplo disso, onde duas crianças crescem sozinhas em meia a uma ilha deserta e acabam descobrindo-se juntas.

Casal neurótico


Noivo Neurótico, Noivoa Nervosa (Annie Hall, 1977) do Woody Allen traz o exemplo mais clássico de um  casal cheio de neuras. Passam o filme inteiro analisando de forma crítica os problemas do seu relacionamento, com diálogos e frases mordazes. Outro filme que poderíamos citar é Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), onde vivenciamos uma experiência para lá de surreal.

domingo, 9 de junho de 2013

Recomendação de Filme #20

A Lenda do Pianista do Mar (Giuseppe Tornatore) - 1998

Fui adiando o momento que falaria desse filme no blog, mas chegou o momento. Não é de hoje que considero Giuseppe Tornatore o melhor diretor do cinema italiano. Alguns vão dizer que é Fellini, De Sica, Antonioni ou Bertolucci, mas é pura questão de gosto. Para mim, Tornatore conseguiu reunir tudo que há de melhor em todos eles. Dez anos depois da sua obra-prima Cinema Paradiso, e antes do também excelente Maléna, ele nos presenteou com essa odisséia lírica filmada em alto mar.


Tudo começa quando Danny (Bill Nunn), um engenheiro do transatlântico The Virginian, encontra um bebê abandonado em cima do piano do navio enquanto procura objetos deixados pelos passageiros da primeira classe. O garoto está dentro de uma caixa, e Danny comovido pega-o para criar, dando a ele o nome do ano em que estavam: 1900.

O garoto cresce no meio das caldeiras do navio, e vive escondido por ordens de Danny. Quando ele completa oito anos, Danny acaba morrendo em um acidente, deixando o garoto sozinho. Sem ter o que fazer ele começa a perambular pelos corredores, e em uma dessas idas e vindas encontra o mesmo piano no qual foi deixado quando criança. Encantado com o instrumento musical, 1900 começa a tocar e aprende sozinho, tornando-se um prodígio.


Existem pelo menos três cenas antológicas, que certamente ficam anos na mente de quem assiste o filme devido seu teor lírico: a cena em que 1900 toca piano no meio de uma tempestade, com o piano deslizando por todo o navio; no duelo entre 1900 e Jelly Roll Morton (Clarence Williams III); e quando 1900 vê pela primeira vez uma garota nunca identificada, quando está gravando seu primeiro vinil, que lhe influencia na execução das notas musicais.

A história é contada por Max, um amigo de 1900 que tocou com ele no navio. O pianista nunca saiu do navio, nunca pisou em terra firme. Mais que sua casa, o imenso navio é sua casca, sua proteção contra os terríveis e desconhecidos perigos que o chão poderia lhe oferecer. A cada novo desafio que a vida coloca no caminho de 1900, o personagem entra em conflito interno: descer ou não descer do navio? Encarar ou não encarar? Enfrentar ou não o que há do lado de fora?


Além da excelente sonoridade, o filme também se destaca visualmente graças a sua fotografia espetacular. A direção de arte, além de compor a história e ser um grande fator no filme, fascina pelo incrível significado que há a cada cena que passa. A atuação de Tim Roth é firme e uma das melhores que já vi no cinema.

Uma verdadeira obra-prima do cinema, A Lenda do Pianista do Mar é um filme belíssimo e poético que merecia um reconhecimento muito maior do que possui. Infelizmente seu único reconhecimento foi o Globo do Ouro de Melhor Trilha Sonora. Não ganhou nenhum Oscar, e no Brasil nem chegou a ser lançado em dvd, existindo apenas poucas cópias em VHS. Mas se eu tivesse que dar uma dica, seria que todos procurassem para baixá-lo, pois vale a pena cada segundo de suas três horas.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Estreias da Semana (07/06 a 13/06)

Junho promete ser um mês e tanto para quem gosta de super produções, e nessa primeira semana já dá para se ter uma ideia do quem vem por aí.

A grande estreia dessa sexta-feira é o aclamado O Grande Gatsby, do diretor Baz Luhrmann, que abriu o festival de Cannes realizado no final de maio. Quinta adaptação do livro homônimo de F. Scott Fitzgerald para o cinema, o filme promete uma bela fotografia, além de contar com um elenco de peso, com Leonardo Di Caprio e Tobey Maguire, entre outros.

Outra grande produção da vez é Depois da Terra, do diretor M. Night Shyamalan (de Sinais e O Sexto Sentido). O filme se passa em uma atmosfera pós-apocalíptica, e é estrelado pelo ator Will Smith (parece que eu já vi isso antes).

No âmbito nacional temos a comédia Odeio o Dia Dos Namorados, estrelada pela atriz Heloísa Perissé, que parece não fugir muito do clichê embutido nas comédias nacionais atuais. Daqui, ainda tem Mundo Invisível, documentário reflexivo que reúne 12 renomados diretores de cinema do mundo todo para falar sobre a "invisibilidade" no mundo atual, entre eles o grego Theo Angelopoulos e o alemão Win Wenders.

Confira abaixo a lista dos filmes e assista aos trailers.


O Grande Gatsby

Nick Carraway (Tobey Maguire) tinha um grande fascínio por seu vizinho, o misterioso Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Após ser convidado pelo milionário para uma festa incrível, o relacionamento de ambos torna-se uma forte amizade. Quando Nick descobre que seu amigo tem uma antiga paixão por sua prima Daisy Buchanan (Carey Mulligan), ele resolve reaproximar os dois, esquecendo o fato dela ser casada com seu velho amigo dos tempos de faculdade, o também endinheirado Tom Buchanan (Joel Edgerton). Agora, o conflito está armado e as consequências serão trágicas.

The Great Gatsby, Estados Unidos, 2013.
Direção: Baz Luhrmann
Duração: 142 minutos
Classificação: 14 anos
Drama/Romance
Assista o trailer aqui.

                                                     Depois da Terra

Há 1000 anos, um cataclismo tornou a Terra um lugar hostil e forçou os humanos a se abrigarem no planeta Nova Prime, morando em naves espaciais. Depois de uma missão, o general Cypher Raige (Will Smith) retorna à sua família e ao filho de treze anos de idade (Jaden Smith). Mas pouco tempo após seu retorno, uma chuva de asteroides faz com que a nave onde moram caia na Terra. Com o pai correndo risco de morte, o jovem adolescente deverá aprender sozinho a domar este planeta, encontrando água, comida e cuidando de seu pai.

After Earth, Estados Unidos, 2013.
Direção: M. Night Shyamalan
Duração: 100 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura/Ficção Científica
Assista o trailer aqui.

                                             Odeio o Dia dos Namorados

Débora (Heloísa Périssé) é uma publicitária que sempre privilegiou a carreira em detrimento de sua vida amorosa. Entretanto, ambas se misturam quando ela precisa trabalhar em uma importante campanha para o Dia dos Namorados cujo cliente é Heitor (Daniel Boaventura), seu ex-namorado, que foi dispensado por ela de forma humilhante. Diante desta situação, ela ainda precisa lidar com a inesperada visita do fantasma de seu amigo Gilberto (Marcelo Saback), que tenta fazer com que ela repense a vida e descubra o que as pessoas realmente pensam dela.

Odeio o Dia dos Namorados, Brasil, 2013.
Direção: Roberto Santucci
Duração: 101 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.

                                                         Augustine

Inverno de 1885, Paris. O professor Charcot (Vincent Lindon), do Hospital Pitié-Salpêtriere, está estudando uma doença misteriosa: a histeria. A jovem Augustine (Soko), de 19 anos, torna-se sua cobaia favorita e o professor usa a mulher em suas demonstrações de hipnose. Aos poucos, ela vai passar de objeto de estudo para objeto do seu desejo.

Augustine, França, 2013.
Direção: Alice Winocour
Duração: 104 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                 Os Sabores do Palácio

Hortense Laborie (Catherine Frot) é uma respeitada chef que é pega de surpresa ao ser escolhida pelo presidente da França para trabalhar no Palácio de Eliseu. Inicialmente, ela se torna objeto de inveja, sendo mal-vista pelos outros cozinheiros do local. Com o tempo, no entanto, Hortense consegue mudar a situação. Seus pratos conquistam o presidente, mas terá sempre que se manter atenta, afinal os bastidores do poder estarão cheios de armadilhas.

Les Saveurs du Palais, França, 2013.
Direção: Christian Vincent
Duração: 95 minutos
Classificação: 12 anos
Biografia
Assista o trailer aqui.

                                                    Além do Arco-Íris

Era uma vez uma garotinha que acreditava no grande amor, nos sinais e no destino; uma mulher que sonhava em ser atriz e faria de tudo para conquistar seu sonho; um rapaz que acreditava em seu talento de compositor, mas não confiava muito nele mesmo. Era uma vez uma garotinha que acreditava em Deus. Era uma vez um homem que não acreditava em nada, até o dia em que uma vidente previu a data de sua morte, e finalmente, ele teve que acreditar.

Au Bonte Du Conte, França, 2013.
Direção: Agnés Jaoui
Duração: 90 minutos
Classificação:
Comédia
Assista o trailer aqui.

                                                      Hannah Arendt

Hannah Arendt (Barbara Sukowa) e seu marido Heinrich (Axel Milberg) são judeus alemãos que chegaram aos Estados Unidos como refugiados de um campo de concentração nazista na França. Para ela a América dos anos 50 é um sonho, e se torna ainda mais interessante quando surge a oportunidade dela cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann para a The New Yorker. Ela viaja até Israel, e na volta escreve todas as suas impressões e o que aconteceu, e a revista separa tudo em 5 artigos. Só que aí começa o verdadeiro drama de Hannah, já que seus artigos causam polêmicas que ela não esperava.

Hannah Arendt, Alemanha, 2013.
Direção: Margarethe Von Trotta
Duração: 113 minutos
Classificação: 14 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                      Mundo Invisível

A convite da mostra internacional de cinema, doze dos mais renomados diretores do mundo apresentam, na forma de curtas filmados na cidade de São Paulo, sua visão sobre a "invisibilidade" no mundo de hoje.

Mundo Invisível, Brasil, 2013.
Direção: vários
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Documentário
Assista o trailer aqui.

domingo, 2 de junho de 2013

Recomendação de Filme #19

Valentín (Alejandro Agresti) - 2003

Não é de hoje que o cinema argentino vem crescendo e surpreendendo com uma vasta lista de grandes obras. Seu jeito simples, divertido e verdadeiro de fazer cinema vem cada vez mais encantando e ganhando espaço no circuito mundial, prova disso é o Oscar de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2010 para O Segredo de Seus Olhos.


Escolhido para representar a Argentina no Oscar de 2003, Valentín conta a história de um garoto de 8 anos que é criado pela avó, já que seu pai o visita pouco por estar sempre ocupado trabalhando e sua mãe não faz ideia de onde ele vive desde a separação do casal. Valentín é um garoto atípico. Estrábico e tímido, ele faz aulas de piano e sonha em ser astronauta, enquanto passa os dias ouvindo as histórias que sua avó tem para lhe contar.

É ele quem narra a história para o espectador, imprimindo a visão de mundo sob seu ponto de vista, o que deixa o filme mais leve e sensível. Seria difícil, fora da ficção, encontrar um menino com tamanha capacidade de observação e reflexão, além de interesse tão amplo por tantas coisas como Valentín. Ele se expressa mais pelo olhar do que pelas palavras.


Valentín dedica-se com fervor a '"paquerar" uma mãe (de preferência uma loura) para ocupar o lugar da sua, ausente e por quem se sente rejeitado. Seu grande sonho é que seu pai o leve para conhecer sua verdadeira mãe, mas o pai fica irritado só de ouvir menção a isso.

Quando seu pai começa a namorar uma jovem, ele se apega a ela e começa a trata-la como uma mãe. Mas a confusão na cabeça do menino surge quando os dois se separam e ele volta a se sentir solitário. O texto passeia entre drama e comédia, e é doce de acompanhar. O elenco é sensacional, incluindo o próprio valentín, personificado de forma impecável pelo ator Rodrigo Noya. Um filme para ver, rever, e mostrar para todo mundo.

sábado, 1 de junho de 2013

Crítica: A Bela que Dorme (2012)


A decisão de escolher, em casos extremos, se a pessoa deve ou não continuar vivendo, é um tema que já foi abordado muitas vezes no cinema. Poucas vezes, porém, de forma tão crua e real como em A Bela que Dorme (Bella Addormentata), do italiano Marco Bellocchio.



Em 2009, depois da jovem Eluana Englaro ficar 17 anos desacordada em um coma profundo, seu pai Beppino Englaro conseguiu, após dura batalha judicial, dar fim ao seu sofrimento aplicando o tão polêmico desligamento dos aparelhos. A decisão não foi fácil, e gerou uma série de protestos por toda Itália na época, principalmente por parte da igreja católica.


Bellocchio acompanhou de perto o desenrolar dessa história e resolveu transformá-la em filme. O enredo central mostra o embate judicial que houve sobre esse caso, mas o diretor preferiu não focar apenas nessa história individual, mas sim, mostrar outras histórias paralelas sobre o mesmo tema. E foi aí que ele acertou em cheio.




O longa discute o prolongamento artificial da vida de quem tem poucas probabilidades de voltar a acordar algum dia. Olhando de fora, a decisão parece fácil de ser tomada, mas e se fosse com você? É mais ou menos essa ideia que Bellocchio nos tenta passar, fazendo com que possamos sentir na pele toda dor de quem está do lado de lá.


É fácil identificar a posição do cineasta quanto ao assunto, mas em nenhum momento ele tenta convencer o espectador sobre o que é certo ou errado. O que ele faz é provocar questionamentos sobre o tema, o que é de fato sempre bem vindo.




Com atuações e direção firmes, A Bela que Dorme é muito mais que um filme sobre eutanásia. É um filme sobre relações e sentimentos humanos e o quanto sabemos lidar com cada um. O longa ainda não teve sua estreia no Brasil, programada para junho. Quem tiver interesse no assunto e oportunidade de assistir, vale a pena.