domingo, 14 de julho de 2013

Recomendação de Filme #25

Três Homens em Conflito (Sergio Leone) - 1966

Clássico máximo do gênero western, Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly) de Sergio Leone ainda pode ser considerado incomparável, mesmo 40 anos após seu lançamento. Há nele todos os elementos típicos dos filmes de faroeste: o deserto, o confronto de pistolas, os bandidos e mocinhos sujos e barbados, cavalos, prostitutas, e grandes roubos. Mas o que realmente faz desse filme o mais especial desse gênero hoje já praticamente abandonado?


O filme não é fácil, já que não possui um estilo comum. Os 10 minutos iniciais não possuem nenhuma fala, e Leone gasta-os para montar o clima, apresentar seu mundo, e alguns de seus personagens sujos e fétidos. Até a história estar completamente formada, passa-se mais de uma hora de projeção. Descobrimos finalmente que há um tesouro enterrado em um cemitério, e a localização está dividida na cabeça de três sujeitos diferentes: o Bom,  o Mau e o Feio (seus nomes são irrelevantes para a trama), interpretados respectivamente por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach.

Apesar dos nomes, não há mocinhos no filme todo. Os três roubam, trapaceiam e buscam encontrar o tesouro a qualquer custo. Os três personagens são absolutamente perfeitos para a história. Suas interpretações são também incríveis. 


Por mais que muitos críticos insistissem que o gênero não costumava ser muito forte em termos artísticos (dizendo que não passavam de um bando de machões falando palavrões e atirando uns contra os outros), este filme pode ser analisado como muito forte nessa categoria.

A maneira canastrona de Eastwood é de arrepiar. O modo desajeitado e sem educação de Eli Wallach (muitos consideram este o papel de sua carreira) como o Feio é não menos que perfeito. E Lee Van Cleef, como o Mau, consegue ser assustador em cena para os outros personagens. O filme não mede palavras e ações, e há um nível de violência acentuado até para os dias de hoje, o que o torna, de certa forma, mais realista.


A busca pelo tesouro pelos três personagens é somente um dos temas abordados pelo roteiro. É talvez a parte mais divertida. Mas a história foi encaixada no meio da Guerra Civil norte-americana (segunda metade do século XIX) de uma forma muito interessante. No meio da jornada dos personagens, estes se deparam com soldados e acabam entrando no meio da batalha, onde mais de mil extras foram utilizados nas filmagens. Obviamente não daria para esperar um grande aprofundamento no tema (o filme não é sobre a guerra), pelo contrário, os personagens "brincam" de serem soldados somente com o propósito de chegarem mais perto de sua meta final.

O tema musical, do maestro Ennio Morricone, é até hoje um dos mais lembrados da história do cinema, e serviu (e ainda serve) para dezenas de paródias, fazendo com que muitos conheçam a música sem sequer terem ouvido falar do filme. Inspirado pelo uivo dos coiotes, o tema reflete a força das imagens e dos personagens de Leone, sempre tocado em momentos-chave do filme.


Três Homens em Conflito não está livre de algumas imperfeições, é claro. Há muitos que repudiam o gênero western, não vendo nada além de um conjunto de diálogos forçados e tiroteios baratos. Porém, a construção da história é um pouco mais sofisticada que a média desse tipo de filme, não sendo muito linear e apresentando algumas pequenas reviravoltas interessantes. Por vezes, ele torna-se arrastado demais (não necessariamente a sequência inicial que não possui diálogos), e para a história configurar-se clara ao espectador demora um bocado. 

Finalmente, fora os três personagens principais, todos os coadjuvantes são deveras subdesenvolvidos. Mas, no final das contas, isso pouco importa, afinal os personagens principais preenchem o longo período do filme de maneira que não há necessidade de se ter grandes coadjuvantes. Um filme que sobrevive já há mais de uma geração e que, enquanto o cinema existir, continuará sendo lembrado.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Crítica: Os Sabores do Palácio (2012)



Um filme delicioso de assistir, literalmente, Os Sabores do Palácio (Les Saveurs Du Palais) é baseado na história real de Danièle Mazet-Delpeuch, uma agricultora que trabalhou dois anos como cozinheira oficial do presidente da França.



Na ilha isolada de Corzet, Hortense Laborie (Catherine Frot) trabalha como chef de cozinha de uma companhia naval. Seu passado porém, foi bem mais glorioso, e ao mesmo tempo conturbado. Com a chegada de dois repórteres na ilha, a história do seu passado passa a ser contada por meio de flashbacks.

Em 1988, Hortense vive na sua tranquila fazenda na cidade de Périgold, até que acaba sendo surpreendida com um convite bastante inesperado: se tornar a chef de cozinha oficial do Palácio Elysée, o palácio do presidente da república.




Ao chegar no local, ela se depara com um ambiente inóspito, a começar pelo fato de ser a única mulher na cozinha do palácio. Ao ter que trabalhar no meio de um grupo de cozinheiros machistas, que não poupam seus olhares e comentários maldosos, Hortense têm a missão de se sobressair.

Hortense cria uma boa relação com o presidente, já que ele adora suas comidas mais "caseiras", feitas sem exageros. Mas devido a uma série de regras que ela tem de seguir, além da burocracia política (que a exigia saber o cardápio certo para cada dia e cada convidado, tirando assim o fator surpresa no qual a cozinheira gostava de trabalhar), Hortense acaba se desanimando com o cargo, e após dois anos resolveu sair deixando apenas uma carta ao presidente com suas explicações.



O roteiro é super simples, e poderia ter sido melhor conduzido, mas o filme do diretor Christian Vincent vale pelas belas imagens da cozinha francesa, e pela fotografia elegante. Algumas partes são um pouco desnecessárias, como a participação dos repórteres na ilha, que foram meio que jogados na história. Mas no geral, é um filme bem bacana de ser visto.


Crítica: Colegas (2012)



De uns anos para cá, o cinema nacional tem produzido obras de excelente qualidade, e fui assistir o novo longa-metragem do diretor Marcelo Galvão cheio de expectativas, principalmente depois dele ter sido escolhido como melhor filme em Gramado. Imaginem então minha decepção ao perceber que o filme é um verdadeiro show de equívocos.



Stalone, Márcio e Aninha são três garotos com síndrome de down, que resolvem fugir do instituto educacional onde vivem usando o carro do jardineiro, vivido por Lima Duarte. A ideia do trio é sair por aí vivendo aventuras e realizando sonhos (o de Stalone é ver o mar, o de Márcio é voar e o de Aninha é casar. Por crescerem assistindo filmes, os três sabem de cor várias falas famosas de clássicos do cinema, e o diretor não economiza no uso dessas frases nos diálogos dos personagens.

Bom, até então a premissa parece bacana, e foi justamente esse o motivo que me fez assistir ao filme, imaginando se tratar de algo sério e bem feito. Mas logo de cara já começamos a nos deparar com uma sucessão de palhaçadas, no pior sentido da palavra, que transforma aquilo que poderia ser um grande filme em mais uma comédia babaca dessas que lotam o cinema nacional de pseudo-acéfalos.



Os personagens principais são tratados como se fossem (com todo respeito) macaquinhos de circo, prontos a fazerem o espectador rir com suas piadinhas forçadas e manjadas. Além do mais, a narração do ator Lima Duarte é irritante, e vai contando ao longo do filme exatamente todos os detalhes de cada cena, como se o espectador não tivesse capacidade de entender sozinho o que rolava na tela.

No entanto, a coisa mais bizarra ficaria ainda por conta da perseguição policial atrás do trio, depois que eles roubam uma loja de conveniência para se alimentar. De uma hora para outra eles acabam virando os bandidos mais procurados do país, e mesmo andando pelas ruas num carro conversível e fazendo barulho, ninguém os enxerga. Isso, claro, é super comum. O diretor ainda tenta satirizar os noticiários televisivos, com seus excessos de sensacionalismo, mas a crítica fica bastante superficial.




Por fim, são exatamente esses exageros, com cenas batidas e apelativas, que fazem com que Colegas seja a grande decepção cinematográfica do cinema nacional este ano. E mais, morrerei sem entender como que um filme como esse conseguiu ganhar o quiquito de em Gramado. Realmente, lamentável.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Estreias da Semana (12/07 a 18/07)

Essa sexta-feira ficará marcada pela estreia do novo filme do Super-Homem e pelo novo trabalho do astro Johnny Depp, que chegam às telas dos cinemas brasileiros com expectativa de grande público.

Em O Homem de Aço (Man of Steel), o diretor Zack Snyder faz uma releitura da história do Super-Homem, após 75 anos da HQ original, mostrando desde seu nascimento no planeta Krypton até sua vida como ser-humano no planeta terra. É interessante perceber que é a primeira vez que um filme do super-herói não leva seu próprio nome como título.

Em O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger), Johnny Depp está de volta com mais um dos seus personagens excêntricos e esquisitões. Dessa vez ele personifica Tonto, um índio que encontra no meio do deserto o único sobrevivente de um emboscada, e o ajuda a ir atrás de vingança.

Da Europa, estreiam os longas Renoir (França) e A Voz Adormecida (Espanha), e do Brasil o documentário A Cidade é Uma Só?, ambientado no Distrito Federal.

Confira abaixo a lista completa:


O Homem de Aço

Nascido em Krypton, o pequeno Kal-El viveu pouco tempo no seu planeta natal. Percebendo que o planeta está prestes a entrar em colapso, seu pai (Russel Crowe) o envia ainda bebê em uma nave espacial, rumo ao planeta terra. Em seu novo lar, a criança é criada por Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diana Lane), que passam a chamá-lo de Clark. O tempo passa, e seus poderes começar a aparecer, tornando-se um problema.

Man of Steel, Estados Unidos, 2013.
Direção: Zack Snyder
Duração: 140 minutos
Classificação: 10 anos
Ação/Aventura



O Cavaleiro Solitário

John Reid (Armie Hammer) é um advogado que acaba de retornar à sua cidade natal, onde vive seu irmão Dan (James Badge Dale), a cunhada Rebecca (Ruth Wilson) e o sobrinho Danny (Bryant Price). Disposto a cumprir a justiça ao pé da letra, John acompanha o irmão e seus amigos em uma patrulha pelo deserto. O grupo acaba sendo atacado pelos capangas de Butch Cavendish (William Fichtner), um bandido que tem fama de canibal, e somente John sobrevive. Ele acaba sendo encontrado pelo indio Tonto (Johnny Depp), que acaba ajudando-o a reencontrar Cavendish.

The Lone Ranger, Estados Unidos, 2013.
Direção: Gore Verbinski
Duração: 149 minutos
Classificação: 14 anos
Ação/Aventura



Renoir

Pierre-Auguste Renoir (Michel Bouquet) é atormentado pela morte da esposa, as dores da artrite e a preocupação com o filho Jean (Vincent Rottiers), ferido na guerra. Eis que surge em sua vida Andrée (Christa Theret), uma jovem bela e radiante que desperta no pintor uma inesperada energia. Rejuvenescido, Renoir a torna sua muda, mas o paraíso será abalado pela volta de Jean, que também se rende aos encantos da jovem.

Renoir, França, 2012.
Direção: Gilles Bourdos
Duração: 111 minutos
Classificação: 14 anos
Drama



A Voz Adormecida

O longa conta a história de duas irmãs, nos anos após a Segunda Guerra Mundial. Uma delas está grávida na prisão, e a outra faz de tudo para ajudá-la, enquanto vive uma difícil história de amor com um homem rico. 

La Voz Dormida, Espanha, 2012.
Direção: Benito Zambrano
Duração: 128 minutos
Classificação: 16 anos
Drama/Guerra



A Cidade é Uma Só?

Além de Brasília, são cinco os personagens da história. Nancy narra um passado que se repete desde a origem da capital: a especulação territorial/imobiliária. Dandara mora em Águas Lindas, Goiás, e sonha mudar o plano piloto da capital federal. Candidato a deputado, Dildu mora em Ceilândia e vive a expectativa do resultado das eleições, contando com a ajuda de Marquim, um ex-rapper e merqueteiro político. Já Zé Antônio vende lotes irregulares nas periferias do Distrito Federal.

A Cidade é Uma Só?, Brasil, 2013.
Direção: Adirley Queirós
Duração: 73 minutos
Classificação: 10 anos
Documentário

Crítica: O Lugar Onde Tudo Termina (2013)



Novo trabalho do diretor Derek Cianfrance, O Lugar Onde Tudo Termina (Place Beyond The Pines) é um verdadeiro retrato do quanto uma decisão tomada por alguém pode afetar os mais próximos, mesmo que seja depois de décadas. Antes de mais nada, recomendo a quem ainda não viu, que não leia o resto da crítica, já que de fato é um filme que melhora 100% se você assistir seco, sem nenhuma informação.



O filme pode ser dividido em duas grandes partes. A primeira é centralizada em Luke (Ryan Gosling), um motociclista exemplar que trabalha em um parque de diversões fazendo performances num globo da morte com mais dois companheiros. Quando o parque passa pela cidade onde Luke vivia, ele reencontra a ex-namorada Romina(Eva Mendes), e descobre que tem um filho que não sabia da existência, com quase um ano de idade.

Decidido a morar perto do filho recém descoberto, Luke se demite do emprego etinerante e logo consegue outro, numa mecânica da cidade. O dono da mecânica, porém, é um antigo assaltante de banco, e logo, os dois decidem unir suas qualidades em uma série de assaltos. Isso até que um desses assaltos acaba dando errado e Luke acaba sendo morto numa perseguição com a polícia.



O policial que dispara a arma é Avery (Bradley Cooper), e a segunda parte do filme foca no que acontece com sua vida após o tiroteio. Avery é homenageado e tratado como herói pelos colegas da guarnição, mas não consegue esquecer do ocorrido, ainda mais quando descobre que o "bandido" que ele matou possuía um filho pequeno, assim como ele.

É impressionante a forma como o diretor usa para passar de uma história a outra, e o quanto as histórias acabam se ligando com o tempo, em uma série de coincidências fantásticas. Há ainda, um terceiro ato no roteiro, onde passados 15 anos, os filhos dos dois (de Luke e de Avery) travam amizade e acabam tomando rumos trágicos por conta disso.



As atuações são realmente impressionantes, inclusive de Ryan Gosling, que não me agrada nem um pouco, mas que dessa vez merece meus elogios. Outro ponto a destacar é a fotografia sombreada, que também não faz meu gosto, mas coube certo no clima do filme e por isso é louvável sua utilização.

Por fim, é muito gratificante perceber que ainda é possível ver filmes de qualidade no cinema atual, com roteiro original e ótimas atuações. O Lugar onde Tudo Termina junta todos esses elementos, e é uma das grandes surpresas do ano.