quinta-feira, 8 de agosto de 2013

As 7 Melhores Atuações de Dustin Hoffman

Nascido em Los Angeles no dia 8 de agosto de 1937, o ator Dustin Hoffman é um dos nomes mais conceituados de Hollywood. Dono de uma carreira premiada, possui em casa dois Óscars de melhor ator e cinco Globos de Ouro, além de outras diversas premiações ao redor do mundo.

Após uma longa carreira de sucesso no teatro, Hoffman só veio a ser conhecido no cinema no ano de 1967, com sua atuação em A Primeira Noite de um Homem (The Graduate). O sucesso abriu as portas para ele, que protagonizou ao longo da carreira uma série de clássicos, sempre com atuações marcantes. Nos últimos anos, Hoffman têm se mantido no cinema atuando principalmente em filmes de comédia e em dublagens de animação. Abaixo, você confere uma lista com as 7 melhores atuações do ator.


1 - Kramer Vs. Kramer (1979)


Dirigido por Robert Benton, Kramer vs. Kramer conta a história de um casal que se separa e briga judicialmente pela guarda do filho pequeno. Ted (Hoffman) só pensava no trabalho e quase não dava atenção a família, o que fez com que Joanna (Meryl Streep) pedisse o divórcio e saísse de casa, deixando o filho Billy junto dele. Após se estabelecer financeiramente, ela retorna e pede a custódia do garoto, o que resulta numa luta judicial complicada e de forte teor emocional.

2 - Rain Man (1988)


Charlie (Tom Cruise) é um rapaz que não dá bola para a família, e vive sozinho pensando somente no trabalho. Quando fica sabendo que seu pai faleceu, ele descobre que no testamento foi deixado uma boa quantia em dinheiro para um homem que ele nem sequer conhece. Curioso, ele vai atrás para saber quem é o sujeito, e conhece Raymond (Hoffman), um autista que vive em um hospital psiquiátrico. Charlie "sequestra" Raymond da instituição e tenta fazer com que ele abra mão do dinheiro, objeto que Raymond nem sabe direito para que serve. Na viagem, porém, a relação dos dois acaba ganhando ingredientes que mudam completamente a ideia de vida de Charlie.

3 - A Morte do Caixeiro Viajante (1985)

Esse filme é uma verdadeira relíquia, tanto que é difícil encontrá-lo para assistir. Na trama, Hoffman é Willy Loman, um caixeiro viajante já à beira de se aposentar. Através de pensamentos e lembranças do passado, descobrimos que sua maior decepção é não ter conseguido dar uma vida mais digna aos filhos, e isso passa a atormentá-lo culminando em um processo de autodestruição. A atuação do ator impressiona do início ao fim, em um papel brilhante e infelizmente pouco conhecido.

4 - Sob o Domínio do Medo (1971)


O matemático David (Hoffman) e sua esposa resolvem se mudar para uma pequena cidade do interior. Logo, ele se envolve com um grupo de valentões da região, e quando sua casa é invadida e sua mulher estuprada, ele inicia uma luta para sobreviver e se vingar dos bandidos. Atuação visceral de Hoffman, o filme vale pelo forte clima de tensão do início ao fim.

5 - Papillon

Em Papillon, adaptação do livro clássico de Henri Carrière, Hoffman dá vida a Louis Dega, um falsário que vive numa prisão isolada na Guiana Francesa. Ele se torna amigo do personagem principal, que dá nome ao filme, e buscando proteção contra outros prisioneiros, resolve ajudá-lo em suas fugas.

6 - O Quarto Poder (1997)


Em O Quarto Poder, Hoffman é Beckert, um jornalista que já foi muito respeitado, mas que no momento está em baixa, fazendo uma reportagem num museu de história. Ele vê uma grande chance de conseguir se projetar novamente na carreira quando Sam (John Travolta) é demitido do emprego de segurança do local e retorna tentando vingança contra a ex-chefe. Porém, as coisas saem do controle, e as notícias manipuladas pela mídia acabam levando a um drástico final.

7 - Perdidos na Noite (1969)


Na trama, um caubói texano (Jon Voight), bonito e inocentemente caipira, tenta ganhar a vida em Nova York prostituindo-se com mulheres. Através da amizade com um marginal (Hoffman), ele vai descobrindo a face cruel da vida e das ruas.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O que foi o movimento Dogma 95?


Criado pelos diretores dinamarqueses Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, o movimento que ficou conhecido como Dogma 95 foi lançado a partir de um manifesto publicado em 13 de março de 1995. A intenção era a criação de um cinema mais realista e menos comercial, em um ato de resgate ao que era feito antes da exploração industrial.

Exemplo de certificado dado pelo Dogma 95.
O documento original continha 10 regras que, segundo os próprios organizadores, foram escritas em apenas 45 minutos. Eram regras técnicas (uma série de restrições quanto ao uso de tecnologias nas filmagens) e éticas (quanto ao conteúdo apresentado nos filmes). Em 2005, o diretor Lars Von Trier acrescentou ainda mais 4 regras que passaram a valer a partir de então.

Assim que os diretores estavam para lançar seus filmes, eles deveriam enviar uma cópia para a entidade responsável pelo Dogma 95, para que o trabalho fosse analisado e pudesse receber o certificado de participação no movimento.

O primeiro filme oficial da nova ideologia foi Festa de Família (Festen), lançado em 1998 pelo diretor Thomas Vinterberg, que ficou conhecido como Dogma #1. Aclamado pela crítica, o filme recebeu diversos prêmios em festivais cinematográficos ao redor do mundo. Lars Von Trier lançou logo após o seu Os Idiotas (Idioterne), também agraciado com prêmios e indicações, conhecido como Dogma #2.


Cena de Festa de Família, primeiro filme lançado com o selo do movimento.
Com uma linguagem audiovisual rude, e um custo bastante baixo para os padrões, os dois ficaram marcados como os primeiros a utilizarem as técnicas propostas no manifesto. As imagens são ruins, e o áudio ainda pior. Mas o que torna os dois filmes intrigantes são os belíssimos roteiros construídos nos mínimos detalhes.

Até os dias de hoje, mais de 300 filmes foram oficialmente reconhecidos com o cetificado Dogma 95. A lista completa pode ser conferida no site oficial da entidade: http://web.archive.org/web/20080526145250/www.dogme95.dk/menu/menuset.htm


As regras do Dogma 95

1 - As filmagens devem ser feitas no local. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).

2 - O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).

3 - A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos (ou a imobilidade) devidos aos movimentos do corpo. O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada, são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar.

4 - O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).

5 - São proibidos os truques fotográficos e filtros.

6 - O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, armas, etc. não podem ocorrer).

7 - São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme deve ocorrer na época atual).

8 - São inaceitáveis os filmes de gênero.

9 - O filme final deve ser transferido para cópia em 35 mm, padrão, com formato de tela 4:3. Originalmente, o regulamento exigia que o filme deveria ser filmado em 35 mm, mas a regra foi abrandada para permitir a realização de produções de baixo orçamento.

10- O nome do diretor não deve figurar nos créditos.



Regras acrescentadas por Lars Von Trier em 2005:

- A gravação deve ser feita em formato digital.
- As filmagens devem ocorrer na Escócia.
- As filmagens não podem ultrapassar o prazo de 6 semanas.
- O custo total do filme não pode ultrapassar a quantia de um milhão de libras esterlinas.


Os Criadores, Lars Von Trier e Thomas Vintenberg.

domingo, 4 de agosto de 2013

Recomendação de Filme #28

Dogville (Lars Von Trier) - 2003

Dogville é genial. Não consigo achar nenhum outro adjetivo que defina de forma mais sensata essa verdadeira obra-prima do cinema moderno, dirigida pelo dinamarquês Lars Von Trier. Um dos fundadores do movimento conhecido como Dogma 95 (ao lado do também Dinamarquês Thomas Vinterberg), Von Trier já nos havia brindado com excelentes filmes como Dançando no Escuro (que já foi recomendado aqui no blog) e Ondas de Destino, mas Dogville é de fato o melhor filme da sua carreira.



Primeiramente, destaca-se a originalidade na forma como a estória nos é mostrada. Toda a ação se desenvolve em um grande tablado, sem nenhum cenário, apenas riscos no chão demarcando a separação de cada local, e pequenos objetos pelo chão. Além disso, a iluminação utilizada é inteiramente artificial. É difícil de imaginar? Pois mais difícil é entender como tudo isso saiu da cabeça brilhante de Von Trier.

Tido inicialmente como a primeira parte de uma trilogia sobre os Estados Unidos (foi lançado apenas uma sequência até então, chamada Manderlay), o filme tem sua trama ambientada em um pequeno vilarejo de montanhas rochosas, chamado Dogville, localizado no país americano. A ação se passa durante a depressão ocorrida após a queda da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929. 

A jovem Grace (Nicole Kidman) aparece de repente no vilarejo, assustada, fugindo de gângsters. Ela é acolhida e assistida por Tomas Edison Jr. (Paul Bettany), com quem mantém com o tempo uma relação bastante conturbada. Após ser descoberta pelos outros moradores, sua permanência no local acaba sendo motivo de uma votação. Ela é aceita pela maioria, mas com a condição de prestar serviços para os habitantes, que aproveitando-se da situação, passam a escravizá-la.


As atuações são nada menos do que fantásticas, principalmente da atriz Nicole Kidman, que dá um verdadeiro show de interpretação no papel de Grace. Mas não apenas ela, como todo o elenco de apoio estão de parabéns, já que não é fácil atuar magistralmente num filme tão complexo como esse.

Tido como uma das críticas mais ferrenhas contra a  terra do tio Sam, o filme dá margens para diversas interpretações distintas graças a seu roteiro super bem desenvolvido, escrito pelo próprio diretor. Além disso, trata-se de uma análise cruel do comportamento humano e da forma como todos lidam com situações de adversidade, sem contar ainda a sutil crítica à democracia (já que na votação, cada um vota para defender apenas seus interesses pessoais).



Por fim, Lars Von Trier é conhecido por ter mais "haters" do que fãs, mas todos devem se render ao que ele consegue nos trazer nesse filme. O mais legal de tudo é que cada espectador pode imaginar o cenário da forma como preferir, dando asas para o uso deliberado da imaginação. Um casamento perfeito entre a quinta e a sétima arte, Dogville mistura elementos de teatro e cinema de forma nunca antes vista. Por isso mesmo, pode-se considerar um marco. Ou como já dito antes, uma obra-prima.

Crítica: Uma Garrafa no Mar de Gaza (2012)



Dirigido pelo jovem Thierry Binisti, o longa francês Uma Garrafa no Mar de Gaza (Une Bouteille à la Mer) é baseado no livro de Valerie Zenatti e mostra, de forma sentimental, o conflito entre Israel e Palestina na visão da juventude dos dois países.



O nome do filme vem a ser explicado logo na primeira cena, quando uma garrafa é encontrada por um grupo de rapazes nas areias de uma praia de Gaza. Dentro dela há um papel, e quando eles a quebram, descobrem se tratar de uma carta escrita por Tal (Agathe Bonitzer), uma jovem Israelense que sobreviveu há poucos dias de um atentado e tenta usar a carta para se corresponder com alguém do outro lado da fronteira.

Claro que não devemos levar tão a sério a premissa, já que a possibilidade de uma carta atravessar o mar e ser encontrada por outro alguém é mínima. Mas deixemos de ser literais por alguns momentos e vamos em frente. Na carta, Tal faz algumas perguntas para quem vier a encontra-la, na tentativa de descobrir um pouco mais sobre o povo que mora no país vizinho, que está tão perto mas ao mesmo tempo tão longe. 




No final da carta, a garota deixa escrito seu e-mail. Ela espera dias pela resposta, até que um dos rapazes, Naím (Mahmud Shalaby), resolve enviar um e-mail para ela. No começo, ele tira sarro, até mesmo por não acreditar muito que ela existisse de fato. Porém com o tempo, eles passam a falar mais sério, e o relacionamento virtual acaba virando uma boa amizade à distância.

Entre um e-mail e outro, os dois vão narrando um pouco do que passa pela cabeça da juventude que vive nessas regiões de alto risco, onde o perigo de um atentado à bomba é iminente. Além disso, percebemos o contraste na vida de ambos: Tal sai a festas com amigos e vive uma rebeldia que incomoda os pais, enquanto Naím não tem opções de sair a noite porque os rebeldes fecharam todos os pontos de diversão.


Sem um enredo previsível, talvez o maior pecado do filme seja a superficialidade dos personagens, que se dá também pelas fracas atuações. No entanto, numa análise geral, o filme é uma boa pedida, principalmente por nos colocar dentro de um cotidiano da qual não temos conhecimento.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Crítica: Amor Pleno (2013)



Visualmente falando, talvez não exista nenhum outro diretor que se compare a Terrence Malick. Isso já havia ficado evidente em A Árvore da Vida, de 2011, e essa qualidade novamente fica provada em Amor Pleno (To the Wonder), que traz uma das fotografias mais belas já vistas no cinema. Porém, nem só disso um filme é constituído, e é na trama confusa que o resultado final acaba sendo prejudicado.


No início, somos apresentados a um belo casal apaixonado, o americano Neil (Ben Affleck) e a ucraniana Marina (Olga Kurylenko). Enquanto os dois passeiam por um parque de Paris, decidem juntos se mudar para os Estados Unidos. Porém após a mudança, o relacionamento dos dois, antes fraternal e incondicional, vai esfriando, e Marina passa a buscar conforto nas palavras do padre Quintana (Javier Bardem), que está passando por sua própria crise, de fé e identidade.

A filha pequena de Marina, que ela teve antes de conhecer Neil, começa a reclamar de saudades de casa, e quando o visto americano de Marina expira, é o estopim para que ela retorne com a filha para a Europa, deixando Neil para trás. Após um tempo, devida a saudade que sentiam um do outro, Marina volta para os Estados Unidos e os dois retomam o romance,  casando-se. Porém, uma confissão de Marina cria mais um grande obstáculo na relação que está fadada a não dar certo.



A história até pode ser simples, mas a forma como Malick transcreve o enredo para as telas deixa o filme extremamente confuso. Usando uma linguagem única, quase sem diálogos, como se estivéssemos lendo os pensamentos dos personagens em grande parte do tempo, o filme acaba sendo um diferencial, mas um diferencial que cansa depois de um tempo.

O ritmo do filme é extremamente lento, diferentemente da câmera, que não pára um segundo com seus movimentos experimentais. Outro ponto negativo é a falta de aprofundamento dos personagens, como o interpretado por Javier Bardem, que acaba não ganhando sentido para a história (pelo menos não de forma visível).




Amor Pleno é quase uma busca existencialista do amor. Uma desconstrução do sentimento de forma poética, mas que não convence. Se vale a pena assistir? Diria que sim, pois de fato é uma experiência e tanto. Mas com certeza está longe de ser o melhor trabalho do diretor.