terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Mestre do Suspense: Alfred Hitchcock


Ninguém passa a ser considerado um mestre em determinado assunto por mero acaso, e quem já assistiu a filmografia de Alfred Hitchcock sabe que, no mundo dos filmes de suspense, ninguém se iguala a sua obra. Durante 51 anos de uma extensa carreira produtiva, ele dirigiu oficialmente 35 filmes, dentre os quais grande parte se tornou sucesso mesmo após sua morte, em 1980.


Sir Alfred Joseph Hitchcock nasceu na cidade de Londres, em 13 de agosto de 1899. Filho de pais rígidos, sua infância foi disciplinarmente religiosa, vivendo quase o tempo todo isolado de outras crianças. Em 1913, ele finalmente saiu da escola católica onde estudava e passou a seguir seus próprios passos profissionais, estudando Engenharia na faculdade, enquanto fazia cursos de desenho nas horas vagas. Foi nesse mesmo ano que ele descobriu aquilo que se transformaria no seu Hobby favorito, e consequentemente sua vocação, o cinema, que começava a se estabelecer como uma das mais importantes atividades recreativas da época.

Nos anos 20, quando o estúdio americano Famous Players-Lasky Company decidiu abrir uma filial em Londres, Hitchcock conseguiu emprego como desenhista de letreiros para filmes mudos. Com o passar do tempo, começou a ajudar no desenho de cenários e até mesmo na criação de alguns diálogos, até que em 1923 foi convidado pelo produtor Seymour Hicks para ser co-diretor de um pequeno filme, Always Tell You Wife. Porém, seu primeiro filme oficial como diretor foi lançado apenas em 1925, recebendo o nome de Pleasure Garden.

Foi nesse mesmo estúdio que ele conheceu Alma Reville, que viria a ser sua esposa e colaboradora pelo resto da sua vida. Ainda na década de 20, com ajuda dela, Hitchcock conseguiu filmar uma série de pequenos filmes, muitos dos quais se deterioraram e nem sequer existem mais, mas que ajudaram a firmar o estilo próprio que veríamos nas décadas seguintes. Os mais famosos dentre eles foram O Ringue (The Ring), O Pensionista (The Lodger) e Mulher Pública (Easy Virtue)que o transformaram em um dos diretores mais conhecidos da Inglaterra na época.


O casal trabalhando junto.

Fase Inglesa

Apesar de ter obtido um certo prestígio nos anos anteriores, o primeiro grande sucesso da carreira de Hitchcock como diretor veio somente com Chantagem e Confissão (Blackmail), lançado em 1929. Com roteiro baseado em uma peça de teatro, o longa marcou ainda por ter sido o primeiro filme sonoro feito na Inglaterra. 

Nos próximos 4 anos, ele produziria mais alguns trabalhos que na época fizeram um relativo sucesso, como Assassinato! (Murder!) e Ricos e Estranhos (Rich and Strange), mas que são poucos significativos para o montante da sua carreira.

Hitchcock de costas, durante as gravações de Chantagem e Confissão.


Em 1933, Hitchcock passou a trabalhar na companhia Gaumont-British Picture Corporation, onde lançou O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much), sobre uma conspiração envolvendo agentes secretos (um dos seus temas mais recorrentes). O filme foi um estrondoso sucesso na época e veio a ser refilmado pelo próprio diretor em 1956.

Seu segundo trabalho pela nova companhia foi Os 39 Degraus (The 39 Steps), que para muitos é o melhor filme dessa sua fase britânica. O enredo se baseia na obra homônima de John Buchan, e é muito semelhante ao seu filme anterior, trazendo novamente uma estória envolvendo agentes secretos. É uma obra digna para quem gosta de se aprofundar no suspense "Hitchcockiano".


Madeleine Carroll, Alma Reville e Hitchcock, no set de filmagens de
Os 39 Degraus, grande sucesso do diretor na Inglaterra.


Em 1938, com A Dama Oculta (The Lady Vanishes), o nome do diretor voltaria a chamar a atenção do grande público. O roteiro acompanha uma velhinha envolvida em uma missão secreta, e já deixava evidente algumas das fórmulas peculiares do seu jeito de fazer cinema, como o recurso do personagem inocente que é perseguido e punido por um crime que não cometeu.

Hitchcock junto de Sally Stewart, Margaret Lockwood
e Googie Whiters, atrizes de A Dama Oculta (1938).

O cinema de Hitchcock fez tanto sucesso na Inglaterra que acabou chamando a atenção dos grandes produtores americanos. Naquele mesmo ano, ele partiu definitivamente para os Estados Unidos, firmando contrato com David Selznick, responsável pelo grande sucesso E O Vento LevouSeu último filme em solo inglês foi A Estalagem Maldita (Jamaica Inn), lançado em 1939.

Fase Americana

Anos 40: A estreia em Hollywood e o novo rumo na carreira

A estreia de Hitchcock em solo americano não poderia ter sido mais bem sucedida. Rebecca: A Mulher Inesquecível (Rebecca), de 1940, trazia no elenco os atores Laurence Olivier e Joan Fontaine, e contava a história de amor inusitada entre uma jovem moça e um viúvo misterioso. O filme conquistou o Oscar de Melhor Filme (o único da carreira do diretor), e é até hoje aclamado como um dos grandes clássicos do cinema mundial.


Hitchcock conversando com Joan Fontaine e Laurence Oliver,
no set de filmagens de Rebecca: A Mulher Inesquecível (1940).


A partir de então, o cineasta passou a gravar em torno de um filme por ano. Seu segundo trabalho no país foi Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent), filmado durante a Segunda Guerra Mundial, que chegou a ser indicado ao Oscar de melhor roteiro e melhor direção, mas sem ganhar nenhum dos dois.

Ainda na década de 40, Hitchcock se aventuraria em alguns gêneros diversificados, como na comédia romântica Um Casal do Barulho (Mr. & Mrs. Smith) e no filme de guerra Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat). Em 1941 ele lançou Suspeita (Suspicion) com Cary Grant e Joan Fontaine, e no ano seguinte Sabotador (Saboteur), o primeiro de dois filmes feitos pela Universal Pictures. O segundo foi A Sombra de Uma Dúvida (Shadow of a Doubt), um filme noir que venho a ser indicado ao Oscar como melhor roteiro, e é considerado até hoje como um dos seus principais trabalhos daquela década.


Hitch no centro da imagem, coordenando o set de filmagens
de A Sombra de Uma Dúvida (1944).


Em 1945, Hitchcock filmou pela primeira vez com um dos rostos mais marcantes da história do cinema, a atriz Ingrid Bergman, no grande sucesso Quando Fala o Coração (Spellbound). Ele voltaria a filmar com Bergman novamente em Interlúdio (Notorious), dessa vez contando também com a participação do consagrado Cary Grant. Para nós brasileiros, o filme é marcante por conter algumas cenas ambientadas no Rio de Janeiro (ainda que tenham sido filmadas dentro do estúdio em Hollywood).

O diretor conversa com Ingrid Bergman e Cary Grant, os astros do filme Interlúdio (1946).

Em 1947, foi lançado a ficção Agonia de Amor (The Paradine Case), seu primeiro filme inteiramente a cores. Aliás, o forte aproveitamento das cores já pode ser visto no seu próximo trabalho, Festim Diabólico (Rope). Baseado em fatos reais, e filmado inteiramente em um único cenário, foi sua primeira parceria com o ator James Stewart, e com certeza está na lista de qualquer fã como um dos seus melhores filmes.


Set de filmagens de Festim Diabólico.

A partir de 1948, ele passou a ser exclusivamente seu próprio produtor, lançando filmes de grandes investimentos e com atores dentre os mais renomados da época. O primeiro deles foi Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn), novamente com Ingrid Bergman. O filme acabou sendo um fracasso nas bilheterias, principalmente pela polêmica que envolveu Bergman naquele ano, por conta do seu suposto caso extra-conjugal com o cineasta italiano Roberto Rosselini.

Anos 50: O Auge da Carreira


Hitchcock começou a década de 50 lançando o excelente Pavor nos Bastidores (Stage Fright), que trazia a beleza estonteante de Marlene Dietrich em uma trama de alto nível e cheia de reviravoltas. No ano seguinte, ele foi trabalhar na Warner Bros. Pictures, lançando Pacto Sinistro (Strangers on a Train). O longa, baseado no romance homônimo de Patricia Highsmith, é considerado por muitos como um dos melhores (se não o melhor) da sua carreira.

Em 1954, o diretor utilizou pela primeira vez a técnica 3D no clássico Disque M Para Matar (Dial M for Murder). Assim como em Festim Diabólico, a trama é rodada inteiramente em um único cenário, sem jamais perder seu clima de tensão e suspense. Baseado numa peça teatral, o filme trazia a atriz Grace Kelly contracenando junto com Ray Milland. Ainda naquele mesmo ano, Hitchcock lançaria outro clássico absoluto, Janela Indiscreta (Rear Window), com James Stewart e Grace Kelly, e que é até hoje um dos mais lembrados do seu currículo.

Ray Milland e Hitchcock durante as gravações de Disque M Para Matar.

A popularidade do diretor aumentou ainda mais no ano de 1955, quando ele foi convidado a ter seu próprio programa de televisão, o Alfred Hitchcock Presents, que trazia pequenas histórias criminais divididas em episódios. Nesse mesmo período, ele lançou para o cinema uma comédia de humor negro chamada O Terceiro Tiro (The Trouble With Harry), seu primeiro e único filme do gênero.

Em 1956, mais dois grandes filmes do cineasta foram lançados. O primeiro foi Ladrão de Casaca (To Catch a Thief), com Cary Grant e Grace Kelly, e o segundo foi a refilmagem de O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much), que ele havia feito ainda no seu período britânico. O remake trazia o ator James Stewart como carro chefe, e alterou muito pouco do original (a principal mudança foi a localização, dessa vez ambientado no deserto do Marrocos).


James Stewart e Doris Gray contracenam em O Homem Que Sabia Demais,
sob o olhar atento do diretor ao fundo.

No ano seguinte, ele lançou O Homem Errado (Thw Wrong Man), um caso real sobre confusão de identidades, que trazia no elenco Henry Fonda e Vera Milles. Finalizando a década de 50, ele ainda lançaria dois enormes sucessos: Um Corpo que Cai (Vertigo), nova parceria com James Stewart e Intriga Internacional (North By Northwest), com Cary Grant. Os dois filmes foram mau recebidos pelo público na época, mas hoje são considerados indispensáveis a qualquer cinéfilo que se preze.



Anos 60: O Merecido Reconhecimento Mundial

Com Janet Leigh, na filmagem
da clássica cena no chuveiro.
A década de 60 chegou alçando vôos ainda maiores na carreira de Hitchcock, e levando-o ao verdadeiro estrelato mundial. É nesse período que ele lançou seus dois maiores sucessos, que mudariam para sempre a abordagem cinematográfica sobre o gênero terror e firmariam de vez seu nome na história dos grandes cineastas.

O primeiro deles foi Psicose (Psycho). Lançado em 1960, o longa passou por um processo penoso de criação, graças a problemas com a equipe, mas obteve reações impressionantes do público nos cinemas e acabou se firmando como o maior sucesso da carreira do diretor em termos de alcanço de popularidade. O ponto máximo do filme é a morte da personagem de Janet Leigh, assassinada a facadas durante o banho. Com uma trilha sonora impactante e amedrontadora, a cena é uma das mais famosas do cinema e até mesmo quem nunca viu o filme já se deparou com ela em algum momento. 

Seu próximo filme não perderia em qualidade e aceitação para o anterior, e só firmaria o nome do diretor como grande precursor do terror psicológico. Os Pássaros (The Birds) mostrava a invasão de milhares de pássaros numa pacata cidade americana, amedrontando os moradores e instaurando o caos.


Nesse período, começou a ficar evidente o cansaço de Hitchcock devido a idade avançada. Por conta disso, o diretor passou a filmar menos filmes, e com maior intervalo de tempo entre eles. Em 1964 ele lançou Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie), que trazia o ator Sean Connery como protagonista. Dois anos depois foi lançado Cortina Rasgada (Torn Curtain) com o astro Paul Newman, com quem Hitchcock teve uma complicada relação e prometeu nunca mais trabalhar junto. Ainda para fechar a gloriosa década de 60, foi lançado Topázio (Topaz), que fugia bastante do que o diretor estava acostumado a fazer, abordando a espionagem durante a Guerra Fria.

Anos 70: O Glorioso Fim de uma Gloriosa Carreira

Em 1968, Hitchcock foi agraciado pela academia responsável pelo Oscar com o Prêmio Irving Thalberg, pelo conjunto da obra. A premiação foi um meio de suprir a injustiça cometida com o cineasta, que nunca ganhou o prêmio de melhor diretor.




Meio sumido do grande público, Hitchcock ainda lançaria dois filmes antes de encerrar de vez a carreira. Frenesi (Frenzy), lançado em 1972, trazia pela primeira vez em seus filmes uma cena de nudez, além do uso de palavras de baixo calão, e falava sobre um mistério envolvendo assassinatos em série. Quatro anos depois, ele lançaria Trama Macabra (Family Plot), seu último e competente trabalho, finalizando com chave de ouro uma carreira dentre as mais brilhantes da sétima arte.

Por tudo isto, Alfred Hitchcock ficou conhecido no mundo inteiro, mesmo quando em 29 de abril de 1980 se noticiou que o "Mestre do Suspense" falecera em Los Angeles de insuficiência renal. Após o óbito, ninguém ousou negar que sua obra continuaria cada vez mais viva com o passar dos anos, e para o nosso bem isso se concretizou.





Curiosidades


 - Apesar de bastante tímido, o diretor era conhecido pelo bom humor. Ele adorava contar piadas durante as gravações e pregar peças nos amigos. Certa vez, deu um jantar na sua casa e usou um corante para que toda a comida e bebida ficassem azuis. Com vergonha, ninguém ousou perguntar nada, e ele tampouco explicou a situação. Hitchcock também costumava convidar amigos pra esse mesmo tipo de jantar e dizer para apenas um deles que era uma festa a fantasia. Somente quando o rapaz chegava todo caracterizado na sua porta, é que percebia ser uma grande pegadinha.


Hitch brincando coma  atriz Tippi Hendren durante uma filmagem.


 - Hitchcock não gostava de ir trabalhar nos sets de filmagens. Na verdade, ele mesmo admitia não gostar muito de dirigir os filmes, preferindo mais a parte da criação e desenvolvimento das cenas, que ele fazia antes de tudo começar. Ele já chegava no estúdio com os scripts prontos na cabeça, e gravava no máximo três takes de cada cena.

 - A maior parte dos atores que trabalharam com Hitchcock declaram que o diretor pouco se irritava durante as filmagens, sendo bastante amigável e calmo, mesmo quando algo dava errado. Ele odiava confrontos, e quando alguém se alterava no estúdio, ele simplesmente dava as costas para evitar confusão.



 - A única briga durante as filmagens aconteceu com o ator Paul Newman. Um pouco antes do início das filmagens de Cortina Rasgada, Newman escreveu um memorando ao diretor pedindo algumas mudanças no personagem, o que irritou muito Hitchcock. Newman chegou a pedir que ele mudasse até o nome do filme, que o ator desaprovava. Por conta disso, o diretor quase desistiu do filme, e Newman "sabotou" sua própria atuação, visivelmente mal feita.

 - Hitchcock nunca assistia seus filmes junto de plateias. Segundo o próprio, ele conseguia imaginar e ouvir as reações dos espectadores enquanto escrevia o roteiro, e para ele isso bastava.




 - Ele era bastante caseiro, indo a poucos eventos sociais, e foi casado com Alma Reville por 70 anos. Seu principal Hobby era a leitura e a culinária, sendo bastante exigente com o que comia e bebia (era também um amante de vinhos).


Atores com quem mais trabalhou

Hitchcock é dono da célebre frase "Atores são como gados". Anos depois ele explicou que o que ele quis dizer não era que atores eram como gados, mas que deveriam ser tratados como. Enfim, fato é que Hitch tinha pouco diálogo com os atores, e os deixava livres durante as filmagens, intervindo apenas quando algo saía fora do planejado. 

Poucos diretores costumam pegar um ator ou uma atriz e trabalhar seguidamente com o mesmo, e Hitchcock tinha essa característica. Além das suas musas (geralmente mulheres loiras e belas), ele tinha alguns atores que trabalharam constantemente com ele.

Cary Grant
em Suspeita, Interlúdio, Ladrão de Casaca e Intriga Internacional. 


James Stewart
em Festim Diabólico, Janela Indiscreta, O Homem Que Sabia Demais e Um Corpo que Cai


Grace Kelly
em Disque M Para Matar, Janela Indiscreta e Ladrão de Casaca.


Ingrid Bergman
em Quando Fala o Coração, Interlúdio e Sob o Signo de Capricórnio.




Suas aparições nos filmes

Uma das peculiaridades mais marcantes de Hitchcock eram as suas aparições rápidas no meio dos filmes. Tudo começou em O Pensionista (The Lodger), ainda na fase inglesa da carreira. Na época era apenas para suprir a falta de um figurante, mas depois acabou virando uma brincadeira com espectador, que tinha a missão de descobrir o momento exato da sua aparição na tela. Nos primeiros filmes da carreira, o diretor aparecia em qualquer momento da trama, mas ao perceber que o público ficava esperando por isso e as vezes não prestava atenção na história, suas aparições passaram a ser feitas logo nos primeiros 5 minutos.


A primeira aparição, no filme O Pensionista.

1. O Pensionista: Único filme em que Hitchcock aparece duas vezes. Na primeira, ele aparece sentado em uma mesa, de costas. Já na segunda vez, ele aparece numa platéia, assistindo a uma prisão.

2. Mulher Pública: Hitchcock aparece passeando com um cachorro na calçada.

3. Chantagem e Confissão: Ele aparece no banco de um trem lendo um livro, enquanto um menino brinca com o seu chapéu.


4. Assassinato!: Ele aparece atravessando na frente da câmera com as mãos no bolso do casaco.

5. Os 39 Degraus: Novamente aparece atravessando em frente a câmera.

6. Jovem e Inocente: Toma uma bronca de um guarda inglês enquanto segura uma câmera fotográfica.

7. A Dama Oculta: Atravessa na frente da câmera com uma maleta nas mãos e um cigarro na boca.

8. Correspondente Estrangeiro: Aparece lendo um jornal, de frente pra câmera, numa das suas aparições mais visíveis.



9. Rebecca - A Mulher Inesquecível: Aparece atrás de uma cena, enquanto o personagem principal conversa com um guarda.

10. Um Casal do Barulho: Aparece caminhando pela calçada.

11. Suspeita: Aparece colocando uma carta dentro de uma caixa de correspondências.

12. Sabotador: Aparece de lado, olhando a vitrine de uma loja.

13. A Sombra de Uma Dúvida: Aparece de costas, jogando cartas no banco de um trem.

14. Um Barco e Nove Destinos: Como a ação toda se passa em um bote, a alternativa de Hitchcock foi aparecer na capa do jornal que um dos marinheiros lê, no anúncio de um remédio para emagrecimento.



15. Quando Fala o Coração: Hitchcock é o primeiro a sair de um elevador, fumando.

16. Interlúdio: Aparece bebendo uma taça de champanhe, e sai da mesa assim que os protagonistas chegam.

17. Agonia de Amor: Desce de um trem carregando um violoncelo.

18. Festim Diabólico: Aparece caminhando na rua, na única cena externa do filme.

19. Sob o Signo de Capricórnio: Em uma das suas aparições mais discretas, conversa com dois homens bem ao fundo da cena.

20. Pavor nos Bastidores: Caminhando na calçada, ele passa de costas pela personagem principal e dá uma olhada para trás.

21. Pacto Sinistro: Mais uma vez com um violoncelo, agora ele aparece entrando em um trem.


22. A Tortura do Silêncio: Hitch aparece no alto de uma escadaria.

23. Disque M Para Matar: Aparece em uma fotografia, sentado à mesa com outras pessoas.

24. Janela Indiscreta: Aparece numa janela, arrumando o relógio de um vizinho do personagem de James Stewart.


25. Ladrão de Casaca: Aparece sentado num ônibus, ao lado do protagonista Cary Grant.


26. O Terceiro Tiro: Passa quase imperceptível no canto esquerdo da cena.

27. O Homem que Sabia Demais: Assisti a um espetáculo no meio da rua.

28. O homem Errado: Diferentemente do habitual, ele faz uma aparição direta, narrando a introdução do longa.

29. Um Corpo que Cai: Passa caminhando de uma ponta a outra da tela.

30. Intriga Internacional: Hitch corre para pegar o ônibus, que acaba fechando a porta na sua cara e partindo. É uma das suas aparições mais engraçadas.




31. Psicose: Está parado em frente a uma janela do escritório onde Marion (Janet Leigh) trabalha.

32. Os Pássaros: Sai de um Pet-Shop com dois cachorros.

33. Marnie, Confissões de Uma Ladra: Sai de um quarto de hotel e olha fixamente para a câmera.




34. Cortina Rasgada: Aparece sentado numa recepção de um hotel, com um bebê no colo.

35. Topázio: Levanta de uma cadeira de rodas e cumprimenta uma pessoa que está de pé.

36. Frenesi: Aparece no meio do público, com um terno e um chapéu coco.




37. Trama Macabra: Sua ultima aparição se dá através da janela de um escritório, sendo apenas uma silhueta em forma de sombra.

domingo, 11 de agosto de 2013

Recomendação de Filme #29

Amores Brutos - Alejandro González Iñarritú (2000)


Primeiro longa-metragem do mexicano Alejandro González Iñarritu, Amores Brutos (Amores Perros) já mostrava toda a sua competência na arte de dirigir, trazendo o tipo de construção narrativa que viria a ser comum nos seus filmes posteriores (21 Gramas, Babel e Biutiful), com tramas independentes que se desenrolam até chegar a um ponto de encontro.



O filme se passa na Cidade do México, e é composto por três histórias distintas. A princípio, a única ligação que há entre elas é a presença de cachorros, cujos comportamentos parecem se confundir com os dos personagens humanos (não por acaso, o nome no original significa "Amores Caninos").

Octavio (Gael García Bernal) é o protagonista da primeira trama. Desempregado e morando numa região suburbana junto com a mãe, o irmão mais velho, a cunhada (com quem mantém uma relação às escondidas) e o sobrinho ainda bebê, ele é tomado pela ambição de ganhar dinheiro através de violentas rinhas de cachorros, organizadas de forma clandestina. Até hoje o filme gera uma enorme polêmica, já que as cenas das brigas envolvendo os animais são extremamente verdadeiras. Obviamente que não são cenas reais, sendo apenas uma técnica cinematográfica muito bem utilizada por Iñarritu.


Na segunda história, Valeria (Goya Toledo) é uma modelo que goza de um considerado prestígio no ramo, sendo amante do empresário Daniel (Álvaro Guerrero), um homem rico que vive com a esposa e duas filhas pequenas. Cumprindo o que já tinha prometido, Daniel abandona a família e compra um apartamento para morar com a modelo. A tensão da história surge quando o poodle da moça entra no assoalho da casa por uma fresta e acaba se perdendo no vão que há entre o piso de madeira e o chão do apartamento. A apreensão provocada pelo acidente se agrava na segunda metade do filme, com um trágico desfecho.

Para fechar, a terceira história gira em torno de Chivo (Emilio Echevarría), um andarilho que vaga pelas ruas da cidade juntando materiais recicláveis para vender. Personagem mais enigmático do filme, ele vive cercado de cachorros de rua, mantendo com eles uma relação de humanismo que ele há tempos perdeu com as pessoas. Com uso de flashbacks, o filme mostra que no passado, Chivo se viu obrigado a tomar uma decisão que o afastou para sempre da sua esposa e da sua única filha, na época uma criança. Ele não se arrepende da atitude, mas almeja um dia obter o perdão da filha.


Na segunda metade do filme, uma determinada situação interliga as três histórias, trazendo um processo de transformação em boa parte dos personagens. Enquanto alguns acreditam poder ter de volta aquilo que perderam, outros depositam sua esperança nos planos futuro, que talvez jamais venham a se concretizar. É então que surge a principal pergunta do filme: É possível encontrar paz interior em um mundo que parece, cada vez mais, cruel e desumano?

A violência utilizada no filme não é gratuita, e é contextualizada em situações triviais do dia-dia, sendo passível de acontecer a qualquer um de nós. Isso faz com que o longa se torne uma experiência angustiante, por evocar complexas questões morais e éticas, além de trazer aquilo que de mais cruel o ser-humano é capaz de fazer. As atuações do filme só reforçam sua qualidade exemplar, e o destaque fica por conta de Gael García Bernal, que na época ainda era um ator desconhecido do público em geral. O enredo não-linear também não deixa com que o filme se torne cansativo.



Certamente, não é um filme indicado a pessoas sensíveis, mas sim, para pessoas que tem coragem suficiente para se expôr diante de um retrato cruel da podridão humana. Com certeza, o melhor filme de um dos cineastas mais competentes da atualidade, e os quatro prêmios que recebeu, além da indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, só comprovam sua grandeza.

Especial Dia dos Pais: Os melhores pais do cinema

Desde o surgimento do cinema, na virada do século 19 pro 20, que diretores e roteiristas buscam referências nas relações humanas para dar vida aos seus enredos. Obviamente que a relação entre pais e filhos não fugiria à regra, sendo responsável por influenciar uma série de sucessos ao longo dos anos. 

Afinal, quem nunca se emocionou com uma história de amor paternal descrita em algum filme? Entre pais desastrados, pais corujas, pais modernos ou caretas, já vimos centenas de exemplos até então na história do cinema. O tema acabou chegando inclusive no mundo das animações, como em O Rei Leão ou no mais recente Procurando Nemo.

Nesse dia 11 de agosto comemora-se o dia deles. E para homenagear todos os pais da vida real, nada melhor do que relembrar os principais pais das telas.


Sam Dawson, de Uma Lição de Amor

Em um dos filmes mais emocionantes de todos os tempos, Sean Penn dá um show de interpretação como Sam Dawson, um homem com deficiência mental que luta na justiça para continuar cuidando da sua filha pequena. Ao completar sete anos, Lucy começa a passar o pai intelectualmente, e uma assistente social decidi que é melhor ela ir para um orfanato. Com ajuda de uma advogada, Sam tenta provar ter condições de continuar criando-a.

Chris Gardner, de À Procura da Felicidade

Will Smith dá vida a Chris Gardner, um pai de família que vive sérios problemas financeiros. Apesar de fazer de tudo para manter a família unida, sua esposa acaba indo embora, deixando ele na companhia do filho pequeno Christopher (que curiosamente também é filho de Will Smith na vida real). A situação piora quando os dois acabam sendo despejados, tendo de dormir em estações de trem e albergues para sem tetos, mas sem jamais perder a esperança de que dias melhores virão.

Daniel Hillard, de Uma Babá Quase Perfeita

Daniel Hillard (Robin Williams) está passando por uma fase complicada na vida: além de perder seu emprego, a mulher Miranda (Sally Field) resolve se separar dele, impedindo-o de passar mais tempo junto dos filhos. Ao descobrir que Miranda está atrás de uma babá para cuidar das crianças, ele resolve se vestir como uma velha senhora e ir na entrevista, conseguindo o emprego. Com isso, ele passa a acompanhar de perto o crescimento dos filhos.

Guido Orefice, de A Vida é Bela

Em A Vida é Bela, temos uma das melhores amostras já vistas no cinema sobre o sentimento de ser pai. O judeu Guido (Roberto Benigni) é enviado junto de seu filho Giosué para um campo de concentração nazista. Separado da mulher, ele passa a usar a imaginação para esconder do filho toda a atmosfera de violência e crueldade que os cercam, fingindo que tudo não passa de uma brincadeira.

Sonny Kaufax, de O Paizão

Adam Sandler pode não ser um exemplo de grande ator, mas não podemos subestimar sua participação em O Paizão, talvez a melhor atuação da sua carreira. Com 32 anos, formado em direito, mas trabalhando em um pedágio por pura preguiça de correr atrás de coisa melhor, Sonny Kaufax resolve adotar uma criança para tentar mostrar às mulheres uma certa maturidade. Porém, ele vai descobrindo que cuidar de um pequeno menino é muito mais complicado do que aparece, ao mesmo tempo que se torna gratificante.

Ted Kramer, de Kramer vs. Kramer

Ted Kramer (Dustin Hoffman) é um homem ocupado com o trabalho, e que por conta disso, dá pouca atenção a sua família. Sua esposa Joanna (Meryl Streep) decide dar um basta, e sai de casa, deixando Ted junto do filho pequeno Billy. A relação entre pai e filho vai crescendo e quando os dois estão acomodados e felizes, Joanna retorna pedindo na justiça a guarda da criança.

Giuseppe Conlon, de Em Nome do Pai

Na década de 70, um atentado do grupo IRA mata cinco pessoas em um Pub nas proximidades de Londres. Gerry Conlon (Daniel Day-Lewis) é um rebelde Irlandês, que acaba sendo injustamente acusado do atentado, pegando prisão perpétua. Ao tentar ajudá-lo, seu pai Giuseppe também acaba sendo preso. Os dois passam a lutar juntos contra as injustiças cometidas pela polícia britânica.

George Banks, de O Pai da Noiva

Todo homem que já teve de se apresentar ao pai da namorada, sabe o quão tenso é esse momento. E quando o pai é um ciumento inveterado, que faz de tudo para atrapalhar a relação, a situação fica ainda mais complicada. Em O Pai da Noiva, o comediante Steve Martin dá vida a George Banks,  um pai que cria mil confusões ao descobrir que sua filha decidi se casar.

John Quincy Archibald, de Um Ato de Coragem

Pai que é pai, faz de tudo pelo filho. As vezes, isso significa chegar ao extremo, mesmo que isso lhe custe a vida ou a liberdade. Em Um Ato de Coragem, Denzel Washington é John Quincy, um homem que trabalha numa fábrica e vive feliz com a esposa e o filho Michael. De repente, Michael fica gravemente doente e necessita de um transplante de coração, mas John não tem dinheiro para pagar a operação, e nem seu plano de saúde cobre as despesas. Numa tentativa desesperada de salvar a vida do garoto, ele invade a sala de emergências do hospital e faz a ala inteira de refém, prometendo liberá-los assim que seu filho receber o novo coração.

Ed Bloom, de Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Ed Bloom é um verdadeiro contador de histórias. Todos ficam fascinados com o que ele conta sobre um momento da sua vida (quando decidiu sair de sua cidade natal para dar uma volta ao mundo), menos seu filho Will, que não acredita em nada que ele conta e dá pouca importância. Essa falta de consideração do filho o deixa extremamente chateado, mas quando ele é internado restando pouco tempo de vida, os dois se aproximam. Will acaba misturando ficção com realidade quando decide finalmente ouvir o que seu pai tem a dizer.

Don Corleone, de O Poderoso Chefão

Ele podia não ser um exemplo de bom samaritano, mas quando se tratava de defender seus filhos, ninguém fazia isso com tamanha excelência. Mais do que seus filhos, ele era também um pai para todos os membros da máfia, tratando-os com cordialidade, desde que obtivesse de volta o mesmo. Por fim, ele deixou todo um império construído por anos nas mãos de seu filho Michael (Al Pacino), numa total demonstração de confiança e lealdade.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Estreias da Semana (09/08 a 15/08)

Seis filmes entram em cartaz nessa sexta-feira pelo país. O destaque fica por conta do novo trabalho de Guilhermo Del Toro, Círculo de Fogo (Pacific Rim). Um dos filmes mais esperados desse segundo semestre de 2013, o longa promete um festival de efeitos especiais em 3D, numa combinação perfeita para encher as salas de projeção.

Da França, estreia o drama psicológico Camille Claudel, 1915 (Camille Claudel, 1915), ambientado em um centro psiquiátrico francês do início do século, estrelado pela atriz Juliette Binoche.

Depois de ter sido adiado incontáveis vezes no Brasil, estreia finalmente o longa norueguês A Aventura de Kon-Tiki (Kon-Tiki), que concorreu ao Oscar desse ano de melhor filme estrangeiro. A trama conta a história da navegação feita pelo aventureiro Thor Heyerdahl no final dos anos 40, com uma fotografia encantadora e recheada de belíssimas imagens.

Para fechar a lista, estreiam três filmes nacionais. A comédia Vendo ou Alugo, estrelada pela atriz Marieta Severo, o drama As Horas Vulgares, filmado todo em preto e branco, e o nordestino Cine Holliúdy, sobre um homem que projetava filmes no sertão.

Confira abaixo a lista completa.



Círculo de Fogo

Quando várias criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do mar, tem início uma batalha entre estes seres e os humanos. Para combatê-los, a humanidade desenvolve uma série de robôs gigantescos, os Jaegers, cada um controlado por duas pessoas através de uma conexão neural.

Pacific Rim, Estados Unidos, 2013.
Direção: Guilhermo Del Toro
Duração: 130 minutos
Classificação: 12 anos
Ação/Aventura
Assista o trailer aqui.


Camille Claudel, 1915

Contra sua vontade, a escultora Camille Claudel (Juliette Binoche) é internada pelos familiares em um asilo psiquiátrico mantido por religiosas, permanecendo durante anos na instituição, sem poder sair. Ela afirma insistentemente que está sã, mas desenvolve com o tempo uma mania de perseguição, acreditando que seu ex-amante Auguste Rodin conspira contra ela, enquanto tenta a todo custo provar ser capaz de viver em sociedade.

Camille Claudel: 1915, França, 2013.
Direção: Bruno Dumont
Duração: 95 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
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A Aventura de Kon-Tiki

Inspirado na história real de Thor Heyerdahl, o filme mostra o dia-dia da expedição Kon-Tiki, que foi realizada em 1947. Para tentar provar sua teoria de que a Polinésia teria sido ocupada pelos povos da América do Sul, e não pelos povos do Oeste como diziam nos livros, ele decidiu fazer o mesmo trajeto usando uma jangada feita com os mesmos materiais que os ancestrais possuíam.

Kon-Tiki, Noruega, 2012.
Direção: Joachim Ronning e Espen Sandberg
Duração: 118 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura/Drama
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Vendo ou Alugo

Maria Alice (Marieta Severo) vive com a mãe, a filha e a neta em um casarão no Leme, bem na entrada de uma favela. Para sobreviver, ela faz diversos bicos, inclusive ilegais, mas ela precebe que o único modo de resolver seus problemas é vendendo a casa. O problema é que ninguém quer comprá-la, devido a proximidade com o morro, até que aparece um estrangeiro interessado.

Vendo ou Alugo, Brasil, 2013.
Direção: Betse de Paula
Duração: 88 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia
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As Horas Vulgares

O pintor Lauro parece ter uma boa vida: vive com a querida esposa Erika, e obtém sucesso trabalhando com arte. No entanto, ele não se sente feliz. Certo dia, Lauro cruza com Théo, um amigo que não via há muitos anos, e ambos começam a relembrar as histórias do passado.

As Horas Vulgares, Brasil, 2013.
Direção: Vitor Graize e Rodrigo de Oliveira
Duração: 123 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
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Cine Holliúdy

No interior Cearense, em meados dos anos 70, Francisgleydsson (Edmilson Filho) é um pequeno exibidor que luta para manter sua sala aberta, a despeito da chegada das TV's. Após fracassar em uma cidade, ele e sua família se mudam para Pacatuba, onde encontra uma plateia pitoresca para seus filmes.

Cine Holliúdy, Brasil, 2013.
Direção: Halder Gomes
Duração: 91 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia/Romance
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