sábado, 17 de agosto de 2013

As 10 Melhores Atuações de Robert De Niro.

Premiado ator, diretor e produtor cinematográfico, Robert Mário De Niro Jr. nasceu em Nova Iorque no dia 17 de agosto de 1943. Vencedor de dois Oscars, um de melhor ator e outro de melhor ator coadjuvante, De Niro ficou conhecido pela sua parceria com o diretor Martin Scorsese, com quem ele fez boa parte dos seus principais filmes da carreira. Além de Scorsese, De Niro ainda trabalhou com outros grandes nomes do cinema como Coppola, De Palma, Sergio Leone e Bertolucci, sendo protagonista dos maiores clássicos do gênero gângster (característica que marcou sua carreira).


Geralmente costumo fazer uma lista com cinco filmes de cada ator para homenageá-los, mas a carreira de De Niro é tão brilhante que foi difícil escolher dez, tendo de deixar ainda alguns de fora. Enfim, abaixo vocês conferem a lista com as 10 atuações mais marcantes do ator, que atualmente continua no cinema fazendo papéis cômicos em filmes "família".


1. Taxi Driver (1976)


Travis Bickle (Robert De Niro), de 26 anos, é um veterano soldado da guerra do vietnã, que começa a trabalhar como motorista de táxi em Nova Iorque, vagando solitário pelas ruas da cidade à noite. Aos poucos, vai crescendo dentro dele um sentimento de raiva com a miséria, a violência e os vícios que ele presencia diariamente durante sua rotina. Enquanto compra armas e planeja um atentado contra um senador que concorre ao cargo de presidente da república, ele tenta ajudar uma prostituta de 12 anos (vivida por Jodie Foster) a largar seu cafetão e voltar para casa e para os estudos. Dirigido por Martin Scorsese, Taxi Driver mostrava o lado podre da cidade, que não vemos nos encartes de turismo nem na televisão.

2. Touro Indomável (1980)


Mais uma vez trabalhando sobre a direção de Scorsese, em Touro Indomável De Niro dá vida ao pugilista Jake La Motta, o "touro do bronx", que sobiu na carreira na mesma velocidade em que sua vida se degradou, graças ao seu temperamento violento e seu comportamento auto-destrutivo. De Niro deu tudo de si pelo personagem: treinou boxe durante meses com o próprio LaMotta, e chegou a engordar 25 quilos para interpretar o pugilista no período em que ele já está aposentado.

3. O Poderoso Chefão:Parte II


O segundo filme da trilogia O Poderoso Chefão volta um pouco no tempo em relação ao primeiro, e nesse flashback, De Niro interpreta o chefão Vito Corleone quando ele ainda era jovem e vivia na Sicília. Ao ter sua família morta pela máfia, ele viaja em direção a América, onde começa aos poucos a montar seu famoso império. Junto com Al Pacino e Marlon Brando, De Niro é um dos principais nomes que fazem com que o filme seja o grande clássico que é.

4. Os Bons Companheiros (1990)


Em Os Bons Companheiros, novamente de Scorsese, De Niro é James "Jimmy" Conway, um mafioso em ascensão. Ao começar a se envolver em golpes cada vez maiores, ele adquiri um certo respeito e prestígio entre os outros mafiosos, formando seu próprio grupo, que pratica grandes roubos e trafica drogas. Por conta disso, ele começa a ser perseguido pelos agentes federais, culminando em um final nada feliz.

5. Os Intocáveis (1987)

Em Os Intocáveis, De Niro novamente é chefe de um grupo mafioso, mas não qualquer chefe. Dessa vez ele é nada menos que Al Capone, o gângster que tocou o terror no norte dos Estados Unidos no início do século 20. Quando um agente federal tenta acabar com seu reinado, ele recruta um poderoso time de corajosos e incorruptíveis homens para ajuda-lo.

6. Cabo do Medo (1991)


Outra parceria sua com Scorsese, em Cabo do Medo De Niro é Max Cady, um psicopata que é preso por 14 anos acusado de estupro. Ao ser libertado, ele busca vingança contra o ex-advogado de defesa, que omitiu informações que alterariam a decisão do júri no tribunal. Ele passa a aterrorizar o advogado e sua família, usando os meios mais legais possíveis para evitar ser novamente preso.

7. Tempo de Despertar (1990)


Em um hospital psiquiátrico, vários pacientes estão aparentemente catatônicos, sem nenhuma perspectiva de voltarem a acordar. Entre eles está Leonard (De Niro), que está há décadas adormecido. Quando um novo neurologista começa a trabalhar no hospital, ele começa a estudar a doença e descobre uma maneira de tentar reverter a situação. Como "cobaia", ele utiliza o personagem de De Niro, que gradualmente começa a se recuperar. A recuperação de Leonard abre um precedente para que o tratamento comece a ser testado em outros pacientes.

8. Era Uma Vez na América (1984)


Junto com seu amigo Maximilliam, David Aaronson (De Niro) cresce nas ruas de Nova Iorque cometendo pequenos delitos. Aos poucos, esses delitos começam a se transformar em crimes maiores, e o grupo formado pelos amigos vira uma poderosa máfia. Devido a diferenças de ideias, os dois acabam se separando e tornando-se rivais. O longa dirigido pelo italiano Sergio Leone, traz uma visão dos acontecimentos, num reencontro dos dois 35 anos após a separação.

9. 1900 (1976)

Gigantesca produção do diretor Bernardo Bertolucci, 1900 mostra a vida de dois amigos de infância separados pelo destino. Olmo (Gerárd Depardieu) é um trabalhador nato, filho de um camponês, enquanto Alfredo Berlingheri (De Niro) é filho de um dono de terras, que vive do dinheiro da família, sem ter grandes preocupações. A diferença de classes não atrapalha na amizade, e os dois compartilham uma forte relação em meio ao crescimento do fascismo no país.



10. O Rei da Comédia (1983)

Rupert Pumpkin (De Niro) é um aspirante a comediante, que cansado de não conseguir espaço em lugar nenhum, resolve sequestrar Jerry Langford, um consagrado apresentador de televisão. Para escapar da confusão, Jerry concede um espaço no seu programa para que Rupert apresente seu número. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Estreias da Semana (16/08 a 22/08)

Sofia Coppola, filha do grande cineasta Francis Ford Coppola, está de volta ao cinema com seu mais novo filme, Bling Ring: A Gangue de Hollywood. Baseado em fatos reais, o drama policial adolescente fala sobre um grupo que roubava casas de grandes celebridades nos arredores de Los Angeles.

O grande destaque dessa semana porém, fica por conta da nova aventura do adolescente Percy Jackson, em mais uma adaptação do grande sucesso juvenil escrito por Rick Riordan. Jackson está de volta com a missão de salvar o local onde mora, tendo de enfrentar um verdadeiro "mar de monstros", como o próprio nome do filme diz. 

Quem também está de volta às telas é o ator Adam Sandler, na sequência de Gente Grande, de 2010. Contando com quase todo o elenco do primeiro filme, a comédia promete lotar os cinemas como na primeira vez.

Para fechar a lista, tem o premiado drama brasileiro Flores Raras, dirigido pelo cineasta Bruno Barreto, que traz um romance homossexual entre duas mulheres maduras, além do documentário Por Que Você Partiu?, sobre imigrantes europeus que vieram ao Brasil em busca de emprego no ramo da culinária.

Enfim, confira abaixo a lista completa:


Percy Jackson e o Mar de Monstros

O aniversário de 17 anos de Percy Jackson (Logan Lerman) foi surpreendentemente calmo, sem ataques de monstros ou algo do tipo. Entretanto, uma inocente partida faz com que Percy e seus amigos se vejam desafiados num jogo de vida ou morte contra um grupo de gigantes canibais. Além disso, a proteção mágica que havia no acampamento foi envenenada por uma arma misteriosa, e somente enfrentando o mar de monstros para que Percy e seus amigos consigam salvar o local.

Percy Jackson: Sea of Monsters, Estados Unidos, 2013.
Direção: Thor Freudenthal
Duração: 127 minutos
Classificação: 10 anos
Aventura/Fantasia
Assista o trailer aqui.


Gente Grande 2

Continuação do filme Gente Grande, o longa apresenta uma nova aventura do grupo de amigos formados por Lenny (Adam Sandler), Eric (Kevin James), Kurt (Chris Rock), Marcus (David Spade) e Rob (Rob Schneider).

Grown Ups 2, Estados Unidos, 2013.
Direção: Dennis Dugan
Duração: 101 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.


Bling Ring: A Gangue de Hollywood

Nicki, Marc, Rebecca, Sam e Chloe, entre outros jovens de Los Angeles, têm uma vida comum e vazia, de pais ausentes, que não tem ideia do que os filhos fazem na rua, principalmente durante a noite. Fascinados pelo mundo glamouroso das celebridades, o grupo começa a fazer pequenos assaltos na casa dessas pessoas, quando descobrem que entrar na residência deles não é nada difícil. O volume dos saques desperta a atenção das autoridades, que decidem dar um basta nos crimes.

The Bling Ring, Estados Unidos, 2013.
Direção: Sofia Coppola
Duração: 91 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
Assista o trailer aqui.


Flores Raras

Elizabeth Bishop (Miranda Otto) é uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos pro amigo Robert (Treat Williams). Em busca de algo que a motive, ela parte para o Rio de Janeiro, para passar uns dias na casa de uma amiga da faculdade. Logo, ela se apaixona pela arquiteta Lota (Glórias Pires), e as duas iniciam um romance.

Flores Raras, Brasil, 2013.
Direção: Bruno Barreto
Duração: 118 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.


Por Que Você Partiu?

Quais motivos podem nos levar a deixar nosso país e nossa família para tentar a sorte em um continente diferente? O documentário acompanha a brilhante trajetória de cinco chefs de gastronomia franceses que residem no Brasil, a partir do relato dos seus familiares.

Por Que Você Partiu?, Brasil, 2013.
Direção: Eric Belhassen
Duração: 94 minutos
Classificação: 10 anos
Documentário
Assista o trailer aqui.

O Cinema Realista de Alejandro González Iñárritu



Nascido na Cidade do México em 15 de agosto de 1963, Alejandro González Iñarritu começou sua carreira profissional como DJ na estação de rádio mexicana WFM, ao mesmo tempo em que estudava cinema e teatro na universidade. Seu primeiro contato profissional com a sétima arte foi somente entre 1988 e 1990, onde compôs a trilha sonora para seis filmes mexicanos lançados na época.


Depois de trabalhar um período na Televisa, ele resolveu criar sua própria companhia, a Zeta Filmes, estreando como diretor em 1996 com o curta-metragem El Timbre. Porém, seu primeiro longa-metragem só veio a ser filmado em 2000. Amores Brutos (Amores Perros) se tornou um sucesso mundial, ao mesmo tempo em que arrecadou inúmeras polêmicas e criticas negativas, graças a suas cenas de violência extremamente verdadeiras. Apesar de tudo, o filme foi nomeado para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de ganhar o BAFTA de melhor filme e o prêmio máximo no festival de Cannes.

Nesse seu primeiro trabalho, o diretor já mostrava o estilo próprio que seria enfim reconhecido nos seus filmes posteriores como uma marca registrada: o conjunto de várias histórias paralelas que em um dado momento do enredo se encontram.

Em 2002, Iñarritu participou da realização de um filme coletivo junto de outros diretores conhecidos, como Win Wenders e Ken Loach. 11'09"01 - 11 de Setembro (11'09"01 - September 11) falava sobre as consequências que os acontecimentos do 11 de setembro de 2001 trouxeram ao redor do mundo, e serviu para abrir as portas de Hollywood para o cineasta, que no ano seguinte lançaria seu primeiro trabalho filmado inteiramente em solo americano, o premiadíssimo 21 Gramas (21 Grams)Com um elenco de peso com Sean Penn, Benício Del Toro e Naomi Watts, o filme levou novamente o nome de Iñarritu às grandes premiações mundiais e consequentemente a um público ainda maior.

Seu próximo filme foi novamente cercado de polêmicas e premiações. Babel (Babel), que tinha no elenco Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal, trazia novamente uma teia de relações que se encontravam na segunda parte do filme, mostrando de forma crua e realista as relações humanas e seus valores contemporâneos. Indicado a sete oscars, o filme levou apenas um, o de melhor trilha sonora.

O último filme lançado pelo diretor em 2010 foi Biutiful(Biutiful), com Javier Bardem, que novamente trazia os sentimentos mais adversos do ser-humano, em uma colcha de retalhos universal que se encaixava no andar do enredo. Para variar, novamente Iñarritu teve um filme seu indicado ao Oscar, provando que em termos de aproveitamento o diretor é quase insuperável na atualidade.

O diretor já trabalha em seu próximo trabalho, que deverá se chamar "Birdman", sobre um ex-ator que monta um musical da Broadway para tentar voltar aos tempos gloriosos da carreira. O filme promete trazer novamente um elenco de peso, já que confirmou nomes como Edward Norton, Michael Keaton,  Naomi Watts e Emma Stone. Agora só nos resta esperar para ver o que sairá dessa vez da mente brilhante de Iñarritu.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Mestre do Suspense: Alfred Hitchcock


Ninguém passa a ser considerado um mestre em determinado assunto por mero acaso, e quem já assistiu a filmografia de Alfred Hitchcock sabe que, no mundo dos filmes de suspense, ninguém se iguala a sua obra. Durante 51 anos de uma extensa carreira produtiva, ele dirigiu oficialmente 35 filmes, dentre os quais grande parte se tornou sucesso mesmo após sua morte, em 1980.


Sir Alfred Joseph Hitchcock nasceu na cidade de Londres, em 13 de agosto de 1899. Filho de pais rígidos, sua infância foi disciplinarmente religiosa, vivendo quase o tempo todo isolado de outras crianças. Em 1913, ele finalmente saiu da escola católica onde estudava e passou a seguir seus próprios passos profissionais, estudando Engenharia na faculdade, enquanto fazia cursos de desenho nas horas vagas. Foi nesse mesmo ano que ele descobriu aquilo que se transformaria no seu Hobby favorito, e consequentemente sua vocação, o cinema, que começava a se estabelecer como uma das mais importantes atividades recreativas da época.

Nos anos 20, quando o estúdio americano Famous Players-Lasky Company decidiu abrir uma filial em Londres, Hitchcock conseguiu emprego como desenhista de letreiros para filmes mudos. Com o passar do tempo, começou a ajudar no desenho de cenários e até mesmo na criação de alguns diálogos, até que em 1923 foi convidado pelo produtor Seymour Hicks para ser co-diretor de um pequeno filme, Always Tell You Wife. Porém, seu primeiro filme oficial como diretor foi lançado apenas em 1925, recebendo o nome de Pleasure Garden.

Foi nesse mesmo estúdio que ele conheceu Alma Reville, que viria a ser sua esposa e colaboradora pelo resto da sua vida. Ainda na década de 20, com ajuda dela, Hitchcock conseguiu filmar uma série de pequenos filmes, muitos dos quais se deterioraram e nem sequer existem mais, mas que ajudaram a firmar o estilo próprio que veríamos nas décadas seguintes. Os mais famosos dentre eles foram O Ringue (The Ring), O Pensionista (The Lodger) e Mulher Pública (Easy Virtue)que o transformaram em um dos diretores mais conhecidos da Inglaterra na época.


O casal trabalhando junto.

Fase Inglesa

Apesar de ter obtido um certo prestígio nos anos anteriores, o primeiro grande sucesso da carreira de Hitchcock como diretor veio somente com Chantagem e Confissão (Blackmail), lançado em 1929. Com roteiro baseado em uma peça de teatro, o longa marcou ainda por ter sido o primeiro filme sonoro feito na Inglaterra. 

Nos próximos 4 anos, ele produziria mais alguns trabalhos que na época fizeram um relativo sucesso, como Assassinato! (Murder!) e Ricos e Estranhos (Rich and Strange), mas que são poucos significativos para o montante da sua carreira.

Hitchcock de costas, durante as gravações de Chantagem e Confissão.


Em 1933, Hitchcock passou a trabalhar na companhia Gaumont-British Picture Corporation, onde lançou O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much), sobre uma conspiração envolvendo agentes secretos (um dos seus temas mais recorrentes). O filme foi um estrondoso sucesso na época e veio a ser refilmado pelo próprio diretor em 1956.

Seu segundo trabalho pela nova companhia foi Os 39 Degraus (The 39 Steps), que para muitos é o melhor filme dessa sua fase britânica. O enredo se baseia na obra homônima de John Buchan, e é muito semelhante ao seu filme anterior, trazendo novamente uma estória envolvendo agentes secretos. É uma obra digna para quem gosta de se aprofundar no suspense "Hitchcockiano".


Madeleine Carroll, Alma Reville e Hitchcock, no set de filmagens de
Os 39 Degraus, grande sucesso do diretor na Inglaterra.


Em 1938, com A Dama Oculta (The Lady Vanishes), o nome do diretor voltaria a chamar a atenção do grande público. O roteiro acompanha uma velhinha envolvida em uma missão secreta, e já deixava evidente algumas das fórmulas peculiares do seu jeito de fazer cinema, como o recurso do personagem inocente que é perseguido e punido por um crime que não cometeu.

Hitchcock junto de Sally Stewart, Margaret Lockwood
e Googie Whiters, atrizes de A Dama Oculta (1938).

O cinema de Hitchcock fez tanto sucesso na Inglaterra que acabou chamando a atenção dos grandes produtores americanos. Naquele mesmo ano, ele partiu definitivamente para os Estados Unidos, firmando contrato com David Selznick, responsável pelo grande sucesso E O Vento LevouSeu último filme em solo inglês foi A Estalagem Maldita (Jamaica Inn), lançado em 1939.

Fase Americana

Anos 40: A estreia em Hollywood e o novo rumo na carreira

A estreia de Hitchcock em solo americano não poderia ter sido mais bem sucedida. Rebecca: A Mulher Inesquecível (Rebecca), de 1940, trazia no elenco os atores Laurence Olivier e Joan Fontaine, e contava a história de amor inusitada entre uma jovem moça e um viúvo misterioso. O filme conquistou o Oscar de Melhor Filme (o único da carreira do diretor), e é até hoje aclamado como um dos grandes clássicos do cinema mundial.


Hitchcock conversando com Joan Fontaine e Laurence Oliver,
no set de filmagens de Rebecca: A Mulher Inesquecível (1940).


A partir de então, o cineasta passou a gravar em torno de um filme por ano. Seu segundo trabalho no país foi Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent), filmado durante a Segunda Guerra Mundial, que chegou a ser indicado ao Oscar de melhor roteiro e melhor direção, mas sem ganhar nenhum dos dois.

Ainda na década de 40, Hitchcock se aventuraria em alguns gêneros diversificados, como na comédia romântica Um Casal do Barulho (Mr. & Mrs. Smith) e no filme de guerra Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat). Em 1941 ele lançou Suspeita (Suspicion) com Cary Grant e Joan Fontaine, e no ano seguinte Sabotador (Saboteur), o primeiro de dois filmes feitos pela Universal Pictures. O segundo foi A Sombra de Uma Dúvida (Shadow of a Doubt), um filme noir que venho a ser indicado ao Oscar como melhor roteiro, e é considerado até hoje como um dos seus principais trabalhos daquela década.


Hitch no centro da imagem, coordenando o set de filmagens
de A Sombra de Uma Dúvida (1944).


Em 1945, Hitchcock filmou pela primeira vez com um dos rostos mais marcantes da história do cinema, a atriz Ingrid Bergman, no grande sucesso Quando Fala o Coração (Spellbound). Ele voltaria a filmar com Bergman novamente em Interlúdio (Notorious), dessa vez contando também com a participação do consagrado Cary Grant. Para nós brasileiros, o filme é marcante por conter algumas cenas ambientadas no Rio de Janeiro (ainda que tenham sido filmadas dentro do estúdio em Hollywood).

O diretor conversa com Ingrid Bergman e Cary Grant, os astros do filme Interlúdio (1946).

Em 1947, foi lançado a ficção Agonia de Amor (The Paradine Case), seu primeiro filme inteiramente a cores. Aliás, o forte aproveitamento das cores já pode ser visto no seu próximo trabalho, Festim Diabólico (Rope). Baseado em fatos reais, e filmado inteiramente em um único cenário, foi sua primeira parceria com o ator James Stewart, e com certeza está na lista de qualquer fã como um dos seus melhores filmes.


Set de filmagens de Festim Diabólico.

A partir de 1948, ele passou a ser exclusivamente seu próprio produtor, lançando filmes de grandes investimentos e com atores dentre os mais renomados da época. O primeiro deles foi Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn), novamente com Ingrid Bergman. O filme acabou sendo um fracasso nas bilheterias, principalmente pela polêmica que envolveu Bergman naquele ano, por conta do seu suposto caso extra-conjugal com o cineasta italiano Roberto Rosselini.

Anos 50: O Auge da Carreira


Hitchcock começou a década de 50 lançando o excelente Pavor nos Bastidores (Stage Fright), que trazia a beleza estonteante de Marlene Dietrich em uma trama de alto nível e cheia de reviravoltas. No ano seguinte, ele foi trabalhar na Warner Bros. Pictures, lançando Pacto Sinistro (Strangers on a Train). O longa, baseado no romance homônimo de Patricia Highsmith, é considerado por muitos como um dos melhores (se não o melhor) da sua carreira.

Em 1954, o diretor utilizou pela primeira vez a técnica 3D no clássico Disque M Para Matar (Dial M for Murder). Assim como em Festim Diabólico, a trama é rodada inteiramente em um único cenário, sem jamais perder seu clima de tensão e suspense. Baseado numa peça teatral, o filme trazia a atriz Grace Kelly contracenando junto com Ray Milland. Ainda naquele mesmo ano, Hitchcock lançaria outro clássico absoluto, Janela Indiscreta (Rear Window), com James Stewart e Grace Kelly, e que é até hoje um dos mais lembrados do seu currículo.

Ray Milland e Hitchcock durante as gravações de Disque M Para Matar.

A popularidade do diretor aumentou ainda mais no ano de 1955, quando ele foi convidado a ter seu próprio programa de televisão, o Alfred Hitchcock Presents, que trazia pequenas histórias criminais divididas em episódios. Nesse mesmo período, ele lançou para o cinema uma comédia de humor negro chamada O Terceiro Tiro (The Trouble With Harry), seu primeiro e único filme do gênero.

Em 1956, mais dois grandes filmes do cineasta foram lançados. O primeiro foi Ladrão de Casaca (To Catch a Thief), com Cary Grant e Grace Kelly, e o segundo foi a refilmagem de O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much), que ele havia feito ainda no seu período britânico. O remake trazia o ator James Stewart como carro chefe, e alterou muito pouco do original (a principal mudança foi a localização, dessa vez ambientado no deserto do Marrocos).


James Stewart e Doris Gray contracenam em O Homem Que Sabia Demais,
sob o olhar atento do diretor ao fundo.

No ano seguinte, ele lançou O Homem Errado (Thw Wrong Man), um caso real sobre confusão de identidades, que trazia no elenco Henry Fonda e Vera Milles. Finalizando a década de 50, ele ainda lançaria dois enormes sucessos: Um Corpo que Cai (Vertigo), nova parceria com James Stewart e Intriga Internacional (North By Northwest), com Cary Grant. Os dois filmes foram mau recebidos pelo público na época, mas hoje são considerados indispensáveis a qualquer cinéfilo que se preze.



Anos 60: O Merecido Reconhecimento Mundial

Com Janet Leigh, na filmagem
da clássica cena no chuveiro.
A década de 60 chegou alçando vôos ainda maiores na carreira de Hitchcock, e levando-o ao verdadeiro estrelato mundial. É nesse período que ele lançou seus dois maiores sucessos, que mudariam para sempre a abordagem cinematográfica sobre o gênero terror e firmariam de vez seu nome na história dos grandes cineastas.

O primeiro deles foi Psicose (Psycho). Lançado em 1960, o longa passou por um processo penoso de criação, graças a problemas com a equipe, mas obteve reações impressionantes do público nos cinemas e acabou se firmando como o maior sucesso da carreira do diretor em termos de alcanço de popularidade. O ponto máximo do filme é a morte da personagem de Janet Leigh, assassinada a facadas durante o banho. Com uma trilha sonora impactante e amedrontadora, a cena é uma das mais famosas do cinema e até mesmo quem nunca viu o filme já se deparou com ela em algum momento. 

Seu próximo filme não perderia em qualidade e aceitação para o anterior, e só firmaria o nome do diretor como grande precursor do terror psicológico. Os Pássaros (The Birds) mostrava a invasão de milhares de pássaros numa pacata cidade americana, amedrontando os moradores e instaurando o caos.


Nesse período, começou a ficar evidente o cansaço de Hitchcock devido a idade avançada. Por conta disso, o diretor passou a filmar menos filmes, e com maior intervalo de tempo entre eles. Em 1964 ele lançou Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie), que trazia o ator Sean Connery como protagonista. Dois anos depois foi lançado Cortina Rasgada (Torn Curtain) com o astro Paul Newman, com quem Hitchcock teve uma complicada relação e prometeu nunca mais trabalhar junto. Ainda para fechar a gloriosa década de 60, foi lançado Topázio (Topaz), que fugia bastante do que o diretor estava acostumado a fazer, abordando a espionagem durante a Guerra Fria.

Anos 70: O Glorioso Fim de uma Gloriosa Carreira

Em 1968, Hitchcock foi agraciado pela academia responsável pelo Oscar com o Prêmio Irving Thalberg, pelo conjunto da obra. A premiação foi um meio de suprir a injustiça cometida com o cineasta, que nunca ganhou o prêmio de melhor diretor.




Meio sumido do grande público, Hitchcock ainda lançaria dois filmes antes de encerrar de vez a carreira. Frenesi (Frenzy), lançado em 1972, trazia pela primeira vez em seus filmes uma cena de nudez, além do uso de palavras de baixo calão, e falava sobre um mistério envolvendo assassinatos em série. Quatro anos depois, ele lançaria Trama Macabra (Family Plot), seu último e competente trabalho, finalizando com chave de ouro uma carreira dentre as mais brilhantes da sétima arte.

Por tudo isto, Alfred Hitchcock ficou conhecido no mundo inteiro, mesmo quando em 29 de abril de 1980 se noticiou que o "Mestre do Suspense" falecera em Los Angeles de insuficiência renal. Após o óbito, ninguém ousou negar que sua obra continuaria cada vez mais viva com o passar dos anos, e para o nosso bem isso se concretizou.





Curiosidades


 - Apesar de bastante tímido, o diretor era conhecido pelo bom humor. Ele adorava contar piadas durante as gravações e pregar peças nos amigos. Certa vez, deu um jantar na sua casa e usou um corante para que toda a comida e bebida ficassem azuis. Com vergonha, ninguém ousou perguntar nada, e ele tampouco explicou a situação. Hitchcock também costumava convidar amigos pra esse mesmo tipo de jantar e dizer para apenas um deles que era uma festa a fantasia. Somente quando o rapaz chegava todo caracterizado na sua porta, é que percebia ser uma grande pegadinha.


Hitch brincando coma  atriz Tippi Hendren durante uma filmagem.


 - Hitchcock não gostava de ir trabalhar nos sets de filmagens. Na verdade, ele mesmo admitia não gostar muito de dirigir os filmes, preferindo mais a parte da criação e desenvolvimento das cenas, que ele fazia antes de tudo começar. Ele já chegava no estúdio com os scripts prontos na cabeça, e gravava no máximo três takes de cada cena.

 - A maior parte dos atores que trabalharam com Hitchcock declaram que o diretor pouco se irritava durante as filmagens, sendo bastante amigável e calmo, mesmo quando algo dava errado. Ele odiava confrontos, e quando alguém se alterava no estúdio, ele simplesmente dava as costas para evitar confusão.



 - A única briga durante as filmagens aconteceu com o ator Paul Newman. Um pouco antes do início das filmagens de Cortina Rasgada, Newman escreveu um memorando ao diretor pedindo algumas mudanças no personagem, o que irritou muito Hitchcock. Newman chegou a pedir que ele mudasse até o nome do filme, que o ator desaprovava. Por conta disso, o diretor quase desistiu do filme, e Newman "sabotou" sua própria atuação, visivelmente mal feita.

 - Hitchcock nunca assistia seus filmes junto de plateias. Segundo o próprio, ele conseguia imaginar e ouvir as reações dos espectadores enquanto escrevia o roteiro, e para ele isso bastava.




 - Ele era bastante caseiro, indo a poucos eventos sociais, e foi casado com Alma Reville por 70 anos. Seu principal Hobby era a leitura e a culinária, sendo bastante exigente com o que comia e bebia (era também um amante de vinhos).


Atores com quem mais trabalhou

Hitchcock é dono da célebre frase "Atores são como gados". Anos depois ele explicou que o que ele quis dizer não era que atores eram como gados, mas que deveriam ser tratados como. Enfim, fato é que Hitch tinha pouco diálogo com os atores, e os deixava livres durante as filmagens, intervindo apenas quando algo saía fora do planejado. 

Poucos diretores costumam pegar um ator ou uma atriz e trabalhar seguidamente com o mesmo, e Hitchcock tinha essa característica. Além das suas musas (geralmente mulheres loiras e belas), ele tinha alguns atores que trabalharam constantemente com ele.

Cary Grant
em Suspeita, Interlúdio, Ladrão de Casaca e Intriga Internacional. 


James Stewart
em Festim Diabólico, Janela Indiscreta, O Homem Que Sabia Demais e Um Corpo que Cai


Grace Kelly
em Disque M Para Matar, Janela Indiscreta e Ladrão de Casaca.


Ingrid Bergman
em Quando Fala o Coração, Interlúdio e Sob o Signo de Capricórnio.




Suas aparições nos filmes

Uma das peculiaridades mais marcantes de Hitchcock eram as suas aparições rápidas no meio dos filmes. Tudo começou em O Pensionista (The Lodger), ainda na fase inglesa da carreira. Na época era apenas para suprir a falta de um figurante, mas depois acabou virando uma brincadeira com espectador, que tinha a missão de descobrir o momento exato da sua aparição na tela. Nos primeiros filmes da carreira, o diretor aparecia em qualquer momento da trama, mas ao perceber que o público ficava esperando por isso e as vezes não prestava atenção na história, suas aparições passaram a ser feitas logo nos primeiros 5 minutos.


A primeira aparição, no filme O Pensionista.

1. O Pensionista: Único filme em que Hitchcock aparece duas vezes. Na primeira, ele aparece sentado em uma mesa, de costas. Já na segunda vez, ele aparece numa platéia, assistindo a uma prisão.

2. Mulher Pública: Hitchcock aparece passeando com um cachorro na calçada.

3. Chantagem e Confissão: Ele aparece no banco de um trem lendo um livro, enquanto um menino brinca com o seu chapéu.


4. Assassinato!: Ele aparece atravessando na frente da câmera com as mãos no bolso do casaco.

5. Os 39 Degraus: Novamente aparece atravessando em frente a câmera.

6. Jovem e Inocente: Toma uma bronca de um guarda inglês enquanto segura uma câmera fotográfica.

7. A Dama Oculta: Atravessa na frente da câmera com uma maleta nas mãos e um cigarro na boca.

8. Correspondente Estrangeiro: Aparece lendo um jornal, de frente pra câmera, numa das suas aparições mais visíveis.



9. Rebecca - A Mulher Inesquecível: Aparece atrás de uma cena, enquanto o personagem principal conversa com um guarda.

10. Um Casal do Barulho: Aparece caminhando pela calçada.

11. Suspeita: Aparece colocando uma carta dentro de uma caixa de correspondências.

12. Sabotador: Aparece de lado, olhando a vitrine de uma loja.

13. A Sombra de Uma Dúvida: Aparece de costas, jogando cartas no banco de um trem.

14. Um Barco e Nove Destinos: Como a ação toda se passa em um bote, a alternativa de Hitchcock foi aparecer na capa do jornal que um dos marinheiros lê, no anúncio de um remédio para emagrecimento.



15. Quando Fala o Coração: Hitchcock é o primeiro a sair de um elevador, fumando.

16. Interlúdio: Aparece bebendo uma taça de champanhe, e sai da mesa assim que os protagonistas chegam.

17. Agonia de Amor: Desce de um trem carregando um violoncelo.

18. Festim Diabólico: Aparece caminhando na rua, na única cena externa do filme.

19. Sob o Signo de Capricórnio: Em uma das suas aparições mais discretas, conversa com dois homens bem ao fundo da cena.

20. Pavor nos Bastidores: Caminhando na calçada, ele passa de costas pela personagem principal e dá uma olhada para trás.

21. Pacto Sinistro: Mais uma vez com um violoncelo, agora ele aparece entrando em um trem.


22. A Tortura do Silêncio: Hitch aparece no alto de uma escadaria.

23. Disque M Para Matar: Aparece em uma fotografia, sentado à mesa com outras pessoas.

24. Janela Indiscreta: Aparece numa janela, arrumando o relógio de um vizinho do personagem de James Stewart.


25. Ladrão de Casaca: Aparece sentado num ônibus, ao lado do protagonista Cary Grant.


26. O Terceiro Tiro: Passa quase imperceptível no canto esquerdo da cena.

27. O Homem que Sabia Demais: Assisti a um espetáculo no meio da rua.

28. O homem Errado: Diferentemente do habitual, ele faz uma aparição direta, narrando a introdução do longa.

29. Um Corpo que Cai: Passa caminhando de uma ponta a outra da tela.

30. Intriga Internacional: Hitch corre para pegar o ônibus, que acaba fechando a porta na sua cara e partindo. É uma das suas aparições mais engraçadas.




31. Psicose: Está parado em frente a uma janela do escritório onde Marion (Janet Leigh) trabalha.

32. Os Pássaros: Sai de um Pet-Shop com dois cachorros.

33. Marnie, Confissões de Uma Ladra: Sai de um quarto de hotel e olha fixamente para a câmera.




34. Cortina Rasgada: Aparece sentado numa recepção de um hotel, com um bebê no colo.

35. Topázio: Levanta de uma cadeira de rodas e cumprimenta uma pessoa que está de pé.

36. Frenesi: Aparece no meio do público, com um terno e um chapéu coco.




37. Trama Macabra: Sua ultima aparição se dá através da janela de um escritório, sendo apenas uma silhueta em forma de sombra.