terça-feira, 20 de agosto de 2013

Crítica: Os Amantes Passageiros (2013)



No começo desse ano, o diretor espanhol Pedro Almodóvar anunciou, para alegria dos fãs, o início das filmagens de seu novo filme, Os Amantes Passageiros (Los Amantes Pasajeros), uma comédia escrachada que prometia voltar às origens da sua carreira.  Muito se falou e se especulou sobre a volta do diretor aos cinemas, principalmente depois da aclamação de A Pele Que Habito, lançado em 2011. Porém, toda a expectativa criada sobre seu novo trabalho foi por água a baixo depois da estreia mundial, já que de longe é o pior trabalho da sua extensa carreira. 


Na primeira cena do longa, nos deparamos com Penélope Cruz e Antônio Banderas, trabalhando na pista de pouso de um aeroporto, minutos antes de um avião da companhia Península iniciar os trabalhos de decolagem. Infelizmente, os dois aparecem apenas nesses 3 primeiros minutos do filme, numa aparição relâmpago, como uma espécie de homenagem do diretor aos dois atores que já trabalharam inúmeras vezes com ele.

Logo após, o avião parte em direção a Cidade do México. Sua tripulação é um caso a parte, composta quase que inteiramente por gays espalhafatosos, e pelo co-piloto que jura ser hétero, mas que no fim deixa escapar sua inclinação contrária. Após alguns minutos no ar, os tripulantes descobrem que há um problema técnico na aeronave: o trem de pouso está trancado, e isso impossibilita uma aterrissagem normal. Temeroso com o problema, o piloto passa a sobrevoar em círculos enquanto espera a resposta dos aeroportos para que se possa fazer um pouso de emergência.


Aos poucos, numa crise de pânico, os passageiros e os tripulantes passam a conversar entre si, contando sobre suas vidas e revelando fantasias e segredos até então secretos. A excelente oportunidade de criar algo realmente bom em cima disso acaba sendo desperdiçada com histórias fúteis e totalmente superficiais, que em nada acrescentam a quem as assiste. Tudo isso com direito a uma "orgia" na segunda parte do filme, numa das sequências mais eróticas já filmadas por Almodóvar, que acabou ficando tão deslocada quanto todo o restante do enredo.

Os personagens são extremamente caricatos, e assim como o enredo, passam a trama inteira sem rumo. Nem mesmo no início da carreira, lá no longíguo início dos anos 80, Almodóvar fez algo tão sem propósito e despretensioso. O fato é queo diretor errou feio, e chega a ser desconcertante o que ele provoca nos fãs que esperaram seu novo trabalho com ansiosidade, deixando caminho aberto aos críticos, que há tempos vêm dizendo que ele perdeu a mão na hora de criar coisas novas. Seu próximo trabalho terá de ser incrivelmente superior para preencher o enorme vazio criativo que esse filme deixou na sua carreira.


15 atores incrivelmente parecidos com os personagens da vida real.

Eles emprestaram seu talento para dar vida a personagens da vida real, e com a ajuda de alguns traços familiares, fizeram de seus papéis verdadeiras transformações (alguns sem nem precisar de muita maquiagem). Certos atores ficaram tão parecidos, que deixam na dúvida quem é o verdadeiro e quem é do filme se analisados de longe.

Selecionei então 15 exemplos de personificações impecáveis no cinema, de atores que estudaram a fundo a vida de artistas e políticos, fazendo uma verdadeira transposição do mesmo para as telas.


1. Daniel Day-Lewis com Abraham Lincoln, em Lincoln (2012)

2. Philip Seymour Hoffman como Truman Capote, em Capote (2005)

3. Robert Downey Jr. como Charlie Chaplin, em Chaplin (1992)

4. Meryl Streep como Margaret Thatcher, em A Dama de Ferro (2011)

5. James Franco como James Jean, em James Jean (2001)

6. Benício Del Toro como Ernesto Guevara, em Che (2008)

7. Bruno Ganz como Adolf Hitler, em A Queda - As Últimas Horas de Hitler (2004)

8. Michelle Williams como Marilyn Monroe, em Sete Dias com Marilyn (2011)

9. Gary Oldman como Sid Vicious, em Sid & Nancy (1986)

10. Ben Kingsley como Mahatma Gandhi, em Gandhi (1982)

11. Val Kilmer como Jim Morrison, em The Doors (1992)

12. Jamie Foxx como Ray Charles, em Ray.

13. Cate Blanchett como Bod Dylan, em Não Estou Lá.

14. Daniel de Oliveira como Cazuza, em Cazuza - O Tempo Não Pára (2004)

15. Marion Cotillard como Edith Piaf, em Piaf - Um Hino ao Amor (2007)

domingo, 18 de agosto de 2013

Recomendação de Filme #30

Ensaio Sobre a Cegueira (Fernando Meirelles) - 2008

O cinema foi criado com o propósito de entreter os espectadores, e até hoje é visto dessa forma. Mas e quando um filme ultrapassa essa barreira, deixando de simplesmente divertir, para fazer uso de duras criticas acerca do comportamento humano? 



Em Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness), adaptação fiel do excelente livro do escritor português José Saramago, os sentimentos mais nefastos do ser-humano são desnudados de forma sublime e cruelmente realista. Quando uma cidade é infestada por um vírus misterioso, pouco a pouco os moradores vão perdendo a visão, numa cegueira branca que deixa as autoridades sem saber o que fazer.

Como alternativa, o governo passa a trancafiar os infectados em um prédio onde antes ficava um antigo hospício, deixando-os em quarentena. Porém, não esperavam que a epidemia fosse atingir um número tão grande de pessoas, e a cidade acaba ficando deserta, com ares pós-apocalípticos.
A cegueira não distingue raça, religião, sexo, nem classe social, igualando toda a sociedade em um mesmo padrão. Apenas uma pessoa continua misteriosamente enxergando: a personagem sem nome vivida por Julianne Moore. Aliás, nenhum personagem possui nome na trama, o que ajuda na nivelação de todos.

Aos poucos, a epidemia vai acordando dentro de cada um suas verdadeiras personalidades, seja para o bem ou para o mal. No prédio onde os cegos estão isolados, todos vivem relativamente em harmonia, até que um grupo liderado pelo personagem de Gael García Bernal decide chefiar o local, criando regras que descriminam o restante, mesmo que na verdade, estejam todos no mesmo barco.


Já nas ruas, vagando sem rumo, os personagens que conseguiram escapar daquela tirania se dão conta do caos em que o mundo se transformou. Uma terra sem leis, onde o mais forte se sobressai sobre o mais fraco. É impossível não encaixar a história do filme e do livro com o que vemos na realidade, como por exemplo em situações de desastres naturais, onde é cada um por si e todos contra todos.

José Saramago vetou diversas vezes a adaptação do livro ao cinema, até que o brasileiro Fernando Meirelles conseguiu convencê-lo. Tamanha maestria com que Meirelles comanda o enredo adaptado fez com que o criador da obra chorasse ao assisti-la no cinema. Realmente, poucas vezes foi vista uma adaptação tão fiel a um livro como essa, passando exatamente aquilo que a obra escrita desejava passar. As atuações do filme são fortes e verdadeiras, sendo um diferencial que se faz notar a cada cena.


Por fim, Ensaio Sobre a Cegueira é mais um desses filmes em que é preciso ter coragem para assistir, não sendo para qualquer um, principalmente as mentes sensíveis. É preciso coragem principalmente para enxergar nos personagens um pouco de cada um de nós. Um pouco do que é o comportamento humano na mais plena necessidade de se sobressair ao outro a qualquer custo.

Os 5 Melhores Filmes de Roman Polanski.

O diretor, roteirista e ator franco-polonês Roman Rajmund Polanski completa nesse domingo 80 anos de idade. Nascido em Paris no dia 18 de agosto de 1933, Polanski é dono de uma carreira brilhante, mas com uma vida pessoal conturbada e rodeada de polêmicas com a polícia.

Vencedor do Oscar de 2003 pelo filme O Pianista (The Pianist), Polanski é um dos mais conceituados diretores do cinema, mas infelizmente seu nome acabou ficando mais conhecido mundialmente por outros motivos. Em 1969, sua esposa Susan Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente assassinada pela família Manson, comandada pelo serial killer Charles Manson. Em 1977, foi condenado por ter tido relações sexuais com uma menor, fugindo definitivamente dos Estados Unidos em direção ao seu país de origem, onde luta desde então contra o processo de extradição. Atualmente, Roman Polanski está preso na Suiça, depois de ser abordado pela polícia local quando desembarcava no aeroporto de Zurich para um festival de cinema em 2009.
Porém, deixando as polêmicas de lado, vamos ao que de fato interessa, seus filmes, que geralmente traziam personagens perturbados e com alucinações . Abaixo, uma lista com os 5 trabalhos mais marcantes da sua carreira.

1. Repulsa ao Sexo (1965)

Apesar de ser uma bela garota, a manicure Carol Ledoux (Catherine Deneuve) tem sérios problemas para se relacionar com os homens, resistindo ao assédio do namorado a cada tentativa sua de aproximação. Sozinha em casa após uma viagem da irmã, a moça entra numa paranoia aterrorizante, onde vê coelhos sem cabeça e rachaduras nas paredes, num pesadelo psicológico que inclui cenas mudas de estupro.

2. O Bebê de Rosemary (1968)

Um casal se muda para um prédio onde residem pessoas estranhas. O marido passa a fazer amizade com um casal de bruxos vizinhos, um pouco antes de ela engravidar. Após descobrirem sobre a gravidez, o casal deseja que o filho dela seja o filho do demônio. Mais um filme do diretor envolvendo alucinações e perturbações psicológicas.

3. Chinatown (1974)

Estrelado por Jack Nicholson, Chinatown conta a história J. J. Gittes, um detetive particular que recebe a visita de um mulher que acredita que seu marido possui uma amante. Ele começa a se envolver com gângsters, em uma trama cheia de reviravoltas e com um dos mais marcantes e polêmicos do cinema, trazendo a tona um terrível caso de incesto.

4. O Pianista (2004)

Grande produção de Polanski, o filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial. O pianista judeu Wladyslaw Szpilman trabalha em uma rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas começam a cair na cidade. Com o crescimento da guerra, os judeus passaram a ter seus direitos cada vez mais restringidos, e ele acaba tendo de deixar o emprego para ser encaminhado a um campo de concentração. Szpilman é o único que consegue fugir, e passa a vagar por prédios abandonados até que a guerra termine.

5. O Inquilino (1976)

Trelkovski (Polanski), um polonês que vive na França, aluga um apartamento em um antigo edifício residencial, onde seus vizinhos são quase todos velhos e reclusos, e o vêem com desprezo e suspeita. Ao descobrir que a jovem que vivia anteriormente no apartamento cometeu suicídio, ele gradativamente começa a ficar obcecado pela sua história. Sua obsessão, reunido ao clima do local, faz Trelkovski se convencer de que seus vizinhos planejam mata-lo.

As 5 Melhores Atuações de Edward Norton.

Edward Norton é um dos profissionais mais bem quistos dessa nova geração de atores que iniciaram a carreira na década de 90. Seu nome passou a ser conhecido logo na sua primeira aparição, no filme As Duas Faces de um Crime (Primal Fear), de 1996, que lhe rendeu de cara uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.

Nascido em Boston, no dia 18 de agosto de 1969, o ator completa nesse domingo 44 anos de idade. Abaixo, uma lista com as cinco melhores atuações da sua carreira.



1. A Outra História Americana (1998)


Em A Outra História Americana (American History X), Norton é Derek Vinyard, líder de uma gangue de neo-nazistas que prega a discriminação racial de forma violenta. Ao ser preso, ele acaba fazendo amizade com um rapaz negro, e começa a rever os conceitos que o levaram a fazer a cabeça de muitos jovens que seguiam seus pensamentos. Ao sair da cadeia, ele percebe que o irmão mais novo seguiu seus passos, o que culmina em um trágico fim.


2. Clube da Luta (1999)


Edward Norton é o narrador dessa história angustiante e cheia de reviravoltas. Chamado de "Jack" durante a trama mas permanece até o fim sem um nome específico. Dirigido por David Fincher, Clube da Luta (Fight Club) é baseado no livro homônimo de Chuck Palahniuk. Junto de Tyler Durden (Brad Pitt), ele forma um cube de combates, onde seguindo uma série de regras, são feitas lutas entre duas pessoas. É um filme controverso, e divide opiniões, mas é unânime que a atuação de Norton é nada menos do que espetacular.


3. O Povo Contra Larry Flynt (1996)


Dirigido pelo grande diretor Milos Forman, O Povo Contra Larry Flynt (The People vs. Larry Flynt) conta a história real de Larry Flynt (Woody Harrelson), polêmico editor e presidente de uma famosa revista pornográfica, que enfrentou diversos processos na justiça americana, acusado de ir contra as morais e os bons costumes. Seu advogado era Alan Isaacman, vivido por Norton.

4. O Ilusionista (2004)

Norton é Eisenheim, um famoso ilusionista que assombra as plateias de Viena com seu impressionante espetáculo de mágica. Suas apresentações despertam a curiosidade de pessoas do mundo todo, inclusive dos mais poderosos. Desconfiando que suas mágicas não passam de fraudes, um príncipe vai ao show disposto a desmascará-lo, delegando um inspetor de polícia para expor a verdade por trás da apresentação. É nesse momento que Eisenheim prepara o maior truque da sua vida.

5. As Duas Faces de Um Crime (1996)

Um arcebispo é assassinado com 78 facadas, e tudo indica que o assassino é um jovem de 19 anos (Edward Norton), que foi preso com as roupas cobertas com o sangue da vítima. Um advogado bem sucedido se propõe a defende-lo, sem cobrar honorários, já que o crime tomou conta da opinião pública e ele vê nisso a chance de ter seu nome na mídia.