quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Os 5 Melhores Filmes de Brian de Palma.


Nascido em Nova Jersey, no dia 11 de setembro de 1940, o cineasta Brian Russell De Palma é considerado por muitos como o "sucessor" de Alfred Hitchcock, por conta do seu estilo cinematográfico parecido, e ficou bastante conhecido por explorar em seus filmes de suspense temas como assassinato, culpa, desordem psíquica, entre outros. Abaixo, para comemorar a data do seu aniversário, fiz uma lista com aqueles que para mim são os 5 melhores trabalhos do diretor, roteirista e produtor. Confira:

1. Scarface (1983)

Scarface é o filme mais marcante da sua carreira, e também o mais violento e visceral. Remake do clássico Scarface: A Vergonha da Nação, de 1932, o filme faz uma releitura da estória, passando-se dessa vez nos anos 80 e em Miami. O longa aborda a ascensão e queda de Tony Montana (Al Pacino), um imigrante cubano que desembarca nos Estados Unidos e monta seu próprio império das drogas.

2. Os Intocáveis (1987)

O clássico Os Intocáveis (The Untouchables) se passa na Chicago dos anos 20, onde o gângster Al Capone tocava o terror junto de seus colegas da máfia. Eles eram conhecidos pelos outros como "os intocáveis", pelo fato de nunca serem pegos pela polícia. Essa liberdade porém, começa a ter os dias contados quando um policial recém formado passa a investigar o caso. O filme é marcante por conta das atuações, mas principalmente pela cena do carrinho de bebê descendo a escadaria da estação de trem, enquanto um tiroteio acontece ao redor.

3. O Pagamento Final (1993)


Novamente trabalhando com Al Pacino, De Palma mostra em O Pagamento Final (Carlito's Day) a vida de Carlito Brigante (Pacino), um traficante que resolve abandonar a vida do crime e recomeçar tudo do zero após ser libertado da prisão. O que ele não contava, era que a reaproximação com antigos amigos trouxessem todo o seu passado de volta.

4. Carrie, a Estranha (1976)

Baseado no livro de Stephen King, Carrie: A Estranha conta a história de Carry White, uma jovem que não possui amigos e vive isolada em casa pela mãe ultra religiosa. Ao ser convidada para um baile da faculdade, ela acaba sendo humilhada pelos outros colegas em frente a todos os presentes. Para se vingar, ela decide usar um poder sobrenatural contra todos, que culmina em uma terrível tragédia.

5.Missão Impossível (1996)

Durante uma missão de rotina em Praga, Ethan Hunt (Tom Cruise) e seu grupo acaba caindo em uma emboscada, sobrevivendo apenas ele e mais uma agente. Ao ser acusado de ser o traidor que causou tudo, ele tem de fugir enquanto tenta provar sua inocência. O filme se tornou um clássico dos filmes de ação e espionagem.

Crítica: Tese Sobre Um Homicídio (2013)


O cinema argentino não dorme mesmo no ponto, e o ator Ricardo Darín é um dos grandes responsáveis por esse salto de qualidade visto nos últimos anos. Seu nome com certeza é o grande chamariz de Tese Sobre Um Homicídio (Tesis Sobre Un Homicidio), e felizmente isso trouxe para a obra toda visibilidade que ela merece.



Dessa vez Darín é Roberto Bermudez, um especialista em direito criminal que dá aulas de pós-graduação numa faculdade de Direito. Presunçoso, Bermudez estranhamente recebe admiração de boa parte dos alunos, principalmente de Gonzalo, um jovem advogado que o admira incondicionalmente.

Durante uma das suas aulas, o corpo de uma jovem aparece no estacionamento da instituição, e o local é cercado pela polícia. Instigado com a tragédia, Bermudez passa a investigar o que pode ter acontecido, chegando ao principal suspeito: o aluno Gonzalo. Segundo o professor, ele poderia ter cometido o crime para mostrar um ponto de vista retórico ao tema proposto em aula. Mais do que uma investigação, Bermudez adquiri uma obsessão pelo caso e tenta de tudo para provar que ele é o culpado.



É um enredo de detalhes, que se reunidos com atenção, fazem do filme um dos suspenses mais impressionantes dos últimos anos. Um dos exemplos que mais prova isso é o fato de Gonzalo apresentar logo no início sua tese de que a sociedade só investiga crimes que sejam nocivos ao poder, usando o exemplo das mariposas, que todos os dias são mortas pelo homem sem nunca ninguém se importar. Pode parecer absurdo de início, mas fica intrigante quando descobre-se que a jovem morta na faculdade possuía um colar com pingente de mariposa.

Em seu primeiro longa metragem da carreira, Hernán Goldfrid logo chama a atenção pela brilhante técnica na condução dos fatos, e abre expectativas para seus próximos trabalhos daqui para frente. Algumas jogadas de câmera são extremamente extasiantes, como a cena em que Bermudez caminha por uma galeria de artes e seu rosto aparece e diferentes ângulos conforme a coloração do vidro.



Tese Sobre Um Homicídio é mais uma grata surpresa do cinema argentino que, para mim, se sagra cada dia mais como o melhor da atualidade. Um suspense que não perde em nada para os clássicos do gênero, prendendo o espectador em um fio condutor que fica a cada minuto mais instigante. Aos estudantes de Direito Penal, acaba sendo ainda mais interessante, por conta de toda a análise criminal em cima do fato. Enfim, um filme que vale muito a pena.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Crítica: Truque de Mestre (2013)


A ideia de misturar a mágica do cinema com a mágica da vida real não vem de hoje. Louis Leterrier, diretor conhecido por filmes de ação como O Incrível Hulk, Fúria de Titãs e Carga Explosiva, volta aos cinemas com algo diferente e original nesse que talvez seja o seu melhor filme até então.


Jesse Eisenberg é Daniel Atlas, um jovem arrogante que é um exímio ilusionista quando se trata de usar cartas de baralho. Woody Harrelson é Meritt Ousborne, um pilantra que se aproveita do dom que possui de ler a mente das pessoas para arrancar algum dinheiro das vítimas. Isla Fischer é Henrey, uma mágica famosa que faz truques perigosos no palco, arrepiando a plateia que assiste de boca aberta. E por fim, Dave Franco é Jack, um ladrão de carteiras que não possui aptidão nenhuma para mágicas, mas é rápido com as mãos. O que os quatro possuem em comum? Todos ganham a vida enganando os outros, seja por bem ou por mal.

De uma hora para a outra, cada um deles recebe uma carta misteriosa com um endereço. Ao se encontrarem no local, algo estranho acontece, e sem grandes explicações, o filme pula um ano, e mostra os quatro já famosos, apresentando suas mágicas para uma plateia em fervorosa. Tudo parece normal, até que eles resolvem pôr em prática um plano ambicioso: usar seus truques para roubar, ao vivo, um banco de Paris.



O que eles não contavam, era que na plateia estaria Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), um homem que desvenda os truques dos mágicos em um programa de televisão (no estilo Mister M). Thaddeus grava toda a ação e mostra ao FBI, que começa uma corrida contra o tempo para deter os "bandidos mágicos".

O filme é recheado de clichês, mas não há como negar que possui uma certa originalidade. Em um ritmo frenético, Laterrier usa e abusa do show de pirotecnias durante as apresentações do grupo, além de uma trilha sonora que não cessa um segundo. O grande ponto positivo é que, junto da plateia dos shows, nós espectadores também somos postos a brincar de mágica, inclusive caindo em alguns dos truques, como na primeira cena quando Atlas brinca em frente a câmera com um baralho de cartas e nós (pelo menos eu) escolhemos exatamente a carta que ele posteriormente adivinha.


Talvez o grande pecado do filme seja o exagero em alguns truques. Afinal de contas, são incontáveis os números de mágica que existem na vida real, mas quando os mágicos do filme conseguem fazer coisas impossíveis a nós seres-humanos, isso acaba deixando a estória inverossímil demais. Por fim, um bom filme para divertimento, mas nada de extraordinário. Truque de Mestre vale a pena principalmente pelo excelente elenco, que além dos já citados, ainda conta com Mark Ruffalo, Michael Caine e Melanie Laurent.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Crítica: O Grande Gatsby (2013)


O Grande Gatsby, escrito por F. Scott Fritzgerald e publicado em 1925, é um dos livros que mais ganhou adaptações para o cinema até então, e coube ao australiano Baz Luhrmann (Moulin Rouge: Amor em Vermelho e Austrália) trazer o romance das páginas para as telas pela quarta vez.



Luhrman é conhecido pelo seu jeito espalhafatoso, com o uso de muitas cores, muito brilho, e uma fotografia exagerada que lembra um espetáculo circense. Esse seu estilo foi muito bem utilizado no premiado Moulin Rouge, mas dessa vez ficou bastante desproporcional, deixando evidente que ele errou a mão ao transpôr a sua própria versão da estória para os espectadores.

Tanto no livro como no filme, a estória é narrada por Nick Carraway (Tobey Maguire), um corretor de ações da Wall Street e aspirante a escritor, que se muda para uma casa em Long Island tornando-se vizinho do milionário Jay Gatsby (Leonardo Di Caprio). Gatsby possui a fama de organizar festas gigantescas na sua mansão, onde se misturam pessoas de todas as classes e idades.



Na primeira metade, já conseguimos perceber alguns nuances que incomodam, como a câmera afetada e a montagem acelerada. Além do mais, o que primordialmente incomoda é a trilha sonora, recheada de músicas pop da atualidade, destoando completamente da época em que o filme se passa (anos 20). Fica-se a pergunta do que o diretor quis dizer com isso, mas seja o que for, pegou muito mal.

Na segunda parte, o filme fica um pouco mais consistente, mas a falta de sensibilidade na condução da estória faz com que seja uma obra fria e distante, sem nenhum momento de aproximação entre os personagens e o espectador. No livro, Gatsby é um personagem obscuro e misterioso, enquanto no filme, não aparece nenhuma dessas características.



Sobre as atuações, Tobey Maguire mostra mais uma vez que está longe de ser um bom ator. Sua participação como Nick Carraway é monótona e sem personalidade (ele não consegue se desvencilhar do seu papel de Peter Parker, com seus trejeitos de "menino bobão"). Leonardo Di Caprio se salva, com uma atuação firme, mas ainda assim, longe do máximo que ele pode dar de si.


Deslumbrante e visualmente rico, mas extremamente vazio e com pouco a se dizer. O Grande Gatsby não chega a ser uma decepção total, pois até possui momentos interessantes, mas é o tipo de filme que eu não teria o prazer de rever e nem indicaria a um amigo.


domingo, 8 de setembro de 2013

Recomendação de Filme #33

Incêndios (Dennis Villeneuve) - 2010

Drama canadense dirigido pelo jovem diretor Dennis Villeneuve, Incêndios (Incendies) é, sem dúvida alguma, um dos filmes mais impactantes que já tive a oportunidade de assistir. Porém, tenho aqui todo cuidado do mundo para abordar o menos possível sobre o enredo, já que trata-se do tipo de filme que é imprescindível assistir sem saber muita coisa, principalmente seu final.


Na trama, dois gêmeos (um homem e uma mulher) descobrem, após a morte da mãe, que possuem um irmão perdido em algum lugar do Oriente Médio. Antes de morrer, ela pediu que eles realizassem um último pedido seu: encontrar esse irmão desaparecido. Para cumprir a promessa, os dois desembarcam na Palestina, em busca do irmão que antes nem sabiam existir, iniciando uma investigação sobre a vida passada da mãe.
Enquanto os dois caminham pelas paisagens áridas do Oriente Médio procurando pistas do paradeiro do irmão, a história dela vai nos sendo desvendada. Narwal Marwan teve uma vida difícil. Ainda jovem, teve de enfrentar a família ultra conservadora para viver um grande amor, e foi obrigada a abandonar o filho nascido dessa união, sem porém, jamais desistir de encontrá-lo. Depois disso, ela chegou a se envolver em uma guerrilha, e após ser capturada, viveu 15 anos numa prisão isolada, sendo torturada e estuprada diariamente pelo chefe do local.
Ambos os irmãos ficam chocados ao descobrirem coisas que nunca imaginaram sobre a vida da mãe, e tudo pelo que ela passou. Nós espectadores ainda mais. Ficamos admirados a cada nova revelação, até chegarmos a um final que dói fundo na alma de cada um. A atuação da atriz belga Lubna Azabal é uma das partes mais consistentes do longa. Os diálogos são impressionantes, e a beleza estética da fotografia é algo a parte. 

O passado ignorado, mas do qual nunca conseguimos fugir. A união entre a crueldade do ser-humano e a injustiça. São esses os principais ingredientes que fazem de Incêndios uma verdadeira obra-prima do cinema moderno, que concorreu aos Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011, perdendo para o dinamarquês Em Um Mundo Melhor.
Com uma lista grandiosa de personagens, e passado em diferentes períodos históricos, não deixa de ser um filme bastante complexo. Porém, não é uma obra difícil. Narwal é uma heroína, mas uma heroína diferente do que somos acostumados a ver em filmes. É uma heroína de carne e osso, que sofre, e tem como principal poder a força para enfrentar as diversidades da vida.