quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Estreias da Semana (25/10 a 31/10)

Seis filmes entram em cartaz nessa semana nos cinemas brasileiros. Com um elenco "épico", o grande destaque da vez fica por conta do novo trabalho de Ridley Scott, O Conselheiro do Crime (The Counselor), que traz Michael Fassbender, Brad Pitt, Cameron Diaz, Javier Bardem e Penélope Cruz em uma trama elogiada pela crítica especializada. Ainda dos Estados Unidos estreia a comédia dramática O Verão da Minha Vida (The Way, Way Back), com Steve Carell.

Do continente europeu, tem o francês Um Castelo na Itália (Un Château en Italie) e a parceria franco-germânica O Mar ao Amanhecer (La Mer à L'aube). Fechando a lista, ainda tem o argentino Juan e Evita: Uma História de Amor e a comédia brasileira Meu Passado me Condena, com o comediante Fábio Porchat.

Enfim, confira a lista completa abaixo.

O Conselheiro do Crime


Um advogado, de olho numa proposta milionária, se envolve com o tráfico de drogas na fronteira do México com os Estados Unidos, mas tenta evitar ao máximo os perigos do mundo do crime.

The Counselor, Estados Unidos, 2013.
Direção: Ridley Scott
Duração: 117 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Suspense
Assista o trailer aqui.

O Verão da Minha Vida

Duncan (Liam James) é um garoto de 14 anos que vive com a mãe e não suporta o namorado dela, Trent (Steve Carell). Eles viajam juntos para uma casa de praia durante o verão, juntamente com a filha de Trent, Laura (Devon Werden). Deslocado, Duncan passa os dias pedalando, e num desses passeios, conhece Owen (Sam Rockwell), um cara despojado que trabalha no parque aquático da cidade, com quem cria uma forte relação de amizade.

The Way, Way Back, Estados Unidos, 2013.
Direção: Nat Faxon / Jim Rash
Duração: 104 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Drama
Assista o trailer aqui.

O Mar ao Amanhecer

Em 1941, três integrantes do Partido Comunista atiraram no tenente-coronel Karl Hotz, no centro da cidade francesa de Nantes. Como retaliação, Adolf Hitler ordenou a execução de 150 franceses que eram mantidos como prisioneiros. Entre eles, estava o jovem Guy Môquet, que escreveu uma carta tão impactante que passou a ser estudada nas escolas do país.

La Mer à L'aube, Alemanha/França, 2013.
Direção: Volker Schlöndorff
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Guerra
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Um Castelo na Itália

Louise vive uma situaão inusitada: ao mesmo tempo em que espera seu primeiro filho, precisa cuidar do irmão Ludovic, que está à beira da morte no hospital. Paralelamente, ainda precisa lidar com a vida ao lado de seu amado Nathan, e com as negociações com o restante da família para a venda do castelo de seu pai, localizado na Itália.

Un Château en Italie, França, 2013.
Direção: Valeria Bruni Tedeschi
Duração: 104 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia/ Drama
Assista o trailer aqui.

Juan e Evita: Uma História de Amor

Em 1944, um terremoto na cidade argentina de San Juan acabou aproximando o coronel viúvo Juan Domingo Perón (Osmar Núñez) e a jovem atriz de rádio Eva Duarte (Julieta Díaz), dando início à famosa história de amor abalada pela ditadura no país.

Juan Y Eva, Argentina, 2013.
Direção: Paula de Luque
Duração: 110 minutos
Classificação: 12 anos
Biografia / Drama /Romance
Assista o trailer aqui.

Meu Passado me Condena - O Filme

Quando Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) se encontram, é amor à primeira vista. Eles se casam um mês depois de se conhecerem, e decidem viajar à Europa em um cruzeiro para curtir a lua de mel. Só que na viagem, eles encontram seus antigos namorados, que hoje estão juntos e também em lua de mel.

Meu Passado me Condena - O Filme, Brasil, 2013.
Direção: Julia Rezende
Duração: 102 minutos
Classificação: 12 anos

Crítica: A Parede (2013)


Escolhido pela Áustria para representar o país no próximo Óscar de melhor filme estrangeiro, A Parede (Die Wand) é um filme estranho, diferente e monótono, mas que trata de forma poética da relação do homem com a natureza.



Em forma de monólogo, o longa inicia com Frau (Martina Gedeck) contando através de escritos em um velho caderno, de dentro de uma cabana no meio do nada, como foi parar lá e o que lhe aconteceu desde então. Ela foi para o local a passeio com um casal de idosos. Ao saírem para dar uma volta pela região, Frau ficou sozinha com o cachorro deles, Luchs. Quando virou o dia e eles ainda não haviam retornado, ela decidiu ir atrás para descobrir o que teria acontecido e acabou se deoarando com uma situação inusitada.

Uma parede invisível a impede de ultrapassar as fronteiras do local, onde do outro lado parece não haver mais vida. Cercada, ela tenta explorar todos os caminhos possíveis para escapar para o outro lado, mas sem obter sucesso. Por conta disso, ela acaba tendo que passar a viver na floresta, acompanhada apenas do cachorro, e logo depois, de outros animais que surgem na cabana. 



Logo, sua relação com a natureza passa a crescer, fazendo com que ela deixe de contar os dias e se baseie apenas nas mudanças de estações. Seus dias são preenchidos entre a procura por alimentação e a observação do novo mundo que a rodeia. Uma das cenas mais bonitas é a qual ela divaga sobre um corvo branco, rejeitado pelos outros membros do grupo de corvos, todos pretos. No final, ao ver um ser-humano pela primeira vez depois de meses, sua única reação é a de atacá-lo.

O enredo, baseado no best-seller da escritora Marlen Haushofer, é um verdadeiro tratado existencialista sobre a condição humana. Além da atuação de Martina, com certeza o ponto que mais chama atenção é a fotografia. Direto das montanhas austríacas, somos conduzidos por paisagens belíssimas, que encantam ao longo da narrativa, e que certamente fazem o filme ser visualmente imperdível.



Simbólico e metafórico, o longa não possui nenhuma fala, e como disse acima é narrado inteiramente pelas escritas da personagem no seu caderno. Isso acaba deixando o filme um pouco cansativo em dado momento, ainda que isso não estrague o resultado final. Não deve ter chances de chegar entre os finalistas do Óscar, mas mereceu a indicação.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Crítica: O Passado (2013)


Depois dos aclamados Procurando Elly (Darbareye Elly) e A Separação (Jodaeiye Nader as Simin), vencedores de diversos prêmios incluindo o Óscar de melhor filme estrangeiro para o segundo, era de esperar que o novo filme do iraniano Asghar Farhadi fosse um dos mais aguardados desse final de ano. E a espera valeu a pena. Com um enredo difícil de ser explicado, mas fácil de ser acompanhado, Le Passé consegue se firmar como o melhor trabalho do diretor até o momento.



A trama inicia com Marie (Bérénice Bejo) indo buscar Ahmad (Ali Mosaffa) no aeroporto de Paris. Aos poucos descobrimos a relação que há entre os dois: separados há 4 anos, Ahmad está vindo de Teerã para assinar o divórcio definitivo do casal. Sendo hospedado na casa da ex-mulher, ele acaba sendo inserido em todos os conflitos familiares existentes naquelas quatro paredes onde um dia ele morou.

Marie vive numa casa na periferia de Paris, junto de suas duas filhas advindas de outro casamento e o novo namorado Samir (Tahar Rahim), que trouxe junto seu filho pequeno Farour. Lucie, a filha adolescente, não aceita o novo namorado, e o clima dentro de casa parece ficar pior a cada dia que passa, sobretudo quando a relação do casal parece ficar mais séria com o surgimento de uma gravidez.



Nessa conturbada teia afetiva ainda existe a esposa de Samir, com quem ele ainda não é separado legalmente, que está em coma no hospital após uma tentativa de suicídio. A complexidade das relações familiares vai ganhando forma com o surgimento de fatos do passado, através de revelações dos personagens.

O enredo multifacetado faz com que o filme vá ficando mais intenso a cada cena. As consequências morais de uma escolha mal feita é o grande ponto abordado pelo enredo. Os personagens carregam nas costas a culpa de ações feitas no passado, e aos poucos vamos descobrindo seus segredos e suas verdades encobertas. Tudo isso ate chegar à cena final, que é de tirar o fôlego e deixar o coração na garganta. 



É um filme que dói, e não é pouco. Principalmente por se real e passível de acontecer com qualquer um. O diretor valoriza ao máximo as relações humanas, e grande parte desse sucesso fica por conta das atuações. Bérénice Bejo e Ali Mosaffa dão um show como protagonistas, e Tahar Rahim também surpreende com uma participação emocionante. A estória é tão envolvente e imprevisível, que prende o espectador durante mais de duas horas mesmo sem contar com nenhum tipo de trilha sonora ou efeito.

O longa foi escolhido para representar o Irã no próximo Óscar e com certeza deve ficar entre os finalistas. Afinal, merece! Não há o que criticar. Tudo é perfeito, desde a primeira cena até a última. Farhadi se consagra como o grande diretor iraniano da década, e isso é só o começo de uma carreira que promete muito mais.




domingo, 20 de outubro de 2013

Crítica: Gravidade (2013)


Em 1968, 2001- Uma Odisseia no Espaço do diretor Stanley Kubrick era lançado com efeitos visuais nunca antes vistos, extasiando as plateias do mundo todo e se tornando um marco no gênero da ficção científica. Mais de 40 anos depois, Alfonso Cuarón traz uma obra tão impressionante quanto, e que certamente com o tempo se tornará o marco do gênero no mundo dos filmes em terceira dimensão.



A premissa de Gravidade (Gravity) é simples: o veterano astronauta Matt Kowalski (George Clooney) recebe a missão de instalar um novo equipamento no telescópio Hubble junto da novata Ryan Stone (Sandra Bullock), a mais de 600 km de distância da terra. De repente, os dois são avisados via rádio que uma chuva de detritos advindos da explosão de um telescópio russo vem em sua direção, e antes mesmo de conseguirem entrar de volta na nave, eles são atingidos, passando a vagar pelo espaço em busca de sobrevivência.


O começo é lento, mas imprescindível para nos situar no trabalho dos dois astronautas, e principalmente no ambiente inóspito onde ocorre toda a ação. Após a grandiosa cena das explosões, começamos a acompanhar a incrível jornada dos dois pelo vazio e pela solidão do espaço sideral, onde conhecemos suas personalidades carismáticas através de diálogos despretensiosos, principalmente do personagem vivido por Clooney.



Estética e visualmente, o filme é impecável. Praticamente todo criado em computação gráfica, é absurda a realidade com que Cuarón nos coloca fora da órbita terrestre nos seus 90 minutos de duração. A trilha sonora entra e sai nos momentos certos, e o intercalo entre som e silêncio só serve para ampliar a tensão ao redor do enredo. Os detalhes também chamam a atenção, como os objetos flutuando no interior da nave, que trazem um realismo ainda mais arrebatador.

Clooney canastrão e bem humorado, faz uma atuação firme, mas quem realmente comanda o filme do início ao fim é Sandra Bullock. Em uma atuação surpreendente (surpreendente também é a forma física que a atriz está no alto de seus 49 anos), ela dá um show na pele da astronauta que perdeu tudo, mas que não desisti de lutar para continuar vivendo. Aliás, chama atenção o fato de somente dois personagens aparecerem no filme inteiro, sem jamais deixar o filme entediante. Essa não é uma fórmula muito utilizada em Hollywood, e caiu super bem.



Há algumas cenas simbólicas e de beleza extrema, como a cena em que Ryan chora e sua lágrima flutua com a gravidade. Ou ainda a cena final, onde Cuarón nos ambienta de volta ao planeta Terra, dando aquela sensação de retorno de viagem, quando pensamos que não há nada como estar de volta em casa.

Muito além do espetáculo gráfico, Gravidade é um verdadeiro ensaio sobre solidão, fragilidade e perseverança. A crítica especializada vem tecendo críticas entusiasmadas sobre o trabalho de Cuarón, e já dão como certa sua indicação ao próximo Óscar de melhor filme. Sendo indicado ou não, o fato é que ao assistir, você sente que está presenciando algo histórico.



Recomendação de Filme #39

Filhos do Paraíso (Majid Majidi) - 1997


Tenho uma paixão enorme por filmes iranianos, e posso dizer que isso começou graças a (Filhos do Paraíso (Bacheha-Ye Aseman) do conceituado diretor Majid Mijidi. O cinema feito no oriente médio é pouquíssimo divulgado por aqui, e só pesquisando a fundo para encontrar algo vindo de lá, e apesar da precariedade de recursos, eles provam cada vez mais que com uma boa ideia na cabeça tudo é possível.



A trama começa de forma simples. Após o pequeno Ali perder os sapatos da sua irmã Zahra, ambos tem medo de contar aos pais. A mãe doente e o pai trabalhador formam a típica família pobre, mas que jamais perde as esperanças de ver os filhos serem alguém na vida. A pobreza é tratada de forma realista, o que toca o coração de nós espectadores logo de cara.

As duas crianças passam a revezar os sapatos para evitar que os pais se preocupem com mais isso na vida, e tenham de gastar para comprar outro novo. Porém, a dificuldade é grande, já que os dois estudam em turnos diferentes. Isso acaba resultando no atraso do garoto na escola, o que dificulta seu aprendizado. O companheirismo desses dois irmãos traz uma emoção ímpar à história. São um  verdadeiro exemplo, ensinando valores de família e união.

Majid Majidi é famoso por trazer enredos tocantes e simples, conduzindo de forma dosada e poética, sem apelar para sentimentalismos baratos. Além da crítica social, há ainda a crítica da autoridade escolar, e ao apelo das propagandas de televisão, que influenciam o imaginário infantil mostrando aquilo que eles não podem ter.

O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1998,  e concorreu junto com o brasileiro Central do Brasil e o vencedor A Vida é Bela. Simples e emocionante, é o tipo de filme que tez faz ver o mundo com outros olhos assim que termina.