quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Estreias da Semana (15/11 a 21/11)

Um fim de semana de grandes estreias marca o feriado de 15 de novembro em todo país. Para começar, o cultuado Woody Allen está de volta às telas com seu mais novo filme, Blue Jasmine. A comédia dramática, ambientada em São Francisco, traz a atriz Cate Blanchett como protagonista e segue a viagem de "volta ao mundo" do diretor que deverá filmar na França seu próximo trabalho.

Ainda dos Estados Unidos estreia o tão esperado Jogos Vorazes - Em Chamas (The Hunger Games - Catching Fire), adaptação do livro campeão de vendas, e que é uma continuação do sucesso Jogos Vorazes, lançado em 2012. O elenco traz, além da oscarizada Jennifer Lawrence, nomes como Philip Seymour Hoffman, Woody Harrelson e Donald Sutherland.

Da América Latina tem o drama argentino Habi - A Estrangeira (Habi, La Extranjera), além do premiado longa nacional Tatuagem, vencedor do último festival de gramado. Enfim, confira a lista completa abaixo.


Blue Jasmine


Uma mulher rica (Cate Blanchett) perde todo o seu dinheiro e é obrigada a morar em São Francisco com sua irmã (Sally Hawkins), em uma casa bastante modesta. Ela acaba encontrando um homem (Alec Baldwin) que pode resolver todos os seus problemas financeiros, mas antes de iniciar um romance, ela deve se auto-descobrir, além de aceitar a cidade como sua nova casa.

Blue Jasmine, Estados Unidos, 2013.
Direção: Woody Allen
Duração: 98 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama
Assista o trailer aqui.


Jogos Vorazes - Em Chamas

Segundo filme da saga que relata a aventura de Katniss (Jennifer Lawrence), jovem escolhida para participar dos "jogos vorazes", uma espécie de reality show onde um adolescente de cada distrito de Panem deve lutar com os demais até que apenas um saia vivo.

The Hunger Games - Catching Fire, Estados Unidos, 2013.
Direção: Francis Lawrence
Duração: 146 minutos
Classificação: 14 anos.
Ação/ Ficção-Científica
Assista o trailer aqui.

Habi: A Estrangeira

Anália morou seus 20 anos de idade em uma pequena cidade do interior argentino. Decidida a fazer uma viagem para Buenos Aires, ela acaba ficando impressionada ao chegar no local. Por acidente, ela acaba se infiltrando na comunidade islâmica, onde passa a ser bem recebida e muda até de nome, passando a se chamar Habiba Rafat. Porém, como esquecer o passado e adotar uma nova identidade? É aí que começam os conflitos internos na cabeça da personagem.

Habi: La Extranjera, Argentina, 2013.
Direção: Maria Florencia Alvarez
Duração: 92 minutos
Classificação: 10 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

Tatuagem

Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o líder do grupo teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e cenas de nudez. A principal estrela da equipe é Paulete (Rodrigo Garcia), com quem Clécio mantém um relacionamento. Um dia Paulete recebe a visita do seu cunhado Fininha (Jesuíta Barbosa), um militar, que começa um relacionamento com Clécio e precisa lidar com a repressão existente no meio militar contra homossexuais.

Tatuagem, Brasil, 2013.
Direção: Hilton Lacerda
Duração: 110 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Crítica: Frances Ha (2013)



O cinema independente dos Estados Unidos traz a cada ano boas surpresas. São os típicos filmes que fogem do público em geral, mas que acabam sempre arrancando elogios em festivais pelo mundo a fora, e Frances Ha, do diretor Noah Baumbach, não foge dessa característica. 




A trama mostra a estória de Frances (Greta Gerwin), uma jovem assistente de uma companhia de danças que divide um apartamento com a melhor amiga Sophie (Mickey Sumner). Engajada a dar uma nova cara para a vida após o término de mais um relacionamento amoroso, ela passa seus dias buscando um sentido pra vida, seja na dança, seja nos amigos ou mesmo em viagens.

Depois que Sophie resolve se mudar para um apartamento novo na companhia de outra amiga, Frances se vê sozinha, e passa a morar com os amigos Benji e Patch. Após ser demitida do emprego, ela vai cada vez se afundando mais, porém, sem nunca deixar de levar a vida com graça e desenvoltura. Ela não se deixa abalar pelas coisas ruins, mesmo que para isso tenha que mentir para si mesma.



A fotografia em preto-e-branco já deixou de ser algo original, já que muitos diretores vem empregando isso nos seus filmes mais atuais. No entanto, coube bem nesse filme, e com certeza trata-se de um dos pontos altos da obra. As atuações são singelas e consistentes, e Greta Gerwig está muito bem no papel da jovem sonhadora. É um filme com um tema melancólico, mas o diretor resolveu dar um chega para lá na tristeza, e filmou tudo com muita leveza. Para finalizar tem a trilha sonora, que é apaixonante, relembrando alguns clássicos dos anos 80.

É um filme que aborda de forma natural alguns fatos da vida. Passa a ser ainda mais interessante por trazer algumas questões palpáveis a todos nós, como aquele sentimento que as vezes nos atinge de não saber bem o que queremos da vida. Como uma das boas surpresas desse ano, Frances Ha é um filme leve que merece ser visto por todos.



Woody Allen: de Nova York para o Mundo.


Com 77 anos de idade, e às vésperas do lançamento de seu 46º filme como diretor, Woody Allen parece estar mais ativo do que nunca. Mais do que isso, demonstra não ter perdido nada da capacidade criativa que possui desde o início da carreira.

Allen em foto anual do
Liceu onde estudou.

Nascido em Nova York no dia 1° de Dezembro de 1935, Allan Stewart Königsberg (seu nome de batismo) cresceu nas ruas do Brooklyn, e sofreu com uma educação conservadora por conta da família de judeus ortodoxos. Como válvula de escape, desde novo já trabalhava no mundo do entretenimento, para poder ter sua própria renda. Com 15 anos, e já usando o nome pelo qual viria a ser conhecido, ele escrevia para colunas de jornais e programas de rádio, ao mesmo tempo em que estudava filosofia na Universidade de Nova York, não chegando a terminar após ter sido expulso. Autodidata, Allen estudou sozinho comunicação, cinema e escrita, chegando inclusive a dar aulas após um tempo.

Sua carreira no show business começou ainda na década de 50, quando passou a fazer shows e peças teatrais de comédia ao redor do país. Em 1964, ele já era um respeitável comediante, e chegou a ter um disco com gravações de shows indicado ao Grammy. Dali
Woody Allen na década de 60.
para o cinema foi um pulo, e no ano seguinte ele já fazia sua estreia no ramo cinematográfico como ator, no filme O Que é Que Há, Gatinha? (What's New Pussycat?) do diretor Clive Donner, que parodiava os filmes de James Bond.

Como diretor, Woody Allen estreou em 1966 com O Que Há, Tigresa? (What's Up, Tiger Lily?). A comédia era composta de cenas originais de um filme de espionagem japonês da época, mas com os diálogos trocados, mostrando uma busca incessante pela receita perfeita de salada de ovos. Em seguida veio Um Assaltante Bem Trapalhão (Take the Money and Run), comédia pastelão sobre um assaltante medíocre, que parodiava grandes bandidos conhecidos nos Estados Unidos como Jesse James, Butch Cassidy e Sundance Kid. Essa foi a primeira vez que Allen roteirizou, dirigiu e atuou em um filme seu, o que viria a ser uma das suas principais características.

A partir desse período, Allen obteve uma média invejável de quase um filme por ano, o que resulta numa das carreiras cinematográficas mais produtivas da história do cinema. Prosseguindo no gênero satírico, dirigiu em 1971 o filme Bananas (Bananas), uma comédia de humor negro que trazia no enredo uma forte crítica às ditaduras latino-americanas, à intervenção americana nos países subdesenvolvidos, e ao sensacionalismo por parte da imprensa.


Cena de Bananas (1971).

Na sequência, Woody Allen dirigiria Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo - Mas Tinha Medo de Perguntar (Everything You Always Wanted To Know About Sex - But are Afraid to Ask), O Dorminhoco (Sleeper) e A Última Noite de Bóris Grushenko (Love and Death), mais três comédias no velho estilo sarcástico do diretor, com destaque para o segundo, onde ele brinca com o gênero da ficção-científica.

Seu primeiro grande sucesso porém, veio somente em 1977 com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall). O filme, que segue a vida de um casal cheio de neuras e crises, foi agraciado com quatro Óscar (filme, roteiro, atriz e direção) e até hoje é visto como seu melhor trabalho por grande parte dos admiradores e críticos. Foi também uma das suas primeiras parcerias com a atriz Diane Keaton, com quem viria ter um relacionamento amoroso também fora das telas, e depois uma amizade que dura até os dias de hoje.


Allen e Keaton em cena pelo cultuado Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.
Detalhe no cartaz atrás de um filme do Ingmar Bergman, uma das grandes influências de Allen.
O premiado longa serviu para abrir uma sequência de filmes introspectivos do diretor, com diálogos afiados e enredos complexos, que traziam muito da influência de Ingmar Bergmann em seu trabalho. O primeiro foi Interiores (Interiors), um drama bastante denso sobre uma família de Manhattan abalada após o pai decidir sair de casa para ir morar com outra mulher. 

Pôster de Manhattan,
sucesso de 1979.
No ano seguinte ele lançou Manhattan (Manhattan), a primeira grande homenagem de Allen à cidade onde nasceu e cresceu, que trazia a atriz Mery Streep no papel principal. Aliás, Nova York é o pano de fundo de grande parte dos seus filmes, sendo uma marca registrada do cineasta.

Outra marca é que, maioria absoluta de seus filmes, Allen costuma encarnar um judeu nova iorquino neurótico, com pinta de artista, e fracassado com as mulheres. Os temas, aparentemente repetitivos, se dividem entre otimistas e pessimistas, provavelmente refletindo o estado de espírito do diretor na hora de escrever o enredo.


Anos 80

Em 1980, foi lançado Memórias (Stardust Memories), talvez o filme mais reflexivo e emblemático de Woody Allen. A trama aborda a vida de um cineasta conhecido mundialmente por suas comédias, mas que está cansado de ser engraçado, e à beira de um ataque de nervos passa a rever seus filmes buscando um significado no trabalho e na vida. Qualquer semelhança com a vida pessoal do diretor não é mera coincidência, o que faz o filme ser talvez o mais biográfico da sua carreira.


Em cena pelo filme Memórias (1980).

Após essa pequena e expressiva fase dramática, Allen voltaria ao gênero da comédia com quatro filmes: Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão (A Mindsummer Night's Sex Comedy), Zelig (Zelig), Broadway Danny Rose e A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo), esse último o melhor dentre eles.

No entanto, o final da década de 80 marcou um novo retorno do diretor ao drama, onde ele explorou seus temas preferidos como a cidade de Nova York, a religião Judaica, a Psicanálise e a burguesia intelectual. Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters)Setembro (September), A Era do Rádio (Radio Days) e A Outra (Another Woman) foram suas próximas obras, que abordavam de formas diferentes a relação conturbada de algumas famílias de classe média americana.


Em 1989, Woody Allen participou de um projeto em conjunto com os cineastas Francis Ford Coppola e Martin Scorsese. O filme Contos de Nova York (New York Stories) consistia em três pequenos curtas com a cidade de Nova York como tema central, e cada um dos diretores foi responsável pela direção de uma das histórias. No mesmo ano, ele dirigiu Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors), um filme denso e ao mesmo tempo carismático, que abordava a infidelidade no casamento.

Anos 90


Woody Allen abriu a década de 90 com Simplesmente Alice (Alice), levemente inspirado em Julieta dos Espíritos, de Fellini. Aliás, a referência que ele faz ao cinema clássico de cineastas como Ingmar Bergman, Federico Fellini e Groucho Marx é uma das suas principais características, sobretudo com o uso insistente de um tom reflexivo e existencial em grande parte de seus enredos.

Em 1992, Allen lançou dois filmes em sequência: o suspense Neblina e Sombras (Shadows and Fog), uma homenagem declarada ao expressionismo alemão de Fritz Lang e F. W. Murnau, e Maridos e Esposas (Husband and Wives), comédia dramática abordando novamente a vida de um casal da classe média.

O meio da década de 90 marcou o retorno de Woody Allen ao gênero das paródias. Nos dois anos seguintes, ele lançaria comédias abordando temas policiais: Um Misterioso Assassinato em Manhattan (Manhattan Murdes Mistery), inspirado em uma série de televisão policial, e Tiros na Broadway (Bullets Over Broadway)Em 1995 lançou Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite), e no ano seguinte, se embrenhou no mundo dos musicais com Todos Dizem Eu Te Amo (Everyone Says I Love You).

De 1997 a 2002, Allen continuou na média de um filme por ano, mas sem lançar nenhum significativo, nessa que talvez tenha sido uma das suas piores fases criativas. Esse período chegou ao fim com Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending), lançado em 2002, que trazia uma crítica singela ao mandos e desmandos dos estúdios durante um processo de criação, que às vezes chegam a recriar um filme inteiro de um diretor.


Anos 2000


Melinda e Melinda (Melinda and Melinda), lançado em 2004, pode ser considerado um divisor de águas na sua carreira. Foi a partir dele que os trabalhos do diretor passaram a ganhar maios maturidade e foi onde ele começou a trabalhar com atores mais conhecidos e diversos fora dos Estados Unidos. 

No ano seguinte ele lançaria Ponto Final (Match Point), um dos seus primeiros filmes gravados na Inglaterra, e também uma das suas primeiras parcerias com a  atriz Scarlett
Estátua de Woody em
Oviedo, na Espanha.
Johansson. E
le voltaria a trabalhar com Johansson em Scoop - O Grande Furo (Scoop), que ainda tinha Hugh Jackman no elenco. Em 2007, ele se aventurou novamente no mundo do suspense com O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream), com nomes como Ewan McGregor e Colin Farrel no elenco. 

O ano de 2008 ficou marcado como o início da aventura européia de Woody Allen, onde ele passou a filmar seus filmes em diferentes países do continente, como Vicky Cristina Barcelona (Espanha), Meia-Noite em Paris (França) e Para Roma com Amor (Itália). No meio deles, ele lançou o excelente Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works). Seu próximo filme em território europeu já tem nome e local: Magic in the Moonlight, que será filmado no sul da França.

Junto com a espanhola Penélope Cruz, uma das suas principais musas.

No entanto, antes disso, tem a estreia do esperado Blue Jasmine, com a atriz Cate Blanchett como protagonista. Elogiado nos principais festivais de cinema ao redor do mundo, a data prevista para o filme chegar ao brasil é 15 de novembro desse ano.


Woody Allen vs. Premiações
Sua única participação no Óscar, em 2002.

Já é conhecido o costume do diretor de não comparecer às premiações anuais, como Óscar, Globo de Ouro e outros, sempre deixando o anunciante do prêmio constrangido na hora de dizer seu nome. Allen já recebeu 4 Óscars ao longo da carreira, um de melhor diretor (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) e três de melhor roteiro original (Noivo Neurótico Noiva Nervosa, Hannah e Suas Irmãs e Meia-Noite em Paris), porém, sua única aparição na cerimônia foi em 2002, quando a academia fez uma homenagem à cidade de Nova York, um ano após os atentados às torres gêmeas.


Atrizes com quem mais trabalhou

É notável a preferência que Woody Allen sempre teve e ainda tem das personagens femininas. Por isso mesmo, foram as mulheres que sempre chamaram a atenção em seus enredos, e foi com quem consequentemente o diretor mais trabalhou. A atriz Mia Farrow foi sua principal parceira, e participou de todos os filmes enquanto os dois estavam casados. Confira abaixo em números algumas das atrizes que mais contracenaram em seus filmes.

Mia Farrow (13 filmes): Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão, Zelig, Broadway Danny Rose, A Rosa Púrpura do Cairo, Hannah e Suas Irmãs, A Era do Rádio, Setembro, A Outra, Crimes e Pecados, Contos de Nova York, Simplesmente Alice, Neblina e Sombras e Maridos e Esposas.

Diane Keaton (7 filmes): O Dorminhoco, A Última Noite de Bóris Grushenko, Noivo Neurótico Noiva Nervosa, Interiores, Manhattan, Um Misterioso Assassinato em Manhattan e A Era do Rádio.

Louise Lasser (5 filmes): O Que Há, Tigresa?, Um Assaltante Trabalhão, Bananas, Tudo Que Você Queria Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar) e Memórias.



Scarlett Johansson (3 filmes): Match Point - Ponto Final, Scoop: O Grande Furo e Vicky Cristina Barcelona.



A Conturbada vida amorosa
Woody Allen e sua atual esposa, Soon-Yi.

A vida amorosa de Allen sempre deu o que falar à imprensa. Antes mesmo de atingir a fama, ele já havia passado por dois casamentos, e em consequência, por dois divórcios conturbados na justiça. Após a fama, namorou várias atrizes importantes, que acabavam ganhando o papel principal de seus filmes, até se firmar com Mia Farrow, com quem ficou casado 17 anos. O casamento terminou quando Allen iniciou um relacionamento com Soon Yi, filha adotiva de Mia, que tem 37 anos a menos que ele (na época tinha 17). Para surpresa de todos, o casamento dos dois dura até o momento.


Os Hobbies

Fora do cinema, Allen possui uma vida bem agitada. Ele não nega suas duas principais paixões: o basquete e o jazz. Ele declarou em uma entrevista que se tiver que escolher entre gravar um filme e ver um jogo do New York Knicks, ele opta pela segunda opção. A respeito do jazz, Allen é um exímio clarinetista, e toca constantemente em público desde os anos 60 com sua banda, a New Orleans Jazz Band.



Com um humor ácido e contagiante, a obra de Woody Allen é capaz de trazer uma enorme gama de sentimentos à respeito das relações humanas. Seja sendo um pessimista com esperanças, um comediante com ares de tristeza, um filósofo que odeia intelectuais, ou um tímido que se expõe em cena, Allen é certamente uma das figuras mais contraditórias do cinema. Seus personagens trazem, na maioria das vezes, seus medos e suas frustrações da vida real, tendo em cada um algo de auto-biográfico. O certo é que nós, espectadores do seu trabalho, muitas vezes nos identificamos com seus filmes, e é isso que ajuda a aproximá-los ainda mais de nós.

Por fim, é com grande prazer e carinho que escrevi esse artigo. Allen não é uma figura perfeita, e como todo ser-humano, possui seus defeitos. Mas a respeito de sua obra cinematográfica, não há o que contestar. Certamente um nome que já entrou pra história, e nunca será esquecido.



domingo, 10 de novembro de 2013

As 10 Melhores Atuações de Leonardo DiCaprio.

Muitos podem não concordar comigo, mas para mim Leonardo DiCaprio é o melhor ator da geração que surgiu a partir da década de 90. Sua carreira pode até ter tido altos e baixos, mas se tem algo que ninguém pode negar, é que ele sabe escolher seus papéis como ninguém.

Completando 39 anos nessa segunda-feira, o consagrado ator possui uma carreira invejável. São poucos os trabalhos da sua filmografia que seriam descartáveis, e é gritante também o quanto sua carreira foi crescendo a cada novo papel. O fato de DiCaprio nunca ter levado um Oscar para casa é apenas mais uma das grandes injustiças da academia. Ele inclusive virou piada nos últimos anos por seguido ser esquecido pela premiação, mesmo com atuações memoráveis em seus filmes. 

Fato é que ele já gravou seu nome na história do cinema, e por isso mesmo, comemoro a data especial com uma lista de suas 10 melhores atuações.

1. Titanic (1997)

Sem dúvida é o grande sucesso de Leonardo DiCaprio nas telonas. Em Titanic ele dá vida a Jack Dawson, um jovem rapaz que ganha em um jogo a chance de atravessar o oceano atlântico à bordo do gigantesco transatlântico RSM Titanic. Lá, ele conhece a jovem Rose (Kate Winslet), com quem vive um romance apaixonado apesar da diferença de classes, até eles terem de lutar pela sobrevivência após o navio naufragar. DiCaprio foi completamente ignorado pela academia e nem sequer recebeu uma indicação, que era dado como certa pela crítica especializada.

2. Prenda-me Se For Capaz (2002)

Nesse longa dirigido por Steven Spielberg, DiCpario dá vida ao falsário Frank Abagnale, que na década de 60 ganhou milhões de dólares se passando por diversas pessoas diferentes, como um famoso advogado, um médico conceituado e até mesmo um piloto de aeronave, além de ser um exímio falsificador de cheques. Junto com Tom Hanks, DiCaprio tem uma atuação firme, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro.


3. Gilbert Grape - O Aprendiz de Sonhador (1993)

Nesse belíssimo drama, DiCaprio é Arnie Grape, um jovem que mora com o irmão mais velho, duas irmãs excêntricas e uma mãe idosa, em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. O ator, na época com apenas 19 anos e em início de carreira, acabou recebendo uma indicação ao Óscar de melhor ator coadjuvante de 1994 devido sua participação marcante e inesquecível.

4. Gangues de Nova York (2002)

Em uma das suas principais parcerias com o diretor Martin Scorsese, DiCaprio é Amsterdam Vallon, um imigrante irlandês que viu seu pai ser morto pela gangue de Bill (Daniel Day-Lewis) quando pequeno. Após crescer, ele retorna à cidade de Nova York para se vingar do assassino de seu pai, e para isso, forma sua própria gangue de imigrantes.

5. Ilha do Medo (2010)

Nesse suspense dirigido por Scorsese, DiCaprio é Edward Daniels, um agente federal que recebe a missão de investigar o desaparecimento de uma paciente do instituto psiquiátrico Ashecliffe Hospital, localizado numa ilha isolada. Aos poucos ele vai adentrando no dia-dia daquele local misterioso, e descobrindo coisas horrendas sobre os pacientes e seu próprio passado. 

6. J. Edgar (2011)

Em J. Edgar, filme do diretor Clint Eastwood, DiCaprio passou pela maior transformação da sua carreira ao dar vida ao Diretor Federal e criador do FBI, J. Edgar Hoover. O filme faz uma análise crítica da vida profissional e particular de um dos homens mais temidos e admirados da história dos Estados Unidos. DiCaprio personifica Hoover com maestria, em uma das suas atuações mais elogiáveis.

7. Django Livre (2012)

Na sua primeira vez trabalhando com o diretor Quentin Tarantino, DiCaprio é Calvin Candie, um homem inescrupuloso que mantém uma fazenda cheia de escravos, onde os mesmos são utilizados de forma clandestina em lutas mortais. Ele acaba entrando em confronto com Django (Jamie Foxx), por manter a esposa do ex-escravo na fazenda.

8. O Aviador (2005)

Mais uma vez dirigido por Scorsese, dessa vez DiCaprio é Howard Hughes, um jovem que ficou milionário aos 18 anos depois de receber uma herança de seu pai. Ele vai a Los Angeles onde passa a investir no mundo dos cinema, enquanto paralelamente mantém seu grande hobby: o mundo da aviação, onde cria a gigantesca companhia TWA. O filme venceu 5 Óscars, mas Leonardo DiCaprio (que foi indicado para melhor ator) saiu novamente de mãos abanando.

9. Os Infiltrados (2006)

Em mais uma das suas parcerias com Scorsese, e talvez a mais premiada, DiCaprio é Willy Costigan Jr., um homem convocado pela polícia para trabalhar infiltrado dentro da máfia irlandesa de Boston. Porém, quando descobrem que a máfia também possui alguém infiltrado na polícia, a vida de todos passa a correr perigo.

10. Diamante de Sangue (2006)

Nesse excelente drama ambientado no país africano de Serra Leoa, DiCaprio é Danny Archer, um jovem mercenário que ganha milhões contrabandeando diamantes advindos do trabalho escravo local. Após ficar amigo de Solomon, um homem negro, os dois partem em busca de um diamante rosa raro, que poderia mudar a vida de ambos.

Recomendação de Filme #42

Luzes da Ribalta (Charlie Chaplin) - 1952


Charlie Chaplin era um gênio do cinema, e isso ninguém pode negar. Criador do personagem mais querido da história do cinema, é reverenciado até hoje como o grande nome do humor na época do cinema mudo. Porém, não só de comédia viveu o cineasta. Lançado em 1952, Luzes da Ribalta (Limelight) é um dos seus últimos trabalhos da carreira, e talvez um dos menos conhecidos.


Na trama Chaplin é Calvero, um velho comediante que no passado fez sucesso em frente a enormes plateias, mas que agora vive esquecido e longe dos holofotes. Aos poucos fica evidente que Calvero traz muito dos sentimentos que Chaplin possuía naquela época fora das telas, como seus traumas, seus medos, sua insegurança quanto ao futuro e sua nostalgia do passado. Por isso mesmo é um filme de essência triste e melancólica, do início ao fim, onde o sorriso do palhaço dá lugar às lágrimas.

Com o advento dos filmes falados, ficou claro que seu personagem Carlitos perdeu muito do brilho que tinha adquirido nos anos áureos do cinema mudo. Isso acabou deixando Chaplin bastante depressivo na época, e todo esse processo de amargura pode ser visto no filme, em cada diálogo e em cada cena. Por tudo isso, o filme tem um significado especial para quem é fã do artista, como se fosse um tratado de toda sua obra.

Seguindo na estória, quando Calvero chega na pensão em que mora, percebe um cheiro de gás vindo de um dos apartamentos, e ao arrombar a porta encontra a jovem Thereza Ambrose (Claire Bloom) desacordada. Incumbido a ajudar a moça na recuperação, ele passa a cuidar dela em seu próprio apartamento até que melhore. Logo que ela desperta, o homem pergunta o porque dela ter tentado o suicídio, e Thereza explica que sempre teve o sonho de se tornar bailarina, mas agora que suas pernas ficaram paralisadas, seu sonho ficou muito distante de ser realizado.

Não demora muito para surgir uma forte amizade entre os dois. Calvero passa a incentivar Thereza a voltar a dançar, ainda que ela no começo se sinta insegura. Após seu retorno aos palcos, ela acaba atingindo um certo estrelato, enquanto Calvero continua no mesmo ostracismo de fim de carreira.


A relação dos dois é incrivelmente bem construída, com muita delicadeza. Apesar da diferença de idade ambos se completam, enquanto falam do gosto em comum pela arte. Calvero se sente realizado em ver Thereza alcançar o sucesso, mesmo que no fundo, ele sentisse o desejo de estar no lugar dela. Num misto de melancolia e otimismo, o filme passa a mensagem de que deve-se acreditar sempre na força do talento, seja qual for a situação, naquilo que pode ser visto como um testamento do artista.

Por fim, é um filme para guardar para o resto da vida. Lindo, sensível, triste e com um Chaplin como nunca visto antes. O típico trabalho que dá orgulho de ser um amante do cinema. Só resta agradecer a Chaplin por toda sua contribuição às artes cinematográficas.