quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Estreias da Semana (29/11 a 05/12)

Cinco filmes entram em cartaz essa semana nos cinemas brasileiros. O grande destaque fica por conta de Vovô Sem Vergonha (Bad Grandpa), que marca o retorno dos insanos criadores de Jackass, mesclando ficção com as piadas típicas do grupo.

Dos Estados Unidos tem também Um Fim de Semana em Hyde Park (Hyde Park Hudson), que conta a história de amor entre o presidente Franklin D. Roosevelt e sua prima, durante um fim de semana. Do país norte-americano ainda tem o elogiado Trem Noturno Para Lisboa (Night Train to Lisbon).

O competente diretor argentino Juan José Campanella está de volta, e dessa vez com um filme diferente de tudo que ele já fez na carreira. Um Time Show de Bola (Metegol) é uma animação sobre um garoto e seus jogadores de pebolim que ganham vida. O filme vem sendo elogiado pela crítica especializada, principalmente por ser de um gênero que ainda não é tão comum no cinema latino-americano.

Por fim, tem a comédia nacional Crô - O Filme, que revive nas telonas um famoso personagem de uma novela da globo. Confira abaixo a lista completa.


Vovô sem Vergonha

Irving Zisman (Johnny Knoxville) é um senhor de 86 anos de idade que viaja ao redor dos Estados Unidos ao lado de seu neto, Billy, de apenas oito anos. Durante o percurso, ele permite que o garoto fume, ofenda as pessoas e tome bebidas alcóolicas, o que gera protestos das pessoas ao redor.

Jackass Presents: Bad Grandpa, Estados Unidos, 2013.
Direção: Jeff Tremaine
Duração: 92 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.

Um Final de Semana em Hyde Park


O filme narra a história de amor entre o ex-presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e sua prima, Margaret Stuckley, durante um final de semana de 1939, quando o Rei e a Rainha da Inglaterra visitaram Nova York.

Hyde Park on Hudson, Estados Unidos, 2013.
Direção: Roger Michell
DUração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance
Assista o trailer aqui.

Trem Noturno Para Lisboa


Raimund Gregorius, um professor suiço, abandona suas palestras e sua vida ultra conservadora para embarcar em uma emocionante aventura, que o levará a uma jornada de auto-conhecimento.

Night Train to Lisbon, Alemanha/Estados Unidos/Suiça, 2013.
Direção: Bille August
Duração: 110 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Romance / Suspense
Assista o trailer aqui.

Um Time Show de Bola


Desde garoto, Amadeo é aficionado por totó, tendo construído seus próprios jogadores e com eles ensaiados as mais diversas jogadas. Um dia ele é desafiado por Ezequiel, um garoto arrogante que se gaba por ser um exímio jogador de verdade. Anos depois do duelo, no qual ele saiu perdendo, ele retorna rico à cidade e com seu dinheiro quer transformá-la numa espécie de parque temático. Para isso, ele precisa enfrentar seu antigo rival numa partida de futebol de verdade.

Metegol, Argentina/Espanha, 2013.
Direção: Juan José Campanella
Duração: 106 minutos
Classificação: livre
Animação / Aventura
Assista o trailer aqui.


Crô - O Filme


Após herdar a fortuna de Tereza Cristina, Clodoaldo Valério (Marcelo Serrado), mais conhecido como Crô, está cansado da vida de milionário. Decidido a encontrar uma nova musa a quem possa dedicar sua vida, ele inicia uma busca. Entretanto, após muito avaliar várias mulheres diferentes, acaba percebendo que sua musa ideal é justamente aquela que ele jamais havia imaginado.

Crô - O Filme, Brasil, 2013.
Direção: Bruno Barreto
Duração: 86 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.

Crítica: Ernest & Céléstine (2013)


Pré-indicado para concorrer ao prêmio de melhor filme de animação na próxima cerimônia do Óscar, Ernest & Celestine (Ernest et Célestine), dos diretores Benjamin Renner, Stéphane Aubier e Vincent Patar, é uma das animações mais graciosas e simples que já tive a oportunidade de assistir.


Celestine é uma ratinha que vive num orfanato e se sente incompreendida no mundo subterrâneo dos ratos. Ela cresceu na instituição ouvindo terríveis histórias sobre a crueldade dos ursos, que vivem no mundo superior, e é sempre deixada de lado pelos outros membros do orfanato, vivendo solitária na companhia do seu caderno de desenho.

Certo dia, ao subir para explorar o mundo lá de cima, ela acaba conhecendo o rabugento Érnest, um urso que adora música e ganha a vida como artista de rua. O começo não á nada amigável, já que Érnest a encontra numa lata de lixo e tenta comê-la viva. No entanto, com o passar do tempo, os dois acabam formando uma forte e singela amizade.



A relação dos dois gera confusão entre o lado de cima e o lado de baixo da terra. Ratos não aceitam que outros ratos sejam amigos de ursos, e vice-versa. Apesar da sensibilidade do enredo, ele traz algumas críticas subentendidas, como por exemplo, o preconceito existente entre classes sociais, já que os ursos que estão acima ignoram o quanto podem a presença dos ratos. Isso fica evidente quando Celestine vai dormir em sua casa, e ele a faz ir para o porão para ficar um nível abaixo.

A fotografia traz aquarelas belíssimas e muito bem desenhadas a mão, o que é de fato louvável nos dias de hoje. Os diretores buscaram trazer a estória, tirada de uma série de livros infantis, quase como um conto de fadas. É uma animação na mais pura forma artística, e com requintes de poesia.



Por fim, num mundo onde os filmes de animação estão com efeitos e gráficos cada vez mais milionários, é gratificante descobrir animações como essa, feitas de forma simples e com sensibilidade acima de tudo. Ernest & Célestine vem chamando atenção nos festivais e realmente é um dos favoritos para chegar entre os finalistas do Óscar.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Crítica: Machete Mata (2013)


Robert Rodríguez conseguiu uma façanha única: fazer o trash virar pop. Seus filmes recheados com muito sangue, linguajar sujo, violência, humor negro e bizarrices afins, remetem muito às famosas Pulp Fictions do início do século 20, que também serviram de influência para outro cineasta da atualidade, seu amigo Quentin Tarantino. Juntos, os dois fizeram alguns dos filmes mais insanos do cinema moderno, como Um Drink no Inferno (1996) e Planeta Terror (2007).


Dirigindo solo, porém, Rodríguez é meio inconstante. Algumas vezes acerta, noutras erra feio. Mas quando acerta, saem coisas sensacionais como Sin City - A Cidade do Pecado (2005), e principalmente, Machete. Lançado em 2010, o primeiro filme da saga nos apresentava ao mal encarado Machete (Danny Trejo), um agente federal mexicano que na época foi contratado por um homem misterioso para matar um importante político americano.

Em Machete Mata (Machete Kills), o justiceiro está de volta, e dessa vez do lado do presidente dos Estados Unidos, Mr. Raghcock, interpretado por ninguém menos que Charlie Sheen. Sua missão é enfrentar um excêntrico e perigoso dono de cartel, que está planejando um ataque nuclear contra os Estados Unidos. Mas como já é de se prever, nada acontece como o planejado com Machete, e a trama vai nos levando a situações cada vez mais absurdas, sem nunca perder o espírito jocoso.


O enredo, apesar de bem construído, não foge muito dos clichês. No entanto, Rodríguez tem algo único, inexplicável, que faz com que eu ame nos seus filmes tudo aquilo que eu odeio em qualquer outra obra do gênero. É um exagero que convence, e que não busca brincar com a inteligência do espectador. 

Além do mais, o elenco é sensacional. Entre os nomes mais famosos que aparecem estão o de Cuba Gooding Jr., Mel Gibson, Antonio Banderas, Lady Gaga e Sofia Vergara. Além disso, ainda tem as "veteranas" da saga, Michelle Rodrigues e Jessica Alba, e um Danny Trejo impecável.


Sim, tudo em Machete Mata é propositalmente bizarro. De sutiãs que disparam como uma metralhadora a tripas humanas que são jogadas nas hélices de um helicóptero, nada é convencional. E é exatamente isso que faz de Rodríguez um dos diretores mais inventivos, extravagantes e singulares do cinema moderno. É um filme para puro entretenimento, para aqueles dias em que a gente não quer nada da vida, apenas esquecer de tudo e assistir um bom filme. Para quem gosta, vale a pena.


domingo, 24 de novembro de 2013

Recomendação de Filme #44

Harry, O Amigo de Tonto - Paul Mazursky (1974)

No Óscar de 1975, três nomes eram cotados como favoritos para ganhar o prêmio de melhor ator: Al Pacino por O Poderoso Chefão - Parte II, Jack Nicholson por Chinatown e Dustin Hoffman por Lenny. No momento do anúncio porém, uma surpresa: Art Corney, por Harry, O Amigo de Tonto (Harry and Tonto), foi quem levou o troféu para casa. Só o fato em si já é relevante o suficiente para que se queira ver esse filme do diretor Paul Mazursky, e posso garantir que vale muito a pena.
Na trama, acompanhamos Harry Combes (Art Carney), um senhor solitário que vive em um apartamento na região pobre de Manhattan apenas na companhia de seu gato, Tonto. Seu dia-dia consiste em dar uma volta pelas ruas da vizinhança, sempre com Tonto a tiracolo, e encontrar velhos amigos na praça local. Ele viveu a vida toda no mesmo prédio, e em alguns diálogos nostálgicos, ressalta como tudo tem mudado de uns tempos para cá. Esse seu sentimento piora quando ele tem que deixar o local porque o prédio vai ser demolido para a construção de um estacionamento.
Obrigado a ir morar com o filho, a nora, e os netos, e acreditando ser um estorvo para a família, Harry resolve viajar em direção à Chicago para se reencontrar com alguns fatos do passado. No entanto, acontecem várias confusões pelo caminho: ele não consegue embarcar num avião por causa do gato, e quando viaja de ônibus, é largado no meio da estrada após incomodar o motorista para que ele parasse, só porque Tonto precisava urinar.
Após se estabelecer na nova cidade, ele compra um carro e dá início a uma viagem sem precedentes, onde encontra uma gama de personagens interessantes. Entre eles Ginger (Melanie Mayron), uma jovem de 16 anos que fugiu de casa, além de uma prostituta e de um vendedor de gatos.
A cena mais marcante do filme talvez seja quando Harry reencontra um antigo amor que não via há 50 anos. Internada em uma clínica, e com problemas de memória, Jessie (Geraldine Fritzgerald) não o reconhece, mas ainda assim, os dois dançam como se fossem duas crianças.
O enredo é conduzido de forma poética, e conta com uma trilha sonora fantástica. Art Corney está realmente impecável no papel de Harry, e mereceu com pompas o Óscar recebido. Todos os outros personagens que aparecem no decorrer da história também são incrivelmente bem explorados pelo diretor, e cada um tem algo de único.
Por fim, não se trata apenas de um filme sobre a amizade entre um homem e um gato. É errôneo achar isso de início. O longa aborda muito mais, principalmente os sentimentos humanos ao chegar no fim da vida, como saudade, nostalgia, medo do futuro e dor pelos sonhos não realizados. Uma pequena obra-prima pouquíssima conhecida, mas de grandioso valor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crítica: O Capital (2013)


O cineasta grego-francês Constantin Costa-Gavras, conhecido por seus filmes polêmicos, traz em seu novo trabalho, O Capital (Le Capital), uma dura visão do mundo capitalista comandado pelo dinheiro, sobretudo a respeito das instituições bancárias que fazem o que bem entendem, geralmente de forma antiética, em nome de um lucro cada vez maior.


Quando o presidente do gigantesco Banco Phenix é diagnosticado com câncer, ele se vê obrigado a escolher um substituto temporário para comandar a instituição. Indo contra todos os seus acionistas e conselheiros ele acaba escolhendo Marc Tourneuil (Gad Elmaleh), um dos operadores financeiros mais respeitáveis apesar da pouca idade em relação aos colegas.

Marc assume e resolve dar uma cara nova para os negócios. Enquanto isso, tem de conviver com a hipocrisia dos colegas, e com toda a sujeira e a podridão existentes por trás do mundo dos negócios. Apesar de assumir o cargo pretendendo agir com ética, aos poucos ele vai sendo influenciado pelo mundo que o rodeia, e passa a se meter em uma série de armações que antes criticava.


Uma delas choca a todos: a demissão em massa de milhares de funcionários espalhados pelos 49 países onde o banco atua, em troca de bônus por cada demissão e de um aumento significativo nas ações. Tido como um "Robin Hood reverso", que tira dos pobres para dar aos ricos, ele vive sua vida rodeado de luxos e ostentações, como carrões, hotéis caríssimos, jatinhos e viagens.

A cena final resume todo o sentimento de que Costa-Gavras quis passar com o longa, quando Marc vira para a câmera sobre os aplausos dos colegas e declara: "São umas crianças. Crianças crescidas. Se divertem, e continuarão se divertindo, até que tudo exploda".


Com um enredo envolvente e complexo, Costa-Gravas consegue surpreender e segurar o espectador até o final, trabalhando uma estória sobre bancos e investimentos de forma atraente. É sem dúvida alguma um dos grandes filmes do ano, e o cineasta de 80 anos nos prova que ainda não perdeu sua qualidade.