sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

5 filmes que abordam a vida e a carreira política de Nelson Mandela.

Hoje o mundo acordou de luto. Um dos grandes nomes do século 20, o sul-africano Nelson Mandela, nos deixou aos 95 anos de idade. Um grande homem, um grande ser-humano, Mandela é um dos últimos líderes políticos que carregavam consigo um espírito de humanidade. A história de vida dele se confunde com a triste e violenta história de segregação racial na África do Sul, o que o tornou um símbolo na luta pela liberdade e pela igualdade de raças.

Sua história já foi contada inúmeras vezes no cinema, seja através de filmes, seja através de documentários. O mais famoso deles foi Invictus, do diretor Clint Eastwood, que chegou a concorrer ao Óscar em 2010. Atualmente, vem sendo produzido na Inglaterra o filme Mandela: Longo Caminho para a Liberdade , que pretende ser a sua cinebiografia definitiva.

Para homenageá-lo, trago abaixo uma lista com os 5 melhores filmes que abordam sua sua vida particular e principalmente seu ativismo político. Confira.

1- Mandela e De Klerk (1997)


Na década de 60, sob o regime do Apartheid, Nelson Mandela (Sidney Poitier) e outros políticos foram presos e condenados à prisão perpétua. Quase 30 anos depois, quando F. W. De Klerk (Michael Caine) é eleito presidente, Mandela é libertado, e uma série de reformas acabam de vez com o Apartheid. Juntos, os dois recebem o prêmio nobel da paz, por terem criado a transição para uma democracia não racial.


2- Invictus (2009)


Logo após ser eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) tinha consciência de que a África do Sul ainda continuava sendo um país racista, depois de anos convivendo com o regime do Apartheid. A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, pela primeira vez realizada no país, fez com que Mandela usasse o esporte como forma de unir a população.

3- Mandela (1987)


Nesse filme, onde Mandela é interpretado por Danny Glover, acompanhamos toda a trajetória do líder político, desde sua prisão, onde permaneceu 30 anos, até sua libertação com o apoio do presidente vigente na época, F. W. De Klerk. Depois ele ainda se tornaria o primeiro presidente negro da história do país, tornando-se um exemplo na luta pela igualdade.


4- Mandela: A Luta Pela Liberdade (2007)


James Gregory (Joseph Fiennes) é um guarda penitenciário sul-africano que enxerga os negros como inferiores, assim como a maioria da população branca que vivia sobre o Apartheid nos anos 60. Mais do que carcereiro, ele atua como espião do governo na prisão onde Mandela é enviado, e a convivência com o líder político acaba gerando um forte laço de amizade entre eles, que o transforma em um defensor dos direitos dos negros no país.


5- Mandela: Filho da África, Pai de uma Nação (1996)


Único documentário da lista, é considerado o melhor do gênero sobre a vida de Mandela, e aborda toda sua vida incluindo a adolescência, contando com entrevistas marcantes com o líder ativista. O documentário chegou a ser indicado ao Óscar de 1997. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Estreias da Semana (06/12 a 12/12)

Vem aí um fim de semana de grandes estreias no Brasil. O filme mais esperado da vez é Carrie - A Estranha (Carrie), segundo remake do filme original de 1976 (o outro foi em 2002, e foi um desastre), adaptado de um livro do escritor Stephen King. Refilmagens costumam sempre ser duvidosas, e por isso mesmo é grande o burburinho por conta da produção.

O ator Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela e 50/50) resolveu se aventurar como diretor, e o resultado é a comédia Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon), que além dele, conta com Julianne Moore e Scarlett Johansson. Dos Estados Unidos ainda tem o filme de ação Linha de Passe (Homefront) o drama romântico À Procura do Amor (Enough Said).

No entanto, apesar da badalação normal sobre os filmes americanos, é notável que a grande estreia para os cinéfilos de plantão é a do francês Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2), grande vencedor do Festival de Cannes, e que vem sendo eleito por muitos como o melhor filme do ano. Polêmico tanto em cena como fora das telas, é também o filme que particularmente mais aguardo nesse mês de dezembro.

Finalizando a lista tem o drama nacional Anita & Garibaldi, com Gabriel Braga Nunes e Ana Paula Arósio. Enfim, confira a lista abaixo.

Carrie - A Estranha


Remake do famoso filme de 1976, adaptado de um livro do escritor Stephen King, o filme retrata a vida de Carrie, uma adolescente oprimida pela sua mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Além dos maus tratos dentro de casa, ela tem que lidar com os abusos dos colegas por conta de sua aparência e de seu comportamento estranho. Ao descobrir que possui poderes sobrenaturais, ela resolve usar uma festa de formatura para se vingar dos jovens mais populares do colégio.

Carrie, Estados Unidos, 2013.
Direção: Kimberly Pierce
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos
Terror
Assista o trailer aqui.

Como Não Perder Essa Mulher


Jon (Joseph Gordon-Levitt) mora sozinho e tem orgulho da vida que leva, sem se prender a ninguém, seguindo a filosofia de vida de que nenhuma relação sexual, mesmo que boa, pode ser melhor que a pornografia que ele assiste. Sua vida muda quando ele conhece numa boate a jovem Barbara (Scarlett Johansson), e ele acaba tendo que se submeter aos seus caprichos para que tenham algo mais sério.

Don Jon, Estados Unidos, 2013.
Direção: Joseph Gordon-Levitt
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos
Comédia / Romance
Assista o trailer aqui.

Última Viagem a Vegas

Três grandes amigos vão à cidade de Las Vegas para a despedida de solteiro de um quarto membro do grupo, um solteirão convicto que decidiu se casar com uma garota muito mais jovem.

Last Vegas, Estados Unidos, 2013.
Direção: Jon Turteltaub
Duração: 105 minutos
Classificação: 16 anos

Linha de Frente

Phil Broker (Jason Statham) é um ex-agente do Departamento de Combate a Narcóticos dos Estados Unidos. Tentando escapar de seu passado, ele se muda para uma tranquila cidade do interior. Com o tempo, ele percebe que o local não é tão pacato quanto ele imaginava, e passa a ter de enfrentar um grupo de traficantes liderados por Gator (James Franco).

Homefront, Estados Unidos, 2013.
Direção: Gary Fleder
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Ação / Suspense
Assista o trailer aqui.

À Procura do Amor


A massagista Eva (Julia Louis-Dreyfus) é uma mulher divorciada e mãe solteira, que teme a partida da sua filha para a faculdade. Ela logo começa um romance com Albert (James Gandolfini), um homem engraçado que está vivendo um momento muito parecido com o seu. O romance será ameaçado com a chegada de sua nova cliente, Marianne (Catherine Keener), que também é ex-mulher de Albert.

Enough Said, Estados Unidos, 2013.
Direção: Nicole Holofcener
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia Romântica
Assista o trailer aqui.

Azul é a Cor Mais Quente


Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por uma mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a esse amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família por conta dos princípios morais vigentes.

La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2, França, 2013.
Direção: Abdellatif Kechiche
Duração: 179 minutos
Classificação: 18 anos
Drama / Romance
Assista o trailer aqui.

Anita & Garibaldi


História de amor entre Giuseppe Garibaldi (Gabriel Braga NUnes), comandante dos rebeldes republicanos que invadem Laguna, em Santa Catarina, durante a Guerra dos Farrapos, e sua alma gêmea Anita (Ana Paula Arósio), uma jovem de 18 anos esposa do sapateiro local. Entre a paixão e as batalhas, eles tem de redefinir os rumos de suas vidas.

Anita & Garibaldi, Brasil/Itália, 2013.
Direção: Alberto Rondalli
Duração: 98 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

5 remakes de filmes que deram certo (e outros 5 que não).

A palavra remake chega a dar um calafrio em boa parte dos cinéfilos. O fato é que poucas vezes uma refilmagem sai igual ou melhor que o original, sendo enorme o número de novas versões que simplesmente estragam toda a história. O grande problema é que o cineasta responsável sempre acha que pode fazer melhor, ou trazer uma nova visão sobre a história, o que muitas vezes dá errado de forma vergonhosa.

Na véspera da estreia de Carrie - A Estranha, remake do clássico do Brian de Palma lançado em 1976, o Cinema Arte traz uma lista com cinco refilmagens que deram certo, e outras cinco que, para o bem da humanidade, poderiam ter sido abortadas antes do lançamento.


Refilmagens tão boas quanto os originais

Ben-Hur - William Wyler (1959)

O épico bíblico já havia sido adaptado para as telas em 1925 por Fred Niblos, mas foi essa versão de William Wyler que ganhou notoriedade. E quem notoriedade! O filme foi um sucesso de bilheterias e é até hoje um dos recordistas de Óscars com 11 estatuetas.

Scarface - Brian de Palma (1983)

Remake de Scarface - A Vergonha de uma Nação, lançado por Howard Hawks em 1932, esse talvez seja o maior exemplo de refilmagem que deu certo. Com a ajuda de Oliver Stone na concepção do roteiro, De Palma fez apenas algumas mudanças, transferindo a história de Chicago para Miami e ambientando o enredo no cenário dos anos 80. O destaque fica por conta da atuação antológica de Al Pacino.

Bravura Indômita - Ethan Coen (2010)

Fazer a refilmagem de um faroeste clássico que tinha nada menos do que John Wayne como protagonista, não é para qualquer um. Por isso mesmo, a edição de 2010 de Bravura Indômita, produzida pelos irmãos Coen, mereceu todos os elogios que recebeu do público e da crítica. O destaque fica por conta da fotografia e da atuação de Jeff Bridges, que encarna o personagem principal com brilhantismo.

Onze Homens e Um Segredo - Steven Soderbergh (2001)

A primeira versão, lançada em 1960 pelo diretor Lewis Milestone, tinha Frank Sinatra no papel principal de Danny Ocean. A releitura porém, não perdeu em nada em relação ao original, e com um elenco de peso que conta com George Clooney, Brad Pitt e Matt Damon, é um dos maiores remakes da história do cinema.

Lolita - Adrian Lyne (1997)

Sim, alguns vão me xingar e me acusar de blasfêmia. Mas o fato é que, mesmo Kubrick sendo o meu diretor preferido, não nego que acho a releitura de Lolita bastante superior. A diferença de comportamento entre as épocas lançadas talvez seja o principal motivo desse filme, dirigido por Adrian Lyne, trazer com muito mais veracidade a polêmica relação existente no livro homônimo de Vladimir Nabokov.


Refilmagens desnecessárias

Psicose - Gus Van Sant (1998)

Essa versão do clássico de Hitchcock feita por Gus Van Sant é uma das coisas mais absurdas e desnecessárias da história do cinema. O filme foi um verdadeiro tiro no pé dos estúdios Universal, que saíram no prejuízo com a rejeição monstruosa do público.

A Casa de Cera - Jaume Collet-Serra (2006)

Jaume Collet-Serra usou e abusou da arte de transformar um dos maiores clássicos do suspense em um filme de terror pré-adolescente com atuações fracas e com um elenco péssimo. Só a participação vergonhosa de Paris Hilton já vale o dinheiro do ingresso de volta.

O Dia em que a Terra Parou - Scott Derrickson (2008)

Clássica ficção-científica dos anos 50, O Dia em que a Terra Parou ganhou uma refilmagem terrível e sem propósito, protagonizada pelo sempre fraco Keanu Reeves. O resultado final foi triste de ver, de verdade.


A Pantera Cor-de-Rosa - Shawn Levy (2006)

O clássico de 1963 transformou-se em uma comédia escrachada e sem graça, liderada pelo comediante Steve Martin. O filme passou longe do original, que trazia muitos mistérios e referências que muitos cinéfilos idolatram.

Quarentena - John Erik / Drew Dowdle (2009)

É comum essa prática do cinema americano de pegar filmes estrangeiros e transformar em produto próprio, sobretudo no gênero terror. E é gritante o quanto isso é nocivo pra obra original, já que geralmente eles erram feio a mão na tentativa de "americanizar" tudo. É o caso de Quarentena, refilmagem do espanhol Rec, de 2007.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Crítica: Capitão Phillips (2013)


Em 2009, a notícia de um sequestro liderado por piratas em um navio cargueiro  na costa africana chocou o mundo, e os Estados Unidos não mediram esforços para resolver a situação custasse o que custasse. Essa história de coragem e sobrevivência nos é apresentada em Capitão Phillips (Captain Phillips), novo filme do diretor Paul Greengrass.


Rich Phillips (Tom Hanks) é designado para comandar o navio cargueiro Maersk Alabama pela costa africana, levando condimentos até um país do continente. Preocupado desde o início pela região ter um histórico perigoso, e ser alvo constante de ataques de piratas, ele vai com bastante receio, mas ainda assim confiante de que nada vai acontecer. Desarmado e com uma tripulação despreparada para qualquer tipo de combate, ele passa a ter de lidar contra 4 bandidos somalis que invadem o convés e tocam o terror em busca de dinheiro.

Desde o começo, percebemos que não se trata de um filme de ação qualquer. O diretor vai nos ambientando no enredo aos poucos, de forma super natural, mas sem se arrastar ou apelar para dramatização. Do meio em diante, o filme é pura tensão. Sem medo de utilizar uma câmera inquieta, somos postos dentro de um turbilhão de acontecimentos, o que deixa o espectador sem ar até os créditos finais. É elogiável que Greengrass não utiliza nenhuma espécie de efeito especial, o que deixa a trama muito mais real e consistente.


A aproximação dos piratas junto ao navio é filmada de forma esplendorosa e lenta, crescendo de intensidade a cada minuto. A sequência é demorada, mas nem um pouco exagerada. Isso dá ao filme o clima perfeito de preparação para o que está por vir. No momento que eles adentram o espaço físico do navio, sentimos no olhar do capitão o desespero e a dúvida sobre o que fazer.

Aliás, o personagem do capitão é forte e muito bem desenvolvido. Não é difícil a identificação do público com ele, já que não há nenhum super-herói por trás de seu rosto, apenas um homem comum em uma situação passível de acontecer a qualquer um. Tom Hanks tem aqui uma das melhores atuações da sua carreira, e talvez a sua melhor da década. A cena final é de um primor só, e já valeria o óscar para Hanks.


Cada um dos piratas possui uma característica própria. Um é considerado o "chefe", e comanda tudo. Outro "acha" que é chefe e por isso usa de maldade contra os tripulantes o tempo inteiro. O terceiro é quieto, estranho, e parece estar preparado para qualquer coisa a qualquer momento. O último deles é o mais emblemático. Jovem, com apenas 17 anos, ele na verdade não gostaria de estar ali, e fica evidente no seu olhar e nos seus gestos que o que ele mais queria era que tudo acabasse logo e ele pudesse ir para casa.

Dentre eles, o mais interessante é o personagem Muse. Conflitando diretamente com Phillips, ele é o líder do grupo invasor, e mesmo cometendo um ato criminoso, no fundo demonstra um pouco de humanidade ao lidar com os tripulantes. Por fim, Capitão Phillips é uma grande surpresa vinda do tão defasado cinema norte-americano. Como disse anteriormente, um exemplo de coragem. Com cenas brilhantes e muito bem feitas, certamente já é um dos pré-candidatos ao Óscar do ano que vem.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Recomendação de Filme #45

Festim Diabólico (Alfred Hitchcock) - 1948

Falar que Hitchcock é genial, é chover no molhado. Isso todos sabem, e essa sua fama não veio por acaso. Dono de enredos engenhosos, Hitchcock nos presentou com uma série de obras-primas, que se tornaram clássicos com o tempo. Entre essas obras está Festim Diabólico (Rope), pouco lembrado quando se fala na sua filmografia, mas com certeza um de seus melhores trabalhos.


Primeiramente, devo dizer que assistir Festim Diabólico pela primeira vez é uma experiência única. A trama no entanto é simples, e baseada em um fato real. Em Nova York, Brandon e Philip assassinam em seu apartamento o amigo David, simplesmente por se acharem superiores intelectualmente. O assassinato, com uma corda, é mostrado logo na primeira cena do longa.

Fugindo do enredo clichê de "quem matou quem?" ou "como foi que tudo aconteceu?", Hitch já nos joga tudo na cara de início. Aliás, apresentar um culpado no começo e ir dissecando tudo que envolve sua ação é uma das características principais do seu cinema, numa tentativa de mostrar que não há crimes perfeitos.

No entanto, para provar toda sua esperteza, os dois resolvem dar uma festa no próprio apartamento, onde planejam esconder o corpo no baú que servirá de mesa para os convidados. O mórbido plano fica ainda mais interessante quando percebemos que entre os convidados estão inclusive alguns parentes da vítima.
Com diálogos marcantes, o filme vai aumentando a tensão em cada cena, e tudo começa a ficar ainda mais perigoso quando Brandon, usando de toda sua arrogância, resolve soltar pistas aos convidados a respeito do ato que acabou de cometer. Aos poucos, o convidado Rupert (James Stewart) começa a desconfiar dessas pistas, sobretudo quando Philip começa e ficar misteriosamente temeroso de ser pego.

A ação se passa inteiramente dentro do apartamento (com exceção da cena inicial, onde Hitchcock faz sua aparição), o que de fato é uma das maiores experimentações do diretor. Os atores seguram o filme durante o tempo todo com atuações elogiáveis, e o estilo teatral fica bem evidenciado com os trejeitos dos personagens, que por sinal tem suas emoções bastante aprofundadas.

Por fim, Festim Diabólico não é citado na maioria das listas que vi de melhores filmes do diretor, e acho isso uma tremenda injustiça. Na época foi um fracasso crítica e comercialmente, mas não há como negar que com o tempo se tornou um clássico. Uma obra-prima obrigatória para os verdadeiros amantes da sétima arte.