sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Estreias da Semana (13/12 a 19/12)

Finalmente a espera acabou para os fãs da literatura de Tolkien. A segunda parte da adaptação de O Hobbit estreia nessa sexta-feira, e promete ser o grande sucesso desse mês de dezembro. O Hobbit: A Desolação de Smaug traz novamente o pequeno Hobbit Bilbo Bolseiro, que com a ajuda de anões e do mago Gandalf, parte em uma aventura para recuperar um tesouro em posse do dragão Smaug. Dos Estados Unidos ainda estreia o terror Somos o Que Somos (We are What We Are), do diretor Jim Mickle.

Dois filmes que deram o que falar nos festivais europeus de cinema também entram em cartaz nessa sexta, ambos abordando o tema da homossexualidade. O primeiro é o francês Um Estranho no Lago, e o segundo é a produção Palestina-Israelense Além da Fronteira.

O cinema oriental também se mostra presente dessa vez, com as estreias do chinês Um Toque de Pecado e do sul-coreano Filha de Ninguém. Finalizando a lista tem os nacionais Educação Sentimental e Simone.

Confira a lista completa abaixo.

O Hobbit: A Desolação de Smaug


Continuação de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, o longa dá seguimento na história baseada no livro de J. K. K. Tolkien, onde um pacífico Hobbit parte numa aventura junto de um grupo de anões para recuperar um tesouro tomado pelo dragão Smaug.

The Hobbit: The Desolation of Smaug, Estados Unidos, 2013.
Direção: Peter Jackson
Duração: 161 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura / Fantasia
Assistir o trailer aqui.

Somos o que Somos

Após a súbita morte da mãe, as adolescentes Iris e Rose ficam encarregadas de cuidar do irmão mais novo, Rory, e obrigadas a aceitar o forte temperamento do pai,que deseja manter os costumes familiares. Quando uma tempestade atinge a região, seus segredos são ameaçados pelas investigações das autoridades locais.

We Are What We Are, Estados Unidos, 2013.
Direção: Jim Mickle
Duração: 105 minutos
Classificação: 18 anos
Suspense / Terror
Assista o trailer aqui.

Um Estranho no Lago

Em pleno verão, um lago é usado como praia nudista por vários homossexuais. Um dos frequentadores mais assíduos é Franck, que um dia faz amizade com Henri, um homem solitário que vai ao lago apenas em busca de paz, sem qualquer interesse em outros homens. Com o desenrolar dos dias, eles se tornam amigos.

L'inconnu du Lac, França, 2013.
Direção: Alain Guiraudie
Duração: 97 minutos
Classificação: 18 anos
Drama / Policial
Assista o trailer aqui.

Além da Fronteira

Nimer, um estudante palestino, e Roy, um advogado israelense, apaixonam-se desde a primeira vez que se encontram. À medidaem que a relação dos dois se desenvolve, Nimer tem que lidar com sua família conservadora e com sua condição de palestino morando em Israel. A situação piora quando um amigo próximo é capturado em Tel Aviv e assassinado na Cisjordânia.

Out in the Dark, Israel/Palestina, 2013.
Direção: Michael Meyer
Duração: 96 minutos
Classificação:
Drama / Romance
Assista o trailer aqui.

Um Toque de Pecado

Na China dos dias contemporâneos, quatro pessoas de regiões e classes sociais distintasse cruzam. A história descrita como um "road movie com cenas de ação", passa tanto pela barulhenta metrópole de Guangzhou, quanto pela calma província rural de Shanxi.

Tian Zhu Ding, China, 2013.
Direção: Jia Zhang Ke
Duração: 130 minutos
Classificação: 14 anos

Filha de Ninguém

Haewon(Jeong Eun-Chae) é uma jovem adulta que vive deslocada em Seul. A estudante decinema também sonha em se tornar atriz, e tem uma forte admiração pela francesa Jane Birkin. Quando descobre que sua mãe está se mudando para o Canadá, e que seus colegas de faculdade estão falando mal dela por conta de um relacionamento que teve com um professor, ela se enche de dilemas existenciais.

Nugu-ui Ttal-do Anin, Coréia do Sul, 2013.
Direção: Hong Sang-soo
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos

Crônica do Fim do Mundo

Pablo, um senhor de 70 anos, perdeu a esposa há cerca de 20 anos durante uma explosão em Bogotá, e desde então nunca mais saiu de casa. Seu filho, Felipe, acaba de ter um bebê e sofre para cuidar da sua relação com a esposa. A vida dessa família vai ser afetada pela aproximação do fim do mundo, que segundo calendário Maia, ocorrerá em dezembro de 2012.

Crónica Del Fin del Mundo, Colômbia, 2012.
Direção: Mauricio Cuervo
Duração: 85 minutos
Classificação: 12 anos

Educação Sentimental

Áurea é uma professora solitária, que inicia uma estranha relação com um jovem que conheceu por acaso. Bastante sensível, ela fica encantada com a mudança na sua vida, até que aos poucos uma antiga história vem à tona mudando o rumo de tudo novamente.

Educação Sentimental, Brasil, 2013.
Direção: Julio Bressane
Duração: 84 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.


Simone

Depois de um tempo saindo com mulheres, a jovem Simone acaba se definindo como homossexual. Nisso, ela conhece o introspectivo Pedro (Roberto Birindelli), que passa a ser objeto de sua nova descoberta heterossexual.

Simone, Brasil, 2013.
Direção: Juan Zapata
Duração: 72 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Divulgada a lista dos Indicados ao Globo de Ouro 2014


Considerado como uma prévia da cerimônia do Óscar, o Globo de Ouro de 2014 já tem seus indicados. Na lista desse ano, 12 Years a Slave e Trapaça são os filmes com mais indicações, cada um com sete. Na parte de televisão, o destaque ficou com a série House of Cards, que curiosamente foi lançada diretamente no canal online Netflix, sem ter sido exibida na televisão.

Confira abaixo a lista completa dos concorrentes.



CINEMA

Melhor Filme de Drama
12 Years Slave - Steve McQueen
Capitão Philips - Paul Greengrass
Gravidade - Alfonso Cuarón
Philomena - Stephen Frears
Rush: No Limite da Emoção - Ron Howard

Melhor Filme de Comédia/Musical
Ela - Spike Jonze
Inside Llewyn Davis: Balada de Um Homem Comum - Joel e Ethan Coen
Nebraska - Alexander Payne
O Lobo de Wall Street - Martin Scorsese
Trapaça - David O. Russell

Melhor Diretor
Alexander Payne, por Nebraska
Alfonso Cuarón, por Gravidade
David O. Russell, por Trapaça
Paul Greengrass, por Capitão Philips
Steve McQueen, por 12 Years a Slave

Melhor Ator de Drama
Chiwetel Ejiofor - 12 Years a Slave
Idris Elba - Mandela: Long Walk to Freedom
Matthew McConaughey - Dallas Buyers Club
Robert Redford - All is Lost
Tom Hanks - Capitão Philips

Melhor Ator de Comédia/Musical
Bruce Dern - Nebraska
Christian Bale - Trapaça
Joaquin Phoenix - Ela
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
Oscar Isaac - Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum

Melhor Atriz de Drama
Cate Blanchett - Blue Jasmine
Emma Thompson - Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Judi Dench - Philomena
Kate Winslet - Refém da Paixão
Sandra Bullock - Gravidade

Melhor Atriz de Comédia/Musical
Amy Adams - Trapaça
Greta Gerwig - Frances Ha
Julia Louis-Dreyfus - À Procura do Amor
Julie Delpy - Antes da Meia-Noite
Meryl Streep - Álbum de Família

Melhor Ator Coadjuvante
Bradley Cooper - Trapaça
Barkhad Abdi - Capitão Philips
Daniel Bruhl - Rush: No Limite da Emoção
Jared Leto - Dallas Buyers Club
Michael Fassbender - 12 Years a Slave

Melhor Atriz Coadjuvante
Lupita Nyong'o - 12 Years a Slave
Jennifer Lawrence - Trapaça
Julia Roberts - Álbum de Família
June Squibb - Nebraska
Sally Hawkins - Blue Jasmine

Melhor Filme de Animação
Frozen: Uma Aventura Congelante
Meu Malvado Favorito 2
Os Croods

Melhor Filme Estrangeiro
A Caça (Dinamarca)
A Grande Beleza (Itália)
Azul é a Cor Mais Quente (França)
O Passado (Irã)
O Vento Está Chegando (Japão)

Melhor Roteiro
12 Years a Slave
Ela
Nebraska
Philomena
Trapaça

Melhor Trilha Sonora
12 Years a Slave
A Menina que Roubava Livros
All is Lost
Gravidade
Mandela: Long Walk to Freedom

Melhor Canção Original
Atlas - Jogos Vorazes: Em Chamas
Let It Go - Frozen: Uma Aventura Congelante
Ordinary Love - Mandela: Long Walk to Freedom
Please Mr. Kennedy - Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum
Sweeter than Fiction - One Chance



Televisão


Melhor Série de Drama
Breaking Bad
Downton Abbey
House of Cards
Masters of Sex
The Good Wife

Melhor Série de Comédia/Musical
Brooklyn Nine-Nine
Girls
Modern Family
Parks and Recreation
The Big Bang Theory

Melhor Minissérie/Telefime
American Horror Story: Coven
Behind the Candelabra
Dancing of the Edge
The White Queen
Top of the Lake

Melhor Ator de Série - Drama
Bryan Cranston - Breaking Bad
James Spader - The Blacklist
Kevin Spacey - House of Cards
Liev Schreiber - Ray Donovan
Michael Sheen - Masters of Sex

Melhor Ator de Série - Comédia/Musical
Andy Samberg - Brooklyn Nine-Nine
Don Cheadle - House of Lies
Jason Bateman - Arrested Development
Jim Parsons - The Big Bang Theory
Michael J. Fox - The Michael J. Fox Show

Melhor Atriz de Série - Drama
Kerry Washington - Scandal
Julianna Margulies - The Good Wife
Robin Wright - House of Cards
Tatiana Maslany - Orphan Black
Taylor Schilling - Orange is the New Black

Melhor Atriz de Série - Comédia/Musical
Amy Poehler - Parks and Recreation
Edie Falco - Nurse Jackie
Julia Louis Dreyfus - Veep
Lena Dunham - Girls
Zooey Deschanel - New Girl

Melhor Ator de Minissérie/Telefilme
Al Pacino - Phil Spector
Chiwetel Ejiofor - Dancing on the Edge
Idris Elba - Luther
Matt Damon - Behind the Candelabra
Michael Douglas - Behind The Candelabra

Melhor Atriz de Minissérie/Telefilme
Elisabeth Moss - Top of the Lake
Helen Mirren - Phil Spector
Helena Bonham Carter - Burton & Taylor
Jessica Lange - American Horror Story: Coven
Rebecca Ferguson - The White Queen

Melhor Ator Coadjuvante - Série/Minissérie/Telefilme
Aaron Paul - Breaking Bad
Corey Stoll - House of Cards
Jon Voight - Ray Donovan
Josh Charles - The Good Wife
Rob Lowe - Behind the Candelabra

Melhor atriz Coadjuvante - Série/Minissérie/Telefilme
Hayden Panettiere - Nashville
Jacqueline Bisset - Dancing on the Edge
Janet McTeer - The White Queen
Monica Potter - Parenthood
Sofia Vergara - Modern Family

Crítica: Muito Barulho Por Nada (2013)


Em 2012, o diretor Joss Whedon teve seu nome incluído na lista dos mais bem pagos de Hollywood após dirigir o mega sucesso Os Vingadores (The Avengers). Por conta disso, a surpresa é ainda maior com esse seu novo trabalho, Muito Barulho por Nada (Much Ado About Nothing), onde ele trocou a ação pela sensibilidade para trazer aos cinemas um dos melhores filmes de 2013.



O diretor cresceu numa família que adorava fazer rodas de leituras de Shakespeare, e isso ficou no sangue. Como brincadeira, ele chamou os amigos e durante 12 dias filmou na sua própria casa essa adaptação moderna da clássica comédia do dramaturgo inglês. Tudo isso com um orçamento baixíssimo, muito diferente do seu filme anterior, que custou milhões e arrecadou ainda mais nas bilheterias.

No início, para quem não sabe do que se trata o filme, ele pode parecer bastante confuso e pretensioso. Pessoas normais, em pleno século 21, falando sobre retornar da guerra, sobre reis e príncipes, e usando uma linguagem extremamente culta. No entanto, os diálogos da peça, escrita em 1599, são transcritos de forma tão impecável no transcorrer do filme, que depois que você se acostuma o resultado final passa a ser elogiável.



Apesar de todo charme na sua concepção, o enredo é simples, e aborda duas histórias de amor recheadas de mal entendidos e manipulações. Durante um fim de semana, às vésperas do casamento de Claudio (Fran Kanz) e Helo (Jillian Morgese), todos os outros membros da família, incluindo o governador Leonato (Clark Gregg) e o príncipe Dom Pedro (Reed Diamond), se juntam para tentar unir o improvável casal Benedito (Alexis Denisof) e Beatriz (Amy Acker), inimigos históricos.

Filmado em preto e branco (artifício que já deixou de ser original, diga-se de passagem, mas que aqui se encaixou perfeitamente), o filme nos transporta fielmente à estória escrita por Shakespeare, ambientada na atualidade. O elenco é formado por atores que já trabalharam com Whedon na televisão e também, como disse anteriormente, amigos pessoais do diretor que nunca tinham gravado para o cinema. Isso só prova o quão despretensiosa era a ideia do diretor em realizar a obra, e com grata surpresa, todos se saíram muitíssimo bem em seus respectivos papéis.



Muito Barulho por Nada é de fato um filme atípico. Não só pelo amadorismo nas filmagens (não vejam isso como uma crítica, já que isso deixa o filme mais ainda com cara de teatro), mas pela simplicidade com as cenas se desenrolam. Algumas peças já foram adaptadas às telas, mas por trazerem requinte demais e alma de menos acabaram sendo um fracasso. Pode não ter atraído o grande público, mas garantiu um lugar especial no coração dos fãs de cinema.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Crítica: Trem Noturno Para Lisboa (2013)


O diretor britânico Bille August está de volta às telas de cinema, dessa vez com um drama bastante intenso e cheio de mistérios. Na trama, Raimund Gregorius (Jeremy Irons) é um velho professor de Ensino Médio, que vive solitário na sua casa em Berna, na Suíça. Certo dia, indo para o colégio onde dá aulas, ele acaba se deparando com uma garota prestes a se atirar de uma ponte, e correndo até ela consegue salvá-la.


Depois que ele presta ajuda e a leva consigo até o colégio, ela resolve sumir, deixando apenas seu casaco e um misterioso livro. Escrito em português, e de um autor desconhecido chamado Amadeu do Prado, o livro acaba chamando a atenção de Raimund, principalmente quando ele vê que aquilo que está escrito é tudo o que ele gostaria de dizer ao mundo mas nunca disse. É como se ele tivesse escrito aquele livro e esquecido.

Dentro do livro ele encontra ainda uma passagem de trem para Lisboa. Decidido a encontrar o autor do livro, ele pega o primeiro trem rumo à capital portuguesa, onde fica hospedado em um lugar bem simples. Durante todo o filme, ele vai lendo trechos do livro, o que faz o filme ganhar ares poéticos em grande parte de suas cenas.


Ao poucos, conversando com pessoas que tiveram alguma experiência próxima com o autor do livro, Raimund vai descobrindo coisas interessantes sobre o passado do mesmo, adentrando numa espiral de mistérios. Quando jovem, um pouco antes de escrever a obra, Amadeu de Prado fazia parte da resistência revolucionária de Portugal, onde junto com alguns amigos e conhecidos planejava às escondidas uma série de planos contra o governo fascista da época.

Do meio para o final, fica claro que o professor acaba se tornando apenas um coadjuvante na história. Por meio de flashbacks, acompanhamos a vida de Amadeu na militância e principalmente seu caso de amor com Estefânia (Melánie Laurent), outra revolucionária, que acaba gerando um triângulo amoroso definitivo para o fim de sua carreira política.


As atuações são firmes, principalmente a de Irons. Alguns rostos conhecidos também fazem parte do elenco, como o de Bruno Ganz (A Queda: As Últimas Horas de Hitler), Melánie Laurent (Bastardos Inglórios) e Christopher Lee, no auge dos seus 91 anos. A fotografia é belíssima, e a trilha sonora encantadora.

Não li o livro, e portanto não posso opinar sobre se tratar de uma adaptação fiel ou não. Uma coisa que incomodou muita gente é o fato do filme se passar em Portugal e ser falado todo em inglês, mas não vejo isso como um defeito. O fato é que o resultado final nas telas ficou bem interessante, e Trem Noturno Para Lisboa acaba sendo um dos melhores filmes de 2013.


domingo, 8 de dezembro de 2013

Recomendação de Filme #46

Felicidade - Todd Solondz (1998)

Todo mundo vive em busca da felicidade, isso é um fato. Mas afinal, o que é a tal felicidade? Se formos parar para analisar, percebemos que cada um tem uma visão própria desse sentimento, de tão abstrato e individual que ele é. De forma natural, chocante e melancólica, o diretor Todd Solondz nos traz em Felicidade (Happiness), um estudo aprofundado do tema, abordando a vida de uma série de pessoas interligadas por laços familiares ou sociais.



Solondz já havia dissecado os sentimentos do ser-humano de forma sarcástica no excelente Bem-Vindo à Casa de Bonecas, e dessa vez não foi diferente. Não espere ver pessoas felizes e alegres com a vida, levando o nome do filme ao pé da letra. Pelo contrário, são personagens que vivem no desespero e na depressão, e que muitas vezes são levados a cometer atos imorais e até mesmo criminosos. Um verdadeiro e cruel retrato da humanidade, que se esconde cada vez mais atrás de mascaras e atitudes superficiais para tentar abafar os fatos tristes da vida.

Ambientado nos subúrbios de Nova Jersey, onde o diretor cresceu, a trama se concentra primeiramente nas irmãs Jordan. Trish (Cynthia Stevensson) é a verdadeira imagem dos comerciais de margarina: bem sucedida, vivendo numa bela casa, com filhos e um marido perfeito. No entanto, seu marido "perfeito" não passa de um pedófilo, que estupra o filho do melhor amigo e vive seus dias reprimido por não poder revelar sua preferência sexual a ninguém.



Helen (Lara Flynn Boyle) é uma bem-sucedida escritora que vive de futilidades, e que cansada das noites de sexo descomprometido com desconhecidos, acaba se interessando por Allen (Phillip Seymour Hoffman), um nerd reprimido que sente prazer em fazer ligações telefônicas obscenas. O personagem de Hoffman é degradante e patético, e tenta a todo momento esconder suas perversões enquanto se aproxima de Helen.

Por fim tem Joy (Jane Adams), uma operadora de tele-vendas solitária que sonha ser uma cantora folk de sucesso com sua música "Happiness". Ela só consegue atrair homens degenerados, e apesar da preocupação das duas primeiras irmãs com ela, cada uma vive na sua individualidade sem fazer nada para ajudar.



Nesse ínterim, tem os pais de Joy, Helen e Trish, que estão à beira do fim de um casamento de 40 anos, mas não fazem grande esforço para se separarem e continuam, acada dia, vivendo suas vidas no comodismo.

A profundidade de cada um dos personagens desse filme é impressionante. Na medida em que o espectador vai se familiarizando com eles, vai inevitavelmente se identificando com algo de cada um, o que cria um certo dilema na cabeça.



Masturbação explícita, linguagem suja e sobretudo a pedofilia foram fatores suficientes para chocar o público e a crítica no seu lançamento. Um filme de exceção, para poucos, que não segue nenhuma regra, principalmente a do politicamente correto, e que mesmo assim ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cannes daquele mesmo ano.

O que fica claro é que felicidade é um artigo raro, e que procurá-la pode ser um exercício penoso. Sem caras conhecidas do público no elenco (Seymour Hoffman foi dentre eles o que conseguiu ter uma carreira mais rentável depois, mas na época ainda vivia no anonimato), o filme preza por excelentes diálogos e se dá bem na mescla entre humor e drama. Certamente um dos melhores que já tive a oportunidade de assistir.