terça-feira, 31 de dezembro de 2013

As 10 maiores decepções cinematográficas de 2013.

Assim como 2013 foi um ano cheio de bons filmes, também foi um ano de muitas decepções. Muitos filmes que eu esperava com ansiedade, se mostraram bem abaixo do que prometia após serem lançados.

O campeão do ano é certamente o novo filme do espanhol Pedro Almodóvar, o tão aguardado Os Amantes Passageiros. O filme é muito ruim, de verdade. E a decepção é maior ainda por ser de Almodóvar, um dos principais diretores de cinema da história. Em seguida tem o brasileiro Colegas, que surpreendentemente venceu o prêmio principal do Festival de Gramado do ano passado, numa tentativa de mostrar jovens com Síndrome de Down em um "road movie" que acabou em fracasso, sendo bastante caricato e imbecil.

Já o restante da lista, vocês conferem logo abaixo.

1. Os Amantes Passageiros - Pedro Almodóvar

A espera pelo novo filme do espanhol Pedro Almodóvar foi tão grande quanto a decepção que ele trouxe ao ser lançado. Tido como um retorno do diretor aos seus filmes dos anos 80, Os Amantes Passageiros acaba sendo uma comédia que não faz rir, e um verdadeiro desastre em termos de direção e roteiro.

2. Colegas - Marcelo Galvão

Principal vencedor do Festival de Cinema de Gramado, Colegas chamou minha atenção e me fez ficar curioso para assistir. No entanto, bastaram poucos minutos para que essa curiosidade se transformasse em decepção. O longa, que mostra um grupo de jovens com Síndrome de Down em uma aventura de carro, é extremamente caricato e imbecil, e na tentativa de homenagear as pessoas "especiais", acaba sendo um tiro n'água.


3. O Grande Gatsby - Baz Luhrmann

O exagero estético de Baz Luhrmann faz com que essa versão do clássico literário de F. Scott Fitzgerald seja rico e exuberante, mas com um enredo extremamente vazio, que não convence. Nem a atuação firme de Leonardo DiCaprio consegue salvar o filme de seruma perda de tempo épica.

4. Kick-Ass 2 - Jeff Wadlow

Não sou um admirador de filmes com super-heróis, mas Kick-Ass me foi uma grata surpresa quando lançado em 2010. Os super-heróis da vida real cativaram um público ávido por histórias originais nos cinemas, e foram um grande sucessona época. Porém, sua sequência foge bastante do espírito do primeiro, e acaba sendo um filme bastante pobre de conteúdo.


5. Amorosa Soledad - Martín Carranza e Victoria Galardi

Surpreende que do excelente cinema argentino tenha saído uma obra tão rasa e sem sal. Inés Efron está um verdadeiro porre no papel de Soledad, uma moça que é abandonada pelo namorada e passa o resto do filme inteiro chorando e irritando quem tá assistindo.


6. Um Estranho no Lago - Alain Guiraudie

Depois de ser escolhido pela revista francesa "Cahiers du Cinéma" como o melhor filme de 2013, Um Estranho no Lago me despertou interesse. No entanto, apesar de ser descrito como um suspense policial, não passa de um pornô gay sem conteúdo. Muitos filmes sobre a temática gay foram lançados em 2013, alguns muito bons, mas esse brincou com nossa inteligência. Apelativo ao extremo, buscou agradar, através do corpo nu dos atores e das cenas de sexo explícito, um público muito específico.


7. Caça aos Gângsteres - Ruben Fleischer

Um ótimo exemplo de que um excelente elenco não faz um filme ser bom sozinho. Mesmo contando com Ryan Gosling, Sean Penn e Emma Thompson, o filme se perde em um enredo mal conduzido e atuações fracas (sim, até mesmo de Sean Penn), na tentativa de fazer um filme de máfia moderno.

8. Anna Karenina - Joe Wright

Nas questões técnicas, como cenários e figurino, o filme é impecável. No entanto, a  nova adaptação do romance de Tolstói não é nem um pouco envolvente, e chega a ser até mesmo difícil de engolir. O tipo de filme que é lindo, porém chato. Em poucas palavras, uma perda de tempo.

9. Universidade Monstros - Dan Scanlon

O filme não é ruim, mas poderia ser bem melhor. Monstros S.A., lançado em 2001, é até hoje uma das melhores animações criadas, mas como o cinema americano parece ter um TOC de lançar sequências desnecessárias, Universidade Monstros acaba deixando muito a desejar em relação ao primeiro. Por esse motivo, a expectativa inicial sobre ele acaba não sendo satisfeita.

10. Faroeste Caboclo - René Sampaio


Eu sempre ouvi a música de Renato Russo imaginando como seria se a história fosse contada nos cinemas. Para minha surpresa, em 2012 foi anunciado o início das gravações de Faroeste Caboclo, com o diretor René Sampaio. Primeiramente, o longa não é ruim. O que me decepcionou, no entanto, foram as escapadas que o enredo deu em relação a música, que deixou de lado principalmente a questão social que Renato Russo trazia.

Crítica: A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)


Quando foi anunciado que o ator Ben Stiller iria se aventurar como diretor, não levei fé nenhuma. Nada contra Stiller, mas seus papéis no cinema geralmente costumam ser bem fracos, e isso foi motivo suficiente pra minha desconfiança. No entanto, a surpresa foi grande quando o filme terminou.


A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty) conta a história de Walter Mitty, vivido pelo próprio Ben Stiller, que trabalha como chefe do departamento de negativos no prédio da revista Life. Depois do anúncio do fechamento da revista, ele fica encarregado de revelar a foto que vai servir de capa da última edição, escolhida pelo fotógrafo Sean O'Connell (Sean Penn).

Após receber o rolo de negativos por telegrama, Walter percebe que está faltando uma foto, justamente a escolhida de O'Connell. Decidido a encontrar, ele parte em uma aventura que o leva para diversas situações inusitadas, e em países como Groenlândia, Islândia, Afeganistão e até mesmo às montanhas do Himalaia.



Pacato e tímido, Walter Mitty é um homem que vive de sonhos. A todo momento ele fantasia alguma situação na sua cabeça, fazendo com que confunda a realidade com as criações da sua mente fértil. Dentro desses devaneios, está Cherryl (Kristen Wiig), uma colega de trabalho por quem Walter se apaixona, mas inicialmente não tem coragem de falar.

Fica explícito em dado momento que Stiller tenta incentivar, a qualquer custo, o sentimento no público de que tudo é possível. Isso acaba ficando um pouco exagerado, principalmente quando frases típicas de "auto-ajuda" surgem nos asfalto, nas paredes, ou em qualquer outro lugar onde Walter esteja passando. Mas nada que atrapalhe o resultado final.



A direção de Stiller se mostra bastante sensível, sem exagerar na carga de humor. Assim como seu personagem, bastante contido e engraçado nos momentos certos. O enredo até pode conter alguns clichês, mas é impossível não se deixar levar. O Stiller diretor se mostra bem mais competente do que o Stiller ator, isso é inegável.

O elenco traz alguns nomes conhecidos, como Sean Penn, Shirley MacLaine e Kristen Wiig, e outros nem tanto como Adam Scott, Kathryn Hahn e Patton Oswalt. O destaque fica por conta da participação de Sean Penn, que em poucos minutos, consegue transpôr para a tela com perfeição seu personagem misterioso, que vive de captar os momentos belos da vida.



Por fim, A Vida Secreta de Walter Mitty é um filme leve e divertido, sobre a persistência de ir atrás daquilo que deseja e o abandono dos sonhos em busca das suas realizações. Talvez o sentido da vida esteja aí mesmo, na tentativa de enxergar o mundo por detrás dos muros.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Crítica: Álbum de Família (2013)


Adaptação da peça homônima do escritor Tracy Letts (responsável também pela peça Killer Joe, que chegou aos cinemas no início desse ano), o drama dirigido por John Wells trata do conflito entre duas gerações distintas, oriundas de uma família desestruturada, principalmente após a perda de sua figura patriarcal.


Logo na primeira cena, nos deparamos com uma Meryl Streep irreconhecível no papel de Violet Weston. Viciada em remédios antidepressivos, e sofrendo de um raro câncer na boca, ela vive junto com seu marido Beverly (Sam Shepard) numa casa isolada do interior dos Estados Unidos. Na cena, Beverly está entrevistando Johnna (Misty Upham) para que ela trabalhe na casa como empegada, e Violet aparece dopada falando absolutamente nada com nada.

"A Vida é Longa", são os dizeres do poeta T. S. Eliot que aparecem no começo do filme. E longo talvez tenha sido o tempo que Beverly conseguiu aguentar viver junto de Violet. Ela não está mais no seu juízo perfeito, e ele parece ter aguentado mais do qualquer um de nós aguentaria. Isso explica a atitude que ele acaba tomando: sumir de casa.


Preocupada com o sumiço repentino do pai, Ivy (Julianne Niocholson), a única filha que ainda mora junto com eles, resolve ligar para sua irmã Barbara (Julia Roberts), para que a mesma venha ajudar a encontrá-lo. Contando com a ajuda da polícia, o corpo de Beverly logo é encontrado, dando fim ao mistério do seu desaparecimento. A causa é detectada como sendo afogamento, mas no fundo, todos sabem que foi suicídio.

Durante o velório, todo o restante da família acaba se juntando, inclusive a outra irmã, Karen (Juliette Lewis), que chega acompanhada do espalhafatoso noivo Steve (Dermot Mulroney).  Na mesma noite, todos se reúnem na residência de Violet para um jantar, e a longa cena é sem dúvidas a mais marcante de todo o filme. O clima, que já não era ameno desde o início, fica ainda pior quando segredos e ressentimentos ganham espaço em encaloradas discussões, onde cada personagem tem seu próprio momento.


Não há como negar que o filme, mais uma vez, é de Meryl Streep. Todas as atuações foram excelentes, mas Streep realmente não é desse mundo. Não tenho dúvidas de que em março ela estará levantando mais uma estatueta de melhor atriz no Óscar. Porém, outros nomes do elenco também merecem elogios, como Julia Roberts, Ewan McGregor, Juliette Lewis, Julianne Nicholson, Margo Martindale,  Chris Cooper, entre outros.

Por fim, Álbum de Família fecha o ano de 2013 com chave de ouro, e é um forte concorrente para a disputa do próximo Óscar. Uma "lavação de roupa suja" de alta qualidade, que acaba criando uma identificação com o público. Afinal, toda família possui segredos, e todos possuem um passado.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Recomendação de Filme #49

Tempo de Despertar (Penny Marshall) - 1990



Qual deve ser a sensação de alguém que acorda de um estado vegetativo, depois de anos? A sensação de ver que tudo em volta mudou? Não saber a idade que tem, se seus parentes estão vivos, ou sequer onde está? Essas são algumas das indagações que devemos fazer antes de assistir Tempo de Despertar (Awakenings), filme do diretor  Penny Marshall, baseado no livro de Oliver Sacks.


Na trama, Malcolm Sayer (Robin Williams) é um neurologista sem experiência, que acaba de ser contratado por um hospital psiquiátrico. Chegando ao local, ele se depara com vários pacientes em estado catatônico, sem nenhuma esperança de um dia voltarem a acordar. Sayer passa aa acreditar que eles estão apenas "adormecidos", e que talvez o remédio certo pudesse ajudar.
Decidido a investigar a possível cura para a doença, após várias pesquisas, ele resolve testar uma nova droga para o Mal de Parkinson nos pacientes, a L-DOPA. O diretor da instituição o autoriza, com a condição de que ele teste em apenas um paciente primeiramente. Sayer escolhe então Leonard Lowe (Robert de Niro), um homem que está em estado vegetativo desde criança.
Apesar da falta de credibilidade dos outros funcionários do local, que o criticam e o ridicularizam, Sayer nunca perde a esperança de que tudo dê certo, e no fim, realmente dá. Leonard aos poucos vai acordando e recuperando os sentidos, para alegria do médico e surpresa geral. Acreditando que o resultado também será eficaz em outros pacientes, ele resolve implementar o mesmo tratamento em todos.
No entanto, depois de um tempo, Leonard passa a ter alguns efeitos colaterais preocupantes. Sayer se vê então obrigado a pesquisar qual seria a dose ideal do remédio para que se pudesse obter a cura permanente, mas quando vê, já é tarde demais.
Sayer não é um médico como os outros. Sua relação com os pacientes vai muito além do profissional, e a amizade que ele cria com Leonard enquanto esse está acordado é realmente cativante. O resultado final do tratamento não foi como o esperado, mas Sayer ainda assim se sentiu satisfeito, por ter dado pelo menos alguns dias de vida para aqueles que não tinham sequer visto a luz do sol.
Robin Williams e Robert de Niro estão impecáveis em seus papéis. Williams guardou no bolso sua veia humorística, e faz aqui um papel dramático bastante firme, mostrando todo o seu talento. Já De Niro, conhecido por sua versatilidade e seu perfeccionismo na criação dos personagens, interpreta com maestria e veracidade o paciente, com seus tiques e seus modos de falar e agir, que ele pesquisou durante meses para tentar fazer igual. Realmente um monstro, em uma das suas melhores atuações da carreira.
Indicado a três Óscars, Tempo de Despertar é sem dúvida um dos melhores dramas já feitos sobre enfermidades. Um bom roteiro, sem cenas desnecessárias e longas, onde tudo corre e você nem vê o tempo passar. Um filme interessantíssimo, baseado em uma história real, e que mexe até com os corações mais duros e impenetráveis.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Crítica: O Hobbit - A Desolação de Smaug (2013)


Depois de lançar a trilogia de maior sucesso da história do cinema, O Senhor dos Anéis, Peter Jackson virou alvo de desconfianças ao anunciar a adaptação de outra obra de J. R. R. Tolkien para os cinemas, O Hobbit, sobretudo por ter aceitado o desafio de contar a estória de um único livro em três filmes diferentes. 

O primeiro filme, apesar de ter sido um sucesso de bilheteria, foi bastante depreciado pelos críticos, e a prova disso foi a ausência escancarada do longa nas grandes premiações mundo a fora. Nessa segunda parte, Bilbo (Martin Freeman) e os 13 anões estão de volta, e seguem sua jornada em busca da montanha onde habita Smaug, o perigoso dragão que dorme sobre toneladas de tesouro roubadas do reino antigo dos anões.


Assim como aconteceu em O Senhor dos Anéis, O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: Desolation of Smaug) começa colocando alguns pontos nos is. Na primeira cena, que se passa cronologicamente antes do primeiro filme, Gandalf (Ian McKellen) e Thorin (Richard Armitage) se encontram na taberna Pônei Saltitante, onde a conversa entre os dois explica de onde surgiu a decisão de unir os anões para ir em busca do tesouro guardado pelo dragão.

A partir de então, voltamos ao ponto de onde o primeiro filme parou. Pelo menos três cenas marcantes do livro estão presentes nessa segunda parte, e talvez por isso tenha sido, para mim, superior ao primeiro. A primeira é a cena onde os anões e Bilbo entram na Floresta Negra, e logo se deparam com aranhas gigantes. Por sinal, as cenas na floresta são as mais angustiantes da trama, e se prolongam por um bom tempo, nos deixando extasiados.


Eles conseguem escapar das aranhas com a ajuda inesperada dos elfos da região, mas esses mesmos elfos acabam prendendo-os logo depois. Vem então a segunda cena marcante quando, com a ajuda de Bilbo, os anões conseguem fugir do local onde estavam presos descendo rio abaixo dentro de barris. Lembro muito bem dessa parte durante a leitura do livro, e confesso que achei meio forçado vendo no cinema. Mas sobre isso, falarei mais para a frente.

Contando então com a ajuda de Bard (Luke Evans), eles finalmente chegam à cidade de Esgaroth, onde são acolhidos e se recuperam para partir rumo a montanha. Após conseguirem resolver um enigma e entrar no "habitat" de Smaug, Bilbo fica encarregado de ir ao encontro do dragão e capturar sozinho a Pedar Arken, joia preciosíssima que os anões tanto desejam. Porém, depois que Smaug acorda, ele tem que fazer de tudo para se livrar do perigo e se reunir novamente com os anões.



A mesma coisa que me incomodou no primeiro filme, voltou a me incomodar nesse. Os efeitos visuais são extremamente exagerados, e em algumas cenas até mesmo inverossímeis. Mesmo que os cenários sejam belos e os figurinos impecáveis, a forçada de barra é evidente, principalmente nos momentos finais, onde Bilbo e os anões fogem de Smaug. É triste perceber que a computação gráfica se tornou mais importante do que o trabalho manual.

Outro ponto que acaba deixando a desejar, é o fato de Jackson colocar cenas que não existem no livro, numa tentativa de preencher alguma lacuna existente. O número de personagens, que no livro já é grande mas ainda é aceitável, acaba ficando exagerado com a inserção de novas criações do próprio diretor, que tomou a liberdade de mudar algumas coisas do roteiro original.



Por fim, confesso que não me sinto nem um pouco ansioso para assistir o terceiro filme da saga, como estava para assistir o primeiro. Não vou exagerar em dizer que Jackson estragou a estória do livro, porque de fato o filme tem seus bons momentos. Mas com certeza poderia ter sido bem melhor.