quinta-feira, 3 de abril de 2014

As 7 melhores atuações de Marlon Brando.

Nascido em 3 de abril de 1924, na cidade de Los Angeles, Marlon Brando estaria completando 90 anos de idade nessa quinta-feira. Sempre presente na lista dos atores mais memoráveis do cinema, Brando começou a fazer seu nome ainda no teatro, até estourar de vez nas telonas em 1951.

Brando teve uma infância bastante tumultuada. Além da separação dos pais ainda cedo, o que fez ele ter que morar com a mãe ausente e viciada em bebidas alcoólicas, Brando foi expulso da escola, e foi enviado para uma escola militar em Minnesota. Foi lá que as coisas começaram a mudar, quando ele se sobressaiu nas aulas de teatro. Porém, ao tentar fugir do confinamento, ele acabou novamente sendo expulso, desistindo de vez dos estudos.

Na carreira, passou a chamar atenção na peça Um Bonde Chamado Desejo, que contava a história de um veterano de guerra angustiado por estar preso em uma cadeira de rodas. Do teatro para o cinema foi um pulo, e ele virou um símbolo sexual ao participar de Uma Rua Chamada Pecado, onde dava vida a um marido desocupado, beberrão e inconsequente.

Em 1953, se tornaria referência da juventude ao interpretar Johnny Stabler, um delinquente juvenil, líder de uma gangue de motoqueiros, no sucesso O Selvagem. O personagem marcou uma geração de artistas, entre eles Elvis Presley e James Dean. Em 1955 ganhou seu primeiro Óscar por Sindicato de Ladrões, e logo após fez alguns filmes polêmicos como Caçada Humana e Queimada!, o último sobre a dizimação dos colonizadores contra o povo indígena. Brando, por sinal, viraria um forte ativista dos Direitos Civis e do Direito dos indígenas, que o fez recusar o Óscar de 1973.

Apesar do sucesso anterior, o auge de sua carreira foi mesmo na década de 70, com a trilogia O Poderoso Chefão e Último Tango em Paris. Nos anos 80, ele passou a viver recluso em sua própria ilha na Polinésia Francesa, e retornava esporadicamente ao cinema com papéis pequenos, exclusivamente para sanar problemas financeiros.

Em sua homenagem, o blog traz uma lista com as 5 melhores atuações do ator em cena. Confira e comente.


1. O Poderoso Chefão: Parte I (1972)

Pode até ser clichê, mas é impossível falar de Marlon Brando e não lembrar primeiramente de sua atuação como Don Vito Corleone. O patriarca da família Corleone foi um dos responsáveis pelo filme ter adquirido tantos fãs ao longo dos anos, com suas frases marcantes e cenas emblemáticas. Brando recebeu o Óscar de melhor ator, mas rejeitou em protesto contra a caracterização do povo indígena nos filmes de Hollywood.

2. Último Tango em Paris (1972)

Ao lado de Maria Schineider, Brando protagonizou algumas das cenas mais lembradas do cinema. Dirigido por Bernardo Bertolucci, o filme mostra um homem que acabou de perder a mulher e está procurando um apartamento para morar. Chegando no local, encontra uma mulher que também está procurando um lugar para morar, e após um tempo, ambos iniciam uma tórrida relação baseada apenas em sexo, onde eles não buscam saber nem o nome um do outro.

3. Uma Rua Chamada Pecado (1951)

Uma mulher frágil e neurótica (Vivien Leigh) vai visitar sua irmã grávida (Kim Hunter), que mora em Nova Iorque, após ser expulsa da sua cidade natal acusada de assediar um jovem de 17 anos. Sua presença na casa acaba trazendo mudanças tanto para sua irmã quanto para seu cunhado, Stanley Kowalski (Brando). O ator já havia vivido o personagem na Broadway, e essa que foi sua primeira participação de sucesso no cinema. Ele logo chamou a atenção de todos, principalmente das mulheres, e virou o grande símbolo sexual da época.

4. O Selvagem (1953)

Johnny (Brando) é o líder de uma gangue de motociclistas que invadem uma cidade pequena durante uma corrida de motos. Porém, são obrigados a deixar o local por pressão da polícia, partindo para outra cidade, onde arranjam confusão com uma gangue rival. A atuação de Brando é marcante, e junto com Élvis Presley e James Dean, marcou aquela geração.

5. Vidas em Fuga (1959)


Baseado em uma peça de Tennessee Williams, o filme mostra Valentine Xavier (Brando), um andarilho que acaba aceitando o emprego de balconista em uma loja. Seu comportamento silencioso atrai uma garota local, mas também a exótica esposa do gerente da loja, criando um explosivo triângulo amoroso que abala toda a cidade.

6. Sindicato de Ladrões (1954)

No filme, Marlon Brando é um ex-boxeador de sucesso, mas que sem o prestígio que tinha antes, acaba indo trabalhar numa zona portuária. Quando um trabalhador morre, Terry se sente culpado e começa a tentar consertar suas ações passadas lutando diretamente contra o sindicato, o que traz algumas consequências. A atuação de Brando é excepcional, e sempre lembrada entre as mais marcantes daquele período.

7. A Face Oculta (1981)

Primeira e única incursão de Brando como ator e diretor, A Face Oculta é um faroeste de primeira. Após fugir de um roubo a banco no México, um dos assaltantes (Karl Malden) vê a chance de ficar como todo o dinheiro ao deixar Rio (Brando), seu cúmplice, para ser capturado. Após alguns anos, Rio escapa da prisão e caça o ex-amigo para se vingar, descobrindo que o mesmo se tornou um poderoso xerife.

Estreias da Semana (03/04 a 09/04)


O grande destaque dessa primeira semana de abril é a superprodução Noé (Noah), do consagrado e controverso diretor Darren Aronofsky. Baseado na história bíblica da arca de Noé, o filme deve acompanhar toda a narrativa descrita no livro mas com algumas mudanças, abusando dos efeitos visuais que prometem transforma-lo em uma grande experiência cinematográfica.

O espanhol Toque de Mestre (Grand Piano), protagonizado por Elijah Wood, e o israelense Belém - Zona de Conflito (Bethlehem) também são boas opções, além de Planeta Solitário (The Loneliest Planet) com Gael García Bernal. Confira a ficha completa de cada um deles abaixo.

Noé

Baseado na história bíblica, o filme conta a história de Noé (Russell Crowe), que vive com sua esposa Naameh (Jennifer Connoly) e seus filhos em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem de Deus, dizendo que ele deve encontrar Matusalém (Anthony Hopkins), e dele recebe a tarefa de construir uma arca imensa, onde abrigará todos os animais do planeta durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra.

Noah, Estados Unidos, 2013.
Direção: Darren Aronofsky
Duração: 138 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura / Épico
Assista o trailer aqui.


Toque de Mestre

Antes da apresentação que marca seu retorno, um pianista descobre um bilhete assustador em suas partituras. A ameça afirma que ele terá que fazer o melhor concerto da sua vida, sem um único erro, se quiser salvar a si mesmo e também sua esposa.

Grand Piano, Espanha, 2013.
Direção: Eugenio Mira
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense
Assista o trailer aqui.


Planeta Solitário

Alex (Gael García Bernal) e Nica (Hani Furstenberg) formam um casal apaixonado. Um pouco antes do tão planejado casamento, eles resolvem viajar pelas montanhas com a ajuda de um guia. Porém, eles se envolvem um acidente violento junto com três moradores locais, e as poucos, a relação entre eles vai se transformando.

The Loneliest Planet, Alemanha/Estados Unidos, 2013.
Direção: Julia Loktev
Duração: 113 minutos
Classificação: 14 anos
Suspense
Assista o trailer aqui.


Belém - Zona de Conflito

Sanfur (Shhadi Maryee) é o filho mais novo de um militante palestino, recrutado aos 15 anos por um oficial do serviço israelense para trabalhar como informante. A partir de então, o jovem passa a viver uma vida dupla, conciliando as obrigações com a família e seu trabalho.

Bethlehem, Alemanha/Bélgica/Israel, 2013.
Direção: Yuval Adler
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Suspense
Assista o trailer aqui.

segunda-feira, 31 de março de 2014

5 bons filmes sobre a Ditadura Militar no Brasil

Nesse dia 31 de março de 2014, completa-se 50 anos do golpe militar que mudou o cenário do país e perdurou por duas décadas. Repressão, medo, e falta de liberdade individual marcaram esse período negro na história do Brasil, que a maioria esmagadora da população não deseja reviver nunca mais.

Assim como acontece em todos os países que tiveram alguma espécie de ditadura, o cinema brasileiro também aborda insistentemente o assunto, tentando de alguma forma mostrar o horror que era viver na época, onde você era taxado de criminoso apenas por ser contrário a qualquer medida tomada pelo governo. Em lembrança à data, criei uma lista com 5 bons filmes que retratam o período. Confira abaixo e comente.

1. Pra Frente Brasil (1982)

Em 1970, enquanto o povo vibrava com a seleção brasileira na copa do mundo do México, a repressão comia solta por aqui. Nesse ínterim, um homem pacato de classe média (Reginaldo Faria) acaba sendo confundido com um ativista político, sendo capturado e torturado na prisão, enquanto sua família procura por notícias. O filme, que retrata o auge da repressão, foi lançado em 1983 quando a ditadura ainda estava em vigor, mas os protestos nas ruas já se faziam numerosos.

2. O Que É Isso Companheiro? (1997)

Em 1969, o grupo terrorista MR-8 elaborou um plano para sequestrar o embaixador americano Charles Burkie Elbrick (Alan Arkin), com a intenção de trocá-lo por presos políticos, que eram torturados nos porões da ditadura. Baseado no livro de Fernando Gabeira, o filme de Bruno Barreto concorreu ao Óscar de melhor filme estrangeiro em 1998.

3. Batismo de Sangue (2007)

No final dos anos 60, um convento de frades tornou-se um local de resistência contra a ditadura. Movidos pelos ideais cristãos, cinco freis passaram a apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertária Nacional, comandada por Carlos Marighella. Isso fez com que ficassem na mira das autoridades, que os prenderam e os torturaram em busca de informações, acusando-os de traidores da pátria.

4. Zuzu Angel (2006)

A estilista Zuleika Angel Jones (Patrícia Pillar) ganhou projeção internacional ao travar uma árdua batalha contra as autoridades nos anos 70, em busca do filho Stuart Angel Jones (Daniel de Oliveira), um ativista político que participava de movimentos estudantis e acabou sendo torturado e morto. O filme é um excelente registro da época, e mostra apenas uma das tantas história parecidas que ainda hoje trazem cicatrizes.

5. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006)

Um casal de militantes deixa o filho pequeno com o avô, para se esconderem da repressão. No entanto, eles dizem para o garoto que estão tirando umas férias, e prometem retornar até o fim da copa do mundo de 1970. Nesse tempo, porém, o avô acaba morrendo, e o garoto passa a ser cuidado por um judeu, vizinho do avô. Ele divide então seu tempo entre o medo do que vê em volta e a alegria de vibrar com a seleção de Pelé e cia.

domingo, 30 de março de 2014

Recomendação de Filme #52

O Piano (Jane Campion) - 1993


A diretora neo-zelandesa Jane Campion marcou seu nome na história do cinema em 1993, ao ser a primeira mulher a levar para casa a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No ano seguinte ela ainda conquistaria o Óscar de melhor roteiro original, e só perderia o de melhor direção para Steven Spielberg, com seu A Lista de Schindler. A causa de tudo isso? O filme O Piano (The Piano), considerado um dos melhores filmes já feitos fora do solo americano.



Roteiros dramáticos estão fadados a ser apelativos. No entanto, quando o roteiro é bem construído, e as escolhas dos atores é feita a dedo, podemos ter um resultado surpreendentemente bom, com uma história crível e emocionante, como o visto nesse caso.

A trama gira em torno de Ada (Holly Hunter), uma mulher que é obrigada a se mudar junto com sua filha pequena para um vilarejo isolado na Nova Zelândia, após ter seu casamento arranjado pela família, que devia algo ao noivo. Sem falar desde os 6 anos, ela não tem muito o que fazer, e vai para o lugar com a missão de tentar se adaptar à situação.



Porém, logo na chegada, o marido Stewart (Sam Neill) não aceita que seus homens levem para casa o piano de Ada, que acaba abandonado no meio do nada. Apaixonada pelo instrumento, que serviu a vida toda como válvula de escape para os infortúnios da vida, Ada acaba desenvolvendo antipatia pelo marido após sua atitude.

Nesse ínterim, o comerciante local George (Harvey Keitel) resolve comprar o piano, instalando-o em sua própria casa. Interessado pela bela jovem, George pede a Stewart que ele a libere para lhe dar aulas de piano, e o que inicialmente era para ser uma relação de aluno e mestre, acaba se tornando uma relação de domínio e desejo.



Ada é chantageada por George, que promete devolver seu instrumento em troca de favores sexuais. No entanto, passados alguns dias, um sentimento verdadeiro passa a surgir entre eles. Mesmo temerosa quanto ao "pecado" que está cometendo, Ada se entrega de corpo e alma, da forma como nunca tinha tido oportunidade na vida.

Quando o marido descobre que as sessões de piano viraram na verdade encontros eróticos, acaba ficando enfurecido, e toma uma atitude extremamente violenta contra a jovem. Passado o surto, e recobrada a consciência, ele percebe que Ada nunca foi verdadeiramente sua, e numa atitude humana (ao contrário da anterior), ele deixa ela ir embora com George.



O final é dramático, quase um soco no estômago. A narrativa é primorosa, e a sofisticação visual encanta. Algumas imagens do filme ficarão marcadas para sempre na memória, como a cena em que George acaricia as pernas de Ada por um buraco em sua meia. Simples e lírico, o filme chama a atenção também pela excelência das atuações. A contradição que nos faz amar e odiar um personagem em poucos minutos, cria uma teia de emoções como poucas vezes vista, mostrando o quão mutável é a natureza humana e seus sentimentos.

Como era de se esperar em um filme que tem um piano como "personagem", a trilha sonora é fantástica. As melodias, quase todas tocadas no piano em cena, dão um toque especial. Impossível não se apaixonar e, até mesmo, se identificar com o filme. Um dos mais belos trabalhos feitos para o cinema, feito pelas mãos de quem conhece do assunto.


sábado, 29 de março de 2014

Crítica: Os Filhos do Padre (2014)


Qual a melhor forma de criticar dogmas e abordar temas polêmicos de forma leve e despretensiosa? O uso do bom humor é um excelente caminho. Com um roteiro original, Os Filhos do Padre (Svecenikova Djeca) chama a atenção para o cinema croata, pouco conhecido do público em geral.



A história do longa se passa na Dalmácia, uma bela região da Croácia, banhada pelo mar Adriático. O padre Fabijan (Kresimir Mikic) acaba de sair de um seminário para substituir o pároco local, e logo na sua primeira ação, ouve a confissão de um fiel que se sente culpado por vender preservativos para os moradores locais em sua banca. Segundo o homem, ele está sendo hostilizado pela mulher que afirma que ele está "matando pessoas antes mesmo delas viverem", para eles um pecado monstruoso.

Enquanto a natalidade da cidade chega a quase zero após começarem a ser comercializadas as camisinhas, o número de óbitos continua estável, tendo uma diminuição significante no número de habitantes. Preocupado com a situação, o padre resolve tomar uma atitude desesperada: furar todas os preservativos antes mesmo deles irem à venda, para que as crianças voltem a nascer e a população volte a crescer.



O tom de comédia é muito bem aplicado, com algumas cenas emblemáticas. Fica evidente que a intenção do diretor e roteirista Vinko Bresan era criticar algumas visões ultrapassadas da igreja por meio do bom humor, abordando temas polêmicos de forma leve e engraçada. Impossível conferir o longa sem lembrar do largo debate em torno do uso das camisinhas pela comunidade católica.

Indo contra as estatísticas do restante do país, a ilha alcança uma taxa de natalidade expressiva depois das medidas do padre. O fato acaba dando fama ao local, atraindo milhares de turistas que desejam ter filhos e veem na cidade a grande chance. Aos poucos, porém, a atitude de Fabijan vai sendo descoberta, trazendo uma série de mal entendidos e consequências inesperadas.



A narrativa é, por vezes, sonolenta, ainda que esteja longe de ser um filme ruim. A parte mais interessante é certamente o diálogo entre os párocos, e a crítica acerca de suas atitudes. Como por exemplo a cena em que o bispo do país chega na ilha, a bordo de uma lancha milionária (seria uma crítica ao bispo alemão Franz-Peter Tebartz-van Elst?), e Fabijan o compara a um mafioso.

Sobre as atuações, elas são simples mas não deixam a desejar. É um filme diferente, fora do comum, e você tem que entender isso logo de cara para poder gostar. A imprensa croata exagerou ao dizer que é o melhor filme deles em anos (e talvez seja, já que pouco se conhece de lá), mas é um bom filme para assistir e dar algumas risadas.