quarta-feira, 14 de maio de 2014

Estreias da Semana (15/05 a 21/05)

O monstro Godzilla está de volta aos cinemas, após 16 anos do estrondoso sucesso de Roland Emmerich lançado em 1998. Dessa vez, o filme dirigido por Gareth Edwards e liderado pelo ator Bryan Heinsenberg Cranston pretende trazer a história do gigante de forma mais séria e com maior preocupação aos desastres naturais, diferente do original de 1954 que trazia uma preocupação maior em relação ao "holocausto nuclear" que colocava medo na população da época.

Outro destaque americano fica por conta de Sob a Pele (Under the Skin), ficção científica dirigida por Jonathan Glazer. No enredo, a bela Scarlett Johansson dá vida a uma alienígena que está na Terra em busca de presas humanas, mas que acaba descobrindo ter muito mais humanidade do que pensava.

Por fim, destaco também a estreia de Praia do Futuro, novo filme do diretor Karim Ainouz. Protagonizado por Wagner Moura, o longa se passa na praia homônima do Ceará, e aborda um caso entre o salva-vidas do local e um turista alemão. Os demais vocês conferem na lista abaixo.

Godzilla

Joe Brody (Bryan Cranston) criou o filho sozinho após a morte da esposa (Juliette Binoche) em um acidente na usina nuclear onde ambos trabalhavam, no Japão. Ele nunca aceitou a tragédia, e 15 anos depois continua remoendo o acontecimento, tentando encontrar uma explicação. Agora, seu filho já adulto é soldado do exército americano, e precisa lutar para salvar a população mundial do gigantesco e assustador Godzilla.

Godzilla, Estados Unidos, 2014.
Direção: Gareth Edwards
Duração: 123 minutos
Classificação: 12 anos
Ação / Aventura / Ficção Científica

Sob a Pele

Uma alienígena (Scarlett Johansson) chega à Terra e começa a percorrer estradas desertas e paisagens vazias em busca de presas humanas, usando como arma principal a sua sexualidade voraz. No entanto, ao longo do processo, ela descobre uma inesperada porção de humanidade em si mesma.

Under the Skin, Estados Unidos, 2013.
Direção: Jonathan Glazer
Duração: 107 minutos
Classificação: 12 anos
Ficção Científica / Suspense

A Recompensa

Após passar 12 anos na prisão, o famoso arrombador de cofres Dom Heminghway (Jude Law) volta para as ruas de Londres em busca de sua recompensa por ter ficado de boca fechada durante todo esse tempo, indo visitar o chefe do crime local, Fontaine (Demian BIchir).

Dom Heminghway, Reino Unido, 2014.
Direção: Richard Shepard
Duração: 94 minutos
Classificação: 16 anos
Comédia / Policial

Praia do Futuro

Donato (Wagner Moura) trabalha como salva-vidas da Praia do Futuro, no Ceará. Sua vida muda completamente quando ele acaba salvando Konrad (Clemens Schick), um alemão que estava se afogando, e que o leva para viver na Alemanha. Ayrton (Jesuita Barbosa) tinha grande admiração pelo irmão, e querendo reencontrá-lo, parte em sua busca pela fria Berlim.

Praia do Futuro, Brasil, 2014.
Direção: Karim Ainouz
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Do Lado de Fora

Rodrigo (Mauricio Evanns) e Mauro (Luis Vaz) são dois adolescentes gays, que decidem ir pela primeira vez na Parada LGBT de São Paulo. Apesar da diversão, durante o evento eles acabam presenciando uma agressão homofóbica, e ao socorrerem a vítima, descobrem que é um homem casado cuja esposa esta grávida. Juntos, eles decidem fazer um pacto para "saírem do armário" em menos de um ano.

Do Lado de Fora, Brasil, 2014.
Direção: Alexandre Carvalho
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama

Gata Velha Ainda Mia

Glória Polk (Regina Duarte) é uma escritora decadente, que resolveu voltar a escrever um livro de ficção após 17 anos. Um dia, ela resolve abrir sua casa para Carol (Barbara Paz), uma jornalista que mora em seu prédio, e é casada com seu antigo sogro. Empolgada com a oportunidade, Carol se dá conta de que Glória possui uma personalidade misteriosa, e começa a descobrir segredos obscuros no transcrever dos dias.

Gata Velha Ainda Mia, Brasil, 2014.
Direção: Rafael Primot
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Suspense

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Crítica: O Enigma Chinês (2014)


Será que a vida é mesmo complicada, ou nós é que a complicamos? Essa é uma questão que me surgiu durante os créditos finais de O Enigma Chinês, novo filme do diretor Cédric Klapish (O Albergue Espanhol / Bonecas Russas). E talvez tenha sido justamente essa a sua intenção: nos fazer questionar sobre a inconstância da vida e mostrar que isso nunca pode virar motivo para desespero.



O escritor Xavier Rousseau (Romain Duris) é um verdadeiro descontente com a vida que leva. Aos 40 anos de idade, ele acaba de romper um casamento de 10 anos com Wendy (Kelly Reilly), onde teve dois filhos e uma vida aparentemente feliz. Para piorar, Wendy está se mudando para os Estados Unidos onde conheceu outro homem, e quer levar junto as crianças.

No mesmo dia em que Xavier está lançando um livro de sucesso, Wendy parte com os filhos para o novo país, deixando o mesmo completamente desolado. Como alternativa, ele também decide partir para a América na tentativa de ganhar a vida por lá e principalmente poder conseguir acompanhar mais de perto o crescimento dos pequenos.



Ele acaba sendo acolhido pela amiga Isabelle (Cécile de France), uma lésbica que mora com sua namorada Ju (Sandrine Holt). Enquanto passa a cuidar dos filhos em finais de semanas, Xavier luta para conseguir alugar um apartamento na metrópole americana, mas a dificuldade aparece quando seu advogado informa que ele precisa urgentemente casar com uma americana para poder seguir morando no país.

Após algumas confusões, que incluem um complicado reencontro com o pai e um atropelamento dentro de um táxi (entre outras coisas malucas que parecem só acontecer com o personagem), ele acaba conhecendo uma família de descendentes chineses e inventando um casamento com a filha deles. Nesse ínterim, ainda surge na história Martine (Audrey Tautou), uma solteirona que era uma grande amiga de Xavier na França e que passa a dividir apartamento com ele.



O filme possui um humor diferenciado. Uma das cenas mais curiosas e engraçadas é quando Xavier, em meio a devaneios, começa a "conversar" com os filósofos alemães Shoppenhauer e Hegel, buscando em suas palavras o alívio para cada situação. Essa constante busca do personagem pela resolução de seus problemas nos faz pensar em quanto tempo de nossas vidas perdemos apenas resolvendo coisas, ao invés de viver a vida da forma mais plena.

O elenco é muito bom, e cada personagem tem sua particularidade bem trabalhada. Roman Duris, que já trabalhou em diversas produções do diretor, tem uma excelente participação, assim como a experiente Audrey Tautou. Dos menos conhecidos, quem chama a atenção é Cécile de France, a melhor amiga de Xavier.

A técnica é a mesma utilizada nos outros dois filmes de sucesso de Klapish, O Albergue Espanhol e Bonecas Russas, onde os fatos acontecem de forma natural, criando uma aproximação maior com quem assiste. O único ponto negativo é o ritmo, que no começo me prendeu mas à medida em que foi se aproximando do final, acabou deixando um pouco a desejar.


Apesar de trazer diversas discussões sobre a vida, ele não é um filme pretensioso, e muito menos existencialista. É um filme leve, do tipo que não vai mudar nada na sua vida, mas quem disse que o cinema não é feito de filmes assim? Com certeza vale a pena dar uma chance e assistir mais essa pérola do cinema francês.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Crítica: Mel (2014)


Mel (Miele) acompanha a vida de Irene (Jasmine Trinca), uma italiana que vive sozinha em uma casa na beira da praia. A jovem aparentemente leva uma vida como qualquer outra pessoa da sua idade, namorando, frequentando festas e viajando. Porém, não demora muito para percebemos que por trás do rosto de Irene existe algo misterioso, e que essas viagens que ela faz não são por puro lazer.



Irene viaja periodicamente ao México para comprar um remédio veterinário específico que é proibido na Europa. Quando nos perguntamos o motivo disso, ele logo vem à tona: os medicamentos são utilizados para seu trabalho paralelo de acabar com o sofrimento de pessoas diagnosticadas com doenças terminais, ajudando-as a dar um fim em suas próprias vidas.

O tema da eutanásia já foi mostrado diversas vezes no cinema, mas nunca deixa de ser polêmico, e cada vez que o assunto é abordado novas visões sobre o tema surgem, dando mais pano para discussões. Irene, que na verdade usa o nome profissional de Miele (Mel em português), nunca teve experiência médica e faz isso apenas como uma forma voluntária (ainda que receba dinheiro por isso) para ajudar as pessoas que não enxergam mais sentido em estarem vivos.



O grande problema surge quando ela acaba tendo que lidar com um novo cliente chamado Grimaldi (Carlo Cecchi). Ele está descontente com a vida e quer dar um fim a ela, mas não tem nenhuma doença palpável a apresentar. Sua doença na verdade é a depressão, e somente isso. 

Mesmo não sendo eticamente correto o que faz, ela tem uma regra: não fazer em qualquer pessoa apenas porque ela quer, mas somente quando ela realmente tiver uma doença séria. Então logo surge a dúvida: se para a medicina a depressão pode ser vista como uma doença igual às outras, porque Grimaldi não teria direito de dar fim à própria vida?



Para Miele, todos os que já passaram pelas suas mãos queriam viver, e só pediram sua ajuda porque, do jeito que estavam, a vida lhes era impossível. E por isso mesmo, é inadmissível para ela que uma pessoa que goze de boa saúde queira morrer. Após boas discussões, ela e Grimaldi criam uma relação de amizade, que aos poucos vai fazendo com que ela decida abandonar o ramo de vez.

A personagem forte ganha forma na boa atuação de Jasmine. O roteiro é bem original, mas deixa algumas coisas inexplicadas. A relação que Miele tem com o namorado (que aparentemente tem outra mulher) e com o pai não são muito bem explicadas, assim como o que ela faz da vida fora da rotina mostrada. Fora isso, o filme cumpre aquilo que promete, e o resultado visto em cena é bem interessante.


Crítica: A Imagem que Falta (2014)


Basta apenas alguns segundos para perceber que A Imagem Que Falta (L'Image Manquante) é uma experiência única no mundo do cinema e que você dificilmente verá algo igual em anos. Muito elogiado em diversos festivais pelo mundo, e finalista ao Óscar de melhor filme estrangeiro em 2014 (primeiro filme Cambojano a ir tão longe), o documentário auto-biográfico do diretor Rithy Panh já pode ser considerado uma obra-prima do gênero.



Entre 1975 e 1979, o Camboja viveu um período de trevas na sua história sob o comando do Khmer Vermelho. O grupo, liderado por Pol Pot, instaurou no país um comunismo extremo, que mudou a vida de grande parcela da população. Todos os habitantes perderam sua liberdade individual e até mesmo seu nome, sendo obrigados a se reciclar com a ideologia imposta. Qualquer manifestação cultural ou qualquer um um que tivesse ideias diferentes era torturado e morto com requintes de crueldade, no que resultou em um dos maiores massacres do século XX, onde um terço da população local foi dizimada.

Famílias foram separadas e transportadas em trens para trabalharem como verdadeiros escravos em lavouras de arroz, onde passaram fome e foram obrigadas a viver uma vida abaixo da miséria. Tudo isso em nome de um ideal de igualdade que acabou virando um ideal de ódio. Entre essas famílias destroçadas estava a do diretor Rithy Panh, que agora cinquentenário resolveu contar tudo que presenciou.



O mais interessante de tudo, e o que realmente faz o filme ser diferenciado, é que todas as atrocidades cometidas são mostradas através do uso de bonecos de argila, esculpidos com uma riqueza de detalhes impressionante. Enquanto assistia, só conseguia pensar no árduo trabalho de produção, onde mais de mil bonecos foram utilizados, cada um com uma expressão diferente no rosto, criando uma identidade visual impecável. Além disso, as pequenas maquetes que compunham todo o visual do filme também foram incrivelmente bem feitas, e por vezes esquecemos de que não se trata de imagens reais. 

É com o uso desses bonecos que entra a grande metáfora com o nome do filme. Um cinegrafista contratado pelo governo da época filmou boa parte dos eventos, mas deixou de lado as cenas de barbárie, mostrando só o lado bom da revolução. Algo parecido aconteceu com Hitler na Alemanha nazista, que mostrava o lado bom dos campos de concentração e escondia o lado genocida das câmaras de gás. Então, a retratação através dos bonecos de argila fala justamente das imagens que o governo não mostrou, ou seja, as imagens que faltaram para mostrar ao mundo toda a verdade por trás do regime.



Não pensem vocês que o uso dos bonecos aliviou a história. Os bonecos trazem em si uma agonia que atores de verdade dificilmente conseguiriam. Muito menos espere que eles se mecham, como é costume em filmes de Stop-Motion. E é justamente essa forma estática que faz com que eles sejam mais verdadeiros e até mesmo "humanos".

O diretor critica de forma dura e com bastante ironia o sistema comunista, que no papel parecia ser algo lindo, mas na prática era algo completamente diferente. Uma ideologia que buscava o fim das classes sociais e lutava pela igualdade de todos, mas diferenciava os líderes e os ricos do restante da população.

A narração de Randal Douc, em francês, é algo a parte, até porque somente ele que "aparece" durante todo o tempo. Apesar de evitar fazer julgamentos, há uma forte e grave raiva contida na voz, principalmente nas cenas em que aparece o ditador Pol Pot. É também explícita a sua tristeza ao contar os fatos mais tristes, como o da mãe que foi arrastada após roubar comida para alimentar seu filho. E há até um certo grau de culpa, quando o diretor deixa claro que gostaria de fazer muito mais do que um filme para fazer com que esse passado jamais fosse esquecido.


Por fim, A Imagem que Falta é mais do que uma autobiografia, como ficou retratado ao longo da crítica. É um verdadeiro tratado contra uma entre tantas outras ditaduras que assolaram o mundo no século passado (e ainda continuam, infelizmente). Conquistar destruindo é uma metáfora perfeita e simples que se encaixa com a busca pelo progresso de forma indiscriminada e desigual. Palmas para Rithyn Panh.


Estreias da Semana (08/05 a 14/05)

Seis novos filmes entram em cartaz nessa quinta-feira em todo o Brasil. Dos Estados Unidos tem a comédia Mulheres ao Ataque, estrelada por Cameron Diaz, e o drama Jogada de Rei, protagonizado por Cuba Gooding Jr. 

Destaco porém a produção franco-iraniana O Passado, representante do Irã no último Óscar de melhor filme estrangeiro. Dirigido pelo experiente Asghar Fahradi, o longa é um drama pesado e intenso, e finalmente estreia por aqui depois de quase um ano. A crítica dele vocês conferem aqui. Outro destaque europeu é a comédia Eu, Mamãe e os Meninos, grande vencedor do Prêmio César desse ano.

Do cinema nacional, estreiam os dramas A Grande Vitória, estrelado por Caio Castro e Sabrina Sato, e Entre Vales, com Ângelo Antônio. A lista completa vocês conferem abaixo.

Mulheres ao Ataque

Quando uma jovem descobre que seu namorado é casado com outra mulher, ela entra em contato com a esposa dele propondo que as duas se vinguem juntas. Uma estranha amizade começa a nascer entre as duas, mas a situação fica pior quando elas descobrem a existência de uma terceira mulher envolvida.

The Other Woman, Estados Unidos, 2013.
Direção: Nick Cassavetes
Duração: 109 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia

Jogada de Rei

Após 17 anos na cadeia, Eugene Brown (Cuba Gooding Jr.) tenta recomeçar a vida trabalhando como faxineiro de uma escola pública. Encarregado de tomar conta de alunos problemáticos, ele tem uma ideia: criar um clube de xadrez, de forma que possa ensiná-los a pensar antes de agir. No entanto, a iniciativa não agrada o chefão do tráfico local, que vê o faturamento cair devido ao sucesso do grupo.

Life of a King, Estados Unidos, 2014.
Direção: Jake Goldberger
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Passado

O drama mostra a conturbada relação entre um marido iraniano e sua esposa francesa, que vivem na Europa. Após muitas disputas, ele resolve abandonar a mulher e os dois filhos e retornar ao seu país de origem. Porém, quando ela pede oficialmente o divórcio, ele descobre que o pedido é motivado pelo fato dela ter conhecido outro homem, e ele retorna ao lar para confrontar a esposa e o novo pretendente.

Le Passé, França/Irã, 2013.
Direção: Asghar Fahradi
Duração: 130 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

Eu, Mamãe e os Meninos

Guillaume (Guillaume Galienne) tem uma história de vida curiosa: quando criança, sua mãe autoritária pensou que ele fosse diferente dos outros irmãos e decidiu criá-lo como uma garota. Já adulto, ele relata a relação complicada que tinha com o pai, os maus-tratos dos colegas de escola e os seus primeiros amores.

Les Garçons et Guillaume, à Table, França, 2014.
Direção: Guillaume Galienne
Duração: 85 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

A Grande Vitória

Max Trombini (Caio Castro) teve uma infância humilde e conturbada, depois de ser abandonado pelo pai e criado pela mãe e pelo avô. Revoltado com a vida, ele se envolveu em diversas confusões, e foi através dos ensinamentos das artes marciais, principalmente do Judô, que ele conseguiu se estabelecer e construir uma carreira de sucesso.

A Grande Vitória, Brasil, 2014.
Direção: Stefano Capuzzi
Duração: 88 minutos
Classificação: 10 anos
Drama

Entre Vales

O economista Vicente (Ângelo Antônio) é casado com a dentista Marina (Melissa Vettore) e pai do jovem Caio (Daniel Hendler). Ele leva uma rotina normal no trabalho e em casa, até sua vida passar por uma drástica transformação. Após algumas perdas, ele tem que aprender a descobrir novas emoções e tentar redescobrir seu espaço no mundo.

Entre Vales, Brasil, 2013.
Direção: Philippe Barcinski
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos
Drama