quinta-feira, 10 de julho de 2014

Estreias da Semana (10/07 a 16/07)

Quatro filmes entram em cartaz nessa semana em todo o Brasil. O destaque fica por conta de Teorema Zero, que traz Christopher Waltz na pele de um hacker de computador em busca de uma razão científica para a existência humana. Para quem gosta de terror, tem A Marca do Medo, e para quem gosta de romance, Amor Fora da Lei. Da Itália ainda tem  a comédia Viva a Liberdade, novo filme do ator Toni Servillo (de A Grande Beleza, ganhador do Óscar no ano passado).

O Teorema Zero

Qohen Leth (Christopher Waltz) é um habilidoso hacker de computador que vive em uma constante crise existencial. Instruído por uma empresa para resolver o "Teorema Zero", uma fórmula matemática que determinará a razão da existência humana, ele acaba ficando obcecado pela experiência, mas acaba tendo que enfrentar diversos obstáculos.

The Zero Theorem, Estados Unidos, 2014.
Direção: Terry Gilliam
Duração: 106 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Ficção Científica

A Marca do Medo

Durante uma aula na universidade, um professor pergunta a seus alunos o que são fenômenos sobrenaturais, e se é possível provar que eles realmente existem. Ele decide reunir uma equipe com mais três alunos para investigar o estranho caso de Jane Harper, uma garota aparentemente possuída por demônios.

The Quiet Ones, Estados Unidos, 2014.
Direção: John Pogue
Duração: 98 minutos
Classificação: 14 anos
Terror

Amor Fora da Lei

Quando um prisioneiro consegue escapar da prisão, ele inicia uma jornada através do estado do Texas para encontrar sua esposa e a filha que ele nunca conheceu.

Ain't Them Bodies Saints, Estados Unidos, 2013.
Direção: David Lowery
Duração: 97 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Faroeste

Viva a Liberdade

A candidatura do secretário principal do partido da oposição, Enrico Oliveri (Toni Servillo), não está indo tão bem quanto planejado. Uma noite, após um debate, ele desaparece. Seu assessor e sua esposa iniciam as buscas, até que de repente ele reaparece, mas diferente e tomando atitudes que surpreendem a todos e fazem a popularidade do partido subir.

Viva La Libertà, Itália, 2013.
Direção: Roberto Andò
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Critica: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)


Quando assisti em 2010 o curta-metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho, me apaixonei pela história e logo imaginei que o enredo daria um excelente filme. Por esse motivo, fiquei contente ao saber que o diretor Daniel Ribeiro estava iniciando em 2013 as filmagens de um longa que traria os mesmos personagens, dessa vez mostrados de forma mais completa e intensa. E para minha alegria, ele conseguiu superar todas as minhas expectativas.


A trama acompanha Leo (Guilherme Lobo), um jovem cego que busca entre conversas e divagações junto de sua melhor amiga Giovana (Tess Amorim) um sentido para a vida e algumas respostas para as dúvidas que a idade traz. Seu grande sonho é dar o primeiro beijo em uma garota, ao mesmo tempo em que receia nunca poder realizá-lo por ser "diferente". Na escola ele é um garoto aplicado, mas sofre diariamente nas mãos dos colegas, que se aproveitam de sua condição física para aplicar brincadeiras de mau gosto.

Quando um aluno novo entra na turma, não demora para que ele, Leo e Giovana criem uma dinâmica, formando um trio inseparável que por fim acaba se transformando em uma espécie de triângulo amoroso. Gabriel (Fabio Audi) é um garoto inteligente e gentil, que logo se compadece da situação de Leo e passa a ajudá-lo em tudo que ele precisa, criando ciúmes em Giovana.



É engraçado como inicia essa relação entre Gabriel e Leo. O primeiro, inocentemente, sempre esquece que o amigo não enxerga, e acaba cometendo gafes como "você viu aquele vídeo que todo mundo está comentando?" ou "vamos ao cinema hoje?". Mas uma coisa eles podem dividir de igual para igual: o gosto pela música, e as canções trocadas entre eles dizem muito sobre cada um.

Uma das cenas mais memoráveis é quando Gabriel explica para Leo o que é um eclipse. A simplicidade da cena emociona, principalmente por se tratar de uma amizade sem nenhuma espécie de interesse. O diretor foge de qualquer esteriótipo ao mostrar a relação homossexual que nasce entre eles. Tudo é mostrado com tanta naturalidade que a questão acaba ficando para segundo plano, como deveria ser sempre.

O final é belíssimo, com Leo realizando alguns dos seus principais sonhos, desde os mais simples como andar de bicicleta aos mais complexos, como ser aceito pelo o que ele realmente é e descobrindo finalmente o seu lugar no mundo.



Por fim, o filme é uma grata surpresa, e não decepciona quem, como eu, estava esperando algo a altura do curta. O diretor usa bem o tempo a mais para aproveitar ao máximo cada um dos personagens, e a simplicidade do enredo é a característica mais marcante. O humor singelo e as boas atuações são apenas mais alguns dos pontos positivos, desse que já é para mim o melhor longa nacional do ano.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Estreias da Semana (03/07 a 09/07)

Nada menos do que 11 filmes estão entrando em cartaz nessa quinta-feira (03) nos cinemas de todo o país. O principal nome da vez é o novo trabalho do diretor Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste. O longa, que possui um elenco de dar inveja a qualquer um, se passa em um grande hotel do leste europeu durante a Segunda Guerra Mundial, e como todo bom filme do diretor, possui belíssimas tomadas e o uso excessivo de cores.

Outros destaques são o thriller de terror O Espelho, e o drama romântico O Último Amor de Mr. Morgan, estrelado por Michael Caine. Da Europa, chamam a atenção o holandês A Montanha Matterhorn e a comédia francesa O Amor é um Crime Perfeito. Para as crianças, tem a animação sul-africana Khumba, toda feita em 3D. A lista completa vocês conferem abaixo.

O Grande Hotel Budapeste

No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois se tornam melhores amigos. Entre as aventuras, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX.

The Grand Budapest Hotel, Estados Unidos, 2013.
Direção: Wes Anderson
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Drama


O Último Amor de Mr. Morgan

Por mais que more em Paris há bastante tempo, Matthew Morgan (MIchael Caine) não conhece a língua local, pois sua esposa sempre serviu como intérprete pelas ruas da cidade francesa. Entretanto, ela faleceu há três anos, e desde então ele vive triste e solitário, ocupando seu tempo com aulas de inglês ocasionais. Sua vida começa a mudar quando ele conhece Pauline (Clémence Poésy), uma simpática professora de dança.

Mr. Morgan's Last Love, Alemanha/Bélgica/Estados Unidos/França, 2013
Direção: Sandra Nettelbeck
Duração: 116 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama


O Espelho

Tim e Kaylie são dois irmãos traumatizados pela morte inexplicada dos pais. Quando Tim sai do hospital psiquiátrico, anos após ser internado, ele tem certeza de que a causa da tragédia familiar é um grande espelho que acompanha a família há séculos. Cercado por fenômenos paranormais, os dois tentam provar que o objeto é o verdadeiro responsável pela sangrenta história de seus ascendentes.

Oculus, Estados Unidos, 2014.
Direção: Mike Flanagan
Duração: 104 minutos
Classificação: 14 anos
Terror

A Montanha Matterhorn

Fred (Tom Kas) é um homem de 54 anos, viúvo e devoto do Calvinismo, que leva uma vida pacata e solitária desde que despejou seu filho de casa. Quando ele conhece Theo (René van 't Hof), um adulto com mentalidade de 5 anos de idade, seu mundo vira de pernas pro ar. Fred assumirá a "parternidade" e defenderá o rapaz, que sofre nas mãos dos habitantes do vilarejo, enquanto Theo tem uma visão diferente do relacionamento entre os dois.

Matterhorn, Holanda, 2014.
Direção: Diederik Ebbinge
Duração: 87 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Romance


O Amor é um Crime Perfeito

Professor de literatura da Universidade de Laussane, Marc (Mathieu Amalric) tem a fama de colecionar aventuras amorosas com suas alunas. Alguns dias após o desaparecimento de sua mais brilhante aluna, que fora sua última conquista, ele encontra Anna (Maiwenn), que busca informações sobre a nora desaparecida.

L'Amour est un crime parfait, França, 2013.
Direção: Jean-Marie Larrieu e Arnaud Larrieu
Duração: 101 minutos
Classificação: 16 anos
Suspense


Não Aceitamos Devoluções

Valentin (Eugenio Derbez) sempre levou uma vida despreocupada no México, saindo com várias mulheres e alternando entre pequenos trabalhos. Um dia, uma mulher bate à sua porta e lhe deixa um bebê, dizendo ser sua filha. Apesar da surpresa inicial, Valentin se muda para os Estados Unidos e cria a pequena Maggie durante anos, tornando-se um homem responsável e encontrando um emprego fixo como dublê de filmes de ação. Isso até a mãe da criança voltar para tentar recuperá-la.

No Se Aceptan Devoluciones, México, 2014.
Direção: Eugenio Derbez
Duração: 115 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia


Hermano - Uma Fábula Sobre Futebol

Daniel (Fernando Moreno) é um craque jogando futebol, enquanto que Júlio (Eliú Armas) é um líder nato. O sonho de Daniel é se tornar um jogador de futebol profissional, enquanto Júlio tenta resolver os problemas do dia-dia na favela onde moram. A chance de suas vidas surge quando um olheiro lhes oferece um teste no Caracas, o principal time do país, mas uma tragédia pode colocar tudo a perder.

Hermano, Venezuela, 2013.
Direção: Marcel Rasquin
Duração: 97 minutos
Classificação: 12 anos
Drama


Khumba

Acusada por seu supersticioso bando de trazer azar para o grupo, uma jovem zebra que tem listras em apenas metade do corpo embarca numa perigosa jornada em busca da normalidade.

Khumba, África do Sul, 2013.
Direção: Anthony Silverston
Duração: 83 minutos
Classificação: livre
Animação / Aventura


O Céu é de Verdade

Baseado no livro homônimo, o filme conta a história real de um menino de três anos que, após quase morrer ao realizar uma cirurgia de emergência, diz ter sido levado ao céu e se encontrado com Deus. A princípio os pais não acreditam nele, mas quando o menino começa a contar histórias e falar sobre pessoas que não conhecia, eles passam a acreditar nele.

Heaven is for Real, Estados Unidos, 2014.
Direção: Randall Wallace
Duração: 100 minutos
Classificação: livre
Drama

Causa & Efeito

O policial Paulo (Matheus Prestes) enfrenta um grande trauma após perder a esposa e o filho em um acidente de carro. Ele não consegue aceitar que a responsável pelas mortes não tenha sido punido e resolve fazer justiça com as próprias mãos. Ele, no entanto, não consegue matar a mulher que causou o acidente após descobrir sua triste história de vida, e ambos acabam se envolvendo em uma história amorosa.

Causa & Efeito, Brasil, 2013.
Direção: André Marouço
Duração: 105 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

A Onda da Vida - Uma História de Amor & Surf

Os amigos Caio, Tiago e Joel caem na estrada rumo às belas praias de Itacaré, no sul da Bahia, para surfar. No trajeto, o carro onde eles viajam quebra, e ele acabam tendo que investir todo o seu dinheiro no conserto do veículo, que só ficará pronto em dois dias. Durante esse período, eles acabam descobrindo um paraíso ecológico no Espírito Santo, com belas praias e ondas perfeitas.

A Onda da Vida - Uma História de Amor & Surf, Brasil, 2013.
Direção: José Augusto Muleta
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura/ Romance

terça-feira, 1 de julho de 2014

Especial: 10 anos da morte de Marlon Brando


Um rebelde de gênio difícil e personalidade explosiva, que ao mesmo tempo era um amante dos animais e um influente ativista dos direitos civis americanos. Apesar da vida controversa, o fato é que Marlon Brando é considerado (e com razão) um gênio quando se fala em atuar, sendo considerado por unanimidade um dos melhores atores que o cinema já viu.


Nascido em 3 de abril de 1924, Brando viveu sua infância em uma família difícil junto com mais duas irmãs, no vilarejo de Libertyville, no estado do Illinois. Seu pai ganhava a vida vendendo produtos químicos, e não era nada afetuoso com as crianças. Na sua biografia, Brando chegou a declarar que seu pai o beijava apenas uma vez no ano, na noite de natal. Já sua mãe era uma atriz de teatro extravagante que tinha sérios problemas com o alcoolismo. O ator também declarou que teve que ir diversas vezes buscar ela em bares da cidade, onde ela estava adormecida em cima da mesa.

Essa infância conturbada possivelmente foi o motivo dele ter crescido e se tornado um verdadeiro delinquente na adolescência. Aos 16 anos foi expulso da escola após escrever no quadro negro usando gasolina e posteriormente atear fogo. Matriculado numa academia militar, passou a ter aulas de teatro no local antes de ser novamente expulso, o que fez com que ele definitivamente desistisse de estudar.

Porém, ao ir para Nova York atrás de suas irmãs, Brando pegou gosto pela vida artística e passou a aprimorar suas técnicas de atuação em aulas de teatro com a famosa professora Stella Adler. Foi graças às aulas que ele conseguiu seu primeiro papel de destaque, na peça Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams.



No cinema, seu primeiro papel foi no longa Espírito Indômitos, de 1950, onde ele interpreta um veterano da Segunda Guerra Mundial ferido em combate que tenta se adaptar novamente à vida civil, mas que se sente angustiado por estar preso a uma cadeira de rodas. O filme fez sucesso e chegou a concorrer ao Óscar de melhor roteiro, fato que engrandeceu ainda mais a sua primeira aparição nas telas.

Sua segunda aparição no cinema veio em Uma Rua Chamada Pecado, adaptação da peça que ele já havia protagonizado e chamado a atenção. Dirigido por Elia Kazan e contracenando ao lado de Vivien Leigh, ele deu vida ao memorável Stanley Kowalski, um rude trabalhador operário que passava seu tempo livre entre bebidas, jogos de cartas e boliche. Brando foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante, e apesar de ser o franco favorito, acabou perdendo.



Viva Zapata! e Julio César, lançados respectivamente em 1952 e 1953, renderam mais duas indicações ao Óscar de melhor ator pra Brando, mas ambas sem sucesso. Ele só conquistaria o prêmio em 1954, pelo excelente Sindicato de Ladrões, novamente dirigido por Elia Kazan. Um ano antes, ele havia se tornado um ídolo da juventude da época ao protagonizar O Selvagem, onde dava vida a um motoqueiro líder de uma gangue. Sua vestimenta e sua rebeldia influenciaram outros nomes da cultura pop como James Dean e o próprio Élvis Presley. Naquela época, Brando chamou a atenção principalmente das mulheres por conta da sua beleza, que o transformou no mais novo símbolo sexual daquela geração.

Na segunda metade da década de 50, ele filmou mais 4 filmes, todos de pouca expressão: Garotos e Garotas, Casa de Chá do Luar de Agosto, Sayonara e o drama de guerra Os Deuses Vencidos. Já na década de 60, fez uma sequência de três bons filmes, sendo o mais famoso deles o drama Vidas em Fuga, dirigido por Sidney Lumet. Em 1961, o ator se arriscou pela primeira e última vez na direção, no faroeste A Face Oculta, que era para ter sido dirigido por Stanley Kubrick.

Ainda na década de 60, Brando faria parte de alguns filmes polêmicos. O primeiro deles foi Caçada Humana, de Arthur Penn, onde é vítima de uma longa cena de espancamento. Em Queimada!, filme que retratava historicamente a colonização americana e a luta entre espanhóis e portugueses que levou a dizimação quase total dos indígenas, Brando interpretou aquele que ele mesmo sempre declarou ter sido seu personagem preferido na carreira.

Depois de mais uma série de filmes pouco conhecidos, sua carreira alcançou níveis astronômicos no começo dos anos 70. Em 1972 ele protagonizou o clássico O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, onde deu vida a Don Vito Corleone. A atuação inesquecível rendeu o segundo Óscar da sua carreira, que ele não aceitou em protesto contra a visão que Hollywood fazia dos índios em seus filmes. No mesmo ano, contracenou com Maria Schneider em O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, um dos filmes mais polêmicos da década e um verdadeiro sucesso de bilheteria e crítica.



Em 1976, Brando contracenou com Jack Nicholson no faroeste Duelo de Gigantes, de Arthur Penn. Mas foi em 1979, novamente sob a direção de Coppola, que ele voltou a alcançar o sucesso dos filmes anteriores. Apocalypse Now é até hoje considerado um dos melhores filmes de guerra já produzidos, e mesmo com uma participação curta, seu personagem é extremamente importante para a história.

O filme de Coppola ficou marcado como sendo o último grande sucesso de Brando, que já estava em um processo acelerado de decadência física e resolveu viver seus próximos anos recluso em uma ilha da Polinésia Francesa. Obeso e vivendo na sombra do que um dia foi, ele passava seus dias assistindo filmes antigos, não recebia mais amigos, não atendia telefonemas, e recusava papéis importantes no cinema como Karl Marx, Pablo Picasso e Theodore Roosevelt.


Devido a problemas financeiros, ele aceitou voltar às telas em 1989, mas sem aplacar nenhum sucesso. Chegou a filmar uma paródia sem vergonha de O Poderoso Chefão chamada de Um Novato na Máfia, que como era de se esperar foi um verdadeiro fracasso. Os problemas pessoais, no entanto, voltaram a chamar muito mais atenção do que sua carreira.

Ao longo de sua vida Brando se casou três vezes, mas quando se fala em relacionamentos amorosos (seja com desconhecidas, seja com celebridades), é impossível chegar a um número final. Diz-se que ele possui mais de 15 filhos espalhados pelo mundo, ainda que a maioria não seja reconhecida pelo mesmo. Essa sua falta de compromisso com a família pode ter sido a causa de dois fatos trágicos: a prisão de seu filho Christian após matar o namorado da irmã, Cheyenne, e o suicídio dela anos mais tarde, em 1995, quando estava no auge da depressão.

Por fim, são poucos os atores que conseguem encantar o público logo em seu primeiro filme, e disso Marlon Brando podia se vangloriar. Era impossível não amá-lo em cena, mesmo que estivesse no papel de um personagem repugnante. No entanto, sua vida pessoal conturbada acabou criando uma visão odiosa acerca de si, que infelizmente destruiu sua carreira, sua família e sua vida. Mesmo assim, o que ele fez ao cinema ficou na história, e isso nunca será apagado. E para mim, é isso que realmente importa.


domingo, 29 de junho de 2014

Recomendação de Filme #54

Across The Universe - Julie Taymor (2007)

Por mais exagerado que isso possa parecer, me atrevo a dizer que Across The Universe é o melhor filme já feito dentre tantos que abordam a obra dos Beatles. Mesmo tratando-se de uma proposta extremamente simples (uma história de amor contada através das músicas do grupo), é surpreendente que ninguém jamais tivesse pensado em fazer isso anteriormente até a diretora Julie Taymor (de Frida) pôr a ideia em prática e nos presentear com essa verdadeira obra-prima.


Na história, Jude (Jim Strugess) é um jovem rapaz que mora em Liverpool. Sem espaço para mostrar o seu talento nas artes plásticas, ele ganha a vida trabalhando numa empresa naval, como a grande maioria dos homens da sua idade que vivem na cidade. Seu maior sonho no entanto é viajar para a América em busca de uma vida melhor, além de encontrar seu pai que vive lá e que ele nunca conheceu pessoalmente.

Quando ele tem a oportunidade de atravessar o Atlântico, agarra-se a ela com as duas mãos, e já em solo americano finalmente conhece o pai. O que muda definitivamente sua vida dali para a frente, porém, é a amizade que ele acaba fazendo com Max (Joe Anderson), um jovem cheio de ideologias e de personalidade forte. Quando eles viajam juntos para a casa da família de Max, Jude conhece a jovem Lucy (Evan Rachelk Wood), por quem se apaixona perdidamente, deixando de vez sua vida na Inglaterra.



Não que o enredo não seja cativante por si só, mas o que faz de Across the Universe um filme único é, de fato, a junção das músicas do quarteto de Liverpool com a história, que se encaixam de forma primorosa. Juntando temas como o amor, a guerra, a contracultura e o pensamento revolucionário muito presente naqueles anos 60, o filme consegue resgatar com perfeição a alma de todas as canções da banda, e o espírito de uma juventude inquieta e sedenta por liberdade. 

Outro ponto interessante é que exatamente tudo no filme lembra a banda, dos nomes dos personagens (Lucy, Jude, Prudence, etc.) aos cenários e diálogos. Acho genial a forma como as locações vão mudando conforme as fases da banda, e a parte que retrata a época "alucinógena" do grupo é certamente uma das mais memoráveis.

Agora falando do que interessa, a releitura das músicas são fantásticas, e deixa qualquer fã dos Beatles de pelos arrepiados. Afinal, como não se emocionar com os clássicos sendo cantados de forma tão emocionante e sincera? Algumas das versões musicais chegam a ser tão bem feitas, que por vezes parecem ser ainda melhor do que as originais (ainda que isso pareça uma blasfêmia).



A direção de Julie Taymor é bastante firme, e a ambientação da época é perfeita. As atuações são surpreendentes, sobretudo pelo fato de que todos realmente cantam nas cenas, sem usar playbacks ou gravações em estúdios musicais (passei a gostar ainda mais do filme depois que eu fiquei sabendo disso).

Por fim, Across the Universe tem as características que eu mais gosto em um filme: é simples, direto, envolvente, e instiga o espectador a pensar. E antes de mais nada, recomendo assisti-lo com a discografia dos Beatles por perto, porque você certamente vai sentir vontade de ouvir tudo de novo.