quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Estreias da Semana (14/08 a 20/08)

Dez filmes entram em cartaz nessa quinta-feira em todo o Brasil. O principal destaque fica por conta de As Tartarugas Ninjas, releitura em 3D de um dos desenhos mais queridos dos anos 90. Amantes Eternos, novo filme de Jim Jamursch, traz uma história de amor entre dois vampiros que promete fazer todos esquecerem do desastre que foi a saga Crespúsculo. 

Outros destaques são a comédia Chef, a animação O Que Será de Nozes e os dramas Uma Lição de Vida e Uma Vida Comum. Do cinema nacional, o destaque fica por conta do drama biográfico Não Pare na Pista, sobre o escritor Paulo Coelho. A lista completa vocês conferem abaixo.

As Tartarugas Ninjas

Afetados por uma substância radioativa, um grupo de tartarugas cresce anormalmente, ganhando força e conhecimento. Vivendo nos esgotos, Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello, junto com seu mestre Splinter, tem que enfrentar o mal que habita a cidade.

Teenage Mutant Ninja Turtles, Estados Unidos, 2014.
Direção: Jonathan Liebesman
Duração: 100 minutos
Classificação: 12 anos
Ação / Aventura

Chef

Carl Casper (Jon Favreau) é o chef de um badalado restaurante de Los Angeles, mas volta e meia enfrenta problemas com o dono do local (Dustin Hoffman) por querer inovar no cardápio ao invés de fazer sempre os pratos mais pedidos pelos clientes. Após ser demitido e ter seu nome difamado, a única saída dele é reiniciar a vida no comando de um trailer de comida, com ajuda da sua ex-esposa (Sofia Vergara).

Chef, Estados Unidos, 2014.
Direção: Jon Fraveau
Duração: 114 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia

Uma Vida Comum

John May (Eddie Marsan) é um inventariante encarregado de encontrar o parente mais próximo de pessoas que morreram sozinhas. Quando seu departamento é reduzido, John concentra esforços em seu último caso, o que o leva a uma viagem libertadora.

Still Life, Itália/Reino Unido, 2013.
Direção: Uberto Pasolini
Duração: 87 minutos
Classificação: livre
Drama

Amantes Eternos

A história de amor entre dois vampiros eruditos, Eve (Tilda Swinton) e Adam (Tom Hiddleston), cansados da sociedade atual e profundamente incomodados com a evolução da humanidade. Há séculos eles vivem uma relação de cumplicidade e muito amor, que será abalada pela aproximação da irresponsável irmã caçula de Eve, Ava (Mia Wasikowska).

Only Lovers Left Alive, Alemanha/França/Reino Unido, 2013.
Direção: Jim Jarmusch
Duração: 120 minutos
Classificação: 12 anos
Drama / Romance

Uma Lição de Vida

O filme conta a história de Kimani Maruge (Oliver Litondo), um queniano de 84 anos que está determinado a aproveitar sua última chance de ir à escola. Desta forma, para aprender a ler e escrever, ele terá que se juntar às crianças de seis anos de idade.

The First Grader, Reino Unido, 2014.
Direção: Justn Chadwick
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Drama

O Que Será de Nozes

Quando o teimoso esquilo Surly é expulso de um parque na cidade grande, ele precisa encontra outras maneiras de sobreviver. Mas o lugar de seus sonhos está muito perto dele: trata-se de Maury's Nut Store, uma loja repleta de nozes, castanhas e amêndoas. Junto com seus amigos, ele bola um plano para invadir o local e roubar toda a comida para suportar o inverno.

The Nut Job, Canadá/Estados Unidos, 2014.
Direção: Peter Lepeniotis
Duração: 86 minutos
Classificação: livre
Animação / Comédia

O Casamento de May

Prestes a se casar, May (Cherien Dabis) visita a família em Amâ, na Jordânia. Sua mãe, católica, desaprova o noivo, que é muçulmano, e planeja boicotar a cerimônia. O pai, até então distante, ensaia uma aproximação, e tudo acaba se transformando num caos.

May in the Summer, Jordânia, 2014.
Direção: Cherien Dabis
Duração: 100 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama

Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho

Cinebiografia de Paulo Coelho, o filme se concentra em três momentos distintos da carreira do escritor: nos anos 60, na idade adulta, onde fez parceria com o maluco beleza Raul Seixas, e na maturidade, quando refez o Caminho de Santiago e escreveu boa parte de seus livros cheios de espiritualidade.

Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho, Brasil, 2014.
Direção: Daniel Augusto
Duração: 112 minutos
Classificação: 16 anos
Biografia / Drama

Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa

Um dia, Pedro decide abandonar a sua casa e não voltar mais, saindo apenas com a roupa do corpo. Ao cair na estrada, sem rumo, ele vai fazendo diversas descobertas, onde conhece o malandro Lucas. Apesar de serem extremamente diferentes, os dois seguem juntos, buscando sempre novas experiências.

Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, Brasil, 2014.
Direção: Gustavo Falcão
Duração: 96 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

Estação Liberdade

Mario Kubo (Cauê Ito) tem 35 anos, vive em São Paulo, e é um homem de poucas palavras. Perdido na vida, ele desce do trem na Estação Liberdade e por lá passa a noite, tentando encontrar finalmente seu lugar.

Estação Liberdade, Brasil, 2014.
Direção: Caíto Ortiz
Duração: 88 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Estreias da Semana (07/08 a 13/08)

Quatro filmes entram em cartaz nessa quinta-feira em todo o Brasil. O destaque fica por conta de The Rover - A Caçada, estrelado por Guy Pearce e Robert Pattinson, sobre um homem que decidi bater de frente contra a violência que tomou conta do mundo. Do cinema nacional tem a nova comédia com Leandro Hassum, Vestida pra Casar, além do documentário O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado. A lista completa vocês conferem abaixo.

The Rover - A Caçada

Em um futuro próximo, os habitantes australianos vivem uma rotina perigosa, onde a criminalidade impera. Com o passar dos anos, Eric (Guy Pearce) já perdeu quase tudo o que tem, e quando sua última posse, um carro, é roubado por uma gangue, ele vai atrás desses homens.

The Rover, Austrália / Estados Unidos, 2014.
Direção: David Michôd
Duração: 102 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

Paraíso

Carmen (Daniela Rincón) e Alfredo (Andrés Almeida) são dois gordinhos que forma um casal feliz. Juntos há décadas, eles saem do pacato subúrbio em que vivem para morar na Cidade do México. Lá, Carmen decide emagrecer e os novos hábitos começam a complicar o relacionamento do casal.

Paraiso, México, 2014.
Direção: Mariana Chenillo
Duração: 105 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance

Vestido pra Casar

Bem no dia do seu casamento, Fernando (Leandro Hassum) rasga sem querer o vestido de alta costura de uma mulher. O problema é que ela está acompanhada do amante e precisa, de qualquer jeito, voltar para casa com o vestido impecável.

Vestido pra Casar, Brasil, 2014.
Direção: Gerson Sanginitto
Duração: 101 minutos
Classificação: 10 anos
Comédia

O Mercado de Notícias

Jornalistas renomados discutem o papel da mídia e sua influência na democracia entre atos da peça cômica de Ben Jonson. Uma viagem no tempo, desde o surgimento da imprensa, no século XVII, até os dias de hoje, em que a sede por informação é cada vez maior.

O Mercado de Notícias, Brasil, 2014.
Direção: Jorge Furtado
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Documentário

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Crítica: Viva a Liberdade! (2014)


Na Itália, assim como em quase todos os países, a política é desacreditada e vista com desconfiança por grande parte da população. É difícil as coisas andarem para frente com políticos que só prometem mudanças, mas que no fundo fazem o mesmo que todos os outros. Com base nisso, o diretor Roberto Andó nos traz uma crítica ácida e bem-humorada, em um dos filmes mais inteligentes de 2014.



Enrico Oliveri (Toni Servillo) é o principal representante do partido de oposição nas próximas eleições presidenciais da Itália. No entanto, sua popularidade vem baixando cada dia mais, e ele recebe duras críticas pela forma que conduz seu trabalho. Deprimido e incapaz de mudar o baixo índice nas pesquisas, Oliveri resolve sumir da badalação por um tempo, se exilando na casa de um amor do passado sem avisar ninguém.

Desesperado com a situação política do seu chefe e do seu partido, e com a agenda cheia de compromissos de campanha, seu assessor decide pedir ajuda ao irmão gêmeo de Enrico, Giovanni Ernani, para que ele se passe pelo irmão até o mesmo retornar. O problema é que Giovanni não bate muito bem da cabeça e acabou de sair de uma instituição psiquiátrica, embora seu passado como escritor de alguma forma lhe credencie a assumir tal responsabilidade.


Com uma personalidade completamente diferente do seu irmão, Giovanni começa a fazer sucesso com seus discursos inovadores e suas atitudes excêntricas, mudando completamente a visão da população para com o partido. Suas declarações escandalosas como "os partidos são medíocres porque as pessoas são medíocres" ou "o partido é corrupto porque as pessoas o são" chocam primeiramente, mas acaba criando uma identificação única com o povo. Citando grandes romancistas e filósofos, e falando verdades que nenhum outro político teria a coragem de dizer, sua popularidade cresce desmedidamente, fazendo com que os números consequentemente subam nas pesquisas.

Enquanto isso, longe de tudo, o irmão Enrico vai reconquistando sua autoconfiança com a ajuda de Danielle (Valeria Bruni Tedeschi). Toda a trama se concentra nessa dualidade, desenvolvendo cada um dos irmãos de forma individual, e aos poucos os dois personagens vão quase se fundindo. Isso fica ainda mais claro na belíssima cena final.


Aclamado no último ano por sua interpretação no vencedor do Óscar A Grande Beleza, Toni Servillo volta em grande estilo, e o filme certamente não seria o mesmo sem sua presença. Sua interpretação rica e detalhista de duas personalidades completamente distintas é magnífica, sendo possível identificar facilmente quando cada um dos personagens está em cena.

Apesar do mote central, o enredo não se restringe apenas na troca de identidade, mas vai muito além disso, fazendo uma reflexão da atual situação da classe política. Afinal de contas, o que falta na política talvez seja exatamente isso, um pouco de verdade, ou até mesmo insanidade, e aí está a maior ironia do filme.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Crítica: Entre Nós (2014)


Dos irmãos Paulo e Pedro Morelli, o nacional Entre Nós traz um clima interessante que mistura mistério e nostalgia, mostrando principalmente o quanto o tempo pode mudar a vida das pessoas e suas relações interpessoais. Amizades perdidas, decepções, sonhos não realizados, tudo isso faz parte da vida de qualquer um, e é inevitável não se identificar com esses dilemas.



O longa começa no ano de 1992, onde um grupo de amigos está reunido em uma casa de campo, curtindo um fim de semana em meio à natureza. Entre bebidas e conversas animadas sobre trivialidades da vida adolescente, eles resolvem escrever em cartas as suas previsões para o futuro, que depois foram enterradas em uma urna com a promessa de serem abertas dez anos depois.

No mesmo dia, Rafael (Lee Taylor), que estava em processo de finalização de seu livro, e Felipe (Caio Blat), que também queria se aventurar na literatura mas não sabia por onde começar, se envolvem em um grave acidente de carro que culmina na morte do primeiro. Após o acidente, o roteiro dá um pulo até 2002, quando todos se reencontram no mesmo local cumprindo a promessa feita dez anos atrás.


É evidente que o tempo passou para todos, e a ingenuidade da juventude deu lugar às frustrações da vida adulta. As memórias do passado retornam mais fortes do que eles estavam preparados para suportar, e a diferença entre eles agora parece um precipício. Com o sucesso alcançado após o lançamento de seu livro, Felipe é o que mais parece ter mudado. Aquém aos outros, ele está sempre afiado para começar qualquer discussão, transparecendo uma personalidade desesperada que parece a todo momento esconder alguma coisa misteriosa.

Quando se aproxima o momento de reler as cartas, todos ficam amedrontados por ter que se confrontar com seus sonhos antigos. É sem dúvida o momento mais bacana do filme, e foi ali que ele de fato me conquistou. Drica (Martha Nowill) queria ter filhos, Laura (Carolina Dieckmann) queria ter uma vida feliz e Gus (Paulo Vilhena) queria um amor, mas nenhum conseguiu realizar seu próprio desejo. Até mesmo Cazé (Júlio Andrade), que aparenta ser o único satisfeito com o rumo que sua vida tomou, sente no fundo um certo desgosto, como fica registrado na frase emblemática que sai de sua boca: "não sei o que é mais triste: não realizar nenhum sonho ou realizar todos".

Aliás, todos os personagens são extremamente humanos e bem trabalhados, mostrando a vida como ela é, com seus dramas palpáveis. Na carta de Rafael, ele havia feito uma pergunta a todos sobre o futuro: "Será que nós mudamos o mundo, ou o mundo que nos mudou?", sabendo que no fundo a segunda opção seria a que mais estaria de acordo com a realidade.



Além de mostrar a inconstância da vida e as consequências que o tempo traz para as relações humanas, o filme também aborda o quanto as pessoas são capazes de fazer para alcançar o sucesso, com uma revelação impactante sobre um segredo que Felipe carregou por anos. 

Com um enredo que deixa o convencional de lado, Entre Nós final me deixou com uma sensação estranha ao terminar, como se tivesse mexido com algo dentro de mim. O final, por sinal, traz uma metáfora visual incrível, finalizando com chave de ouro um dos melhores filmes nacionais do ano.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Crítica: Miss Violence (2013)


Da mesma escola de Dente Canino (Giorgios Lanthimos, 2009), Miss Violence, do diretor Alexandro Avranas, é mais um trabalho arrebatador dessa nova geração do cinema grego. Incômodo e pessimista, o longa aborda a subordinação que o medo provoca nas pessoas e principalmente o quanto elas se tornam indefesas contra isso.



Na festa do seu aniversário de 11 anos, Angeliki (Chloe Bolota) se joga fatalmente da sacada do apartamento onde morava junto com a mãe, os avós, e seus três irmãos. Mas afinal, qual seria o motivo para um ato tão desesperado de alguém tão jovem? Ao ver a cena, percebemos no olhar da menina, segundos antes de se atirar, que há algo muito perturbador por trás de tudo, embora ela tenha tempo de olhar para a câmera e dar um último sorriso, como se aquilo fosse uma espécie de libertação.

Num primeiro momento, a polícia trabalha com a hipótese de negligência dos familiares, que não teriam enxergado a situação da menina. Eles no entanto se defendem, dizendo que ela jamais havia apresentado sinais que justificassem sua atitude. Nesse ínterim, começam a surgir uma série de boatos, que vão criando um clima de mistério ao redor de todos os acontecimentos.



A desconstrução da família "feliz" que se vê no início vai sendo feita paulatinamente, e se completa na ausência de afeto e as punições vexatórias e cruéis em que são colocadas as crianças. Inclusive, uma cena muito marcante é quando eles decidem punir o menino por seu mal comportamento na escola, mandando sua irmã mais nova dar tapas em sua cara insistentemente.

O avô das crianças (Themis Panou) é o patriarca da família, sendo considerado um pai por todos. Com uma personalidade ditatorial, por vezes maníaca, tudo que ele fala se torna uma ordem, reprimindo os demais membros da família de forma violenta. A avó das crianças (Reni Pitakki) é ainda mais estranha, e traz em si um silêncio assustador. Por fim tem a mãe das crianças (Eleni Roussinou), que parece não ter peso de decisão nenhum em meio àquele ambiente hostil.

Aos poucos a verdade por traz do comportamento dessa família vai sendo dissecada, e da forma mais crua possível. O enredo introspectivo e silencioso prioriza os detalhes, e o desfecho é sufocante. Sei que absurdos existem em toda parte do mundo, mas é difícil aceitar que tudo o que é mostrado em cena pudesse realmente acontecer na vida real. Porém, do ser-humano nada me surpreende mais.



Quase todo filmado dentro do apartamento, é possível verificar um trabalho primoroso das câmeras. A ausência de trilha sonora acentua ainda mais o vazio que há naquele ambiente, e as atuações preenchem isso com excelência. Por fim, Miss Violence é um dos filmes mais interessantes de 2013, e os elogios e prêmios em diversos festivais europeus foram merecidos.