quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crítica: Dois Dias, Uma Noite (2014)


O cinema na Bélgica vem em uma crescente, e isso se dá em grande parte pelo sucesso dos irmãos Dardenne nesses últimos anos. Depois de O Filho, A Criança e o Silêncio de Lorna, dessa vez eles nos presenteiam com o excelente Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit), um dos destaques no Festival de Cannes desse ano.




Sandra (Marion Cotillard) está vivendo um período conturbado em sua vida. Sofrendo de uma depressão profunda, ela acabou de perder o emprego após seus colegas votarem por um bônus ao invés de votarem pela sua permanência. Ao descobrir que eles podem ter sido persuadidos pelo chefe, ela implora por uma nova chance e ganha o direito de uma nova votação.

A partir de então começa o martírio de Sandra, que decide ir atrás de cada um deles para convencê-los a mudar de ideia. Contando com a ajuda do marido (Fabrizio Rongione), eles passam todo o fim de semana visitando cada um deles, em diferentes partes da cidade, sendo recebidos de todas as formas possíveis.



A tarefa não é nada fácil, afinal de contas, ninguém quer abrir mão de ganhar um bom dinheiro em troca de ajudar alguém que mal conhece. Mais do que isso, até mesmo quem se dizia amigo(a) de Sandra de repente não se prontifica a ajudá-la, mostrando uma verdade absoluta de que você só conhece as pessoas ao seu redor quando precisa delas.

No entanto, é interessante perceber que esses colegas de Sandra que se negam a votar a seu favor não podem e nem devem ser julgados como errados. Até porque é difícil imaginar o que cada um de nós faria na mesma situação. Cada um deles tem uma família para sustentar, e alguns já fizeram até planos para o uso do dinheiro extra.



Por conta disso, as reações são as mais diversas. Alguns aceitam votar ao favor de Sandra, inclusive com um certo sentimento de culpa por ter votado diferente na primeira vez. Outros são atenciosos e complacentes com sua dificuldade, mas mesmo que no fundo queiram muito ajudar, não conseguem abdicar da vantagem financeira. Há ainda os que são ríspidos, e nem sequer aceitam falar com ela. 

O enredo é preciosíssimo e consegue segurar a tensão até o final. Na medida em que o filme passa, o clima de suspense para o seu desfecho vai aumentando, criando um sentimento de torcida no espectador para com a jovem mulher. Afinal, todos querem ver o melhor para ela, sobretudo depois de tudo que ela fez.



Marion Cotillard, uma das atrizes mais respeitáveis da atualidade, está impecável no papel principal. Outro ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Situações corriqueiras, que podem acontecer a qualquer um, fazem o filme criar uma empatia ainda maior com o público. No mundo, para que alguém ganhe, outro tem que perder, e essa balança muitas vezes acaba sendo injusta.


Estreias da Semana (09/10 a 15/10)

Oito filmes entram em cartaz nessa quinta-feira em todo o Brasil. Destaco primeiramente Trash - A Esperança vem do Lixo, novo filme do diretor Stephen Daldry, filmado no Rio de Janeiro, e que conta com Wagner Moura e Selton Mello. O filme vem chamando a atenção da crítica, e inclusive é um dos cotados para estar na próxima edição do Óscar, como vocês podem conferir aqui.

Para quem gosta de terror tem Annabelle, filme que se passa antes da história mostrada em Invocação do Mal, sucesso do ano passado. Para os aficionados por ação, tem O Homem Mais Procurado, com o falecido Philipp Seymou Hoffmann. Dos Estados Unidos tem ainda a comédia Um Amor de Vizinha, com Michael Douglas e Diane Keaton, e a animação A Lenda de Oz, sequência da história mostrada no clássico de 1939. A lista completa vocês conferem abaixo.

Trash - A Esperança Vem do Lixo

Rio de Janeiro, Brasil. Três adolescentes vivem e trabalham em um lixão até que um dia encontram uma carteira que contém instruções para o esconderijo de um tesouro. O trio então inicia uma jornada na qual encontrarão pessoas e situações inesperadas.

Trash, Brasil / Reino Unido, 2014.
Direção: Stephen Daldry
Duração: 114 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Homem Mais Procurado

Depois de ser brutalmente torturado, um imigrante de origens chechena e russa faz uma viagem à comunidade islâmica de Hamburgo, tentando resgatar a herança que seu pai teria lhe deixado. Porém, a chegada desse homem misterioso desperta a curiosidade das polícias secretas alemã e americana, que passam a acompanhar seus passos.

A Most Wanted Man, Estados Unidos, 2014.
Direção: Anton Corbjin
Duração: 120 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense

Annabelle

Um casal de prepara para a chegada de sua primeira filha e compra para ela uma boneca. Quando sua casa é invadida por membros de uma seita, o casal é violentamente atacado e a boneca, Annabelle, se torna recipiente de uma entidade do mal.

Annabelle, Estados Unidos, 2014.
Direção: John R. Leonetti
Duração: 98 minutos
Classificação: 16 anos
Terror

Um Amor de Vizinha

Um corretor de imóveis egocêntrico (Michael Douglas) vive tranquilamente até que seu filho, com quem ele não fala há anos, pede que ele cuide de sua neta por um tempo. Sem a menor ideia de como proceder, ele pede ajuda para a sua vizinha (Diane Keaton).

And So It Goes, Estados Unidos, 2014.
Direção: Rob Reiner
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama / Romance

A Lenda de Oz

A garota Dorothy é levada de volta ao mundo mágico de Oz, onde reencontra os velhos amigos Homem de Lata, Espantalho e Leão. Entretanto, ela logo descobre que todos os habitantes do reino estão correndo sério risco graças aos ator do malvado Bufão. Continuação da história exibida em O Mágico de Oz (1939).

Legends of Oz: Dorothy's Return, Estados Unidos, 2014.
Direção: Dan St. Pierre e Willian Finn
Duração: 88 minutos
Classificação: livre
Animação / Comédia

O Físico

Na Pérsia do século XI, Rob (Tom Payne), um jovem cristão que sonha ser médico, finge ser judeu para estudar em uma escola especializada que não aceita seguidores do cristianismo.

The Physician, Alemanha/Estados Unidos, 2014.
Direção: Philipp Stölzl
Duração: 155 minutos
Classificação: 14 anos
Aventura / Drama / Épico

O Inventor de Jogos

Ivan Drago (David Mazouz) tem uma nova paixão: jogos de tabuleiro. Esse hovbby o leva para o fantástico e competitivo mundo de invenções de jogos, onde ele conhece o inventor Morodian (Joseph Fiennes), que há tempos deseja destruir a cidade de Zyl, criada pelo avô de Ivan.

The Games Marker, Argentina / Canadá / Itália, 2014.
Direção: Juan Pablo Buscarini
Duração: 111 minutos
Classificação: livre
Aventura

Attila Marcel

Paul (Guillaume Gouix) tem mais de trinta anos de idade e leva uma vida pacata, sempre em casa, tocando piano e observando as tias em suas aulas de dança. Desde que perdeu seus pais, o rapaz nunca mais falou, mas sua vida se transforma quando ele conhece uma extravagante vizinha do quarto andar, que usa métodos para ajudar ele a superar seus problemas.

Attila Marcel, França, 2014.
Direção: Sylvain Chomet
Duração: 102 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia

sábado, 4 de outubro de 2014

As primeiras apostas para o Óscar 2015

Estamos em outubro, e faltam cerca de 4 meses para a próxima edição do Óscar, prêmio máximo do cinema mundial. Como sempre acontece nessa época, já começaram a surgir os primeiros boatos e burburinhos a respeito dos possíveis candidatos, e o Cinema Arte não poderia ficar de fora dessa. Abaixo vocês conferem alguns dos nomes que mais vem sendo citados pela crítica especializada, tanto para os prêmios principais quanto para os secundários.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo

Exibido em primeira mão no Festival de Cannes, Foxcatcher já é uma das principais apostas para o próximo Óscar. Baseado em uma história real, o filme acompanha o difícil relacionamento entre o campeão olímpico Mark Schultz e o milionário John du Pont, que decidiu investir em sua carreira.

A primeira aposta é para a direção. Bennett Miller tem apenas dois filmes na carreira, e ambos foram indicados ao prêmio de melhor filme em Óscars passados: Capote e O Homem que Mudou o Jogo. Seguindo esse histórico, é de se esperar que novamente seu nome esteja entre os principais concorrentes. Na parte das atuações, quem tem tudo pra surpreender é Steve Carrell, conhecido por fazer comédias mas que parece (pelos trailers) ter uma excelente capacidade também para dramas . Aliás, sua mudança física vem sendo considerada uma das mais impressionantes dos últimos anos.

The Imitation Game

Dirigido pelo pouco conhecido Morten Tyldum, o longa ficou anos na "Black List", como é chamada a relação dos roteiros elogiados mas que jamais saíram do papel. O filme mostra a vida de Alan Turing, um conhecido gênio da informática que criou os conceitos por trás da criação do computador, além de ter ajudado a quebrar o código Enigma, utilizado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

O longa, no entanto, vai além de sua carreira, mostrando uma outra faceta do matemático: a do homossexual enrustido que foi perseguido pelo governo inglês. No elenco estão nomes como Benedict Cumberbatch, Keira Knightley e Matthew Goode, e todos tem sido muito elogiados pela crítica especializada. Aliás, Benedict é a principal aposta do filme, para levantar o prêmio de melhor ator.


A Teoria de Tudo

A fantástica história real de Stephen Hawking tornou-se o centro das atenções no Festival de Toronto desse ano. O diretor James Marsh já possui um Óscar em casa, pelo documentário O Equilibrista, e dessa vez tem ambições maiores.

O que mais chamou a atenção da crítica foram as atuações de Felicity Jones e Eddie Redmayne, que levam a produção nas costas e devem certamente concorrer aos prêmios desse ano. Mais do que isso, o filme tem boas chances de concorrer como melhor roteiro adaptado e até mesmo melhor filme.


Boyhood - Da Infância à Juventude

Lançado no festival de Sundance, o longa já conquistou de cara uma legião de críticos. Todos, quase sem exceção, dizem que trata-se de um dos filmes mais belos e bem feitos dos últimos anos, e o próprio diretor Robert Linklater declarou que devolve o dinheiro do ingresso para quem não gostar da história.

O longa demorou doze anos para ser filmado e acompanha, literalmente, os doze anos na vida do jovem Mason, de seus 6 anos até os 18. Extremamente interessante, tem tudo para agradar a Academia e disputar boa parte dos prêmios principais, além de ser uma experiência única na história do cinema.

Interestelar

Depois de ganhar o Óscar de melhor ator por Clube de Compras Dallas, Matthew McConaughey está de volta, dessa vez sob a direção de Christopher Nolan, um dos diretores mais populares da nova geração. Por conta disso, é grande a expectativa em torno da ficção científica Interestelar desde que seus primeiros trailer começaram a ser lançados.

No ano passado, Gravidade foi um dos principais vencedores da edição do Óscar, voltando a chamar a atenção para o gênero, tão pouco lembrado pela Academia. Abordando questões sobre a existência da vida na terra, o filme tem um elenco de peso. Além de McConaughey, tem Anne Hathaway (também ganhadora no último Óscar), Michael Caine, Jessica Chastain, Matt Damon e Elles Burstyn, e pelo que se vê nos trailers, promete ser uma experiência incrível.


Invencível

Há quem diga que Invencível será um dos filmes mais indicados do próximo Óscar, mas isso só o tempo dirá. Dirigido por Angelina Jolie (sim, ela mesma), e roteirizado pelos irmãos Joel e Ethan Coen, o filme deve mostrar a vida do atleta olímpico Louis Zampieri, baseado em um livro escrito por Laura Hillebrand.

Em plena Segunda Guerra Mundial, Zampieri sobreviveu a uma queda de avião, a 47 dias perdido no mar, e a três anos como prisioneiro dos japoneses. Uma história que tem tudo para agradar a Academia e que já vem chamando atenção pelos trailers.

Garota Exemplar

O livro homônimo de Gillian Flynn conquistou muitos fãs ao redor do mundo, e fez aumentar bastante a expectativa por sua adaptação. A presença de David FIncher na direção não apenas lhe deu credibilidade, como também o colocou na lista dos possíveis candidatos ao Óscar.

O enredo acompanha os esforços de um homem para desvendar o que aconteceu com sua esposa, que desapareceu bem no aniversário de casamento deles. O problema é que, devido a sua reputação, o mesmo se torna um suspeito em potencial para a polícia. Estrelado por Ben Affleck, o ator deve voltar ao Óscar, dois anos depois do vitorioso Argo.


Mr. Turner

Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes, Mr. Turner é o mais recente trabalho do consagrado diretor Mike Leigh, e mostra a vida e a obra do pintor inglês J.M.W. Turner, um dos precursores do impressionismo.

Com uma bela fotografia, que busca recriar nas telas a ambientação criada por Turner em suas obras, o longa é sério candidato nas categorias técnicas. Timothy Spall, intérprete do pintor, também tem boas chances de concorrer como melhor ator, prêmio que ganhou em Cannes.

Maps to the Stars

Também exibido em primeira mão no Festival de Cannes desse ano, Maps to the Stars é a visão crítica do experiente diretor David Cronenberg a respeito da busca desenfreada pela fama em Hollywood.

O grande potencial para uma possível indicação é da atriz Julianne Moore, premiada em Cannes, e que deve certamente estar na disputa desse ano. Ela interpreta uma atriz decadente que tenta, de todas as formas possíveis, conseguir o papel principal na refilmagem de um grande sucesso estrelado por sua mãe décadas atrás.


Corações de Ferro

Estrelado por Brad Pitt e Shia LaBebouf, Corações de Ferro, do diretor David Ayer, é uma superprodução de guerra que vem sendo considerado um dos longas mais esperados desse final de ano.

A história mostra um grupo de soldados americanos que recebe a missão de atacar nazistas dentro da própria Alemanha, mesmo com um número bastante inferior em relação ao inimigo. Liderados pelo destemido sargento Wardaddy (Pitt), eles não desistem e vão até o fim para cumprir a missão. Muito se espera desse filme, e tem tudo para concorrer em diversas categorias.


Birdman

Novo trabalho de um dos diretores que mais admiro, Alejandro González Iñarritú, Birdman conta a história de um super-herói que foi um ícone cultural e que agora, em plena decadência, tenta se dar bem no papel dele mesmo em um musical sobre sua carreira.

O longa chama a atenção por ser a primeira comédia da carreira do diretor, e conta com um elenco de peso: Edward Norton, Michael Keaton, Emma Stone, Naomi Watts, entre outros.

Trash - A Esperança vem do Lixo

Stephen Daldry dirigiu quatro filmes ao longo da carreira e todos, sem exceção, foram indicados ao Óscar, e em categorias importantes. Diante disso, há grande expectativa em torno de Trash, seu mais novo trabalho, e que foi filmado inteiramente no Brasil.

Baseado no best seller homônimo escrito por Andy Mulligan, o filme acompanha a vida de três adolescentes que vivem e trabalham em um lixão, e que certo dia encontram uma carteira abandonado com instruções para encontrar um suposto tesouro. Estrelado por Martin Sheen e Rooney Mara, o filme tem boas chances inclusive de disputar o prêmio principal.


Wild

Após dirigir uma das surpresas no Óscar do ano passado, Clube de Compras Dallas, Jean-Marc Vallée está de volta com seu mais novo trabalho: Wild, novamente baseado em fatos reais. Dessa vez ele nos mostra a saga de Cheryl Strayed, que resolveu levar uma vida junto à natureza selvagem.

O longa em boas chances de render uma indicação para Reese Whiterspoon, ganhadora de um Óscar, mas que andava sumida das principais produções nos últimos anos.

Vício Inerente

A expectativa a cerca de Vício Inerente se dá principalmente pelo nome de seu diretor, Paul Thomas Anderson. Responsável por sucessos de crítica como Sangue Negro, Boogie Night e Magnólia, dessa vez ele volta a trabalhar com um grande estúdio de Hollywood, apresentando uma história que envolve o sequestro de um bilionário latifundiário feito por um detetive. 

No elenco estão nomes como Joaquim Phoenix, Benício Del Toro, Owen Wilson, Josh Brolin e Reese Whitersrpoon. As categorias são incertas, mas é bastante esperado que ele marque presença na premiação do ano que vem de alguma forma.


Big Eyes

Tenho uma estreita relação de amor e ódio com Tim Burton e seu modo de fazer cinema. Sou fã de filmes como Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, Sweeney Todd, mas em compensação, odiei filmes como Os Fantasmas se Divertem, O Estranho Mundo de Jack e Sombras da Noite.

Dessa vez ele está diferente, menos sombrio, em um filme que pode lhe render a primeira indicação como melhor direção, ao mostrar a história real da pintora Margarete Keane, conhecida nos anos 50 por pintar crianças com olhos grandes e assustadores. Amy Adams, que dá vida a personagem, tem tudo para arrecadar mais uma indicação, a sexta da carreira e a terceira seguida.

Magia ao Luar

Apesar de esnobar a premiação há anos, Woody Allen sempre tem seu nome e seus filmes indicados, numa longa história de amor e ódio com a Academia. O novo filme do veterano diretor traz uma pitada de magia e romantismo, acompanhando os esforços de um especialista em descobrir charlatões para desmascarar uma falsa médium.

Como de praxe, a indicação para melhor roteiro original é a mais esperada, mas pode sobrar algo para fotografia e trilha sonora.

Caminhos da Floresta

O elenco de Caminhos da Floresta já chama a atenção logo de cara, com nomes como Johnny Depp, Mery Streep e Emily Blunt. Baseado no premiado musical de mesmo nome, e dirigido por Rob Marshall (Chicado, Memórias de Uma Gueixa e Nine), o longa é uma verdadeira brincadeira com diversos personagens famosos de contos de fadasm como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela e Rapunzel.

Na premiação, o longa deve concorrer em categorias técnicas como maquiagem e direção de arte, mas também pode surpreender em categorias maiores.

O Grande Hotel Budapeste

Wes Anderson possui uma estética própria que lhe rendeu milhares de admiradores ao redor do mundo, e três indicações ao Óscar, por Os Excêntricos Tenembaums (roteiro original), O Fantástico Sr. Raposo (animação) e Moonrise Kingdom (roteiro original). O Grande Hotel Budapeste estreou oficialmente no Festival de Berlim desse ano, onde recebeu diversos elogios.

A história, que acompanha as aventuras de um gerente de hotel e seu jovem empregado, e mostra desde o roubo de um famoso quadro até a briga de integrantes de uma família por uma herança, tem tudo para render uma nova indicação como melhor roteiro para Anderson, além de correr por fora em fotografia e direção de arte.


Como Treinar o Seu Dragão 2

2014 foi um ano bem pouco rentável para o mundo das animações, e entre todos os lançamentos, Como Treinar o Seu Dragão 2 foi o que chamou mais a atenção, e deve vir como favorito para vencer o prêmio de melhor animação em 2015. Vale lembrar que o primeiro filme da saga recebeu duas indicações em 2010, nas categorias de melhor animação e melhor trilha sonora.

Winter Sleep

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Winter Sleep, do turco Nuri Bilge Ceylan, é um dos fortes candidatos para vencer o prêmio de melhor filme estrangeiro esse ano. O filme, que se passa na península anatoliana, promete examinar de forma sensível a diferença que há entre os ricos e os pobres, bem como entre poderosos e fracos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Crítica: O Lobo Atrás da Porta (2014)


Silvia (Fabíula Nascimento) sai de casa para buscar sua filha pequena na creche em mais um dia normal de sua rotina, mas quando chega no local descobre que alguém se passou por ela e buscou a criança mais cedo. Desesperada, leva o caso até a polícia, que logo abre um inquérito para descobrir a verdade por trás desse suposto sequestro. Esse é só o começo de uma longa história.


Bernardo, marido de Silvia e pai da menina, também é chamado para depôr, e fala para o policial que acredita ter sido obra de sua amante, Rosa (Leandra Leal). Chamada na delegacia, ela nega veemente qualquer culpa no caso, mas é reconhecida pela dona da creche. Isso é só o começo de um jogo de gato e rato, e aos poucos vamos descobrindo toda a história por trás.

Em novo depoimento, Bernardo começa a contar como conheceu Rosa na estação Osvaldo Cruz do metrô. Trabalhando como fiscal em uma empresa de transportes urbanos, Bernardo via no relacionamento uma fuga do casamento sem graça, que já saturou com o tempo. Mais do que isso, ele declara abertamente ao policial que isso é coisa de homem, em um machismo declarado, como se isso fosse comportamento normal de todos.


Aliás, é interessantíssima a figura do policial na história, interpretado muito bem por Juliano Cazarré. Ouvindo as histórias de cada um e suas diferentes versões, ele vai ligando os pontos junto com o espectador, sempre de maneira sínica e até mesmo engraçada. Ao ser chamada novamente para depôr, Rosa decide contar ao policial toda a sua versão de como conheceu Bernardo. Numa série de reviravoltas, ela resolve abrir o jogo de vez, contando nos mínimos detalhes tudo que aconteceu, inclusive que fim levou a criança. Não conto aqui para não estragar a surpresa, mas posso garantir que os minutos finais vão te deixar incrédulo. O ser-humano, no desespero, pode tomar atitudes extremas, e a cena final deixa um aperto enorme no peito.

O que mais chama a atenção no longa são as atuações. Rosa é uma personagem dúbia, hora sexy e desejável, hora inocente e ingênua, e Leandra Leal consegue transpôr essa personalidade com primor. Milhem Cortaz também está excelente ao encarnar um personagem repugnante, que personifica o homem que trabalha duro para dar sustento à família mas que dentro de casa não dá atenção devida. Por fim, tem Fabíula Nascimento, no papel da mãe de família que vive no seu mundinho cômodo e que se agarra a qualquer coisa que lhe possa trazer um pouco de felicidade.


O enredo de O Lobo Atrás da Porta é impecável e não deixa furos, segurando o suspense até os momentos finais. É certamente um dos melhores filmes nacionais do ano, se não for o melhor, e merece todos os elogios que recebeu ao longo do ano em diversos festivais.

Crítica: A Música Nunca Parou (2011)


Lançado em 2011 nos Estados Unidos, o filme do estreante Jim Kohlberg demorou quase três anos para chegar ao Brasil, mas antes tarde do que nunca. Misturando uma bonita história real de superação com uma das melhores trilhas sonoras dos últimos tempos, o filme conquista pela simplicidade e pelas boas atuações.



Estamos em 1986. É noite na casa da família Sawyer quando o telefone toca e Helen (Cara Seymour) vai atender. A ligação é do hospital, informando que seu filho Gabriel (Lou Taylor Pucci), que há anos não dava as caras, está internado em um leito do local. AO chegar no local, ela e seu marido Henry (J. K. Simmons) descobrem que o filho teve uma parte de seu cérebro destruída por um tumor, e por conta disso, perdeu a capacidade de guardar memórias recentes.

Aos poucos, a vida dessa família começa a a ser contada através de flashbacks. No início acompanhamos a forte relação que existia entre eles quando Gabriel era criança, onde seu pai lhe mostrava as músicas que marcaram sua juventude, para depois entrarmos na sua adolescência, onde o enredo foca nas brigas que teve com o pai até a sua fuga definitiva de casa.



Já no presente, Gabriel precisa de um tratamento que o estimule a relembrar as coisas do passado, e como a música sempre esteve fortemente presente em sua vida, seu pai decide pedir ajuda para a especialista em musicoterapia Dianne Daley (Julia Ormond). A partir de então, para tentar trazer Gabriel de volta ao mundo, ela utiliza as músicas que ele sempre gostou.

O maior presente que o diretor nos traz, e o grande trunfo do filme, é certamente a trilha sonora. Gabriel viveu sua adolescência no alvorecer dos anos 60, onde se apaixonou pelas canções de Beatles, Stones, Grateful Dead, Bob Dylan, entre outros. Quando Dianne usa essas músicas no tratamento, é como se ele acordasse de um sonho, recuperando a lucidez quase por completo.



Uma coisa interessante no filme é mostrar toda aquela aura que existia nos anos 60, onde questões como a Guerra do Vietnã, a contracultura e as drogas eram evitadas no círculo familiar. E foi durante esse período que Gabriel teve seu momento de "rebeldia", onde ocorreram as piores brigas com o pai, extremamente contrário aos seus modos e seus gostos.

Mais do que qualquer outra coisa, o filme visa mostrar o quanto a música tem o poder de transformar a vida de alguém, ou o quanto nossa memória é capaz de reter momentos que combinam com determinadas canções. Afinal, quem nunca ouviu uma música e de cara lembrou, com exatidão, o momento em que ouviu ela pela primeira vez?



Baseado no livro O Último Hippie, de Oliver Sacks, A Música Nunca Parou é uma experiência sensacional para os entusiastas da boa música. Seria maldade dizer que ele subsiste através dessas músicas, até porque ele tem sua qualidade própria, mas é óbvio que é justamente isso que faz seu diferencial.