quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Estreias da Semana (20/11 a 26/11)

Cinco filmes entram em cartaz nessa quinta-feira nos cinemas brasileiros. O grande destaque é o novo filme da milionária saga Jogos Vorazes, franquia adolescente mais bem sucedida desde "Harry Potter". Campeão de bilheteria de um filme de estreia nos Estados Unidos, ele tem tudo para ser o grande sucesso desse segundo semestre por aqui. Outro destaque é o brasileiro Boa Sorte, com a atriz Deborah Secco. Os demais filmes vocês conferem abaixo.


Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1


Após sobreviver duas vezes aos jogos vorazes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) servirá como símbolo de uma revolução iniciada no Distrito 13. Além de ter que manter sua imagem de ícone, a jovem ainda precisa se preocupar em defender sua mãe e sua irmã no meio da guerra.

The Hunger Games: Mockingjay - Part 1, Estados Unidos, 2014.
Direção: Francis Lawrence
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos
Ação / Drama / Ficção Científica


Uma Promessa


Um jovem diplomata (Richard Madden) ingressa no serviço administrativo de uma usina siderúrgica. Por conta de seu bom trabalho, seu patrão (Alan Rickman) o contrata para o posto de secretário particular. Conforme os dias passam, ele conhece e se aproxima da esposa do chefe, apaixonando-se perdidamente por ela.

A Promise, Bélgica/França, 2014.
Direção: Patrice Leconte
Duração: 98 minutos
Classificação: 12 anos
Drama / Romance


O Ciúme


Louis (Louis Garrel) é ator e vive com Claudia (Anna Mouglalis), também atriz, em um pequeno apartamento. Eles levam uma vida normal, porém complicada financeiramente. A carreira dela vai de mal a pior e ele faz tudo para ajudá-la enquanto tenta encontrar tempo para manter-se próximo à filha Charlotte (Olga Molshtein).

La Jalousie, França, 2014.
Direção: Philippe Garrel
Duração: 77 minutos
Classificação: 12 anos
Drama


Nós Somos as Melhores!

Bobo (Mira Barkhammar) e Klara (Mira Grosin) tem 12 anos e são amigas inseparáveis. Fãs de punk rock, sentem-se descoladas na escola e em suas famílias. Um dia, como provocação a um grupo de garotos, elas resolvem montar uma banda junto com o amiga Hedvig, uma talentosa violinista que não tem nada a ver com o estilo punk das outras duas.

Vi är bäst, Suécia, 2014.
Direção: Lukas Moodysson
Duração: 102 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama

Boa Sorte

Após uma série de problemas comportamentais, o adolescente João (João Pedro Zappa) é internado pela família em uma clínica psiquiátrica. No local ele conhece Judite (Deborah Secco), também paciente, por quem logo se apaixona. Ele não tem muito tempo de vida e ambos sabem disso, mas isso não impede que iniciem um intenso romance.

Boa Sorte, Brasil, 2014.
Direção: Carolina Jabor
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Romance

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Crítica: Relatos Selvagens (2014)


Escrita e dirigida por Damián Szifron, Relatos Selvagens (Relatos Salvajes) é uma excelente comédia de humor negro que, de forma inteligente, foge de qualquer esteriótipo do gênero. O filme consiste em uma pequena introdução seguida de 5 histórias diferentes, que não tem relação alguma entre elas, a não ser mostrar os limites do ser-humano ao perder o controle com situações do cotidiano de qualquer centro urbano.


A primeira (e mais curta) história inicia o filme de forma brilhante, como uma introdução ao que viria pela frente. Em pleno ar durante uma viagem de avião, os passageiros começam a conversar e descobrem que, de alguma forma, todos possuem um laço negativo com uma mesma pessoa, um aspirante a músico. Intrigados, logo descobrem que essa mesma pessoa está na cabine do avião, e tudo não passa de um plano de vingança muito bem elaborado.

Após o início fenomenal, somos enviados para um restaurante de beira de estrada, onde uma garçonete é obrigada a atender um desafeto do passado, responsável pela morte de seu próprio pai. Ela deseja fazer alguma coisa para se vingar do homem, mas lhe falta coragem, ainda que seja insistentemente incentivada pela dona do local a colocar veneno de rato em sua comida. A trama se desenrola até terminar da forma mais inesperada possível, e o destaque fica por conta da cozinheira e dona do local, interpretada por Rita Cortese.


Aliás, o grande trunfo do filme são as formas nada convencionais com que as histórias chegam ao fim. A originalidade individual de cada uma é impressionante, não deixando margens para qualquer previsibilidade. A segunda história é uma das mais engraçadas do filme, e mostra uma briga épica de trânsito. Um homem xinga outro no meio da estrada, mas por uma ironia do destino seu carro estraga logo mais a frente, e ele se vê indefeso quando o outro o alcança e lhe ameaça violentamente. Apesar do teor cômico, o final é o mais macabro de todos.

Na terceira história, temos Simon Fischer (Ricardo Darín), um engenheiro, pai de família, que trabalha numa empresa responsável por implosões com explosivos. Mais do que tudo, esse trecho faz uma pesada crítica à burocracia dos serviços públicos, e principalmente a corrupção que existe no meio deles. O carro do engenheiro é guinchado toda semana, mesmo sem motivo, e para retirá-lo ele deve sempre arcar com uma multa pesada e com a falta de consideração dos servidores.


Na quarta história, a trama faz uma crítica aos ricos e poderosos que pensam ser capazes de tudo. Quando o filho de um milionário atropela fatalmente uma mulher grávida, começa um longo plano da família para esconder o crime. Para inocentar o garoto, o pai promete uma boa grana ao empregado da casa para que ele finja ter sido ele o motorista do carro na noite anterior. No entanto, entram na jogada o advogado de defesa da família e o detetive, que também querem uma boquinha do plano.

Por último, temos um casamento dos sonhos que termina em um verdadeiro pesadelo. Durante a festa, a noiva descobre que o marido a traiu com uma colega de trabalho, que inclusive está no local, e a partir disso ela começa uma vingança. A festa do casamento se torna um verdadeiro caos, em uma das sequências mais malucas e sádicas do cinema, fechando com chave de ouro o longa.


Diferente das comédias brasileiras, onde piadas sobre fratulência ainda são vistas como engraçadas, as comédias argentinas sempre demonstraram maturidade, e é justamente isso que conquista o público. Não é à toa que o longa foi um estrondoso sucesso na Argentina, tendo sido o mais visto do ano até então por lá. Foi ainda o único filme da América-Latina a entrar na competição oficial de Cannes desse ano, sendo aplaudido no final da sessão com louvor. A cereja do bolo foi sua escolha para representar a Argentina no Óscar de melhor filme estrangeiro em 2015.

Ricardo Darín é o nome mais conhecido do filme, mas todo o elenco trabalha de forma primorosa. A fotografia também é sensacional, assim como a trilha sonora, feita no capricho. Apesar das situações malucas, todas são passíveis de acontecer a qualquer um, até porque, afinal, quem nunca perdeu as estribeiras e teve um acesso de raiva?


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Especial: A trilogia "Before", de Richard Linklater


Richard Linklater é um diretor que sabe retratar a vida e a passagem do tempo como ninguém. Seu nome voltou à tona esse ano com o término das gravações de Boyhood, filme que levou 12 anos para ser feito e que acompanhou o envelhecimento real dos atores em cena. No entanto, se engana quem pensa que essa foi a primeira vez que ele usou esse tipo de recurso nas telas.  Assim como Boyhood, Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite, que formam a elogiada trilogia "Before", também trazem atores que envelhecem junto com a história. Filmados em períodos diferentes, juntos somam ao todo 18 anos, de 1995 a 2013.


No primeiro filme da trilogia, lançado em 1995, o americano Jesse (Ethan Hawke) e a francesa Celine (Julie Delpy) se conhecem em uma viagem de trem e resolvem passar uma noite juntos em Viena. O enredo foi baseado em uma história real ocorrida na vida do diretor, que assim como os personagens principais, também teria passado uma noite com uma desconhecida após uma viagem de trem.

O mais interessante, porém, é que o filme foge de qualquer esteriótipo do gênero. Eles não passam uma noite juntos em uma cama de hotel, por exemplo, mas pelo contrário, aproveitam cada segundo curtindo o que de melhor tem para curtir na capital austríaca. Entre caminhadas pelas ruas da cidade e visitas aos seus principais pontos turísticos, eles vão debatendo sobre diversos assuntos e descobrindo o que tem de comum e de diferente entre si. De assuntos simplórios do dia-dia a questões existenciais, o forte do filme, assim como o de toda trilogia, são os diálogos e a espontaneidade das atuações.

Algumas cenas são emblemáticas, como a cena em que eles estão caminhando à beira do rio Danúbio e se deparam com o que Jesse chama de "uma versão vienense de um vagabundo", que ao invés de pedir dinheiro, pede a eles uma palavra para que ele crie a partir dela um poema. Quando começamos a nos apaixonar pelo casal, ainda no começo da manhã eles são obrigados a se separar, já que cada um tem seus próprios compromissos. Ele volta para os Estados Unidos e ela vai para Paris, com a promessa de se verem 6 meses depois para reviverem a melhor noite de suas vidas. O filme termina e a empatia pelo casal é tão grande que é impossível não torcer para que tudo dê certo para eles.


Em 2004, exatos 9 anos após o primeiro filme, Linklater apresentou a continuação da história, respondendo aos fãs a pergunta do que teria ocorrido com os dois. Jesse agora é escritor e está em Paris para promover seu primeiro sucesso, que conta exatamente a história de um casal que vive um romance em Viena após se conhecerem em um trem. Na vida real, Linklater também teria filmado o primeiro filme com a intenção de que a mulher que havia conhecido se identificasse e os dois pudessem se reencontrar. O que ele não sabia, porém, era que ela havia morrido em um acidente de carro um ano antes do lançamento do filme.

Não demora para percebemos que Jesse e Celine não se encontraram conforme o prometido, por motivos completamente alheios as suas vontades. Quando Celine aparece no local onde Jesse está participando de uma entrevista coletiva após o lançamento do seu livro, os dois tem um pouco mais de uma hora e meia para colocar todos os assuntos em dia, antes dele pegar o avião de volta para casa. Assim como no primeiro filme, os diálogos são o grande chamativo do filme, onde vamos aos poucos descobrindo o que cada um fez de sua vida nesse período de tempo, de suas alegrias às suas frustrações. Jesse agora está casado e tem um filho pequeno. Já a vida amorosa de Celine segue completamente instável. No entanto, fica evidente que ambos parecem nunca ter se recuperado daquela noite especial de nove anos atrás.

O final de Antes do Pôr do Sol, assim como o final do primeiro, também deixa aquela ponta de curiosidade sobre sua continuação. Após uma das cenas mais bonitas da trilogia, onde Celine canta uma música de sua autoria sobre o romance dos dois no violão, ela o relembra de ir embora para não perder o vôo e ele apenas ri, deixando subentendido se ele vai ou não embora naquele momento.


Essa pergunta já é respondida na primeira cena de Antes da Meia-Noite, lançado em 2013 (novamente 9 anos após o antecessor). Jesse e Celine estão agora casados e tem duas filhas. O passar dos anos, no entanto, trouxe tudo aquilo que o peso de um relacionamento traz. O amor entre eles não parece mais o mesmo, e as brigas passaram a ser constantes. Além disso, cada um parece ter chegado naquele ponto da vida em que nos perguntamos o que afinal fizemos de nossas vidas.

O filme é muito mais denso que os dois primeiros, e trata a forma como o tempo molda a vida de todos. Linklater escancara os problemas que acontecem com a maioria dos relacionamentos, e fecha com chave de ouro a trilogia mais romântica e bonita do cinema. É possível se reinventar e fazer ressurgir o amor pela pessoa com que se está junto há anos? Isso só o final do filme pode responder.

Resumindo a trilogia em uma frase, dá para dizer que é "a vida como ela é", retratada com fidelidade nas telas. O mais legal de tudo é que os atores realmente parecem apaixonados, e que Linklater apenas colocou uma câmera filmando-os. Não parecem estar encenando, tamanha é a veracidade dos sentimentos. Tanto Hawke como Delpy estão impecáveis, e nos 18 anos que separam os filmes entre si, a sintonia continuou a mesma. Profunda e reflexiva, essa é uma das melhores trilogias do cinema, sem contar que os filmes individualmente estão entre os melhores do gênero.

Estreias da Semana (13/11 a 19/11)

Nove filmes estreiam nessa quinta-feira nos cinemas brasileiros. O destaque fica por conta da comédia Debi & Lóide 2, lançado exatamente 20 anos depois do primeiro filme, e que conta com os mesmos Jim Carrey e Jeff Daniels.

Outro destaque é o francês Saint Laurent, indicado do país ao próximo Óscar de melhor filme estrangeiro, e que foi bastante elogiado nos principais festivais do ano. No cinema nacional, destacam-se duas biografias: a de Irmã Dulce, a provável primeira santa brasileira, e a do carnavalesco Joãosinho Trinta, interpretado por Matheus Nachtergaele.

A lista completa vocês conferem abaixo.

Debi & Lóide 2

Mais uma aventura dos inseparáveis Lloyd Christmas (Jim Carrey) e Harry Dunne (Jeff Daniels). Desta vez, Harry descobre que teve uma filha ilegítima, que hoje precisa dele pra um transplante de rim. Ele leva o amigo para conhecer a garota, e os dois percebem que não tem a responsabilidade necessária para serem pais.

Dumber and Dumber To, Estados Unidos, 2014.
Direção: Bobby Farrelly e Peter Farrelly
Duração: 108 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia

Idênticos

Durante a grande depressão nos Estados Unidos, um casal pobre tem dois filhos gêmeos. Incapazes de cuidar das duas crianças, eles aceitam dar um dos garotos à família de um pastor evangélico, cuja esposa é infértil. Os irmãos crescem separados, e tem carreiras distintas: enquanto um se torna um grande ícone da música, outro luta para seguir a careira religiosa do seu pai adotivo.

The Identical, Estados Unidos, 2014.
Direção: Dustin Marcellino
Duração: 107 minutos
Classificação: 10 anos
Drama

Questão de Escolha

Paul Tyson (Ted McGinley) é um afetuoso marido, pai dedicado e um empresário de grande renome. Prestes a fechar o maior empreendimento de sua carreira, ele conhece Julia (Ana Ayora), por quem ele passa a se sentir atraído, deixando de lado o casamento e a família.

Redeemed, Estados Unidos, 2014.
Direção: David A.R. White
Duração: 88 minutos
Classificação: livre
Drama

Saint Laurent

Entre os anos 1967 e 1976, o estilista Yves Saint-Laurent (Gaspard Ulliel) reinou sozinho no mundo da alta costura francesa. Esta biografia mostra o seu processo criativo, as fotografias e entrevistas polêmicas, a relação com o marido e empresário Pierre Berger, os casos amorosos extra-conjugais e a relação com o álcool e as drogas.

Saint Laurent, França, 2014.
Direção: Bertrand Bonello
Duração: 150 minutos
Classificação: 16 anos
Biografia

Karen Chora no Ônibus

Após dez anos de casamento, Karen (Ángela Carrizosa Aparicio) se dá conta de que a união foi um erro que custou sua juventude. Disposta a recuperar o tempo perdido, ela pede o divórcio e decide recomeçar sua vida no centro de Bogotá, mas a dificuldade logo a fazem repensar suas recentes escolhas.

Karen Llora en un Bus, Colômbiq, 2011.
Direção: Gabriel Rojas Vera
Duração: 98 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Los Nobles: Quando os Ricos Quebram a Cara

O poderoso empresário Germán Noble (Gonzalo Vega) descobre que seus três filhos estão gastando dinheiro de forma descontrolada e completamente irresponsável. Por isso, ele arma um grande plano para dar uma lição aos filhos: fingir aos filhos que sua empresa faliu. Sem o luxo e o dinheiro que estão acostumados, agora os filhos tem que aprender a se virar e fazer algo que eles nunca tinham pensado fazer: trabalhar.

Nosotros los Nobres, México, 2014.
Direção: Gary Alazraki
Duração: 108 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

Irmã Dulce

Cinebiografia de irmã Dulce, religiosa baiana que dedicou grande parte da sua vida a ajudar os necessitados. Tendo o amor e a caridade como prioridades, ela ignora preconceitos, desconfianças, dogmas e até mesmo sua saúde frágil, sempre colocando-se a disposição dos outros.

Irmã Dulce, Brasil, 2014.
Direção: Vicente Amorim
Duração: 107 minutos
Classificação: 10 anos
Biografia / Drama

Trinta

Cinebiografia do carnavalesco Joãosinho Trinta (Matheus Nachtergaele), desde sua vinda de São Luís, até a glória no carnaval do Rio de Janeiro. O início da carreira do bailarino, a ida para o Salgueiro, a estreia como carnavalesco e o reconhecimento como artista.

Trinta, Brasil, 2014.
Direção: Paulo Machline
Duração: 120 minutos
Classificação: 12 anos
Biografia / Drama

Ventos de Agosto

Um pesquisador de som de ventos alísios desembarca em uma pacata vila de pescadores e abala a rotina de Shirley (Dandara de Morais), que trabalha em uma fazenda, e Jeison (Geová Manoel dos Santos), praticante da pesca submarina.

Ventos de Agosto, Brasil, 2014.
Direção: Gabriel Mascaro
Duração: 77 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Crítica: Uma Vida Comum (2014)


Do cineasta italiano Uberto Pasolini, filho do excelentíssimo Luchino Visconti, Uma Vida Comum (Still Life) é um filme sombrio e duro sobre o fim da vida, mas que apesar da aura pesada consegue misturar muito bem o drama com um humor negro bastante peculiar.


Na trama, John May (Eddie Marsan) é um correto e metódico empregado que tem a missão de localizar os familiares de pessoas que morreram sozinhas. Como grande parte dos contatados não se mostram afim de ir até a cidade enterrar seus parentes, ele acaba ficando encarregado de todo o processo, desde a compra do caixão até a cerimônia religiosa.

Apaixonado pelo que faz, ele não se contenta em apenas despachar os corpos, como fazem a maioria de sua profissão. Pelo contrário, ele se dedica com muito carinho a cada um deles, mantendo inclusive um álbum com fotos de todos. Assim como seus "clientes", John também é um ser solitário, talvez até mais do que a maioria deles. Levando uma vida comum, seu único contato é com os colegas de trabalho e por isso mesmo ele se dedica com amor à única coisa que lhe faz bem.


Após 22 anos trabalhando nessa mesma empresa, ele acaba sendo demitido por causa de um corte de gastos imposto pela nova diretoria que assume o lugar. Antes de ir embora, porém, ele tem a oportunidade de terminar um último trabalho, de seu vizinho Billy Stoke. Por ser sua última chance de fazer aquilo que gosta, ele acaba se jogando de cabeça no caso.

O final é belíssimo, e de uma ironia que dói. Independente da crença que o espectador tenha, é impossível não se emocionar com as duas últimas tomadas. A atuação de Marsan é muito precisa, e sem falar muito, grande parte das emoções do personagem estão descritas nas suas expressões. Uma atuação suave e intensa, que faz toda a diferença no resultado final.



Por fim, Uma Vida Comum tenta mostrar aquele medo que todo ser humano tem de morrer sem ser lembrado, ou pior do que isso, de morrer sozinho. É uma grata surpresa do cinema europeu, e um dos filmes mais interessantes do ano.