sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Crítica: A 100 Passos de um Sonho (2014)


Numa mistura de drama familiar com comédia, A 100 Passos de um Sonho (The Hundred-foot Journey) é um filme literalmente delicioso para quem aprecia uma boa culinária unida a belas paisagens e personagens carismáticos.


Hassan (Manish Dayal) é um cozinheiro indiano que nasceu em Mumbai, local onde sua família possuía um restaurante até perderem tudo por conta de um incêndio criminoso. A família recomeçou a vida em Londres, onde manteve um restaurante de pratos típicos por anos até que o pai decidiu mudar de ares levando a família para Paris, capital da gastronomia francesa.

No caminho, eles sofrem um acidente com a van e acabam ficando hospedados em um pequeno vilarejo enquanto o veículo é consertado numa oficina mecânica. O pouco tempo de estadia serviu para que Papa (Om Puri) se apaixonasse pelo local, resolvendo por fim instalar o restaurante ali mesmo. Os filhos o alertam para o fato dos moradores não terem interesse em comida indiana, mas o pai teimoso bate o pé e fecha o negócio.


O grande problema de Papa é que na frente do terreno, mais precisamente à 100 passos, já existe um restaurante conceituado, comandado pela exigente madame Mallory (Helen Mirren). O sonho dela é conseguir mais uma estrela no guia Michelin e por isso exige até demais de seus comandados. Com receio da nova concorrência, ela faz de tudo para sacanear os vizinhos.

A noite de estreia do novo restaurante parece fadada ao fracasso, mas usando de todo seu carisma, Papa consegue chamar o público e encher a casa de curiosos pela culinária diferenciada. Aos poucos o restaurante vai caindo na boca do povo, e a competição com Mallory vai se acirrando. 

A situação começa a amenizar entre eles quando o muro dos novos vizinhos aparece pichado e um bando encapuzado põe fogo nas novas instalações. Mallory não só ajuda a família indiana, como convida Hassan para trabalhar como chef dela. O pai não aceita de cara mas depois de uma longa conversa, eles entram em um acordo. No novo restaurante Hassan começa a chamar a atenção e o sucesso é tão grande que ele acaba levantando vôos maiores.


As atuações são bem marcantes. O personagem de Papa traz no olhar aquele sentimento de busca por algo, de querer dar um futuro melhor para os filhos acima de tudo. Com um enredo que literalmente dá água na boca, o filme tem uma leveza apaixonante, o que ajuda a criar uma forte empatia por cada um dos personagens.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Estreias da Semana (18/12 a 24/12)

Seis filmes entram em cartaz nessa quinta-feira no Brasil. Os grandes destaques da vez são O Abutre, suspense protagonizado por Jake Gylhenhaal, e Uma Longa Viagem, com Nicole Kidman e Colin Firth, que mostra a história real do oficial britânico Eric Lomax, que foi capturado pelo exército japonês durante a Segunda Guerra e obrigado a trabalhar como escravo na construção de uma ferrovia. A lista completa vocês conferem abaixo.

O Abutre

Enfrentando dificuldades para conseguir um emprego forma, o jovem Louis (Jake Gyllenhaal) decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo, e vender a história para veículos interessados.

Nightcrawler, Estados Unidos, 2014.
Direção: Dan Gilroy
Duração: 117 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Suspense


Uma Longa Viagem

A trama conta a história do oficial britânico Eric Lomax, que durante a Segunda Guerra Mundial foi capturado pelo exército japonês e obrigado a trabalhar como escravo na construção de uma ferrovia. Durante o período em que esteve no cativeiro, Eric foi brutalmente torturado, e 50 anos depois do ocorrido retorna ao local para reencontrar seu carrasco.

The Railway Man, Estados Unidos, 2013.
Direção: Jonathan Teplitzky
Duração: 116 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Drama

As Duas Faces de Janeiro

Nos anos 60, um jovem casal decide fazer uma viagem de barco à Grécia. No local, conhecem Rydal, um guia americano que fala grego e decide ajudá-los no passeio. O que eles não sabem é que Rydal é conhecido por aplicar golpes nos turistas. No entanto, o casal também possui seus segredos.

The Two Faces of January, Estados Unidos/França/Reino Unido, 2014.
Direção: Hossein Amini
Duração: 97 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense


Run & Jump

Na trama, situada na Irlanda, Vanetia (Maxine Peake) lida com a recuperação do marido Conor (Edward MacLiam) de um derrame, quando um médico norte-americano, Dr. Ted Fielding (Will Forte) passa a observar o caso.

Run & Jump, Alemanha/Irlanda, 2014.
Direção: Steph Green
Duração: 106 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

A Noite da Virada

Durante uma festa de reveillóns na casa de Ana (Julia Rabello) e Duda (Paulo Tietenthaler), o banheiro é foco de todas as fofocas e polêmicas. Diversas histórias são compartilhadas entre os convidados, e diante de tantas revelações, tudo pode acontecer.

A Noite da Virada, Brasil, 2014.
Direção: Fábio Mendonça
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos
Comédia

O Segredo dos Diamantes

Ângelo (Matheus Abreu) e seus pais viajam para a casa da avó do jovem no interior de Minas Gerais, mas no caminho sofrem um acidente. Os pais do garoto ficam gravemente feridos, e enquanto isso, ele fica na casa da avó. Na região, surgem boatos de que existe enterrado um baú com um punhado de diamantes, e ele decide procurá-lo para poder pagar a cirurgia que seus pais precisam fazer.

O Segredo dos Diamantes, Brasil, 2014.
Direção: Helvécio Ratton
Duração: 86 minutos
Classificação: 10 anos
Aventura

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Crítica: Garota Exemplar (2014)


Adaptação do livro homônimo de Gillian Flyn, Garota Exemplar (Gone Girl) é um suspense de alto nível e possui um dos roteiros mais bem estruturados dos últimos anos. Dirigido por David Fincher (de Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social), o filme foi uma das gratas surpresas no cinema este ano.


Na manhã do aniversário de 5 anos de casamento, Nick Dunne (Ben Affleck) chega em casa e não encontra sua mulher Amy (Rosamund Pike). Isso não seria problema se a casa não estivesse com aspecto revirado, dando a entender que ela foi raptada violentamente. Imediatamente Nick chama a polícia para investigar o ocorrido, mas depois de passar informações distorcidas e contraditórias aos policiais, começam a surgir suspeitas sobre sua própria culpa pelo sumiço.

Como Amy foi estrela de uma série de livros infantis muito popular, seu sumiço cria um grande apelo midiático, com a história aparecendo em todos os telejornais mais vistos da região. A televisão faz de tudo para transformar Nick num vilão, e programas sensacionalistas chegam a revirar seu passado e o de sua família para tentar mostrar que ele teria tudo para ser o grande culpado. Essa é a crítica mais notória do filme, a respeito dos "sanguessugas" da comunicação.



As coisas pioram ainda mais quando chega à imprensa a notícia de que Amy estava grávida e que Nick tinha uma amante anos mais jovem. Enquanto a história se desenrola, o passado do casal vai sendo contado sobre a narrativa da própria Amy, que escreve tudo em forma de diários, desde o momento em que se conheceram, passando pela mudança de Nova York para o Missouri, até os dias que antecederam seu desaparecimento. 


Do meio pro final, acontece uma reviravolta que muda tudo o que se tinha sido pensado até então. A visão da moça indefesa que sofria nas mãos do marido vai por água abaixo, junto com toda desconfiança contra Nick. Na verdade (e pare de ler aqui mesmo se você não quer saber spoilers da história), tudo foi forjado nos mínimos detalhes pela própria mulher. Ela estudou passo a passo como criar uma cena de homicídio perfeita e não esqueceu nenhum detalhe.


O roteiro é da própria escritora, e por isso mesmo o filme segue quase à risca a história das páginas. A direção competente de Fincher dá um ar fantasmagórico e misterioso na trama, e foi muito bem utilizado. As atuações são interessantes, principalmente de Rosamund Pike, que brilha no papel da mulher. Mais do que tudo, o filme brinca com a relação dentro de um casamento, com suas frustrações e suas projeções para o futuro que parecem nunca se concretizar, sendo um dos filmes mais bacanas do ano.


Crítica: Acima das Nuvens (2014)


Depois de saber da morte do dramaturgo Whilelm Melchior, que foi responsável por sua descoberta e seu posterior sucesso na carreira, Maria Enders (Juliette Binoche) fica abalada e sem chão. O prêmio que ela receberia em seu nome naquela mesma noite acaba se transformando em homenagem póstuma, onde muitos se aproveitam da situação para se promoverem.

Dias depois, Maria é convidada por um jovem diretor para encenar a mesma peça de Whilhelm que encenou há 20 anos, sobre uma relação homossexual entre duas mulheres. O desafio de Maria é que dessa vez ela terá que interpretar a personagem mais velha da história. Com isso, se vê obrigada a encarar a passagem do tempo e sua velhice. Ela também fica intrigada quando descobre quem fará o papel que foi seu há anos atrás: Jo Ann (Chloe Grace Moretz), uma jovem atriz torturada pela mídia, que insiste em colocar a imagem dela como uma transgressora e mal educada.



Contando com a ajuda de Valentine (Kristen Stewart), ela começa a ensaiar as falas da peça na bela paisagem dos alpes suíços. A relação com a assistente é tão forte quanto a de uma mãe com a filha, e no final do filme acaba ficando meio subjetivo o que de fato elas tinham entre si.

O filme possui uma gama de críticas, escondidas atrás de simbolismos. A primeira e mais evidente é a da aceitação do transcorrer do tempo. A segunda é a forma como a mídia consegue moldar uma figura pública do jeito que eles querem. E a terceira é o fato de muitos atores serem julgados por um único trabalho mal feito, já que Jo Ann é desacreditada por ter protagonizado um filme meia-boca de ficção cientifica (o paradoxo com a Kristen Stewart é bem lembrado, já que ela é uma das que mais sofrem com isso depois de Crepúsculo).



Binoche começa o filme de maneira estonteante, e sua atuação melhora a cada novo plano. Stewart e Moretz também estão muito bem, e a primeira segue inclusive calando a boca de críticos que ainda insistem em dizer que ela não atua bem e não tem expressão. A paisagem lindíssima contribui para que a fotografia do filme seja incrível.

A única coisa que me incomodou bastante foram os cortes abruptos em certas cenas, fazendo com que a montagem final ficasse um tanto quanto precária. A própria Maria fala no filme que gosta de histórias em que cada um possa fazer seu próprio final e tirar suas próprias conclusões, e o filme é exatamente assim. Mas isso não deu certo dessa vez.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Crítica: Corações de Ferro (2014)


Desde o lançamento dos primeiros trailers, já era evidente que Corações de Ferro (Fury) tinha tudo para ser um dos grandes filmes do ano. E quem pensou isso realmente não estava enganado. Escrito e dirigido pelo americano David Ayer (Velozes e Furiosos, Dia de Treinamento e Os Reis da Rua), o longa já pode ser considerado um jovem clássico do gênero.



O filme se passa na reta final da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em abril de 1945. Um comboio de tanques norte-americanos é mandado para uma missão em pleno território alemão, onde tem que enfrentar cara a cara o inimigo. Um desses tanques, denominado de Fury (nome original do filme), é comandado pelo sargento Collier (Brad Pitt), um experiente e competente militar.

Um dos seus comandados é o novato Norman (Logan Lerman), que trabalhava como datilógrafo antes da Guerra e nunca recebeu nenhum tipo de treinamento para estar no front. Chamado às pressas, pela necessidade de um número maior de homens, o garoto sofre com os horrores da guerra e vê a morte de perto pela primeira vez na vida.  Apesar de manjado, o filme faz uma forte crítica ao modo como eram, e ainda são, recrutados os soldados para as guerras, onde são obrigados a deixar suas vidas cômodas para se transformarem em máquinas de matar. 



Me chamou a atenção o modo visceral do filme. Sanguinolento e brutal, o filme não economiza na violência, mostrando a sensação de estar num campo de batalha com uma veracidade impressionante. Com uma fotografia escura e sombria, e uma trilha sonora fantástica, o filme encanta os apaixonados pelo gênero, e já entra pra lista dos melhores do mesmo.

As atuações são bem consistentes. Brad Pitt prova que continua um excelente ator mesmo com o passar dos anos. Quem se destaca também é Logan Lerman, que interpretou Percy Jackson na saga juvenil, e traz um papel dramático brilhante. Chamam atenção ainda Shia Labeouf, Michael Peña e Jon Bernthal, todos membros do grupo de Collier.



Por fim, Corações de Ferro é um filme que chama atenção desde o primeiro momento, e é uma das apostas para o Óscar 2015. Um filme que busca mostrar o companheirismo que existe mesmo em momentos como uma Guerra, e o extremo que o ser-humano pode chegar pela sobrevivência. Um filme altamente recomendável.