quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Estreias da Semana (15/01 a 21/01)

Seis filmes entram em cartaz nessa quinta-feira em todo o Brasil. Os destaques ficam por conta de três filmes que possivelmente estarão no Óscar desse ano: Livre, de Jean Marc-Vallée (do sucesso Clube de Compras Dallas), Invencível, de Angelina Jolie (sim, ela mesmo, se aventurando pela segunda vez na direção), e o russo Leviatã, grande favorito para ganhar como melhor filme estrangeiro, prêmio que já recebeu no Globo de Ouro. Além desse três, tem o japonês O Segredo das Águas, a animação Os Pinguins de Madagascar e o drama nacional Depois da Chuva. A lista completa vocês conferem abaixo.


Invencível

Invencível retrata a história real do atleta olímpico Louie Zamperini, que sofreu uma acidente de avião enquanto realizava uma missão na Segunda Guerra Mundial e passou 45 dias náufrago no mar. Capturado pelos japoneses, ele ainda passaria meses sofrendo nas mãos impiedosas dos inimigos.

Unbroken, Estados Unidos, 2014.
Direção: Angelina Jolie
Duração: 137 minutos
Classificação: 12 anos
Biografia / Drama / Guerra

Livre

Após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição com heroína, Cheryl Strayed (Reese Whiterspoon) decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano pacífico.

Wild, Estados Unidos, 2014.
Direção: Jean-Marc Vallée
Duração: 116 minutos
Classificação: 16 anos
Biografia / Drama

Os Pinguins de Madagascar

Os pinguins Capitão, Kowalski, Rico e Recruta, da franquia Madagascar, ganham sua própria aventura, quando compõe uma tropa de elite entre os animais.

The Penguins of Madagascar, Estados Unidos, 2014.
Direção: Simon J. Smith e Eric Darnell
Duração: 93 minutos
Classificação: livre
Animação

Leviatã

Numa península do Mar de Barents, no Ártico, um pai de família (Aleksev Serebryakov) luta contra os desmandos de um prefeito corrupto. Para enfrentar o político que tenta desalojá-lo, ele recorre a um velho colega de Moscou.

Leviathan, Rússia, 2014.
Direção: Andrey Zviaguintsev
Duração: 141 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Segredo das Águas

A história acontece na ilha japonesa de Amami Oshima. Uma noite, Kaito (Nijirô Murakami) descobre um cadáver flutuando no mar e sua namorada Kyoko (Jun Yoshinaga) tenta ajudá-lo a entender essa misteriosa descoberta. Juntos, os jovens vão tentar entender a natureza cíclica da vida, do amor e da morte.

Futatsume no Mado, Espanha/França/Japão, 2014.
Direção: Naomi Kawase
Duração: 119 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Romance

Depois da Chuva

No ano de 1984, quando a ditadura militar estava enfraquecendo, dois jovens baianos começam a perceber que estão vivendo um momento importante para a história do país. A descoberta do contexto político, com as eleições diretas para Presidente, mistura-se às descobertas sexuais e ao fim da adolescência.

Depois da Chuva, Brasil, 2014.
Direção: Cláudio Marques e Marília Hughes
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

Confira a lista de indicados ao Óscar 2015


Foram anunciados na manhã desta quinta-feira (15) todos os indicados ao Óscar 2015, que ocorre dia 22 de fevereiro, e podemos dizer, sem medo de errar, que é uma das melhores listas dos últimos anos. Os grandes destaques dessa edição são Birdman, de Alejandro González Iñarritú, e O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson, cada um com nove indicações.

Diferentemente dos últimos três anos, dessa vez o prêmio de melhor filme será disputado entre oito filmes, e não nove. Se compararmos com o Globo de Ouro que ocorreu no último domingo, e que sempre serve como uma prévia do Óscar, as grandes surpresas na categoria ficaram por conta de Sniper Americano (ignorado completamente na outra premiação) e Whiplash: Em Busca da Perfeição. As ausências mais sentidas são as do britânico Pride, de Big Eyes, do diretor Tim Burton (surpreendentemente ignorado por completo nessa edição), do drama Corações de Ferro e de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo.


Na categoria de melhor direção, a grande surpresa (mas nem tanto assim) é o nome de Bennett Miller, por Foxcatcher, que já virou figurinha carimbada na premiação, mas que esse ano sinceramente não merecia. A ausência mais sentida foi a do experiente David Fincher, por Garota Exemplar, ou até mesmo a de Clint Eastwood, que era pouco provável mas ainda tinha chances.

Na parte das atuações, pouquíssimas surpresas. Marion Cottilard, que não era nem cogitada, ficou entre as cinco finalistas ao prêmio de melhor atriz, merecidamente diga-se de passagem. Além dela, Laura Dern também foi uma surpresa, concorrendo para melhor atriz coadjuvante por Livre. A ausência mais sentida entre as mulheres é a de Amy Adams, que recebeu o prêmio de melhor atriz no Globo de Ouro, e entre os homens a de Ralph Fiennes, por O Grande Hotel Budapeste.

Na parte de roteiros, a surpresa foi a ausência de Garota Exemplar e a presença de O Abutre. Para melhor filme estrangeiro, cinco bons filmes estão na disputa, e a ausência mais sentida é a do sueco Força Maior. Na parte técnica, destaque para Interestelar, que não recebeu nenhuma indicação nas principais categorias mas terminou com 5 no total. A lista completa vocês conferem abaixo.

Birdman e O Grande Hotel Budapeste, os dois destaques dessa edição.

MELHOR FILME
- A Teoria de Tudo
- Birdman
- Boyhood: Da Infância à Juventude
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Selma
- Sniper Americano
- Whiplash: Em Busca da Perfeição

MELHOR DIRETOR
- Alejandro González Iñarritú, por Birdman
- Bennet Miller, por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- Morten Tyldum, por O Jogo da Imitação
- Richard Linklater, por Boyhood: Da Infância à Juventude
- Wes Anderson, por O Grande Hotel Budapeste


MELHOR ATOR
- Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação
- Bradley Cooper, por Sniper Americano
- Eddie Redmayne, por A Teoria de Tudo
- Michael Keaton, por Birdman
- Steve Carell, por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

MELHOR ATRIZ
- Felicity Jones, por A Teoria de Tudo
- Julianne Moore, por Para Sempre Alice
- Marion Cottillard, por Dois Dias, Uma Noite
- Reese Whiterspoon, por Livre
- Rosamund Pike, por Garota Exemplar

MELHOR ATOR COADJUVANTE
- Edward Norton, por Birdman
- Ethan Hawke, por Boyhood: Da Infância à Juventude
- J.K. Simmons, por Whiplash: Em Busca da Perfeição
- Mark Ruffalo, por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- Robert Duvall, por O Juíz


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
- Emma Stone, por Birdman
- Keira Knightley, por O Jogo da Imitação
- Laura Dern, por Livre
- Meryl Streep, por Caminhos da Floresta
- Patricia Arquette, por Boyhood: Da Infância à Juventude


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
- Birdman
- Boyhood: Da Infância à Juventude
- Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- O Abutre
- O Grande Hotel Budapeste

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
- A Teoria de Tudo
- O Jogo da Imitação
- Sniper Americano
- Vício Inerente
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
- Como Treinar seu Dragão 2
- Operação Big Hero
- Os Boxtrolls
- Song of the Sea
- The Tale of the Princess Kaguya

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
- Ida (Polônia)
- Leviatã (Rússia)
- Relatos Selvagens (Argentina)
- Tangerines (Estônia)
- Timbuktu (Mauritânia)


MELHOR TRILHA SONORA
- A Teoria de Tudo
- Interestelar
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Sr. Turner


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
- Everything is Awesome, de Uma Aventura LEGO
- Grateful, de Além das Luzes
- Glory, de Selma
- I'm Not Gonna Miss You, de Glenn Campbell: I'll be me
- Lost Stars, de Mesmo se Nada der Certo


MELHOR EDIÇÃO DE SOM
- Birdman
- Interestelar
- Invencível
- O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
- Sniper Americano

MELHOR MIXAGEM DE SOM
- Birdman
- Interestelar
- Invencível
- Sniper Americano
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
- Caminhos da Floresta
- Interestelar
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Sr. Turner


MELHOR FOTOGRAFIA
- Birdman
- Ida
- Invencível
- O Grande Hotel Budapeste
- Sr. Turner


MELHOR MAQUIAGEM
- Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- Guardiões da Galáxia
- O Grande Hotel Budapeste


MELHOR FIGURINO
- Caminhos da Floresta
- Malévola
- O Grande Hotel Budapeste
- Sr. Turner
- Vício Inerente


MELHOR EDIÇÃO FINAL
- Boyhood: Da Infância à Juventude
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Sniper Americano
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
- Capitão América: O Soldado Invernal
- Guardiões da Galáxia
- Interestelar
- Planeta dos Macacos: O Confronto
- X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE LONGA METRAGEM
- Citizenfour
- Finding Vivian Maier
- Last Days in Vietnam
- O Sal da Terra
- Virunga


MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA METRAGEM
- Crisis Hotline: Veterans Press 1
- Joanna
- Our Curse
- The Reaper (La Parka)
- White Earth


MELHOR CURTA METRAGEM
- Aya
- Boogaloo and Graham
- Butter Lamp
- Parvaneh
- The Phone Call


MELHOR CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO
- A Single Life
- Feast
- Me and My Moulton
- The Bigger Picture
- The Dam Keeper

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Crítica: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (2014)


Confuso, lento e sombrio, Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo tinha tudo para ser um grande filme mas derrapa feio num roteiro arrastado e mal construído. O novo longa de Bennett Miller (Capote / O Homem que Mudou  Jogo) mostra os últimos dias de vida do medalhista olímpico Dave Shultz e sua relação com o irmão Mark Shultz e o milionário John Du Pont.



Dave (Mark Ruffalo) treina diariamente com seu irmão Mark (Chaning Tatum), também um renomado atleta da luta greco-romana. Essa rotina faz parte de sua vida até que Mark recebe uma ligação da parte de John Du Pont (Steve Carell), um multimilionário americano da dinastia Du Pont, uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos.

Du Pont resolveu bancar os principais atletas do país na luta livre e na luta greco-romana, abrigando boa parte deles na fazenda Foxcatcher, na Pensilvânia, e convidou Mark e seu irmão para fazerem parte da equipe. Dave, no entanto, rejeitou a proposta por causa da família, e Mark acabou indo sozinho.


Acostumado a treinar em um ginásio velho e com pouca estrutura, Mark encontra na casa de Du Pont um lugar com as aparelhagens mais modernas que existem no esporte. Ele ganha, além da moradia, tudo aquilo que precisa, mas em troca John exige que ele ganhe o Mundial que acontecerá em poucos meses.

Depois de muita conversa, Dave também aceita ir para a fazenda de Du Pont, mas para ser o treinador oficial da equipe para os jogos olímpicos de Seul. No final, acontece aquele que seria o fato que "chocou o mundo", mas que na verdade poucos conhecem. E convenhamos, essa parte foi muito mal contada.


Por fim, fica a impressão de que o filme todo foi lento até chegar ao final, onde acontece tudo tão rápido que você nem percebe (e entende direito). A direção de Miller (um diretor bastante controverso, mas com cadeira cativa no Óscar) é bastante fraca, e o ponto máximo do filme fica por conta da transformação física do comediante Steve Carell. No entanto, nem isso salvou o filme do fracasso.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Crítica: Invencível (2014)


Baseado em fatos reais, Invencível (Unbroken) é dirigido por Angelina Jolie (sim, ela mesmo) e conta a história do atleta olímpico Louie Zamperini, que representou os Estados Unidos nas olimpíadas de Berlim em 1936. O filme no entanto vai muito além da sua carreira meteórica no esporte, e foca na dificuldade que o atleta passou depois que teve que ir pro exército durante a Segunda Guerra Mundial.



Louie Zamperini vem de uma família de italianos, que imigraram para os Estados Unidos no começo do século 20. Quando pequeno, seu irmão Pete o treinou para que ele entrasse na equipe de atletismo local como corredor, e nem ele e nem a família imaginavam que aquilo mudaria para sempre sua vida.

Com o passar dos anos, Zamperini se tornou um consagrado corredor e em 1936 chegou a disputar as olimpíadas pela delegação americana, em meio ao clima nazista que já tomava conta de Berlim e de todo o resto da Alemanha. Ele não ganhou a almejada medalha, mas foi o melhor americano entre os concorrentes, e isso já foi motivo de orgulho. Zamperini tinha tudo para ser o grande nome dos Estados Unidos nas olimpíadas de 1940 no Japão se a mesma não tivesse sido cancelada por causa da Segunda Guerra Mundial.



Com a eclosão da guerra, o atleta foi chamado para o front. Durante uma missão no Japão, ele e seus colegas soldados ficam náufragos após o avião em que eles estavam cair em pleno pacífico. O que poderia ter sido uma sequência bastante tediosa, afinal eram três homens em um bote no meio do nada, acabou sendo muito bem feita, e conseguiu segurar a atenção durante todo o tempo.

Após 45 dias Zamperini é finalmente resgatado, mas pelos japoneses, que o fazem prisioneiro de guerra em um campo de concentração. É lá que começa a barbárie, onde ele e outra centena de prisioneiros são torturados e mal tratados diariamente. Sob a mão de um comandante sanguinário, eles são obrigados a trabalhos forçados, chegando muitas vezes ao limite físico e mental.



O filme é contado de forma não linear, misturando imagens de sua carreira no atletismo com imagens dele na Guerra. No entanto, a direção parece se perder um pouco do meio pro final, e deixa algumas pontas soltas. Ainda é um bom filme, mas fica a impressão de que poderia ter sido bem melhor trabalhado, inclusive na parte das atuações, que deixaram um pouco a desejar.


Crítica: Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014)


Esplêndido, eletrizante, brilhante! Chegam a faltar adjetivos no dicionário para descrever Whiplash: Em Busca da Perfeição, novo filme do diretor Damien Chazelle. Todo sucesso tem um preço, e as vezes ele acaba sendo caro. No entanto vale a pena ir atrás, e é essa mensagem que o filme tenta nos passar.


Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que acaba de entrar para o Conservatório Schaffer, considerada a melhor escola de música dos Estados Unidos. Desde pequeno, Andrew sempre carregou consigo a paixão pelo instrumento, e sonha em ser o melhor de sua geração, seguindo os passos de Buddy Rich, o seu maior ídolo.

Seu virtuosismo na bateria acaba chamando a atenção de Terence Fletcher (J.K. Simmons), um renomado mestre do jazz que comanda a orquestra do conservatório. Impiedoso, Fletcher chega a humilhar os alunos para fazer com que eles alcancem seus limites físicos em busca da perfeição.


Escolhido por Fletcher para ser o baterista principal da orquestra em uma apresentação, Andrew resolve dar tudo de si, nem que pra isso tenha que abrir de mãos de algumas coisas, como o relacionamento com Nicole (Melissa Benoist) ou a própria saúde física e mental. Seu sonho de ser bom no que faz se torna uma obsessão, e ele ultrapassa todos os limites do racional para alcançar o que almeja.

O personagem de Andrew é muito bem construído. Apesar de ser apoiado pela família, eles não levam a vida de músico a sério, e acham mais importante dar atenção aos outros filhos, esportistas de qualidade, do que ao filho baterista. Um pouco da gana por sucesso na carreira também vem disso, de provar a todos que sempre o ignoraram de que é capaz.

No entanto, o personagem mais emblemático desse filme é o mestre Terence Fletcher. J.K. Simmons é simplesmente brilhante no papel, e personifica com perfeição a personalidade dúbia de Fletcher, um homem durão mas que também chora quando fica sabendo da morte de um ex-aluno. No fundo ele não é uma pessoa ruim, mas apenas alguém que tem o sonho de descobrir um novo gênio da música, e que vive desiludido por nunca ter conseguido isso até então.


O ritmo frenético é extremamente empolgante, e é impossível não ficar de boca aberta com a qualidade dos números musicais, principalmente na sequência final. Confesso que não tenho coragem de pesquisar se Miles Teller sabe mesmo tocar bateria ou foi usado um dublê no filme todo. Prefiro deixar isso subentendido, parece mais real.

Inesquecível para quem gosta de música e imperdível para quem gosta de cinema. Se o filme não mexer com você, pelo menos servirá para você tirar da cabeça aquela ideia de que baterista só está no palco para "bater nos tambores". Magnífico, só restam palmas.