sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

As 5 melhores atuações de Ricardo Darín

Hoje é impossível falar do cinema argentino e não citar Ricardo Darín. O ator, nascido em Buenos Aires no dia 16 de janeiro de 1957, virou uma marca do cinema moderno do país e já é tido por muitos como o maior ator argentino de todos os tempos.

Desde cedo, Darín já demonstrava aptidão para a carreira. Aos dez anos de idade estrelou junto de seus pais uma peça chamada "Ricardo Darín Y Renée Roxana", e aos dezesseis, fez sua estreia na televisão no programa "Alta Comedia". Nos anos seguintes, Darín participou de diversas séries televisivas, sendo a mais famosa delas a comédia "Mi Cuñado".

Seu nome começou a aparecer para o cinema em 1998 quando estrelou O Mesmo Amor, A Mesma Chuva, do diretor Juan José Campanella, mas foi com Nove Rainhas, lançado em 2000, que ele finalmente ganhou notoriedade no país e principalmente no mundo. A partir de então, ele colecionou uma série de filmes de grande qualidade como O Filho da Noiva (2001), Clube da Lua (2004) e O Segredo de Seus Olhos (2009), todos sob a direção do amigo Campanella. O último inclusive foi um grande sucesso mundo a fora, principalmente depois de ganhar o Óscar de melhor filme estrangeiro. 

Recentemente, o ator continua participando de um bom número de filmes, e seu último grande sucesso foi Relatos Selvagens, que inclusive representou a Argentina no Óscar de 2015. Enfim, como homenagem ao trabalho deste grande ator, segue abaixo uma lista com as cinco atuações mais marcantes da sua carreira.


1- Nove Rainhas (2000)


Darín já tinha 40 anos quando estrelou Nove Rainhas (Nueve Reinas), do diretor Fabián Bielinsky. Porém, foi com esse filme que ele passou a chamar atenção fora do país. Na trama, ele vive o picareta Marcos, que se junta com Juan (Gaston Pauls) para aplicar um golpe em um milionário. O filme é genial, cheio de reviravoltas, e a atuação de Darín não é menos do que fascinante.

2- O Filho da Noiva (2001)


Um dos filmes mais marcantes da carreira de Darín é O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia), sua segunda parceria com o diretor Juan José Campanella, com quem ele já havia trabalhado em O Mesmo Amor, a Mesma Chuva em 1999, e voltou a trabalhar em outras oportunidades posteriores. Nesse filme, ele interpreta Rafael Belvedere, um sujeito que vive a crise dos 40 anos enquanto resolve problemas do seu restaurante e lida com o Alzheimer de sua mãe. Num papel delicado, que mescla humor com drama, Darín tem aqui uma das suas melhores atuações.

3- Clube da Lua (2004)


Mais uma parceria de Ricardo Darín com o diretor Campanella, O Clube da Lua (Luna de Avellaneda) conta a história da casa de dança Luna de Avellaneda, fundada em Buenos Aires na década de 40, e que está a beira de fechar as portas por falta de recursos. Seus fundadores, entre eles o personagem de Darín, fazem de tudo para evitar que isso aconteça. O filme tem um forte tom nostálgico e emociona os olhos mais sensíveis.

4- O Segredo dos Seus Olhos (2009)

O Segredo dos Seus Olhos (El Segreto de Sus Ojos) é a parceria mais bem sucedida de Darín com o Campanella. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, é também um dos melhores filmes argentinos de todos os tempos. Na trama, Darín vive Benjamin Esposito, um oficial de justiça que se aposentou recentemente. Ele passa a escrever um livro sobre um caso marcante da sua carreira e acaba se reconectando com a história. Um filme envolvente, e mais uma atuação marcante do ator .

5- Um Conto Chinês (2011)


Talvez Um Conto Chinês (Un Cuento Chino) seja o filme mais descontraído da carreira do ator. A trama de um argentino e um chinês que são unidos pela história de uma vaca que caiu do céu encantou muita gente nos cinemas em 2011. Roberto, personagem de Darín, é dono de uma ferragem e um cara solitário, com dificuldade de aceitar a presença de outras pessoas na sua vida. Isso acaba mudando aos poucos, com a presença inesperada do chinês, que não fala nem uma palavra de espanhol e está perdido pelas ruas da cidade.

Crítica: Birdman (2014)


Quem vem lá? É um avião? É um pássaro? Não, quase isso. É Birdman, o super-herói fictício criado por Alejandro González Iñarritú. Quinto longa-metragem do diretor mexicano, do qual sou fã desde o primeiro (Amores Brutos), Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é tão genial quanto o seu subtítulo e um dos filmes mais originais já vistos nas telas dos cinemas.



Birdman, ou melhor, Riggan Thomson (Michael Keaton), ficou famoso na década de 90 ao protagonizar três filmes sobre o super-herói voador, baseados em histórias em quadrinhos. Com o passar dos anos, a carreira de Riggan caiu no ostracismo e perdeu espaço na mídia, principalmente depois de ele ter rejeitado filmar uma quarta sequência para a franquia.

Para se reerguer na carreira, Riggan decidiu migrar para a Broadway, onde começou a dirigir e a atuar em sua própria peça dramática. Nos ensaios ele dá tudo de si e exige isso também dos atores, o que faz com que ele demita quem não mostra capacidade para o papel principal. Com ajuda de sua filha Sam (Emma Stone) e seu produtor Jake, ele procura por um ator que se encaixe perfeitamente à peça e é nesse momento que aparece Mike Sneier (Edward Norton).


Sem o mesmo prestígio de antigamente, mas contando com apoio de todos ao redor, Riggan vai percebendo que seu personagem na peça vai tendo mais similaridade com sua vida fora dos palcos do que ele mesmo esperava. Durante todo o filme, uma espécie de alter-ego seu, na forma do próprio Birdman, tenta a todo custo desestimular ele a dar andamento no gênero dramático e voltar para a ação. 

Aliás, é nessa parte que o diretor faz uma excelente crítica ao mundo do entretenimento atual, em que é preciso se ter mais ação e menos diálogos para chamar a atenção do público. Muitos com certeza irão ao cinema pensando assistir um filme típico de super-herói e irão se decepcionar. Para obter sucesso hoje em qualquer setor cultural, seja no cinema, na música ou na televisão, não é preciso ter talento, e é daí que vem o sensacional subtítulo "A Inesperada Virtude da Ignorância".



O filme é filmado como se fosse um grande plano sequência (apesar de não ser por inteiro, boa parte foi de fato filmada sem interrupção). Isso de certa forma cria mais intimidade com o público, que passeia pelos bastidores do teatro como um espectador onipresente. A trilha sonora é, pasmem, toda feita através de solos de bateria. Isso mesmo, não há melodia trabalhada, nem cordas, nem nada, apenas os tambores de uma bateria subindo e descendo conforme a dramaticidade da cena, e isso foi simplesmente genial.

A indústria do entretenimento é massante, desgastante, e Iñarritú faz aqui uma crítica ferrenha aos próprios críticos que, segundo ele, tem esse trabalho porque não sabem fazer mais do que isso. A história de Riggan seria uma coincidência com a vida real de Michael Keaton, que filmou Batman (também nos anos 90) e depois caiu no ostracismo? Sinceramente, eu acredito que sim, ainda que o diretor não tenha deixado isso explícito.

Falando em Keaton, a atuação dele não é menos do que espetacular, e é merecida sua indicação como melhor ator em boa parte das premiações desse ano. Quem também está impecável é Edward Norton, que também concorre como ator coadjuvante, inclusive no Óscar. Aliás, fazia tempo que ele não fazia um trabalho tão interessante.



O final é subjetivo, e talvez seja exatamente isso que o diretor queria. Ele brinca com a verdade, e principalmente com a cabeça do telespectador. Original como poucos filmes da atualidade, é um filme que deixa o espectador vidrado do início ao fim, até porque não pára um segundo. É impressionante como o tempo passa e você nem percebe, e confesso que ficaria mais horas assistindo-o sem perceber.

Por fim, Birdman não tem uma história de superação, não conta uma história real, nem possui os famosos sons de violinos que embalam uma trama dramática, mas então porque ele está no Óscar? Talvez porque é justamente isso que faltava para o cinema atual: originalidade, e isso o filme tem de sobra. Independente de premiações, podemos dizer que o maior vencedor nesse caso é o próprio cinema.


Por que a trilogia "O Hobbit" fracassou?

Poucas coisas são mais frustantes do que criar uma expectativa imensa para um filme e ver tudo indo por água abaixo já nos primeiros minutos. Pior ainda é quando você espera ansioso pela adaptação de um livro que você gosta muito e o filme acaba sendo uma decepção sem tamanho. Pois com O Hobbit eu tive esse sentimento.



Quando li a notícia que Peter Jackson transformaria O Hobbit, livro escrito por J. R. R. Tolkien, em filme, minha expectativa foi lá no alto. Quando ele anunciou que seriam três filmes, no entanto fiquei desconfiado. Afinal de contas, como preencher três filmes, cada um com cerca de 2h30min, com uma história contada em pouco mais de 300 páginas? Vale lembrar que a outra história das Terra Média levada às telas, o sucesso fenomenal O Senhor do Anéis, também teve três filmes, mas derivados de um livro com mais de mil páginas.

O primeiro filme da saga até me agradou, para dizer a verdade. O segundo já foi mais ou menos, mas o terceiro conseguiu ser terrível e fechou a trilogia de forma vergonhosa. Pois bem, vocês devem estar se perguntando o que de fato não me agradou. Começo falando então dos efeitos especiais. Extremamente exagerados e superficiais, eles deixaram o filme com uma aparência de jogos de vídeo-game. Os personagens não pulavam, saltitavam. Ficou tão falso quanto uma nota de três reais. Em comparação com O Senhor dos Anéis, Peter Jackson teve dessa vez em mãos uma tecnologia ainda mais avançada e em 3D, e talvez tenha sido exatamente isso que estragou. O excesso as vezes não cai bem.

O roteiro por si só deixou diversos furos e pontas soltas, e qualquer um que tenha lido o livro percebe isso explicitamente. Nesse momento muitos vão dizer que "um filme não precisa ser extremamente fiel ao livro", mas com isso eu não concordo. Se é para adaptar para as telas, que seja pelo menos o mais próximo possível do original. Foram dois filmes e meio de "enrolação" para no final mostrar tudo de forma corrida, deixando coisas sem nenhuma explicação. O terceiro filme começa sem nenhuma espécie de introdução, o que deixa qualquer um perdido (a não ser que você olhe os três filmes de uma vez só, sem parar). Nem as atuações de um excelente elenco salvaram a trilogia, pois pareciam todos marionetes de um enredo vazio.


O exagero nos efeitos foi o principal ponto negativo da franquia.

Festivais e premiações nem sempre devem servir de parâmetro para dizer se um filme é bom ou ruim, mas em alguns casos sim, isso quer dizer alguma coisa. Não é à toa que o sucesso anterior de Peter Jackson levou para casa nada menos do que 22 estatuetas do Óscar das 30 que disputou. Já O Hobbit termina sua sequência quase esquecido pelas premiações e sem levar nenhum prêmio para casa.

Por mais que os filmes tenham sido abaixo do esperado, não há como negar que a velha música do condado dos hobbits ainda emociona. No final do último filme há também uma espécie de prólogo da história de Os Senhor dos Anéis, retratando o apêndice que Tolkien escreveu no final do livro original. Outra ligação feita entre uma história e outra é o fato de mostrar quando Bilbo Bolseiro encontra o anel que Frodo destrói anos depois.

Opinião da Crítica e o desempenho nas bilheterias

A opinião dos críticos, em geral, foi bastante dividida. Peter Jackson utilizou na trilogia uma tecnologia revolucionária, utilizando 48 quadros por segundo ao invés do padrão que é 24. Enquanto alguns afirmaram que "tudo parecia mais nítido, dando uma sensação mais real e suave", outros disseram que "a qualidade ultra-real possibilitou detectar mais fácil sets pintados e narizes falsos do que em qualquer outro filme".

A única coisa que dá para dizer que não foi um fracasso em O Hobbit foi o valor arrecadado nas bilheterias. E assim como premiações, todos sabemos que isso também não quer dizer absolutamente nada. Os três filmes foram um sucesso, arrecadando mais que o triplo do orçamento, sobretudo o último filme. Salas lotadas também dividiram opiniões, mas em sua grande maioria foram positivas.

Em um passado não tão distante, os efeitos eram apenas ferramentas extras para dar realismo a determinados tipos de histórias, e não o "carro-chefe" de uma produção. Por fim, a dúvida que fica é a mesma que já vem de anos: será que o cinema está realmente indo para frente com a ajuda da tecnologia ou será que está regredindo? Será que o talento está perdendo seu valor com o uso exacerbado da computação? Isso eu deixo para vocês refletirem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Crítica: O Jogo da Imitação (2014)


Desde pequeno, Alan Turing (Benedict Cumberbatch) era considerado um prodígio no colégio, principalmente na matemática. Já adulto, quando o Reino Unido declarou guerra à Alemanha em 1939, dando início ao que viria a ser o maior confronto armado da história, Turing resolveu se alistar como voluntário para ajudar o governo britânico a decodificar o chamado Enigma Alemão.


O Enigma era uma sequência numérica utilizada pelos alemães para se comunicarem via rádio durante a guerra, sem que ninguém descobrisse o que estava sendo dito. Nas mensagens estavam desde comandos até estratégias adotadas pelas tropas, e cada mensagem possuía mais de 159 milhões de combinações possíveis. Por conta disso, não se acreditava que um dia alguém conseguiria quebrar tal código, já que a tarefa parecia impossível para a mente humana.

Apesar da resistência dos oficiais, Turing conseguiu, com ajuda dos maiores matemáticos do país, criar uma máquina super potente, capaz de decifrar o enigma em poucos minutos. A máquina, além de ter ajudado os aliados a vencerem a guerra, é considerada um dos principais protótipos do computador que hoje usamos.


A personalidade de Turing sempre foi arrogante, de nariz empinado, e ele sempre se achou melhor do que todos. Isso começou a mudar quando ele conheceu seus colegas e principalmente Joan Clarke (Keira Knightley), com quem viveu um romance falso. Do meio para o final, o filme aborda outra faceta do matemático: a do homossexual enrustido, que foi perseguido pelo governo britânico após a guerra e preso sob acusação de indecência.

Um herói que salvou milhões de vidas para depois ser vilipendiado por causa de sua opção sexual. Esse é o grande mote do filme, que claro, vai muito além disso. Foi preciso mais de meio século para que enfim a Inglaterra reconhecesse o trabalho de Turing, que não viveu para ver isso com seus próprios olhos.


O roteiro é muito bom, e as atuações também impressionam. Benedict Cumberbatch está impecável e mereceu a indicação às principais premiações do ano. Quem também está muito bem é Keira Knightley, que chegou a concorrer como melhor atriz no Globo de Ouro. Por fim, filmes que abordam histórias desconhecidas da Segunda Guerra Mundial são sempre bem vindos, e o tema nunca deixará de ser bem apresentado nas telas.


Crítica: Libertador (2014)


Simon Bolívar é considerado um dos grandes mitos da história latino-americana, e basta irmos a alguns países vizinhos para enxergarmos pelas cidades diversas estátuas e monumentos em sua homenagem. Mas afinal, quem era esse homem que é tido como herói por boa parte da América? Contando um pouco da história desse líder revolucionário, O Libertador já pode ser considerado um grande marco na história do cinema venezuelano.



Bolívar lutou em mais de 100 batalhas e percorreu mais de 12 mil quilômetros pela América, das terras quentes do norte do continente às geladas montanhas dos Andes. No começo do século 19, a Venezuela ainda era uma província do reino espanhol, fazendo parte de uma extensa área denominada Nova Granada, que comprimia desde o Peru até partes onde hoje é o Panamá.

A luta de Bolívar era justamente contra o império Espanhol, em nome da independência dessa imensa região. Ele queria uma América unida e livre de qualquer colonização, e por isso recebeu a alcunha de Libertador. Reunindo pessoas de diversas tribos e etnias, ele conseguiu formar um exército capaz de lutar de frente com as forças espanholas.

O filme começa mostrando o lado humano de Simon, um homem que era dono de vastas terras na região e que se apaixonou por Maria Teresa, duquesa espanhola, depois de ter ido à Europa para aprimorar seus estudos. Anos depois ele voltaria ao velho continente, onde decidiria de uma vez por todas que não descansaria enquanto não visse as terras da América livres do colonialismo.



Representante da Venezuela no Óscar de 2015, O Libertador já conseguiu uma façanha e tanto: ficar entre os nove finalistas ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Com cenas extremamente realistas das batalhas, o filme é uma verdadeira superprodução e um dos filmes mais interessantes já feitos na América Latina. As atuações são excelentes, e o enredo segura o público até o fim, que sai do cinema admirado.