quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Estreias da Semana (26/02 a 04/03)

Seis filmes estreiam nessa quinta-feira no Brasil, e o principal destaque é o suspense O Duplo, protagonizado por Jesse Eisenberg e Mia Wasikowska. Quem também promete lotar as salas é a comédia nacional Superpai, com Danton Mello e um elenco repleto de comediantes conhecidos da televisão, como Dani Calabresa, Danilo Gentili e Rafinha Bastos. A lista completa vocês conferem abaixo:

O Duplo

Tímido, solitário, rejeitado pela mãe e desprezado pela amada, Simon (Jesse Eisenberg) tem um choque ao conhecer seu novo colega de trabalho, chamado James. Fisicamente idênticos, os dois são opostos em termos de personalidade.

The Double, Reino Unido, 2014.
Direção: Richard Ayoade
Duração: 93 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Suspense

Sem Direito a Resgate

Os bandidos Ordell (Mos Def) e Louis (John Hawkes) sequestram Mickey (Jennifer Aniston), esposa de Frank (Tim Robbins). Porém, o que eles não esperavam era o fato do casal estar à beira do divórcio, e o marido não estar muito disposto a pagar o valor de 1 milhão de dólares pelo resgate.

Life of Crime, Estados Unidos, 2014.
Direção: Daniel Schechter
Duração: 100 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Policial

Sr. Kaplan

Jacobo Kaplan (Héctor Noguera) está cansado de sua velhice e de sua rotina. Ele tem a oportunidade de entrar em uma aventura quando ouve dizer que um ex-nazista vive na sua pacata cidade. Com a ajuda do ex-policial Wilson Contreras, Kaplan inicia uma investigação que pode transformá-lo em herói.

Mr. Kaplan, Uruguai, 2014.
Direção: Álvaro Brechner
Duração: 98 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama

Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca

A fada Fawn sempre teve um bom coração e se recusou a ver maldade nas pessoas. Por isso, ela torna-se amiga de um gigantesco monstro. Tinker Bell e suas amigas temem que a relação possa ser nociva para todas as moradoras da cidade, e decide combater o vilão antes que seja tarde demais.

Legend of the Neverbeast, Estados Unidos, 2014.
Direção: Steve Loter
Duração: 78 minutos
Classificação: livre
Animação / Aventura

Superpai

Diogo (Danton Mello) era o garoto mais popular da escola, rei das festas e da bagunça. Agora, vinte anos mais tarde, é apenas um homem comum, pai, marido e trabalhador. Uma reunião da turma do colégio é sua chance de sair da rotina e a festa acaba levando a rumos inesperados.

Superpai, Brasil, 2015.
Direção: Pedro Amorim
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia

A História da Eternidade

Alfonsina (Débora Indrid) tem 15 anos e sonha conhecer o mar. Querência (Marcélia Cartaxo) está na faixa dos 40 e Das Dores (Zezita Matos), já no fim da vida, recebe o neto após um passado turbulento. No sertão, as três compartilham muitos sentimentos em comum.

A História da Eternidade, Brasil, 2015.
Direção: Camilo Cavalcante
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Confira os vencedores do Óscar 2015

Foi realizada nesse domingo a 87ª cerimônia de entrega do Óscar pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, e o principal vencedor da noite foi Birdman, do mexicano Alejandro González Iñarritu. Além do prêmio principal de melhor filme, entregue pelas mãos de Sean Penn, Birdman ainda levou para casa as estatuetas de melhor diretor, melhor roteiro original e melhor fotografia. Outro destaque da premiação foi a comédia O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson, que ficou com 4 estatuetas, todas em quesitos técnicos (trilha sonora, design de produção, maquiagem e fotografia).

A grande surpresa positiva da noite foi a consagração de Whiplash: Em Busca da Perfeição, que levou para casa 3 óscares: melhor ator coadjuvante para J.K. Simmons, melhor mixagem de som e melhor montagem final. Já a grande surpresa negativa foi o drama Boyhood: Da Infância à Juventude, que indicado em 6 categorias, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro, saiu apenas com o de atriz coadjuvante para Patrícia Arquette.

Na parte da atuações, nenhuma surpresa. Julianne Moore confirmou o favoritismo e se consagrou como melhor atriz por Para Sempre Alice, seu primeiro Óscar depois de 4 indicações sem sucesso na carreira. Já o prêmio de melhor ator foi para o garoto Eddie Redmayne, que desbancou o veterano Michael Keaton e venceu por sua atuação fantástica em A Teoria de Tudo.

O prêmio de melhor roteiro adaptado foi para O Jogo da Imitação, dirigido por Morten Tyldum, o único do filme que tinha 8 indicações ao todo. Na categoria de melhor filme estrangeiro, quem levou a melhor foi o polonês Ida, e o prêmio de melhor animação ficou com Operação Big Hero, que conseguiu conquistar a Academia e desbancar o então favorito Como Treinar Seu Dragão 2.

O Óscar desse ano também gerou bons momentos. Um dos mais engraçados foi quando o apresentador Neil Patrick Harris caminha pelos bastidores de cueca até chegar ao palco, fazendo uma referência bizarra a uma cena inesquecível de Birdman. Teve ainda discursos marcantes, como o de Patricia Arquette, que defendeu direitos iguais entre homens e mulheres e foi ovacionada pelo público presente, e o de Graham Moore, roteirista de O Jogo da Imitação.

Para coroar a grande noite, ainda pudemos acompanhar duas apresentações musicais marcantes: a primeira de John Legend cantando "Glory', a música tema de Selma, que levou o prêmio de melhor canção original, e a segunda da estrela pop Lady Gaga que, pasmem, cantou de forma convincente e emocionante "The Sound of Music", em uma homenagem ao musical A Noviça Rebelde de 1965, que ainda teve a participação especial de Julie Andrews.

A lista completa dos vencedores vocês podem conferir abaixo.

MELHOR FILME
- A Teoria de Tudo
- Birdman
- Boyhood: Da Infância à Juventude
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Selma
- Sniper Americano
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHOR DIRETOR
- Alejandro González Iñarritú, por Birdman
- Bennet Miller, por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- Morten Tyldum, por O Jogo da Imitação
- Richard Linklater, por Boyhood: Da Infância à Juventude
- Wes Anderson, por O Grande Hotel Budapeste


MELHOR ATOR
- Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação
- Bradley Cooper, por Sniper Americano
- Eddie Redmayne, por A Teoria de Tudo
- Michael Keaton, por Birdman
- Steve Carell, por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

MELHOR ATRIZ
- Felicity Jones, por A Teoria de Tudo
- Julianne Moore, por Para Sempre Alice
- Marion Cottillard, por Dois Dias, Uma Noite
- Reese Whiterspoon, por Livre
- Rosamund Pike, por Garota Exemplar

MELHOR ATOR COADJUVANTE
- Edward Norton, por Birdman
- Ethan Hawke, por Boyhood: Da Infância à Juventude
- J.K. Simmons, por Whiplash: Em Busca da Perfeição
- Mark Ruffalo, por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- Robert Duvall, por O Juíz


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
- Emma Stone, por Birdman
- Keira Knightley, por O Jogo da Imitação
- Laura Dern, por Livre
- Meryl Streep, por Caminhos da Floresta
- Patricia Arquette, por Boyhood: Da Infância à Juventude


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
- Birdman
- Boyhood: Da Infância à Juventude
- Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- O Abutre
- O Grande Hotel Budapeste

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
- A Teoria de Tudo
- O Jogo da Imitação
- Sniper Americano
- Vício Inerente
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
- Como Treinar seu Dragão 2
- Operação Big Hero
- Os Boxtrolls
- Song of the Sea
- The Tale of the Princess Kaguya

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
- Ida (Polônia)
- Leviatã (Rússia)
- Relatos Selvagens (Argentina)
- Tangerines (Estônia)
- Timbuktu (Mauritânia)


MELHOR TRILHA SONORA
- A Teoria de Tudo
- Interestelar
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Sr. Turner


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
- Everything is Awesome, de Uma Aventura LEGO
- Grateful, de Além das Luzes
- Glory, de Selma
- I'm Not Gonna Miss You, de Glenn Campbell: I'll be me
- Lost Stars, de Mesmo se Nada der Certo


MELHOR EDIÇÃO DE SOM
- Birdman
- Interestelar
- Invencível
- O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
- Sniper Americano

MELHOR MIXAGEM DE SOM
- Birdman
- Interestelar
- Invencível
- Sniper Americano
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
- Caminhos da Floresta
- Interestelar
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Sr. Turner


MELHOR FOTOGRAFIA
- Birdman
- Ida
- Invencível
- O Grande Hotel Budapeste
- Sr. Turner


MELHOR MAQUIAGEM
- Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
- Guardiões da Galáxia
- O Grande Hotel Budapeste


MELHOR FIGURINO
- Caminhos da Floresta
- Malévola
- O Grande Hotel Budapeste
- Sr. Turner
- Vício Inerente


MELHOR MONTAGEM
- Boyhood: Da Infância à Juventude
- O Grande Hotel Budapeste
- O Jogo da Imitação
- Sniper Americano
- Whiplash: Em Busca da Perfeição


MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
- Capitão América: O Soldado Invernal
- Guardiões da Galáxia
- Interestelar
- Planeta dos Macacos: O Confronto
- X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE LONGA METRAGEM
- Citizenfour
- Finding Vivian Maier
- Last Days in Vietnam
- O Sal da Terra
- Virunga


MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA METRAGEM
- Crisis Hotline: Veterans Press 1
- Joanna
- Our Curse
- The Reaper (La Parka)
- White Earth


MELHOR CURTA METRAGEM
- Aya
- Boogaloo and Graham
- Butter Lamp
- Parvaneh
- The Phone Call


MELHOR CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO
- A Single Life
- Feast
- Me and My Moulton
- The Bigger Picture
- The Dam Keeper

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Estreias da Semana (19/02 a 25/02)

Quatro filmes estreiam nessa quinta-feira em todo o Brasil, e entre eles está Sniper Americano, novo filme do veterano Clint Eastwood, que concorre em 6 categorias do Óscar incluindo melhor filme. Outros destaques são a comédia Um Santo Vizinho, protagonizada por Bill Murray e o drama húngaro O Diário da Esperança. Confira a lista completa:

Sniper Americano

Chris Kyle (Bradley Cooper) é um atirador de elite das forças especiais da Marinha dos Estados Unidos que, em dez anos se tornou uma lenda, tendo assassinado mais de 150 pessoas durante o tempo que serviu no Iraque. Sua única missão era proteger seus companheiros e no fim recebeu diversas condecorações por seu trabalho.

American Sniper, Estados Unidos, 2014.
Direção: Clint Eastwood
Duração: 134 minutos
Classificação: 14 anos
Ação/Drama/Guerra

Um Santo Vizinho

Uma improvável amizade surge entre um menino de 12 anos, sensibilizado pelo recente divórcio dos pais e seu vizinho Vincent (Bill Murray), um veterano de guerra, alcóolatra e jogador compulsivo, que fica responsável por cuidar do garoto enquanto sua mãe trabalha.

St. Vincent, Estados Unidos, 2014.
Direção: Theodore Melfi
Duração: 103 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

Deixa Rolar

Um escritor (Chris Evans) é o tipo de cara que mantém todos os seus relacionamentos de forma casual, já que nunca se apaixonou por nenhuma mulher. Mas tudo muda quando ele conhece uma garota incrível (Michelle Monaghan). O problema é que ela já tem namorado, e ele vai ter que lutar para viver um grande amor pela primeira vez.

Playing it Cool, Estados Unidos, 2014.
Direção: Justin Reardon
Duração: 94 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Romance

O Diário da Esperança

Num vilarejo húngaro, dois irmãos gêmeos enfrentam a dura realidade da Segunda Guerra Mundial. Entregues aos cuidados da avó, que os maltrata e os coloca para trabalhar, eles passam os dias isolados no interior do país para escapar dos bombardeios, e vão escrevendo todas as experiências em um caderno entregue pelo seu pai antes da separação.

A Nagy Fuzet, Alemanha/Áustria/França/Hungria, 2014.
Direção: János Szász
Duração: 112 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

Crítica: Selma - Uma Luta Pela Igualdade (2014)


É incontável o número de filmes já lançados sobre a segregação racial nos Estados Unidos, mas o tema nunca é demais. Selma, da diretora estreante Ava DuVernay, é um azarão muito bem-vindo nessa edição do Óscar, e com um roteiro caprichoso, consegue mostrar mais um pouco do que foi os anos 60 e a luta pelos direitos civis dos negros americanos.



A lei que proibia a segregação e descriminação racial nos Estados Unidos foi sancionada em 1964 pelo presidente Lyndon B. Johnson, após o famoso discurso de Martin Luther King em Washington, conhecido pela frase emblemática "I Have a Dream". Porém, não bastava existir a lei, mas ela tinha que ser cumprida, e é justamente sobre isso que fala o filme.

O longa começa mostrando a entrega do prêmio nobel da paz para Martin Luther King Jr, interpretado de forma excelente por David Oyelowo, para depois mostrar os bastidores da marcha histórica organizada por ele entre as cidades de Selma e Montgomery, no Alabama, um dos marcos cruciais da sua luta pelo direito dos negros ao voto em um dos estados mais racistas do país.



Além dos preparativos para a marcha, que muitas vezes teve que ser adiada por motivos de segurança ou violentamente interrompida após seu início, o filme mostra o envolvimento de todos os lados no processo, desde a esfera federal, passando pela estadual, pela municipal e pela polícia racista do Alabama, e chegando inclusive aos brancos de todo o país que passaram a apoiar os ativistas liderados por King.

O filme acerta em cheio ao mostrar o lado humano de King, um homem que chora por não suportar as atrocidades que vê, um homem que tem coragem de voltar atrás em um protesto, e que precisa mais do que tudo das família e dos amigos para seguir em frente. Diferentemente de outros militantes, como Malcolm X, King sempre defendeu a luta pacífica, sem violência, e esse foi um dos motivos de ter conseguido tanto apoio.



Apesar de de estar concorrendo na categoria de melhor filme no Óscar, a ausência de David Oyelowo como melhor ator foi bastante sentida. O roteiro é bom mas não é dos melhores, e sem dúvida a atuação do ator é um ingrediente essencial para o sucesso do filme. Por fim, como disse no início dessa crítica, obras como essa nunca são demais. Infelizmente o racismo ainda é uma realidade, e provavelmente ainda vai ser por anos, e enquanto isso existir, o sonho de Martin Luther King continuará vivo.


Crítica: Sr. Turner (2014)


Premiado em Cannes, Sr. Turner (Mr. Turner), do veterano diretor Mike Leigh, acompanha 25 anos da vida do pintor inglês J. M. W. Turner, até sua morte em 1851. Muito apreciado pelos críticos, Turner era conhecido por ser um homem indisciplinado e turrão, e passava seus dias pintando na casa onde vivia com seu pai e sua governanta.



O artista gostava muito de viajar, e a maior parte de suas obras foram inspiradas pelas suas aventuras. Por conta disso, é comum ver em seus quadros muitas ilustrações de navios e mares, além de paisagens belíssimas. No entanto, com a morte do pai Turner foi se isolando do mundo, e suas obras cada vez mais excêntricas passaram a gerar inúmeras críticas negativas.

Ao mesmo tempo em que mostra a vida do artista, o filme também aborda a chegada das primeiras tecnologias da época, como as máquinas à vapor da Revolução Industrial e os primeiros protótipos das máquinas fotográficas. A perda de espaço das pinturas feitas a mão para a fotografia foi um marco negativo na história da arte, que nunca mais foi vista e apreciada da mesma forma.



Mostrando o pedantismo da aristocracia britânica, a submissão das mulheres às vontades dos homens e as enfermidades da época, o filme consegue captar muito bem a atmosfera daquela época, mas apesar da fotografia espetacular, que remetia muitas vezes aos próprios quadros do pintor, o roteiro silencioso e lento prejudica um pouco o ritmo do filme, e há que se ter paciência para conseguir apreciá-lo. 

O que mais chama a atenção de fato é a atuação monstruosa de Timothy Spall, eleito melhor ator em Cannes mas injustamente esnobado pelo Óscar. Na pele de um personagem difícil, ele consegue mostrar com maestria a personalidade controversa do pintor, que tinha uma forte relação com o pai, relações amorosas estranhas e conflitos diários com outros pintores.