quinta-feira, 26 de março de 2015

Estreias da Semana (26/03 a 01/04)

Seis filmes entram em cartaz nessa quinta-feira, e o grande destaque fica por conta de Cinderela, que para boa parte dos críticos já é melhor adaptação da obra clássica até então. Além do filme da Disney, outros destaques são Vício Inerente, estrelado por Joaquin Phoenix, e O Garoto da Casa ao Lado, com Jennifer Lopez. A lista completa vocês conferem abaixo:

Cinderela

Depois da inesperada morte de seu pai, Ella (Lily James) é forçada a viver com sua madrasta cruel (Cate Blanchett) e suas filhas Anastasia e Drisella. Apelidada de Cinderela, Ella é obrigada a trabalhar como empregada em sua própria casa, mas sem nunca perder o otimismo de uma vida melhor. Convidada para um grande baile dado por um príncipe (Richard Madden), ela conta com a ajuda de uma fada madrinha (Helena Bonham Carter) para mudar seu destino.

Cinderella, Estados Unidos, 2015.
Direção: Kenneth Branagh
Duração: 105 minutos
Classificação: livre
Aventura / Fantasia / Romance

Vício Inerente

O filme se passa nos anos 1970, em Los Angeles, e acompanha Larry Sportello (Joaquin Phoenix), um detetive particular viciado em drogas que investiga o sequestro de um bilionário latifundiário, enquanto tenta reencontrar a ex-namorada (Katherine Waterson).

Inherent Vice, Estados Unidos, 2015.
Direção: Paul Thomas Anderson
Duração: 148 minutos
Classificação: 18 anos
Ação / Drama / Suspense

O Garoto da Casa ao Lado

A professora Claire (Jennifer Lopez) tem um filho e se divorciou há poucos meses. Ela ainda tem dificuldades para superar a separação, mas tudo muda com a chegada do novo vizinho, Noah (Ryan Guzman), um jovem atraente por quem ela logo se interessa. O romance no entanto dura pouco, o que não impede do jovem criar por ela uma obsessão doentia que transforma a vida dela num inferno.

The Boy Next Door, Estados Unidos, 2015.
Direção: Rob Cohen
Duração: 91 minutos
Classificação: 16 anos
Suspense

Em Um Pátio de Paris

Desanimado e sem emprego, Antoine (Gustave Kervern) consegue um trabalho como zelador em um imóvel antigo parisiense. Satisfeito com a nova função, ele se aproxima de Mathilde (Catherine Deneuve), uma das moradores, e os dois se reconhecem em suas estranhezas e inquietações.

Dans La Cour, França, 2014.
Direção: Pierre Salvadori
Duração: 97 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

Ponte Aérea

O artista plástico carioca Bruno (Caio Blat) e a jovem publicitária paulistana Amanda (Letícia Colin) se conhecem durante um vôo entre o Rio e São Paulo. Uma tempestade faz o avião pousar emergencialmente em Belo Horizonte, obrigando os dois a passarem a noite juntos, onde se cria uma relação entre eles apesar dos diferentes modos de ver a vida.

Ponte Aérea, Brasil, 2015.
Direção: Julia Rezende
Duração: 100 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

O Sal da Terra

Finalista no Óscar de melhor documentário, O Sal da Terra mostra a carreira do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que se dedica a esse ofício desde os anos 1970. Sempre fotografando em preto e branco, o artista expõe em seus trabalhos a desigualdade social e também a beleza e a degradação da natureza.

The Salt of Earth, Brasil/França/Itália, 2014.
Direção: Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders
Duração: 110 minutos
Classificação: 10 anos
Documentário

quinta-feira, 19 de março de 2015

Crítica: Mommy (2014)


O canadense Xavier Dolan deixou de ser uma promessa há muito tempo para se tornar uma realidade. Com apenas 26 anos ele já possui um currículo invejável, cheio de premiações e uma vasta admiração da crítica e do público. Pois com Mommy ele parece ter atingido o ápice de sua carreira até então, mostrando mais uma vez a relação entre mãe e filho, já abordada por ele em pelo menos três de suas obras anteriores, mas nunca de forma tão arrebatadora.



Steve (Antoine-Olivier Pilon) é um garoto inconsequente e agressivo que vive num centro de correção para adolescentes com problemas de comportamento. Depois de causar um incêndio no local ele acaba sendo expulso, e sua mãe Diane (Anne Dorval) o leva para morar junto com ela na sua nova casa. A princípio, a relação entre mãe e filho choca pela contradição; num momento estão brigando e se xingando da pior forma possível, para logo depois de elogiarem e trocarem carinho.

Diane mostra no começo uma firmeza impressionante para lidar com os problemas, mas a medida que o tempo passa, vamos percebendo sua enorme fragilidade. Aliás, esse é um dos pontos fortes dos filmes de Dolan, adentrar fundo na personalidade dos personagens, abordando todos os seus medos, receios e ressentimentos de forma detalhista. Graças a isso, conseguimos entender o porque de cada um ser da forma que é no presente.



Viúva e desempregada, Diane passa os dias tentando encontrar um emprego enquanto faz de tudo para evitar que o filho faça alguma coisa que o leve definitivamente a detenção. Logo entra em cena a figura de Kyla (Suzanne Clément), a vizinha que mora do outro lado da rua, que passa a cuidar de Steve enquanto a mãe faz alguns bicos para se sustentar. Aos poucos, Kyla vai se tornando peça chave nessa estrutura familiar, trazendo um certo equilíbrio e a esperança de um futuro melhor.

O enredo é muito bem construído, com trilha sonora e fotografia impecáveis. Aliás, a tela reduzida (apenas um quadrado no meio durante todo o filme, exceto em duas cenas) é um ingrediente a mais, como se Dolan quisesse prender nossa atenção ao centro da imagem e ao que realmente importa. As atuações por sua vez são de tirar o fôlego. Antoine-Olivier Pilon simplesmente extrapola o limite de uma boa atuação e faz um papel brilhante. Anne Dorval também impressiona, e está perfeita na pele dessa mãe multifacetada e diferente de qualquer outra já vista nas telas. Não dá para esquecer ainda de Suzanne Clément, que dá um toque especial na trama depois de sua entrada.


Com um final angustiante, Mommy é sem sombra de dúvidas um dos melhores filmes de 2014. Recheado de cenas emblemáticas, que certamente ficarão na minha cabeça para sempre, o filme mexeu comigo como poucos, tanto que demorei para perceber que os créditos haviam terminado após o final. Obra-prima!


Crítica: For Those Who Can Tell no Tales (2014)


Ainda desconhecido no Brasil (tanto que não possui nem previsão de um nome em português), o bósnio For Those Who Can Tell no Tales, da experiente diretora Jasmila Zbanic (de Em Segredo) é um retrato fidedigno de como as cidades se reerguem depois de uma guerra mas nunca deixam para trás seu passado sangrento.



Kym (Kym Verdoe) é uma jovem australiana que gosta muito de viajar. Porém, diferente da grande maioria, ela prefere conhecer lugares exóticos e pouco explorados, e isso acaba levando-a à Bósnia-Herzegovina. Admirada com as belas paisagens do país, ela vai seguindo as indicações do guia ilustrado que comprou antes da viagem, inclusive na parte da hospedagem.

Dias depois, de volta à Sidney, ela começa a pesquisar melhor sobre os lugares que visitou e algo a deixa extremamente chocada. O hotel na cidade de Visegrad, descrito pelo guia como um "hotel romântico", foi utilizado durante a guerra como campo de concentração de mulheres, que eram estupradas e mortas diariamente em quartos como o que ela dormiu, muito possivelmente em cima das mesmas roupas de cama que ela usou.



A partir de então Kym não será mais a mesma. De volta à Visegrad e decidida a desvendar mais a fundo os segredos que as gélidas paredes dessa cidade guardaram por anos, ela vai filmando e tirando fotos de tudo, o que chama a atenção da polícia e dos habitantes locais, que passam a enxergá-la com desconfiança.

O enredo é bastante interessante, principalmente por nos fazer pensar no quanto de história cada cidade carrega em si, muitas delas terríveis. Detalhe para os closes em pedaços de paredes e ruínas, mostrando de perto as cicatrizes que a guerra deixou. A personagem é bastante carismática no começo, registrando toda a viagem em vídeos, e aos poucos vai sendo afetada duramente pela verdade dos fatos. Como ela mesma diz, "a ignorância é uma benção", e as vezes é melhor não saber de tudo.


Estreias da Semana (19/03 a 25/03)

Nada menos que nove filmes entram em cartaz nessa quinta-feira em todo o país, e o mais esperado entre eles é A Série Divergente: Insurgente, sequência da saga baseada no best-seller de Verônica Roth. Particularmente destaco Dívida de Honra, que pra mim foi um dos melhores filmes que assisti no ano passado, mostrando toda a maturidade de Tommy Lee Jones como diretor. Tem ainda os novos filmes de dois consagrados diretores: Mapa Para as Estrelas, de David Cronenberg, e Terceira Pessoa, de Paul Haggis. Na lista ainda tem o francês Eden e quatro longas nacionais, e vocês conferem ela completa abaixo.

A Série Divergente: Insurgente

Os riscos para Tris (Shailene Woodley) aumentam quando ela decide procurar por aliados e respostas nas ruínas de uma Chicago futurista. Ela e Quatro (Theo James) agora são fugitivos, caçados por Jeanine (Kate Winslet), a líder da elite Erudição, nessa sequência de Divergente, lançado em 2014.

Insurgent, Estados Unidos, 2014.
Direção: Robert Schwentke
Duração: 120 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura / Ficção-Científica

Dívida de Honra

Durante o inverno de 1855, em Nebraska, três mulheres enlouquecem e são confiadas à guarda de Mary Bee Cuddy (Hilary Swank), que fica responsável pro atravessar o deserto com elas rumo à Iowa, onde elas poderão encontrar refúgio. No caminho ela conhece Georges Briggs (Tommy Lee Jones), um vagabundo que a ajuda na missão depois dela salvar sua vida.

The Homesman, Estados Unidos, 2014.
Direção: Tommy Lee Jones
Duração: 122 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Faroeste

Mapa para as Estrelas

A misteriosa Agatha Weiss (Mia Wasikowska) chega à Los Angeles tentando acertar suas contas com o passado. Lá ela começa a trabalhar para Havana (Julianne Moore), uma atriz decadente que está desesperada para conseguir o papel principal na peça que sua mãe protagonizou anos atrás. Paralelamente, o filme mostra a história de Benjie Weiss (Evan Bird), um jovem e arrogante ator que enfrenta problemas com as drogas e o mau comportamento.

Maps to the Stars, Alemanha/Canadá/Estados Unidos/França, 2014.
Direção: David Cronenberg
Duração: 107 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Terceira Pessoa

O filme acompanha três casais em três cidades diferentes. Em Paris, o escritor Michael (Liam Neeson) se separou da esposa (Kim Basinger) e está tendo um caso com Anna (Olivia Wilde), uma jornalista ambiciosa. Em Roma, Scott (Adrien Brody) se apaixona por uma mulher misteriosa que o envolve em uma chantagem. E em Nova York, Julia (Mila Kunis) quase mata seu filho e precisa lutar custódia dele na justiça.

Third Person, Reino Unido, 2015.
Direção: Paul Haggis
Duração: 137 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Romance

Eden

Nos anos 1990 a música eletrônica tomou conta da França pelo seu ritmo que misturava o eletrônico robótico com o calor do soul, que deu origem ao movimento chamado de French House. É nesse universo que aparece os jovens Guy-Manuel de Homem-Christo (Arnaud Azoulay_ e Thomas Bangalter (Vincent Lacoste), que formam a dupla Daft Punl, referência mundial do estilo.

Eden, França, 2015.
Direção: Mia Hansen-Love
Duração: 131 minutos
Classificação: 16 anos
Biografia / Comédia

O Duelo

O comandante Vasco Moscoso de Aragão (Joaquim de Almeida) está cansado de suas aventuras em alto mar. Ele quer um lugar tranquilo para viver, e é assim que conhece a vila de Periperi, numa cidade costeira do litoral brasileiro. Não demora para ele conseguir admiração de todos os moradores, menos de Chico Pacheco (José Wilker), até então o homem mais admirado da cidade, que passa a investigar o passado do forasteiro.

O Duelo, Brasil, 2014.
Direção: Marcos Jorge
Duração: 109 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama

Meus Dois Amores

O caipira Manuel (Caio Blat) tem dois amores: a noiva Menina das Dô (Maria Flor) e a mula Beija-Fulô, mesmo tendo crescido sabendo que o amor por um animal não deve ser o mesmo sentido por uma pessoa. Isso não entra na cabeça da noiva, que tem um ciúme danado do animal, mas ela se vê obrigada a aceitar pelo bem da relação.

Meus Dois Amores, Brasil, 2014.
Direção: Luiz Henrique Rios
Duração: 86 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance

Insubordinados

Janete (Silvia Lourenço) passa seus dias no hospital ao lado do pai doente, um coronel reformado da Polícia Militar. Ela enfrenta esses dias de agonia e aplaca a solidão escrevendo uma história policial, no qual ela e os demais funcionários do hospital se tornam personagens.

Insubordinados, Brasil, 2014.
Direção: Edu Felistoque
Duração: 72 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Fantasia



Branco Sai, Preto Fica

Misturando ficção e documentário, o filme relembra o dia 5 de março de 1986, quando policiais invadiram o baile funk Quarentão, na cidade-satélite Ceilândia. Duas vítimas da violência, que até hoje carregam no corpo marcas daquele dia, relembram o ocorrido.

Branco Sai, Preto Fica, Brasil, 2015.
Direção: Adirley Queirós
Duração: 93 minutos
Classificação: 12 anos
Documentário

terça-feira, 17 de março de 2015

Crítica: A Gangue (2015)


Quando temos a certeza de que o cinema já contou todas as histórias e de todas as formas possíveis, eis que nos surpreendemos com algo nunca antes imaginado, provando mais uma vez as infinitas possibilidades que a sétima arte possui. 



A Gangue (The Tribe), do ucraniano Myroslav Slaboshpytskiy, conta a história de um garoto surdo-mudo (Grigoriy Fesenko) recém chegado num internato especializado em alunos com a sua deficiência. Ele logo é recebido com hostilidade pelos veteranos, mas aos poucos passa a se inserir na dinâmica dos colegas, muitos deles envolvidos com crimes e até mesmo com a prostituição. O local também se mostra muito menos hospitaleiro do que parece, com seus ambientes sujos e mal cuidados, o  que ajuda a criar o clima de frieza, que é a grande característica do filme.

Mas afinal, o que faz essa obra ser tão diferente assim de qualquer outra? Apesar do enredo aparentemente simples, ele possui uma grande peculiaridade: o filme não possui diálogos, pois todo o elenco é constituído de atores surdos-mudos. Isso mesmo que você está pensando: toda as "falas" do filme são mostradas através da linguagem de sinais, e mais do que isso, sem nenhuma legenda.



Havia um receio, no princípio, de que o filme talvez não conseguisse passar ao público leigo em libras o que ele realmente queria, mas a abordagem do diretor é tão bem feita que isso acaba sendo mais fácil do que se imaginava. Claro, não dá para entender explicitamente o que eles falam entre si, mas conseguimos entender tudo aquilo que precisamos através das imagens. E sem se tornar massante, o que é o grande mérito do enredo.

Por falar no enredo, ele possui cenas realmente inquietantes e duras de assistir. A violência e o sexo são mostrados sem nenhum pudor, assim como a prostituição infantil e até mesmo o aborto, temas que não são bem quistos no cinema comercial. Os personagens não tem nomes, e a música é totalmente ausente, dando lugar apenas ao som ambiente. No final do filme (que aliás, é arrebatador) a gente percebe que, no fim, as palavras talvez só estragassem a grande essência que o silêncio conseguiu passar. Cada vez que um filme original como esse é lançado, temos a certeza de que o cinema subiu mais um degrau.