quinta-feira, 9 de abril de 2015

Estreias da Semana (09/04 a 15/04)

Apenas três filmes estreiam nessa quinta-feira nos cinemas brasileiros. Dos Estados Unidos tem o suspense policial Risco Imediato, com James Franco e Kate Hudson e da França tem Noites Brancas no Píer, romance baseado no livro de Fiódor Dostoiévski. Fechando a lista tem ainda a animação Cada um na sua Casa, que conta com as vozes de Rihanna e Jim Parsons na versão legendada. Confira a lista completa abaixo:

Risco Imediato

Tom (James Franco) e Anna Reed (Kate Hudson) se  endividam gravemente ao reformar a casa da família de Anna em Londres. O sonho do casal de ter a própria casa e começar uma família parece estar cada vez mais distante, até que descobrem que o inquilino do apartamento abaixo está morto e deixou aberta uma maleta com milhões de dólares.

Good People, Estados Unidos, 2015.
Direção: Henrik Ruben Genz
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos
Ação / Policial / Suspense

Noites Brancas no Píer

Fédor (Pascal Cervo) tem aproveitado seu ano sabático em uma cidade portuária. Todas as noites ele passa pela píer e é lá que ele conhece Natacha (Astrid Adverbe), que aguarda ansiosamente o retorno do amor de sua vida. Baseado no livro Noites Brancas, de Dostoiévski.

Nuits Blanches sur la Jetée, França, 2015.
Direção: Paul Vecchiali
Duração: 94 minutos
Classificação: 10 anos
Drama / Romance

Cada um na sua casa

Quando a Terra é invadida por uma raça alienígena que procura por um novo lar, a raça humana é prontamente deslocada. Entretanto, uma esperta menina chamada Tip consegue fugir e sem querer se transforma em cúmplice de um alien exilado, o que faz surgir entre eles uma improvável amizade.

Home, Estados Unidos, 2015.
Direção: Tim Johnson
Duração: 94 minutos
Classificação: livre
Animação / Aventura / Fantasia

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Crítica: A Pequena Morte (2015)


Conhecido principalmente pela série de televisão House of Lies, o australiano John Lawson resolveu se aventurar pela primeira vez como diretor e roteirista de cinema na comédia A Pequena Morte (The Little Death), e não fez feio. Mostrando histórias distintas que no fim se entrelaçam, Lawson explora em 90 minutos a vida sexual secreta de cinco casais que vivem em Sidney, com seus problemas, suas neuras e suas fantasias.



O longa começa mostrando Paul (Josh Lawson) e Maeve (Bojana Novakovic), jovem casal que começa a ter dificuldades com o sexo depois que ela confessa na cama ter a fantasia de ser estuprada. Obviamente não seria um estupro de verdade, e a ideia é que o marido se passe por um desconhecido com a maior veracidade possível. Paul acaba aceitando o "desafio" e começa a fazer de tudo para realizar a fantasia da esposa, mas isso acaba levando-o longe demais.

A segunda história mostra Daniel (Daniel Malcolm) e Evie (Kate Mulvani), que estão passando por uma crise sexual no casamento e buscam na terapia uma solução. Na tentativa de apimentar a relação, o médico sugere então que eles brinquem de interpretar personagens na hora H. A brincadeira começa bem, mas a falta de aptidão de Daniel para conseguir ser convincente na dramatização é extremamente cômico e acaba estragando tudo.



Logo passamos a acompanhar Richard (Patrick Brammall) e Rowena (Kate Box), que há cinco anos tentam ter um filho mas sem sucesso. A coisa muda de figura quando Rowena descobre uma tara sua esquisita e até então desconhecida: ela sente prazer em ver o companheiro chorar. A partir de então, ela começa a fazer tudo que pode para que ele chore, nem que para isso tenha que transformar a vida dele num inferno.

Phil (Alan Dukes) e Maureen (Lisa McCune) vivem um casamento de anos e brigam o tempo inteiro quando estão juntos. Consequentemente eles não fazem sexo, e ele acaba tendo que se satisfazer sozinho depois que a esposa dorme. O diferencial nessa história é que Phil possui uma tara incomum ao se sentir excitado vendo outra pessoa dormir, e quando Maureen começa a tomar remédios para dormir ele aproveita para curtir momentos românticos junto dela sem ela saber.

Por fim, vem a parte mais interessante de todo o filme para mim, e uma das sequências mais bacanas que o cinema já produziu. Monica (Erin James) trabalha numa empresa cuja sua tarefa é fazer o intermédio de ligações entre surdos e mudos através do Skype. O problema começa quando Sam (T.J. Power), um desenhista gráfico solitário, liga para lá e pede para que ela faça a ligação para um tele-sexo. Monica então se vê obrigada a traduzir toda a conversa, e o que parecia constrangedor no começo acaba unindo os dois de uma forma muito singela.



Com esquetes engraçadas e muito bem montadas, A Pequena Morte pode ser considerada uma das comédias mais inteligentes e bacanas dos últimos anos, diferente de tudo que já foi feito. As atuações são muito boas, assim como a trilha sonora, e mesmo sendo uma comédia, faz refletir um pouco sobre o papel da sexualidade na vida de um casal, e nas tantas maneiras disso ser responsável pelo sucesso ou não de uma relação. Certamente uma das surpresas mais positivas do ano.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Crítica: 14 Estações de Maria (2015)


Ainda estamos no mês de abril mas, para mim, o alemão 14 Estações de Maria (Kreuzweg) já é um dos melhores filmes lançados no Brasil em 2015. Vencedor do Urso de Prata de melhor roteiro e de melhor filme do júri ecumênico no último Festival de Berlim, o filme dos irmãos Bruggemann é uma das críticas mais contundentes contra o dogmatismo religioso que já tive a chance de assistir.


O longa já começa mostrando a que veio na primeira cena, onde durante 15 minutos com a câmera estática, acompanhamos um padre declamando todos os ensinamentos básicos da igreja católica a adolescentes que estão às vésperas da sua crisma. Da adoração e o culto à figura de Jesus a criação de um "exército da salvação", ele passa por todos os tópicos mais importantes do cristianismo, fazendo aquela "lavagem cerebral" que todos sabemos que existe nas igrejas mais ortodoxas.

Entre esses jovens está Maria (Lea Van Acken), uma menina tímida e quieta, que desde cedo recebeu dos pais, sobretudo da mãe, um tratamento religioso extremamente rigoroso. Obrigada a seguir à risca todas as regras sociais que a igreja impõe, ela não tem direito a brincadeiras, não tem direito a ter amigos. Fica fora da própria educação física da escola por acreditar que a música da aeróbica é diabólica, e por isso é rechaçada por todos os colegas.


Vivendo em um mundo onde a diversão é pecado e o medo de não ir pro céu é tão grande quanto qualquer outra coisa, Maria se mostra cada vez mais distante do que se esperaria de uma menina de sua idade. O pior de tudo é que ela é realmente levada a acreditar em tudo que ouve, e por isso se fecha propositalmente para o mundo exterior. Se você for reparar, as pessoas fanáticas raramente sorriem, raramente fazem algo que gosta, e o filme mostra com competência o impacto que essa criação acaba tendo num adolescente que está dando os primeiros passos da vida adulta. 

No enredo, não há uma cena sequer que não tenha uma intensidade dramática. Aliás, a divisão em capítulos foi uma excelente escolha. Cada capítulo faz uma referência aos 14 passos da via sacra de Jesus descritos na bíblia (que eu confesso que não conhecia até então), fazendo ligação entre eles e a história vista em cena. Outro ponto alto do filme são as atuações, principalmente de Lea Van Acken e Franziska Weisz, que faz o papel da mãe de Maria.


Sem escolher um lado, se preocupando apenas em mostrar friamente o dia-dia de quem enfrenta esse "martírio" sem opção de escolha, o diretor deixa ao espectador a função de definir se isso é certo ou errado. Infelizmente, sabemos que filmes como 14 Estações de Maria são pouco divulgados por aqui, mas se você tiver a chance de assistir, não deve perder. Vale a pena cada segundo.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estreias da Semana (02/04 a 08/04)

Oito filmes entram em cartaz nessa primeira semana de abril em todo o Brasil. O destaque da vez é a sétima sequência de Velozes e Furiosos, estrelado por Vin Diesel e Paul Walker, morto em um acidente de carro em 2013. Da lista de filmes americanos, ainda tem O Último Ato, estrelado pelo veterano Al Pacino, O Ano Mais Violento, com Jessica Chastain e Oscar Isaac e o drama Um Momento Pode Mudar Tudo, com a oscarizada Hilary Swank.

Do Reino Unido tem Fim de Semana em Paris, que mostra a singela relação de amor entre um casal de idosos e a vigem emocional deles ao passado. Fechando a lista tem ainda a comédia francesa Amor à Primeira Briga, o drama alemão 14 Estações de Maria e o nacional Fala Sério!. Confira:

Velozes e Furiosos 7

Owen Shaw (Luke Evans) foi morto num embate contra o grupo de Dominic (Vin Diesel) e Brian (Paul Walker). Eles voltam para casa livres de qualquer acusação e pretendem começar suas vidas dentro da legalidade, mas o irmão mais velho de Owen, Ian Shaw (Jason Statham) quer vingança a todo custo.

Furious 7, Estados Unidos, 2014.
Direção: James Wan
Duração: 140 minutos
Classificação: 12 anos
Ação / Aventura

O Último Ato

Simon Axler (Al Pacino) é um famoso ator de teatro que fica depressivo e passa a ter tendências suicidas quando, inexplicavelmente, perde seu talento. Durante a tentativa de recuperar seu dom, ele tem um caso com uma jovem lésbica, muitos anos mais nova que ele, e rapidamente a relação entre eles passa a gerar conflitos, trazendo à tona pessoas ligadas aos dois que eles não esperavam reencontrar.

The Humbling, Estados Unidos, 2014.
Direção: Barry Levinson
Duração: 112 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Ano Mais Violento

Em 1981, época em que a cidade de Nova York era uma das mais violentas dos Estados Unidos, o imigrante Morales (Oscar Isaac) e sua esposa Anna (Jessica Chastain) tentam viver na legalidade para manter seu próprio negócio. Porém, a tarefa é mais difícil do que se pensa, em função da corrupção que toma conta do lugar e da violência que ameaça cada passo dos dois.

A Most Violent Year, Estados Unidos, 2014.
Direção: J. C. Chandor
Duração: 110 minutos
Classificação: 16 anos
Ação / Drama


Um Momento Pode Mudar Tudo

Bec (Emmy Rossum) é uma estudante rebelde que quer se tornar uma cantora de rock, mas que mal consegue dar conta do descontrole que é sua vida. Porém, a vida dela muda quando ela aceita um emprego de assistente para uma mulher com deficiência física (Hilary Swank).

You're Not You, Estados Unidos, 2015.
Direção: George C. Wolfe
Duração: 102 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Fim de Semana em Paris

Os professores Nick (Jim Broadbent) e Meg (Lindsay Duncan) já passaram dos 60 anos e vivem uma rotina pacata na cidade Birminghan. Na tentativa de resgatar o romance dos primeiros anos, Meg convence o marido a voltar à Paris para comemorar os 30 anos de casamento, e durante a viagem eles vão relembrando e refleitindo sobre tudo que passaram durante tantos anos juntos.

Le Week-End, Reino Unido, 2015.
Direção: Roger Michell
Duração: 93 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia


Amor à Primeira Briga

Madeleine (Adèle Haenel) é metida a valentona e se alista no Exército. Na cidadezinha praiana em que mora, ela conhece Arnaud (Kévin Azais), um garoto que sempre bate de frente com ela sobre qualquer assunto. Apesar das desavenças de ideias, há algo neles que os atraem, e aos poucos Madeleine vai baixando a guarda e dando chance ao amor.

Les Combattants, França, 2015.
Direção: Thomas Cailley
Duração: 98 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Romance


14 Estações de Maria

A adolescente Maria (Lea Van Acken) vive em dois mundos bem diferentes: sua rotina no colégio é como de qualquer outra garota de sua idade, mas na sua casa ela é obrigada a seguir rigorosamente os ensinamentos católicos, o que a deixa confusa em discernir o que é certo e errado.

Kreuzweg, Alemanha, 2014.
Direção: Dietrich Bruggemann
Duração: 107 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

Falá Sério!


As adolescentes Daia (Naiara Carvalho), Mônica (Mônica de Oliveira) e Lê (Luciana Louvadini) já são mães, e tem que lidar com as responsabilidades com os filhos enquanto vêem a vida adulta chegando muito mais cedo que esperavam. Mesmo com as dificuldades, o maior sonho delas ainda é encontrar um grande amor.

Fala Sério!, Brasil, 2015.
Direção: Augusto Sevá
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

segunda-feira, 30 de março de 2015

Crítica: 10.000 Km (2014)


É possível manter uma relação amorosa à distância? Esse é um dilema que muitos casais hoje em dia tem que passar, e o espanhol Carlos Marques-Marcet conseguiu captar isso de forma única, sem ser nem um pouco apelativo ou piegas, em seu primeiro trabalho como roteirista e diretor.



Alexandra (Natalia Tena) e Sergi (David Verdaguer) formam um jovem casal espanhol cheio de sonhos, que vivem juntos em um apartamento em Barcelona e levam uma vida normal. O dias vão passando até que um dia Alexandra recebe uma proposta irrecusável de emprego no outro lado do oceano. No início eles relutam em aceitar, mas por uma questão profissional ela decide aceitar, e parte então rumo aos Estados Unidos onde ficará um ano.

A partir de então, o contato que eles mantém é apenas através da webcam. Aliás, é bastante interessante como o filme transcorre daí para frente. A maioria das cenas são dentro dos próprios computadores, onde eles conversam quase todos os dias para matar a saudade. Porém, o sentimento de solidão é imenso mesmo com essa ajudinha da tecnologia, e aos poucos, como era de se esperar, a relação vai se desgastando.



Esse desgaste da relação é muito bem mostrado em cena. Nos primeiros meses tudo que eles queriam era se ver, mas aos poucos cada um vai dando mais importância a suas próprias coisas, principalmente Alexandra. As conversas vão ficando cada vez mais curtas e os assuntos já não são mais os mesmos.

O egoísmo e o ciúme de Sergi, que não consegue se sentir bem vendo Alexandra curtir a vida com os amigos na nova cidade enquanto o "deixa de lado", é um ponto importante nesse distanciamento. Porém, antes de julgar sua atitude, devemos pensar se não faríamos igual na mesma situação. Eu particularmente não sei responder.



Quando os dois se reencontram, já não existe mais aquela paixão de antes. Pareciam na verdade dois estranhos que mal tinham do que falar. A cena final é extremamente dolorosa e mexe fundo na alma, principalmente de quem já teve que passar por algo assim. O que mais chama a atenção no filme é a química que existe entre os atores. Aliás, atuações impressionantes, onde eles conseguiram mostrar a maioria dos sentimentos apenas através do olhar, com o uso de poucas palavras.

Por fim, apesar da premissa ser aparentemente simples, 10.000 Km é um filme diferenciado e de extrema competência, principalmente porque foge de qualquer esteriótipo do gênero. Vale a pena cada segundo mesmo sendo um filme parado, o que pode incomodar muita gente que não gosta de filmes assim.