segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os vencedores do Festival de Cannes 2015


Ocorreu nesse domingo (24) a 68ª edição do glamouroso Festival de Cannes, considerado o principal festival de cinema do continente europeu. O grande vencedor dessa edição foi o longa Dheepan, do diretor Jacques Audiard, que se consagrou com a Palma de Ouro, prêmio mais importante do evento. O filme, que não constava na lista de favoritos de boa parte da crítica, surpreendeu todo mundo ao ser anunciado como vencedor. Dheepan conta história de um ex-guerrilheiro do grupo Tigres, que luta pela libertação da pátria de Tamil do Sri Lanka, que tenta a vida como imigrante ilegal na França.


Jacques Audiard com o ator do Sri Lanka Antonythasan Jesuthasan, protagonista de Dheepan.

O filme Saul Fia, do jovem cineasta húngaro Laszlo Nemes, foi premiado com o Grande Prêmio de Cannes, outra premiação importante do festival. O filme conta a história de um prisioneiro de um campo de concentração que, em meio à barbárie nazista, tenta enterrar dignamente seu filho segundo o ritual judeu. Outro filme que saiu premiado foi The Lobster, do grego Yorgos Lanthimos, escolhido como melhor filme pelo júri dessa edição, presidido pelos irmãos Ethan e Joel Coen.

La Tierra y la Sombra, do colombiano César Acevedo, foi o vencedor da categoria Câmera de Ouro, que premia o melhor filme de um diretor estreante. Exibido na "Semana da Crítica", o filme já havia recebido o Grande Prêmio desta mostra paralela. Além de César Acevedo, outro diretor latino também saiu premiado: foi o mexicano Michel Franco, que levou o prêmio de melhor roteiro por Chronic, excelente drama protagonizado pelo britânico Tim Roth.

O taiwanês Hou Hsiao-Hsien recebeu o prêmio de melhor diretor pelo filme The Assassin, sobre uma assassina chinesa na época da dinastia Tang. Para finalizar, teve ainda a premiação de Rooney Mara e Emmanuelle Bercot, que dividiram o prêmio de melhor atriz por Carol e Mon Roi, respectivamente, e o francês Vincent Lindon, escolhido melhor ator por La Lou Du Marché.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Estreias da Semana (21/05 a 27/05)

Seis filmes estreiam nessa quinta-feira em todo o Brasil. O principal destaque é o drama A Incrível História de Adaline, que conta a história de uma mulher que parou de envelhecer depois de um estranho acontecimento. Outro destaque é James Brown, cinebiografia do icônico cantor norte-americano, pai do soul e do funk. Para quem gosta de terror tem Poltergeist - O Fenômeno, remake do clássico dos anos 80, e há ainda opção para quem gosta de ação, Crimes Ocultos com Tom Hardy e Gary Oldman. Fechando a lista tem o nacional O Vendedor de Passados, adaptação do livro homônimo de José Eduardo Agualusa, protagonizado por Lázaro Ramos e Alinne Moraes.


A Incrível História de Adaline

Adaline (Blake Lively) é uma mulher jovem e feliz. Em uma noite de 1935 ela sofre um acidente de carro e algo mágico acontece: a partir desse momento ela parou de envelhecer. Para manter isso em segredo, ela usa diversas identidades diferentes, enquanto lida com as dificuldades que isso acarreta, como ver todos aqueles que você ama envelhecendo e morrendo.

The Age of Adaline, Estados Unidos, 2015.
Direção: Lee Toland Krieger
Duração: 140 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

James Brown

A cinebiografia conta a história do cantor James Brown (Chadwick Boseman), desde sua infância até se tornar uma lenda da música americana. Ele foi o precursor do gênero soul, inventou o funk, e fez sucesso com músicas como "Sex Machine" e "I Feel Good".

Get On Up, Estados Unidos, 2014.
Direção: Tate Taylor
Duração: 139 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Drama / Musical

Poltergeist - O Fenômeno

Eric Bowen (Sam Rockwell) quer dar uma vida melhor para sua família, mesmo desempregado. Eles se mudar para outra cidade com esperanças renovadas, mas na nova casa acabam vivendo seus piores dias por meio de uma força sobrenatural.

Poltergeist, Estados Unidos, 2014.
Direção: Gil Kenan
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense / Terror

Crimes Ocultos

Na fase final do governo de Josef Stálin na União Soviética, o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia. A morte do garoto chama a atenção do agente Leo Demidov (Tom Hardy), pelo fato da família não acreditar que foi um acidente. Na medida em que ele começa a investigar a morte, acaba despertando a preocupação de membros do governo, que tentam a todo custo silenciá-lo.

Child 44, Estados Unidos, 2015.
Direção: Daniel Espinosa
Duração: 138 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Suspense

Miss Julie

Irlanda, 1874. A bela e impetuosa Julie (Jessica Chastain) vive dias de tédio. Para acabar com isso, ela decide se divertir fazendo um jogo de provocação com seu criado, o valente John (Colin Farrell).

Miss Julie, França/Irlanda/Noruega/Reino Unido, 2015.
Direção: Liv Ullmann
Duração: 129 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Vendedor de Passados

Vicente (Lázaro Ramos) tem um um trabalho inusitado. Ele vende passados, recriando a história de seus clientes por meio de vídeos e fotos manipuladas. Certo dia, ele recebe uma bela e misteriosa mulher (Alinne Moraes), que aparece para contratar seus serviços mas acaba mudando completamente sua vida.

O Vendedor de Passados, Brasil, 2015.
Direção: Lula Buarque de Hollanda
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

terça-feira, 19 de maio de 2015

Crítica: O Julgamento de Viviane Amsalem (2014)


Em Israel, os rabinos são os únicos que podem realizar casamentos, assim como também são os únicos que possuem o poder de desfazê-los. Partindo dessa premissa, O Julgamento de Viviane Amsalem (Gett) conta a história da personagem título (Ronit Elkabetz), uma mulher que luta desesperadamente na justiça para conseguir seu divórcio de Elisha Amsalem (Simon Abkarian).



Para que um casamento seja desfeito no país os dois lados precisam consentir, sem exceção, e Elisha se nega veemente a "libertar" Viviane do casamento. É interessante analisar que a direção não se preocupou em mostrar o real motivo dela querer a separação, deixando isso implícito. Viviane simplesmente não é mais feliz ao lado de Elisha (talvez nunca tenha sido), e quer ter a chance de tentar a felicidade em outro lugar, e só isso já deveria ser motivo suficiente para ela conseguir o que quer.

Na disputa judicial, é Viviane contra um tribunal composto inteiramente por homens, que defendem uma lei arcaica feita por eles mesmos. Não querer mais dividir o mesmo teto com alguém que lhe causa repulsa é quase visto como um crime perante a sociedade, sobretudo quando tal ideia parte da mulher. E o mais incrível é como alguém pode querer continuar casado com uma pessoa que lhe odeia só pelo prazer de ver o outro infeliz?

Outro ponto interessante, é que são ouvidas durante o processo uma série de testemunhas, e cada uma delas tenta palpitar na vida do casal, dizendo o que é certo e o que é errado. Todos acham que sabem de tudo que acontece entre os dois, quando na verdade tudo não passa de suposições. É a velha história do "cuidado com a vida alheia", enquanto a sua própria é tão bagunçada quanto.



Os 115 minutos do filme se passam inteiramente da pequena sala do tribunal, e mesmo assim prende a atenção até o final, tamanha competência do roteiro. Com bons diálogos e até mesmo algumas cenas engraçadas, ele nos leva a conhecer um pouco mais do martírio que passam as mulheres em países onde elas tem pouco ou quase nada de direitos. 

Por fim, com boas atuações, principalmente de Ronit Elkabetz (que também dirige o filme), O Julgamento de Viviane Amsalem é um excelente tratado sobre a luta das mulheres ao redor do mundo por liberdade de expressão e pensamento. Viviane é um exemplo a ser seguido, de uma mulher forte que enfrenta de frente a sociedade machista.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Crítica: A Ilha dos Milharais (2014)


A divisa entre a Geórgia e a república separatista da Abecásia, cuja tensão política é grande desde a guerra que ocorreu na região entre 1992 a 1993, é feita pelo Rio Enguri. Todos os anos, durante a primavera, o rio sofre com a cheia, e a torrente de água acaba criando pequenas ilhas ao longo de sua extensão. Alguns camponeses aproveitam esse período, muitas vezes o único fértil do ano todo, para plantar nessas ilhas e juntar tudo que precisam para o resto do ano.



O filme acompanha a história de um homem (Ilyas Salman) que resolve aproveitar a estação do ano para cultivar uma plantação de milho numa dessas ilhas temporárias. Pouco a pouco ele vai construindo uma cabana no local e preparando o terreno, sempre contando com a ajuda de sua neta adolescente (Mariam Buturishvili). 

A aparente tranquilidade é o tempo todo ameaçada por soldados georgianos, que rondam o lugar de barco e fazem gracinhas com a jovem garota. A situação fica ainda mais perigosa quando um homem ferido acaba parando nos milharais, e o velho e sua neta devem escondê-lo dos demais.



A grande virtude do filme é mostrar a passagem do tempo com atenção máxima aos pequenos detalhes. Enquanto a jovem amadurece, o velho vai descobrindo que para o mundo continuar girando alguns ciclos se fazem necessários. Contemplativo e silencioso (basta ver que a primeira de poucas palavras é proferida apenas aos 20 minutos de filme), é um filme cuja exuberância das imagens falam por si.

O ritmo cadenciado não entedia, e consegue prender a atenção até o final. Escolhido pela Geórgia para representar o país no último Óscar, o filme do diretor George Ovashvili foi bastante elogiado em diversos festivais menos conhecidos, como o de Karlovy Vary na República Checa, onde foi escolhido melhor filme.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Estreias da Semana (14/05 a 20/05)

Seis filmes entram em cartaz no Brasil nesta quinta-feira, e o grande lançamento da semana é sem dúvida Mad Max: Estrada da Fúria. Diferente do que parecia quando anunciado, o filme não se trata de um remake do clássico que levou multidões ao cinema nos anos 70 e 80, mas sim, de uma continuação da história de Max Rockantasky, interpretado por Mel Gibson na trilogia original e agora por Tom Hardy.

Para quem gosta do cinema europeu, tem o divertido Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência, do sueco Roy Anderson, conhecido por seu cinema excêntrico e de forte crítica à sociedade moderna. Tem também A Gangue, filme ucraniano que chamou a atenção da crítica por ter sido filmado inteiramente com atores surdo-mudos e na linguagem de sinais. Aos amantes do cinema oriental, tem o O Desejo da Minha Alma, filme de estreia do diretor Masakazu Sugita. Do cinema nacional ainda tem o drama Metanóia, sobre a dependência química, e a comédia Divã a 2, continuação de Divã, lançado em 2009. Confira:

Mad Max: Estrada da Fúria

Numa paisagem desértica e pós-apocalíptica, a humanidade precisa lutar por suas vidas. Uma dessas pessoas é Max (Tom Hardy), um homem durão e de poucas palavras que está em busca de paz de espírito após perder a mulher e o filho.

Mad Max: Fury Road, Estados Unidos, 2015.
Direção: George Miller
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos
Ação

Um Pompo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência

O filme apresenta um conjunto de esquetes que refletem sobre as trivialidades da vida e como cada ser humano encara situações como alegria, tristeza e vergonha. A câmera é como se fosse um pombo parado em uma janela, observando o comportamento humano diante da vida que lhe aparece pela frente.

En Duva Satt pa en Gren Och Funderade pa Tillvaron, Suécia, 2015.
Direção: Roy Andersson
Duração: 101 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

A Gangue

O deficiente auditivo Sergey (Grigoriy Fesenko) é matriculado em uma escola especializada e logo toma ciência das regras da gangue juvenil que age na instituição. Após praticar uma série de roubos, ele cresce na hierarquia do grupo, mas coloca tudo a perder quando se envolve com Anna (Yana Novikova), concubina do líder da organização.

Plemya, Ucrânia, 2015.
Direção: Myroslav Slaboshpytskiy
Duração: 132 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

O Desejo da Minha Alma

O Japão é acometido por um terrível terremoto. A destruição psicológica nas pessoas sobreviventes é tão devastadora quanto a destruição física, e é no meio dessa desolação que se encontram os irmãos Haruna e Sotha. Eles perderam os pais no desastre e passaram a ser criados pelos tios, onde lutam dia a dia para retomar a felicidade que antes existia entre eles.

Hitono Nozomino Yorokobiyo, Japão, 2015.
Direção: Masakazu Sugita
Duração: 85 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

Metanóia

Eduardo (Caique Oliveira) cresceu na periferia de São Paulo e teve uma boa educação de sua mãe, Solande (Einat Falbel). Apesar disso, Eduardo mergulha no universo das drogas e se torna usuário de crack. A mãe, desesperada, tenta ajudar o filho a se livrar da dependência química custe o que custar.

Metanóia, Brasil, 2015.
Direção: Miguel Nagle
Duração: 107 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Divã a 2

O produtor de eventos Marcos (Rafael Infante) e a ortopedista Eduarda (Vanessa Giácomo) já estão casados há dez anos. Nesse período, o relacionamento acaba se desgastando e por isso eles buscam ajuda no divã de um psicólogo. Mas o que era para resolver os desentendimentos do casal acaba os separando ainda mais, quando Eduarda se entrega ao amor de Leo (Marcelo Serrado).

Divã a 2, Brasil, 2015.
Direção: Paulo Fontenelle
Duração: 93 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance