segunda-feira, 1 de junho de 2015

Crítica: A Incrível História de Adaline (2015)


O novo filme do novato diretor Lee Toland Krieger, A Incrível História de Adaline (The Age of Adaline) é um verdadeiro conto de fadas moderno, e mistura romance e magia ao contar a história de uma mulher que, por um acontecimento sobrenatural, simplesmente pára de envelhecer e mantém a mesma idade e aparência por décadas.



Adaline (Black Lively) nasceu em 1908 e levava uma vida normal até sofrer um acidente de carro perto de seus 30 anos. Graças a um acontecimento mágico ela sobrevive e passa a não envelhecer nunca mais. Passam-se os anos e Adaline continua com a mesma aparência, enquanto vê as pessoas ao redor envelhecendo e consequentemente morrendo.

A "eterna juventude", sonhada por muitas pessoas na vida real, acaba sendo mostrada como algo verdadeiramente ruim, principalmente quando Adaline precisa abdicar de relacionamentos amorosos duradouros, ou até mesmo de amizades, para esconder o segredo. Além disso, precisa ainda trocar seguidamente de identidade para evitar problemas com as autoridades.



O filme brinca ao tentar mostrar uma teoria científica por trás da situação de Adaline, que conforme diz o narrador da história, só seria descoberta em 2035. O enredo tenta fugir do convencional, mas apesar da originalidade da história, acaba se rendendo ao clichê em alguns momentos importantes, sobretudo no final, que se deixa levar ao mesmo caminho das comédias românticas sem sal.

Apesar dos pontos negativos serem evidentes, a atuação de Black Lively é algo que realmente chama a atenção. Convincente, ela consegue transpôr com eficiência os sentimentos de Adaline perante sua situação e segura bem o filme até o fim. Quem também rouba a cena é Harrison Ford, mesmo em um papel secundário e que só aparece nos minutos finais.



Por fim, com um roteiro precário mas uma belíssima direção de arte, A Incrível História de Adaline é um filme interessante que, mesmo previsível, acaba sendo uma boa pedida aos que gostam de um bom romance.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Estreias da Semana (28/05 a 03/06)

Oito filmes entram em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros. O grande destaque de bilheteria é Terremoto - A Falha de San Andreas, um dos filmes de "catástrofe" mais esperado do ano, estrelado por Dwayne Johnson. Para quem gosta de um bom drama de guerra tem Promessas de Guerra, primeiro filme dirigido pelo ator Russell Crowe. Fechando a lista de filmes americanos tem a nova comédia com Adam Sandler, Trocando os Pés.

Fora do circuito midiático, dois filmes se destacam: o francês Os Homens que Elas Amavam Demais, e o chinês A Menina dos Campos de Arroz. Ainda da Ásia tem a animação The Last Naruto - O Filme, que deve contar o fim da saga desse herói dos mangás japoneses. Fechando a lista ainda tem dois filmes nacionais: Permanência, mais uma obra do novo cinema recifense com Irandhir Santos, e o terror O Amuleto. Confira a lista completa abaixo.


Terremoto - A Falha de San Andreas

Depois que a famosa "falha de San Andreas" finalmente cede, provocando um terremoto de magnitude 9 na Califórnia, Ray (Dwayne Johnson), um piloto de helicópteros de resgate, precisa atravessar o estado na esperança de resgatar sua filha. Mas a jornada é apenas o começo dos problemas, pois o pior de tudo ainda estava por vir.

San Andreas, Estados Unidos, 2014.
Direção: Brad Peyton
Duração: 114 minutos
Classificação: 10 anos
Ação / Drama / Suspense

Promessas de Guerra

Na Primeira Guerra Mundial, dirante a batalha de Gallipoli na Turquia, o fazendeiro australiano Connor (Russell Crowe) descobre que seus filhos desapareceram. Ele então viaja até Istambul para tentar descobrir o paradeiro deles, e no caminho se envolve com Ayshe (Olga Kurylenko), dona do hotel onde fica hospedado.

The Water Diviner, Austrália/Estados Unidos/Turquia, 2014.
Direção: Russell Crowe
Duração: 111 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Guerra

Trocando os Pés

Max Simkin (Adam Sandler) é um sapateiro solitário que vive em Nova York. Certo dia ele descobre um grande poder: o de se tornar idêntico aos donos dos sapatos que ele conserta, quando calça as peças. Ele tem então a chance de viver na pele a vida de outras pessoas, mas isso traz inúmeras consequências.

The Cobbler, Estados Unidos, 2014.
Direção: Thomas McCarthy
Duração: 99 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

O Homem que Elas Amavam Demais

No ano de 1976, Renée Le Roux (Catherine Deneuve) é dona do cassino Palais de la Méditerranée e seu negócio é constantemente ameaçado pelo mafioso Fratoni. A situação se complica quando sua filha (Adèle Haenel) se apaixona pelo advogado (Guillaume Canet), o que gera uma série de crises e traições.

L'homme qu'on Aimait Trop, França, 2015.
Direção: André Techiné
Duração: 116 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Suspense

A Menina dos Campos de Arroz

Numa pequena vila nas montanhas do sul da China, a jovem A Qiu (Yang Yingqiu) vive com o irmão e a avó, já que os pais trabalham na cidade grande. O grande desejo dela é ser escritora e viajar pelo mundo, mas as dificuldades são imensas e se torna quase impossível realizar seu sonho.

La Rizière, China/França, 2012.
Direção: Zhu Xiaoling
Duração: 82 minutos
Classificação: 10 anos
Drama

Permanência

Ivo (Irandhir Santos) é um fotógrafo pernambucano que viaja a São Paulo para realizar sua primeira exposição individual. Lá ele decide se hospedar na casa de sua ex, Rita (Rita Carelli), que está agora casada com outro gomem. A convivência entre eles passa a trazer sentimentos do passado à tona, tumultuando a relação dela com o atual marido.

Permanência, Brasil, 2015.
Direção: Leonardo Lacca
Duração: 85 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Amuleto

Ao se perderem numa mata fechada, um grupo de jovens acaba encontrando dois de seus amigos mortos. Diana (Bruna Linzmeyer) estava junto mas apenas desacordada, e quando ela precisa prestar depoimento para a polícia, lembra apenas que tinha ido com os amigos em uma festa na floresta e perdido o caminho.

O Amuleto, Brasil, 2014.
Direção: Jeferson De
Duração: 88 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense / Terror

The Last Naruto - O Filme

A lua está em rota de colisão com a Terra e pode se chocar na forma de um meteoro. Enquanto isso, Hanabi é sequestrada por um estranho homem. Cabe a Naruto, Shikamaru, Hinata, Sakura e Sai salvar ela e consertar a situação.

Naruto - The Last, Japão, 2015.
Direção: Tsuneo Kobayashi
Duração: 112 minutos
Classificação: 10 anos
Animação

Crítica: Casa Grande (2015)


Do estreante em longa-metragens Fellipe Gamarano Barbosa, Casa Grande entrou em cartaz esse ano no Brasil. Bastante simples em sua fórmula mas ao mesmo tempo complexo em seus detalhes, o filme chamou a atenção de boa parte da crítica especializada, principalmente depois de ser exibido no Festival de Paulínia, no interior do estado de São Paulo.


Jean (Thales Cavalcanti) é um garoto tímido de 17 anos que vive numa família de classe alta no Rio de Janeiro junto com seus pais Hugo (Marcello Novaes) e Sônia (Suzana Pires), além de sua irmã mais nova. Ele aparentemente leva a vida que qualquer adolescente gostaria de levar: tem tudo que quer, estuda numa escola particular e é levado aos lugares que deseja pelo motorista particular da família. O único problema é o controle excessivo dos pais por cada gesto seu, que faz com que sua vida seja rigorosamente controlada.

Essa vida boa começa a ser ameaçada depois que uma forte crise financeira atinge a família. Fica implícito o motivo principal, mas aparentemente seria algo a respeito de investimentos financeiros em ações que perderam valor. Hugo e Sônia tentam esconder isso dos filhos a todo custo, mas vai ficando cada vez mais difícil, sobretudo depois com alguns cortes como a demissão de funcionários da casa.


Sem motorista, Jean passa a utilizar o transporte público da Barra de Tijuca (bairro nobre do Rio) até o colégio São Bento, no centro da cidade. No ônibus ele conhece Luiza (Bruna Amaya), uma menina mestiça que estuda em um colégio público. Não demora para que eles engatem um namoro, mas apesar dela ser extremamente inteligente e educada, sua origem incomoda os pais do garoto que não a enxergam com bons olhos.

Apesar de abordar a história de uma família da alta sociedade, o filme não deixa de ter sua crítica social bem exposta. Alguns assuntos recorrentes da atualidade são bem discutidos, como por exemplo a questão das cotas raciais nas faculdades públicas e privadas e a desigualdade social, além das dúvidas que permeiam a cabeça de qualquer adolescente, como a sexualidade e as aspirações para o futuro. 

Com um bom roteiro, ainda que possua alguns furos e fatos inexplicados, o filme é sustentado pelos diálogos e pela excelente construção de cada personagem. Thales Cavalcanti e Bruna Amaya, que formam o casal adolescente, são ambos atores estreantes. Thales inclusive é verdadeiramente aluno do São Bento, e talvez por isso mesmo sua atuação seja tão convincente. Outra personagem que chama a atenção é Rita (Clarissa Pinheiro), empregada da família, que sem dúvida uma das mais interessantes do filme. Marcello Novaes e Suzana Pires, experientes que são, seguram as pontas com qualidade.


Por fim, Casa Grande se torna uma boa surpresa do novo (e subestimado) cinema nacional, que vem mostrando cada dia mais sua força. Sem grande divulgação, principalmente por não ser "cria" da televisão, é um filme despretensioso mas de grande presença, que merece ser apreciado.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Crítica: A Família Bélier (2014)


Na excêntrica família Bélier, todos os membros são surdo-mudos com exceção da jovem Paula (Louane Emera), filha mais velha do casal Rodolphe (François Damiens) e Gigi (Karin Viard). Por conta disso, ela acaba sendo a intérprete da família em quase todas as situações, sendo de extrema importância para a relação da família com o mundo exterior.



Vivendo em uma fazenda, a principal rotina de todos é cuidar dos animais e das plantações da propriedade, mas Paula ainda precisa reservar um tempo para os estudos. Apesar de ser tímida e viver uma vida quase reclusa, ela não deixa de ser como todas as outras adolescentes de sua idade: tem uma melhor amiga inseparável, um namoro mal resolvido e o mais importante de tudo, sonhos.

Incentivada pelo seu professor Thomasson (Eric Elmosnino), Paula descobre um dom seu até então desconhecido: o de cantar, e a partir de então começa a sonhar alto na carreira musical. A partir desse momento você vai ouvir muita música. Muita mesmo! E todas de extrema qualidade, graças à voz de Leouane Emera, conhecida por ter participado da edição francesa do programa de televisão The Voice.



O enredo faz uma análise bem humorada de pessoas que vivem na situação de completa surdez, e boa parte dos diálogos do filme são feitos através da linguagem de sinais, o que o torna ainda mais interessante. O clímax final é uma cena belíssima e inesquecível, e responde uma grande questão que permeia todo o filme: como apreciar o talento musical de sua própria filha sendo fisicamente incapaz de ouvi-la?

Sobre o roteiro, o único problema foi ter dado mais atenção à parte musical e ter deixado algumas histórias paralelas sem conclusão, como o próprio namoro de Paula com um colega de canto ou a eleição do pai para prefeito da cidade. Mas nada que tire o brilho e a graciosidade de tudo que é mostrado na tela, principalmente pela qualidade das atuações. Nessa questão vale ressaltar que Luca Gelberg, o irmão mais novo de Paula, é o único ator realmente surdo na produção, e todos os demais tiveram que aprender Libras para viverem seus personagens.



Fenômeno de público na França, A Família Bélier é o trabalho mais sensível até então do diretor Eric Lartigau. Seu bom humor e sua originalidade em contar uma história aparentemente simples é o que transforma ele em um dos filmes mais bacanas do último ano. Com certeza vale a pena!


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os vencedores do Festival de Cannes 2015


Ocorreu nesse domingo (24) a 68ª edição do glamouroso Festival de Cannes, considerado o principal festival de cinema do continente europeu. O grande vencedor dessa edição foi o longa Dheepan, do diretor Jacques Audiard, que se consagrou com a Palma de Ouro, prêmio mais importante do evento. O filme, que não constava na lista de favoritos de boa parte da crítica, surpreendeu todo mundo ao ser anunciado como vencedor. Dheepan conta história de um ex-guerrilheiro do grupo Tigres, que luta pela libertação da pátria de Tamil do Sri Lanka, que tenta a vida como imigrante ilegal na França.


Jacques Audiard com o ator do Sri Lanka Antonythasan Jesuthasan, protagonista de Dheepan.

O filme Saul Fia, do jovem cineasta húngaro Laszlo Nemes, foi premiado com o Grande Prêmio de Cannes, outra premiação importante do festival. O filme conta a história de um prisioneiro de um campo de concentração que, em meio à barbárie nazista, tenta enterrar dignamente seu filho segundo o ritual judeu. Outro filme que saiu premiado foi The Lobster, do grego Yorgos Lanthimos, escolhido como melhor filme pelo júri dessa edição, presidido pelos irmãos Ethan e Joel Coen.

La Tierra y la Sombra, do colombiano César Acevedo, foi o vencedor da categoria Câmera de Ouro, que premia o melhor filme de um diretor estreante. Exibido na "Semana da Crítica", o filme já havia recebido o Grande Prêmio desta mostra paralela. Além de César Acevedo, outro diretor latino também saiu premiado: foi o mexicano Michel Franco, que levou o prêmio de melhor roteiro por Chronic, excelente drama protagonizado pelo britânico Tim Roth.

O taiwanês Hou Hsiao-Hsien recebeu o prêmio de melhor diretor pelo filme The Assassin, sobre uma assassina chinesa na época da dinastia Tang. Para finalizar, teve ainda a premiação de Rooney Mara e Emmanuelle Bercot, que dividiram o prêmio de melhor atriz por Carol e Mon Roi, respectivamente, e o francês Vincent Lindon, escolhido melhor ator por La Lou Du Marché.