sábado, 31 de outubro de 2015

Crítica: Suite Francesa (2015)


O amor que é capaz de superar as diferenças em meio ao clima desumano da guerra? De uma forma genérica, é disso que fala Suite Francesa (Suite Française), novo longa metragem do britânico Saul Dibb (de A Duquesa), que se passa no período mais abordado em todos esses anos de cinema: a Segunda Guerra Mundial. 


Estamos na França, no ano de 1940, bem no auge da Segunda Guerra Mundial. Lucille Angellier (Michelle Williams) vive com sua sogra (Kristin Scott Thomas) em Buffy, no interior do país, depois que o marido foi servir na Guerra. A França está sendo invadida pelos alemães e centenas de refugiados estão vindo para o campo, multiplicando cada vez mais a população do lugar.

Apesar de estarem isolados, a perspectiva é que logo o conflito as alcance de alguma forma e os soldados "inimigos" finalmente cheguem na região. Por terem uma casa boa, Lucille e a sogra são obrigadas a acolher o oficial nazista Bruno (Matthias Schoenaerts), em troca de algumas migalhas. Outras famílias escapam num primeiro momento, mas no fundo todos se vêem na mesma situação, e o clima da localidade fica ainda mais tenso depois que um dos camponeses mata um soldado alemão.


O que Lucille não esperava, no entanto, era que Bruno fosse muito mais "humano" do que ela era levada a crer. Apesar de ser rígido em seu cargo, ele demonstra uma aptidão única para a música enquanto fica hospedado na casa, e essa paixão em comum deles faz com que os dois iniciem um relacionamento amoroso às escondidas.

O roteiro é bem clichê para falar a verdade, mas não deixa de ter seus momentos inspirados. O mais interessante de tudo é a forma com que o filme mostra os detalhes da ocupação, como o adiantamento dos relógios para o fuso alemão e a entrega de armas pela população.


Por fim, Suite Francesa não deixa de ser um bom filme para quem gosta da temática, mesmo que não traga nada de novo. As boas atuações e a impecável direção de arte ajudam no resultado final e tornam o filme uma experiência bem interessante.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Crítica: Perdido em Marte (2015)


Um mito por trás de alguns dos maiores clássicos da história do cinema. Estou falando de Ridley Scott, diretor que com 77 anos volta às telas em grande estilo com Perdido em Marte (The Martian), seu mais novo filme de ficção científica, gênero que ele sabe abordar como ninguém.


Durante uma missão no planeta vermelho, uma equipe de astronautas enfrenta uma violenta tempestade de areia, que os obriga a abortar a missão. Na decolagem eles acabam perdendo contato com Mark Watney (Matt Damon), que fica para trás e logo é dado como morto pela NASA, com direito a enterro simbólico e desculpas públicas pelo ocorrido.

Mark no entanto está vivo, e mesmo bastante ferido consegue chegar à base que eles ocupavam. A partir de então, surge o grande dilema do filme: como sobreviver sozinho a milhões de quilômetros de casa e com suprimentos limitados? Uma nova missão tripulada de resgate demoraria pelo menos 4 anos para chegar, e ele tem comida apenas para mais alguns meses.


Formado em botânica, Mark usa todo o seu conhecimento para transformar uma terra infértil em um ambiente propício para plantar novos alimentos. Outro problema a ser enfrentado era a falta de água, que ele também conseguiu criar graças ao seu alto conhecimento em química. Ele ganha uma nova perspectiva de vida quando finalmente consegue contato com a NASA, que passa a tratar seu resgate como prioridade.

O roteiro poderia apelar para o dramalhão, já que a situação de Mark é extremamente angustiante. Porém, o diretor escolheu abordar tudo com muito bom humor, e apesar de alguns exageros nesse sentido, isso acaba sendo o ponto positivo do filme. Alguns momentos inspirados nos fazem refletir sobre a situação de forma cômica, como quando Mark lembra que é o primeiro homem da história a estar sozinho em um planeta, e que por isso mesmo, ele teria "colonizado" marte.


A atuação de Matt Damon é competente como sempre, e o filme ainda possui outros destaques como Jessica Chastain, Chiwetel Ejiofor, Jeff Daniels e Michael Peña. Na questão técnica não há o que criticar, sobretudo a direção de arte que imita com perfeição o clima seco e o horizonte desértico de marte. Se os últimos 4 filmes de Scott haviam deixado uma incógnita, Perdido em Marte veio para mostrar que ele ainda sabe o que faz.

Estreias da Semana (29/10 a 04/11)

Sete filmes entram em cartaz nesta quinta-feira em todos os cinemas brasileiros. Dos Estados Unidos tem O Último Caçador de Bruxas, estrelado pelo ator Vin Diesel, Straight Outta Compton - A História do N.W.A., que conta a trajetória do polêmico grupo de rap que fez sucesso nos anos 1980, e Os 33, que mostra o drama real dos mineiros que ficaram dias preso em uma mina chilena em 2010. De uma parceria do cinema americano com o cinema europeu tem ainda Grace de Mônaco, com Nicole Kidman e Tim Roth.

Do cinema europeu o grande destaque é Dheepan - O Refúgio, do diretor Jacques Audiard, que se sagrou com a Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano. Outro filme que chama a atenção é o britânico 45 Anos, protagonizados pelos veteranos Charlotte Rampling e Tom Courtenay. Encerrando a lista tem a comédia argentina Sem Filhos.

O Último Caçador de Bruxas

Em Nova York, o caçador Kaulder (Vin Diesel) é forçado a unir forças com sua inimiga, a bruxa Chloe (Rose Leslie), depois que a Rainha das bruxas (Julie Engelbrecht) toma posse de uma poderosa relíquia e ameaça lançar uma praga capaz de destruir a humanidade.

The Last Witch Hunter, Estados Unidos, 2015.
Direção: Breck Eisner
Duração: 122 minutos
Classificação: 14 anos
Ação / Aventura / Fantasia
TRAILER AQUI

Straight Outta Compton - A História do N.W.A.

Em 1987, cinco amigos do bairro Compton, na Califórnia, usam as rimas do rap para expressarem seus descontentamentos e opressões com músicas violentas. Eles integravam a banda NWA, que revolucionou o mercado musical na época vendendo mais de 10 milhões de discos.

Straight Outta Compton, Estados Unidos, 2015.
Direção: F. Gary Gray
Duração: 147 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Drama
TRAILER AQUI

Os 33

No ano de 2010, 33 mineiros ficaram presos depois do desabamento da minha de San José, no Chile. Nos primeiros 17 dias eles ficaram incomunicáveis com o mundo exterior para o desespero dos familiares, tendo que lutar pela sobrevivência até conseguirem entrar em contato.

The 33, Chile/Estados Unidos, 2015.
Direção: Patricia Riggen
Duração: 145 minutos
Classificação: 14 anos

Grace de Mônaco

O filme conta a vida de Grace Kelly (Nicole Kidman), a atriz que abandonou a carreira em Hollywood após se casar com o Príncipe Rainier III (Tim Roth). Os dois viviam seus dias de casados tranquilamente até o diretor Alfred Hitchcock (Roger Ashton-Griffiths) oferecer a ela um importante papel em seu mais novo suspense.

Grace of Monaco, Bélgica/Estados Unidos/França/Itália, 2014.
Direção: Olivier Dahan
Duração: 103 minutos
Classificação: 12 anos
Biografia / Drama
TRAILER AQUI

Dheepan - O Refúgio

No Sri Lanka, Dheepan (Jesuthasan Antonythasan) deixa de ser um guerrilheiro para fugir do terror da guerra, e consegue um passaporte falso e parte em direção à França. Na viagem ele decide ajudar uma mulher e uma menina de 9 anos, que também estão querendo fugir do país, fingindo serem uma família.

Dheepan, França, 2015.
Direção: Jacques Audiard
Duração: 109 minutos
Classificação: a definir

45 Anos

Em breve, Kate (Charlotte Rampling) e Geoff (Tom Courtenay) irão completar 45 anos de casados. Quando o marido recebe a notícia de que o corpo de uma antiga namorada foi encontrado nos Alpes Suíços, onde teria morrido há 50 anos atrás, o acontecimento basta para colocar o casamento em risco.

45 Years, Reino Unido, 2015.
Direção: Andrew Haigh
Duração: 95 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
TRAILER AQUI

Sem Filhos

Gabriel (Diego Peretti) é um pai divorciado que ama sua filha de nove anos, mas decide escondê-la quando descobre que sua nova namorada (Maribel Verdú) não quer ter filhos e não é muito fã de crianças.

Sin Hijos, Argentina/Espanha, 2015.
Direção: Ariel Winograd
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance
TRAILER AQUI

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

As 5 melhores atuações de Joaquin Phoenix

Nascido em Porto Rico no dia 28 de outubro de 1974, Joaquin Phoenix é hoje um dos atores mais reconhecidos do cinema norte-americano. Sua estreia nas telas, ainda creditado como "Leaf Phoenix", foi no filme SpaceCamp - Aventura no Espaço, de 1986, mas seu primeiro papel de destaque veio somente em 1989 com O Tiro que Não Saiu Pela Culatra, do experiente diretor Ron Howard.

Phoenix voltou a chamar a atenção novamente em 1995 com sua participação no drama Um Sonho Sem Limites, onde contracenou ao lado de Nicole Kidman. Em 2000, foi lembrado pelo Óscar pela primeira vez por sua atuação em Gladiador, superprodução dirigida por Ridley Scott. No mesmo ano ainda contracenaria com Kate Winslet e Geoffrey Rush em Contos Proibidos do Marquês de Sade.

Sua segunda indicação ao Óscar veio em 2006 por conta de sua atuação impressionante em Johnny & June, onde deu vida ao músico Johhny Cash em sua cinebiografia. Por esse mesmo filme ele se sagrou vencedor do Globo de Ouro de melhor ator em filmes de drama. Nos últimos três anos, Phoenix virou figurinha carimbada nas principais premiações, por suas atuações em O Mestre (2013), Ela (2013) e Vício Inerente (2014). Na data de seu aniversário, confira abaixo uma lista com as 5 melhores atuações do ator até então em sua carreira.

1. Johhny & June (2005)

Em Johnny & June, Phoenix dá vida a Johnny Cash, na cinebiografia do icônico cantor norte-americano.  Com personalidade difícil, principalmente adquirida pela infância tumultuada, Johnny teve inúmeros problemas com a polícia e trilhou um caminho de auto-destruição onde somente o grande amor de sua vida, June (Reese Whiterspoon), foi capaz de salvá-lo. Por seu papel, Phoenix foi indicado ao Óscar de melhor ator.

2. Gladiador (2000)

Na superprodução vencedora de cinco Óscars, Phoenix dá vida a Commodus, filho do imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) que por causa de sua ganância incontrolável acaba matando o pai para tomar seu lugar no trono, afim de impedir que o mesmo fosse ocupado pelo soldado romano Maximus (Russell Crowe), o verdadeiro escolhido de seu pai. Pela produção, o ator foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante.

3. O Mestre (2013)

No drama de Paul Thomas Anderson, o ator interpreta o marinheiro Freddie Quell, que tenta reconstruir sua vida depois do trauma de fazer parte da Segunda Guerra Mundial. Sofrendo de violentos ataques de pânico, ele acaba sendo ajudado por Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffmann), um homem carismático e misterioso que se torna líder de uma organização religiosa denominada A Causa. Atuação brilhante de Phoenix, que recebeu sua segunda indicação ao Óscar de melhor ator.

4. Ela (2013)

Ela, do diretor Spike Jonze, foi uma das grandes sensações no Óscar de 2014, e muito se deve a atuação sincera e competente de Joaquin Phoenix. Na trama, ele interpreta Theodore, um homem solitário que se apaixona pela voz feminina (Scarlett Johansson) do novo sistema operacional do seu computador, em uma sátira curiosa a respeito do homem atual e sua paixão por tecnologias.

5. Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000)

Na trama, dirigida por Phillip Kaufman, Phoenix interpreta Abbe Coulmier, diretor do asilo isolado onde o excêntrico Marquês de Sade vai passar seus últimos anos de vida. Enquanto mantém conversas diárias com o escritor, conhecido por suas histórias pornográficas, Abbe esconde uma forte atração pela lavadeira Madeleine (Kate Winslet).

Crítica: Dope - Um Deslize Perigoso (2015)


Do até então desconhecido diretor Rick Famuyiwa, Dope - Um Deslize Perigoso trata com competência e bom humor a inserção do negro na sociedade atual, sem porém, apelar para qualquer tipo de didatismo que muitos filmes do gênero gostam de usar.



A trama acompanha Malcolm (Shameik Moore), um adolescente negro que vive junto com sua mãe no bairro mais perigoso de Inglewood, na Califórnia. Extremamente inteligente, ele é apaixonado pela cultura "geek" e sonha um dia estudar em Harvard. Seus melhores amigos são Jib (Tony Revolori) e Diggy (Kiersey Clemons), que em comum possuem a paixão pelo hip hop clássico dos anos 1990.

Diferente de muitos outros jovens que moram na região, os três não estão envolvidos com nenhuma gangue e fazem questão de fugir de qualquer tipo de confusão, e por isso mesmo são tratados com desprezo pela maioria dos colegas. No entanto, a vida deles muda completamente quando seus caminhos cruzam com os caminhos de Dom (A$AP Rocky), um traficante da região.



O mais interessante do filme é a fuga do esteriótipo do jovem negro vindo da periferia. Malcolm teve uma vida difícil sim, mas jamais pensou em tomar atitudes erráticas. Pelo contrário, sempre foi motivado a ser mais do que os outros esperam dele. Além de Malcolm e seus amigos, o filme aborda também o conturbado ambiente de uma escola periférica, com suas dificuldades e seus diferentes tipos de alunos, fazendo uma boa análise a respeito de um tema sempre atual: o racismo.

Apesar de caricatas em alguns momentos (o que de fato incomoda um pouco), as atuações dos jovens atores são bastante surpreendentes, principalmente a de Shameik Moore. Outro ponto interessante é a trilha sonora, contagiante do primeiro ao último minuto. Por fim, Dope - Um Deslize Perigoso é um filme diferenciado, de uma originalidade que faz falta no cinema de hoje.