segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Crítica: The Wave (2015)


No início do século XX, o desmoronamento de uma enorme rocha, que culminou numa onda gigantesca, causou a morte de dezenas de pessoas em uma região montanhosa da Noruega. Quase um século depois, a cidade de Geiranger, um dos pontos turísticos mais impressionantes do país, vive o medo constante de que o episódio se repita. E é baseado nisso que o diretor Roar Uthaug criou o enredo de The Wave (Bolgen), que mostra o que ocorreria caso isso realmente acontecesse.


Kristian (Kristoffer Joner), Idun (Ane Dahl Torp) e seus dois filhos vivem na pacata Geiranger, mas estão prestes a se mudar depois que o homem conseguiu um novo emprego na cidade grande. Kristian, que trabalha no setor de monitoramento da montanha, já está se despedindo dos colegas com quem trabalhou por anos. Porém, no seu último dia de trabalho ele identifica mudanças graves na estrutura, e decide ficar mais um dia para ajudar sua velha equipe.

As suspeitas de Kristian estavam certas e uma das montanhas acaba ruindo, formando uma enorme onda capaz de varrer toda a cidade. Começa então a luta dos habitantes e dos turistas que ali estavam para escapar enquanto é tempo, numa luta desesperada pela sobrevivência.


As cenas do desastre tentam passar todo esse sentimento de desespero das pessoas envolvidas, mas o exagero nos efeitos especiais deixa a "invasão" da onda um tanto quanto inverossímil. Além disso, o roteiro erra em muitos pontos, e termina de forma clichê e romantizada, o que eles poderiam ter facilmente evitado.

Representante da Noruega no Óscar de filme estrangeiro, o filme tinha tudo para ser uma mega produção e bater de frente com filmes americanos do gênero, mas peca justamente pela covardia de não trazer nada novo. Só vale a pena pela belíssima fotografia, ajudada pelas paisagens incríveis da região.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Estreias da Semana (17/12 a 23/12)

Apenas três filmes entram em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros, mas para que mais se temos entre eles o filme mais aguardado dos últimos anos? 20 anos depois do lançamento de A Vingança dos Sith, Star Wars: O Despertar da Força traz o clássico da ficção científica de volta às telas e promete bater todos os recordes de bilheterias para uma estreia. Para quem quer fugir do tumulto e ver um filme mais tranquilo, a boa pedida é o alemão Labirinto de Mentiras, representante do país no próximo Óscar. Do cinema europeu tem ainda o drama Mia Madre, parceria entre os cinemas francês e italiano. Confira:

Star Wars: O Despertar da Força

No último capítulo da franquia, Luke Skywaker (Mark Hamill) conseguiu fazer Darth Vader reencontrar seu lado bom e eliminar o Imperador Palpatine na segunda Estrela da Morte. Trinta anos se passaram, e Luke volta a unir forças com Princesa Leia (Carrie Fisher), Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca (Peter Mayhew) e os robôs C-3PO e R2-D2 para uma nova aventura espacial na disputa pela Força.

Star Wars: Episode VII - The Force Awakens, Estados Unidos, 2015.
Direção: J. J. Abrams
Duração: 135 minutos
Classificação: 12 anos
Aventura / Ação / Fantasia / Ficção Científica
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Labirinto de Mentiras

O jovem promotor Johann Radman (Alexander Fehling) recebe um caso espinhoso para investigar: crimes envolvendo soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, que terminou há 13 anos atrás. A cada nova informação ele vai descobrindo que os crimes contam com pessoas de alto escalão, que por sua vez, tentam de todas as formas silenciá-lo.

Im Labyrinth des Schweigens, Alemanha, 2015.
Direção: Giulio Riccarelli
Duração: 124 minutos
Classificação:
Drama / Suspense
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Mia Madre

Margheritta (Margheritta Buy) é uma diretora de cinema renomada que está enfrentando uma crise existencial. Na vida profissional ela precisa lidar com os ataques de estrelismo do protagonista de seu mais novo filme, Barry Hughins (John Turturro), enquanto na vida pessoal, sofre com a doença da mãe que pode morrer a qualquer momento.

Mia Madre, França/Itália, 2015.
Direção: Nanni Moretti
Duração: 106 minutos
Classificação: 14 anos
Drama
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crítica:O Clã (2015)


Baseado em fatos reais, O Clã (El Clan), novo filme do argentino Pablo Trapero (Abutres / Elefante Branco), conta a história de uma gangue que ficou famosa no início dos anos 1980 na Argentina ao sequestrar e matar várias pessoas na região de Buenos Aires. O curioso é que boa parte do grupo era formada por membros de uma mesma família, os Puccio, comandados pelo patriarca Arquímedes (Guillermo Francella).



O ano é 1983 e a Argentina acaba de vir de dois momentos importantes de sua história: o fim da Guerra das Malvinas e o fim da violenta ditadura militar. A situação financeira da família Puccio, assim como a situação política do país, está enfraquecida, e Arquímedes arma um esquema para manter o alto padrão de vida da família: sequestrar filhos de famílias ricas para pedir o resgate. 

Para isso ele contava com a ajuda do filho mais velho, Alejandro (Juan Pedro Lanzani), e de mais dois comparsas. Enquanto faziam seu "trabalho", eles mantinham a aparência de uma família normal, como qualquer outra. As coisas começaram a complicar quando Alejandro se cansou do esquema e decidiu sair fora, deixando seu pai numa situação complicada.



A história é riquíssima mas o roteiro deixou bastante a desejar. Não fica bem claro o que teria motivado Arquímedes a começar os sequestros, muito menos qual é sua verdadeira ocupação. A situação política do país recebe apenas algumas pinceladas, todas sem muita explicação. Alguns personagens também são dispensáveis.

Apesar dos defeitos, O Clã tem sim os seus bons momentos, que conseguem segurar a atenção do espectador até o fim. A  A trilha sonora é marcante, e é para mim o ponto positivo do filme junto com a atuação firme do experiente Francella.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Crítica: A Travessia (2015)


Em 1974, as duas torres do World Trade Center estavam na fase final de sua construção e o mundo estava ansioso para vê-las finalmente prontas. Na mesma época, o equilibrista francês Philippe Petit resolveu pôr em prática um plano audacioso: atravessar sobre um cabo de aço o vão existente entre uma torre e outra. E é essa curiosa aventura que acompanhamos em A Travessia (The Walk), novo filme do veterano Robert Zemeckis.



Philippe (interpretado brilhantemente por Joseph Gordon-Levitt) se apaixonou pelo equilibrismo quando ainda tinha oito anos de idade, depois que um circo se instalou na sua cidade. O garoto olhava as apresentações com paixão, e quando cresceu se tornou amigo do dono (Ben Kignsley), que lhe deu várias dicas de segurança e de como montar o equipamento da forma correta.

Já adulto, Philippe partiu para Paris para tentar ganhar a vida fazendo apresentações de malabarismo e equilibrismo nas ruas. Foi lá que surgiu sua ideia de ir para Nova Iorque depois que ele leu no jornal a respeito da construção megalomaníaca. Apoiado primeiramente por Annie (Charlotte Le Bon) e Jean Louis (Clément Sibony), dois jovens de espírito livre, ele começou a arquitetar a ação e a escolher outros voluntários para ajudá-lo.



Tudo foi planejado nos mínimos detalhes, até porque naquela altura qualquer erro seria terrivelmente fatal. O plano acabou se mostrando mais complexo do que parecia e deu muito mais trabalho a Philippe do que ele próprio imaginava, principalmente com a polícia, já que a travessia era ilegal. No final ele estava desgastado fisica e emocionalmente, mas isso não impediu que ele realizasse a proeza que colocou virou notícia no mundo todo.

As cenas da travessia são realmente impressionantes. Tão reais que causam vertigem e até mesmo um certo incômodo em quem, como eu, sofre de acrofobia. Não assisti no cinema, mas acredito que a sensação deve ter sido única. A recriação das Torres Gêmeas ficou impecável, e traz um certo tom de nostalgia ao mostrá-las brilhando soberanas no céu de Manhattan. Além do visual e da trilha sonora, outro ponto positivo é a atuação de Levitt, que personificou a figura do equilibrista com maestria.



Por fim, A Travessia é mais um trabalho primoroso de Zemeckis, que já nos presentou com Forrest Gump, Náufrago e a trilogia De Volta Para o Futuro, mas que ainda assim é pouco reconhecido e admirado pelo público em geral. Outro homem pode pisar na lua, outro pode chegar ao pico do Evereste, mas nenhum poderá repetir o que Philippe fez, e por isso mesmo seu nome já entrou para a história.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Confira os indicados ao Globo de Ouro 2016


Foram anunciados nesta quinta-feira os indicados ao Globo de Ouro 2016, que acontecerá dia 10 de janeiro em Los Angeles. As indicações para os prêmios do cinema foram bem divididas, mas quem se destacou foi o novo longa do diretor Todd Haynes, Carol, que concorre em quatro categorias incluindo a de melhor atriz, onde Rooney Mara e Cate Blanchett disputam juntas. Outros destaques são O Regresso, novo filme de Alejandro González Iñarritú com Leonardo DiCaprio, e Spotlight - Segredos Revelados, de Tom McCarthy. O que mais chama a atenção no entanto é a presença de Mad Max: Estrada da Fúria que concorre a melhor filme de drama do ano. Uma surpresa e tanto, mas não porque ele não mereça, e sim, porque é difícil darem oportunidade para filmes do gênero. 

Alguns veteranos marcam presença em premiações depois de anos, como é o caso do próprio Todd Haynes ou de Ridley Scott, que voltou em grande estilo em 2015 com Perdido em Marte. Na parte das atuações surpreende a presença de Sylvester Stallone, concorrendo como melhor ator coadjuvante por Creed, e a de Wiil Smith, para melhor ator por Concussion. Na categoria de filme estrangeiro, não deu para o brasileiro Que Horas Ela Volta?, e o grande favorito para levar o prêmio é o húngaro O Filho de Saul. Enfim, confira abaixo a lista completa dos indicados nas categorias de cinema:

Cena de Carol, o recordista de indicações neste ano.

MELHOR FILME DRAMA
Carol, de Todd Haynes
Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson
O Regresso, de Alejandro González Iñarritú
Spotlight - Segredos Revelados, de Tom McCarthy

MELHOR FILME - COMÉDIA/MUSICAL
A Espiã que Sabia de Menos, de Paul Feig
A Grande Aposta, de Adam McKay
Descompensada, de Judy Apatow
Joy: O Nome do Sucesso, de David O. Russell
Perdido em Marte, de Ridley Scott

MELHOR DIRETOR
Alejandro González Iñarritú, por O Regresso
George Miller, por Mad Max: Estrada da Fúria
Ridley Scott, por Perdido em Marte
Todd Haynes, por Carol
Tom McCarthy, por Spotlight - Segredos Revelados

MELHOR ATOR - DRAMA
Bryan Cranston, por Trumbo: Lista Negra
Eddie Redmayne, por A Garota Dinamarquesa
Michael Fassbender, por Steve Jobs
Leonardo DiCaprio, por O Regresso
Will Smith, por Concussion

MELHOR ATRIZ - DRAMA
Alicia Vikander, por A Garota Dinamarquesa
Brie Larson, por O Quarto de Jack
Cate Blanchett, por Carol
Rooney Mara, por Carol
Saoirse Ronan, por Brooklyn

MELHOR ATOR - COMÉDIA/MUSICAL
Al Pacino, por Não Olhe Para Trás
Christian Bale, por A Grande Aposta
Mark Ruffalo, por Sentimentos que Curam
Matt Damon, por Perdido em Marte
Steve Carell, por A Grande Aposta

MELHOR ATRIZ - COMÉDIA/MUSICAL
Amy Schumer, por Descompensada
Lily Tomlin, por Grandma
Jennifer Lawrence, por Joy: O Nome do Sucesso
Maggie Smith, por A Senhora da Van
Melissa McCarthy, por A Espiã que Sabia de Menos

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Idris Elba, por Beasts of no Nation
Mark Rylance, por Ponte de Espiões
Michael Shannon, por 99 Homes
Paul Dano, por Love & Mercy
Sylvester Stallone, por Creed

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander, por Ex-Machina
Helen Mirren, por Trumbo: Lista Negra
Jane Fonda, por A Juventude
Jennifer Jason Leigh, por Os Oito Odiados
Kate Winslet, por Steve Jobs

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
Divertida Mente
O Bom DInossauro
Peanuts
Shaun, o Carneiro

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Cinco Graças, de Deniz Gamze (França)
O Clube, de Pablo Larraín (Chile)
O Esgrimista, de Klaus Haro (Finlândia)
O Filho de Saul, de Lászlo Nemes (Hungria)
O Novíssimo Testamento, de Jaco Van Dormael (Bélgica)

MELHOR ROTEIRO
A Grande Aposta
O Quarto de Jack
Os Oito Odiados
Spotlight - Segredos Revelados
Steve Jobs

MELHOR TRILHA SONORA
A Garota Dinamarquesa
Carol
O Regresso
Os Oito Odiados
Steve Jobs

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Love Me Like You Do, de Cinquenta Tons de Cinza
One Kind of Love, de Love & Mercy
See You Again, de Velozes e Furiosos 7
Simple Song #3, de A Juventude
Writing's On the Wall, de 007 Contra Spectre