quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Star Wars - O Despertar da Força (2015)


Na longa história do cinema, poucos filmes foram tão aguardados quanto Star Wars - O Despertar da Força (Star Wars - The Force Awakens). Foi realmente incrível assistir toda a preparação, toda a angústia dos fãs e principalmente todo o mistério que envolvia o enredo e os novos personagens da história, que se passa 30 anos após os fatos ocorridos em O Retorno do Jedi. Pois o dia chegou, e a alegria foi ainda maior ao sair do cinema com todas as expectativas superadas.



Das cinzas do antigo Império surgiu a Primeira Ordem, para atentar novamente contra a segurança e a paz na galáxia. A esperança da República para se defender desta vez é encontrar o jedi Luke Skywalker (Mark Hamill), que está sumido há anos. Para isso, a General Leia (Carrie Fisher) envia seu melhor piloto, Poe Dameron (Oscar Isaac), para recuperar uma importante peça que será utilizada para montar o mapa de onde Luke está.

No local Poe é atacado pelo exército de Stormtroopers e capturado por Kylo Ren (Adam River), o novo vilão da saga, mas antes de ser pego consegue esconder a peça no droide BB-8, que foge do local às pressas. Nas mãos de Kylo Ren, Poe é forçado a contar o paradeiro do droide, mas consegue escapar com a ajuda de Finn (John Boyega), um stormtrooper que está querendo fugir do lugar. Quando a nave dos dois cai no deserto, Finn caminha em direção ao vilarejo de Jakku onde encontra o droide na companhia da catadora de sucatas Rey (Daisy Ridley), e juntos começam a fugir dos avanços da Primeira Ordem.


O que mais me agradou no novo Star Wars é que ele consegue trazer uma estética visual extremamente idêntica a dos filmes clássicos. Com toda a tecnologia que surgiu nos últimos anos, um dos maiores temores que eu tinha era de que usassem efeitos de forma exagerada e estragassem a essência da saga (o que aconteceu com O Hobbit, por exemplo), mas eles me surpreenderam. Não há nada sobrando, e tudo parece ter sido feito na medida certa.

Outro ponto que chama a atenção no enredo é onipresença das mulheres, não só na figura contagiante da protagonista mas também com a própria General Leia ou ainda com as Stormtroopers femininas. Uma tendência cada vez mais presente, como já vimos por exemplo em Mad Max: Estrada da Fúria, outro gigante que voltou às telas em 2015.



Com novos personagens contracenando com velhos conhecidos, e tudo se encaixando com perfeição, O Despertar da Força é certamente tudo aquilo que os fãs esperaram por anos. J. J. Abrams cumpriu seu papel e revitalizou com competência uma saga que já tinha um enorme número de fãs e agora conquistou ainda mais.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Crítica: As Sufragistas (2015)


Entre o final do século 19 e o começo do século 20, um clamor era ouvido pelas ruas: o das mulheres, que pediam, entre outros direitos, o de poder escolher seus representantes por meio do voto. Por décadas elas tentaram mudar essa realidade e a batalha muitas vezes parecia perdida. No entanto, elas não desistiram até conseguir.


A trama de As Sufragistas (Suffragette) acompanha a história de Maud (Carey Mulligan), uma mulher batalhadora que trabalha em uma lavanderia e mora com o marido e o filho pequeno. Cansada de ver as injustiças e os assédios cometidos contras mulheres como ela, Maud se aproxima de um grupo que luta nas ruas por direitos. Entre os membros do grupo estão Miss Wither (Amanda Lawrence), Violet (Anne-Marie Duff), e Edith (Helena Bonham Carter), todas sob a "liderança" de Emmeline Pankhurst (Meryl Streep).

O enredo tinha uma história riquíssima nas mãos mas a direção não soube aproveitá-la. Abriu espaço para um sentimentalismo exagerado e deixou algumas coisas importantes de lado. Esperava uma abordagem mais completa das passeatas, mas a diretora preferiu focar mais no drama pessoal de Maud, falando sobre a sua prisão e sobre os problemas com o marido. Sem falar ainda na personagem de Meryl Streep, que merecia mais espaço e foi bem mal aproveitada.



Apesar de alguns equívocos, não dá para dizer que é um filme ruim, pelo contrário. As Sufragistas se torna interessante justamente por causa da história que o envolve, e serve tanto como um registro histórico quanto para abrir os olhos sobre a luta pelos direitos das mulheres, que conquistaram muitas coisas ao longo da história mas ainda tem muito mais o que conquistar.


sábado, 26 de dezembro de 2015

Crítica: The Lobster (2015)


Se existe hoje um nome no cinema europeu que é sinônimo de originalidade, esse nome é o do grego Yorgos Lanthimos, responsável pelo sucesso de Dente Canino (2009) e a cabeça por trás de The Lobster, um dos filmes mais diferentes e curiosos dos últimos anos.


A trama se passa num futuro próximo onde é proibido estar solteiro. Homens e mulheres que ficarem sozinhos logo são capturados e enviados a um hotel onde ficarão presos por 45 dias, tempo que eles tem para arrumar uma "cara-metade" e evitar serem transformados em animais. É nesse ambiente estapafúrdio que conhecemos David (Colin Farrell), um homem que foi deixado pela mulher e que por consequência acabou se tornando "hóspede" do local.

Assim como a estória em si, o hotel também possui suas excentricidades. Cheio de regras e situações fora dos padrões, ele tem toda a sua atividade voltada a formar novos casais. Mas para isso os dois lado precisam ser compatíveis em vários níveis além de possuir gostos em comum, o que deve ser comprovado antes de qualquer coisa.


A primeira metade do filme se passa inteiramente no hotel, e é a mais criativa. Algumas cenas chocam como a "caçada humana", onde os hóspedes saem munidos de rifles com tranquilizadores para capturar "solitários" pela cidade em troca de dias extras de vida. Tem também os esquetes teatrais que são encenados pelos funcionários, que tentam mostrar através de situações do dia-dia como é impossível de se viver sozinho. Na segunda metade, porém, o filme parece se perder em meio a metáforas quando sai do hotel e vai para o mundo exterior.

O grande trunfo de The Lobster é a maneira diferente com que ele nos faz enxergar os relacionamentos. Na sociedade em que vivemos, se você não encontra alguém você é sempre julgado como diferente, e muitas vezes, por medo desse julgamento, as pessoas acabam se entregando a relacionamentos superficiais de mera aparência. Além disso, tem também aqueles que necessitam ter alguém para se sentirem completos (é aí que o pôster do filme se mostra genial). "Se não estiver dando certo a gente coloca uma criança", diz ainda a dona do hotel, em mais uma crítica ao método que muitos casais utilizam para se manter juntos apesar das adversidades.


Por fim, sobre a parte técnica não há o que criticar. A direção de arte e a fotografia são impressionantes, assim como a atuação firme de Colin Farrell, cada vez mostrando mais amadurecimento na carreira. Com um humor negro afiado e situações inusitadas, o novo filme de Lanthimos já entra para a lista dos mais originais dos últimos anos e só por isso já vale uma conferida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Estreias da Semana (24/12 a 30/12)

Hoje é véspera de natal, dia de comemorar junto com a família e, quem sabe, pegar também um cineminha. Para quem quer aproveitar o feriadão para ir ao cinema, tem boas opções estreando este semana. Os principais destaques são o drama Macbeth - Ambição e Guerra, adaptação da história homônima de Shakespeare com Michael Fassbender e Marion Cottilard, e As Sufragistas, que pretende mostrar o início do movimento feminista na primeira metade do século XX. Tem ainda a comédia dramática Já Estou com Saudades, e para as crianças tem o novo filme dos famosos esquilos cantantes, Alvin e os Esquilos 4 - Na Estrada.

O cinema europeu também não fica para trás e traz uma boa história com o alemão Victoria, filme feito em plano sequência que mostra duas horas na vida de um grupo de amigos pelas ruas de Berlim. Fecham a lista duas comédias: o australiano A Pequena Morte, que aborda o comportamento sexual de cinco casais de Sydney, e o nacional Até que a Sorte nos Separe 3. Confira:


Macbeth - Ambição e Guerra

O bravo general escocês Macbeth (Michael Fassbender) é tomado pela ambição quando três bruxas profetizam que ele será o novo rei. Sua mulher, Lady Macbeth (Marion Cotillard) o instiga a fazer de tudo para chegar ao trono, nem que isso signifique derramar muito sangue.

Macbeth, Estados Unidos/França/Reino Unido, 2015.
Direção: Justin Kurzel
Duração: 113 minutos
Classificação: 16 anos
Aventura / Drama
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As Sufragistas

Nos ano de 1848, as mulheres se rebelaram contra as injustiças de gênero que as destituíam de direitos básicos da cidadania. O movimento sufragista, que reivindicava o voto feminino, ganhou força e encontrou na ativista Emmeline Pankhurst (Meryl Streep) a forma para conseguir fazer mudanças históricas.

Suffragette, Reino Unido, 2015.
Direção: Sarah Gravon
Duração: 106 minutos
Classificação: 14 anos
Drama
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Já Estou com Saudades

Jess (Drew Barrymore) e Milly (Toni Collette) são amigas de longa data e compartilham os altos e baixos de suas vidas. Essa relação inabalável está prestes a desmoronar, tudo porque Jess está pulando de alegrias por causa de sua primeira gravidez enquanto Milly sofre com o diagnóstico de câncer de mama.

Miss You Already, Reino Unido, 2015.
Direção: Catherine Hardwicke
Duração: 112 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Drama
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Alvin e os Esquilos 4 - Na Estrada

Ao retornar para casa, Dave (Jason Lee) encontra uma festa organizada por Alvin, Simon e Theodore, o trio de esquilos cantantes e tagarelas. Irritado com o ocorrido, Dave avisa que viajará para Miami em breve e que deixará os animais sob os cuidados de uma vizinha. Eles, no entanto, elaboram um plano para ir atrás de Dave para evitar que ele peça sua namorada Samantha (Kimberly Williams-Paisley) em casamento.

Alvin and the Chipmunks 4 - The Road Chip, Estados Unidos, 2015.
Direção: Walt Becker
Duração: 86 minutos
Classificação: Livre
Animação / Comédia
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Victoria

Numa balada, Victoria (Laia Costa) conhece Sonne (Frederick Lau), que juntamente com os amigos planeja um roubo a banco. Tomada pela intensidade dos sentimentos, Victoria embarca com o grupo sem medir as consequências.

Victoria, Alemanha, 2015.
Direção: Sebastian Schipper
Duração: 140 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Suspense
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A Pequena Morte

O filme explora as vidas sexuais e secretas de vários casais que moram em Sydney, na Austrália. Entre fantasias, brincadeiras e situações bizarras, os casais buscam alternativas para apimentar a relação, mas nem tudo sai como o planejado.

The Little Death, Austrália, 2015.
Direção: Josh Lawson
Duração: 96 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Romance
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Até que a Sorte nos Separe 3

Tino (Leandro Hassum) continua tentando a sorte para ficar milionário. Desta vez o dinheiro pode vir por meio de sua filha, Teté (Julia Dalavia), que começa a namorar um empresário badalado.

Até que a Sorte nos Separe 3, Brasil, 2015.
Direção: Roberto Santucci
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Crítica: Aferim! (2015)


Exibido em primeira mão no 65º Festival de Berlim, Aferim!, do diretor Radu Jude, foi ovacionado e já se tornou um marco do cinema romeno atual. O filme se passa no começo do século 19 e tenta mostrar a origem do racismo contra os ciganos, um dos mais latentes da Europa há séculos, e consegue isso com extrema competência.


A trama se passa na região da Valáquia, no ano de 1835. O oficial Costandin (Teodor Corban) e seu filho (MIhai Comanolu) são designados para encontrar Carfin (Toma Cuzin), um escravo cigano que fugiu da propriedade de seu "dono" depois de se relacionar com a esposa do mesmo. Durante a jornada dos dois, acompanhamos todo o tipo de absurdo que os homens da época cometiam, e o enredo vai montando um panorama da sociedade da época e seus costumes.

Os mais ricos e poderosos, ou até mesmo aqueles que eram apenas hierarquicamente mais importantes (como o próprio oficial), tratavam os escravos e os camponeses da época com escárnio e intolerância, repreendendo violentamente qualquer tipo de manifestação de vontade.  Isso fica evidente cada vez que o homem e seu filho chegam a uma nova cidade para procurar Carfin, onde interrogam todos com dureza em busca de informações. As mulheres então, eram tratadas como verdadeiros lixos e eram submissas às vontades dos homens, sem ter nenhum direito de escolha.


Apesar das cenas duras e do comportamento desumano, o que encanta no enredo é a forma como o diretor nos conta essa história, apostando em um humor ácido, com excelentes diálogos e personagens que, mesmo odiados, se tornam carismáticos. A trilha sonora também ajuda, além da fotografia em preto e branco, que confesso não gostar muito, mas que aqui caiu muito bem. 

No final do filme, os personagens principais demonstram uma compaixão até então inexistente, mas já era tarde demais para qualquer mudança. Frustado, o pai diz ao filho que o mundo é assim mesmo, e que mesmo ele tentando mudar, não conseguiria. De lá para cá muita coisa melhorou, mas fica aqueia dúvida: será que mudou tanto assim, ou o homem ainda continua tendo comportamentos medievais no dia-dia? Basta olharmos para a realidade à nossa volta para encontrarmos a resposta.