quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Estreias da Semana (21/01 a 27/01)

Seis filmes entram em cartaz nesta semana em todos os cinemas brasileiros. O destaque fica por conta de Joy: O Nome do Sucesso, novo filme de David O. Russell, que concorre a algumas categorias do Óscar repetindo o mesmo trio de protagonistas do sucesso O Lado Bom Da Vida (Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro). Outro destaque americano é A Quinta Onda, superprodução que aborda novamente uma possível invasão alienígena em nosso planeta.

Do cinema europeu, o primeiro destaque é Cinco Graças, filme bastante premiado nos últimos meses e finalista ao Óscar de melhor filme estrangeiro deste ano. Quem também estava na pré-lista de indicados na mesma categoria era o dinamarquês O Novíssimo Testamento, do veterano Jaco Van Dormael (Sr. Ninguém).  Por fim, destaco ainda o nacional Reza a Lenda, um faroeste ambientado em pleno sertão. Confira a lista completa abaixo:


Joy: O Nome do Sucesso

A inventora Joy Mangano (Jennifer Lawrence) é uma mãe solteira cheia de ideias criativas na cabeça. A sua primeira criação, um esfregão feito com um tecido propício para ser torcido, revoluciona o mercado e a partir disso ela passa a construir seu negócio milionário.

Joy, Estados Unidos, 2015.
Direção: David O. Russel
Duração: 102 minutos
Classificação: 10 anos
Biografia / Drama
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A Quinta Onda

No futuro, a Terra é tomada por alienígenas. Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético acaba com toda a eletricidade do planeta. Na segunda, um tsunami mata 40% da população. E assim, sucessivamente, desastres vão acontecendo, e a quinta onda de ataques pode exterminar de vez a raça humana.

The 5th Wave, Estados Unidos, 2015.
Direção: J Blakeson
Duração: 94 minutos
Classificação: 14 anos
Aventura / Ficção Científica / Suspense
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Cinco Graças

Num vilarejo turco vivem cinco irmãs órfãs. Depois de uma brincadeira inocente com meninos da escola, o tio e a avó, ultra conservadores, as proíbem de sair de casa, e elas passam a viver em uma verdadeira prisão, de onde passam a planejar a fuga.

Mustang, França/Turquia, 2015.
Direção: Deniz Gamze Erguven
Duração: 97 minutos
Classificação:
Drama
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O Novíssimo Testamento

Deus (Benoit Poelvoorde) está vivo, é casado, tem uma filha e se diverte na hora de criar as formas como as pessoas irão morrer. Ele é ríspido com a família, e cansada da forma como o pai lhe trata, a menina decide invadir seu computador e enviar um SMS paras todas as pessoas da Terra com a data da morte delas, gerando um verdadeiro caos.

Le Tout Nouveau Testament, Bélgica/França, 2015.
Direção: Jaco Van Dormael
Duração: 113 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia
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Irmãs

As irmãs Maura (Amy Poehler) e Jane (Tina Fey) descobrem que seus pais vão vender a casa onde cresceram. Para se despedir do lugar, as duas decidem fazer uma mega festa, que acaba gerando uma série de pequenos desastres.

Sisters, Estados Unidos, 2015.
Direção: Jason Moore
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos
Comédia
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Reza a Lenda

A seca castiga o Nordeste do Brasil. Para tentar resolver isso, um grupo de cangaceiros planeja roubar uma santa de ouro, que segundo reza a lenda, é capaz de fazer chover o ano inteiro.

Reza a Lenda, Brasil, 2015.
Direção: Homero Olivetto
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Ação / Drama / Romance
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Crítica: A Garota Dinamarquesa (2016)


Na década de 1920, o artista Einar Wegener (ou Lili Elbe, como ficou conhecido posteriormente) se tornou a primeira pessoa da história a passar pelo procedimento de mudança de sexo. Baseado no livro de David Ebershoff, A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl), do diretor britânico Tom Hooper, nos conta um pouco mais sobre a vida de Einar, focando principalmente em sua relação com a esposa e no quanto cada um deles teve de abrir mão após sua decisão.



Einar (Eddie Redmayne) e Gelda (Alicia Vikander) formam um jovem casal de pintores que vive em Copenhague, capital da Dinamarca. Enquanto ele pinta paisagens delicadas e adquire um certo sucesso com suas obras, ela gosta de pintar retratos de mulheres e luta constantemente para conseguir um espaço para expôr o seu trabalho, o que é bastante difícil justamente pelo fato dela ser mulher.

Numa brincadeira entre os dois, Einar aceita se vestir de mulher para ser pintado por Gelda, já que ela está com dificuldades de encontrar novas modelos. A brincadeira, no entanto, começa a ir além disso, chegando ao ponto dele ir a uma festa vestido como "Lili", a personagem que eles criaram. Isso é só o começo de uma longa jornada de auto-conhecimento pelo qual Einar começa a passar, onde ele aos poucos vai descobrindo um outro lado seu que ele até então desconhecia.



O enredo é muito bem construído, e é de uma sensibilidade emocionante. A parte técnica é elogiável, desde sua bela fotografia até a poética trilha sonora, composta por Alexandre Desplat (conhecido por seu trabalho na saga Harry Potter e no mais recente O Grande Hotel Budapeste). A ambientação da época também ficou extremamente verossímil, assim como os figurinos de Paco Delgado (que já havia trabalhado com Hooper em Os Miseráveis). 

Além de suas indiscutíveis qualidades técnicas, o que chama a atenção também são as atuações de Redmayne e Vikander. Redmayne tem pelo segundo ano consecutivo uma atuação impressionante, e depois de ganhar o Óscar ano passado ao interpretar o astrofísico Stephen Hawking, ele volta à premiação novamente com boas chances. A jovem Alicia Vikander, que começou a aparecer recentemente em Hollywood, também tem uma atuação firme e mostra que veio para ficar.



As emoções de ambos os personagens são percebidas nos olhares e nos gestos, sendo tudo muito verdadeiro. É impossível também não se emocionar com o dilema de Gelda ao longo de toda a trama. Enquanto ela tenta ajudar o marido a ser o que ele realmente é, tem que lidar com a solidão consequente da perda do parceiro.

Mais do que contar um fato marcante que mudou para sempre a medicina e a vida de milhares de pessoas, o filme é importante também por trazer à tona novamente a discussão da transexualidade. Um assunto sempre atual, sobretudo, infelizmente, por conta do preconceito ainda latente na nossa sociedade.



Por fim, sob a mão sempre firme de Tom Hooper, um diretor que sabe como ninguém abordar romances de época, A Garota Dinamarquesa é um grande filme, não só pelas suas qualidade, mas pelo sentimento que evoca. Apesar de estar concorrendo em algumas categorias importantes do Óscar, ele não está concorrendo a melhor filme, e já é para mim o grande injustiçado desta edição, pois merecia.

Crítica: A Grande Aposta (2016)


No ano de 2008, a economia americana entrou em colapso depois de uma crise imobiliária sem precedentes causada pelas hipotecas subprimes (empréstimos concedidos à pessoas que não tinham condições de pagarem as prestações da casa própria). Antes do desastre, alguns investidores previram o que iria acontecer e apostaram contra aquilo que, desde sempre, era um dos investimentos mais seguros dos Estados Unidos: os títulos de seguro da dívida imobiliária.



Adaptado do livro The Big Short - Inside the Doomsday Machine, de Michael Lewis, A Grande Aposta (The Big Short) nos mostra os bastidores deste momento histórico que abalou as estruturas econômicas do mundo todo. Sob a direção de Adam McKay, conhecido por filmes de comédia, o enredo acerta em cheio em mostrar tudo com muito bom humor, e é justamente isso que o diferencia de outros filmes do gênero. Afinal de contas, não é todo mundo que conhece os termos técnicos utilizados pelos investidores da Bolsa de Valores. Para falar a verdade, isso é privilégio de uma grande minoria, e os termos poderiam facilmente tornar o filme maçante. 

O que seria um empecilho pro sucesso do filme logo é contornado nos primeiros minutos, quando a direção decide nos deixar por dentro de todos estes termos do mercado bancário. O ponto positivo do filme é justamente a forma que nos são apresentados todos os fatos. Nada, absolutamente nada, é mostrado sem um mínimo de explicação. Para isso são usados diversas artimanhas, como o uso de exemplos práticos da vida cotidiana de qualquer um e até mesmo a chamada "quebra da quarta parede", com os atores falando diretamente com os espectadores.



A montagem do enredo é bem dinâmica, e outro grande trunfo é o seu elenco, um dos mais badalados do ano com nomes como Christian Bale, Ryan Gosling, Steve Carell e Brad Pitt. O mais carismático de todos é Christian Bale no papel de Michael Curry, um excêntrico gênio da economia que toca bateria, é fã de heavy metal e anda descalço pelos corredores do trabalho. Bale inclusive tem sido lembrado por quase todas as premiações deste ano por seu papel. A veia cômica fica por conta de Steve Carell e seu personagem explosivo e sem papas na língua.

Enfim, A Grande Aposta é um filme que cumpre bem com aquilo que se propõe a mostrar, e por isso merece o destaque que vem recebendo nesta temporada de premiações. McKay prova que também sabe fazer filmes "sérios", e tomara que ele siga esse rumo, já que convenhamos, suas comédias são bem fracas.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Confira os vencedores do Critics' Choice Awards 2016



Dando continuidade à temporada de premiações, neste domingo (17) foi a vez da Associação de Críticos de Cinema e TV dos Estados Unidos entregar seus prêmios, na 21ª edição do Critics' Choice Awards. O prêmio principal da noite ficou com o drama Spotlight - Segredos Revelados, que ainda recebeu mais três prêmios, porém, o grande destaque da noite foi Mad Max: Estrada da Fúria, que se sagrou vencedor em nove categorias, entre elas a de melhor diretor para George Miller e a de melhor filme de ação. Na categoria de melhor filme de comédia, o vencedor foi A Grande Aposta, e Ex Machina: Instinto Artificial ganhou como melhor filme de ficção científica ou terror. A oremiação ainda escolheu Divertida Mente como melhor animação, o húngaro Filho de Saul como melhor filme estrangeiro e o documentário Amy como melhor documentário. Enfim, confira abaixo a lista completa dos vencedores:

MELHOR FILME
- A Grande Aposta, de Adam McKay
- Brooklyn, de John Crowley
- Carol, de Todd Haynes
- Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
- O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson
- O Regresso, de Alejandro González Iñárritu
- Perdido em Marte, de Ridley Scott
- Ponte dos Espiões, de Steven Spielberg
- Sicário - Terra de Ninguém, de Denis Villeneuve
- Spotlight - Segredos Revelados, de Thomas McCarthy

MELHOR DIRETOR
- Alejandro González Iñárritu, por O Regresso
- George Miller, por Mad Max: Estrada da Fúria
- Ridley Scott, por Perdido em Marte
- Steven Spielberg, por Ponte dos Espiões
- Thomas McCarthy, por Spotlight - Segredos Revelados
- Todd Haynes, por Carol

MELHOR ATOR
- Bryan Cranston, por Trumbo: Lista Negra
- Eddie Redmayne, por A Garota Dinamarquesa
- Johnny Depp, por Aliança do Crime
- Leonardo DiCaprio, por O Regresso
- Matt Damon, por Perdido em Marte
- Michael Fassbender, por Steve Jobs

MELHOR ATRIZ
- Brie Larson, por O Quarto de Jack
- Cate Blanchett, por Carol
- Charlotte Rampling, por 45 Anos
- Charlize Theron, por Mad Max: Estrada da Fúria
- Jennifer Lawrence, por Joy: O Nome do Sucesso
- Saoirse Ronan, por Brooklyn

MELHOR ATOR COADJUVANTE
- Mark Ruffalo, por Spotlight - Segredos Revelados
- Mark Rylance, por Ponte dos Espiões
- Michael Shannon, por 99 Homes
- Paul Dano, por Love & Mercy
- Sylvester Stallone, por Creed: Nascido Para Lutar
- Tom Hardy, por O Regresso

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander, por A Garota Dinamarquesa
Helen Mirren, por Trumbo: Lista Negra
Jennifer Jason Leigh, por Os Oito Odiados
Kate Winslet, por Steve Jobs
Rachel McAdams, por Spotlight - Segredos Revelados
Rooney Mara, por Carol

MELHOR ATOR/ATRIZ JOVEM
Abraham Attah, por Beasts of no Nation
Milo Parker, por Sr. Holmes
Jacob Tremblay, por O Quarto de Jack
RJ Cyler, por Eu, Você e a Garota que Vai Morrer
Shameik Moore, por Dope: Um Deslize Perigoso

MELHOR ELENCO
- A Grande Aposta
- Os Oito Odiados
- Spotlight - Segredos Revelados
- Straight Outta Compton - A História do NWA
- Trumbo: Lista Negra

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
- Divertida Mente, de Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley
- Ex Machina: Instinto Artificial, de Alex Garland
- Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino
- Ponte dos Espiões, de Matt Charman e Ethan & Joel Coen
- Spotlight - Segredos Revelados, de Josh Singer e Thomas McCarthy

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
- A Grande Aposta, de Charles Randolph e Adam McKay
- Brooklyn, de Nick Hornby
- O Quarto de Jack, de Emma Donoghue
- Perdido em Marte, de Drew Goddard
- Steve Jobs, de Aaron Sorkin

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
- Boa Noite, Mamãe (Áustria)
- Cinco Graças (França)
- Filho de Saul (Hungria)
- Que Horas Ela Volta? (Brasil)
- The Assassin (Taiwan)

MELHOR ANIMAÇÃO
- Anomalisa
- Divertida Mente
- O Bom Dinossauro
- Shaun - O Carneiro
- Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme

MELHOR DOCUMENTÁRIO
- Amy, de Asif Kapadia
- Cartel Land, de Matthew Heineman
- Going Clear: Scientology and the Prison of Belief, de  Alex Gibney
- Malala, de Davis Guggenheim
- O Peso do Silêncio, de Joshua Oppenheimer
- Where to Invade Next, de Michael Moore

MELHOR FILME DE AÇÃO
- Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, de Colin Trevorrow
- Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
- Missão Impossível - Nação Secreta, de Christopher McQuarrie
- Sicário - Terra de Ninguém, de Denis Villeneuve
- Velozes & Furiosos 7, de James Wan

MELHOR ATOR EM FILME DE AÇÃO
- Daniel Craig, por 007 Contra Spectre
- Chris Pratt, por Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros
- Paul Rudd, por Homem Formiga
- Tom Cruise, por Missão Impossível - Nação Secreta
- Tom Hardy, por Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
- Bryce Dallas Howard, por Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros
- Charlize Theron, por Mad Max: Estrada da Fúria
- Emily Blunt, por Sicário - Terra de Ninguém
- Jennifer Lawrence, por Jogos Vorazes: A Esperança - O Final
- Rebecca Ferguson, por Missão Impossível - Nação Secreta

MELHOR FILME DE COMÉDIA
- A Espiã que Sabia de Menos, de Paul Feig
- A Grande Aposta, de Adam Mckay
- Descompensada, de Judd Apatow
- Divertida Mente, de Pete Docter
- Irmãs, de Jason Moore
- Joy: O Nome do Sucesso, de David O. Russell

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA
- Bill Hader, por Descompensada
- Christian Bale, por A Grande Aposta
- Jason Statham, por A Espiã que Sabia de Menos
- Robert De Niro, por Um Senhor Estagiário
- Steve Carell, por A Grande Aposta

MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA
- Amy Schumer, por Descompensada
- Jennifer Lawrence, por Joy: O Nome do Sucesso
- Lily Tomlin, por Grandma
- Melissa McCarthy, por A Espiã que Sabia de Menos
- Tina Fey, por Irmãs

MELHOR FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA OU TERROR
- Corrente do Mal, de 
- Ex Machina: Instinto Artificial, de Alex Garland
- Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, de Colin Trevorrow
- Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
- Perdido em Marte, de Ridley Scott

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
- A Garota Dinamarquesa
- Brooklyn
- Carol
- Mad Max: Estrada da Fúria
- Perdido em Marte
- Ponte dos Espiões

MELHORES EFEITOS VISUAIS
- A Travessia
- Ex Machina: Instinto Artificial
- Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros
- Mad Max: Estrada da Fúria
- O Regresso
- Perdido em Marte

MELHOR FOTOGRAFIA
- Carol
- Mad Max: Estrada da Fúria
- O Regresso
- Os Oito Odiados
- Perdido em Marte
- Sicário - Terra de Ninguém

MELHOR FIGURINO
- A Garota Dinamarquesa
- Brooklyn
- Carol
- Cinderela
- Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO
- A Garota Dinamarquesa
- Aliança do Crime
- Carol
- Mad Max: Estrada da Fúria
- O Regresso
- Os Oito Odiados

MELHOR EDIÇÃO
- A Grande Aposta
- Mad Max: Estrada da Fúria
- O Regresso
- Perdido em Marte
- Spotlight - Segredos Revelados

MELHOR TRILHA SONORA
Carol, de Carter Burwell
O Regresso, de Ryuichi Sakamoto e Alva Noto
Os Oito Odiados, de Ennio Morricone
Sicário - Terra de Ninguém, de Johann Johannsson
Spotlight - Segredos Revelados, de Howard Shore

MELHOR CANÇÃO
- Love Me Like You Do, de Cinquenta Tons de Cinza
- Onde Kind of Love, de Love & Mercy
- See You Again, de Velozes & Furiosos 7
- Simple Song, de A Juventude
- Til It Hapens to You, de The Hunting Ground
- Writing's on the Wall, de 007 Contra Spectre

domingo, 17 de janeiro de 2016

Crítica: O Quarto de Jack (2016)


O cineasta irlandês Lenny Abrahamson vem conquistando cada vez mais o seu espaço e consequentemente uma legião de admiradores. E eu sou um deles, principalmente depois de ter assistido Frank (2014). Pois em 2015 ele volta aos cinemas com o espetacular O Quarto de Jack (Room), baseado no livro homônimo de Emma Donoghue, que já é uma das melhores surpresas do ano.



O menino Jack (Jacob Tremblay) vive com a mãe (Brie Larson) em um pequeno quarto sem janelas, cuja única visão para o mundo exterior é uma claraboia, de onde ele nunca saiu desde que nasceu. A vida claustrofóbica que leva já é mostrada desde a primeira cena, quando ele acorda e dá bom dia para os objetos inanimados que compõe o local. Ele foi ensinado desde pequeno a pensar que o quarto é o mundo e que fora dele só existe o "espaço sideral", nada mais.

Esse começo estranho e curioso vai ganhando forma com o passar do tempo e não demora para entendermos a real situação em que eles estão inseridos, principalmente depois que aparece a figura do "velho Nick" (Sean Bridges), um homem que visita o quarto todas as noites e que também é responsável por trazer tudo que eles precisam para se manter, como comida e produtos de higiene.



Há sete anos atrás, quando voltava da escola, Joy foi sequestrada por um homem, e desde então foi mantida em cárcere privado por ele. Estuprada diariamente, ela teve Jack no cativeiro, e quando o menino completa 5 anos, ela passa a mostrar pouco a pouco essa dura realidade para ele, que ela sempre escondeu para protegê-lo. Obviamente ele custa a acreditar, e é emocionante, por exemplo, quando ele diz ingenuamente que gostaria de voltar a ter 4 anos para continuar sem saber de tudo.

Apesar de viver trancafiado entre quatro paredes, Jack sempre foi inteligente e esperto, e não demora para compreender a gravidade da situação e ajudar sua mãe a planejar a fuga. Na segunda metade o filme já se passa no mundo externo, depois que o plano dos dois dá certo e eles são libertados do cativeiro. No entanto, mesmo contando com o apoio da família, Jack demora para se adaptar nesse mundo novo, cheio de oportunidades e diferente de tudo que ele até então conhecia.



O filme mostra muito bem a dificuldade de voltar a ter uma vida normal depois de um acontecimento traumático como esse. Por mais que tentem, tanto Jack como a mãe jamais irão se recuperar do trauma. Uma das cenas mais emocionantes é quando Jack visita o lugar onde cresceu e acha tudo menor do que era antes. Isso era esperado, já que ele conheceu o mundo de verdade e tudo que ele tem para oferecer. Foi como se ele tivesse nascido de novo. A fotografia auxilia nessa hora, começando azulada e fria para depois ganhar cores fortes. É como a vida de Jack, que ganhou um novo significado.

Apesar de todas as qualidades técnicas, a atuação dos atores é o que mais chama a atenção no longa. O menininho Jacob Tremblay tem aqui uma das atuações mirins mais impressionantes que eu já tive a oportunidade de assistir, mas quem rouba a cena mesmo é a canadense Brie Larson, que inclusive venceu o Globo de Ouro de melhor atriz e também foi indicada ao Óscar.



Por fim, O Quarto de Jack é sem dúvidas um dos melhores filmes (se não o melhor) que você irá assistir em 2016. Pesado mas ao mesmo tempo encantador, é um filme que vai ficar na sua cabeça por dias, e já virou o meu favorito para vencer o Óscar deste ano.