segunda-feira, 29 de maio de 2017

Os vencedores do Festival de Cannes 2017

 O 70º Festival de Cannes chegou ao fim neste domingo (28) e o prêmio principal da noite ficou com The Square, dirigido pelo sueco Ruben Ostlund. O enredo do filme fala sobre um rico curador de museu que é incapaz de perceber seu próprio privilégio e é confrontado com a realidade das classes mais baixas. Já o prêmio do júri ficou com Loveless, drama russo que disserta sobre a sociedade russa moderna através do desaparecimento de uma criança, e o Grande Prêmio foi para 120 Beats Per Minute, um dos mais elogiados pela crítica ao longo do festival.

A diretora Sofia Coppola se tornou a segunda mulher da história a conquistar o prêmio de melhor direção em Cannes por The Beguiled, suspense com Elle Faning, Kristen Dunst, Colin Farrell e Nicole Kidman. Já o prêmio de melhor roteiro terminou surpreendentemente em empate, e os premiados foram The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos, e You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay. O filme de Ramsay ainda ganhou o prêmio de melhor ator (Joaquim Phoenix). Diane Kruger levou como melhor atriz por In the Fade. Por fim, o Camera d'Or, que premia o melhor diretor estreante, ficou com Léonor Serraille, e seu Jeune Femme. Confira abaixo a lista completa dos ganhadores:

Cena de The Square, o principal vencedor da 70ª edição de Cannes.

Palma de Ouro
- The Square, de Ruben Ostlund

Grande Prêmio
- 120 Beats Per Minute

Prêmio do Júri
- Loveless

Melhor Roteiro
- The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos
- You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay

Melhor Direção
- Sofia Coppola, por The Beguiled

Melhor Ator
- Joaquim Phoenix, por You Were Never Really Here

Melhor Atriz
- Diane Kruger, por In the Fade

Câmera d´Or
- Jeune Femme, de Léonor Serraille

domingo, 30 de abril de 2017

Crítica: Brimstone (2017)


Situado no século XIX, Brimstone (Brimstone) é, possivelmente, o filme mais surpreendente deste ano. Com um enredo enigmático, contado de forma não-linear, o filme do holandês Martin Koolhoven discorre sobre o desejo de vingança em meio a um clima de faroeste bastante perturbador.

 



Dividido em quatro capítulos, o filme começa de trás para a frente e mostra a vida de Liz (Dakota Fanning), uma mulher muda que vive com o marido mais velho e o filho dele em um vilarejo. A vida dessa família vai bem até a chegada de um novo reverendo na cidade, um fanático religioso (Guy Pearce) que a persegue a todo custo. Mas qual é a história por trás desse homem e sua relação com Liz, que parece já vir do passado? É o que descobrimos no decorrer dos próximos capítulos.

A forma de contar essa história confunde o espectador no começo, mas quando tudo é posto em pratos limpos, nada fica sem explicação. O roteiro do diretor Martin Koolhoven é um dos mais pesados e intensos que já tive a oportunidade de assistir, e traz um final arrebatador, que foge de todo e qualquer clichê.




Outro destaque do filme são as atuações de Fanning e Pearce. A primeira dá vida a uma personagem que, na aparência, parece ser frágil, mas nas atitudes demonstra ser uma mulher extremamente forte. Já Pearce interpreta uma espécie de "vilão sádico", como há muito não se via no cinema. Quem ainda faz uma ponta no filme é Kit Harington (o Jon Snow da série Game of Thrones), mas infelizmente seu personagem não é tão bem aproveitado como poderia.

Por fim, Brimstone é um filme chocante, imprevisível e diferenciado, daqueles que dá gosto de ver o cinema produzir numa época que a criatividade está em falta. Infelizmente não deve chegar aos cinemas daqui, talvez apenas em serviços de stream, mas se tiver a oportunidade de vê-lo você não deve perder.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Crítica: Colossal (2017)


Depois de Crimes Temporais (2007), o espanhol Nacho Vigalondo nunca mais conseguiu emplacar um longa, e de lá para cá foram vários desastres. Porém, em 2017, ele volta a chamar a atenção com Colossal, o filme mais ousado de sua carreira até então e com certeza uma das maiores surpresas do ano em um gênero que já está saturado e carente de ideias.

Desempregada e saindo de um relacionamento, Glória (Anne Hathaway) busca achar um novo sentido para a sua vida voltando para sua cidade natal. Lá reencontra um antigo colega, Oscar (Jason Sudeikis), e passa a trabalhar para ele em um bar. De lá ela acompanha no noticiário televisivo um ataque de um monstro gigante que está acontecendo Seul, na Coréia do Sul, que deixa o mundo sob alerta.

Com o passar dos dias, o monstro vai voltando a aparecer, todos os dias no mesmo horário, e por coincidência Glória acaba descobrindo ser parte disto, já que por um misterioso fenômeno ela é quem dá vida ao monstro. Ela tenta se livrar disso mas acaba contando para Oscar, e a coisa sai completamente do controle quando ele descobre que também pode fazer parte desse estranho acontecimento.


O enredo é maluco assim mesmo, e não há como negar sua originalidade. Eu, que não sou fã do gênero, fiquei bastante preso à tela durante todo o filme, pois o mote central é realmente interessante. Hathaway está muito bem no papel despretensioso, e Jason Sudeikis ajuda a dar um alívio cômico à trama. Vale a pena fugir do comum e assistir esse longa, que entra fácil na lista dos mais bacanas lançados neste ano. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Crítica: Vida (2017)


A ida ao espaço e os segredos do nosso imenso universo são temas que não saem nunca de moda no cinema, e todo ano há uma nova abordagem do assunto. Desta vez quem resolveu beber desta fonte foi o diretor Daniel Espinosa, que traz em Vida (Life) uma estória que empolga, mesmo sendo mais do mesmo.


Na trama, um grupo de astronautas está na estação espacial internacional e vive a expectativa do retorno de uma cápsula que foi a Marte e está trazendo amostras do solo do planeta vermelho com o objetivo de desvendar mais pistas do eterno mistério a respeito da vida além da terra. Eles conseguem identificar uma célula microscópica com vida que vai se degenerando e crescendo com estímulos, o que é comemorado com entusiasmo. Porém, as coisas saem do controle quando o estranho organismo ganha vida própria e passa a atacar os tripulantes da nave.

É evidente que Vida bebe da mesma fonte que outros filmes do gênero, ou seja, possui uma grande influência de Alien. Mas não dá para negar sua originalidade em alguns pontos. A fotografia e o design de produção do filme são impecáveis. As cenas dentro da nave são quase inteiramente filmadas por câmeras em movimento, atravessando os ambientes como se tivessem flutuando pela gravidade, o que deixa um clima interessante.


O elenco tem como destaque Jake Gyllhenhal, Ryan Reynolds e Rebecca Ferguson, que são os membros mais experientes do grupo, mas ainda conta com Hiroyuki Sanada, Olga Dihovichnaya e Aryion Bakare. Todos juntos cumprem seus papéis, sem grande brilhantismo mas de forma convincente. Por fim, para quem gosta de ficção científica, Vida é um bom entretenimento, e mesmo previsível consegue trazer bons momentos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Os vencedores do Óscar 2017

Aconteceu na noite deste domingo (26) a 89ª edição do Óscar, que ficou marcada por uma situação inusitada. Os veteranos Faye Dunaway e Warren Beatty subiram ao palco, já no final da noite, para anunciar o vencedor: La La Land - Cantando Estações. Toda a equipe estava comemorando e fazendo seus discursos quando um funcionário da Academia veio alertar que o nome do vencedor foi dito errado, e que o grande vencedor da noite na verdade era Moonlight: Sob a Luz do Luar. A gafe histórica teria sido causada por uma troca de envelopes nos bastidores e causou uma confusão como nunca antes visto na cerimônia, onde ninguém entendia o que estava acontecendo.

Mesmo tendo perdido o prêmio principal, La La Land se saiu como principal ganhador da noite com 6 prêmios, entre eles o de melhor direção para Damien Chazelle, que se tornou o mais jovem diretor premiado no Óscar, e o de melhor atriz para Emma Stone. Além do prêmio principal, Moonlight ainda ganhou mais dois: melhor ator coadjuvante para Mahershala Ali e melhor roteiro adaptado. Se destacaram ainda com dois Óscars Manchester à Beira-Mar (melhor roteiro original e melhor ator) e Até o Último Homem (melhor edição e melhor mixagem de som). Nas categorias principais ainda teve a vitória de Viola Davis como melhor atriz coadjuvante, por Um Limite Entre Nós.

O produtor de La La Land mostra para a platéia o verdadeiro vencedor do prêmio.
Na categoria de melhor filme em língua estrangeira, o grande vencedor foi O Apartamento, de Asghar Fahradi. O iraniano não compareceu à cerimônia, e sua representante fez um bonito discurso contra a medida do presidente Donald Trump para barrar a entrada de imigrantes. O vencedor em melhor animação foi Zootopia, que traz uma bonita mensagem de inclusão social e já era tida como favorita ao prêmio, e o melhor documentário foi O.J.: Made in America. Enfim, confira a lista completa abaixo:


Melhor Filme
Cena de Moonlight: Sob a Luz do Luar, eleito melhor filme do ano.

- A Chegada, de Dennis Villeneuve

- A Qualquer Custo, de David Mackenzie

- Até o Último Homem, de Mel Gibson

- Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi

- La La Land - Cantando Estações, de Damien Chazelle

- Lion: Uma Jornada Para Casa, de Garth Davis

- Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan

- Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins
- Um Limite Entre Nós, de Denzel Washington



Melhor Diretor
Damien Chazelle se tornou o diretor mais jovem a ganhar um prêmio no Óscar.

- Barry Jenkins, por Moonlight: Sob a Luz do Luar

- Damien Chazelle, por La La Land – Cantando Estações

- Dennis Villeneuve, por A Chegada

- Kenneth Lonergan, por Manchester à Beira-Mar

- Mel Gibson, por Até o Último Homem



Melhor Ator
Casey Affleck recebendo o prêmio de melhor ator por Manchester à Beira-Mar.
- Andrew Garfield, por Até o Último Homem

- Casey Affleck, por Manchester à Beira-Mar

- Denzel Washington, por Um Limite Entre Nós

- Ryan Gosling, por La La Land - Cantando Estações

- Viggo Mortensen, por Capitão Fantástico


Melhor Atriz
Emma Stone e seu Óscar de melhor atriz por La La Land - Cantando Estações.
- Emma Stone, por La La Land - Cantando Estações

- Isabelle Huppert, por Elle

- Meryl Streep, por Florence: Quem é Esta Mulher?

- Natalie Portman, por Jackie

- Ruth Negga, por Loving



Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali com sua estatueta de melhor ator coadjuvante por Moonlight: Sob a Luz do Luar.
- Dev Patel, por Lion: Uma Jornada Para Casa

- Jeff Bridges, por A Qualquer Custo

- Lucas Hedger, por Manchester à Beira-Mar

- Mahershala Ali, por Moonlight: Sob a Luz do Luar

- Michael Shannon, por Animais Noturnos



Melhor Atriz Coadjuvante
A maravilhosa Viola Davis emocionada com seu Óscar de atriz coadjuvante, por Um Limite Entre Nós.

- Michelle Williams, por Manchester à Beira-Mar

- Naomie Harris, por Moonlight: Sob a Luz do Luar

- Nicole Kidman, por Lion: Uma Jornada Para Casa

- Octavia Spencer, por Estrelas Além do Tempo

- Viola Davis, por Um Limite Entre Nós



Melhor Roteiro Original

- 20th Century Woman, de Mike Mills

- A Qualquer Custo, de Taylor Sheridan

- La La Land - Cantando Estações, de Damien Chazelle

- Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan

- O Lagosta, de Yorgos Lathimos e Efthimis Filippou



Melhor Roteiro Adaptado

- A Chegada, de Eric Heisserer

- Um Limite Entre Nós, de August Wilson

- Estrelas Além do Tempo, de Allison Schroeder e Theodore Melfi

- Lion: Uma Jornada Para Casa, de Luke Davies
- Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins

Melhor Filme Estrangeiro
- O Apartamento, de Asghar Farhadi (Irã)
- Tanna, de Martin Butler e Bentley Dean (Austrália)
- Terra de Minas, de Martin Zandvliet (Dinamarca)
- Toni Erdmann, de Maren Aden (Alemanha)
- Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (Suécia)

Melhor Animação
- A Tartaruga Vermelha
- Kubo e as Cordas Mágicas
- Minha Vida de Abobrinha
- Moana: Um Mar de Aventuras
- Zootopia

Melhor Documentário
- A 13ª Emenda, de Ava DuVernay
- Eu Não Sou Seu Negro, de Raoul Peck
- Fogo no Mar, de Giancarlo Rosi
- Life, Animated, de Roger Ross Williams
- O.J. Made in America, de Ezra Eldeman

Melhor Fotografia
- A Chegada
- La La Land - Cantando Estações
- Lion: Uma Jornada Para Casa
- Moonlight: Sob a Luz do Luar
- Silêncio

Melhor Edição
- A Chegada
- A Qualquer Custo
- Até o Último Homem
- La La Land - Cantando Estações
- Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Design de Produção
- A Chegada
- Animais Fantásticos e Onde Habitam
- Ave, César!
- La La Land - Cantando Estações
- Passageiros

Melhor Figurino
- Aliados
- Animais Fantásticos e Onde Habitam
- Florence: Quem é Esta Mulher?
- Jackie
- La La Land - Cantando Estações

Melhor Cabelo e Maquiagem
- Esquadrão Suicida
- Star Trek: Sem Fronteiras
- Um Homem Chamado Ove

Melhores Efeitos Visuais
- Doutor Estranho
- Horizonte Profundo
- Kubo e as Cordas Mágicas
- Mogli: O Menino Lobo
- Rogue One: Uma História Star Wars

Melhor Edição de Som
- A Chegada
- Até o Último Homem
- Horizonte Profundo
- La La Land - Cantando Estações
- Sully: O Herói do Rio Hudson

Melhor Mixagem de Som
- 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi
- A Chegada
- Até o Último Homem
- La La Land - Cantando Estações
- Rogue One: Uma História Star Wars

Melhor Trilha Sonora
- Jackie
- La La Land - Cantando Estações
- Lion: Uma Jornada Para Casa
- Moonlight: Sob a Luz do Luar
- Passageiros

Melhor Canção Original
- Audition (The Fools who Dreams), de La La Land - Cantando Estações
- Can't Stop the Feeling, de Trolls
- City of Stars, de La La Land - Cantando Estações
- How far I'll Go, de Moana: Um Mar de Aventuras
- The Empty Chair, de Jim: The James Foley Story

Melhor Curta-Metragem
- Ennemis Intérieus
- La Femme et le TGV
- Silent Night
- Sing
- Timecode

Melhor Curta-Metragem de Animação
- Blind Vaysha
- Borrowed Time
- Pear Cider and Cigarettes
- Pearl
- Piper

Melhor Documentário em Curta-Metragem
- 41 Miles
- Extremis
- Joe's Violin
- The White Helmets
- Watani: My Homeland