quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Crítica: Custódia (2018)


O cinema contemporâneo francês possui uma forte característica de exposição dos problemas sociais, e mais uma vez esse aspecto é extremamente bem apresentado em Custódia (Jusqu' à La Garde), primeiro longa da carreira de Xavier Legrand, que de cara já foi premiado como melhor direção em Veneza.



Miriam (Léa Drucker) e Denis (Antoine Besson) estão lutando na justiça em razão da guarda de Julien (Thomas Giorian), o filho de 11 anos do casal. O homem quer ter pelo menos o direito de ver o filho em finais de semana alternados, enquanto a mulher quer proibi-lo de chegar perto da criança. A primeira cena mostra todos reunidos em frente a juíza e possui muitas falas, com os advogados de ambas as partes expondo as razões de cada um. Isso serve para dar uma pincelada de leve na história de cada personagem.

É curioso como o diretor trabalha a ambiguidade dos personagens, principalmente a do pai. Num primeiro momento você sente pena dele e acha correta a decisão do juiz em aceitar que ele possa ter um pouco de contato com o filho. Qualquer pessoa de bom coração também torceria para isso, visto que ele parece realmente querer muito ver a criança. Porém, essa personalidade logo cai por terra na primeira vez que ele pega o menino.

No fundo, Julien se torna apenas uma artimanha de Denis para tentar se reaproximar da ex-mulher, já que nitidamente ele não possui nenhum carinho pelo menino e o trata mal todas as vezes que o vê. Sua obsessão por Miriam começa a ir além, e ele usa o filho para perseguir ela e descobrir sua nova rotina numa ânsia de tentar tê-la de volta a qualquer custo. A reta final da trama é arrebatadora, mostrando as consequências traumáticas que uma relação doentia pode causar a todos os envolvidos. E o que mais dói nessa história é acompanhar o sofrimento de uma criança em meio a tudo isso e saber que isso é mais comum do que se imagina.



Com boas atuações e uma excelente montagem da direção, o enredo de Custódia prende a atenção do início ao fim. Trata-se de um filme extremamente atual, numa época em que vemos nos jornais todos os dias notícias absurdas de feminicídio e violência doméstica. Até quando isso irá acontecer?


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Crítica: Foxtrot (2017)


Premiado como melhor direção em Veneza e representante de Israel no Óscar de 2018, Foxtrot é sem dúvida um dos melhores filmes vindos do oriente médio nestes últimos anos. Com uma crítica ao exército de Israel, que inclusive gerou polêmica com ministros do país, o longa de Samuel Maoz é impecável em todos os sentidos e uma das melhores surpresas do ano no cinema.



Com uma montagem louvável, o enredo é dividido em três atos e conta a história de forma não-linear. O primeiro começa com membros do exército de Israel chegando à casa da família Feldman para dar a notícia de o filho do casal, Jonathan, foi morto no "cumprimento do dever". Os dois ficam devastados com a informação e a ação começa a se desenrolar a partir deste luto.

O segundo ato mostra a rotina de Jonathan com seus colegas num centro de controle de fronteira isolado no meio do deserto. Sem muito o que fazer, os quatro soldados passam os dias conversando fiado, jogando games, ouvindo música e usando toda e qualquer forma de distração que encontram num ambiente completamente silencioso e solitário, onde nada acontece. O terceiro ato, por sua vez, finaliza o filme de forma grandiosa, fechando todos os pontos sem deixar nada pra trás.



É interessante que Foxtrot fala de guerra mas não possui nenhuma cena de combate. As mortes que acontecem durante a trama, inclusive, são mortes banais, de momentos corriqueiros. Isso não impede de o filme ser tenso a cada segundo. É um filme de detalhes, onde coisas pequenas, que na hora parecem não fazer sentido, logo significam muito e até mesmo mudam o rumo de toda a trama.

Os enquadramentos da câmera mostra uma percepção incrível de cena por parte da direção, tudo isso acompanhado de uma excelente fotografia. Além da parte técnica, é prazeroso acompanhar as atuações no longa, todas muito bem realizadas. Por fim, Foxtrot é um verdadeiro achado, com cenas memoráveis e um argumento muito atual e perspicaz.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Crítica: Respiro (2017)


Escolhido para representar o Irã no Óscar de melhor filme estrangeiro, Respiro (Nafar) criou muita polêmica e levantou diversos debates no país na época do seu lançamento por trazer um tema complicado às telas: a guerra entre Irã e Iraque ocorrida nos anos 1980.



Escrito e dirigido pela cineasta Narges Abyar, o enredo se passa em Yazd, uma pequena cidade localizada no centro do Irã, e acompanha a rotina diária de uma família iraniana, com foco na menina Bahar (Sareh Nour Mousavi), uma criança estudiosa, inteligente e que busca através da imaginação e da pureza infantil driblar os problemas do cotidiano difícil em meio à pobreza.

Melhor aluna na escola, e desenhista de mão cheia, Bahar vive na mesma casa com seu pai, um homem carinhoso mas com problemas de saúde, a avó, uma senhora rígida, e seus irmãos. Mostrando com sutileza o dia-dia da família, o filme mostra um pouco do que era a vida no país naquele período conturbado, logo após a eclosão da revolução iraniana.


É curioso que a diretora usa a personagem de Bahar como centro de tudo, como se fosse os olhos do espectador. Não há nenhuma cena em que a menina não apareça, sendo tudo narrado pelo seu ponto de vista, o de uma criança que, no meio do caos, é obrigada a amadurecer mais cedo do que deveria.

O filme não se preocupa com questões políticas e não defende nenhuma ideologia, apenas mostra o quão nociva é uma guerra, principalmente para os inocentes. Muitas crianças morreram nos conflitos, e a diretora não deixa de abordar isso, sobretudo do meio para o fim. Em meio às cenas dramáticas, há espaço para um alívio cômico, muito bem encaixado na trama e que tira um pouco do peso do que é mostrado. Mais um belo exemplar do cinema iraniano.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Crítica: Ilha dos Cachorros (2018)


Nove anos após lançar O Fantástico Sr. Raposo, o cineasta Wes Anderson volta ao mundo da animação stop motion com Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs), premiado com o Urso de Prata de melhor direção no último Festival de Berlim. O enredo mistura ficção científica e fantasia para abordar uma das "guerras" mais antigas do mundo: a dos cães contra os gatos.


Após uma misteriosa doença epidemiológica surgir nos cães da metrópole japonesa de Megazaki, o prefeito Kobayashi ordena que todos os cachorros, de rua ou com donos, sejam deportados para uma ilha, um local inóspito que também serve de depósito para todo o lixo domiciliar da cidade.

Enquanto manifestantes e opositores do governo lutam para reverter a decisão e trazer os caninos de volta para casa, os queridos animais se vêem numa incrível jornada pela ilha quando um piloto, à procura de seu cão de estimação, acaba caindo com seu avião por lá. 


Cores berrantes em tons pastéis, enquadramentos simétricos e estética caprichada são características do cinema de Anderson, e novamente são empregados com primor aqui. Anderson usa um humor seco, a partir dos enquadramentos nos rostos dos seus personagens, para criar diversas facetas no roteiro. 

Uma das coisas mais engraçadas do filme são as dublagens dos animais. O turrão Chief é dublado brilhantemente por Bryan Cranston, enquanto Rex, que se autointitula o líder da matilha, é dublado pro Edward Norton. Além dos dois, outros nomes famosos dublam diversos personagens na estória, como Bill Murray, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Harvey Keitel, Frances McDormand, Liev Schreiber e até mesmo Yoko Ono.


Andersom ainda aproveita para, implicitamente, dar algumas alfinetadas em governos ditatoriais criticando a postura do governo do país nessa situação calamitosa. Por fim, Ilha dos Cachorros é Wes Anderson no seu mais alto nível. Uma animação forte e sólida que encanta todas as idades.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Crítica: Ella e John (2018)


Quem nunca sonhou em comprar um trailer e sair por aí pelas estradas, sem rumo, apenas curtindo o que a vida tem a oferecer? Pois essa sempre foi uma das atividades preferidas de Ella (Helen Mirren) e John (Donald Sunderland) desde que eram jovens namorados. Agora, aposentados, os dois resolveram fazer uma longa viagem juntos para relembrar os velhos tempos.



O casal, extremamente carismático, cruza boa parte dos Estados Unidos a bordo do velho trailer da família, apelidado de "Caçador de Lazer", e parece se divertir como se fosse a primeira vez. No entanto, os dois não tem mais a mesma saúde de antigamente, e pouco a pouco, através de cenas corriqueiras, vamos descobrindo a doença que cada um possui. 

John está sofrendo severamente com Alzheimer, já que tem lapsos de memória e esquece seguidamente coisas importantes como o nome dos próprios filhos. Ella, por sua vez, utiliza peruca para esconder a queda de cabelos, o que aparenta ser um câncer em estado terminal. Partindo desse pressuposto, é muito provável que esta seja a última viagem dos dois, e isso torna tudo muito mais prazeroso.

A trama tem cenas belíssimas e muito bem construídas, e flerta com o humor de forma muito racional. É um filme de atores, que demonstram em cada cena uma afinidade comovente. Helen Mirren e Donald Sunderland fazem uma dupla apaixonante, e é impossível não se emocionar com os dois juntos. O final do filme é impactante e inesperado, e deixa qualquer um de coração na mão.



O maior êxito do filme de Paolo Virzi é mostrar essa parceria entre duas pessoas que, mesmo com o passar do tempo e dos inúmeros problemas e contratempos que enfrentaram, continuam dispostos a dar todo o amor e dedicação ao outro até o último instante. Algo raro nos dias de hoje.


terça-feira, 17 de julho de 2018

Crítica: A Ganha-Pão (2018)


Finalista na categoria de melhor animação no último Óscar, mas com muito menos destaque que as produções norte-americana do gênero, A Ganha Pão (Breadwinner) se passa no Afeganistão, durante o regime talibã, e mostra sob os olhos de uma criança todos os horrores que esse regime, baseado em ideais religiosos ultrapassados, trouxe aos habitantes, principalmente às mulheres.


Durante o regime não era permitido às mulheres andar na rua sem a companhia do marido ou de um membro masculino da família, correndo o risco de prisão e morte caso fossem pegas fazendo isso. Nem mesmo a garotinha Parvana, de apenas 11 anos, tinha liberdade de poder sair pela rua, seja para brincar ou para ajudar o pai nos negócios da família.

Quando o pai de Parvana é perseguido e preso, a única alternativa da menina para manter os sustentos da modesta casa onde mora com a mãe, a irmã mais velha e um irmão caçula, é cortar o cabelo e ser vestir de menino para vender os produtos da família na feira como seu pai fazia. Se antes Parvana era rechaçada pelos populares, mesmo na companhia do pai, agora recebe convites para entrar e consumir tudo que pode nas lojas. Agora ela também pode exercer sua grande paixão, as letras, ao oferecer os serviços de leitura e escrita para a maioria dos homens analfabetos. E é assim que ela conhece alguém que pode lhe ajudar mais tarde com seus maiores desejos.

Muitos podem dizer se tratar de uma realidade bem distante da nossa, mas será mesmo? Vivemos num dos países com maior taxa de mortalidade feminina, e onde mulheres não podem sair tranquilas na rua sem sofrer com assédios e estupros diariamente. Então, por conta disso, o filme de Nora Twomey chega num momento onde, mais que nunca, é importante discutir os direitos igualitários para todos.



O maior mérito da produção é não ser panfletária, mas totalmente humana. É um tapa na cara de quem acredita que animações não podem recorrer a temas realmente adultos e não tenham condições de discutir temas em voga da sociedade. A Ganha-Pão não é apenas um espetáculo narrativo, mas um espetáculo visual. Uma grande obra que merece ser vista e apreciada por todos.


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Crítica: O Motorista de Táxi (2018)


Escolhido para representar a Coreia do Sul no Óscar de melhor filme estrangeiro em 2018, O Motorista de Táxi (Taeksi Woonjunsa) mistura humor e drama para abordar um dos períodos mais difíceis da história do país, sob a visão de um cidadão comum que, sem querer, acaba fazendo parte da história.


O enredo se passa nos anos 1980, na tumultuada Coreia do Sul da época que vivia o terror de uma sanguinária intervenção militar. Uma lei marcial, decretada pelo ditador Chun Doo-Hwan, impediu qualquer manifestação democrática e o país vivia em pé de guerra com o povo nas ruas. No centro de tudo estava Man-Seop (Song Kang-Ho), um simples motorista de táxi que fazia de tudo para não perder nenhuma corrida, já que em casa tinha uma filha pequena para sustentar sozinho.

Alheio aos acontecimentos na cidade de Gwangju, palco central de uma batalha campal entre estudantes e militares, o taxista aceita levar o repórter alemão Peter (Thomas Kretschamann) até lá em troca de uma boa quantia de dinheiro. No caminho ele vai percebendo que tem algo de errado acontecendo, mas mesmo assim segue em frente até chegar na cidade e se deparar com o caos.

É curioso perceber a mudança na personalidade do protagonista, que durante o trajeto se mostrava a favor do governo e contrário às manifestações, mas que depois de ver tudo com os próprios olhos, sobretudo a covardia policial, muda de opinião e passa ser a favor do povo. Ele acaba se tornando, sem querer, uma espécia de heroi, já que foi por conta de sua perseverança que o repórter alemão conseguiu chegar ao epicentro dos acontecimentos e registrar imagens que rodaram o mundo e mostraram a verdadeira face daquele regime.



A atuação de Song Kang-Ho é fantástica. Seu personagem é extremamente carismático e logo de cara conquista a todos, e assim como o filme, transita entre momentos cômicos e dramáticos com muita competência. O enredo é empolgante e prende o espectador do início ao fim com sua teia de acontecimentos. O Motorista de Táxi consegue ser uma grande obra de entretenimento mas também serve como lição para que regimes militares nunca mais se repitam pelo mundo. 


domingo, 22 de abril de 2018

Crítica: Aos Teus Olhos (2018)


Todos os dias milhares e milhares de pessoas utilizam as redes sociais, sobretudo o Facebook, para compartilhar coisas que lhes convém. Apesar de trazer muitos benefícios, esse tipo de rede também traz muitos perigos, e um deles é a superexposição de casos que deveriam ser tratados com cautela mas que viralizam e que acabam trazendo consequências graves aos envolvidos.

Rubens (Daniel de Oliveira) é professor de natação em um clube do Rio de Janeiro. Ele é querido por todos por seu jeito espontâneo e brincalhão, e as crianças o adoram. Entre os alunos da sua turma está Alex, um garoto tímido que está sofrendo com a separação dos pais. Certo dia, Alex chega em casa e conta para a mãe que o professor o beijou no vestiário logo após uma aula. Obviamente, os pais vão tirar satisfação na secretaria do clube e pedem o afastamento imediato de Rubens das suas funções. Porém, como não são atendidos, acabam recorrendo à polícia, que aceita instaurar um inquérito para ver se houve ou não um caso de pedofilia.

Até então tudo bem, o caso seria levado adiante e a verdade seria descoberta. No entanto, no desespero de querer explanar sua indignação, a mãe de Alex resolve postar nos grupos de Whatsapp e no próprio Facebook o que seu filho lhe contou, gerando uma onda devastadora sobre o caso. Muitas pessoas começaram a compartilhar a publicação, e mesmo sem o caso elucidado, passaram a "crucificar" Rubens, chegando até mesmo ao uso de violência.

O enredo não mostra o fim do caso, mas a verdade é que o pior julgamento que Rubens poderia enfrentar ele já enfrentou, que é o linchamento público. Isso lembra muitos outros casos parecidos, como aquela mulher, também no Rio de Janeiro, que foi morta por populares por ser uma suposta sequestradora de crianças e logo depois ter sido revelado que ela era inocente. O princípio da presunção de inocência é gravemente ferido quando as pessoas resolvem agir com as próprias mãos e essa é a grande crítica da obra. Ao mesmo tempo, não podemos julgar a atitude dos pais. Basta se colocar no lugar deles e imaginar o desespero de seu filho foi abusado de alguma forma. É um caso delicado, onde todo mundo sai perdendo, principalmente a criança.

O filme tem seus deslizes narrativos, e algumas cenas acabam sendo bem descartáveis, o que é uma pena, porque o resultado final poderia ter sido bem melhor. Diálogos e atuações fracas, bem como uso de artifícios desnecessários (como a cena em que Rubens conversa com o colega professor sobre as meninas de sua turma). Ainda assim é um filme bem-vindo na sociedade que a gente vive, de julgamentos sem provas.

Crítica: Arábia (2018)


Vencedor do último Festival de Brasília, Arábia, dos mineiros João Dumans e Affonso Uchôa, é um filme quase documental sobre a vida de um homem trabalhador que, dia pós dia, luta pela sobrevivência nesse Brasil gigantesco e cheio de desigualdade.


O filme começa acompanhando o jovem André (Murilo Caliari), que vive na cidade de Ouro Preto e mora perto de uma fábrica local. Quando um trabalhador da fábrica tem um mal súbito, André fica responsável por ir até sua casa pegar algumas roupas, e lá descobre um caderno onde o homem estava escrevendo sobre sua vida. 

A partir de então, em narrativa off, Cristiano (Aristides de Souza) se torna o protagonista da história através desses seus escritos. Incentivado a escrever sobre sua vida para uma peça de teatro da fábrica, o homem, que pensava não ter tido uma vida interessante, começa a analisar toda sua fase adulta e a refletir sobre tudo que passou para chegar onde está.


A vida de Cristiano é uma verdadeira Odisseia, onde ele passa de emprego em emprego, e viaja por todo o interior de Minas Gerais. No dia-dia ele enfrenta a fome, é obrigado a dormir em lugares insalubres e lidar com "empregadores" extremamente canalhas de fábricas e lavouras, mas nunca desiste de seguir em frente, tendo espaço até mesmo pra encontrar um inesperado amor.

Com cenas marcantes e discursos poéticos, o roteiro tem uma abordagem bem melancólica. O personagem de Cristiano sintetiza todas as angústias de uma vida severina, vivida por milhões de brasileiros que estão à margem da sociedade, e sua narração tem um efeito poderoso, não se tornando em nenhum momento incômoda.


Por fim, Arábia é o retrato de um homem que não se curva diante das dificuldades da vida. Além de boas atuações, o filme também se destaca pela ótima trilha sonora e a belíssima fotografia, que juntos nos fazem imergir na história com intensidade. Mais um grande exemplar do cinema independente nacional.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Crítica: O Insulto (2018)


Primeiro filme libanês da história a chegar na final do Óscar de melhor filme estrangeiro, O Insulto (L'Insulte) parte de uma situação corriqueira e simples para abordar a intolerância e sobretudo mostrar como o ser-humano vive à flor da pele, onde uma pequena "faísca" pode gerar um conflito de proporções absurdas.




Yasser (Kamel El Basha) é palestino e trabalha como mestre de obras de uma empresa que esta trabalhando em uma rua de Beirute. Por causa de um cano jorrando água, ele acaba arrumando confusão com Tony (Adel Karam), um mecânico que mora no local, e no calor do momento acaba ocorrendo uma agressão verbal por parte de Yasser.

Seria uma situação normal se não estivéssemos no Líbano, onde existe uma forte resistência dos locais com a presença de palestinos e onde a religião comanda tudo. Tony logo leva o desaforo para o lado pessoal e ideológico, e decide botar Yasser na justiça cobrando por indenização e sua consequente prisão. De um lado um cristão, de outro um muçulmano, e por conta disto a disputa vai muito além de um simples insulto verbal.




A situação acaba saindo do controle e ganha até mesmo os jornais televisivos, fazendo com que o povo nas ruas também se revolte, cada um defendendo o seu lado. É incrível como uma coisa aparentemente boba acaba afetando toda uma cidade e um país e afetando a vida de terceiros. É um verdadeiro efeito borboleta, onde cada ação gera uma reação.

A segunda metade do filme é reservada quase que exclusivamente ao tribunal, e é curioso analisar que nesta história não existe vilão ou mocinho, não existe certo ou errado, já que ambos tem as suas próprias razões para terem agido da maneira que agiram. Não há como julgá-los. Alguns alívios cômicos fazem o filme não se tornar arrastado, e isso é muito bem empregado pelo diretor e encenado pelo elenco.



Por fim, O Insulto traz uma mensagem importante em uma época de extrema intolerância que vivemos. É pertinente analisar a questão também sob nossos olhos e perceber que estamos muito perto disto por aqui com esta disputa sem sentido entre esquerda e direita.


quinta-feira, 15 de março de 2018

Crítica: Confronto no Pavilhão 99 (2017)


Volta e meia surge no mundo do cinema um nome que vem para revolucionar a forma de fazer filmes, e dessa vez um dos nomes mais preciosos (mesmo ainda sendo bastante desconhecido) é o de S. Craig Zahler. Com 45 anos de idade, Zahler começou tarde na carreira cinematográfica, mas já vem mostrando que veio pra ficar.




Depois do visceral Rastros de Ódio (Bone Tomahawk), ele volta às telas com Confronto no Pavilhão 99 (Brawl in Cell Block 99) que acompanha a vida de Bradley Thomas (Vince Vaughn), um homem que acaba de ser demitido do seu emprego. Precisando de algo para seguir em frente, e sem muitas perspectivas, ele decide trabalhar para um amigo traficante fazendo entregas.

Meses depois ele é pego numa operação policial e é condenado a sete anos de prisão. Logo nos primeiros dias de cadeia ele fica sabendo que sua mulher, grávida, foi sequestrada por inimigos e a única forma dela sair viva disso é se ele se prontificar a matar um homem na prisão. O problema é que o alvo não está na mesma prisão que Thomas, mas sim no pavilhão 99 da prisão de segurança máxima, a mais temida e controlada do país.

Assim como o filme anterior do diretor, este é brutal e direto, sem rodeios e nenhum tipo de enrolação. Alguma cenas finais incomodaram um pouco na hora por ter ficado evidente o uso de bonecos em cenas de execução, mas depois, parando para pensar e analisar o estilo do diretor, percebi que foi tudo proposital. Isso já havia sido registrado em Bone Tomahawk, numa maneira de flertar com os filmes trash.


O diretor conseguiu mais uma façanha que deve ser reconhecida: tirar o melhor de Vince Vaughn, um ator que para mim é bastante inconsistente mas que dessa vez tem uma atuação digna de elogios. Confronto no Pavilhão 99 é uma homenagem aos filmes de prisão, mas com estilo próprio e único, que faz do filme uma das gratas surpresas do ano.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Os vencedores do Óscar 2018


Como já era de se esperar, a 90ª edição do Óscar teve dono: o mexicano Guillermo del Toro e seu A Forma da Água, uma fábula moderna sobre o amor em tempos de guerra. O longa saiu com 4 prêmios na noite, incluindo o de melhor filme e melhor direção. No discurso, o diretor aproveitou para criticar as propostas do presidente Trump em relação à imigração no país. Del Toro é o terceiro diretor do país a ganhar o Óscar de melhor direção, após Alfonso Cuarón (Gravidade) e Alejandro González Iñárritú (Birdman e O Regresso).

Na parte das atuações, nenhuma surpresa. Frances McDormand venceu como melhor atriz por seu papel impressionante em Três Anúncios para um Crime. O filme ainda ganhou o Óscar de melhor ator coadjuvante, que foi para as mãos de Sam Rockwell. Na categoria de melhor ator, finalmente a Academia premiou Gary Oldman, que já teve inúmeras indicações mas nunca havia vencido. Teve ainda Allison Janey, vencedora na categoria de melhor atriz coadjuvante por Eu, Tonya.

Guillermo Del Toro recebendo seu Óscar de melhor direção.


Uma das principais surpresas da noite foi a vitória de Corra! como melhor roteiro original, desbancando os favoritos A Forma da Água e Três Anúncios para um Crime. O drama Me Chame Pelo seu Nome foi o escolhido como melhor roteiro adaptado, e com isso o roteirista James Ivory se tornou a pessoa mais velha a ganhar um Óscar, com seus 89 anos. Na categoria de melhor filme estrangeiro também houve surpresa com a vitória do chileno Uma Mulher Fantástica. Por fim teve Viva - A Vida é uma Festa se sagrando como melhor animação.

Nas categorias técnicas, o predomínio foi de Blade Runner 2049 e Dunkirk. O último, aliás, venceu três categorias: melhor mixagem de som, melhor edição de som e melhor montagem. Já Blade Runner venceu como melhor fotografia e melhores efeitos visuais. Na categoria de melhor canção original, deu Remember Me, de Viva - A Vida é uma Festa, premiando a animação pela segunda vez na noite. Confira abaixo a lista completa:

MELHOR FILME
A Forma da Água, de Guillermo del Toro
Corra!, de Jordan Peele
Dunkirk, de Christopher Nolan
Lady Bird, de Greta Gerwig
Me Chame pelo seu Nome, de Luca Guadagnino
O Destino da Nação, de Joe Wright
Phantom Thread, de Paul Thomas Anderson
The Post, de Steven Spielberg
Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh


MELHOR DIREÇÃO

Christopher Nolan, de Dunkirk
Guillermo del Toro, de A Forma da Água
Greta Gerwig, de Lady Bird
Jordan Peele, de Corra!
Paul Thomas Anderson, por Trama Fantasma


MELHOR ATRIZ

Frances McDormand, por Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie, por Eu, Tonya
Meryl Streep, por The Post
Sally Hawkins, por A Forma da Água
Saoirse Ronan, por Lady Bird


MELHOR ATOR

Daniel Day-Lewis, por Trama Fantasma
Daniel Kaluuya, por Corra!
Denzel Washington, por Roman J. Israel, Esq.
Gary Oldman, por O Destino de uma Nação
Timothée Chalamet, por Me Chame pelo seu Nome


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Allison Janney, por Eu, Tonya
Laurie Metcalf, por Lady Bird
Leslie Manville, por Trama Fantasma
Mary J. Blige, por Mudbound
Octavia Spencer, por A Forma da Água


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer, por Todo o Dinheiro do Mundo
Richard Jenkins, por A Forma da Água
Sam Rockwell, por Três Anúncios para um Crime
Willem Dafoe, por Projeto Flórida
Woody Harrelson, por Três Anúncios para um Crime


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

A Forma da Água
Corra!
Doentes de Amor
Lady Bird
Três Anúncios para um Crime


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Grande Jogada
Artista do Desastre
Logan
Me Chame pelo seu Nome
Mudbound

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Corpo e Alma (Hungria)
Desamor (Rússia)
Insulto (Líbano)
The Square (Suécia)
Uma Mulher Fantástica (Chile)


MELHOR ANIMAÇÃO

Breadwinner
Com Amor, Vincent
O Poderoso Chefinho
O Touro Ferdinando
Viva - A Vida é uma Festa


MELHOR DOCUMENTÁRIO

Abacus
Faces Places
Icarus
Last Men in Aleppo
Strong Island

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A Bela e a Fera
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
O Destino de uma Nação


MELHOR FOTOGRAFIA

A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Mudbound
O Destino de uma Nação


MELHOR FIGURINO

A Bela e a Fera
A Forma da Água
O Destino de uma Nação
Trama Fantasma
Victoria & Abdul


MELHOR MAQUIAGEM

Extraordinário
O Destino de uma Nação
Victoria & Abdul


MELHOR TRILHA SONORA

A Forma da Água
Dunkirk
Star Wars: Os Últimos Jedi
Trama Fantasma
Três Anúncios para um Crime


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Mighty River, de Mudbound
Mystery of Love, de Me Chame pelo seu Nome
Remember Me, de Viva - A Vida é uma Festa
Stand Up for Something, de Marshal
This is Me, de O Rei do Show


MELHORES EFEITOS VISUAIS

Blade Runner 2049
Guardiões da Galáxia Vol. 2
Kong: A Ilha da Caveira
Planeta dos Macacos: A Guerra
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Star Wars: Os Últimos Jedi


MELHOR MIXAGEM DE SOM

A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Star Wars: Os Últimos Jedi


MELHOR MONTAGEM

A Forma da Água
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Eu, Tonya
Três Anúncios para um Crime


MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

Dear Basketball
Garden Party
Lou
Negative Space
Revolting Rhymes


MELHOR CURTA-METRAGEM

Dekalb Elementary
My Nephew Emmet
The Eleven O'Clock
The Silent Child
Watu Wote / All of Us


MELHOR CURTA DE DOCUMENTÁRIO

Edith+Eddie
Heaven is a Traffic Jam on the 405
Heroine
Knife Skill
Traffic Stop

sábado, 3 de março de 2018

As apostas para as principais categorias do Óscar 2018

Amanhã (04) acontece em Hollywood a 90ª edição do maior prêmio do cinema mundial, o Óscar, e assim como faço em todos os anos, vou usar esse espaço para fazer minhas apostas e indicar meus favoritos nas principais categorias da premiação. A edição de 2018, apesar de possuir alguns filmes interessantes, é para mim uma das mais fracas dos últimos anos, e por conta disso algumas categorias acabam sendo um tanto previsíveis. Sem mais, vamos à lista:

MELHOR FILME
Na principal categoria do Óscar, dois nomes se destacam entre os demais: A Forma da Água, de Guillermo Del Toro, e Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh. O primeiro venceu como melhor filme no Critics' Choice Awards, enquanto o segundo conquistou o Globo de Ouro de melhor filme de drama. Por conta disso, é difícil tentar adivinhar quem será o vencedor dessa vez, mas eu aposto que a academia irá premiar Três Anúncios para um Crime e deixar A Forma da Água com o prêmio "consolação" de melhor direção, como já fez algumas vezes.

Quem deve vencer: Três Anúncios para um Crime
Quem também tem chances: A Forma da Água
Quem pode surpreender: Me Chame pelo seu Nome
Meu favorito: Três Anúncios para um Crime

MELHOR DIRETOR
Nesta categoria não tem como apostar em outro nome que não seja o de Guillermo Del Toro. O mexicano de 53 anos é o grande favorito para ganhar seu primeiro Óscar da carreira por A Forma da Água, mesmo tendo um adversário forte como Christopher Nolan. Quem vê o filme de Del Toro entende o porque dele estar conquistando todos os prêmios desta temporada, porque sua direção é realmente impecável. E diga-se de passagem, já passou da hora de ele ser reconhecido pela Academia.

Quem deve vencer: Guillermo Del Toro
Quem também tem chances: Christopher Nolan
Quem pode surpreender: Paul Thomas Anderson
Meu favorito: Guillermo Del Toro

MELHOR ATOR
A categoria de melhor ator deste ano está dividida entre três nomes consagrados e dois estreantes, e o favorito é Gary Oldman, que por incrível que pareça nunca ganhou um Óscar mesmo tendo uma carreira repleta de grandes atuações. Oldman está impressionante em O Destino de uma Nação na pele de Winston Churchill. A categoria ainda traz Daniel Day-Lewis, que tem três Óscar na estante de casa e possivelmente concorre pela última vez (já que anunciou sua aposentadoria das telas), e o sempre excelente Denzel Washington.

Quem deve ganhar: Gary Oldman
Quem também tem chances: Daniel Day-Lewis
Quem pode surpreender: Denzel Washington
Meu favorito: Gary Oldman

MELHOR ATRIZ
Apesar do favoritismo de Frances McDormand, que talvez tenha feito a melhor atuação de sua carreira em Três Anúncios para um Crime,  a categoria de melhor atriz deste ano trás outros quatro nomes fortíssimos para a disputa do prêmio, todas com chances. Além de McDormand, a lista tem as veteranas Margot Robbie e Sally Hawkins, a jovem Saoirse Ronan e ninguém mais ninguém menos que Meryl Streep, a recordista de indicações que vai para sua 21ª na história do Óscar.

Quem deve ganhar: Frances McDormand
Quem também tem chances: Sally Hawkins
Quem pode surpreender: Margot Robbie
Minha favorita: Frances McDormand


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sam Rockwell é o grande favorito nesta categoria pela sua performance impressionante em Três Anúncios para um Crime. Ele vem vencendo todas as premiações desse início de temporada, e dificilmente não sairá do Óscar sem sua estatueta. Quem tem alguma chance, mas pouca, é Willem Defoe por Projeto Flórida.

Quem deve ganhar: Sam Rockwell
Quem também tem chances: Willem Dafoe
Quem pode surpreender: Richard Jenkins
Meu Favorito: Sam Rockwell


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Vencedora de vários Globos de Ouro por suas atuações em séries, Allison Janney vem forte este ano para ganhar seu primeiro Óscar da carreira por Eu, Tonya. No filme, ela dá vida à mãe da patinadora Tonya Harding, uma mulher fria e extremamente desumana. Quem pode roubar o prêmio é Octavia Spencer, por A Forma da Água, que já tem um Óscar em casa.

Quem deve ganhar: Allison Janney
Quem também tem chances: Octavia Spencer
Quem pode surpreender: Laurie Metcalf
Minha favorita: Allison Janney


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Depois de vencer como melhor roteiro no Globo de Ouro e no BAFTA, Três Anúncios para um Crime vem como grande favorito na disputa pelo Óscar. Escrito pelo diretor Martin McDonagh, o roteiro se passa numa cidade pacata onde uma mulher procura desesperadamente por uma solução para o crime horrendo envolvendo sua filha. Quem corre por fora mas também com chances é A Forma da Água, a fábula moderna escrita por Guillermo del Toro e Vanessa Taylor.

Quem deve ganhar: Três Anúncios para um Crime
Quem também tem chances: A Forma da Água
Quem pode surpreender: Lady Bird
Meu favorito: Três Anúncios para um Crime


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Uma das categorias mais fracas deste ano no Óscar, e o grande favorito ao prêmio é Me Chame pelo Seu Nome, escrito por James Ivory. O filme se passa numa pacata cidade italiana à beira-mar e mostra a relação que surge entre um menino e um acadêmico que vai passar uns dias na casa da família. Eu particularmente não gostei do filme, e por isso torço para a vitória de Mudbound ou Artista do Desastre, mesmo que também não ache nenhum dos dois impressionantes.

Quem deve ganhar: Me Chame pelo seu Nome
Quem também tem chances: Artista do Desastre
Quem pode surpreender: A Grande Jogada
Meu favorito: Artista do Desastre


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Essa é uma das disputas que mais dou importância em todas as edições do Óscar, já que dá visibilidade a filmes dos mais diversos países do mundo, muitos dos quais nem chegam aos nossos cinemas. Confesso ainda que geralmente prefiro o vencedor desta categoria do que da categoria principal. Neste ano fiquei dividido entre o russo Sem Amor e o sueco The Square, mas pela experiência inesquecível que tive ao ver este filme no cinema, opto pela segunda opção. Curiosamente nem o vencedor do BAFTA nem o vencedor do Globo de Ouro estão na disputa, o que deixa bem aberto e imprevisível o vencedor.

Quem deve ganhar: The Square (Suécia)
Quem também tem chances: Desamor (Rússia)
Quem pode surpreender: Uma Mulher Fantástica (Chile)
Meu favorito: The Square (Suécia)


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Quando terminei de assistir Viva - A Vida é uma Festa, já tinha meu favorito ao prêmio do Óscar, antes mesmo de terem sidos anunciados os indicados. Pois sim, trata-se de uma das animações mais emocionantes e bem feitas que já vi na vida, e é impossível que o Óscar vá premiar outra produção. O único que tem chances de desbancar a animação da Disney é Com Amor, Vincent, um trabalho impecável de produção que conta a história do pintor Vincent Van Gogh través de pinturas a óleo de suas telas.

Quem deve ganhar: Viva - A Vida é uma Festa
Quem também tem chances: Com Amor, Vincent
Quem pode surpreender: O Poderoso Chefinho
Meu favorito: Viva - A Vida é uma Festa

Quem deve vencer nas demais categorias:
Melhor Design de produção - A Forma da Água
Melhor Fotografia - A Forma da Água
Melhor Figurino - Trama Fantasma
Melhor Maquiagem - O Destino de uma Nação
Melhores Efeitos Visuais - Blade Runner 2049
Melhor Edição de som - Dunkirk
Melhor Som - A Forma da Água
Melhor Montagem - A Forma da Água
Melhor Trilha Sonora - A Forma da Água
Melhor Canção Original - This is Me (O Rei do Show)
Melhor Documentário - Visages, Villages