terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Crítica: Jojo Rabbit (2020)


Quando foi lançado no Festival de Toronto, Jojo Rabbit dividiu muito a opinião da crítica. De um lado, alguns acharam genial a ideia do diretor Taika Waititi em mostrar o nazismo na Segunda Guerra de forma sarcástica, porém de outro, teve quem achou desrespeitoso com as vítimas tratar um assunto tão pesado de forma "divertida". O fato é que, polêmicas a parte, o filme é extremamente necessário e já entra para a lista dos melhores do ano.



Jojo Betzler (Roman Griffin Davis) é um menino típico da juventude hiterilista. Treinado em um acampamento militar para crianças, comandado pelo capitão Klenzerdorf (Sam Rockwell), o menino é a personificação da lavagem cerebral feita pelo exército alemão na época. Ele bate no peito e diz se orgulhar de ser nazista, se considera superior por ser da raça ariana, e mesmo sem conhecer nenhum judeu pessoalmente sente nojo de tudo que tenha a ver com eles.

Seu comportamento advém exclusivamente destes treinamentos militares, já que em casa a sua mãe, Rosie (Scarlett Johansson), desde o primeiro momento demonstra ser contrária aos ideais de Hitler. Ela porém esconde isso até mesmo do filho, por ter medo dele contar na escola e isso trazer sérias consequências. Sua rejeição ao governo nazista vai sendo mostrada através de pequenos gestos e diálogos seus, mas fica ainda mais evidente quando descobrimos que ela está escondendo dentro de um buraco na casa a menina judia Elsa (Thomasin Mckenzie).


O filme vai ganhando forma e ficando complexo com o decorrer do tempo, principalmente depois que Jojo descobre a existência da menina atrás da parede. Apesar da relutância no começo, de ambos os lados, ele e Elsa vão conversando e se conhecendo melhor, e sob o pretexto de escrever um livro sobre os judeus, ele passa a fazer inúmeras perguntas para ela sobre os costumes e as origens desse povo. É curioso acompanhar como nessas conversas vão sendo desconstruídas todas as ideias que Jojo havia criado sobre os judeus na escola, pois ele vai enxergando, aos poucos, que não há nada de diferente entre eles.

Depois de um determinado acontecimento, o drama toma conta de vez da estória e não há mais como voltar atrás. O roteiro que trazia um bom humor no começo, principalmente por conta da figura de Adolf Hitler (interpretado pelo próprio diretor Taika Waititi) que aparece inúmeras vezes como um amigo imaginário de Jojo, ganha um ar bem melancólico, como um típico filme sobre o período. Jojo finalmente se dá conta da realidade em que está inserido e que, sem querer, estava fazendo parte, e o grande mérito do filme é justamente mostrar esse conflito interno do personagem, que vai percebendo a fragilidade do discurso de ódio e passa a rever suas convicções.


De todas as qualidades que o filme possui, a principal talvez seja a grande atuação do menino Roman Griffin Davis, que chegou a ser indicado ao Globo de Ouro de melhor ator já no seu primeiro trabalho no cinema. Roman entrega uma atuação firme, sem exageros, e sabe carregar muito bem essa dualidade que existe no filme entre humor e drama. Quem também está bem nesse quesito é Scarlett Johansson, cuja atuação lhe rendeu até mesmo indicação ao Óscar.

Tocante, divertido e super profundo, Jojo Rabbit aborda o tema com muita inteligência e sensibilidade, e ao trazer uma sátira sobre a alienação do povo alemão na época da Segunda Guerra, já aproveita também para acenar contra o crescimento de adeptos do neonazismo na atualidade. Um filme necessário para conscientização, e sobretudo para mostrar que aquilo que aconteceu no passado nunca mais pode chegar nem perto de se repetir.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Crítica: Joias Brutas (2020)


Os irmãos Ben Safdie e Joshua Safdie não possuem um grande currículo de filmes, sendo o mais conhecido deles o interessante Bom Comportamento (2017), que fez um pequeno sucesso mas apenas no circuito independente. Mas então o que explicaria esse hype em cima do seu mais novo trabalho, onde ele foi cotado até mesmo para estar no Óscar? A resposta é Adam Sandler, e a promessa de uma atuação completamente diferente de qualquer uma já vista anteriormente na sua carreira.



O enredo de Joias Brutas (Uncut Gems) gira em torno de Howard Ratner (Adam Sandler), um vendedor de peças de valor e dono de uma joalheria no centro de Nova Iorque, que tem como público alvo famosos e pessoas com alto poder aquisitivo. Um dos seus clientes mais famosos é Kevin Garnett, jogador de basquete da NBA, que interpreta ele mesmo na história. Ratner deposita todas as esperanças na venda de uma pedra preciosa para Garnett, para enfim conseguir pagar uma dívida com agiotas que estão no seu encalço.

O ritmo do filme é absurdamente frenético e a ação não pára um segundo sequer para deixar a gente respirar. Os personagens alterados e gritando o tempo todo, o clima de tensão que parece proceder uma tragédia eminente e a movimentação rápida da câmera são características que fazem o filme ser, com toda certeza, um dos mais intensos que já vi na vida.


O roteiro é bom, a direção é ótima, mas o maior mérito do filme é realmente apresentar um Adam Sandler completamente descaracterizado e fora da sua zona de conforto. Não é a primeira vez que Sandler se arrisca no drama, mas ele tem aqui a grande atuação de sua carreira. Seu personagem vive no limite, e a maneira como esse sentimento é mostrado torna a experiência agoniante também para quem está assistindo.  Lidando com a possível traição de pessoas em quem ele confiava, com o risco de ser morto a qualquer momento por causa de uma dívida e com o vício em apostas de jogos de basquete, o personagem de Sandler vai se afundando cada vez mais num mar de lama sem fim de onde parece que nunca mais vai conseguir sair.

Com um final surpreendente, Joias Brutas é, sobretudo, um filme sobre até onde a ganância pode levar o ser-humano. Chegou a estar cotado ao Óscar, mas talvez ainda falte algo aos irmãos Safdie para chegar lá. Porém, eles estão no caminho certo, e pode ter certeza que seus nomes ainda vão aparecer muito por aí.


Especial Óscar: os filmes estrangeiros que fizeram sucesso na premiação

Faltam poucos dias para a 92ª edição do Óscar, e um nome em especial vem chamando muito a atenção: Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho. Indicado em seis categorias, Parasita é apenas o oitavo filme em língua não-inglesa da história a concorrer também na categoria de melhor filme, e para muitos é o favorito para fazer história e se tornar o primeiro a vencer o prêmio principal. Pensando nisso, resolvi pesquisar e trazer para vocês uma lista com filmes que, assim como Parasita, também concorreram em categorias do Óscar além da de melhor filme estrangeiro. Confira:


Marie-Louise, de Richard Schweizer (Suíça) - Óscar de 1946
O longa suíço foi primeiro filme em língua não-inglesa da história a aparecer no Óscar, e já se saiu bem ao conquistar a estatueta de melhor roteiro original, feito que serviu para que finalmente a Academia começasse a abrir os olhos para enxergar e reconhecer o cinema feito em outros países.

Roma - Cidade Aberta, de Roberto Rossellini (Itália) - Óscar de 1947
Um ano depois, o clássico de Roberto Rossellini, que mostrava a Itália durante o final da ocupação nazista, concorreu como melhor roteiro adaptado. Foi a primeira participação de um filme italiano no Óscar, antes do país se tornar o maior detentor de indicações e vitórias ao longo dos anos.

Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica (Itália) - Óscar de 1950
O filme de Vittorio de Sica concorreu como melhor roteiro adaptado além de ter levado para casa a estatueta de melhor filme estrangeiro (que nesta edição ainda era entregue como um prêmio honorário, sem haver competição com outros longas).

A Estrada da Vida, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1957
O filme de Fellini foi indicado também como melhor roteiro original, mas venceu apenas como melhor filme estrangeiro nesta edição, que marcou como sendo a primeira em que a Academia finalmente oficializou esta categoria, transformando-a em algo competitivo.

O Balão Vermelho, de Albert Lamorisse (França) - Óscar de 1957
No mesmo ano, o francês O Balão Vermelho conquistou o prêmio de melhor roteiro original, mesmo sem estar concorrendo como melhor filme estrangeiro.

Umberto D., de Vittorio de Sica (Itália) - Óscar de 1957
Ainda em 1957, outro filme italiano se fez presente na premiação, e também fora da categoria de filme estrangeiro: Umberto D., obra-prima do italiano Vittorio de Sica, que concorreu a melhor história original (prêmio que já foi extinto).

Os Boas Vidas, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1958
A comédia de Fellini concorreu na categoria de melhor roteiro original em 1958, mas saiu sem a vitória. Curiosamente, Fellini conquistaria o Óscar de melhor filme estrangeiro nesta mesma edição com outro filme, Noites de Cabíria.

Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1960
O filme de Bergman não chegou a concorrer como melhor filme estrangeiro neste ano, mas estava na categoria de melhor roteiro original. Foi a primeira participação do cineasta no Óscar, que depois viria a ser indicado mais onze vezes, vencendo em três.

Os Incompreendidos, de François Truffaut (França) - Óscar de 1960
Considerado por muitos o grande filme da carreira de Truffaut, o drama concorreu na categoria de melhor roteiro original, e só não representou a França na categoria de melhor filme estrangeiro porque concorria com Orfeu Negro, que inclusive se sagrou como grande vencedor.

A Doce Vida, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1962
A Doce Vida de Fellini foi o primeiro estrangeiro a concorrer em quatro categorias no Óscar, mas curiosamente não estava na de melhor filme estrangeiro (algumas coisas no Óscar são realmente difíceis de se entender). O filme foi indicado a melhor diretor, melhor roteiro original, melhor direção de arte e melhor figurino, saindo vencedor apenas desta última.

Através de um Espelho, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1962
Com Através de um Espelho, Bergman conquistou a primeira das suas três vitórias na categoria de melhor filme estrangeiro. O filme também concorreu como melhor roteiro original.

A Balada do Soldado, de Grigori Chukhrai (União Soviética) - Óscar de 1962
Outro filme que concorreu a melhor roteiro original em 1962 foi o soviético A Balada do Soldado, que numa injustiça (provavelmente pelas questões políticas da época) ficou de fora na categoria de melhor filme estrangeiro.

Divorcio à Italiana, de Pietro Germi (Itália) - Óscar de 1963
Outro caso de um filme que não concorreu como melhor filme estrangeiro mas que concorreu em outras categorias é o de Divórcio á Italiana, que foi indicado a melhor diretor, melhor roteiro e melhor ator (Marcello Mastroianni) em 1963.

8 1/2, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1964
Fellini voltou ao Óscar dois anos depois de A Doce Vida e levou seu filme mais autobiográfico (para muitos a sua obra-prima) a cinco categorias da premiação: melhor diretor, melhor roteiro original, melhor direção de arte, melhor figurino e melhor filme estrangeiro. O filme fez história ao se tornar o primeiro em outra língua a ganhar dois prêmios na mesma noite: melhor filme estrangeiro e melhor figurino.

Um Homem, Uma Mulher, de Claude Lelouch (França) - Óscar de 1967
O grande sucesso da carreira de Claude Lelouch concorreu em quatro categorias, incluindo melhor direção e melhor atriz (Anouk Aimée), e saiu vencedor em duas: melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original.

A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo (Itália) - Óscar de 1969
No ano que ficou marcado por uma grande mudança de perspectiva do cinema em Hollywood, o filme ítalo-argelino concorreu em melhor diretor e melhor roteiro original, mas não conseguiu vencer em nenhuma das duas. Curiosamente, o filme já havia concorrido como melhor filme estrangeiro, mas em 1966, três anos antes.

Z, de Constantin Costa-Gavras (Argélia) - Óscar de 1970
O filme de Costa-Gavras fez história ao se tornar o primeiro em língua estrangeira a concorrer também na categoria principal do Óscar, a de melhor filme, fato que só se repetiu mais sete vezes (1973, 1974, 1999, 2001, 2013, 2019 e agora em 2020). Perdeu para Perdidos da Noite, mas venceu em outras duas: melhor filme estrangeiro (primeira filme africano a ganhar este prêmio) e melhor edição. O filme ainda concorreu em melhor roteiro original e melhor diretor.

Satyricon, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1971
Depois de ser esnobado no Óscar de melhor filme estrangeiro em 1970, a comédia satírica e ousada de Fellini concorreu em apenas uma categoria no Óscar de 1971, justamente na de melhor diretor.

O Jardim dos Finzi-Contini, de Vittorio de Sica (Itália) - Óscar de 1972
O drama de Vittorio de Sica foi indicado em duas categorias, a de melhor filme estrangeiro e a de melhor roteiro original, saindo vencedor apenas da primeira.


O Discreto Charme da Burguesia, de Luis Bunuel (França) - Óscar de 1973

O filme do espanhol Luis Bunuel representou a França na categoria de melhor filme estrangeiro e também concorreu como melhor roteiro original, mas venceu apenas na primeira.

Os Emigrantes, de Jan Troell (Suécia) - Óscar de 1973
O drama sueco surpreendeu a todos na edição de 1973 ao concorrer em cinco categorias, incluindo a de melhor filme. Também concorreu em melhor diretor e melhor atriz (Liv Ulmann), porém não venceu nada.

Gritos e Susurros, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1974
O maior sucesso de Bergman no Óscar concorreu em cinco categorias, incluindo a de melhor filme principal. Curiosamente, não concorreu na categoria de melhor filme estrangeiro, por uma opção da Academia, mas saiu vencedor na de melhor fotografia.

A Noite Americana, de François Truffaut (França) - 1974/1975
O filme de Truffaut concorreu em dois Óscar diferente, em 1974 como melhor filme estrangeiro, e em 1975, como melhor diretor, melhor roteiro original e melhor atriz coadjuvante (Valentina Cortese).

Amarcord, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1975/1976
A última participação de Fellini no Óscar foi com Amarcord, que foi indicado em dois anos diferentes. Em 1975, concorreu e venceu como melhor filme estrangeiro. Já em 1976, concorreu como melhor diretor e melhor roteiro original, não tendo vencido em nenhuma das duas.

Pasqualini Sete Belezas, de Lina Wertmuller (Itália) - Óscar de 1977
O filme foi indicado em quatro categorias, melhor filme estrangeiro, melhor diretor, melhor ator (Giancarlo Giannini) e melhor roteiro original, mas curiosamente perdeu em todas, inclusive na de melhor filme estrangeiro (para o marfinense La Victoire de Chantant) onde era o grande favorito.

Cousin, Cousine, de Jean-Charles Tacchella (França) - Óscar de 1977
O filme concorreu a três Óscar, melhor filme estrangeiro, melhor roteiro original e melhor atriz (Marie-Christine Barrault), mas não ganhou nenhum.

Face a Face, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1977
Face a Face concorreu em duas categorias no ano de 1977; melhor diretor e melhor atriz (Liv Ulmann), e ficou de fora justamente na de melhor filme estrangeiro.

Esse Obscuro Objeto do Desejo, de Luis Bunuel (Espanha) - Óscar de 1978
O filme de Bunuel foi indicado a melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original em 1978, mas perdeu nas duas categorias.

Sonata de Outono, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1979
Sonata de Outono é mais um filme do sueco Ingmar Bergman que não concorreu a melhor filme estrangeiro, mas que estava presente na categoria de melhor roteiro original.

A Gaiola das Loucas, de Édouard Molinaro (França) - Óscar de 1980
A comédia Ítalo-francesa concorreu a três Óscar em 1980, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor figurino, mas não ganhou nenhum.

O Barco - Inferno no Mar, de Wolfgang Petersen (Alemanha) - Óscar de 1983
O filme alemão concorreu em cinco categorias no Óscar de 1983, incluindo melhor diretor e melhor roteiro adaptado, mas não se sagrou vencedor em nenhuma.

Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar 1984
Essa foi a terceira vez que Ingmar Bergman concorreu e venceu como melhor filme estrangeiro, mas o filme foi ainda além. Ganhou também nas categorias de melhor figurino, melhor fotografia e melhor direção de arte, sendo até aquele ano o filme estrangeiro mais bem sucedido na premiação.

Ran, de Akira Kurosawa (Japão) - Óscar de 1986
Considerado o maior diretor da história do cinema japonês, Akira Kurosawa teve pouco reconhecimento no Óscar. Com Ran ele concorreu a melhor diretor, além de melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor figurino, vencendo apenas nesta última.

A História Oficial, de Luis Puenzo (Argentina) - Óscar de 1986
O argentino A História Oficial foi o primeiro filme sul-americano a concorrer no Óscar fora da categoria de filme estrangeiro. O filme de Luis Puenzo também foi indicado como melhor roteiro original.

Minha Vida de Cachorro, de Lasse Halmstrom (Suécia) - Óscar de 1988
O drama do sueco Lasse Halmstrom, que lançou sua carreira, foi indicado em duas categorias no Óscar de 1988: melhor diretor e melhor roteiro adaptado.

Pelle, O Conquistador, de Bille August (Dinamarca) - Óscar de 1989
O drama dinamarquês venceu como melhor filme estrangeiro e ainda concorreu na categoria de melhor ator, com Max von Sydow. Curiosamente foi o segundo ano seguido que a Dinamarca ganhou na categoria, tendo vencido em 1988 com A Festa de Babette.

Indochina, de Régis Wargnier (França) - Óscar de 1993
Além de vencer como melhor filme estrangeiro, o drama emocionante de Régis Wargnier também concorreu na categoria de melhor atriz, com Catherine Deneuve.

A Fraternidade é Vermelha, de Krzysztof Kieslowski (Polônia) - Óscar de 1995
O filme, que faz parte da "trilogia das cores" do cineasta Krzysztof Keislowski, concorreu a melhor diretor, melhor roteiro original e melhor fotografia, mas curiosamente não concorreu como filme estrangeiro.

A Vida é Bela, de Roberto Benigni (Itália) - Óscar de 1999
O filme italiano concorreu em sete categorias no Óscar de 1999, vencendo em três: melhor filme estrangeiro, melhor trilha sonora e melhor ator (Roberto Benigni). O filme também concorreu na categoria principal.


Central do Brasil, de Walter Salles (Brasil) - Óscar de 1999
Grande sucesso do nosso cinema, Central do Brasil concorreu em duas categorias no Óscar de 1999: melhor filme estrangeiro e melhor atriz (Fernanda Montenegro).

O Tigre e o Dragão, de Ang Lee (Taiwan) - Óscar de 2001
O Tigre e o dragão foi um grande marco na carreira do taiwanês Ang Lee, que já havia sido indicado duas vezes para melhor filme estrangeiro, mas que dessa vez foi indicado a nada mais nada menos do que dez prêmios, inclusive na categoria de melhor filme. O longa venceu em quatro: melhor filme estrangeiro, melhor trilha sonora, melhor direção de arte e melhor fotografia.


Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (Brasil) - Óscar de 2004
Esnobado no Óscar de melhor filme estrangeiro em 2003, Cidade Deus voltou ao Óscar em 2004 concorrendo em quatro categorias: melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor montagem, sendo até o momento o brasileiro mais bem sucedido da história da premiação.

Amour, de Michael Haneke (Áustria) - Óscar de 2013
Após uma década de ostracismo dos filmes estrangeiros no Óscar, Amour, do Michael Haneke, apareceu concorrendo em cinco categorias, incluindo a de melhor filme, melhor diretor e melhor atriz (Emmanuelle Riva), e venceu apenas na de filme estrangeiro.

Roma, de Alfonso Cuarón (México) - Óscar de 2019
O último caso de filme estrangeiro fazendo sucesso no Óscar foi no ano passado, com o mexicano Roma, do diretor Alfonso Cuarón. O filme concorreu em dez categorias, e venceu em três: melhor diretor, melhor fotografia e melhor filme estrangeiro.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Crítica: Judy - Muito Além do Arco-Íris (2020)


Judy Garland foi uma atriz, cantora e dançarina norte-americana que se tornou uma das principais estrelas da "Era de Ouro" dos musicais de Hollywood. Seu primeiro grande sucesso foi ainda com 16 anos de idade, quando interpretou Dorothy em O Mágico de Oz, que a levou a conquista do extinto "Óscar Juvenil" em 1940. Bom, esta parte radiante da vida de Judy Garland todos sempre acompanharam, mas poucos conheceram de verdade a sua intimidade, os seus problemas pessoais, e o fato da mesma indústria que a fez famosa ter, de alguma forma, acabado com a sua vida.



O filme de Rupert Goold (de A História Verdadeira) é uma adaptação da peça da Broadway "Judy: O Fim do Arco-Íris", que conta um pouco mais da vida e da personalidade por trás de Judy, abordando dois períodos da sua carreira: o primeiro durante as filmagens de O Mágico de Oz e o segundo, com mais tempo em tela, durante sua derradeira turnê em Londres, na boate Talk of the Tall, já nos seus últimos dias de vida. 

Judy enfrentou muitos problemas pessoais, e sua morte precoce (aos 47 anos) foi uma consequência disto. Durante toda sua vida ela teve de lidar com problemas como depressão e baixa auto-estima, e sua carreira foi muito comprometida por isso. Por não conseguir terminar muitos de seus filmes, os estúdios começaram a ter receio de contratá-la e consequentemente "jogar dinheiro fora", então ela foi cada vez menos sendo requisitada para papéis de destaque. O filme mostra bastante esse descontentamento interno dela com a forma que levou a carreira.



O longa tem muitos pontos negativos, principalmente na sua forma narrativa, que não convence e torna o filme um pouco cansativo, mas o que salva ele é mesmo a atuação impressionante de Renéé Zellweger, cotada para vencer todas as premiações do ano na categoria de melhor atriz (merecidamente). O diretor sabia o que tinha em mãos e aproveitou para enaltecer sua performance ao máximo. Vale reforçar que ela mesmo cantou em todas as cenas musicais, o que exalta ainda mais a grandeza de sua atuação.

Infelizmente Judy se torna um filme incompleto para mostrar a grandeza e a importância da carreira de Garland para o cinema, mas tem a importante missão de colocar o nome de Judy em voga novamente e fazer a juventude de hoje pesquisar mais sobre ela, o que de fato já o faz valer a pena.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Crítica: Um Lindo Dia na Vizinhança (2020)


Fred Rogers foi o criador e apresentador do Mister Rogers' Neighborhood, um programa de televisão infantil que ficou muito popular nos Estados Unidos na década de 1960. O novo filme de Marielle Heller (de Poderia me Perdoar?) nos conta um pouco da personalidade deste artista, sob a ótica de um jornalista que está escrevendo uma matéria de revista sobre ele.



O filme já começa apresentando, para aqueles que não o conheciam, como era o formato do programa de Fred Rogers (Tom Hanks), com sua maneira doce de falar, suas brincadeiras e seus bonecos fantoches falantes. Confesso que sou um dos que nunca tinham tido contato com o programa, e logo após o filme procurei por alguns vídeos do original para comparar, e realmente ficou muito boa esta caraterização, tanto da produção quanto do ator.

A estória porém muda de tom quando o jornalista Lloyd Vogel (Matthew Rhys) recebe de sua editora chefe a missão de fazer uma reportagem para uma revista sobre o apresentador, contando um pouco da sua vida, da sua rotina e das suas ideias. É a partir deste momento que, para mim, o filme perde sua essência. Ao focar a narrativa em Lloyd, deixando o apresentador como um mero coadjuvante, o enredo perde fôlego, sobretudo pelo personagem do jornalista e suas relações familiares serem extremamente desinteressantes e sem carisma.



Os melhores momentos ficam mesmo por conta do personagem de Tom Hanks, que se torna quase uma alegoria na estória. Sua aparições são sempre recheadas de bons diálogos sobre a maneira de enxergar a vida, e a melhor cena do filme (e uma das melhores que já vi na vida) acontece quando ele incita Lloyd a pensar, durante um minuto, nas pessoas que tiveram influência em quem ele é hoje. É um exercício de linguagem brilhante e muito perspicaz da diretora, já que a cena fica exatamente um minuto parada e em silêncio, induzindo o espectador a fazer a mesma coisa.

Não é um filme focado na vida de Rogers, mas sim, na forma como ele tocava a vida das outras pessoas com sua doçura e empatia, e isso é interessante. Chegamos a nos perguntar "será possível uma pessoa ter um coração tão bom assim em 100% do tempo?", e o personagem do repórter é justamente essa nossa voz tentando encontrar algo que contradiga isso, mas a resposta de fato nunca vem.



Por fim, Um Lindo Dia na Vizinhança não deixa de ter seus belos momentos, mas o roteiro realmente deixa muito a desejar, o que de fato é uma pena, pois tinha um grande potencial pelo personagem complexo que possuía em mãos. Fica, pelo menos, a compensação de ter visto mais uma grande atuação na carreira de Tom Hanks e de conhecer, através dele, um pouco mais dessa figura extremamente humana que era Fred Rogers.