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sexta-feira, 29 de maio de 2020

Dez ótimos filmes do século XXI com fotografia em preto e branco

Apesar do cinema ter conhecido as cores lá na década de 1930, ainda hoje, em pleno século 21, alguns diretores gostam de optar pelo uso da fotografia preto e branca em seus filmes, como um argumento estético que ajuda a dar um clima para o filme que talvez não funcionasse com o uso de uma paleta colorida. Eu acho lindo o uso desta técnica, mas é importante que não seja algo exagerado ou sem propósito, pois pode parecer pedante e jogar tudo a perder. Abaixo fiz uma lista com dez ótimos exemplos de filmes que usaram esse recurso e deu muito certo.

1. O Pássaro Pintado, de Václav Marhoul (2019)

A trama acompanha um menino judeu que foi deixado aos cuidados da avó durante a Segunda Guerra Mundial, em um vilarejo hostil, isolado e no meio do nada. Após sua vó falecer, ele começa a perambular pelas florestas e vilas da região, encontrando todo o tipo de pessoas e situações e sofrendo com a brutalidade do ser humano. É um filme pesadíssimo, mas com uma das fotografias mais fascinantes que eu já vi na vida.

2. Frantz, de François Ozon (2016)

Numa cidade alemã, logo após o término da Primeira Guerra Mundial, vive Anna (Paula Beer), uma mulher forte que visita todos os dias o túmulo do seu noivo, Frantz, morto em um combate na França. Certo dia ela percebe um homem misterioso, que ela jamais havia visto na cidade, deixando flores na lápide do ex-marido. Curiosa, ela descobre se tratar de Adrian (Pierre Niney), um francês que foi amigo de Frantz em Paris antes da guerra começar. Pouco a pouco Adrien vai ganhando a confiança da família de Frantz, contando histórias da amizade entre os dois, mas um segredo promete pôr tudo a perder. É um roteiro caprichado, com diálogos muito intensos e poéticos sobre a vida e a guerra.

3. Branca de Neve, de Pablo Berger (2012)

Com várias referências e bebendo da mesma essência do famoso conto de fadas, Branca de Neve traz uma nova roupagem ao clássico escrito pelos irmãos Grimm ao acompanhar Carmencita, uma menina que sofre nas mãos da madrasta, sendo obrigada a trabalhos forçados e a dormir em um porão. Após um acidente, ela é encontrada por um grupo de anões toureiros (sete, como no conto original), e sem lembrar de nada do passado, ela decide sair pelas estradas acompanhando o grupo e suas aventuras. Além da fotografia em P&B, o filme também é mudo, o que faz a imersão nessa linguagem antiga ser ainda maior.

4. Gueros, de Alonso Ruizpalacios (2014)

Gueros acompanha um garoto que vai morar com o irmão mais velho após ser rejeitado pelos pais. O irmão, um universitário em greve, se junta a ele na busca por um ídolo da infância, em meio ao clima de revolta estudantil que pedia, dentre outras coisas, o fim das privatizações do ensino público. É um filme que levanta muitas questões e reflexões sobre a vida, a educação dos jovens e a sociedade em si.

5. Nebraska, de Alexander Payne (2013)

Após receber um panfleto de propaganda na caixa de correios, Woody (Bruce Dern) acredita ter ganhado uma bolada de 1 milhão de dólares. Apesar de todos o alertarem, ele teima em ir até a cidade de Lincoln, no estado de Nebraska, para receber a quantia, nem que para isso tenha que ir a pé. Por isso, ele sai a caminhar pela estrada sem avisar ninguém. Após quatro tentativas frustradas, o filho (Will Forte) decide ajudá-lo e leva ele no seu carro. A perspectiva do dinheiro faz muita gente se aproximar de novo de Woody, com intuito de "tirar uma casquinha", e essa é uma das partes mais interessantes do filme. A outra é a relação pai e filho, que se intensifica quando o homem começa a descobrir coisas do passado do pai que ele nem imagina durante a viagem.

6. The Great Buddha +, de Huang Hsin-yao (2017)

O filme acompanha Picles (Cres Chuang), um homem que trabalha como vigia de uma fábrica de estátuas de bronze, onde estão construindo um grande Buda. De noite, quando tudo está vazio, ele chama um amigo, que também trabalha na fábrica, para juntos jogar conversa fora, ver revistas pornôs e assistir as câmeras de segurança que o dono da fábrica instalou no seu próprio carro como medida de segurança. Nessa brincadeira, eles testemunham algo pelo qual eles não estavam preparados para ver. O enredo tem diálogos bastante poéticos, e o que mais chama a atenção é o uso esporádico de cores, em objetos específicos, que são usados para salientar alguma ideia.

7. Na Ventania, de Martti Helde (2014)

No princípio da década de 40, em meio à Segunda Guerra Mundial, mais de 40 mil pessoas foram deportadas ds Estônia, da Letônia e da Lituânia em direção à Sibéria durante o regime Stalinista. Com uma narrativa diferenciada e um enredo muito sensível, o diretor estreante Martti Helde nos conta um pouco dessa história sob a narrativa de Erna, uma mulher que foi obrigada a ir para campos de trabalhos forçados junto com os filhos. Através de cartas, ela se corresponde com o marido, que está preso em outro local, também comandado pelos soviéticos.


8. O Homem Que Não Estava Lá, de Ethan Coen e Joel Coen (2001)

Este filme é, acima de tudo, uma belíssima homenagem dos irmãos Coen ao cinema noir clássico do início do século 20. Isso vai desde os cartazes da produção, feitos à moda antiga, até o seu enredo e a sua fotografia em P&B. A trama se passa nos anos 1940 e acompanha um barbeiro que descobre que sua esposa estava o traindo e decide se vingar dela para lhe dar uma lição. O plano, no entanto, sai todo errado, gerando uma série de consequências terríveis na vida dele.

9. O Ano de 1985, de Yen Tan (2018)

O filme acompanha um jovem que está morando longe dos pais há três anos e está retornando à casa da família para uma ceia de Natal. Seria algo natural, não fosse o fato dele estar escondendo uma tragédia pessoal, além de estar diagnosticado com AIDS, precisando contar isso para uma família religiosa e conservadora que não fazia ideia de sua orientação sexual. O filme foge do convencional e traz uma abordagem extremamente delicada, focando na dor interna e silenciosa do personagem por ter que esconder das pessoas que mais ama aquele que ele verdadeiramente é.


10. Heleno, de José Henrique Fonseca (2011)

O filme narra a história de Heleno de Freitas, jogador que fez sucesso no futebol do Rio de Janeiro nos anos 1940. Ao mesmo tempo em que apresentava um enorme talento em campo, Heleno também sabia como ninguém se meter em confusões fora dele, e o seu comportamento arrogante e egocêntrico acabou terminando com sua carreira antes dele realizar o sonho de jogar uma Copa do Mundo pela seleção. A fotografia desse filme é um primor, e nos transporta diretamente para a época em que ele se passa.

sábado, 2 de maio de 2020

10 filmes da Amazon Prime para você conhecer nesta quarentena

Depois de fazer uma lista com dez filmes que você deve conhecer na Netflix, que vocês podem conferir aqui, chegou a hora de fazer do streaming da Amazon. Confesso que foi mais difícil fazer essa lista, porque o Prime Vídeo, neste momento atual, possui um número mais expressivo de filmes bons do que a concorrente, o que me obrigou a deixar alguns  bem interessantes de fora. Enfim, vamos à lista:


1. Amores Brutos, de Alejandro González Iñárritu

Primeiro longa da carreira do consagrado diretor mexicano, Amores Brutos é o início de uma trilogia que ainda teve 21 Gramas e Babel. Todos tem o mesmo formato narrativo: três ou mais histórias distintas que em algum ponto da trama se encontram e se complementam. É um filme que mostra a realidade de forma crua, e contém cenas bem pesadas que podem gerar desconforto.

2. Flores do Oriente, de Zhang Yimou

O filme se passa nos anos 1930, durante uma invasão do exército japonês à capital da China, que resultou em um massacre de civis. Nesse clima hostil, um coveiro americano, um grupo de estudantes e um grupo de prostitutas acabam se escondendo juntos em um mosteiro, onde aprendem a conviver e confiar um no outro até que um ato heroico é necessário para que alguns sobrevivam. É um filme que não economiza no horror, justamente com a intenção de mostrar como é terrível uma guerra, seja ela qual for.

3. A Jaula de Ouro, de Diego Quemada-Diez

O filme da Guatemala acompanha dois jovens do país que estão tentando cruzar as fronteiras e chegar aos Estados Unidos. O enredo tem um clima quase documental, e mostra não somente a luta dos dois, mas também tudo que envolve e está por trás dessas travessias. As gangues que saqueiam e enganam as pessoas, o comércio que depende deste tipo de "negócio", o tráfico de mulheres, a violência, e muitos outros horrores dessa realidade cruel e desumana.

4. A Vida em Si, de Dan Fogelman

Depois de três filmes pesados, vamos falar de um mais leve (pelo menos até certo ponto). A Vida em Si acompanha a vida de várias pessoas em lugares diferentes do mundo, com seus desenlaces amorosos e suas pequenas e grandes tragédias cotidianas, mostrando como de alguma forma todos nós estamos interligados.

5. Flores Raras, de Bruno Barreto

Ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1950, o filme conta a história do relacionamento entre a poeta americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. Extremamente belo, mas ao mesmo tempo conturbado, essa relação rendeu frutos artísticos para as duas. O enredo ainda faz um passeio pela política brasileira da época.


6. Suprema, de Mimi Leder

O filme conta a história real de Ruth Bader Ginsburg, que fez história nos anos 1960 ao se tornar uma das primeiras mulheres a ingressar na Suprema Corte dos Estados Unidos, um ambiente majoritariamente masculino. O enredo faz um retrato da sociedade machista da época, mostrando todos os obstáculos que ela enfrentou para chegar onde chegou apenas pelo fato de ser mulher. Mais do que uma homenagem a esta grande mulher, é um filme necessário para se compreender um pouco mais sobre o feminismo e a luta por direitos iguais.


7. Hotel Ruanda, de Terry George

Um dos filmes mais marcantes que já vi na vida, e também um dos mais pesados. O enredo mostra o horror que tomou conta das ruas de Ruanda em 1994, quando um conflito entre Hutus e Tutsis resultou na morte de quase 1 milhão de inocentes, num dos maiores genocídios da história. Neste cenário, Paul Rusesabagina, que trabalhava como gerente de um hotel na capital do país, virou herói ao abrigar e salvar a vida de mais de 1.200 pessoas.


8. O Que as Pessoas Vão Dizer, de Iram Haq

O filme norueguês trouxe de volta à tona o tema da liberdade individual que acaba sendo sufocada por dogmas religiosos conservadores. Ele acompanha Nisha, uma jovem que vive no seio de uma família muçulmana na capital da Noruega e que, apesar da pressão da família para seguir as tradições, tenta levar uma vida normal como qualquer outra pessoa que ela conhece da sua idade. Essa ousadia, no entanto, tem um custo, que acaba se tornando bem caro.

9. Em Nome de Deus, de Peter Mullan

O filme se passa na Irlanda dos anos 1960 e acompanha quatro mulheres que são mandadas a um convento pelas suas famílias para "pagarem por seus pecados". A primeira foi estuprada por um primo, a segunda foi considerada perigosa pela vizinhança por ser muito bonita e atiçar os desejos dos homens, e as outras duas se tornaram mães solteiras. Esses foram os "pecados" cometidos por elas, que numa sociedade extremamente conservadora levou elas a ficarem presas nesse local, com trabalhos forçados e castigos diários.


10. Libertador, de Alberto Arvelo


Libertador conta a trajetória de Simon Bolívar, um homem de importância imensurável na história da América Latina. Pode ser considerado um marco no cinema da Venezuela, tendo representado o país no Oscar de 2015 e chegando a ficar inclusive entre os semifinalistas.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

10 filmes do catálogo da Netflix para você conhecer nesta quarentena

Muita gente está em casa neste período por conta da pandemia do novo Corona Vírus, e buscando soluções para driblar o tédio. A situação é delicada, estamos todos muito assustados e sem saber quando isso vai terminar, e por isso é importante que consigamos distrair a cabeça e, pelo menos por algumas horas, esquecer um pouco o mundo lá fora. E nada melhor do que o cinema para isso, não é mesmo? Como o serviço de streaming "Netflix" hoje é o grande agregador de conteúdo, fiz uma lista com dez filmes que estão na plataforma e que você precisa conhecer. Vamos lá:

1. Uma Noite de 12 Anos, de Álvaro Brechner

Filme uruguaio lançado em 2019, ao qual tive prazer de ver na tela grande do cinema e sair extasiado depois de uma salva de palmas calorosa do público. O longa conta uma parte da vida de José "Pepe" Mujica, que virou presidente do Uruguai em 2010, focando nos doze anos em que ficou preso durante a ditadura militar no país.

2. A Ditadura Perfeita, de Luis Estrada

Filme mexicano de 2014, A Ditadura Perfeita disseca a corrupção estatal no país de forma ousada e corajosa, criticando ferrenhamente o governo e a mídia, e mostrando até mesmo o envolvimento dos dois com o narcotráfico. É um filme sobre a conturbada política mexicana, mas poderia facilmente ser sobre a política em outros diversos países do mundo, e por isso mesmo fica fácil a identificação.

3. Decisão de Risco, de Gavin Hood

De todos da lista, esse é com certeza o filme que mais me surpreendeu, por se tratar de um tema que, a princípio, não sou fã: a guerra contra o terrorismo. O roteiro acompanha uma operação dos exércitos do Reino Unido e dos Estados Unidos para salvar dois soldados que estão nas mãos de terroristas no Quênia, mas algo inesperado surge no meio e coloca em xeque toda a operação. Com uma inteligência fora do comum, o enredo nos propõe uma forte discussão a respeito da maneira em que os países mais desenvolvidos lidam com os problemas dos países mais pobres.

4. Eu, Daniel Blake, de Ken Loach

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2016, o filme do britânico Ken Loach traz um enredo devastador sobre um um homem que está tentando adquirir um benefício do governo após ser impedido de trabalhar por questões médicas, mas que esbarra na burocracia do sistema e na falta de vontade de quem deveria estar ali para ajudá-lo. Na via sacra, ele ainda conhece uma mãe solteira e desempregada que também está com dificuldades de conseguir o auxílio, e com ela cria uma bonita relação paternal.

5. Primeiro Mataram Meu Pai, de Angelina Jolie

Baseado no livro homônimo e autobiográfico de Loung Ung, o filme escrito e dirigido por Angelina Jolie se passa durante o terrível regime do Khmer Vermelho, que em 4 anos matou mais de 2 milhões de pessoas no Camboja. O filme mostra como Loung Ung sobreviveu aos horrores do regime depois de ser separada da família e treinada como soldado em campos de órfãos, ao mesmo tempo que seus irmãos foram enviados para locais de trabalho forçado. Um filme duríssimo de ver, mas necessário.

6. Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes

O filme se passa nos anos 1940, no meio do sertão nordestino, e mostra a bonita amizade que surge entre dois homens vindos de mundos diferentes. Um deles é um alemão que está fugindo da 2ª Guerra, e que passa seus dias dirigindo um caminhão pela região vendendo aspirinas. O outro é um homem simples do nordeste, que passa a trabalhar com o alemão como ajudante após ganhar uma carona. Através da amizade entre eles, o filme vai mostrando a dura realidade dessa pacata região, e como as pessoas encontram formas de ser feliz mesmo com tantas dificuldades.

7. Whisky, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll

Mais um filme uruguaio da lista, Whisky acompanha um homem de 60 anos que vive sozinho em Montevidéu após a morte da mãe e passa os dias cuidando da sua pequena fábrica de meias. Um dia ele conhece uma mulher mais nova, que passa a trabalhar com ele e com quem ele cria uma relação mútua de carinho mas baseada apenas na amizade. Quando seu irmão volta à cidade depois de anos, ele pede que a mulher finja ser sua esposa. Misturando drama com comédia, é um filme bem gostoso de assistir.

8. A Ganha-Pão, de Nora Twomey

A animação se passa no Afeganistão e mostra através dos olhos de uma criança todos os horrores que o regime Talibã trouxe ao país, principalmente quando se fala em direito e liberdade das mulheres. Durante o regime, elas não podiam sair às ruas sem estarem acompanhadas dos maridos e usando burcas, e é nesse cenário que a protagonista precisa encontrar um meio de conseguir o sustento da família após o pai ser preso pelo exército. A Ganha-Pão não é apenas um espetáculo narrativo, mas também um espetáculo visual.

9. A História Oficial, de Luis Puenzo

O filme mais antigo dessa lista vem da Argentina, e conquistou o Óscar de melhor filme estrangeiro em 1986. O enredo se passa no período final da ditadura no país, e mostra os efeitos e as consequências que o regime trouxe para os seus habitantes e para a sociedade argentina num contexto geral. Além, é claro, de trazer imagens brutais, que mostram como foi desumano tudo que ocorreu na época. Uma verdadeira aula de história, e mais um filme importante para que as pessoas aprendam que esse tipo de coisa jamais deveria se repetir em lugar nenhum do mundo.

10. O Último Cine Drive-in, de Iberê Carvalho

O Último Cine Drive-in chegou a poucas salas de cinema na época do seu lançamento, e fico feliz de ver que a Netflix deu um espaço para ele no seu catálogo. É um filme simples e despretensioso, mas que precisa ser descoberto. Fala do amor de um filho pela mãe e de tudo que ele é capaz de fazer por ela, mas também fala do amor de um homem por algo que sempre fez parte de sua vida de forma significativa, nesse caso o cinema e um velho cine drive-in, que ele se nega a fechar mesmo estando obsoleto e sem público.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

As 10 maiores decepções de 2019

Nessa semana eu lancei aqui no blog a lista com os melhores filmes do ano, e assim como foi um ano de grandes obras também foi um ano de grandes decepções. Resolvi elencar dez delas, lembrando sempre que trata-se de uma lista pessoal e que eu não estou citando aqueles que para mim foram os piores do ano (se fosse assim, a lista seria um pouco diferente e bem maior), mas sim, aqueles dos quais eu estava esperando algo (seja pelo diretor, seja pelo elenco ou pela estoria em si) e foi muito abaixo das minhas expectativas. Vamos lá.

10º Divino Amor, de Gabriel Mascaro

O trailer de Divino Amor dava a ideia de que seria um filme crítico contra o fanatismo religioso, e no fundo realmente não deixa de ser, mas a péssima edição, as falhas grotescas de direção, as cenas extremamente desnecessárias e longas de sexo explícito e as atuações risíveis transformaram o novo filme de Gabriel Mascaro numa verdadeira bomba.

9º Tolkien, de Dome Karukoski

Como grande fã da literatura de J. R. R. Tolkien, eu esperava ansioso para ver sua história ser contada nas telas, e foi uma decepção e tanto. O filme é muito corrido, tem atuações fracas, e quando parece que finalmente vai engrenar, acaba. Quando se faz uma biografia de um músico, por exemplo, obviamente se mostra como foi o processo de criação das canções, e eu esperava que seria da mesma forma com a vida de Tolkien, mas o filme se preocupa em focar mais na sua vida antes de se tornar escritor do que na criação dos seus livros clássicos. Nem sua relação bonita com os filhos é mostrada na tela, pois o filme termina antes disso acontecer. Decepcionante.

8º Cadê Você, Bernadette?, de Richard Linklater

Richard Linklater, da trilogia de Antes do Amanhecer e de Boyhood, tinha sob sua câmera nada mais nada menos do que a atriz Cate Blanchet, e desperdiçoou a chance de fazer mais um grande filme na sua carreira. Cadê Você, Bernadette? até começa bem, mas não demora muito para cansar e se tornar extremamente entediante. É tudo muito simplório, e até mesmo a abordagem da depressão, que foi o que me chamou a atenção para ver o filme, foi feita de forma superficial.

7º Peterloo, de Mike Leigh

O massacre de Manchester, como ficou conhecido, em que forças britânicas mataram 15 pessoas e feriram mais de 700 em retaliação a um ato pacífico que pedia pelo direito a votos, nunca tinha ganhado uma adaptação para as telas apesar de ser um acontecimento bastante lembrado na Inglaterra. Coube a Mike Leigh, de Segredos e Mentiras, trazer essa estória para as telas, mas ficou muito abaixo do esperado, com um ritmo lento, muita verborragia e pouca emoção.

6º Yesterday, de Danny Boyle

Não dá para dizer que Yesterday é um filme todo ruim, mas ficou muito abaixo do que eu esperava, ainda mais por se tratar de um diretor veterano como Danny Boyle. Ao tentar nos mostrar como seria um mundo sem os Beatles, o filme teus seus bons momentos sim, principalmente os números musicais, mas peca pelos furos no roteiro, por suas atuações fracas e principalmente por focar mais em ser uma comédia romântica do que qualquer outra coisa.

5º Um dia de Chuva em Nova York, de Woody Allen

Depois de todos os problemas que teve para ser lançado, o novo filme de Woody Allen finalmente chegou aos cinemas com bastante atraso nesse mês de dezembro, mas a verdade é que poderia nem ter saído. Com um ritmo extremamente corrido (até mesmo para um filme de curta duração), personagens muito mal trabalhados, e um casal de protagonistas totalmente sem química, Um dia de Chuva em Nova York é um dos filmes mais dispensáveis da carreira do diretor.

4º A Morte e Vida de John F. Donovan, de Xavier Dolan

Xavier Dolan é um dos meus diretores preferidos na atualidade, e isso só serviu para aumentar ainda mais a decepção com esse seu novo trabalho. O roteiro é extremamente superficial, sem aprofundamentos, sem uma verdadeira estória pra contar, e o Kit Harington parecia mais perdido do que no episódio final de Game of Thrones.

3º IT: Capítulo 2, de Andy Musquietti

Após uma boa primeira sequência, era esperado um desfecho a altura para a estória baseada no livro de Stephen King, mas foi tudo ruim demais. O bom elenco até que tentou, mas o resultado final foi uma série de erros, desde inconsistências no roteiro até elementos visuais desnecessários.

2º Clímax, de Gaspar Noé

Sou muito fã de Gaspar Noé e do seu cinema incômodo, que não tem medo de ousar e muitas vezes causa desconforto no público, mas dessa vez eu fiquei desconfortável de uma maneira diferente da que eu esperava. Desconfortável no sentido ruim da palavra, com a péssima qualidade do longa, desde suas atuações até seu desfecho. Poucas vezes torci pra um filme terminar como torci para esse, e quero distância pro resto da minha vida.

1º A Lavanderia, de Steven Soderbergh

O elenco tinha Meryl Streep, Antonio Banderas, Gary Oldman, e a direção do veterano Steven Soderbergh, mas mesmo assim conseguiu ser o pior filme que vi no ano. É triste ver um elenco como esse ser desperdiçado em uma estória tão fraca, com uma edição tão mal feita, e por isso é para mim a grande decepção desse 2019.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Os 20 melhores filmes lançados no Brasil em 2019

Mais um ano se aproxima do fim e chegou novamente aquele momento tão esperado de fazer a lista com os melhores filmes do ano. Foi um ano de grandes diretores nas telas, como Scorsese, Tarantino, Joon-ho Bong e Noah Baumbach, mas também de grandes novidades, como as diretoras Eva Husson, Mimi Leder e Nadine Labaki. Com enredos que vão desde a luta de classes até cinebiografias, a lista de 2019 está bastante diversificada. Confira ela completa abaixo:


20º O Ano de 1985, de Yen Tan (Estados Unidos)

O filme acompanha um jovem que está morando longe dos pais há três anos e está retornando à casa da família para a ceia de Natal. Bom, até aí tudo bem, mas as coisas não são tão simples assim. Ele acabou de passar por uma tragédia pessoal além de ter sido diagnosticado com AIDS, e precisa contar isso para uma família extremamente religiosa e conservadora e que não faz a mínima ideia da sua orientação sexual. Ah, lembrando ainda todo o contexto dos anos 1980, onde o preconceito era muito maior do que é hoje. O que eu mais gostei nesse filme foi o fato dele fugir do convencional sobre o assunto e trazer uma abordagem extremamente delicada, focando na dor interna e silenciosa que o personagem sente por ter que esconder das pessoas que ele ama aquele quem ele verdadeiramente é.


19º O Traidor, de Marco Bellocchio (Itália)

O novo filme de Bellocchio se passa nos anos 1980 e acompanha o período em que o mafioso Tommaso Buscetta, refugiado no Brasil e posteriormente preso pela polícia federal brasileira, decidiu delatar os nomes de centenas de envolvidos com a máfia siciliana, o que culminou no maior julgamento da história da Itália. O filme tem boas atuações e possui uma atmosfera quase documental, e o enredo não cansa em nenhum momento apesar da sua longa duração. Representante da Itália no Óscar de 2020, O Traidor conta ainda com duas belezas brasileiras: as lindas paisagens da cidade do Rio de Janeiro e a atriz Maria Fernanda Cândido.

18º Green Book, de Peter Farrely (Estados Unidos)


O nome do filme se refere a um livreto conhecido no período da segregação racial nos Estados Unidos, que indicava os lugares onde os negros eram permitidos, como hotéis, bares e restaurantes. Vencedor do Óscar de melhor filme este ano, Green Book usa a viagem de um músico negro pelo sul dos Estados Unidos nos anos 1960 para explorar este período difícil da história, mas tudo com leveza e até mesmo bom humor. Mesmo que não discuta o racismo fortemente como outros filmes, o assunto está presente o tempo inteiro, e não poderia ser diferente, dado o contexto da época. Vale muita a pena conferir a atuação de Mahershala Ali, que também venceu o Óscar de melhor ator coadjuvante.


17º Rocketman, de Dexter Fletcher (Estados Unidos)

O astro Elton John é interpretado brilhantemente por Taron Egerton nesse filme que conta sobre sua carreira e sua ascensão meteórica no mundo da música. O filme não tem medo de flertar com o gênero musical clássico, daquele jeitão que todos costumam associar quando se pensa em musical, com coreografias e cenas bem animadas, mas também tem um ótimo apelo dramático, principalmente na questão do uso de drogas e da solidão de alguém que pensa não se encaixar no mundo. As metáforas visuais tornam o filme uma aventura e tanto, e encantam tanto os fãs do artista quanto quem está tendo contato com sua história pela primeira vez.


16º A Odisseia dos Tontos, de Sebastián Borensztein (Argentina) 


Como um grande fã do cinema argentino que sou, não poderia deixar de fora da lista mais um grande trabalho deste diretor, que já havia me conquistado com Um Conto Chinês. Novamente trabalhando com Ricardo Darín, ele traz aqui uma história de superação de "tontos", denominação para pessoas que trabalham honestamente e só se ferram. Após se reunirem para formar uma cooperativa e investirem dinheiro em um negócio, um grupo de pessoas acaba sofrendo um golpe de um banqueiro e de seu advogado. A partir de então eles começam a armar um plano e vão até o limite para recuperar tudo o que perderam. O filme tem um ótimo bom humor e uma mão firme na direção. Na sessão que assisti, todos aplaudiram no final, meceridamente.

15º Suprema, de Mimi Leder (Estados Unidos)

O filme conta a história real de Ruth Bader Ginsburg, interpretada pela Felicity Jones, que fez história nos anos 1960 ao se tornar uma das primeiras mulheres a ingressar na Suprema Corte dos Estados Unidos, um ambiente majoritariamente masculino. O enredo faz um excelente retrato da sociedade machista daquela época, mostrando todos os obstáculos que ela enfrentou para chegar onde chegou, apenas pelo fato de ser mulher. Mais do que uma homenagem a essa grande jurista, Suprema é um filme necessário numa época em que, infelizmente, ainda é preciso discutir o feminismo e os direitos iguais.


14º Cyrano Mon Amour, de Alexis Michalik (França)

Cyrano de Bergerac é uma das peças mais importantes da história do teatro, e já foi encenada mais de vinte mil vezes ao longo de dois séculos. O filme de Alexis Michalik conta como surgiu esse personagem na cabeça de Edmond Rostand, ainda no final do século 19, e todas as dificuldades que ele enfrentou para realizar a ideia nos palcos. Fracassado na carreira de dramaturgo, Rostand começou a buscar inspiração em situações rotineiras e, como de praxe, em uma musa inspiradora, para escrever esse grande clássico. A ambientação da época e o bom humor fazem desse filme uma linda experiência, além de ser uma verdadeira declaração de amor ao teatro.

13º A Vida Invisível, de Karim Ainouz (Brasil)

Escolhido para representar o Brasil no Óscar de 2020, A Vida Invisível era um dos filmes nacionais mais esperados do ano e cumpriu muito bem com as expectativas. A trama conta a história de duas irmãs, Gilda e Eurídice, que cresceram juntas no seio de uma família tradicional portuguesa no Rio de Janeiro mas que, por consequências do destino, acabaram se separando na vida adulta. O filme traz críticas contundentes ao machismo da sociedade na década de 1960, com uma estonteante beleza nos detalhes. As atuações, a trilha sonora e a ambientação da época são impecáveis, e a participação especial de Fernanda Montenegro foi a cereja do bolo de mais um grande sucesso do cinema nacional.


12º Amor à Segunda Vista, de Hugo Gélin (França)

Enredos envolvendo histórias de amor e viagens no tempo já foram feitos aos montes por aí, mas aqui a receita ganhou uma originalidade que de cara me conquistou. A trama acompanha o casal Raphael e Olivia, que se conhecem na faculdade e se apaixonam perdidamente um pelo outro. Após 10 anos morando juntos e mais uma briga rotineira do casal, Raphael simplesmente acorda em uma realidade paralela, onde eles nunca se conheceram e ele vive uma vida completamente diferente da que tinha. Desesperado, ele encontra uma maneira de voltar no tempo para tentar consertar as coisas e ter a sua vida anterior de volta. É um filme de romance mas com um enredo bem complexo e surpreendente, com personagens muito bem trabalhados e um humor refinado.


11º Era Uma Vez em... Hollywood, de Quentin Tarantino (Estados Unidos)

O nono filme do Tarantino pode não ser o melhor trabalho da sua carreira, mas o cineasta é tão grandioso na sua maneira de nos contar uma história que mesmo assim o filme figura entre os melhores do ano. Como se fosse uma espécie de homenagem do diretor a tudo que serviu de inspiração nos seus filmes anteriores, Era Uma Vez em... Hollywood se passa na Los Angeles dos anos 1960 e acompanha um ator em decadência, interpretado por Leonardo DiCaprio, que busca o seu espaço fazendo participações em séries de faroeste, contando sempre com a ajuda do dublê e amigo fiel, interpretado pelo Brad Pitt. O filme tem ainda como pano de fundo a seita liderada por Charles Manson, que naquela época colocou terror em Los Angeles com uma série de assassinatos, o mais conhecido deles o da atriz Sharon Tate, que no filme ganha vida nas mãos de Margot Robbie. Ao que tudo indica, o filme deve ter presença garantida no próximo Óscar e em categorias importantes, como a de melhor filme, melhor roteiro e principalmente a de melhor ator.

10º Parasita, de Joon-ho Bong (Coréia do Sul)

Gosto muito dos filmes do diretor Joon-ho Bong (Expresso do Amanhã é um dos meus filmes preferidos da vida), que tem como característica principal tocar na ferida da luta de classes, tema que ele sabe abordar como ninguém no cinema oriental. E com Parasita não poderia ser diferente. Fui olhar com grande expectativa, até por conta da vitória em Cannes, e não me decepcionei. Mostrando um lado da Coreia do Sul que não é mostrada na televisão (o da pobreza, da sujeira, e da falta de perspectiva num futuro melhor), o filme acompanha uma família que vive num apartamento apertado no subúrbio e decidi aplicar um "golpe" em uma família rica para experimentar, pelo menos por alguns dias, o que é ter uma vida de luxo. A crítica social está presente durante todo o filme, sempre mostrando um contraste entre os dois mundos distintos, o da riqueza e o da pobreza, seja de forma explícita ou simplesmente pelas ações despretensiosas dos personagens.

9º Dois Papas, de Fernando Meirelles (Reino Unido)

O novo filme do genial Fernando Meirelles começa exatamente com a morte do Papa João Paulo II e o conclave que elegeu o novo Papa, Joseph Ratzinger. Assim que o novo Papa assume o posto, o argentino Jorge Bergoglio, um dos cardeais mais importantes da igreja, decide pedir sua aposentadoria, já que tem uma visão completamente oposta às ideias do novo "comandante" da igreja. Os encontros dos dois é o que move este filme, e é muito interessante analisar que desde o início existe um antagonismo nos dois personagens, de um lado Ratzinger defendendo uma igreja mais fiel aos ideais que vem de séculos, contra uma ideia mais liberal de Bergoglio, que quer mudanças. O enredo vai mostrando esses encontros até o momento que Ratzinger renuncia ao cargo, e Bergoglio se torna o Papa Francisco. É um filme interessantíssimo até para que não é religioso, como é o meu caso, justamente pela direção extremamente competente, pelos ótimos diálogos e pelas atuações irretocáveis de Anthony Hopkins e Jonathan Pryce.


8º Bacurau, de Kléber Mendonça Filho (Brasil)

Sucesso de público e crítica, não somente no Brasil mas principalmente no exterior, Bacurau já é com certeza o maior filme da carreira do pernambucano Kléber Mendonça Filho. O longa se passa numa cidadezinha do sertão nordestino, chamada Bacurau, e acompanha uma série de eventos que se sucedem a uma estranha aproximação de um grupo de estrangeiros na região. Não é um filme de fácil absorção, muito pelo contrário, mas é uma obra instigante, daquelas que vão ficando melhor a cada vez que você pára para analisar tudo que acontece nela. É uma espécie de faroeste sertanejo, ainda que fuja de qualquer tipo de rotulação, e traz no enredo muita crítica social, mesmo que grande parte seja implícita. Em tempos de obscuridade, o cinema nacional teve com Bacurau um dos seus respiros mais profundos.


7º História de um Casamento, de Noah Baumbach (Estados Unidos)

Com um verdadeiro show de interpretação de Scarlett Johansson e Adam Driver, o novo filme de Noah Baumbach entrou fácil para a lista dos melhores do ano. O filme conta a história de um casal que está se divorciando e precisa lidar com a disputa na justiça pela guarda do filho, um tema já abordado tantas vezes no cinema, mas poucas vezes de forma tão humana. O diretor evita o uso de cortes e de flashbacks, e a separação do casal é mostrada principalmente através dos seus diálogos e das suas ações, focando principalmente nos detalhes da personalidade de cada personagem, que nos faz entender como tudo chegou aonde está. Noah utiliza um divórcio para trazer uma abordagem diferente do amor e do respeito entre dois seres humanos, com seus defeitos e qualidades, que apenas viram a parceria existente entre eles se esvair pelos dedos com o passar do tempo, sem apontar culpados.


6º Graças a Deus, de François Ozon (França)

Baseado numa história real, o novo filme de François Ozon toca no polêmico assunto da pedofilia dentro da igreja católica, mostrando um padre que volta à cidade onde deu catequese após três décadas. Ao descobrir seu retorno, uma das vítimas daquela época decide reunir outras pessoas que também foram abusadas pelo mesmo padre para tentar uma punição na justiça. O diretor aborda as sequelas psicológicas que as crianças abusadas levam para o resto de suas vidas, e critica o modo como a instituição sempre tentou passar pano para diminuir as repercussões dos casos. Há também um bom debate sobre a questão psicológica dos abusadores, o que torna o filme bem complexo e necessário.


5º O Irlandês, de Martin Scorsese (Estados Unidos)

Se tem um diretor que sabe abordar a violência nos cinemas, esse é Martin Scorsese. Anos depois dos clássicos Os Bons Companheiros e Cassino, ele volta ao gênero máfia/gângster com O Irlandês, um dos filmes mais esperados do ano. Só de ver Joe Pesci, Al Pacino, Robert DeNiro e Harvey Keitel juntos novamente já valeria a pena cada segundo, mas o filme vai muito além de um grande elenco e é uma verdadeira aula de cinematografia. Com longas sequências, trilha sonora envolvente, diálogos muito bem trabalhados e um espetáculo de atuações, o filme é com absoluta certeza um dos grandes favoritos ao próximo Óscar.


4º Nunca Deixe de Lembrar, de Florian Henckel van Donnersmarck (Alemanha)

Finalista no último Óscar de melhor filme estrangeiro, Nunca Deixe de Lembrar é a odisseia de um artista desde a sua infância na Alemanha Hitlerista até a sua consagração na Alemanha já dividida pelo Muro de Berlim. O roteiro acompanha a vida desse artista durante 4 décadas, e junto viaja pela história do país e pelas diversas mudanças sociais que ocorreram no período. O que mais encanta ao longo de todo filme é sua fotografia, unida a uma trilha sonora encantadora e a ótimas atuações. Um filme necessário para nunca deixar de se lembrar o quão destrutiva uma guerra é capaz de ser na vida dos seres humanos e de toda uma geração.

3º Coringa, de Todd Philips (Estados Unidos)

O Coringa é um filme corajoso, como há muito não se via no cinema de multidões, e é exatamente isso que o cinema americano precisava: ousadia. O personagem já havia aparecido em diversos filmes ao longo dos anos, mas somente agora, pela primeira vez, ganhou um filme só seu, e com uma grandiosidade que superou todas as expectativas. O diretor Todd Philips nos apresentou um trabalho de construção de personagem impressionante, desses que revigoram o cinema e nos fazem lembrar como é bom amar a sétima arte. E tudo isso não seria possível sem um grande ator por trás, Joaquim Phoenix, naquela que talvez seja a grande atuação da sua carreira até então. Coringa é o tipo de filme em que você sai da sala do cinema atordoado, tentando digerir o que viu.


2º Filhas do Sol, de Eva Husson (França)

Um dos filmes mais pesados deste ano veio da França, e além de ser dirigido por uma mulher também foi protagonizado somente por mulheres. Pela ótica de uma correspondente de guerra, o filme conta a história real de um grupo de mulheres que sobreviveram a um massacre do Estado Islâmico na região do Curdistão e que juntas pegaram em armas para formar um exército de resistência. É o tipo de filme que deixa cicatrizes profundas em quem assiste, pois é impossível ficar indiferente a tudo que é mostrado. Um filme que, apesar de sufocante, brinda nossos olhos com lindas cenas e nos deixa com a sensação de ter visto algo único nas telas. "Mulheres, vida, liberdade!".


1º Cafarnaum, de Nadine Labaki (Líbano)

Só de lembrar da sensação que eu tive ao ver esse filme no cinema, eu chego a me arrepiar, de verdade. Cafarnaum é um longa poderosíssimo e super intenso, que fala não somente sobre as mazelas sociais mas também sobre a falta de esperança de crianças e adultos em meio a uma realidade caótica e sub humana. O enredo gira em torno de um garoto libanês de 12 anos que vive numa família abusiva e sonha com o mínimo: poder um dia estudar em uma escola. Porém, obrigado a trabalhar desde cedo, o garoto precisa deixar esse sonho de lado. Sem registro de seu nome, é quase como se ele não existisse perante o mundo, e a situação piora quando ele se vê sozinho pelas ruas. Em algumas sessões há relatos de aplausos calorosos no final da exibição, na minha houve choro, muito choro. Um choro de impotência, por estarmos vendo uma realidade que infelizmente está tão distante de mudar. A maior obra-prima do cinema em 2019.