Escolhido para representar a Bélgica no Óscar de melhor filme estrangeiro em 2014, The Broken Circle Breakdown (em português ainda não tem nome definido) é um filme emocionante e pesado, que apesar de ser uma bela obra, peca por abordar muitos assuntos sem deixar exatamente claro qual sua verdadeira intenção.
Logo de cara, percebemos que não se trata de um filme leve. Na primeira cena nos deparamos com a menininha Maybelle (Nell Cattrysse), de apenas 6 anos, deitada em uma cama de hospital recebendo uma injeção no braço. Com um pouco de aprofundamento na história descobrimos que ela tem leucemia, e vive a vida entre tratamentos ineficazes.
O início do filme aborda também o começo da relação entre seus pais, Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh). Fazendeiro e músico, Didier logo se apaixona pela tatuadora Elise, e os dois por sua vez acabam formando um casal quente e apaixonado. Essa aparente felicidade é abalada 7 anos depois, quando a menina do casal é diagnosticada com a doença.
A dor dos pais e da menina duram até o momento em que seu frágil corpo não aguenta mais. A partir de então, tem início uma relação de culpa pela trágica perda. Didier, um ateu convicto, e Elise uma religiosa pé no chão, mostram diferentes formas de reagir à morte da filha. Para ele, a filha simplesmente morreu e não existe mais, enquanto ela guarda esperanças de reencontrá-la numa vida pós-morte.
A forma não linear da narrativa, ora no passado, ora no presente, é editada brilhantemente, e ajuda a mostrar mais a fundo a personalidade de cada personagem. A fotografia também é belíssima, e a trilha sonora é super gostosa, recheada de números musicais da banda country em que o casal tocava durante as noites.
Já para o final da trama, Didier enlouquece ao ver o presidente George Bush anunciar seu veto contra as pesquisas de células-tronco, que poderiam salvar muitas vidas, inclusive a da menina. Com isso, ele passa a militar duramente contra a religião, e seu ateísmo fica ainda mais crítico e radical. É talvez nesse momento que o filme se perde um pouco. O diretor acaba optando por um recurso barato para enfatizar que a visão religiosa/metafísica da mãe é a correta, e isso acaba sendo imparcialmente mal colocado. Ainda assim, o longa é denso o suficiente para superar esse tipo de equívoco, sendo o tipo de trabalho que não se esquece nunca mais.



























