quinta-feira, 15 de outubro de 2015

15 Professores marcantes do cinema

Mais do ensinar as matérias curriculares, o papel do educador é de extrema importância na construção do futuro de cada um, seja no ensino fundamental, médio ou superior. As dificuldades são grandes, desde a desvalorização da profissão ao desrespeito dos alunos, e por isso mesmo podemos chamar nossos mestres de verdadeiros guerreiros. Em homenagem ao dia deles, confira essa lista com quinze professores marcantes do cinema.

John Keating (Robin Williams), de Sociedade dos Poetas Mortos (1990)

John Keating é ex-aluno da tradicional Welton Academy, e retorna ao local dessa vez como professor de literatura. Porém, seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si próprios começa a ir contra os métodos da direção, rígida e ortodoxa. Nesse ínterim, os jovens descobrem uma antiga sociedade de poesia criada por Keating, na época em que ele ainda era estudante da instituição.

William Hundert (Kevin Kline), de O Clube do Imperador (2002)

William Hundert é professor na St. Benedict's, uma escola preparatória conceituada que só recebe alunos da alta classe da sociedade. Ele se esforça para dar lições de moral aos seus alunos, quase todos mimados e sem educação, até que Sedgewich Bell, filho de um influente senador, entra para sua classe e muda a rotina dos estudos.

Glenn Holland, de Mr. Holland - Adorável Professor (1995)

O músico Glenn Holland começa a lecionar para ganhar dinheiro e assim poder se dedicar a compôr uma sinfonia. No início ele tem uma grande dificuldade para fazer seus alunos se interessarem por música, mas aos poucos ele vai se envolvendo com eles de uma forma especial, desistindo inclusive do seu sonho inicial para se dedicar exclusivamente aos alunos.

Rainer Wenger (Jürgen Vogel), de A Onda (2008)

Rainer Wenger é escolhido para ministrar aulas de autocracia a uma turma do colegial. Ao tentar fazer com que os alunos aprendam a matéria na prática, ele cria um grupo na sala de aula denominado A Onda, que ganha uniforme, símbolo e cumprimento próprios. Porém, as coisas acabam saindo do controle quando os alunos levam a brincadeira a sério demais.

Erin Gruwell (Hilary Swank), de Escritores da Liberdade (2007)

Erin Gruwell tem o maior desafio da sua vida quando tem que assumir uma turma de alunos desordeiros em uma escola periférica, cuja direção nunca se preocupou com o avanço dos seus alunos. A relação começa conturbada mas aos poucos ela vai conquistando a confiança dos adolescentes, trazendo a eles uma nova visão de vida, principalmente em relação às suas próprias capacidades.

Katherine Watson (Julia Roberts), de O Sorriso de Monalisa (2003)

Ambientado nos anos 1950, o filme mostra a jovem professora Katherine Watson, que acabou de se formar e assume o posto de professora numa escola de alto nível da Califórnia, onde só estudam meninas. O problema é que a escola é extremamente conservadora e contrasta duramente com a personalidade liberal de Katherine, que mesmo com dificuldades, passa a ensinar às suas alunas a importância de pensar por si mesmas.

Joe Clark (Morgan Freeman), de Meu Mestre, Minha Vida (1989)

O professor Joe Clark foi convidado por um amigo para assumir o cargo de diretor em uma problemática escola de Nova Jersey. Autoritário e arrogante, seus métodos são pouco ortodoxos e acabam criando tanto admiradores como inimigos, mesmo tendo conseguido mudar a realidade de alunos que antes eram envolvidos com o tráfico de drogas e a violência.

Melvin Tolson (Denzel Washington), de O Grande Desafio (2007)

Melvin Tolson é um brilhante professor da Wiley College, no Texas. Em um dado momento, ele decide apostar em um grupo de alunos debatedores para disputarem um campeonato de universidades. Seu maior objetivo é enfrentar a tradicional Harvard em frente a uma enorme platéia, e busca conseguir o máximo de seus alunos para realizá-lo.

Mark Thackeray (Sidney Poitier), de Ao Mestre com Carinho (1967)

Mark Thackeray é engenheiro, e após ficar desempregado resolve dar aulas em Londres, em uma escola operária majoritariamente composta de alunos brancos. Ele enfrenta dificuldades principalmente por conta dos alunos desordeiros e indisciplinados, mas aos poucos vai conseguindo mudar a mentalidade de cada um.

Dewey Finn (Jack Black), de Escola de Rock (2003)

Dewey Finn é o menos capacitado de todos da lista, mas isso não o torna um mal professor. Músico desempregado, ele aceita o desafio de dar aulas como substituto em uma escola particular e de normas rígidas. Aos poucos, ele se torna um exemplo entre seus alunos, que resolvem criar uma banda de rock para participar de um concurso de bandas.

Bachir Lazhar (Mohamed Fellag), de O Que Traz Boas Novas (2011)

Após a morte trágica da professora de uma escola primária, o imigrante argelino Bachir Lazhar é escolhido pela diretora para substituí-la. Aos poucos, o novo professor vai ajudando as crianças a superar o trauma, mas o risco de ser deportado do país pode pôr tudo a perder.

Brand Cohen (James Wolk), de Primeiro da Classe (2008)

O drama narra a história real do professor Brand Cohen, que sofre com a Síndrome de Tourette desde os seis anos de idade. Justamente por conta da doença, ele acabou sendo rejeitado em inúmeras instituições até finalmente conseguir emprego em uma escola que o aceitou do jeito que ele era. O contato com as crianças fez ele melhorar sua condição, onde passou a se sentir aceito na sociedade pela primeira vez na vida.

Clément Mathieu (Gérard Jugnot), de A Voz do Coração (2004)

Clément Mathieu foi um professor de música na década de 1940, que comandou um coral de alunos em um internato para alunos indisciplinados. As leis do lugar são extremamente rígidas, e o diretor castiga os alunos sem piedade. Nessa realidade difícil, o professor usa a música para dar uma nova esperança às crianças, que em sua grande maioria tiveram uma infância difícil por causa da Segunda Guerra.

Nikumbh (Aamir Khan), de Como Estrelas na Terra (2007)

A trama centraliza na relação entre o garoto Ishaan e seu professor Nikumbh. Ishaan é  um garoto de nove anos, tímido e que não possui amigos. Ao reprovar novamente na escola, os pais decidem colocá-lo em um internato para que seja disciplinado. É lá que ele conhece o professor Nikumbh, que diagnostica a dislexia no garoto e passa a ensiná-lo de forma que ele entenda e compreenda o mundo com outros olhos.

François Marin (François Bégaudeau), de Entre os Muros da Escola (2008)

Apesar da falta de interesse e principalmente da falta de educação dos alunos, um professor de língua francesa em uma escola periférica de Paris procura, da sua maneira, estimulá-los aos estudos e mostrar que, apesar de virem de uma realidade difícil, todos podem ter uma chance na vida.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Crítica: O Preço da Fama (2015)


Baseado em uma história real, o novo filme do diretor Xavier Beauvois reconta um fato curioso que aconteceu na Suiça na década de 1970, quando dois homens planejaram o sequestro do corpo de Charlie Chaplin, morto recentemente e enterrado em um cemitério do país, para pedir resgate em dinheiro para a sua família.


Eddy Ricaart (Benoit Poelvoorde) acaba de sair da prisão, e quem o busca na saída é a única pessoa que ele tem na vida, seu amigo Osman Bricha (Roschdy Zem). Como Eddy não tem para onde ir, Osman resolve abrigá-lo em sua casa, e em troca, o amigo deve cuidar da filha dele durante o dia, já que sua esposa Rosa (Chiara Mastroianni) está internada no hospital aguardando para fazer uma cirurgia.

Como Rosa está sem trabalhar por causa da enfermidade, a vida financeira da família não vai nada bem. Para piorar, a cirurgia é caríssima, e Osman não consegue empréstimo pois os bancos não lhe dão confiança. Vendo a situação do amigo, Eddy arquiteta um plano para ajudá-lo: sequestrar o corpo do ator e comediante Charlie Chaplin, que morreu há poucos dias e foi enterrado em um cemitério próximo, para pedir o dinheiro do resgate para a viúva, Oona Chaplin.

Num primeiro momento, Osman rechaça a ideia, pois sempre foi um homem íntegro e nunca se meteu em confusão. Porém, desesperado por dinheiro, ele acaba entrando na jogada, sem saber direito no que está se metendo. A ação poderia ter sido um sucesso se não fosse a falta de aptidão dos dois pro crime, que se atrapalham desde o início e facilitam o trabalho da polícia de capturá-los.


O filme demora a mostrar seu verdadeiro objetivo, e fica evidente que sua duração poderia ter sido reduzida. O enredo mescla drama e humor, mas não consegue ser competente em nenhum dos dois. Por um lado, mostra a vida de uma família que tenta sobreviver em meio às dificuldades da vida, mas não consegue criar empatia. Por outro, tenta nos fazer rir com pantominas que lembram os filmes de Chaplin, mas sem nenhuma graça.

Por mais interessante que seja a história, as cenas se tornam bastante caricatas, principalmente pelas fracas atuações. A única coisa bacana e bem feita é a trilha sonora, que lembra a trilha dos filmes mudos e se faz presente durante quase todo o filme. Por fim, O Preço da Fama acaba sendo bem inferior ao que o trailer aparentava, e como homenagem ao mestre do cinema mudo, um verdadeiro tiro no pé.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

20 atuações infantis que você precisa assistir

O dia das crianças chegou e para comemorar a data nada melhor do lembrar de alguns pequenos que se destacaram em seus papéis no cinema, atuando melhor do que muito adulto por aí. Confira abaixo uma lista com as vinte atuações mirins que mais me chamaram a atenção nas telas e que vocês deveriam assistir.

Rodrigo Noya, em Valentin (2002)

Valentín é um garoto de nove anos que vive em Buenos Aires com sua avó, já que seu pai passa o dia fora trabalhando e sua mãe está desaparecida há anos. Solitário, o menino passa a maior parte do tempo ouvindo as histórias que sua avó lhe conta, e sonha com duas coisas na vida: ter uma mãe e se tornar um astronauta. Atuação encantadora de Noya, que lhe rendeu alguns prêmios de ator revelação na época.


Luca Capriotti, em Vermelho Como o Céu (2006)

Mirco é um menino italiano que sempre foi apaixonado por cinema. Porém, após um acidente doméstico com a arma de seu pai, o menino acabou perdendo a visão. Rejeitado pela escola pública, ele vai estudar em uma escola especializada em crianças com deficiência visual, e lá começa a criar suas próprias estórias sonoras com a ajuda de um pequeno gravador.

Rick Lens, em Kauwboy (2012)

O holandês Kauwboy nos mostra uma bonita e incomum amizade que surgiu entre Jojo, um garoto de dez anos que vive sozinho com seu pai, e uma gralha que ele encontrou ferida enquanto brincava na rua. O problema é que seu pai, um homem turrão e com drásticas mudanças de humor, não aceita o animal em sua casa, e a relação entre os dois fica ainda mais estremecida quando ele manda o menino jogá-lo fora.

Antoine L'Écuyer, em Não Sou Eu, Eu Juro! (2008)

O ano de 1968 marcou a vida do menino León Doré, de 10 anos. Primeiro, ele tentou se suicidar e acabou fracassando. Depois, sua mãe abandonou a casa da família, e ele passou a viver só com seu pai e seu irmão mais velho, que não lhe davam muita atenção. Crescendo nesse clima era de se esperar que ele se tornasse um jovem delinquente, mas sua vida muda quando ele conhece Léa, uma menina que o ajuda a pôr a cabeça no lugar.

Giuseppe Cristiano, em Eu Não Tenho Medo (2003)

Michele tem nove anos e vive no meio dos campos de trigo no interior da Itália. Enquanto se aventura pela vizinhança, ele descobre um buraco e dentro dele um menino escondido, com aparência bastante suja e maltratada. Não demora para que ele descubra o motivo do menino estar ali, mas ele não esperava que essa descoberta fosse mudar o rumo da sua vida para sempre.

Juan José Ballesta, em El Bola (2000)

Pablo cresceu em uma família completamente desestruturada, onde é surrado pelo pai por qualquer motivo. Ele encontra forças para seguir em frente quando conhece Alfredo, um menino recém chegado no bairro que mostra uma realidade familiar completamente diferente da sua. El Bola é um filme bastante duro, que fala com muita sensibilidade sobre a violência doméstica contra crianças e o quanto isso afeta suas personalidades para sempre.


Georges Du Fresne, em Minha Vida em Cor-de-Rosa (1997)

Ludovic é tratado desde pequeno como um menino pela família e pela vizinhança, mas desde sempre se sentiu uma menina. O filme retrata não somente a sua luta para ser aceito na sociedade, mas também a luta interna de uma criança que não sabe ainda direito o que acontece com seu próprio corpo.


Ege Tanman, em Meu Pai e Meu Filho (2005)

Deniz tem oito anos e é um menino como qualquer outro de sua idade, que adora esportes e tem paixão por revistas de super-heróis. Através da mente ingênua e fértil desse garoto, o filme mostra com extrema sensibilidade a relação que se cria entre ele, seu pai, que vive um drama particular, e seu avô, um homem conservador e rancoroso que no fundo se mostra apenas ser mal-compreendido.


Roger Príncep, em Pássaros de Papel (2010)

Um grupo de artistas de teatro ficou sem nada após a guerra e passa a viver cada dia do jeito que pode, sempre contando com o incentivo da música. Entre eles está Miguel, um menino extremamente carismático que leva a vida com muita alegria, mesmo tendo passado por momentos trágicos.


Mehmet Bulbul e Elif Bulbul, em O Bicho Papão (2009)

Ahmet e Ayse são dois irmãos inseparáveis que, após a morte da mãe, acabam indo morar com o avô. Apesar do extremo carinho com os netos, o avô não consegue dar tanta atenção devido ao seu estado de saúde, então Ahmet, por ser mais velho, acaba se tornando um verdadeiro pai para a menina. Impossível escolher apenas um dos dois para a lista, pois ambos tem uma presença incrível em cena e merecem juntos o reconhecimento.


Mohammad-Hossein Shahidi e Bahare Seddiqi, em Filhos do Paraíso (1997)

Os iranianos Mohammad-Hossein Shahidi e Bahare Seddiqi também merecem estar juntos na lista por suas atuações inesquecíveis no sublime Filhos do Paraíso. Ali e Zarah vêm de uma família muito humilde, que pouco tem a lhes oferecer além de amor e carinho. Ensinados desde pequenos a ajudar um ao outro, Ali se compadece de Zarah quando ela perde seu único sapato, e passa a revezar o seu com ela enquanto tenta arrecadar dinheiro para comprar um novo.

Esko Salminen, em Minha Vida Sem Minhas Mães (2005)

Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 70 mil crianças finlandesas foram enviadas para campos neutros da Suécia, depois da invasão nazista no país. Entre essas crianças estava Eero, que com nove anos de idade teve que aprender na marra a se virar nessa sua nova realidade, contando com a importante ajuda de um casal que o acolheu como um filho.

Tatum O'Neal, em Lua de Papel (1973)

Após a morte da mãe, a órfã Addie fica aos cuidados de um vigarista que se passa por vendedor de bíblias, que pode ou não ser seu pai. Precoce, ela fala da vida com extrema confiança e inteligência, além de fumar e ter outras atitudes "adultas", enquanto ele a leva pela estrada em busca de algum parente vivo.

Maxime Godart, em O Pequeno Nicolau (2010)

Nicolau levava uma vida tranquila, brincando com seus amigos e tendo uma excelente relação familiar, até o dia em que pega uma conversa entre seus pais e acredita que sua mãe está grávida. A partir de então, ele vive com medo, pois acredita que assim que a criança nascer ele será abandonado na floresta, assim como numa história que ele leu em um livro.

Jonathan Chang, em As Coisas Simples da Vida (2000)

Yang-Yang vive em uma família típica da classe média de Taiwan. Enquanto sua família passa por dramas, como a internação hospitalar da avó e a dificuldade financeira do pai, o garoto passa os dias registrando os momentos simples da vida com sua nova câmera fotográfica.

Manuel Lozano, em A Língua das Mariposas (1999)

O drama do espanhol José Luis Cuerda acompanha o menino Moncho, um garoto esperto que vivia sua infância tranquilamente até ter sua vida alterada drasticamente após o início da Guerra Civil Espanhola. Sob os olhos do garoto vemos a população ser dividida e o medo tomar conta da vida de todos os espanhóis.

Darsheel Safary, em Como Estrelas na Terra (2007)

Ishaan é um garoto tímido de nove anos que tem poucos amigos. Ao mesmo tempo, ele apresenta uma série de dificuldades na escola, tendo sido reprovado várias vezes. Sem saber mais o que fazer os pais decidem colocá-lo em um internato, onde ele conhece o professor Nikumbh, que dá um novo sentido para sua vida ao detectar nele sintomas da dislexia.

Nina Kervel-Bey, em A Culpa é do Fidel (2006)

Anna tem 9 anos, mora em Paris com os pais, e vive uma vida regrada e tranquila. Em 1970, a prisão e a morte de um tio espanhol, comunista convicto, balança a família. Ao voltar de uma viagem ao Chile, os pais de Anna estão diferentes, e a rotina familiar muda completamente com o engajamento político dos dois.

Léora Barbara, em Stella (2008)

Stella tem 11 anos e vive com os pais no subúrbio operário de Paris, onde eles possuem um bistrô. A menina é matriculada em uma famosa escola da cidade, onde conhece Gladys, filha de intelectuais argentinos. Através dessa amizade, a menina passa a conhecer um mundo novo, diferente de tudo que conhecia até então.

Fernanda Carvalho, em Anjos do Sol (2006)

A atuação de Fernanda Carvalho no nacional Anjos do Sol é uma das mais verdadeiras e tristes que já tive a oportunidade de assistir. É incrível o que ela consegue nos passar ao interpretar Maria, uma menina de 12 anos que foi vendida pela família e viveu meses peregrinando nas mãos de homens inescrupulosos, que a vendiam como prostituta em bordéis capengas no meio da amazônia.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Crítica: Labirinto de Mentiras (2015)


Baseado em fatos reais, Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens) conta a trajetória de um promotor de justiça que resolveu investigar casos relacionados ao exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial, que culminou no "Julgamento de Auschwitz", que iniciou em 1963 e teve mais de 200 sobreviventes como testemunhas, condenando 17 ex-oficiais por crimes contra a humanidade.



Estamos em Frankfurt, e o ano é 1958. O jovem Johann Redmann (Alexander Fehling) está iniciando na carreira de promotor e ainda não teve em suas mãos nenhum caso expressivo. Tudo muda quando ele descobre que um ex-oficial da SS está trabalhando como professor em uma escola próxima. Aos poucos, Johann vai descobrindo outros ex-nazistas que levam uma rotina de vida normal, como se nada tivesse acontecido há uns anos atrás. Contando com a ajuda de sobreviventes dos campos de concentração, ele começa a reunir provas na tentativa de incriminar esses homens, e apesar de sofrer grande pressão, leva até o fim as investigações.

A tarefa, no entanto, não foi nada fácil. Treze anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os alemães parecem ter esquecido seu passado atroz. Muitos jovens nem sequer sabem do que ocorreu em campos como o de Auschwitz, e os que presenciaram tudo fingem não saber. Não existe nenhum livro sobre o assunto, e o governo faz de tudo para esconder. Mais do que isso, boa parte da população tenta desacreditar o holocausto, dizendo que tudo não passou de alucinação dos judeus sobreviventes e mentira dos Aliados para desacreditar o exército de Hitler.



A quantidade de soldados que trabalharam nos campos de concentração é inimaginável. Somente em Auschwitz, foram mais de oito mil. Era um verdadeiro labirinto tentar descobrir o paradeiro de cada um deles em uma pilha imensa de documentos, e sem ajuda de ninguém. Mesmo com toda a dificuldade, Johann não desistiu, mas se viu cada vez mais sufocado ao perceber que pessoas que ele nem imaginava também fizeram parte ativamente de tudo aquilo.

O filme volta àquela velha discussão a respeito da responsabilidade de cada um dos soldados envolvidos, o que já foi bastante discutido principalmente em filmes como O Julgamento de Nuremberg. Eles fizeram tudo aquilo porque estavam sendo mandados ou porque realmente acreditavam ser o certo? E mais, eles deveriam realmente ser punidos, partindo do pressuposto de que na era nazista a lei vigente permitia aquele tipo atitude?



Escolhido para representar a Alemanha no Óscar de melhor filme estrangeiro em 2016, Labirinto de Mentiras é um filme forte e bastante crítico sobre um país que tentou a todo custo ignorar seu passado. Destaque para a atuação competente de Alexander Fehling, além da bela fotografia e da admirável direção de arte. Um filme que certamente já entra para a lista dos melhores do ano.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Os personagens mais memoráveis de Matt Damon

Nascido em 8 de outubro de 1970, Matt Damon é um dos atores mais ativos de Hollywood, e com 45 anos já possui uma lista invejável de filmes, onde trabalhou com grandes atores e diretores. Apesar de estrear no cinema em 1988, seu nome só apareceu de vez em 1997 quando estrelou dois sucessos: O Homem que Fazia Chover, de Francis Ford Coppola, e Gênio Indomável, de Gus Van Sant. Um ano depois teve um papel de grande importância em O Resgate do Soldado Ryan, premiado filme de Steven Spielberg, já demonstrando que tinha um grande futuro pela frente.

De lá para cá, Damon participou de uma extensa lista de filmes comercialmente bem sucedidos, o que o colocou entre os 40 atores de maior bilheteria de todos os tempos. Apesar dos sucessos, ele foi indicado ao Óscar apenas uma vez, em 2010, por seu papel em Invictus, do diretor Clint Eastwood. Enfim, para homenagear o ator na data do seu aniversário, confira abaixo uma lista com os personagens mais memoráveis de sua carreira. Você certamente conhece pelo menos um deles.

Will Hunting, em Gênio Indomável (1997)

Nesse belo drama dirigido por Gus Van Sant, Damon dá vida a Will Hunting, um jovem delinquente que trabalha como servente em uma universidade. Por determinação da justiça ele precisa fazer terapia e nisso acaba conhecendo o Dr. Sean Maguire (Robin Williams), que durante as sessões descobre que Will possui um dom inigualável para a matemática. Além de atuar, Damon também foi responsável pelo roteiro que escreveu junto com o amigo Ben Affleck, e que lhes rendeu o Óscar de melhor roteiro original em 1998.

Francois Pienaar, em Invictus (2009)

Dirigido por Clint Eastwood, Invictus conta a relação que existiu em 1995 entre o presidente da África do Sul na época, Nelson Mandela (Morgan Freeman), e o capitão da equipe nacional de Rugby, Francois Pienaar. Numa África ainda racialmente dividida, ambos uniram forças para, através da linguagem universal do esporte, mostrar que todos são iguais. Atuação digna de Damon, que foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante por seu papel.

 Jason Bourne, em A Identidade Bourne (2002)

Depois de ser baleado e ficar à beira da morte, Jason acorda sem memória na costa do mediterrâneo. Após descobrir seu verdadeiro nome através de um chip implantado em seu quadril, ele começa a ser perseguido sem entender a razão, e logo precisa lutar pela sobrevivência usando suas até então desconhecidas habilidades de autodefesa. O filme de 2002 foi o primeiro de uma trilogia de sucesso que ganhará uma continuação, também com Damon, em 2016.

Tom Ripley, em O Talentoso Ripley (1999)

Tom Ripley possui um dom bastante incomum: é capaz de imitar, com extrema perfeição, a assinatura, a voz e até mesmo os trejeitos de qualquer pessoa, o que o possibilita a se passar por qualquer um sem nunca ser descoberto. Quando um empresário milionário, fica sabendo desse seu dom, lhe oferece uma boa grana para ele ir até a Europa trazer seu filho de volta, mas chegando lá, Ripley acaba fazendo amizade com o homem e sua mulher, vivendo dias de hóspede junto de ambos. Atuação super elogiada de Damon, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator.

James Francis Ryan, em O Resgate do Soldado Ryan (1998)

James Francis Ryan é o único sobrevivente dos quatro irmãos Ryan depois da violenta batalha na praia de Omaha durante a Segunda Guerra Mundial. Cabe ao capitão John Miller (Tom Hanks) e seus sete homens a missão de resgatá-lo, mas como ele fazia parte de um grupo de paraquedistas que desceu no lugar errado, ele pode estar em qualquer lugar da França, e sua busca se torna uma odisseia em meio ao caos da Guerra. Damon aparece por cerca de 30 minutos em um filme de mais de três horas, mas seu personagem é essencial para a história e por isso mesmo se torna inesquecível.

Rudy Baylor, em O Homem que Fazia Chover (1997)

Na trama de Francis Ford Coppola, Damon é Rudy Baylor, um jovem advogado desempregado que se torna a única esperança de um casal em um caso delicado: eles não conseguem obter da companhia de seguros o dinheiro necessário para pagar uma cirurgia para o filho pequeno, que tem leucemia e precisa de um transplante de medula óssea. Foi o primeiro sucesso do ator, que no mesmo ano seria indicado ao Óscar por Gênio Indomável.

Linus Caldwell, em Onze Homens e um Segredo (2001)

O filme conta a história de Danny Ocean (George Clooney) e sua quadrilha de onze homens que botaram em ação um plano arriscado de roubar três cassinos de Las Vegas ao mesmo tempo. Entre eles está Linus Caldwell, que por sinal foi o último de todos a ser recrutado. Frio e calculista, seu personagem, assim como todos os outros, tem papel essencial para o sucesso da ação.