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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Filmes recentes que abordam a violência policial contra a população negra

O assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos, cometido por um policial na cidade de Minneapolis, dia 25 de maio deste ano, foi o estopim de uma série de protestos ao redor do mundo por conta da violência policial contra a população negra. Por mais que o assunto seja discutido há anos, as estatísticas provam que nada mudou, pois a morte de George, de uma forma cruel e covarde, se soma a outras centenas de milhares que ocorrem todos os dias, inclusive (e principalmente) no Brasil. Pensando neste caso e na importância de se discutir o assunto novamente, fiz uma lista com seis filmes recentes que abordam o tema e que são extremamente necessários para que se possa entender tudo o que está acontecendo.

1. Ponto Cego, de Carlos López Estrada (2018)

O ex-presidiário Collin (Daveed Diggs) vive seus últimos dias de liberdade condicional antes de finalmente acertar as contas com a justiça. Quando ele e um amigo branco presenciam uma troca de tiros envolvendo policiais, eles hesitam sobre a melhor coisa a fazer a respeito: contar a alguém ou permanecer em silêncio? O caso acaba expondo as diferenças de pensamentos e traumas sociais de cada um.

2. Fruitvale Station - A Última Estação, de Ryan Coogler (2013)

Oscar (Michael B. Jordan) tem 22 anos, vive em San Francisco, ama seus amigos e é generoso com todo mundo que encontra pelo caminho. Na manhã do dia 31 de dezembro de 2008, Oscar sente um clima de tensão no ar e resolve passar o dia adiantando resoluções para a noite do ano novo, entre elas: tornar-se um filho melhor, um namorado melhor e também um pai mais presente pra sua filha de 4 anos. O dia, no entanto, termina numa verdadeira tragédia.

3. O Ódio que Você Semeia, de George Tillman Jr. (2018)

Starr (Amandla Senberg) presencia o assassinato de seu melhor amigo, Khalil, pelas mãos de um policial branco. Forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presenta na cena do crime, ela começa a sofrer uma série de chantagens, mas está disposta a ir até o fim e dizer a verdade pela honra do amigo, custe o que custar.

4. Queen & Slim, de Melina Matsoukas (2019)

Voltando de um primeiro encontro em Ohio, Slim (Daniel Kaluuya) e Queen (Jodie Turner-Smith) são abordados de forma violenta por um policial só por causa de uma manobra mal feita no trânsito. A situação se agrava quando, por legítima defesa, Slim acaba matando o policial. Aterrorizados com a prisão e a consequente perda de suas vidas pessoais e profissionais, os dois decidem fugir para outro estado, tornando-se involuntariamente um símbolo de resistência quando o vídeo da ação policial vaza na web.

5. American Son, de Kenny Leon (2019)

Quando Jamal, seu filho adolescente de 18 anos, desaparece misteriosamente após sair com amigos, Kendra (Kerry Washington) e Scott (Steven Pasquale), um ex-casal interracial, precisam enfrentar o preconceito de raça existente nos procedimentos da polícia para tentar descobrir seu paradeiro. As coisas só pioram quando eles descobrem que Jamal teria sido abordado pela polícia de noite enquanto dirigia, mas ninguém sabe informar o que de verdade aconteceu nesta abordagem.

6. Detroit em Rebelião, de Kathryn Bigelow (2017)

Uma operação policial violenta e sem planejamento originou uma rebelião civil e uma devastadora revolta popular que tomou conta de Detroit por 5 dias em 1967. Os conflitos entre a população majoritariamente negra da cidade e a polícia virou uma batalha campal, que deixou um saldo de 43 mortos, mais de 340 feridos e mais de 7 mil prédios queimados.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Especial Óscar: os filmes estrangeiros que fizeram sucesso na premiação

Faltam poucos dias para a 92ª edição do Óscar, e um nome em especial vem chamando muito a atenção: Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho. Indicado em seis categorias, Parasita é apenas o oitavo filme em língua não-inglesa da história a concorrer também na categoria de melhor filme, e para muitos é o favorito para fazer história e se tornar o primeiro a vencer o prêmio principal. Pensando nisso, resolvi pesquisar e trazer para vocês uma lista com filmes que, assim como Parasita, também concorreram em categorias do Óscar além da de melhor filme estrangeiro. Confira:


Marie-Louise, de Richard Schweizer (Suíça) - Óscar de 1946
O longa suíço foi primeiro filme em língua não-inglesa da história a aparecer no Óscar, e já se saiu bem ao conquistar a estatueta de melhor roteiro original, feito que serviu para que finalmente a Academia começasse a abrir os olhos para enxergar e reconhecer o cinema feito em outros países.

Roma - Cidade Aberta, de Roberto Rossellini (Itália) - Óscar de 1947
Um ano depois, o clássico de Roberto Rossellini, que mostrava a Itália durante o final da ocupação nazista, concorreu como melhor roteiro adaptado. Foi a primeira participação de um filme italiano no Óscar, antes do país se tornar o maior detentor de indicações e vitórias ao longo dos anos.

Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica (Itália) - Óscar de 1950
O filme de Vittorio de Sica concorreu como melhor roteiro adaptado além de ter levado para casa a estatueta de melhor filme estrangeiro (que nesta edição ainda era entregue como um prêmio honorário, sem haver competição com outros longas).

A Estrada da Vida, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1957
O filme de Fellini foi indicado também como melhor roteiro original, mas venceu apenas como melhor filme estrangeiro nesta edição, que marcou como sendo a primeira em que a Academia finalmente oficializou esta categoria, transformando-a em algo competitivo.

O Balão Vermelho, de Albert Lamorisse (França) - Óscar de 1957
No mesmo ano, o francês O Balão Vermelho conquistou o prêmio de melhor roteiro original, mesmo sem estar concorrendo como melhor filme estrangeiro.

Umberto D., de Vittorio de Sica (Itália) - Óscar de 1957
Ainda em 1957, outro filme italiano se fez presente na premiação, e também fora da categoria de filme estrangeiro: Umberto D., obra-prima do italiano Vittorio de Sica, que concorreu a melhor história original (prêmio que já foi extinto).

Os Boas Vidas, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1958
A comédia de Fellini concorreu na categoria de melhor roteiro original em 1958, mas saiu sem a vitória. Curiosamente, Fellini conquistaria o Óscar de melhor filme estrangeiro nesta mesma edição com outro filme, Noites de Cabíria.

Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1960
O filme de Bergman não chegou a concorrer como melhor filme estrangeiro neste ano, mas estava na categoria de melhor roteiro original. Foi a primeira participação do cineasta no Óscar, que depois viria a ser indicado mais onze vezes, vencendo em três.

Os Incompreendidos, de François Truffaut (França) - Óscar de 1960
Considerado por muitos o grande filme da carreira de Truffaut, o drama concorreu na categoria de melhor roteiro original, e só não representou a França na categoria de melhor filme estrangeiro porque concorria com Orfeu Negro, que inclusive se sagrou como grande vencedor.

A Doce Vida, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1962
A Doce Vida de Fellini foi o primeiro estrangeiro a concorrer em quatro categorias no Óscar, mas curiosamente não estava na de melhor filme estrangeiro (algumas coisas no Óscar são realmente difíceis de se entender). O filme foi indicado a melhor diretor, melhor roteiro original, melhor direção de arte e melhor figurino, saindo vencedor apenas desta última.

Através de um Espelho, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1962
Com Através de um Espelho, Bergman conquistou a primeira das suas três vitórias na categoria de melhor filme estrangeiro. O filme também concorreu como melhor roteiro original.

A Balada do Soldado, de Grigori Chukhrai (União Soviética) - Óscar de 1962
Outro filme que concorreu a melhor roteiro original em 1962 foi o soviético A Balada do Soldado, que numa injustiça (provavelmente pelas questões políticas da época) ficou de fora na categoria de melhor filme estrangeiro.

Divorcio à Italiana, de Pietro Germi (Itália) - Óscar de 1963
Outro caso de um filme que não concorreu como melhor filme estrangeiro mas que concorreu em outras categorias é o de Divórcio á Italiana, que foi indicado a melhor diretor, melhor roteiro e melhor ator (Marcello Mastroianni) em 1963.

8 1/2, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1964
Fellini voltou ao Óscar dois anos depois de A Doce Vida e levou seu filme mais autobiográfico (para muitos a sua obra-prima) a cinco categorias da premiação: melhor diretor, melhor roteiro original, melhor direção de arte, melhor figurino e melhor filme estrangeiro. O filme fez história ao se tornar o primeiro em outra língua a ganhar dois prêmios na mesma noite: melhor filme estrangeiro e melhor figurino.

Um Homem, Uma Mulher, de Claude Lelouch (França) - Óscar de 1967
O grande sucesso da carreira de Claude Lelouch concorreu em quatro categorias, incluindo melhor direção e melhor atriz (Anouk Aimée), e saiu vencedor em duas: melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original.

A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo (Itália) - Óscar de 1969
No ano que ficou marcado por uma grande mudança de perspectiva do cinema em Hollywood, o filme ítalo-argelino concorreu em melhor diretor e melhor roteiro original, mas não conseguiu vencer em nenhuma das duas. Curiosamente, o filme já havia concorrido como melhor filme estrangeiro, mas em 1966, três anos antes.

Z, de Constantin Costa-Gavras (Argélia) - Óscar de 1970
O filme de Costa-Gavras fez história ao se tornar o primeiro em língua estrangeira a concorrer também na categoria principal do Óscar, a de melhor filme, fato que só se repetiu mais sete vezes (1973, 1974, 1999, 2001, 2013, 2019 e agora em 2020). Perdeu para Perdidos da Noite, mas venceu em outras duas: melhor filme estrangeiro (primeira filme africano a ganhar este prêmio) e melhor edição. O filme ainda concorreu em melhor roteiro original e melhor diretor.

Satyricon, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1971
Depois de ser esnobado no Óscar de melhor filme estrangeiro em 1970, a comédia satírica e ousada de Fellini concorreu em apenas uma categoria no Óscar de 1971, justamente na de melhor diretor.

O Jardim dos Finzi-Contini, de Vittorio de Sica (Itália) - Óscar de 1972
O drama de Vittorio de Sica foi indicado em duas categorias, a de melhor filme estrangeiro e a de melhor roteiro original, saindo vencedor apenas da primeira.


O Discreto Charme da Burguesia, de Luis Bunuel (França) - Óscar de 1973

O filme do espanhol Luis Bunuel representou a França na categoria de melhor filme estrangeiro e também concorreu como melhor roteiro original, mas venceu apenas na primeira.

Os Emigrantes, de Jan Troell (Suécia) - Óscar de 1973
O drama sueco surpreendeu a todos na edição de 1973 ao concorrer em cinco categorias, incluindo a de melhor filme. Também concorreu em melhor diretor e melhor atriz (Liv Ulmann), porém não venceu nada.

Gritos e Susurros, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1974
O maior sucesso de Bergman no Óscar concorreu em cinco categorias, incluindo a de melhor filme principal. Curiosamente, não concorreu na categoria de melhor filme estrangeiro, por uma opção da Academia, mas saiu vencedor na de melhor fotografia.

A Noite Americana, de François Truffaut (França) - 1974/1975
O filme de Truffaut concorreu em dois Óscar diferente, em 1974 como melhor filme estrangeiro, e em 1975, como melhor diretor, melhor roteiro original e melhor atriz coadjuvante (Valentina Cortese).

Amarcord, de Federico Fellini (Itália) - Óscar de 1975/1976
A última participação de Fellini no Óscar foi com Amarcord, que foi indicado em dois anos diferentes. Em 1975, concorreu e venceu como melhor filme estrangeiro. Já em 1976, concorreu como melhor diretor e melhor roteiro original, não tendo vencido em nenhuma das duas.

Pasqualini Sete Belezas, de Lina Wertmuller (Itália) - Óscar de 1977
O filme foi indicado em quatro categorias, melhor filme estrangeiro, melhor diretor, melhor ator (Giancarlo Giannini) e melhor roteiro original, mas curiosamente perdeu em todas, inclusive na de melhor filme estrangeiro (para o marfinense La Victoire de Chantant) onde era o grande favorito.

Cousin, Cousine, de Jean-Charles Tacchella (França) - Óscar de 1977
O filme concorreu a três Óscar, melhor filme estrangeiro, melhor roteiro original e melhor atriz (Marie-Christine Barrault), mas não ganhou nenhum.

Face a Face, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1977
Face a Face concorreu em duas categorias no ano de 1977; melhor diretor e melhor atriz (Liv Ulmann), e ficou de fora justamente na de melhor filme estrangeiro.

Esse Obscuro Objeto do Desejo, de Luis Bunuel (Espanha) - Óscar de 1978
O filme de Bunuel foi indicado a melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original em 1978, mas perdeu nas duas categorias.

Sonata de Outono, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar de 1979
Sonata de Outono é mais um filme do sueco Ingmar Bergman que não concorreu a melhor filme estrangeiro, mas que estava presente na categoria de melhor roteiro original.

A Gaiola das Loucas, de Édouard Molinaro (França) - Óscar de 1980
A comédia Ítalo-francesa concorreu a três Óscar em 1980, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor figurino, mas não ganhou nenhum.

O Barco - Inferno no Mar, de Wolfgang Petersen (Alemanha) - Óscar de 1983
O filme alemão concorreu em cinco categorias no Óscar de 1983, incluindo melhor diretor e melhor roteiro adaptado, mas não se sagrou vencedor em nenhuma.

Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman (Suécia) - Óscar 1984
Essa foi a terceira vez que Ingmar Bergman concorreu e venceu como melhor filme estrangeiro, mas o filme foi ainda além. Ganhou também nas categorias de melhor figurino, melhor fotografia e melhor direção de arte, sendo até aquele ano o filme estrangeiro mais bem sucedido na premiação.

Ran, de Akira Kurosawa (Japão) - Óscar de 1986
Considerado o maior diretor da história do cinema japonês, Akira Kurosawa teve pouco reconhecimento no Óscar. Com Ran ele concorreu a melhor diretor, além de melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor figurino, vencendo apenas nesta última.

A História Oficial, de Luis Puenzo (Argentina) - Óscar de 1986
O argentino A História Oficial foi o primeiro filme sul-americano a concorrer no Óscar fora da categoria de filme estrangeiro. O filme de Luis Puenzo também foi indicado como melhor roteiro original.

Minha Vida de Cachorro, de Lasse Halmstrom (Suécia) - Óscar de 1988
O drama do sueco Lasse Halmstrom, que lançou sua carreira, foi indicado em duas categorias no Óscar de 1988: melhor diretor e melhor roteiro adaptado.

Pelle, O Conquistador, de Bille August (Dinamarca) - Óscar de 1989
O drama dinamarquês venceu como melhor filme estrangeiro e ainda concorreu na categoria de melhor ator, com Max von Sydow. Curiosamente foi o segundo ano seguido que a Dinamarca ganhou na categoria, tendo vencido em 1988 com A Festa de Babette.

Indochina, de Régis Wargnier (França) - Óscar de 1993
Além de vencer como melhor filme estrangeiro, o drama emocionante de Régis Wargnier também concorreu na categoria de melhor atriz, com Catherine Deneuve.

A Fraternidade é Vermelha, de Krzysztof Kieslowski (Polônia) - Óscar de 1995
O filme, que faz parte da "trilogia das cores" do cineasta Krzysztof Keislowski, concorreu a melhor diretor, melhor roteiro original e melhor fotografia, mas curiosamente não concorreu como filme estrangeiro.

A Vida é Bela, de Roberto Benigni (Itália) - Óscar de 1999
O filme italiano concorreu em sete categorias no Óscar de 1999, vencendo em três: melhor filme estrangeiro, melhor trilha sonora e melhor ator (Roberto Benigni). O filme também concorreu na categoria principal.


Central do Brasil, de Walter Salles (Brasil) - Óscar de 1999
Grande sucesso do nosso cinema, Central do Brasil concorreu em duas categorias no Óscar de 1999: melhor filme estrangeiro e melhor atriz (Fernanda Montenegro).

O Tigre e o Dragão, de Ang Lee (Taiwan) - Óscar de 2001
O Tigre e o dragão foi um grande marco na carreira do taiwanês Ang Lee, que já havia sido indicado duas vezes para melhor filme estrangeiro, mas que dessa vez foi indicado a nada mais nada menos do que dez prêmios, inclusive na categoria de melhor filme. O longa venceu em quatro: melhor filme estrangeiro, melhor trilha sonora, melhor direção de arte e melhor fotografia.


Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (Brasil) - Óscar de 2004
Esnobado no Óscar de melhor filme estrangeiro em 2003, Cidade Deus voltou ao Óscar em 2004 concorrendo em quatro categorias: melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor montagem, sendo até o momento o brasileiro mais bem sucedido da história da premiação.

Amour, de Michael Haneke (Áustria) - Óscar de 2013
Após uma década de ostracismo dos filmes estrangeiros no Óscar, Amour, do Michael Haneke, apareceu concorrendo em cinco categorias, incluindo a de melhor filme, melhor diretor e melhor atriz (Emmanuelle Riva), e venceu apenas na de filme estrangeiro.

Roma, de Alfonso Cuarón (México) - Óscar de 2019
O último caso de filme estrangeiro fazendo sucesso no Óscar foi no ano passado, com o mexicano Roma, do diretor Alfonso Cuarón. O filme concorreu em dez categorias, e venceu em três: melhor diretor, melhor fotografia e melhor filme estrangeiro.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

10 filmes para festejar o Dia do Cinema Nacional

19 de junho é o dia do cinema nacional, e para comemorar e homenagear a data segue uma lista com dez filmes brasileiros que mudaram a forma de ver o nosso cinema, tanto aqui como no exterior, e que também me marcaram muito. Confira:

1. Anjos do Sol (2006)

Anjos do Sol, do diretor Rudi Legerman, é um dos filmes mais pesados que já assisti na vida. O enredo conta a história de Maria, uma menina de 12 anos, advinda de uma família miserável do sertão nordestino, que é vendida pelos pais e levada a um prostíbulo no meio da Amazônia. O filme choca ao mostrar uma realidade que não chega até nós, mas que é bastante comum em diversas partes do país. De um lado uma família arrasada por ter que optar pela venda de uma filha para poder sustentar os demais, do outro, uma menina que, tão cedo, perde a esperança no ser-humano ao ser vítima de verdadeiras atrocidades. Não é um filme fácil, mas é um filme extremamente necessário.

2. Eles Não Usam Black-Tie (1981)

Esse filme se torna ainda mais interessante quando analisamos a época em que foi lançado, já nos últimos anos de uma ditadura militar que acabou com direitos de todos os cidadãos. Influenciado pelos inúmeros movimentos grevistas que começaram a eclodir na época, Eles Não Usam Black-Tie acompanha Tião, um jovem operário que sempre fez parte dos movimentos sindicais mas que prefere furar uma greve com medo de perder o emprego, já que sua mulher está grávida. Isso gera um enorme conflito com seu pai, um líder militante que chegou a ser preso pelos militares.

3. Central do Brasil (1998)

Sendo o filme brasileiro mais premiado e reconhecido no exterior, Central do Brasil é uma obra-prima do nosso cinema. O enredo acompanha Dora, uma ex-professora que ganha a vida escrevendo cartas para quem não sabe escrever no maior terminal ferroviário do Rio de Janeiro, a Central do Brasil. Um dia ela acaba conhecendo Josué, um menino de nove anos de idade que acaba de perder a mãe num acidente e está perdido, e junto com ele inicia uma jornada pelo nordeste para encontrar seu pai. Simplesmente o maior papel da maior atriz do nosso cinema, Fernanda Montenegro.

4. O Auto da Compadecida (2000)

A aventura de João Grilo e Chicó é unanimidade e não poderia faltar na lista. Pobres, vivendo no meio do sertão, os dois usam toda sua esperteza para ganhar a vida aplicando golpes, que acaba dando errado quando a vítima é um famoso cangaceiro da região. Num encontro quase idílico com Nossa Senhora Aparecida e Jesus Cristo, eles passam a rever a vida e seus costumes. Baseado no livro de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é um dos filmes mais queridos por todos e uma obra genial do nosso cinema.

5. Teus Olhos Meus (2011)

Teus Olhos Meus, do diretor Caio Sóh, é um grande achado do cinema brasileiro atual. A trama acompanha Gil, um jovem músico de 20 anos cheio de sonhos e ideais, que alterna sua vida entre a música e a poesia. Expulso de casa por conta de seu estilo boêmio, Gil passa a vagar com seu violão pelas ruas do Rio de Janeiro até conhecer Otávio, um produtor musical que vai mudar sua vida de vez. Seu roteiro poético, seus diálogos e sobretudo a trilha sonora são o que verdadeiramente encantam nessa obra que, infelizmente, é pouco conhecida e reconhecida.

6. O Lobo Atrás da Porta (2013)

Quem disse que o cinema brasileiro não sabe criar uma obra intensa de suspense? O Lobo Atrás da Porta está aí pra provar o contrário. Com um roteiro cheio de reviravoltas, o filme inicia com o desaparecimento de uma criança, que faz com que seus pais vão até uma delegacia. Os dois depõe em separado e logo o delegado identifica que o marido possui uma amante, que também é chamada para depôr. É quando começa a ser descoberta uma rede de mentiras e vingança que, por mais que pareça, foge de todo e qualquer clichê.

7. Cidade de Deus (2002)

Outro filme brasileiro muito reverenciado no exterior é Cidade de Deus, filme que lançou o nome do diretor Fernando Meirelles para o mundo e concorreu a quatro Óscar. O enredo começa mostrando o nascimento das favelas do Rio de Janeiro nos anos 1970 até os dias atuais, acompanhando a figura de dois amigos que seguem destinos diferentes: Buscapé, um rapaz de bom coração que sonha ser fotógrafo, e Dadinho, que se torna um dos traficantes mais violentos da cidade.

8. Aquarius (2016)

Kléber Mendonça Filho é um dos nomes mais fortes e importantes do nosso cinema na atualidade, e não poderia deixar de citar um filme seu na lista. O enredo acompanha Clara, uma crítica de música aposentada de 65 anos, que é a única moradora de um condomínio que não aceita vender seu apartamento para uma construtora. Aquarius é, além de uma excelente crítica social, um verdadeiro tratado sobre a passagem do tempo e de tudo que acontece na vida de um ser-humano, que vai moldando seu caráter e sua visão de mundo ao longo dos anos. 

9. Tropa de Elite (2007)

Dirigido por José Padilha, Tropa de Elite é talvez o filme mais famoso dessa lista. Infelizmente muitos não levam a sério toda a crítica feita pelo filme, não dão muita atenção aos detalhes e até acham graça de algumas falas e cenas, mas é um dos filmes mais poderosos do nosso cinema quando se fala em crítica social. Padilha teve coragem de peitar instituições poderosas para mostrar os bastidores de uma realidade que a televisão mostrava todos os dias mas que a população, no geral, só conhecia de forma superficial.

10. Nise - O Coração da Loucura (2015)

Dirigido por Roberto Berliner, o filme é uma cinebiografia de Nise da Silveira, uma médica que mudou os rumos dos tratamentos psiquiátricos aplicados no Brasil. Insatisfeita com os métodos violentos e desumanos que eram usados para tratar a esquizofrenia nos anos 1950, Nise resolveu criar seu próprio método, utilizando música e arte e distribuindo amor ao invés de choques elétricos.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Os 20 Melhores Filmes Lançados no Brasil em 2017

Mais um ano chegou ao fim e é hora de fazer a famigerada lista dos melhores filmes lançados no Brasil neste período. Curiosamente, desde que comecei a fazer as listas de fim de ano, esta é a primeira vez que praticamente nenhum diretor consagrado está presente, o que mostra que há um mercado muito bom de jovens cineastas surgindo e fazendo seu nome, com ótimas histórias. Sem delongas, vamos à lista com os 20 melhores filmes que estrearam nos nossos cinemas em 2017:


20. Clash, de Mohamed Diab (Egito)


Conhecido pelo fantástico Cairo 678, o diretor Mohamed Diab volta a mostrar as ruas de Cairo, desta vez durante um dos momentos mais tensos do país nos últimos anos. Em 2013, logo após assumir o governo democraticamente, o presidente eleito pelo povo Mohamed Morsi foi derrubado pelo exército, o que causou uma série de protestos e atentados que literalmente botaram fogo na capital do Egito. Durante um destes protestos, algumas pessoas, de lados diferentes do conflito, acabam ficando presas dentro do camburão da polícia. A partir de então, toda a ação do filme acontece dentro deste espaço pequeno e claustrofóbico, mostrando um retrato nu e cru da população egípcia contemporânea e seus ideais.

19. Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi (EUA)

Em plena Guerra Fria, enquanto Estados Unidos e União Soviética travavam uma batalha pela supremacia na corrida espacial, dentro do território americano ocorria outra batalha: a pelos direitos civis, numa sociedade que ainda dividia negros e brancos em lugares públicos. Isso era refletido inclusive na NASA, onde um grupo de mulheres negras era obrigado a trabalhar em separado dos demais. Juntas, essas mulheres conseguiram vencer o preconceito e liderar um dos momentos mais importantes da era espacial americana, quando o país começou a enviar os primeiros homens em direção à lua.

18. Extraordinário, de Stephen Chbosky (EUA)

O que um filme precisa para tocar o meu coração? Simplicidade. E isso não falta em Extraordinário, filme baseado no best-seller de R. J. Palacio. Quem leu o livro sabe como é emocionante e ao mesmo tempo otimista a história de Auggie, um menino que nasceu com uma deformação facial, e o diretor conseguiu transferir ao filme esse mesmo sentimento. Interpretado brilhantemente por Jacob Tremblay (de O Quarto de Jack), Auggie precisa enfrentar o maior desafio de sua vida: entrar para a escola e ter que encarar os olhares de reprovação das outras crianças por conta de sua aparência.

17. The Discovery, de Charlie McDowell (EUA)

Algumas perguntas existenciais nunca abandonam o ser-humano. Até hoje ninguém foi capaz de responder de onde viemos, ou para onde vamos, por exemplo. O filme de Charlie McDowell foca na segunda pergunta, e mais polêmica de todas, e nos faz refletir sobre o que aconteceria se hoje fosse comprovado que existe vida após a morte. Logo que um cientista anuncia a descoberta, cresce exorbitantemente o número de suicídios pelo mundo, já que as pessoas começam a crer que suas "pós-vidas" serão muito melhores do que as vidas que levam na Terra. Como era de se esperar, o filme é pura filosofia, e talvez por isso tenha desagradado o público geral que o rejeitou fortemente. Mas uma coisa é certa: acreditando ou não no que o filme mostra, é impossível ficar indiferente ao que é abordado e não querer refletir sobre isso.

16. Era o Hotel Cambridge, de Eliane Cafféé (Brasil)

Centenas de famílias desabrigadas vivem no prédio abandonado onde um dia existiu o Hotel Cambridge, no centro de São Paulo. No local vivem brasileiros e estrangeiros vindos de todos os lugares, muitos fugindo de guerras e genocídios em seus países de origem. Misturando ficção com realidade, atores com moradores de verdade, o filme mostra o dia dia dessas pessoas, além de contar um pouco da história de cada um. São crianças e adultos, que juntos vivem um futuro incerto, principalmente quando chega uma ordem de reintegração de posse dando um prazo para eles saírem do local.

15. La Ragazza del Mondo, de Marco Danieli (Itália)

Em La Ragazza del Mondo, acompanhamos a vida da jovem Giulia (Sara Serraioco), uma jovem italiana que vive uma fase de descobertas, como é comum da idade, mas se sente presa pelo conservadorismo dos pais, testemunhas de jeová. Quando conhece um outro jovem da escola, completamente oposto a ela, Giulia começa a se soltar das amarras da família, mas nem tudo é como parece ser, já que o relacionamento se torna abusivo.


14. Star Wars: Os Últimos Jedi, de Rian Johnson (EUA)


40 anos depois do lançamento do primeiro filme, Star Wars voltou mais uma vez às telas para alegria de milhares e milhares de fãs espalhados pelo mundo. Na trama de Os Últimos Jedi, oitavo filme da saga, a resistência liderada pela princesa Leia vive dias difíceis. Obrigados a abandonar sua base principal após ataque da Primeira Ordem, eles vagam pelas galáxias fugindo dos caças do líder supremo Snoke, e a única forma de escapar é entrar dentro da nave inimiga para desativar seu dispositivo de rastreamento. Ao mesmo tempo, a jovem Rey passa a receber os ensinamentos do mestre Jedi Luke Skywalker em uma ilha isolada, enquanto descobre os poderes da força.


13. Mulheres Divinas, de Petra Biondina Volpe (Suíça)


Mulheres Divinas se passa nos anos 1970 e mostra a luta das mulheres pelo direito ao voto na Suíça, um dos últimos países do mundo a aceitar isso. Baseado em fatos reais, ele conta a história sob a perspectiva de Nora (Marie Leuenberg), uma dona de casa que mora com o marido e dois filhos em uma pequena aldeia. Por ser um local isolado, as mudanças que ocorreram no mundo nos últimos anos não chegou por aqui ainda, e os moradores vivem numa sociedade ainda machista e patriarcal, onde mulheres não tem direito a nada. Depois de ter contato com as ideias feministas, Nora passa a tentar trazer as outras mulheres da vila para unirem forças e mudar essa realidade.

12. Minha Vida de Abobrinha, de Claude Barras (França/Suíça)

Em plena era das animações ultrarrealistas, é lindo de ver um filme como Minha Vida de Abobrinha, todo feito com bonecos em Stop Motion e extremamente sensível. O filme acompanha o menino Icare, que prefere ser chamado de Abobrinha. Órfão de pai, ele vivia com a mãe alcóolotra até a morte dela, quando o menino vai parar em um orfanato. O filme acompanha a partir de então o cotidiano dele em meio às outras crianças com o mesmo destino, cada um com sua individualidade e sua forma de lidar com as rejeições da vida. O enredo é muito bonito, misturando momentos de graça com momentos de drama, sem deixar de ter um fundo de reflexão social.

11. Brimstone, de Martin Koolhoven (Holanda)

Com um enredo enigmático e muito bem escrito, o filme do holandês Martin Koolhoven se passa no século XIX e discorre sobre o desejo de vingança em meio a um clima de faroeste perturbador. Dividido em quatro capítulos, o filme conta de trás para a frente a história da jovem Liz (Dakota Fanning), uma mulher muda que vive com o marido e o filho dele. Tudo ia normal até a chegada na cidade de um novo reverendo (Guy Pearce), que tem uma história passada com Liz que vai sendo descoberta na medida em que os capítulos passam. Chocante, imprevisível e diferenciado, Brimstone é daqueles filmes que dá gosto de ver o cinema produzir em uma época em que a criatividade está em falta.

10. Bingo - O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende (Brasil)

Aclamado pela crítica, Bingo - O Rei das Manhãs é mais um exemplar do excelente momento atual do cinema brasileiro. O filme conta a história de Arlindo Barreto, que se tornou ícone da televisão brasileira ao dar vida ao palhaço Bozo, sucesso de audiência nos anos 1980 no SBT. Arlindo (que no filme virou Augusto por questões contratuais) ganhava a vida participando de pornochanchadas até, sem querer, ir parar na audição para fazer o papel do palhaço, que já era sucesso nos Estados Unidos. Sua criatividade conquistou a equipe de produção e lhe rendeu o papel, mas apesar de conquistar o país inteiro, ninguém o conhecia, já que ele era obrigado a esconder seu rosto a todo custo. Esse fato, aliado ao uso cada vez mais constante de drogas, pôs fim a uma carreira que tinha tudo para durar décadas.

9. Okja, de Joon-Ho Bong (Coréia do Sul/EUA)

Após o sucesso do excelente Expresso do Amanhã, o sul-coreano Joon-Ho Bong volta mais uma vez aos holofotes com um filme extremamente humano. Lançado diretamente na Netflix, Okja logo encanta pela bonita amizade criada entre Mija e seu "superporco", um porco fêmea gigantesco que foi modificado em laboratório pela empresa da megalomaníaca Lucy (Tilda Swinton). Os problemas começam quando a empresa quer de volta o animal, e Mija começa a fazer de tudo para não se separar da melhor amiga.

8. Frantz, de François Ozon (França)

O francês François Ozon é um dos diretores mais badalados dos últimos anos, e sua sensibilidade em contar histórias conquistou muitos admiradores. Com diálogos marcantes e poéticos, Frantz é sem dúvida o melhor filme até então de sua carreira, ou pelo menos o que mais mexeu comigo. O longa se passa após o fim da Primeira Guerra Mundial e acompanha Anna (Paula Beer), uma mulher que visita todos os dias o túmulo do marido morto em combate. Tudo normal até que um dia ela avista um homem desconhecido deixando flores na lápide. Indo atrás do homem, ela descobre se tratar de Adrian (Pierre Niney), um francês que logo revela ter se tornado amigo de Frantz em Paris antes da guerra começar. Aos poucos a figura de Adrian vai sendo desmistificada e segredos da vida na guerra começam a surgir.

7. Até o Último Homem, de Mel Gibson (EUA)

Depois de 10 anos sem lançar um filme, Mel Gibson voltou com essa obra-prima que se passa na Segunda Guerra Mundial. A trama acompanha Desmond Ross (Andrew Garfield), filho de um militar aposentado que é assumidamente contra todo e qualquer tipo de guerra. No entanto, com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, milhares de jovens se alistaram para lutar e Desmond se sentiu culpado por não estar lutando ao lado deles. Mas como um homem que se nega a pegar em armas pode ir para um campo de batalhas? Essa é a grande questão do filme.

6. Contratiempo, de Oriol Paulo (Espanha)

Quem assistiu El Cuerpo e ficou extasiado com o plot twist fantástico no final, vai se encantar novamente com mais uma obra do diretor Oriol Paulo. Contratiempo, lançado diretamente na plataforma da Netflix, é talvez o melhor filme de suspense do ano. A vida de Adrian ia bem, com dinheiro, fama e uma bela família, mas tudo muda quando ele acorda num quarto de hotel e se depara com sua mulher morta no banheiro. Sem lembrar de nada do que aconteceu, a polícia o transforma no principal suspeito, e ele precisa contratar uma advogada para fazer sua defesa. É aí que começam as revelações.

5. Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky (Brasil)


Como Nossos Pais cativa o espectador pela sutileza em abordar assuntos aparentemente simples, porém extremamente complexos, como a relação familiar, o autoconhecimento, e o papel da mulher na sociedade moderna. Durante um almoço de família, a mãe de Rosa (Maria Ribeiro) conta a ela que seu pai não é seu pai de verdade. A partir desta descoberta, Rosa começa a reavaliar todas as suas escolhas e a procurar um verdadeiro sentido pra vida. Entre as diversas questões abordadas pelo filme, está a necessidade que temos, diante das adversidades e surpresas da vida, de abrir mão de algo por um bem maior. Focando nas relações humanas e suas nuances, o longa de Laís Bodansky é o melhor filme nacional do ano.

4. Eu, Daniel Blake, de Ken Loach (Irlanda)

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2016, o britânico Ken Loach prova que, aos 80 anos de idade, ainda sabe abordar os problemas sociais contemporâneos como poucos. Com um enredo devastador que versa, sobretudo, a respeito da dignidade humana, Eu, Daniel Blake faz uma crítica contundente aos sistemas governamentais e suas burocracias. Daniel Blake (Dave Johns) é um carpinteiro de 59 anos que acaba de sofrer um ataque cardíaco. Impedido pela sua médica de trabalhar, ele busca conseguir um benefício financeiro ao qual tem direito, mas é aí que os problemas começam, já que o sistema é falho e demorado.No mundo de hoje, quem vive de auxílios, mesmo necessitando de verdade, é taxado de aproveitador e preguiçoso, e o filme tenta desmistificar isso. Eu, Daniel Blake é um filme para se refletir, independente de sua posição política. Pelo menos é o que se espera. Com uso do bom humor, Loach consegue trazer uma linguagem de fácil compreensão e nenhum didatismo. É a vida como ela é, a realidade crua de uma sociedade onde, quem pouco tem, não recebe o merecido respeito

3. Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (Suécia)

Ove (Rolf Lassgard) à primeira vista é o típico rabugento da terceira idade. Morando em um pequeno condomínio de casas, ele se irrita com todos os atos dos vizinhos, que segundo ele, não fazem nada certo. No entanto, tudo começa a mudar quando um casal com filhos passa a morar na casa da frente. Ao mesmo tempo em que mostra o presente, o enredo, através da narração do próprio Ove, mostra também seu passado, passando por momentos bons e ruins de sua vida, que explicam muito sobre sua personalidade. Os pontos fortes são os diálogos, munidos de um humor bastante peculiar, e claro, a atuação de Lassgard que é sensacional.

2. Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan (EUA)

Cinco anos após o seu último trabalho, o diretor Kenneth Lonergan voltou às telas com um dos filmes mais poderosos do ano. Centrado no silêncio e abordando sentimentos como a perda e o remorso, Manchester à Beira-Mar (Manchester By The Sea) foge do comum trazendo uma trama simples mas muito bem trabalhada. Lee Chandler (Casey Affleck) precisa voltar à Manchester onde viveu por anos para o enterro do irmão. Muitos segredos fazem parte do passado de Lee nessa cidade, e pouco a pouco, através de flashbacks, vamos descobrindo o que de fato aconteceu. Singular e devastador, o filme foi meu favorito para ganhar o Óscar deste ano.


1. Lion - Uma Jornada Para Casa, de Garth Davis (Reino Unido)
Baseado em uma história real, o filme acompanha o menino Saroo (Sunny Pawar), que vive com a mãe e os dois irmãos em um pequeno vilarejo da Índia. Um dia Saroo se perde do irmão mais velho e acaba viajando milhares de quilômetros até Calcutá, uma megalópole onde vivem mais de 4 milhões de pessoas. O menino usa toda sua esperteza para sobreviver nas ruas dessa cidade caótica até ser resgatado por um orfanato, que logo consegue sua adoção para uma família australiana. O filme então pula para 20 anos após o ocorrido, onde Sarro (agora vivido por Dev Patel) é um estudante universitário na Austrália. Apesar do tempo, ele jamais esqueceu suas origens, e sonha com o dia em que poderá reencontrar sua mãe biológica. Com grandes atuações, o filme traz um conceito interessante de família, e aborda com simplicidade o assunto da adoção e do amor entre mãe e filho, seja de sangue ou não. É um filme incrivelmente humano.