segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Crítica: A Empregada (2026)

Baseado no livro homônimo da escritora Freida McFadden, um fenômeno editorial que conquistou uma legião de fãs, A Empregada (The Housemaid) é um suspense que, na teoria, promete abordar temas importantes como violência doméstica, abuso psicológico e relações tóxicas mantidas por aparência, mas que, na prática, derrapa em um roteiro raso, superficial e cheio de reviravoltas que só funcionam se você morou a vida inteira em uma caverna e nunca assistiu um filme de suspense antes.

O filme começa nos apresentando a Millie (Sydney Sweeney), uma jovem mulher que está passando por dificuldades e consegue ser selecionada para ser a nova empregada na mansão de uma família rica. É Nina Winchester (Amanda Seyfried), a dona da casa, que lhe entrevista, lhe mostra os aposentos e sobretudo lhe dita as regras. Entre elas, a de que Millie deve morar no local, em um quartinho pequeno porém confortável do sótão. 

O cenário inicial de estabilidade logo se desfaz quando Nina passa a tratar a nova funcionária com uma hostilidade crescente. Além de agressiva, ela a humilha constantemente e constrói mentiras cruéis a seu respeito, especialmente para o marido, Andrew (Brandon Sklenar), que surge como a figura serena e racional da casa. É ele quem explica a Millie que Nina sofre de graves distúrbios psicológicos, usando isso como justificativa para seu comportamento abusivo. Precisando do emprego por questões externas que vão muito além do dinheiro, Millie precisa aguentar a pressão e seguir firme, mesmo sofrendo humilhação atrás de humilhação. Ao mesmo tempo, Andrew se mostra acolhedor e protetor, dando início a uma dinâmica que lentamente descamba para um triângulo amoroso tão óbvio quanto artificial.

Não tendo lido o livro, não cabe a mim fazer uma comparação direta com o material original, mas enquanto obra cinematográfica, A Empregada se sustenta sobre reviravoltas preguiçosas e soluções narrativas que subestimam a inteligência do espectador de maneira quase ofensiva. O ápice desse problema surge na metade do filme, quando uma longa sequência de flashback tenta se impôr como grande virada dramática, apenas para reciclar a fórmula mais batida possível: “a vilã, na verdade, é uma vítima”. Tudo apresentado de forma genérica, sem complexidade ou qualquer sutileza.

No fim das contas, o filme não oferece nada de novo, apenas uma colagem de clichês mal disfarçados. Em nenhum momento, por exemplo, é crível a tentativa de vender Millie como uma “pobre coitada sem ter onde morar”, já que a construção da personagem é tão frágil que nunca consegue sustentar essa vulnerabilidade. O apelo sexual em torno de Sydney Sweeney também é evidente e explorado sem pudor, mas as cenas entre ela e Andrew beiram o constrangedor: falta química, falta tesão, falta verdade. O que resta é um roteiro preguiçoso que aposta em dois corpos bonitos em situações artificiais para fisgar um público específico, deixando claro que, sem isso, o roteiro simplesmente não se sustenta.

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