quarta-feira, 10 de junho de 2026

Crítica: Sinta-se Em Casa (2025)


Marcando a estreia do húngaro Gábor Holtai na direção de longas-metragens, Sinta-se em Casa (Feels Like Home) é um thriller psicológico claustrofóbico e extremamente instigante, que parte de uma premissa quase alegórica para construir uma contundente metáfora da sociedade húngara contemporânea e dos mecanismos que sustentam regimes opressores.


A trama acompanha Rita (Rozi Lovas), uma mulher que acaba de ser demitida da loja de calçados onde trabalhava após o abrupto encerramento das atividades do estabelecimento. Ao sair do local, ela é sequestrada por um homem desconhecido e acorda horas depois, amarrada e amordaçada em um quarto escuro e sem mobílias. Seu algoz é Marci (Áron Molnár), um homem que insiste em dizer que Rita é, na verdade, sua irmã desaparecida, e que ele não a sequestrou, apenas a trouxe de volta para casa. Ele inclusive a chama por outro nome, Szilvi, e a pune severamente cada vez que ela nega ser quem ele procurava.

Logo, assumir o papel que lhe é imposto deixa de ser uma escolha e passa a ser uma questão de sobrevivência, mas a falsa identidade é apenas a porta de entrada para uma situação muito mais estranha e perturbadora. Aceitando que é Szilvi, ela conquista o "direito" de conviver com o restante da família Árpád, composta por irmãos, tios e, sobretudo, o pai (Tibor Szérvet), responsável por comandar toda aquela dinâmica. Aos poucos, ela descobre que, com exceção do patriarca, todos os demais integrantes também são prisioneiros da mesma encenação. Todos são pessoas que, em algum momento, também foram obrigadas a cumprirem aqueles papéis, e se adaptaram a isso. 

Quando Rita percebe que a figura de Szilvi ocupa uma posição privilegiada aos olhos do pai, em comparação com os demais, ela passa a explorar essa condição estrategicamente, manipulando as regras daquele ambiente para enfraquecer a autoridade do patriarca e encontrar uma saída não apenas para si, mas para todos os que vivem sob aquele sistema. A partir daí, o filme brinca constantemente com a percepção de verdade e de poder, e trabalha sem pressa na construção de seus mistérios, tornando a jornada de compreensão da protagonista bastante verossímil. O diretor evita revelações apressadas e reviravoltas artificiais, permitindo que cada descoberta surja de maneira orgânica, e o resultado é um roteiro que sustenta muito bem a tensão, até chegar a um desfecho que desafia a lógica convencional mas que, de forma alguma, soa incoerente.

O aspecto mais interessante do filme é que ele não se sustenta apenas pela violência física, mas principalmente pela pressão psicológica provocada pela perda da própria identidade. À medida que os personagens abrem mão de quem são para sobreviver, tornam-se peças fundamentais na manutenção do próprio sistema que os aprisiona, até que, de maneira natural, também se tornam opressivos e cruéis. Nesse sentido, a família retratada pelo filme se transforma em uma representação inquietante de regimes autoritários, nos quais a opressão se sustenta tanto pela força quanto pela internalização de comportamentos e discursos que normalizam a submissão.

Crítica: Garça-Azul (2026)


Longa metragem de estreia da diretora canadense Sophy Romvari, Garça-Azul (Blue Heron) é um retrato extremamente sensível de sua própria infância, que transforma um drama familiar muito íntimo em um potente relato sobre amor, família, empatia e o poder que a arte tem de resgatar fragmentos da memória.


O filme começa nos apresentando a uma família húngara, composta por um casal (Ádám Tompa e Iringó Réti) e seus quatro filhos, que se muda para o Canadá em meados dos anos anos 1990. A história é contada sob a perspectiva de Sasha (Eylul Guven), de apenas oito anos, que observa atentamente tudo que acontece à sua volta. Em meio a mais uma mudança de endereço, os pais de Sasha precisam lutar para manter a harmonia dentro da família, enquanto seu filho mais velho, Jeremy (Edik Beddoes), vem apresentando comportamentos cada vez mais erráticos, autodestrutivos e perigosos. Sem amigos e bastante isolado, ele demonstra enorme sensibilidade em alguns momentos com a família, mas ao mesmo tempo, suas atitudes são sempre imprevisíveis, tornando-o uma incógnita para todos ao seu redor.

Em um dia, Jeremy sai sem rumo de casa; em outro, retorna algemado, acusado de cometer pequenos furtos. Ora deita na calçada, chamando a atenção dos vizinhos, ora sobe no telhado em meio a uma crise emocional. São atitudes aparentemente pequenas, mas que aumentam progressivamente a preocupação dos pais, não apenas pelo bem-estar do filho, mas também pelos impactos que tudo aquilo pode causar nos irmãos mais novos. Tudo isso em uma época em que ainda havia pouca compreensão e discussão sobre tratamentos adequados para casos semelhantes.


Enquanto as demais crianças se encantavam com os novos lugares a conhecer e os novos amigos a fazer, Sasha parecia ser a única que percebia que algo não estava bem, mesmo sem possuir maturidade suficiente para compreender exatamente o que era. Se a primeira metade do filme transcorre na década de 1990, a segunda promove uma ruptura significativa ao apresentar Sasha já adulta (agora interpretada por Amy Zimmer), tentando reconstruir as memórias daquele período para realizar um filme. Cineasta reconhecida, ela decide contar a história do irmão por meio de um documentário, o que a leva de volta aos lugares onde cresceu e viveu boa parte dos acontecimentos retratados anteriormente.

Em busca de respostas, Sasha revisita suas lembranças por meio de visitas aos locais da infância, consulta arquivos produzidos pela assistente social que acompanhava a família e entrevista especialistas contemporâneos para tentar entender se Jeremy recebeu o tratamento adequado na época ou se algo mais poderia ter sido feito. Nesse momento, Blue Heron passa a se aproximar mais do documentário do que da ficção, e torna-se evidente que Sasha é uma representação da própria Romvari, assim como o filme que ela tenta realizar é, em essência, o mesmo que estamos assistindo.

Ao reconstruir a trajetória do irmão, Romvari não busca apenas explicações clínicas para seu comportamento, mas também entender como aquela experiência moldou toda a dinâmica familiar. O filme observa com sensibilidade o papel dos pais, divididos entre a culpa, a preocupação constante e a sensação de impotência diante de uma situação para a qual pareciam não existir respostas adequadas. Por isso, os questionamentos feitos mais de vinte anos depois carregam um peso emocional genuíno: seria possível ter feito mais? Ou aquela família simplesmente lidou com as limitações de conhecimento e suporte existentes na época?


Por fim, Romvari demonstra enorme maturidade ao transformar uma história tão pessoal em uma obra capaz de dialogar com qualquer espectador. Sua abordagem evita soluções fáceis, julgamentos ou sentimentalismos excessivos, e o resultado é um filme delicado e profundamente humano, que encontra na memória não apenas um espaço de dor, mas também uma possibilidade de compreensão e reconciliação.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Crítica: O Mandaloriano e Grogu (2026)


O ambiente intergaláctico de Star Wars, criado por George Lucas em meados dos anos 1970, volta e meia é revisitado por meio de continuações e spin-offs, seja na televisão ou nos cinemas. Dentro deste universo, uma das produções mais aclamadas nos últimos anos foi a série The Mandalorian, criada por Jon Favreau, que acompanha um caçador de recompensas e seu inseparável "bebê Yoda", Grogu. Agora, em 2026, a dupla enfim ganhou sua aventura nas telonas, mas o resultado infelizmente se mostra frustrante, esquecível e bastante genérico em sua composição.


A trama de O Mandaloriano e Grogu, assim como a série, se passa após a queda do Império, retratada em O Retorno de Jedi (1983). Nela, acompanhamos o mandaloriano Din Djarin (Pedro Pascal), trabalhando à serviço da Nova República como uma espécie de justiceiro encarregado de caçar criminosos de guerra remanescentes da Era Imperial. Ao seu lado, está o seu aprendiz, o pequeno Grogu, que é da mesma raça do lendário Mestre Yoda, e que apesar de pequenino, tem o poder de dominar a "Força". Aqui, o roteiro pressupõe que o espectador já conhece a relação dos dois, e não se preocupa em contextualizar absolutamente nada. O filme inicia sem apresentações, e a escolha acaba criando uma barreira para novos espectadores, como se a intenção fosse apenas agradar aqueles que já são fiéis à série.

Sendo assim, logo na primeira cena vemos a dupla no meio de um conflito, onde Djari e Grogu invadem e destroem uma nave de remanescentes imperiais. Ao retornar à base da Nova República, eles recebem uma nova missão da Coronel Ward (Sigourney Weaver), líder da resistência que ajudou a derrubar o antigo regime e personagem de relevância histórica na saga Star Wars. A missão consiste em viajar até uma galáxia distante para capturar o Comandante Coyne, ex-oficial imperial que continua representando uma ameaça. Antes disso, porém, eles precisam resgatar Rotta, filho do lendário gângster Jabba, que está sendo mantido em cativeiro por seus próprios tios. Em posse de informações valiosas, ele será peça fundamental para localizar Coyne, embora convencê-lo a colaborar esteja longe de ser uma tarefa simples.


Visualmente, o filme mantém o padrão técnico elevado que se tornou marca registrada das produções recentes da franquia. Os efeitos especiais impressionam, os cenários apresentam escala grandiosa e o design de criaturas e veículos continua sendo um dos pontos fortes. O problema é que toda essa competência estética serve a uma narrativa incapaz de justificar sua própria existência dentro da saga. O roteiro não consegue escapar da narrativa episódica, e isso afeta muito o ritmo do filme. Os "capítulos" são tão bem delimitados que parecem episódios costurados uns aos outros, com conflitos que começam e terminam rapidamente antes que o próximo segmento entre em cena. A sensação constante é a de estar assistindo a uma temporada condensada, e não a uma obra concebida para o cinema, como se o filme estivesse sempre "recomeçando".

Para piorar, a relação entre os personagens é extremamente superficial. Não há desenvolvimento significativo, tampouco qualquer esforço para tornar Din Djarin mais interessante além da figura do guerreiro mascarado e invencível, transformando-o em uma espécie de "Rambo espacial" cuja jornada não consegue despertar curiosidade ou empatia. O mesmo não acontece com Grogu, que continua sendo o principal responsável pelos poucos momentos genuinamente divertidos do longa. Sua aparência e comportamento ainda despertam simpatia instantânea, e o roteiro lhe concede mais participação nas decisões e nos acontecimentos do que fazia na série.. Ainda assim, o personagem permanece limitado a um papel funcional, incapaz de sustentar sozinho o peso da narrativa.


Por fim, O Mandaloriano e Grogu soa como um projeto concebido mais por necessidade comercial do que por inspiração criativa. Para os fãs mais dedicados da série, a experiência talvez funcione como uma continuação confortável e familiar, mas para quem espera encontrar uma aventura capaz de justificar a transição para as telonas, resta apenas um espetáculo visual competente, porém vazio, que dificilmente deixará qualquer marca duradoura dentro da já extensa galáxia de Star Wars.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Crítica: Era Uma Vez Minha Mãe (2025)


Mchikpara é uma expressão de origem judaico-árabe que significa "dou minha vida por você", e poucas formas de amor traduzem tão bem esse sentimento quanto o amor de uma mãe, que vence barreiras físicas e emocionais e faz o possível e o impossível pelo bem dos seus filhos. É sobre essa devoção incondicional que fala Era Uma Vez Minha Mãe (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan), filme delicado do cineasta canadense Ken Scott, que se baseia na autobiografia do advogado e apresentador de televisão francês Roland Perez.


Na trama, é o próprio Roland quem narra a história de sua mãe, Esther (Leïla Bekhti), desde o ano em que ele nasceu, em 1963. Sexto filho de uma família de judeus radicada na França, o menino veio ao mundo com uma deformidade no pé direito, que segundo os médicos, o condenaria ao uso permanente de aparelhos ortopédicos. Rejeitando aceitar esse prognóstico, Esther tenta todas as formas que acredita serem possíveis para reverter a situação, e entre consultas com especialistas, tratamentos experimentais e orações diárias diante de um altar improvisado, ela se agarra praticamente sozinha à esperança de um milagre que parece nunca chegar, já que a figura paterna se mostra quase nula.

Roland cresce praticamente recluso dentro de casa, onde aprende a ler e escrever com a ajuda dos seus irmãos. O mundo exterior ele acompanha através da televisão, onde passa quase 24 horas do seu dia com os olhos grudados na programação. Enquanto isso, Esther encontra uma renomada médica disposta a tentar um tratamento inovador, alimentando a esperança de que o filho possa finalmente conquistar a mobilidade que lhe foi negada desde o nascimento. A partir daí, toda a rotina da família passa a girar em torno de sua recuperação, que é feita no próprio conforto do lar.

Por influência de uma das irmãs, Roland descobre a cantora Sylvie Vartan, tornando-se rapidamente um admirador apaixonado pela sua obra. Quando a artista sofre um grave acidente de carro e luta pela própria sobrevivência, sua história passa a servir de inspiração para o garoto, que encontra nela um exemplo de força e resiliência. Um fato curioso é que, já na vida adulta, Roland viria a trabalhar muito próximo de sua maior referência, sendo mais do que apenas um colaborador, mas um amigo e confidente.


Mesmo que em alguns momentos o filme flerte com o melodrama, Ken Scott demonstra sensibilidade suficiente para não permitir que a história se torne totalmente manipuladora. O diretor encontra equilíbrio entre humor, emoção e esperança, transformando uma trajetória marcada pela dor e pela superação em uma celebração da perseverança humana. Por fim, mais do que um relato sobre deficiência, Era Uma Vez Minha Mãe é uma homenagem comovente à força transformadora do amor materno.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Crítica: Michael (2026)


O subgênero das cinebiografias musicais vem sofrendo um desgaste ano após ano, com muitas ideias recicladas e roteiros preguiçosos, mas ainda sobrevive graças ao apelo popular em cima de grandes nomes da música e a pequenos respiros de originalidade trazidos por alguns cineastas. Dentro desta realidade controversa, surgiram obras muito boas recentemente, como Rocketman (Elton John) e Um Completo Desconhecido (Bob Dylan), mas também outras deploráveis, como Bob Marley: One Love (Bob Marley) e Back to Black (Amy Winehouse), que nem de perto faziam jus aos artistas retratados. Dentro deste contexto, dá para dizer que Michael, dirigido por Antoine Fuqua, fica exatamente no meio-termo dessa divisão, pois mesmo sem abrir mão de diversos clichês do gênero, o longa possui grandes acertos narrativos e momentos de genuína potência estética e musical.


O filme acompanha uma boa parte da história do "Rei do Pop", Michael Jackson, desde sua infância em Gary, Indiana, onde começou a cantar com seus irmãos no Jackson Five, até o momento em que passa a brilhar em carreira solo já na década de 1980. Quem interpreta Michael na fase infantil é Juliano Valdi, que demonstra muita competência, tanto nas sequências musicais quanto no controle dramático necessário para retratar uma infância conturbada e emocionalmente complexa. O filme desde cedo cria uma espécie de antagonismo para o pai dos garotos, Joe (Colman Domingo), que com a obsessão de vê-los se tornar um fenômeno musical, exige perfeição absoluta e pune severamente qualquer falha. De acordo com os relatos do próprio Michael em vida, o filme até suaviza parte dessas agressões paternais, que na vida real teriam sido muito mais graves e violentas do que apenas "surras de cinto".

Mesmo diante do comportamento agressivo do pai, o grupo consegue se manter unido e passa a ganhar cada vez mais espaço nas mídias, se tornando um grande sucesso, sobretudo pela voz, pelo carisma e pela desenvoltura do menino Michael em cima dos palco. O roteiro consegue trabalhar muito bem os conflitos internos e externos de Michael nesta fase, e também ilustrar referências que serviriam mais tarde como referência nas suas músicas e na sua estética visual. É ainda nesta fase que o filme também constrói a bonita relação de afeto entre Michael e sua mãe, Katherine (Nia Long), que não concordava com a agressividade do pai mas se via impotente diante da situação.


Quando o filme avança para a fase adulta, surge aquele que talvez seja seu maior trunfo: Jafar Jackson, sobrinho de Michael na vida real, que não apenas interpreta o cantor, mas praticamente o incorpora. Sua performance vai muito além da simples imitação, recriando voz, trejeitos, movimentos, olhares e até a energia física do artista com uma precisão impressionante. É algo que talvez a genética explique, mas a semelhança é tão absurda, que não é difícil imaginar, em diversos momentos, que estamos vendo o próprio Michael em cena, como se estivéssemos em documentário de sua carreira.

Outro ponto forte do filme, e não seria para menos, são suas sequências musicais. Fuqua aproveita ao máximo a presença magnética de Jafar e transforma o longa em um verdadeiro espetáculo audiovisual. Além das apresentações ao vivo, as recriações dos bastidores de videoclipes icônicos, como das músicas Beat It e Thriller, certamente estão entre os momentos mais marcantes do filme. Michael sempre foi conhecido pelo seu apreço pelo cinema, o que explica seus videoclipes grandiosos e muito bem elaborados, e o filme explora muito bem essa sua parte criativa, mostrando como ele era um artista completo.


Ao longo do filme, também ficamos conhecendo algumas figuras importantes da trajetória de Michael, como a executiva Suzanne de Passe, que foi essencial para que os irmãos assinassem com a Motown Records, e Bill Bray, chefe de segurança do cantor entre 1971 e 1996, que mais do que um protetor do artista, também se tornou um amigo e confidente. Outro ponto que o filme explora era o amor de Michael por animais, digamos, exóticos. Aparecem dividindo a casa com ele um ratinho, uma lhama, uma jiboia e até mesmo uma girafa, além é claro, do mais conhecido de todos, o chimpanzé Bubbles, que viveu por muitos anos com Michael e fez várias aparições públicas ao seu lado.

Sem transformar isso em discurso panfletário, o roteiro também toca sucintamente na questão do racismo estrutural presente na indústria musical da época, que em meados dos anos 1980, ainda não dava o espaço merecido à artistas negros. Com o lançamento de Billie Jean, a situação mudou, já que o videoclipe passou a ser amplamente exibido em canais como a MTV, abrindo caminhos para tantos outros.


Por fim, o que falta de ousadia para tratar aspectos mais polêmicos da vida de Michael, sobra em potência e, sobretudo, em respeito à figura retratada. Cada aparição do cantor em cena é tratada como um evento, deixando evidente não apenas o tamanho do artista em sua época, mas também sua permanência no imaginário das gerações futuras. Independente de qualquer controvérsia, é legal demais ver a música de Michael chegar aos jovens de hoje em dia através do filme. Isso, por si só, já faz obras como essa se tornarem necessárias. Agora resta esperar pela sequência, prevista para ser lançada nos próximos anos, e que deve mostrar os últimos anos de Michael.