quarta-feira, 15 de abril de 2026

Crítica: O Bolo do Presidente (2026)


Vencedor do Caméra d'Or em Cannes, prêmio concedido ao melhor longa-metragem de um diretor estreante, O Bolo do Presidente (The President's Cake) marca um debut tocante e emocionalmente pulsante do iraquiano Hasan Hadi., cujas referências dialogam expressivamente com cineastas "vizinhos" como Jafar Panahi e Abbas Kiarostami, conhecidos por transformar situações banais em narrativas que escalam de maneira quase absurda.


A trama se passa em abril de 1990, e tem como pano de fundo um Iraque economicamente devastado. Ainda sob os efeitos da guerra Irã-Iraque (1980–1988), o país enfrentava fome, escassez e um colapso estrutural que foi ainda mais acentuado pelas severas sanções internacionais, especialmente impostas pelos Estados Unidos, após o presidente Saddam Hussein decidir invadir o Kuwait. Mesmo diante de instabilidades e de um cenário caótico, Saddam sempre fez questão de manter uma tradição peculiar: celebrar o seu aniversário com festas grandiosas, sustentadas por bolos e acompanhamentos preparados pela própria população.

É importante contextualizar que, naquele período, Saddam Hussein vivia o auge do seu poder, e o culto à sua imagem era uma realidade presente no país inteiro. Seu rosto aparecia em praticamente todos os espaços públicos e privados, seja em pôsteres, murais pintados à mão ou em fotografias emolduradas, enquanto cânticos de exaltação eram entoados diariamente pela população, sobretudo nas escolas. Logo, comemorar seu aniversário quase como uma celebração coletiva de um povo.


Dentro desta realidade, cada instituição de ensino recebia a missão de selecionar os alunos que ficariam responsáveis pelas tarefas essenciais para a realização da festa, como a limpeza do espaço, a decoração, e principalmente a confecção do bolo. É aí que conhecemos Lamia (Baneen Ahmed Nayef), uma garota de nove anos da escola primária, que mesmo tentando escapar, tem o seu nome sorteado para ser a responsável da sua turma pelo bolo. Vivendo em uma zona rural com a avó Bibi (Waheed Thabet Khreibat), e sempre carregando a tiracolo o seu galo de estimação Hindi, ela então se vê obrigada a ir para a cidade atrás dos ingredientes. Sem dinheiro, avó e neta enfrentam a difícil tarefa de reunir o necessário em meio à escassez, pechinchando aqui e ali e fazendo o possível para contornar as limitações.

Gradualmente, a narrativa vai transcendendo a simplicidade da sua premissa, revelando-se muito mais do que uma simples história sobre um bolo. Fragilizada pela doença, a avó enxerga na viagem uma oportunidade de garantir um futuro melhor para a Lamia, planejando entregá-la a um casal disposto a criá-la em melhores condições de vida. Ao perceber as intenções da avó, a menina foge, e passa a perambular pela cidade na companhia do seu amigo e colega de classe Saeed (Sajad Mohamad Qasem), que por sua vez, é quem ficou encarregado de conseguir as frutas da celebração.

A partir daí, a jornada dos dois pelas ruas se consolida como o eixo central do filme, enquanto, em paralelo, a avó recorre à polícia na tentativa de encontrar a neta, dando início a uma busca que carrega, ao mesmo tempo, desespero e resignação. Ainda que não haja um discurso político explícito, a dimensão social se impõe de forma orgânica, revelando através de pequenas situações, os impactos profundos daquele contexto na vida dos personagens. Não há, por exemplo, uma paranoia declarada, mas a constante presença de caças cruzando o céu funciona como um lembrete de que algo está errado.


Por fim, Hasan Hadi constrói uma obra que encontra força justamente na delicadeza, transformando uma missão aparentemente trivial em um retrato sensível sobre infância, perda e sobrevivência em meio ao caos, sem jamais ceder ao excesso melodramático. O maior acerto do filme está no contraste entre a inocência de seus protagonistas e a brutalidade do mundo ao redor, potencializado pelas atuações impressionantes do elenco mirim.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Crítica: A Sombra do Meu Pai (2026)


A eleição presidencial de 1993 na Nigéria foi um daqueles acontecimentos que marcam para sempre a história de um país. Após uma década de ditadura militar, o pleito representava uma possível guinada à democracia, reacendendo na população a esperança por mudanças concretas. No entanto, após perder nas urnas, o governo vigente alegou fraudes e anulou o resultado, o que resultou em uma onda de protestos violentos por parte dos civis e abriu caminho para a eclosão de um novo golpe militar que se estenderia até 1999.


A Sombra do Meu Pai (My Father's Shadow), longa de estreia do nigeriano-britânico Akinola Davies Jr., mergulha nesse período turbulento a partir de um olhar íntimo, nostálgico e profundamente pessoal do diretor. Escrito em parceria com seu irmão mais velho, o roteiro acompanha Akinola (Godwin Egbo) e Olaremi (Chibuike Marvellous Egbo), dois irmãos de oito e onze anos, que deixam o vilarejo onde vivem para ir até Lagos na companhia do pai, Folarin (Sopè Dìrísù). Oficialmente, a viagem tem um objetivo claro: o homem quer ir pessoalmente cobrar o chefe que não lhe paga há seis meses; na prática, porém, também carrega um lado afetivo: aproveitar a ocasião para apresentar aos filhos a vida na capital do país, que até então lhes era desconhecida.

Ao longo do trajeto, o encantamento dos meninos diante daquele novo mundo surge de forma natural. Lagos se revela como um espaço vibrante, caótico e fascinante, um contraste direto com a realidade de onde vieram. O pai, que cresceu na cidade, atua quase como um guia sentimental, revisitando lugares da sua juventude, compartilhando histórias e reencontrando figuras de seu passado. É uma jornada que mistura descoberta e memória, e que de certa maneira remete ao sensível Aftersun, da diretora Charlotte Wells, que também usa seu filme como uma ferramenta particular de reconexão afetiva.


No entanto, ao contrário do filme de Wells, que acompanha um pai em uma viagem de férias com sua filha, aqui a atmosfera que envolve a viagem dos personagens é constantemente atravessada por tensões. A instabilidade política não funciona apenas como pano de fundo, mas é parte integrante do drama, moldando o ambiente e contaminando até os instantes mais simples. Caminhões militares, discussões acaloradas entre apoiadores e opositores do regime, e manchetes que traduzem a ansiedade coletiva compõem um cenário onde a inocência infantil convive com uma inquietação latente. Mesmo sem compreender completamente o que está acontecendo, os meninos sentem o peso daquele momento histórico e o receio do que virá dali para frente.

O mais tocante de tudo (e algo que descobri apenas depois de assistir o filme) é que o pai do diretor, na realidade, morreu quando ele era apenas um bebê. Ou seja, o filme não apenas revisita memórias da infância: ele as inventa, as reconstrói, e serve para preencher lacunas irreversíveis deixadas por algo que nunca pôde ser vivido de verdade. Há algo profundamente comovente nessa tentativa de criar um passado possível, de imaginar conversas, gestos e experiências com o pai, que não existiram na vida real, mas que agora passam a existir, para sempre, no cinema.


Confesso que sabia muito pouco sobre a política nigeriana antes de assistir ao filme, mas isso em momento algum comprometeu a experiência. Pelo contrário: a obra encontra sua força justamente na maneira como transforma um contexto histórico específico em uma vivência universal, onde memória, ausência e pertencimento falam mais alto do que qualquer explicação formal. Filmado em 16mm, A Sombra do Meu Pai carrega o calor nostálgico de um filme caseiro, feito de amor e saudade, e encanta sobretudo pela simplicidade.

Crítica: A Noiva! (2026)


Depois de sua promissora estreia na direção em 2021 com o drama intimista A Filha Perdida, Maggie Gyllenhaal volta às telas com A Noiva! (Bride!), trabalho que segue na direção oposta do anterior e se apresenta como um filme caótico, frenético e extremamente ousado. Inspirado em A Noiva de Frankenstein (1935), o filme parte de uma premissa bastante instigante e provocativa, mas infelizmente se perde no caminho ao acumular ideias excêntricas sem a coesão necessária para sustentá-las.

A trama inicia na Chicago dos anos 1930, marcada pela violência urbana e pelo domínio do crime organizado. A narrativa é conduzida pela escritora Mary Shelley (Jessie Buckley), que surge estranhamente como uma figura espectral em registros nebulosos e em preto e branco, como se estivesse vivendo em uma espécie de "limbo". Ela anuncia ao espectador que tem uma história para ser contada; uma que ela não conseguiu contar enquanto ainda era viva. Logo, conhecemos Ida (também interpretada por Buckley), que após um surto psicótico em um jantar com pessoas da elite, acaba sendo morta por capangas de um poderoso gângster.

Paralelamente, o filme nos leva a outro ponto da cidade, onde a criatura de Frankenstein (Christian Bale), aqui chamada simplesmente de Frank, procura a Dra. Euphronius (Annette Bening), uma cientista renomada e especialista em reanimação. Seu pedido é claro e direto: ele quer que ela crie uma parceira para ele, alguém com quem possa compartilhar a existência e escapar da solidão que o define. Após desenterrarem o corpo de Ida, a doutora a traz de volta à vida por meio de suas engenhocas elétricas, e Frank se aproveita da ausência de memória da jovem para convencê-la de que os dois eram noivos antes de um suposto acidente ter lhe causado amnésia.


Diante deste encontro entre duas criaturas renascidas da morte e inseridas dentro de um universo frio e pouco acolhedor, o filme parecia ter em mãos um enorme potencial e inúmeras possibilidades narrativas a serem exploradas. Porém, o que se vê é um grande desperdício de ideias. A expectativa por uma abordagem mais consistente e crítica, como a vista no ótimo Pobres Criaturas do diretor Yorgos Lanthimos, dá lugar a uma sucessão de cenas desconexas, nas quais a diretora parece mais interessada em chocar do que em construir uma narrativa minimamente racional.

Não fica claro qual é, afinal, a proposta de Gyllenhaal. Há indícios de uma releitura feminista, elementos de uma fábula sobre identidade, traços de um road movie e até mesmo referências a thrillers no estilo Bonnie & Clyde, mas nada disso se desenvolve de forma satisfatória. Personagens surgem e desaparecem sem impacto, conflitos são introduzidos e abandonados, e a própria transformação da criatura em símbolo de revolução ocorre de maneira abrupta e pouco fundamentada. A trama mafiosa por trás, os detetives que perseguem o casal, tudo soa superficial e mal articulado.


É inegável, entretanto, que Jessie Buckley se destaca em meio ao caos. Em um papel duplo, a atriz, que ganhou o Óscar este ano por Hamnet, prova ainda mais sua versatilidade na pele desta personagem dúbia e extremamente vulnerável. Mesmo quando a narrativa se fragmenta, Buckley permanece como um dos poucos pontos harmônicos, entregando uma performance visceral. Soma-se a isso uma fotografia estilizada, marcada por contrastes fortes e uma atmosfera decadente que, em alguns momentos, me fez lembrar o trabalho visto em Coringa: Delírio a Dois.

No entanto, para uma diretora que demonstrou tanto controle e sensibilidade em A Filha Perdida, é frustrante ver Maggie Gyllenhaal se perder em um projeto extremamente pretencioso. A Noiva! até apresenta lampejos de criatividade estética, mas carece de nexo e propósito. E o que poderia ter sido uma releitura provocadora do universo de Mary Shelley se transforma em um filme que grita o tempo todo, mas que, ironicamente, não tem nada a dizer.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Crítica: O Estrangeiro (2026)


Obra-prima do escritor e filósofo Albert Camus, O Estrangeiro é um dos pilares do existencialismo e do absurdismo, tendo sido adaptada diversas vezes para as telas e para o teatro ao longo das décadas. A versão cinematográfica mais famosa até então havia sido a de 1967, dirigida pelo italiano Luchino Visconti e estrelada por Marcello Mastroianni, que chegou a concorrer ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Agora, sob a direção do competente François Ozon, a obra ganha uma nova releitura, que expande o universo do personagem sob a perspectiva de um diretor conhecido por sua forte veia autoral.


O filme inicia em 1930, apresentando um breve carrossel de imagens de Argel, capital da Argélia, acompanhado por uma narração que enaltece uma cidade pulsante e culturalmente multifacetada, impulsionada pela colonização francesa. No fim das imagens, no entanto, é possível identificar a divisão latente que havia naquele período: de um lado os árabes da Frente de Libertação Nacional, que queriam um país livre da colonização europeia; do outro, os nativos que defendiam continuar sendo, de certa maneira, explorados. Neste contexto, acompanhamos o jovem francês Meursault (Benjamin Voisin) chegando à prisão da cidade, condenado após matar um árabe.

A narrativa então retrocede no tempo, e mostra o momento em que Meursault recebe a notícia da morte de sua mãe durante o trabalho. Ele se dirige ao asilo onde ela viveu seus últimos anos, onde é recebido pelo diretor da instituição, e encara o velório ao lado dos outros internos com uma frieza desconcertante. Ele sequer demonstra interesse em ver o corpo da mãe pela última vez, como se estivesse apenas cumprindo uma formalidade burocrática. Esse início estabelece com precisão a essência do protagonista: um homem de poucas palavras, sem ambição alguma, e marcado por uma indiferença quase absoluta diante das convenções sociais e das emoções humanas.


Logo após o enterro, Meursault se envolve com Marie (Rebecca Marder), e até mesmo esse romance é conduzido sob o viés da apatia. Eles frequentam a praia, vão ao cinema, fazem sexo e dormem juntos, tudo isso no dia seguinte à morte da mãe do personagem, como se nada tivesse acontecido. Paralelamente, seu amigo Sintès (Pierre Lottin), um sujeito violento e moralmente questionável, agride constantemente sua amante árabe, passando a ser ameaçado pelos irmãos dela. Essa relação acaba convergindo diretamente para o episódio trágico que levará Meursault à prisão, evidenciando como a violência ao seu redor atua menos como um choque moral e mais como um elemento quase neutro em sua percepção do mundo.

Após o crime, o filme entra em sua segunda metade, centrada na prisão e no julgamento de Meursault. Mais do que o crime cometido, é sua personalidade que passa a ser julgada. A acusação constrói a imagem de um homem incapaz de sentir, alguém que não chorou no enterro da própria mãe, que não demonstrou qualquer gesto de afeto ou luto, e que, pouco depois, entregou-se a prazeres cotidianos sem remorso aparente. Sua apatia, mais do que o assassinato, torna-se o verdadeiro objeto de condenação.

Apesar de se manter relativamente fiel ao romance de Camus, Ozon toma liberdades significativas. A vítima de Meursault, que no livro permanece reduzida à designação genérica de “um árabe”, aqui ganha nome, Moussa, além de um contexto político e humano que confere maior peso à perspectiva argelina, historicamente silenciada na obra original. O diretor também amplia o pano de fundo da colonização, transformando aquilo que na obra de Camus era quase abstrato em um elemento estruturante da narrativa. Por fim, ao abrir mão da narração em primeira pessoa, Ozon também opta por um distanciamento radical: em vez de acessar os pensamentos de Meursault, somos forçados a observá-lo de fora, o que intensifica o desconforto e a estranheza diante de sua conduta.


A fotografia em preto e branco reforça essa proposta estética, acentuando o vazio emocional que permeia a narrativa. Talvez o maior acerto da versão de François Ozon seja justamente não tentar suavizar o absurdo proposto por Albert Camus. Ao manter o espectador à distância, sem oferecer respostas e sentido para tudo que acontece, o filme preserva a essência de um mundo indiferente, onde a moral é um conceito frágil.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Crítica: Paul McCartney: Man on the Run (2026)


O cineasta Morgan Neville venceu o Óscar de melhor documentário em 2014 com A Um Passo do Estrelato, que contava a trajetória artística das "backing vocals" que contribuíram harmonicamente em algumas das canções mais famosas do mundo, mas que permaneceram à margem da fama, sempre no anonimato. Com Paul McCartney: Man on the Run, ele mostra o extremo inverso da indústria musical, ao acompanhar um dos maiores nomes da história, Sir. Paul McCartney, em um momento paradoxalmente sensível e extremamente frágil de sua carreira.


O documentário se apoia em um vasto e valioso material de arquivo para reconstruir o período posterior ao fim dos Beatles, que ocorreu extraoficialmente em 1969. Sobre a chamada "maior banda de todos os tempos", parece não haver mais o que mostrar, após tantas obras já terem adentrado profundamente na rotina do grupo. O que Neville faz aqui, no entanto, é deixar o mito coletivo de lado para focar no indivíduo. A reclusão de Paul em uma zona rural da Escócia, ao lado da família, ganhou contornos quase míticos na época, alimentando rumores absurdos na mídia sobre sua possível morte. Enquanto isso, longe dos holofotes, Paul tentava se reconectar com a própria identidade criativa, entre paisagens verdejantes e a lida com os animais do campo. É neste isolamento que surgem suas composições mais íntimas, que resultaram em um primeiro álbum solo registrado com seu simples gravador de quatro canais.

Partindo deste momento reflexivo e recluso de Paul, o filme acompanha cerca de doze anos na sua trajetória musical, até o ano de 1981, quando a banda Wings, que ele formou junto com sua esposa Linda, o guitarrista Denny Laine e o baterista Denny Seiwell, chegou ao fim. O retrato bastante pessoal, que conta com a narração do próprio Paul, é marcado por uma riqueza de detalhes que equilibra leveza e tensão. Há espaço tanto para momentos descontraídos quanto para passagens mais densas, especialmente quando aborda a animosidade que surgiu entre ele e John Lennon após a separação da banda, uma ruptura permeada por ressentimentos e mal-entendidos, que o tempo trataria de apaziguar, ainda que não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais sensíveis do filme está na maneira como ele retrata a figura de Linda McCartney. Ela foi peça fundamental na reconstrução artística e emocional de Paul, e sua presença constante, incentivando e participando ativamente do novo projeto musical, revela uma parceria que extrapolava o campo afetivo, e que se manteve sólida até 1998, ano em que infelizmente ela veio a falecer vítima de um câncer de mama. Fotógrafa de carreira notória, com trabalhos publicados em veículos importantes como a revista Rolling Stone, Linda assumiu os teclados do Wings a convite de Paul, decisão que lhe rendeu críticas duras e uma perseguição frequentemente misógina, algo que ela mesma sempre enfrentou com firmeza, sobretudo no palco, com performances cheias de energia.

Man on the Run se revela, no fim das contas, um retrato profundamente humano de alguém que precisou se reinventar diante do colapso daquilo que definia sua identidade pública. A trajetória posterior de McCartney fala por si, mas o grande mérito do filme é justamente revisitar aquele momento em que essa continuidade ainda era uma incerteza, nos lembrando que até mesmo os maiores nomes da história já precisaram, em algum momento, começar de novo. Para os fãs, como eu, trata-se de um material emocionante e imperdível.