Craig Brewer é um diretor conhecido por demonstrar um interesse particular no poder transformador da música em suas narrativas. Foi assim em Ritmo de um Sonho (2005) e no remake de Footloose (2011), filmes que tratam a música não apenas como pano de fundo, mas como motor emocional dos seus personagens. Inspirado no documentário homônimo de 2008, Song Sung Blue reafirma essa inclinação do cineasta ao acompanhar a trajetória de dois cantores que tentam reorganizar a própria vida por meio da arte.
A história gira em torno de Mike Sardina (Hugh Jackman), um artista frustrado que tentou seguir carreira autoral no passado, mas que acabou encontrando seu sustento ao imitar outros cantores em apresentações de bares. Caracterizado como Don Ho, ele conhece Claire (Kate Hudson), uma cabeleireira que também complementa a renda interpretando cantoras famosas. A conexão entre os dois surge instantaneamente, e logo se transforma também em parceria artística. Juntos, eles criam o duo Lightning & Thunder, com um show tributo a Neil Diamond que alcança relativo sucesso no estado do Wisconsin, até que uma tragédia pessoal atravessa suas vidas.
Se, por um lado, as sequências musicais são envolventes, vibrantes e prazerosas de assistir, o mesmo cuidado não se estende aos conflitos dramáticos. Brewer apela para soluções excessivamente melodramáticas, tratando os dilemas dos personagens com pouca sutileza. Ainda que a história real de Mike e Claire comporte uma virada emocional potente, o diretor falha na intensidade do drama, resultando em cenas que soam artificiais e enfraquecem o impacto final.
Nada disso, porém, pode ser atribuído ao elenco. Hugh Jackman e Kate Hudson exibem uma química convincente, sustentando o filme mesmo quando o roteiro acelera etapas importantes da relação. São dois personagens solitários mas cheios de energia, que encontram no outro um novo impulso para seguir em frente. Entre eles, no entrando, Hudson acaba se destacando um pouco mais, ao entregar uma atuação sensível e carismática, que acabou inclusive lhe rendendo a indicação ao Oscar de Melhor Atriz este ano.
Por fim, Song Sung Blue funciona mais quando confia na música e em seus intérpretes do que quando tenta forçar a comoção pelo drama. Ainda assim, é impossível negar a sinceridade de suas intenções, mesmo que a execução seja irregular. O filme nunca tenta ser maior do que é e, no fim das contas, se revela acima de tudo como uma homenagem sensível a quem tenta sobreviver da arte mesmo com todos os percalços pelo caminho.

















