Devo iniciar essa crítica deixando claro que escrevo ela muito mais com a emoção do que com a razão. Afinal, Green Day foi a primeira banda que eu me considerei verdadeiramente fã quando comecei a ouvir música no início dos anos 2000. Na adolescência, fiz parte de um clube de fãs, que se juntava na Redenção, em Porto Alegre, para tocar músicas da banda no violão. Na mesma época, comprei toda a discografia em CD's, tinha pôsteres deles espalhados pelas paredes do meu quarto, e cheguei a acampar para pegar grade no primeiro show da banda por aqui. Dito isso, é claro que fiquei muito curioso para ver Nimrods - A Green Day Comedy, filme inspirado na história real de Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool antes da fama.
Evidentemente, sabia que não deveria esperar grandes méritos técnicos de uma obra que prometia ser despretensiosa. No entanto, me surpreendi positivamente com um filme que, apesar de simples, consegue ser maduro em sua proposta. Em uma época onde até comédias parecem ser obrigadas a apresentar algum conceito moral, o diretor Lee Kirk não se apega a essa preocupação, e diverte justamente por nos remeter a boas comédias musicais do passado, como Rock n' Roll High School (1979) e Detroit Rock City (1999).
O roteiro acompanha Tommy (Mason Thames), Fred (Kyrl Coffman) e Ched (Ryan Foust), três jovens que formam a banda de garagem Analog Dogs. Enquanto Tommy e Fred são típicos adolescentes rebeldes, que fogem da escola e rejeitam qualquer tipo de controle, Ched se mostra um verdadeiro "nerd", parecendo completamente deslocado do grupo. Isso, porém, não abala a forte amizade que existe entre os três, e o desejo compartilhado de assistir a banda favorita, Green Day, que irá tocar na cidade na semana do natal.
No caminho, vários percalços atrapalham a jornada, como um carro estragado, uma experiência com alucinógenos e até um suposto serial killer. Entretanto, as situações bizarras e engraçadas vão apenas reforçando o espírito de união e amizade entre eles, sempre com a boa música do Green Day por trás. Há rebeldia, há algumas ações irresponsáveis, mas há também personagens extremamente simpáticos, que conseguem conquistar imediatamente o espectador.
O roteiro é previsível do início ao fim, mas o diretor conduz tudo de uma maneira que isso não soe cansativo e nem estrague a experiência como um todo. Para quem é fã da banda, claro que é um prato cheio. Além das músicas, temos diversas referências diretas à banda, como o coelho Bunny, a guitarra Blue (clássico instrumento do vocalista Billie Joe Armstrong), uma guerra de lama em um show de punk rock, e claro, os próprios membros da banda aparecendo como eles mesmos. Mas o filme funciona até mesmo para quem não é fã, e apenas gosta de um filme descompromissado e que não tenta disfarçar suas limitações.











