segunda-feira, 13 de julho de 2026

Crítica: Obsessão (2026)


"Muito cuidado com aquilo que você deseja, pois esse desejo pode se tornar realidade." O famoso e controverso alerta popular serve como ponto de partida para a provocante história de Obsessão (Obsession), filme dirigido por Curry Barker que, desde o seu lançamento, vem gerando uma enorme repercussão, e que se consolidou como o grande fenômeno do terror neste primeiro semestre de 2026.


A trama acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem extremamente tímido que é secretamente apaixonado pela amiga de infância e agora colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette). Apesar da intensa paixão, ele nunca teve coragem de assumir os seus sentimentos, permanecendo preso à chamada "friedzone". A premissa, que remete a uma típica comédia romântica, ganha contornos sombrios quando Bear entra em uma loja de artefatos esotéricos e compra um misterioso "salgueiro dos desejos", objeto que promete realizar qualquer desejo daquele que partir seu graveto ao meio.

Embora não acredite em seus poderes, Bear acaba levando o artefato por achar sua estética curiosa e imaginar que seria um bom presente para dar a Nikki quando finalmente se declarar. No entanto, angustiado por mais uma vez se ver silenciado pela vergonha e pelo medo da rejeição, Bear resolve usar o artefato para si mesmo, fazendo o desejo mais previsível possível: pedindo que Nikki o amasse mais do que qualquer coisa. O pedido se concretiza imediatamente, mas Bear logo descobre que não estava preparado para as consequências devastadoras e para o preço que pagaria por transformar um sentimento que deveria ser livre, em pura imposição.


O aspecto mais interessante do roteiro é o dilema moral que ele apresenta, pois justamente quem deveria representar a ameaça acaba sendo a maior vítima da história. Nikki passa a ser escravizada por um sentimento que jamais escolheu sentir, e obrigada a corresponder a uma paixão de maneira completamente irracional. E aqui é impossível não destacar a atuação de Navarrette, que é simplesmente brilhante. A transformação perturbadora de uma jovem doce e cheia de vida em alguém consumido por uma obsessão doentia acontece de forma gradual e convence justamente pela atuação impressionante da atriz.

Essa mudança comportamental rapidamente chama a atenção de amigos e colegas de trabalho de Nikki, enquanto rumores começam a surgir na tentativa de encontrar uma explicação. Ao mesmo tempo, Bear, que inicialmente acredita estar vivendo um sonho ao finalmente ter seu amor correspondido, passa a experimentar o lado mais sombrio dessa fantasia quando Nikki adota atitudes cada vez mais possessivas, violentas e autodestrutivas. O filme retrata um relacionamento abusivo levado ao seu limite, mas com uma particularidade que torna tudo ainda mais inquietante: é impossível culpá-la por seus atos, já que aquele comportamento nunca foi uma escolha sua.


Vivendo um momento de enorme prestígio, refletido no recente reconhecimento da Academia a produções do gênero, o terror ganha mais um diretor promissor. Em seu longa de estreia, Curry Barker demonstra segurança tanto na construção da tensão quanto na condução do horror gráfico. Sem economizar na violência física e nas cenas sangrentas, cria sequências que permanecem na memória muito depois dos créditos finais, deixando claro que seu nome merece ser acompanhado de perto daqui pra frente. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Crítica: As Ovelhas Detetives (2026)


Filmes com animais falantes possuem uma doçura e um ar de inocência que só quem viveu a Sessão da Tarde nos anos 1990 lembra bem como era. Crescemos assistindo ao porquinho atrapalhado de Babe, ao trio inseparável de A Incrível Jornada, ao ratinho de Stuart Little, e a tantas outras obras do gênero que possivelmente só teriam dado certo naquele momento, já que no cinema de hoje a premissa soa bastante boba. Ainda assim, em pleno 2026, As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives) surge como uma ótima adição à lista de filmes já citados, e tem tudo para, em alguns anos, também ser lembrado como um dos grandes representantes do subgênero.


A trama acompanha George Hardy (Hugh Jackman), um pastor de ovelhas que vive no pacato vilarejo fictício de Denbrook, no interior da Inglaterra. Ele apresenta seus animais, sua rotina camponesa e seu pequeno vilarejo através de uma carta endereçada à sua filha Rebecca (Molly Gordon), que mora nos Estados Unidos, convidando-a para finalmente conhecer o lugar. No passado, George precisou entregá-la para adoção ainda bebê e apenas agora, décadas depois, descobriu seu paradeiro, decidindo reconstruir o vínculo que nunca pôde existir.

No dia a dia, George trata seu rebanho com enorme carinho e atenção, nomeando cada ovelha e cuidando delas como se fossem verdadeiros membros da família. Toda noite ele reúne os animais em frente ao trailer onde mora para ler um romance policial, sem imaginar que eles acompanham atentamente cada capítulo para, depois, discutirem a história entre si. Como em outros filmes do gênero, os animais não falam com os humanos, apenas entre eles, e é justamente dessa premissa que nasce um dos aspectos mais encantadores da obra.


O diretor constrói uma cultura própria para as ovelhas, cuja forma de interpretar o mundo humano desperta curiosidade constante. Elas tentam compreender conceitos como religião, a vida agitada das cidades, a maldade e, principalmente, o luto. Há, inclusive, uma passagem particularmente bonita em que as ovelhas adultas explicam aos filhotes que aqueles que partem se transformam em nuvens de algodão. É um momento de grande sensibilidade, que utiliza a ingenuidade dos animais e a individualidade de cada um para refletir sobre temas profundamente humanos.

Após uma noite de tempestade, o rebanho encontra George morto no pasto. A polícia conclui rapidamente que a causa foi um ataque cardíaco e não demonstra interesse em investigar além do necessário. As ovelhas, no entanto, tem certeza de que ele foi assassinado, talvez influenciadas pelas histórias de crime que ele mesmo contava. Convictas disso, passam a formular hipóteses e tentam conduzir discretamente o policial Tim Derry (Nicholas Braun) até a verdade, recorrendo aos pequenos sinais que conseguem transmitir aos humanos.


É um filme fofo e singelo, e cuja premissa jamais soa ridícula. A estrutura clássica dos romances de detetive conduz a narrativa e culmina em uma resolução divertida, que demonstra conhecer muito bem as convenções do gênero. A revelação final ironiza essas fórmulas ao mostrar que as ovelhas já haviam compreendido praticamente toda a verdade apenas por reconhecerem padrões presentes nas histórias que George costumava ler: uma morte misteriosa, interesses financeiros, suspeitos improváveis e a inevitável reviravolta. Mais do que uma homenagem aos tradicionais filmes de animais falantes, As Ovelhas Detetives também se revela uma divertida carta de amor às narrativas policiais, equilibrando humor, emoção e mistério com uma delicadeza difícil de encontrar no cinema contemporâneo.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Crítica: O Afinador (2026)


Dirigido por Daniel Graham em sua estreia em longas-metragens, O Afinador (Tuner) parte de uma premissa curiosa, ao transformar um profissional que normalmente atua nos bastidores da música em peça fundamental de uma trama criminal. Misturando drama, suspense e elementos de filmes de assalto, a obra explora uma habilidade incomum de seu protagonista para construir tensão e conduzir a história por caminhos cada vez mais perigosos.


O filme acompanha Niki (Leo Woodall), que cresceu como um prodígio do piano. As circunstâncias da vida, porém, o fizeram abandonar a carreira ainda jovem e, hoje, ele trabalha como afinador de pianos ao lado de seu mentor, o experiente Harry Horowitz (Dustin Hoffman). O ofício exige um ouvido extremamente apurado, e isso Niki possui de sobra, sendo capaz de identificar qualquer nota ou frequência sonora com precisão impressionante. Paradoxalmente, Niki sofre de hiperacusia, uma condição que provoca extrema sensibilidade auditiva e o obriga a utilizar fones e abafadores de ruído o tempo inteiro para suportar os sons cotidianos. 

O conceito se torna ainda mais interessante porque a profissão retratada raramente recebe atenção no cinema, ou mesmo fora dele. Embora seja de conhecimento geral que pianos necessitam de manutenção periódica, poucas pessoas já tiveram contato com um afinador ou sabem exatamente como funciona esse trabalho. O filme se aproveita dessa familiaridade distante para construir uma premissa que soa simultaneamente inusitada e plausível, despertando curiosidade sobre um universo pouco explorado.

Por conta de suas habilidades, Niki acaba recebendo um convite incomum de Uri (Lior Raz), líder de uma gangue que pratica assaltos a grandes residências. Por conseguir ouvir o som quase imperceptível dos mecanismos internos das fechaduras, e consequentemente violar os cofres com certa facilidade, ele se torna uma peça valiosa para o grupo criminoso, e inicialmente aceita o trabalho motivado pela necessidade de ajudar financeiramente Harry, que está hospitalizado entre a vida e a morte enquanto acumula uma extensa dívida médica. O ponto central do filme é justamente este: transformar uma profissão aparentemente simples no elemento chave de uma trama de assalto. O envolvimento de Niki com o grupo criminoso, no entanto, rapidamente sai do controle. Depois de obter o dinheiro que precisava, ele tenta abandonar aquela vida, mas passa a ser chantageado pelos criminosos, que sabem o quanto suas habilidades são essenciais para o sucesso das operações.

O roteiro opta por caminhos bastante previsíveis, recorrendo a coincidências e conveniências narrativas em diversos momentos. No entanto, a forma como Graham trabalha a questão do som e da música, sempre centrando a narrativa na percepção auditiva de seu protagonista, evita que ele se torne superficial. Há sequências em que a imersão sonora é realmente impactante, como se o espectador estivesse compartilhando a mesma condição de Niki, ouvindo cada detalhe, cada ruído e cada interferência com intensidade ampliada. Esse recurso não apenas fortalece a tensão, mas também potencializa a essência da obra.

O próprio protagonista também desperta questionamentos ao longo da narrativa, e seu passado é envolto em mistério. Niki aparenta ser um homem profundamente solitário, marcado por acontecimentos que nunca são completamente revelados ao público. Seu principal ponto de transformação surge a partir da relação com a talentosa pianista Ruthie (Havana Rose Liu), e da necessidade de impedir que suas escolhas comprometam o futuro promissor dela. É nesse conflito que o filme encontra sua dimensão mais humana, indo além da simples mecânica dos assaltos para explorar culpa, responsabilidade e a busca por redenção.

Se há uma fragilidade evidente na narrativa, ela está em alguns personagens coadjuvantes. Harry, interpretado por Dustin Hoffman, acaba sendo utilizado de maneira bastante limitada. Apesar do peso que sua presença exerce sobre as decisões de Niki, o personagem raramente ultrapassa a função de oferecer conselhos ocasionais, comentários espirituosos e pequenas doses de humor. Fica a impressão de que sua participação existe mais para emprestar ao filme o prestígio de um dos nomes mais consagrados de Hollywood do que para desempenhar um papel verdadeiramente relevante dentro da trama.


Por fim, mais do que um thriller sobre roubos, O Afinador acaba funcionando também como uma reflexão sobre talentos que podem se transformar em fardos. A mesma sensibilidade auditiva que torna Niki extraordinário é também aquilo que o distancia das pessoas e o conduz para situações das quais parece impossível escapar. Uma obra envolvente, que mesmo recheada de clichês, se sustenta pela premissa original e por uma abordagem sonora capaz de transformar até mesmo o mais discreto dos ruídos em uma fonte constante de tensão.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Crítica: Um Triste e Belo Mundo (2025)


Longa-metragem de estreia do libanês Ciryl Aris, Um Triste e Belo Mundo (Nujum Al'Amal W Al'Alam) foi o representante do país na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. A obra apresenta uma história que, em essência, demonstra o quão desafiador pode ser o amor quando ele precisa sobreviver às instabilidades de um país mergulhado em crises, onde o dia de amanhã é sempre uma incógnita.


Yasmina (Mounia Akl) e Nino (Hasan Akil) nasceram praticamente ao mesmo tempo, em meio a um bombardeio da Guerra Civil Libanesa que atingiu a maternidade onde estavam. O dia ficou marcado na história por dois opostos: de um lado, um massacre ocorrido no país deixava o mundo em choque; do outro, o país comemorava o lançamento do primeiro foguete, que alavancava sua corrida espacial. É neste cenário de contrastes que os dois chegam ao mundo, sem imaginar que seus destinos permaneceriam conectados pelos próximos trinta anos.

Após mostrar a infância de Yasmina ao lado da família, o filme avança cerca de duas décadas e passa a acompanhar Nino já adulto, administrando um restaurante. Para quem assistiu à série The Bear, o ambiente da cozinha remete imediatamente ao mesmo clima de tensão constante: gritos, correria e caos. Ao deixar o trabalho dirigindo, ele tem a visão prejudicada por objetos que atingem o para-brisa e acaba invadindo um estabelecimento, ferindo uma mulher. Após prestar socorro, ele a acompanha até o hospital e, tentando amenizar os ânimos exaltados da família, oferece um jantar gratuito para todos. O que não esperava era descobrir que a filha da vítima era justamente Yasmina, transformando um acontecimento aparentemente trágico em mais um divisor de águas na trajetória dos dois.


Com uma narrativa não linear, o longa também retorna à época em que Nino e Yasmina eram crianças e se tornaram grandes amigos na escola. O vínculo parecia inquebrável, até que as circunstâncias da vida os separaram por milhares de quilômetros. A premissa é simples, mas profundamente humana em sua execução. Aqui, o Líbano não funciona apenas como cenário, mas como um personagem ativo da trama. As crises econômicas, políticas e sociais que marcaram o país ao longo das décadas moldam diretamente os caminhos dos protagonistas e influenciam cada etapa de sua relação, e o espectador acompanha diferentes fases desse vínculo em paralelo às transformações e tragédias que atingem a nação, tornando impossível dissociar a história de amor do contexto que a envolve.

Além do caos externo, ambos também cresceram em ambientes familiares conturbados, o que contribuiu para aproximá-los ainda mais. Yasmina passou a infância testemunhando as constantes brigas dos pais, enquanto Nino perdeu a família muito cedo em um acidente devastador. Embora tenham passado mais de três décadas sem notícias um do outro, o reencontro traz à tona memórias, cicatrizes e questionamentos que o tempo jamais foi capaz de apagar. Mais do que uma história sobre coincidências ou reencontros, o filme reflete sobre a permanência dos laços afetivos mesmo quando tudo ao redor parece desmoronar.


Por fim, o título da obra sintetiza perfeitamente sua essência. O mundo retratado por Ciryl Aris é, de fato, triste, marcado por guerras, perdas, crises e incertezas, mas também é belo, justamente porque mesmo diante de tantas adversidades, ainda existe espaço para o amor, para a esperança e para as conexões humanas.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Crítica: Erupcja (2025)


Em polonês, Erupcja significa "erupção", e este fenômeno natural é um elemento crucial na trama do novo filme de Pete Ohs, protagonizado pela cantora britânica Charli XCX e pela atriz e produtora polonesa Lena Góra, que interpretam duas personagens cuja conexão extrapola o físico e que nem o passar dos anos e a distância foram capazes de dissolver.


Com um narrador onipresente, que comenta detalhes importantes sobre os personagens que estamos vendo em tela, o filme começa nos apresentando à Nel (Lena), que herdou uma floricultura de sua mãe e trabalha no local desde jovem. Em paralelo, conhecemos o casal Bethany (Charli) e Rob (Will Madden), que acabaram de chegar à Varsóvia vindos de Londres e se hospedam em um Airnbnb no centro da cidade. Enquanto ela cresceu na capital polonesa, seu namorado está conhecendo a cidade pela primeira vez, e ambos possuem expectativas diferentes para a viagem: ele quer aproveitar o poder sentimental que a cidade exerce em Bethany para pedi-la em casamento, enquanto ela quer se reencontrar com Nel, com quem tem uma relação estreita e intensa desde a adolescência.

É nítido, desde o início do filme, que Bethany carrega consigo algumas inquietações, que nem ela mesma consegue compreender completamente. Desta forma, a viagem acaba se tornando não apenas um reencontro com o passado, mas uma espécie de fuga emocional. Ela sabe que será pedida em casamento pois encontrou as alianças antes da viagem, e entrou em modo de pânico diante da perspectiva de tomar uma decisão para a qual não se sente preparada. Trata-se de uma personagem cujas atitudes aparentam ser imaturas e até mesmo repulsivas, mas que claramente não age por maldade. Bethany é apenas uma criatura perdida na vida, incapaz de entender os seus desejos e que, inevitavelmente, arrasta quem está ao seu lado junto neste turbilhão.


O ponto central da trama, no entanto, é a relação entre Bethany e Nelka, que aos poucos se revela muito mais complexa do que uma simples amizade. Há um elemento quase místico envolvendo as duas: desde que se conheceram aos dezesseis anos, toda vez que se reencontram, algum vulcão entra em erupção em alguma parte do mundo. Este, inclusive, é um dos argumentos utilizados por Bethany para justificar por que não vê Rob como seu parceiro ideal, já que com ele, segundo suas palavras, "não existem erupções". 

Simbolicamente, os vulcões funcionam como uma representação daquilo que existe de mais intenso dentro dessas duas mulheres. Quando Bethany afirma que com Rob não existem erupções, ela não está necessariamente dizendo que não o ama, mas que aquela relação não desperta nela a mesma sensação de descoberta e intensidade que Nel provoca. Pete Ohs conduz essa história com delicadeza, evitando transformar o filme em um romance convencional ou em um drama centrado em um triângulo amoroso, até porque o que une Bethany e Nel não é completamente explicado, permanecendo envolto por uma atmosfera de mistério que torna a experiência ainda mais intrigante.

Charli XCX entrega uma boa estreia como protagonista, na pele desta personagem impulsiva, inquieta e difícil de decifrar. Já Nel é uma figura cuja presença marca profundamente cada cena em que aparece, e não por acaso, parece estar constantemente atraindo a atenção das pessoas ao seu redor. Há algo de magnético em sua postura, uma combinação de confiança e vulnerabilidade que Lena Góra interpreta com enorme naturalidade. Uma curiosidade interessante é que o diretor declarou, recentemente, que todos os atores trabalharam de forma colaborativa no roteiro, determinando os rumos dos seus próprios personagens, e talvez seja justamente por isso que as relações apresentadas em tela soem tão orgânicas.


Entre romance, drama e realismo mágico, Erupcja constrói um retrato sobre pessoas que tentam compreender seus próprios desejos enquanto lidam com as expectativas que a vida adulta impõe. Assim como um vulcão pode permanecer silencioso durante anos antes de explodir, o filme sugere que alguns sentimentos jamais desaparecem por completo, eles apenas aguardam o momento certo para voltar à superfície.