Grande vencedor do último Festival de Brasília, A Febre marca a estreia da diretora carioca Maya Da-Rin no mundo dos longa-metragens. Filmado quase inteiramente em um dialeto indígena da Amazônia, o enredo se passa em Manaus e acompanha Justino (Regis Murupi), um indígena que deixou sua aldeia há anos para viver na cidade grande, e hoje trabalha como segurança no porto de cargas da capital amazonense.
O longa é um pequeno retrato de como vivem os povos indígenas nos dias de hoje, inseridos na civilização "branca" mas tentando manter suas tradições e sua cultura vivas, mesmo debaixo de muito preconceito. Alguns momentos me marcaram muito, como a cena em que um colega de Justino chama os índios que vivem em aldeias de "índios de verdade", praticamente invalidando que Justino seja um deles pelo fato dele viver na cidade. Até mesmo familiares de Justino tem um pouco desta visão, de que ao viver na zona urbana ele deixou de fazer parte do seu povo. Essa perda de identidade também é algo que fere Justino e o deixa bastante confuso quanto ao que ele é de verdade.














