A história do Conde Drácula é amplamente conhecida. Desde os primórdios do cinema, incontáveis adaptações do romance de Bram Stoker chegaram às telas, seja sob o nome do próprio vampiro ou na figura icônica de Nosferatu. De volta aos cinemas após Dogman (2023), o diretor francês Luc Besson (de O Quinto Elemento e O Profissional) decide apresentar sua própria versão do mito, e embora tenha passado despercebido pelo grande público nos cinemas, Drácula: Uma História de Amor Eterno tem suas qualidades, em um filme esteticamente grandioso e narrativamente ambicioso.
A trama tem início em 1480, quando Drácula (Caleb Landry Jones) ainda não havia se tornado a criatura lendária que conhecemos. Príncipe da Valáquia, na região da atual Romênia, Vlad era respeitado tanto por sua posição na aristocracia quanto por sua devoção à Igreja Católica. Nesse período, ele vive uma paixão arrebatadora por Elisabeta (Zöe Bleu), amor plenamente correspondido e responsável por lhe conferir uma sensação de plenitude absoluta. No entanto, após a morte violenta da amada, Vlad renuncia a Deus em um ato de fúria e desespero, desencadeando a maldição que lhe concede a imortalidade e o transforma em vampiro.
Quatrocentos anos se passam, e o agora Conde Drácula vive isolado em seu castelo monumental. Durante muitos anos ele viajou o mundo tentando encontrar Elisabeta em outras mulheres, temente de que ela reencarnaria a qualquer momento. No entanto, ele nunca obteve sucesso, o que foi lhe deixando cada vez mais melancólico e recluso. A esperança ressurge quando ele fica sabendo da existência de Mina, uma jovem idêntica à Elisabeta, que vive em Paris e está noiva de Jonathan (Ewens Abid).
Embora a estética gótica remeta diretamente ao clássico Drácula de Bram Stoker (1992), de Francis Ford Coppola, Luc Besson imprime aqui uma assinatura bastante particular. O diretor aposta em elementos fantasiosos e quase barrocos, como gárgulas que ganham vida e servem como “empregados” do conde, além de sequências de dança que evocam musicais performáticos. O resultado é um visual exuberante e mais imaginativo do que o habitual, que casa com um ritmo frenético que não deixa o filme cair na monotonia. A fotografia é encantadora, bem como o figurino e os cenários, todos criados com muito esmero nos detalhes.
Na parte das atuações, o destaque é Caleb Landry Jones, ator que admiro e acompanho de perto desde o ótimo e desconhecido Nitram (2021). Sua interpretação confere ao Drácula um caráter ambíguo, oscilando entre a melancolia profunda e uma sedução quase trágica. Aqui, o vampiro deixa de ser apenas uma figura enigmática para assumir plenamente o papel de um amante condenado, movido pelo luto e pelo desejo eterno.
Diferentemente de outras versões do personagem, o filme dá um peso maior à questão religiosa, explorando o conflito entre fé, culpa e redenção, e acredito que este seja o seu único ponto fraco, sobretudo no desfecho raso que vai diretamente ao encontro desta abordagem do diretor. Entretanto, é inevitável dizer que Drácula: Uma História de Amor Eterno é uma experiência singular, em uma obra que une terror, romance e até mesmo ação com competência e apuro técnico.




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