Bonnie & Clyde (1967) e Assassinos por Natureza (1994) são os primeiros filmes que me vêm à cabeça quando se fala de casais fora da lei em fugas eletrizantes pelas estradas dos Estados Unidos. Nitidamente bebendo da mesma fonte, Carolina Caroline, do diretor Adam Rehmeier, acompanha Caroline (Samara Weaving) e Oliver (Kyle Gallner), um casal que também mistura paixão e crime de maneira enérgica e pulsante.
Caroline vive em uma pacata cidade do Texas, trabalhando como "faz tudo" em uma loja de conveniência de um posto de estrada. Seu destino cruza com o do forasteiro Oliver quando ele chega ao local para fazer pequenas compras. Exímio golpista, Oliver engana o dono do posto fazendo um truque com uma nota de um dólar, e Caroline assiste tudo com uma certa admiração. Ela se sente atraída instantaneamente por ele, não só pelo crime em sim, mas por ele mostrar inteligência e sobretudo por ter um espírito livre, algo que ela inveja, já que nunca sequer saiu da cidade.
Unindo a vontade de sair da rotina pacata com o desejo de viajar pelo país, Caroline se apega a Oliver e quer que ele a ensine suas práticas criminosas para que ela possa ajudá-lo. Em conjunto, os dois começam a planejar crimes cada vez mais ousados, partindo de pequenos golpes financeiros para grandes assaltos a bancos. Enquanto isso, Caroline carrega um drama interno que se torna o principal motor emocional da narrativa: o desejo de conhecer a mãe, que lhe abandonou quando ela ainda era um bebê. Sendo assim, os planos do casal consistem em aplicar seus golpes enquanto atravessam o país rumo à Carolina do Sul, onde vive Deborah (Kyra Sedgwick), que, apesar de sua pequena participação, rouba a cena e funciona como um novo divisor de águas na vida da protagonista.
Ainda que o filme consiga prender a atenção até o fim, não dá para ignorar que sua progressão é bastante previsível e os clichês vão se amontoando a cada nova cena. A atuação de Samara Weaving também me soou excessivamente forçada, o que, em determinados momentos, torna algumas de suas reações menos naturais. Por sua vez, Kyle Gallner se mostra mais firme como um personagem carismático, que não soa como um criminoso qualquer e consegue transmitir certa ambiguidade. A trilha sonora country combina perfeitamente com a atmosfera da produção, enquanto as estradas, postos de gasolina e pequenas cidades americanas ajudam a construir uma identidade visual que remete aos road movies e aos filmes de perseguição criminal dos quais a obra claramente bebe.
Apesar dos problemas, Carolina Caroline, está longe de ser um filme descartável, sobretudo quando transforma a fuga da protagonista em uma espécie de jornada de auto descoberta. É, por fim, um filme que sabe das suas limitações, mas que mesmo assim não deixa de ser divertido e envolvente, sobretudo pela química dos seus protagonistas.



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