domingo, 14 de abril de 2013

Recomendação de Filme #12

                                 O Grande Golpe (Stanley Kubrick) - 1956

É sempre interessante analisar os primeiros trabalhos de um cineasta como Stanley Kubrick, que posteriormente veio provar toda a genialidade que se é conhecida. Mesmo filmado quando sua carreira ainda estava engatinhando (embora já possuísse traços do seu estilo marcante), me atrevo a dizer que O Grande Golpe (The Killing) é um dos melhores filmes de vigaristas já produzido na história.




Baseado em um livro do escritor Lionel White, o longa conta a estória de um grupo que planeja um grandioso roubo, exatamente no dia em que ocorreria uma importante corrida de cavalos. O "grande golpe" renderia cerca de 2 milhões de dólares aos bandidos, mas como todo bom filme do gênero, é óbvio que as coisas sairiam do controle e nada seria tão fácil quanto parecia.


Kubrick cria um ambiente angustiante, onde cada cena parece preceder um acontecimento importante ou revelador. Com uma bela montagem de imagens (típico dos seus filmes seguintes), o diretor cria uma atmosfera tensa, mostrando o lado "sujo" e "podre" do ser-humano.




No começo, o filme é um tanto confuso, já que inicia no meio dos acontecimentos, sem explicações e muito menos apresentações. Porém, a partir de um dado momento, o filme passa a ficar claro, e toda a ação prende o espectador até o fim. Kubrick, que ficaria famoso por sua obra ser quase toda preenchida de adaptações, mostrava um futuro promissor no seu modo de contar estórias.

É importante frisar que ele é contado em uma estrutura não-linear, que na época não era tão comum quanto hoje. O diretor começa do meio da estória, mostra o antes e o depois sem uma estrutura reta, mas o filme em momento algum fica incompleto. Pelo contrário.



De 1956 para cá, foram feitos incontáveis filmes sobre roubos, mas mesmo depois de tantos anos, O Grande Golpe não se tornou ultrapassado. Pelo contrário, ainda serve de referência, e é uma obra obrigatório no currículo de todo amante de cinema que se preze.

sábado, 13 de abril de 2013

Crítica: A Caça (2012)


O diretor Thomas Vitenberg, que ficou conhecido por formar o movimento Dogma 95 ao lado do também dinamarquês Lars Von Trier, despontou para o cinema ainda nos anos 90 com seu trabalho mais convincente até então, Festa em FamíliaAgora, mais de 15 anos depois, Vintenberg volta a ter seu nome aclamado com um filme grandioso, que talvez seja afinal o melhor da sua carreira, mostrando todos os efeitos que causam um pré-julgamento da sociedade na vida de um indivíduo comum.




A Caça (Jengen) conta a estória de Lucas, um professor do jardim de infância que ama cuidar de suas crianças. Os problemas de Lucas começam quando Klara, uma menininha doce e angelical, insinua a supervisora do jardim que Lucas teria mostrado suas partes íntimas a ela. Na verdade, Klara havia nutrido uma paixão pelo professor e inventou essa mentira por não ter tido essa paixão correspondida. A menininha conta sua mentira sem ter o mínimo de noção do que isso acarretaria, não só para Lucas, mas para o vilarejo inteiro.



O fato dá início a uma série de perseguições morais contra o personagem, vivido brilhantemente por Mads Mikkelsen (que já havia me agradado em O Amante da Rainha e novamente prova ser um grande ator). Os adultos não acreditam na palavra do professor, já que preferem acreditar que "crianças nunca mentem". A situação vira caso de polícia, e Lucas chega a ser preso por pedofilia.





É interessantíssimo notar a forma como o diretor nos mostra toda o desenrolar da estória. É normal ficarmos revoltados com a reação da população, mas ao mesmo tempo, se analisarmos friamente, notamos que provavelmente faríamos o mesmo, ou até pior, o que nos impede de os julgarmos como culpados. Vitenberg nos mostra diferentes pontos de vista com sabedoria, gerando uma tensão crescente a cada cena.



Mas o fato mais importante é que o filme trata, como já foi dito, do devastador efeito de pré-julgamento feito pelas pessoas em determinadas situações. Achei a escolha do nome propícia, até pelo fato do professor ser também um caçador (o caçador que vira caça, mais ou menos isso).





Sobre o final, fica uma única questão: é possível, depois de todo trauma moral, alguém continuar morando num mesmo local, convivendo com as mesmas pessoas, e vivendo tranquilamente? Na visão de Vintenberg, e na minha também, isso é impossível, já que as marcas do passado não se apagam tão facilmente quanto se pensa.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Os 5 melhores filmes de Gâgsters de todos os tempos.

Linguagem suja, violência explícita, falta de caráter em praticamente todos os personagens, e bandidos que "cativam" o espectador com seu carisma. Esses são apenas alguns dos ingredientes que encontramos nos filmes de gângsters, um gênero que surgiu nos anos 30/40 e atingiu seu auge nos anos 70/80.

Esse é certamente um dos temas mais frequentes do cinema, e um dos que mais lucraram ao longo dos anos. Prova disso é que grande parte dos maiores cineastas do mundo já se aventuraram no gênero (a maioria com grande êxito), o que acabou tornando o estilo popular, além de ajudar a arrecadar uma legião de fãs.

Abaixo, fiz uma lista dos [meus] 5 melhores filmes sobre o assunto criminosos mafiosos e suas façanhas:


1- O Poderoso Chefão; de Francis Ford Coppola.


Pode até parecer clichê, mas é indiscutível para qualquer amante da sétima arte que O Poderoso Chefão (The Goodfather) seja o principal representante do gênero e o melhor de todos os tempos. Na trilogia, o conceituado diretor Francis Ford Coppola conseguiu fazer uma leitura perfeita de como funciona a máfia Italiana, adaptando impecavelmente para as telas o livro de Mario Puzo. Como diz em um livro que li, "assistir a trilogia completa de O Poderoso Chefão é o equivalente a um semestre de uma faculdade de cinema'. E eu concordo plenamente, já que você percebe em cada cena todos os elementos imprescindíveis para um filme se tornar uma verdadeira obra-prima.


2- Os Intocáveis; de Brian de Palma.


Seu lugar nessa lista não é gratuito, muito menos em vão. Os Intocáveis merece estar no mesmo hall de clássicos, já que é (apesar de não reconhecido como merece) outra obra-prima do gênero. Talvez menos audacioso do que a trilogia de Coppola no quesito roteiro, mas tecnicamente impecável, De Palma nos transporta, com ajuda de um elenco sensacional (incluindo Robert de Niro e Sean Connery), àquela Chicago dos anos 30, dominada pela "gang" de Al Capone. O filme talvez seja a grande obra do diretor, e é dono de cenas clássicas e inesquecíveis, como a famosa sequência do carrinho de bebê na escadaria da estação do trem. Clássico absoluto!


3 - Os Bons Companheiros; de Martin Scorsese.



Um mergulho na mente de um gângster, mostrando sua mente sem anseios, sem motivações, e os motivos que o levam a ter a vida criminosa como subterfúgio para sua sobrevivência. É mais ou menos essa a idéia central de Os Bons Companheiros (Goodfellas), do diretor Martin Scorsese. Desde sempre, Scorsese mostrou forte aptidão para mostrar o cotidiano criminoso em ambientes pútridos e violentos, e ao contrário da grande maioria dos filmes do gênero, ele quis mostrar nesse filme a parte "pobre" dos gângsters, a busca de ascenção (nem sempre conquistada) e a degradação em busca de fama e dinheiro. Uma grande obra, que merece estar na prateleira de qualquer cinéfilo que se preze.


4 - Era Uma Vez na América; de Sergio Leone.



Todo conto de fadas começa com a frase "Era Uma Vez", e é mais ou menos isso que eu usaria para definir essa excelente obra do diretor Italiano Sergio Leone: um conto de fadas sobre a criminalidade. De forma lírica, e cheia de metáforas visuais, o filme conta a infância, a adolescência, a vida adulta e por fim a velhice de um mafioso judeu de Nova York, vivido pelo ator Rober de Niro (o campeão de participações em filmes do gênero). Ao narrar sua vida, o filme mostra suas amizades, sua ascenção ao crime, e foca principalmente nas perdas que ele teve por ter aceitado esse estilo de vida. Talvez seja o trabalho mais maduro desse mestre Italiano, que ficou mais conhecido por seus filmes de faroeste.


5- Scarface; de Brian de Palma.



Há controvérsias entre considerar Scarface um filme de gângster ou não. Geralmente são considerados filmes do gênero os que se passam nas primeiras décadas do século 20, enquanto esse se passa nos anos 80. Porém, a menção dele é válida pelo fato de ser um filme com todos os ingredientes ditos no começo desse texto: violência, drogas, linguagem suja e nenhum personagem correto. De Palma provou nesse filme que sabia filmar sobre o assunto como ninguém, e acabou nos dando de presente mais um grande clássico. O ponto alto é a atuação visceral, como sempre, do grande Al Pacino.

domingo, 7 de abril de 2013

Recomendação de Filme #11

                               Dançando no Escuro (Lars von Trier) - 2000

O dinamarquês Lars von Trier não está na lista dos meus diretores favoritos por mero acaso. Esse fato se deve muito ao que ele fez nesse filme, antecessor do clássico Dogville, que mudou completamente os parâmetros que eu tinha a respeito da sua arte.




Dançando no Escuro (Dancer in the Dark) se passa em 1964 e conta a estória de Selma, vivida pela cantora Björk, uma imigrante do leste europeu que vai para os Estados Unidos acompanhada de seu filho pequeno. Selma possui uma doença hereditária que a deixará cega em pouco tempo, e trabalha incansavelmente, dia e noite, com apenas um objetivo: guardar dinheiro para pagar uma cirurgia para o filho, que sofre do mesmo mal.

A crítica do diretor aos Estados Unidos se faz presente o tempo inteiro. Por ser uma imigrante, Selma acaba sendo explorada no território americano, até chegar a um fim trágico. É impossível ficar indiferente ao que acontece com a personagem, em um dos filmes mais dramáticos e fortes que já tive a oportunidade de assistir.




Intercalando o enredo normal com passagens musicais (que aparecem em devaneios da personagem), Lars von Trier nos traz um filme soberbo, para não dizer perfeito. É nessas visões que a personagem encontra uma válvula de escape para a vida sofrida, principalmente por ter crescido assistindo musicais no cinema.

Um ponto forte do filme é a protagonista. Björk provou que além de cantar, sabe atuar muito bem. Sua personagem é difícil, e ela conseguiu transparecer com veracidade cada sentimento proposto pelo diretor. Realmente, pode-se dizer que ela mereceu todos os prêmios que ganhou por sua atuação.

Outro ponto interessante da trama, é que Von Trier não faz uso de nenhuma espécie de tecnologia, e filma o longa inteiro com sua câmera digital. O que poderia ser um trabalho nas mãos de um diretor qualquer, se tornou uma bela sacada nas mãos dele. O filme possui uma bela fotografia, principalmente nos momentos musicais. Enfim, no melhor estilo Lars von Trier, é uma estória crua, dura e que deixa um nó na garganta ao terminar. Uma bela obra cinematográfica, que merece ser vista por todos.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Especial Dia da Mentira: 5 bons filmes sobre o tema.

A mentira pode ter diversas faces. Seja com mentiras bem intencionadas, ou com impostores de carteirinha, a figura do mentiroso sempre esteve presente no mundo dos filmes. Alguns são tão carismáticos e consistentes nas suas mentiras, que a gente acaba até acreditando naquilo que dizem.

Abaixo, uma pequena lista com 5 filmes sobre o tema que valem a pena serem assistidos:

1 - Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas; Tim Burton (2003).
Tim Burton, conhecido por suas narrativas fantasiosas, nos traz em Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (Big Fish) a estória de Ed Bloom, um contador de histórias que adora contar sua vida aos outros mesclando realidade com ficção. A sensibilidade com que é filmada a trama nos transporta para um mundo irreal, onde todos nós gostaríamos, no fundo, de viver.

A fotografia é belíssima, e é impressionante a forma com que o Burton, do qual confesso não ser um grande fã, consegue mostrar a relação de um pai com seu filho em formato de fábula. Enfim, uma grande obra que merece todo o reconhecimento.




2 - Adeus, Lênin; Wolfgang Becker
Em Adeus, Lênin (Good Bye, Lênin), temos o caso de uma mentira contada para o bem de todos. A mãe de Alex Kernel passa mal e entra em coma dias antes da queda do muro de Berlim e a restauração do capitalismo na Alemanha. Ao acordar, para evitar um choque em sua mãe, Alex e sua irmã decidem ocultar as reviravoltas políticas que o país sofreu durante o período em que ela esteve desacordada, e para isso acabam criando um mundo novo, literalmente, onde a Alemanha ainda vivia debaixo do socialismo.

Cultuado como um dos melhores filmes Alemães de todos os tempos, é um filme sobre mentira, mas uma mentira contada em uma ocasião necessária.



3 - Prenda-me se for Capaz; Steven Spielberg (2002)
Contando com um grande elenco, com nomes como Leonardo Di Caprio e Tom Hanks, além da direção experiente de Steven Spielberg, Prenda-me Se For Capaz (Catch Me If You Can) conta a história de Frank Abagnale Jr., um mestre na arte do disfarce, que com menos de 18 anos já havia se passado por médico, advogado e até mesmo co-piloto de uma aeronave. Ao praticar golpes milionários, ele desperta a atenção de um agente da Cia, que passa a tentar capturá-lo.

O filme foi um grande sucesso no ano de seu lançamento, e os críticos o elogiam com vigor.





4 - Vip's; Toniko Melo (2010)
Filme nacional estrelado pelo ator Wagner Moura, Vip's conta a verdadeira história de Marcelo Nascimento da Rocha, um farsante de primeira que se passa por diversas pessoas usando identidades falsas.

O grande momento que desencadeou sua descoberta, foi quando Marcelo se passou pelo filho do presidente da Gol Linhas Aéreas, Henrique Constantino, ao vivo em um programa de televisão, durante o carnaval de Recife.

Confesso que Vip's foi pra mim uma grande surpresa, e um dos filmes nacionais mais bem feitos dessa nova geração.



5 - O Mentiroso; Tom Shadyac (1997)
Pode até ser clichê, mas era imprescindível falar de O Mentiroso (Liar, Liar). O clássico das tardes na televisão estrelado pelo comediante/ator Jim Carrey conta a estória de Fletcher Reede, um advogado mentiroso de carteirinha que se vê em apuros quando, ao soprar as velinhas do seu aniversário, seu filho pede que ele passe um dia inteiro sem contar mentiras.

É uma comédia leve, que consegue aquilo que promete: render boas risadas.