quarta-feira, 15 de julho de 2026

Crítica: Backrooms: Um Não-lugar (2026)


A lenda dos "backrooms" surgiu em 2019 dentro de um fórum na internet, onde uma imagem de um corredor amarelo aparecia acompanhada por textos sobre "sair da realidade". Três anos depois, Kane Parsons transformou essa história em uma websérie de curtas que viralizou no Youtube, acumulando milhões de visualizações. Confesso a vocês que nunca vi os curtas e portanto caí de "paraquedas" no longa Backrooms: Um Não-Lugar, após ele ter se tornado um dos maiores fenômenos do terror neste ano. Naturalmente, logo após terminar o filme, dei uma boa pesquisada no conceito original e, pelo pouco que vi, ficou claro que o filme é extremamente fiel à proposta que o originou, até por contar com a direção do mesmo Kane Parsons, em sua estreia em longas-metragens.


Os corredores amarelos de formatos irregulares, labirínticos e infinitos, as luzes fluorescentes, os objetos amontoados pelo caminho e a constante sensação de que algo profundamente errado existe naquele lugar criam uma atmosfera desconfortável e hipnótica desde os primeiros minutos. A premissa é, de certa forma, simples. Nela, acompanhamos Clark (Chiwetel Elijofor), um homem de meia-idade que enfrenta uma profunda depressão após o divórcio com a esposa. Afundado no alcoolismo e presenciando a decadência de sua loja de departamentos, que por sua vez também virou sua moradia improvisada, ele procura ajuda com a terapeuta Mary (Renate Reinsve), que o instiga a repensar a própria vida. Ao investigar pequenas quedas de luz na loja, Clark encontra uma espécie de "falha" nas paredes do subsolo, que o levam a um lugar estranho, que desafia qualquer lógica.

Curioso com a descoberta, Clark vai explorando mais profundamente o espaço, ficando cada vez mais intrigado com seus longos e silenciosos corredores, em um enigma que o consome aos poucos e o leva a questionar a própria sanidade. Para tentar provar aos outros (e também a si mesmo) que não está enlouquecendo, ele convida seus dois funcionários, Kat (Lukita Maxwell) e Bobby (Finn Bennett), para explorar o local juntos, registrando tudo com uma câmera analógica. Em paralelo, a terapeuta de Clark também acaba adentrando o espaço, tornando-se mais uma personagem presa neste mistério indecifrável e incompreensível.

Kane Parsons demonstra um domínio admirável da linguagem visual, utilizando enquadramentos amplos, corredores intermináveis e um uso do som inquietante para transmitir uma sensação genuína de isolamento. A câmera analógica reforça o aspecto documental da experiência, aproximando o espectador daquele pesadelo e aumentando a sensação de realismo. O problema é que o diretor, em nenhum momento, se preocupa em explicar o que é este lugar, tampouco as inúmeras situações vividas pelos personagens enquanto parecem ser observados por criaturas misteriosas.


A ausência de respostas não seria um problema se o roteiro desse ao espectador um caminho para desenvolver suas próprias interpretações, o que não acontece aqui. O mistério deixa de ser fascinante para se tornar frustrante, principalmente em seu terço final. A intenção parece ser instigar o público para posteriormente expandir esse universo em continuações, mas isso acaba criando um efeito contrário, fazendo o público perder o interesse. Desta forma, Backrooms: Um Não-Lugar funciona muito melhor como uma experiência sensorial e imersiva do que como uma narrativa propriamente dita, o que faz ele ser incompleto e esquecível.

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