Em 6 de junho de 1944, tropas militares Aliadas iniciaram a Operação Overlord nas praias da Normandia, naquele que ficou conhecido como o Dia D. O objetivo da missão, liderada pelo general norte-americano Dwight D. Eisenhower, era criar uma nova frente de batalha para libertar a Europa Ocidental do controle nazista. Pressão (Pressure), do diretor Anthony Maras, conta as 72 horas que antecederam esta ação militar que mudou os rumos da Segunda Guerra, mas sob uma ótica um tanto curiosa e até então inexplorada: a dos meteorologistas do exército.
Quando se fala em estratégias de batalhas, poucos lembram de algo determinante para que elas funcionem: o clima. Ao invés de tiros e explosões, o filme nos coloca dentro de salas militares claustrofóbicas, onde mapas e probabilidades meteorológicas são discutidas e analisadas meticulosamente. Afinal, para o sucesso de uma operação de tamanho porte e importância, era essencial saber se o tempo estaria propício. É neste contexto que o capitão James Stagg (Andrew Scott), um renomado meteorologista britânico, é chamado para entregar a previsão do tempo mais assertiva possível.
É bom lembrar que estamos falando de 80 anos atrás, período em que a tecnologia que conhecemos hoje ainda engatinhava. E com os equipamentos de meteorologia, a situação não era diferente. Por meio de engenhocas que, aos nossos olhos, parecem bastante estranhas, Stagg chegou a uma conclusão que ninguém queria ouvir: a data marcada para o deslocamento tinha chances reais de tempestades severas. A partir de então, grandes embates surgem entre Stagg e o Coronel Krick (Chris Messina), da força aérea dos Estados Unidos, que em contrapartida apresenta dados diferentes de acordo com seus métodos particulares de estudo, prevendo bom tempo para a ocasião. E como adiar a operação não fazia parte dos planos, ficou fácil adivinhar de que lado eles optariam ficar.
A estrutura do filme é bastante protocolar. O roteiro, desde o início, caminha de forma rasa para uma conclusão óbvia sobre quem dos dois está certo, e isso acaba tirando boa parte do suspense que poderia manter a narrativa em ebulição. Entretanto, não dá para considerar o filme um grande desastre. A ideia de acompanhar uma das maiores operações militares da história a partir das previsões meteorológicas é, por si só, excelente, justamente porque desloca o foco das batalhas para uma disputa silenciosa, na qual uma informação aparentemente banal seria determinante para a vida de milhares de soldados.
Por fim, Pressão mostra que, por trás de grandes acontecimentos históricos, muitas vezes existem decisões tomadas longe dos campos de batalha, e cuja importância nem temos ideia. Afinal, quem iria imaginar que uma previsão meteorológica poderia mudar o rumo da humanidade? É uma perspectiva no mínimo interessante, ainda que falte mais ousadia ao filme.

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